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Kolecti leva a análise multiespectral ao centro do controle de qualidade florestal

Controle de qualidade baseado em dados amplia eficiência e competitividade.

Após um ciclo de profunda transformação e investimentos em parcerias globais — como a união estratégica com a Nova Spectra — a Kolecti consolidou sua missão de ser o elo inteligente entre o campo e a indústria. Existimos para que o acaso não tenha lugar na floresta.

Em um setor cada vez mais orientado por eficiência, previsibilidade e sustentabilidade, o controle de qualidade deixou de ser apenas uma etapa operacional para se tornar um diferencial estratégico na cadeia florestal. É nesse contexto que a Kolecti vem ganhando protagonismo ao aplicar a análise de imagem multiespectral — tecnologia já consolidada em mercados internacionais — às demandas específicas de sementes, viveiros e indústrias florestais no Brasil.

A empresa atua de forma integrada em reprodução florestal, polinização suplementar  tecnologias internacionais com inteligência artificial para mapeamentos de pomares e a análise multiespectral, entregando soluções inovadoras e sustentáveis para o setor agroflorestal, com dados confiáveis que apoiam decisões estratégicas e a eficiência operacional.

Da avaliação visual aos dados objetivos

Segundo a engenheira agrônoma e gerente da Kolecti, Andreza Cerioni, a principal mudança trazida pela análise multiespectral está na ruptura com métodos baseados exclusivamente na avaliação visual humana.

“Na prática, o que muda é agilidade, precisão e padronização. O controle de qualidade passa a ser automatizado por imagem multiespectral, o que aumenta a eficiência da operação e dá muito mais segurança na tomada de decisão”, explica.

O equipamento utilizado pela Kolecti, o VideometerLab, captura imagens em até 19 comprimentos de onda diferentes. Cada pixel da imagem carrega um conjunto completo de informações espectrais que, combinadas a softwares e modelos estatísticos, transformam imagens em dados quantitativos.

“Essas informações permitem identificar características que o olho humano não consegue enxergar. A imagem deixa de ser apenas visual e passa a ser uma fonte robusta de dados”, resume Andreza.

Figura 2. VideometerLab4 com opção autofeeder analisando sementes de pinus.

Apesar do alto nível de automação, Andreza ressalta que a análise multiespectral não é uma solução genérica ou padronizada. Cada aplicação exige o desenvolvimento de um projeto específico, com construção de modelos estatísticos e calibração da tecnologia de acordo com o problema a ser resolvido.

“Não é uma tecnologia pronta. Para gerar valor real, é preciso entender o processo do cliente, identificar as variáveis críticas e desenvolver modelos que traduzam aquelas imagens em respostas confiáveis. É justamente nesse ponto que ciência e campo se encontram”, explica.

Gargalos históricos na produção de sementes florestais

A aplicação da tecnologia se mostra especialmente relevante diante dos gargalos enfrentados por viveiros e produtores florestais, sobretudo no Sul do Brasil, onde a produção de sementes de pinus é central para o setor.

Entre os principais desafios estão a presença de sementes vazias dentro dos lotes, sementes inviáveis ou com baixa velocidade de germinação, problemas de dormência e questões fitossanitárias que comprometem a uniformidade das mudas.

“Esses fatores reduzem a eficiência produtiva e aumentam perdas ao longo do processo. A análise multiespectral permite identificar esses problemas de forma rápida, não destrutiva e padronizada”, destaca Andreza.

Ao utilizar diferentes comprimentos de onda, uma única imagem é capaz de mapear diversos parâmetros do material analisado, reduzindo a necessidade de múltiplos testes, mão de obra altamente especializada e laboratórios distintos para cada tipo de análise.

Figura 3. Imagem RGB e transformada utilizando componentes multiespectrais de sementes de pinus cheias e vazias.

Controle de qualidade ao longo de toda a cadeia florestal

Para Julio César Soznoski, fundador e diretor da Kolecti, a demanda por padronização baseada em dados se estende por toda a cadeia florestal, indo muito além dos viveiros.

Na prática, a Kolecti utiliza equipamentos de análise óptica e espectral para avaliar sementes e materiais vegetais de forma não destrutiva, permitindo identificar fissuras internas, ataques de insetos, deterioração de tecidos e variações fisiológicas ainda invisíveis a olho nu. Essas informações são aplicadas tanto em programas de melhoramento genético quanto no beneficiamento e na padronização de lotes”, afirma.

No setor industrial, a tecnologia também tem aplicações diretas na competitividade. Na indústria de papel e celulose, por exemplo, o monitoramento multiespectral permite avaliar parâmetros como relação celulose/lignina, homogeneidade da fibra e teor de umidade.

Figura 4. Análise de cor e granulometria de papel. Imagem RGB (esquerda), sob componente multiespectral (centro) e comparação do espectro de dois papéis superbrancos (direita).

“Quando a indústria conhece com precisão a qualidade da fibra que está entrando no processo, consegue calibrar o digestor de forma muito mais eficiente, reduzindo consumo de químicos e energia. Isso impacta diretamente o custo por tonelada de celulose produzida”, explica Soznoski.

Parcerias que elevam o padrão tecnológico

A atuação da Kolecti está diretamente ligada à parceria com a Videometer, empresa dinamarquesa referência mundial em análise multiespectral, e com a Nova Spectra, representante oficial da tecnologia na América Latina.

Segundo Soznoski, a incorporação de equipamentos que são padrão-ouro em laboratórios europeus elimina incertezas técnicas e eleva o nível de precisão disponível no mercado brasileiro. Já a Nova Spectra garante agilidade operacional, calibração adequada dos sensores e suporte no processamento de grandes volumes de dados, fator decisivo para atender grandes grupos do setor florestal.

“Essa parceria vai além da comercialização de equipamentos. Ela viabiliza escala, confiabilidade e aplicações que antes não eram possíveis no Brasil”, resume.

Tecnologia explicada: enxergar além do visível

Thomas Michelon, fundador e diretor da Nova Spectra, explica que a grande diferença do VideometerLab está na profundidade da análise.

“Uma câmera comum enxerga o mundo em três bandas — vermelho, verde e azul. O Videometer captura 19 bandas, incluindo ultravioleta e infravermelho próximo. É como observar o mesmo objeto sob 19 perspectivas diferentes, o que amplia drasticamente a capacidade de identificação e classificação de materiais florestais”, compara.

Figura 5. Imagem RGB e transformata utilizando componentes multiespectrais de sementes com e sem a presença de fusarium.

Muitas características relevantes dos materiais florestais não estão nas cores visíveis, mas nessas faixas invisíveis ao olho humano. É nelas que se encontram informações cruciais para diferenciar sementes, fibras ou biomateriais aparentemente iguais.

O conceito de “amostras digitais”

Outro avanço trazido pela tecnologia é o conceito de “sementes digitais”. Cada semente analisada gera um registro completo de imagem e dados, armazenado em banco de dados.

“A amostra física se degrada com o tempo. Já a informação digital permanece. Isso permite rastreabilidade, comparação histórica, contraprovas e maior transparência no controle de qualidade”, explica Michelon.

Esse histórico digital transforma a informação em um ativo estratégico, ampliando a confiabilidade, a rastreabilidade e o valor do produto ao longo do tempo

Escala, automação e futuro do setor

Para operações de grande escala, a opção Autofeeder automatiza a alimentação das amostras, permitindo análises de 100 a 300 gramas em poucos minutos. O resultado é um fluxo contínuo de dados, compatível com as demandas industriais.

Na avaliação de Michelon, a análise multiespectral é um caminho sem volta para o setor florestal e agrícola, especialmente diante da escassez de mão de obra especializada.

“Depois de treinado, o sistema exige pouca manutenção, gera resultados consistentes e se torna parte do conhecimento da empresa. É um investimento que se perpetua”, afirma.

Ciência aplicada ao negócio florestal

Para a Kolecti, o futuro passa menos pela venda de equipamentos e mais pela consolidação de uma nova lógica de gestão baseada em dados.

“Não se trata apenas de entregar sementes ou análises, mas de garantir que cada semente plantada e cada árvore colhida expressem o máximo de seu potencial biológico e econômico”, conclui Soznoski.

Ao unir rigor científico, tecnologia de ponta e aplicabilidade prática, a Kolecti se posiciona como um elo estratégico entre ciência e campo, ajudando o setor florestal brasileiro a avançar em eficiência, competitividade e sustentabilidade.

Saiba mais sobre a Kolecti no site.

Entre em contato pelo: contato@kolecti.com.br ou (48) 99692-0229.

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Agro brasileiro tem novas oportunidades de investimento com o Fundo Comum de Commodities

O objetivo do Fundo é apoiar projetos em commodities que ajudem a criar emprego, aumentar a renda familiar, reduzir a pobreza e melhorar a segurança alimentar em regiões menos desenvolvidas.

O empresário e economista Wilson Andrade participa, de 2 a 5/2/2026, de nova reunião do Conselho Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU), sediado em Amsterdam (Holanda).

No encontro serão analisados 12 novos projetos de commodities como avocado, grãos, café, arroz, abacate, castanhas, cacau, além de 5 empresas de microfinanciamento, dos países: Nigéria, Zimbábue, Nicarágua, Sri Lanka, Tanzânia, Peru, Gana, Costa do Marfim, Índia e Uganda.

O CFC (www.common-fund.org) é formado por 104 países-membros com a missão de apoiar o desenvolvimento econômico, social e ambiental, através de incentivos a commodities em todo o mundo.

O CC é composto por nove especialistas eleitos pelos países-membros indicados e eleitos que têm a função de definir prioridades para o Fundo, analisar, aprovar e acompanhar projetos que lhe são apresentados.

Em 2025, o CC do CFC da ONU examinou e aprovou 20 novos projetos da Colômbia, Egito, Guatemala, Honduras, Paquistão, Quênia, Ruanda, Serra Leoa, Tanzânia e Zâmbia; que envolvem as atividades de: tilápia, castanhas, pimenta, borracha, frutas, café, cacau, vegetais e óleos vegetais, e fundos de investimentos.

Na ocasião, Wilson Andrade foi também eleito vice-presidente do CC, entidade da qual foi indicado como conselheiro em 2017/2018 e foi presidente do CC em 2019/2020.

“Aprovamos três fundos que provêm o fomento direto para os pequenos produtores, além da assistência técnica e comercial.

Essa tendência vem aumentando e pode ser um ótimo exemplo para as pequenas propriedades e de agricultura familiar.

É preciso aproveitar experiências como essas de projetos financeiros para os negócios e regiões mais necessitadas do Brasil, como é o caso do semiárido nordestino.

Tenho especial interesse nos projetos que viabilizam investimentos nas commodities em parceria com outros fundos ou agências de desenvolvimento de menor porte em diversas regiões do mundo.

Essas parcerias viabilizam um efeito multiplicador dos investimentos e possibilitam uma troca de experiência desses fundos menores com o CFC no trato com as empresas, cooperativas e produtores demandantes de financiamento”, declarou.

Os projetos que serão analisados em fevereiro de 2026 terão um aporte de US$ 20 milhões do CFC, englobam US$ 60 milhões em investimentos que vão beneficiar as commodities das quais dependem 37 países ao redor do mundo. Segundo a ONU, estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas dependem diretamente do comércio de commodities ao redor do mundo. Isso inclui agricultores, trabalhadores da indústria extrativa e outras pessoas cujos meios de subsistência estão ligados ao setor.

Segundo a ONU, estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas dependem diretamente do comércio de commodities ao redor do mundo.

Isso inclui agricultores, trabalhadores da indústria extrativa e outras pessoas cujos meios de subsistência estão ligados ao setor.

“O agronegócio baseado nas commodities gera, em todo mundo, um bom percentual da economia total.

Todavia, há a preocupação no que diz respeito à melhor distribuição dos resultados da atividade com commodities entre os diferentes elos das cadeias produtivas.

É preciso corrigir a distribuição atual de rendimento dos resultados das commodities.

Por exemplo, o preço de um quilo de café no mercado consumidor final é exponencial e exageradamente maior que o preço ao produtor na base da cadeia produtiva.

Por isso é importante que nos preocupemos em apoiar o financiamento de projetos que favoreçam a verticalização das cadeias produtivas, com inclusão de tecnologias e inovações que permitam a melhor distribuição de rendimentos das atividades”, declarou Andrade que tem forte atuação na área internacional defendendo o agronegócio da Bahia e do Brasil.

Lamentando que nenhum projeto foi apresentado pelo Brasil em 2025, o empresário reforça a esperança de que no próximo edital – abril de 2026 – o país esteja representado.

“Com isso se amplia a oportunidade de financiamento para pesquisas e projetos de desenvolvimento de commodities na Bahia e no Brasil.

Já participamos da aprovação de um projeto da Bahia que recebeu apoio de US$ 1,5 milhão para a área de cítricos no semiárido da Bahia”, informou.

Para Andrade, com a presença de um brasileiro no CC, a Bahia e o Brasil ganham pelo acesso às informações e pela maior interação entre os países no desenvolvimento de commodities.

“A Bahia e o Brasil precisam se internacionalizar mais e este esforço tem que ser conjunto entre o Governo e a iniciativa privada.

E não apenas pela possibilidade de financiamento do Fundo, mas pelas oportunidades com outras fontes da ONU e de países-membros, aos quais podemos levar as demandas do nosso agronegócio – o setor que mais ajuda o Brasil a crescer”.

Parceria – Desde que se tornou membro do CC do CFC, Andrade firmou parceria com a Unijorge e a Comissão de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Associação Comercial da Bahia (Comex-ACB) que visa a divulgação da oportunidade, capacitação de projetistas e acompanhamento e estímulo de projetos locais.

O serviço é prestado com o apoio de entidades empresariais (Faeb, Fieb, Fecomércio, ACB, Aiba, Abrapa, ABAF, Assocafé, sindicatos industriais, sindicatos rurais, cooperativas etc.), de agentes de desenvolvimento (bancos, Desenbahia, Sebrae, fórum das pequenas empresas da SDE, câmaras setoriais etc.), de agentes governamentais (Seagri, SDE, SDR etc.), na área nacional (CNI, CNA, CNC, academias, institutos de pesquisas, consultorias especializadas em projetos agro etc.), entre outros.

“Este apoio e divulgação são compromissos extra que temos com o CFC”, acrescenta Andrade.

O CFC – Instituição financeira intergovernamental autônoma estabelecida no âmbito da ONU e tem 104 Estados-membros, dentre estes o Brasil.

Sua visão e missão incluem: contribuir para o crescimento social e econômico, o desenvolvimento sustentável, o acesso aos alimentos e a integração dos países em desenvolvimento com os mercados internacionais e regionais através da adição de valor sustentável a commodities e cadeias de valor relacionadas, sempre de forma convergente aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU.

Espera-se que o CFC seja um parceiro líder na operacionalização de atividades para commodities em países em desenvolvimento.

O CFC seleciona, aprova e apoia cerca de 40 projetos por ano e tem uma média de empréstimo de US$ 60 milhões anuais.

São propositores elegíveis: instituições públicas e privadas, instituições de desenvolvimento bilaterais e multilaterais, cooperativas, organizações de produtores, pequenas e médias empresas, empresas de transformação e comercial e instituições financeiras locais.

Os projetos devem ser financeiramente sustentáveis, escaláveis e com amplo impacto no desenvolvimento das partes interessadas nas cadeias de valor das commodities.

Devem criar emprego, especialmente para jovens e mulheres; aumentar a renda familiar; reduzir a pobreza; melhorar a segurança alimentar e criar colaboração efetiva e econômica entre produtores, indústrias, governos, organizações da sociedade civil e outros interessados em commodities.

WILSON ANDRADE

Partner nacional do Grupo AG Capital, ativos fiscais e previdenciários; Diretor-executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF); Presidente do Conselho de Comércio Exterior e Cooperação Internacional (COMEX) da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB); Diretor para o Nordeste da FinnCham (Câmara de Comércio Brasil-Finlândia); Vice-presidente (Presidente em 2017/2020) do Conselho Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU/Amsterdã); Presidente do Grupo Intergovernamental de Fibras Naturais da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); Presidente da Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura (MAPA); Cônsul Honorário Emérito da Finlândia no Brasil (desde 2008); Membro Nato (Conselheiro há 50 anos) da Associação Comercial da Bahia (ACB); ex-Presidente da ACB por dois mandatos (1981/1985) e ex-Presidente (2019/2025) do Conselho Superior da ACB; Príncipe da Casa Real de Savalou, no Benin (existente desde 1557); Presidente da International Natural Fiber Organization (INFO–Holanda); Presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Naturais da Bahia (Sindifibras); e Comendador da Ordem do Mérito da Bahia (autorizado e entregue pelo Governador Antônio Carlos Magalhães, em 1981).

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Contrato efetiva gestão privada na Rota da Celulose 

A concessão da BR-262, rodovia que liga Três Lagoas a Campo Grande, e de outros trechos rodoviários estratégicos de Mato Grosso do Sul, será oficialmente formalizada na próxima segunda-feira (2), com a assinatura do contrato entre o Governo do Estado e o Consórcio Caminhos da Celulose. O acordo garante a recuperação, operação, manutenção e ampliação de 870,3 quilômetros de rodovias federais e estaduais pelo prazo de 30 anos, em um projeto conhecido como Rota da Celulose, corredor logístico fundamental para a ligação entre Três Lagoas, Campo Grande e a região leste do Estado.

A assinatura ocorre às 11h, no auditório da Governadoria, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, e marca o encerramento do processo licitatório que definiu o grupo vencedor da concessão. O contrato prevê investimentos totais de R$ 6,9 bilhões ao longo do período, incluindo obras de duplicação, implantação de acostamentos, terceiras faixas, contornos urbanos, dispositivos de segurança viária, passagens de fauna e obras de arte especiais. Ao final das intervenções, toda a malha concedida deverá contar com acostamento.

A Rota da Celulose abrange trechos das rodovias BR-262, BR-267, MS-040, MS-338 e MS-395, cruzando nove municípios: Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Água Clara, Três Lagoas, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina e Anaurilândia. Do total concedido, 115 quilômetros terão pista dupla, concentrados principalmente na BR-262, entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, e em trecho da BR-267, em Bataguassu.

Mais de cinco toneladas de cabos e fios de telefonia são retiradas de postes
O processo de concessão teve início em 2023 e passou por ajustes na modelagem econômico-financeira após a primeira tentativa de leilão não atrair interessados. Com a revisão do cronograma de investimentos, o projeto voltou ao mercado e foi leiloado em maio de 2025, resultando na escolha do Consórcio Caminhos da Celulose, liderado por fundo de investimentos da XP. Questionamentos administrativos e ações judiciais foram apresentados ao longo do certame, mas decisões administrativas e do Judiciário mantiveram a homologação do resultado.

PEDÁGIOS
A concessão prevê a implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow, com cobrança proporcional ao uso da rodovia e sem praças físicas. Na BR-262, entre Três Lagoas e Campo Grande, estão previstos quatro pórticos. A cobrança do pedágio dependerá do cumprimento das intervenções iniciais obrigatórias e de autorização da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (AGEMS).

A previsão é de que a cobrança tenha início a partir do fim de novembro de 2026.
Com a assinatura do contrato, o Estado destrava um dos principais projetos de infraestrutura rodoviária em andamento, voltado à melhoria da logística, da segurança viária e do escoamento da produção industrial e agropecuária da região leste de Mato Grosso do Sul.

Informações: RCN 67

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Demanda por celulose faz valor do eucalipto subir 30,6% em um ano

Metro estéreo passou de R$ 137,47 para R$ 179,46 entre novembro de 2024 e 2025.

O preço da madeira de eucalipto destinado principalmente para produção de celulose subiu 30,6% em Mato Grosso do Sul em um ano, puxado pela forte demanda da indústria. O valor médio do metro cúbico a modalidade “árvore em pé com casca” passou de R$ 137,47 em novembro de 2024 para R$ 179,46 em novembro de 2025.

Os dados são do Departamento Técnico da Famasul e constam no boletim Casa Rural, divulgado nesta semana e reflete a valorização contínua da matéria-prima no Estado.

A pesquisa de preços para o material ouviu sete empresas de diferentes segmentos, entre compradores e vendedores de eucalipto. As informações têm como base as regiões de Campo Grande e Três Lagoas, áreas que concentram parte expressiva da cadeia florestal sul-mato-grossense.

Segundo o boletim, a alta do preço ocorre em várias regiões do Estado e tem como principal fator o aumento da demanda por madeira voltada à produção de celulose. O documento aponta que o mercado segue aquecido diante da ampliação da capacidade industrial.

A construção de uma nova fábrica de celulose da Bracell, no município de Bataguassu, reforça a expectativa de manutenção desse cenário. A unidade deve ampliar o consumo de madeira e influenciar os preços no médio prazo.

Mato Grosso do Sul soma atualmente 1,89 milhão de hectares cultivados com eucalipto, distribuídos em 74 municípios. A maior concentração fica na costa leste, onde se consolidou o chamado Vale da celulose.
Dados do SIGA (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio) mostram que Ribas do Rio Pardo lidera a área plantada no Estado, com 26,8% do total, o equivalente a cerca de 506,5 mil hectares.

Na sequência aparecem Três Lagoas, com 19,2% da área cultivada, o que representa aproximadamente 362,8 mil hectares, e Água Clara, com 10,5%, cerca de 198,4 mil hectares.

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Chaminé de 160 metros marca megaprojeto de celulose em Inocência

Estrutura integra sistemas industriais, atende normas ambientais e simboliza avanço do Projeto Sucuriú.

A multinacional chilena Arauco está construindo em Inocência, Mato Grosso do Sul, uma chaminé de 160 metros de altura, equivalente a um prédio de 40 andares, como parte do Projeto Sucuriú. A estrutura é fundamental para o lançamento seguro de gases industriais tratados da nova fábrica de celulose. O empreendimento representa um investimento de US$ 4,6 bilhões, sendo o maior do Brasil e do mundo no setor. Com capacidade de produção anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose, o projeto gerará cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos, incluindo atividades florestais e logísticas.LEIA AQUI

A chaminé da nova fábrica de celulose do Projeto Sucuriú, da multinacional chilena Arauco, se tornou um dos principais marcos do empreendimento em construção em Inocência, município localizado a 331 quilômetros de Campo Grande.  Com 160 metros de altura, a estrutura, em construção, é visível a longas distâncias e pode ser comparada a um prédio de 40 andares. Instalado à margem da rodovia MS-377, a cerca de 50 quilômetros da área urbana da cidade, o complexo industrial representa o maior investimento da história da empresa, com aporte de US$ 4,6 bilhões, o que torna o empreendimento maior do Brasil e do mundo.

Segundo divulgação do Perfil News, a estrutura é responsável por lançar, em altura segura, os gases industriais tratados provenientes da caldeira de recuperação, da caldeira de força e do processo de caustificação, atendendo às normas ambientais. Para garantir estabilidade, foi construída como uma torre de concreto armado, já que estruturas metálicas não se sustentam sozinhas nessa altura. A fundação exigiu uma base altamente reforçada, com uso de cerca de 100 metros cúbicos de concreto em uma única etapa de concretagem contínua, realizada ao longo de nove horas com controle térmico.

Chaminé de 160 metros marca megaprojeto de celulose em Inocência
A chaminé é comparada a um prédio de 40 andares de São Paulo. (Foto: Reprodução/Perfil News)

A divulgação explica que a elevação da torre utilizou a técnica de forma deslizante, conhecida como slip form, que permite a construção contínua da estrutura, 24 horas por dia, até atingir os 160 metros. Ao longo da chaminé, foram criadas aberturas técnicas para a instalação dos dutos internos.

No interior, anéis metálicos sustentam três dutos menores, responsáveis por conduzir os gases industriais de diferentes setores para uma única saída, formando um sistema integrado que garante eficiência operacional e maior controle ambiental.

A dimensão do projeto também se reflete na logística de construção. Grande parte dos equipamentos utilizados na fábrica é importada de 18 países, entre eles China, Alemanha, Finlândia, Índia e Japão, o que exige cronogramas complexos de transporte marítimo e terrestre até o interior de Mato Grosso do Sul. Um dos equipamentos que se destacam é o chamado Balão da Caldeira, com 28 metros de comprimento, seção de três por três metros e peso superior a 500 toneladas.

Para garantir o abastecimento de matéria-prima, a empresa já cultiva cerca de 400 mil hectares de florestas de eucalipto na região.Como praticamente toda a produção será destinada à exportação, a empresa deve construir um trecho de 47 quilômetros de ferrovia para ligar a fábrica à região de Aparecida do Taboado, onde os trilhos da Ferronorte permitem o transporte da celulose até o Porto de Santos.

A capacidade de produção anual está estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose e deve contar com a mão de obra de cerca de mil trabalhadores diretamente. Outros dois mil postos de trabalho estarão ligados à logística e aproximadamente três mil às atividades florestais.

O nome do projeto faz referência ao Rio Sucuriú, curso d’água que viabilizou a implantação do empreendimento e será responsável por fornecer água para o funcionamento da fábrica.

Informações: Perfil News

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Argentina decreta emergência por incêndios na Patagônia

Anúncio veio após críticas de inação do governo de Javier Milei, que subiu ao palco com ex-namorada comediante para cantar e dançar enquanto governadores da região pediam recursos para conter chamas.O governo da Argentina anunciou que decretará estado de emergência devido ao avanço dos incêndios que já destruíram mais de 45 mil hectares de florestas na região da Patagônia desde o início do ano. O chefe de Gabinete do presidente Javier Milei , Manuel Adorni, publicou na rede social X, na quinta-feira (29/01), que o decreto de necessidade e urgência vai abranger as províncias de Chubut, Río Negro, Neuquén e La Pampa, facilitando o envio de recursos para prevenir e conter as chamas. Os governadores dos estados patagônicos haviam manifestado na terça-feira que “a magnitude dos incêndios” exige “ferramentas excepcionais” – num contexto de mudanças nas condições climáticas e redução dos recursos estatais para prevenção de desastres ambientais. O governo Milei é criticado pelo corte de verbas para os parques nacionais e o desmantelamento de órgãos e políticas ambientais, o que prejudicaram a capacidade de prevenção e resposta diante da tragédia. A dança de Milei O governo federal liberou ainda na quinta-feira 100 bilhões de pesos (aproximadamente R$ 360 milhões) às associações de bombeiros voluntários que combatem os incêndios e à Agência Federal de Emergências. A resposta tardia de Milei veio após a repercussão negativa da participação do presidente em apresentação de sua ex-namorada, a comediante Fátima Florez, em teatro em Mar del Plata, na noite de terça-feira, durante evento organizado pela direita argentina chamado La Derecha Fest. Até então, mesmo em meio à tragédia que tem destruído áreas de preservação e colocado em risco a população e brigadistas, ele havia negado o envio de verbas, enquanto destacava em suas redes sociais a “histórica luta contra o fogo” do governo. Organizações ambientalistas têm protestado nas últimas semanas contra o corte de financiamento por parte do governo federal às políticas de prevenção, alerta precoce e gestão do fogo, assim como às políticas que poderiam reduzir os impactos das mudanças climáticas. Andrés Nápoli, diretor executivo da Fundação Ambiente e Recursos Naturais (Farn), alertou, em entrevista à agência de notícias EFE, que o Executivo gastou no último ano apenas 75% do orçamento destinado ao manejo do fogo e que os fundos nacionais aprovados pelo Congresso para prevenir e combater incêndios florestais foram reduzidos em 71% em 2026. “Os legisladores que representam as províncias afetadas pelos incêndios aprovaram essas reduções por um acordo global com o governo”, destacou Nápoli. O dinheiro liberado na quinta será destinado à “compra de equipamentos, materiais, uniformes e outros itens destinados ao combate a incêndios e à proteção civil da população, bem como à conservação e manutenção em perfeito estado e condições de uso dos mesmos”, como define o texto que autoriza a liberação dos recursos. Fogo fora de controle O Parque Nacional Los Alerces, uma floresta andina em Chubut com lagos de origem glacial, é o mais afetado, com 20 mil hectares incendiados, de acordo com o último balanço. O foco desse incêndio começou com a queda de um raio em 9 de dezembro dentro dos limites do parque nacional, mas nas últimas semanas saiu de controle e se alastra pelo norte de Cholila, cidade com 2.800 habitantes cercada pelo fogo. Bombeiros e brigadistas relatam não conseguir conter o avanço das chamas em direção às áreas residenciais vizinhas. “Estou há 15 anos no corpo de bombeiros e é a primeira vez que vejo um incêndio queimando dessa maneira. (…) Não damos conta”, disse à agência de notíciasAFP Manuel, um dos bombeiros que atuam na região. O Serviço Nacional de Manejo do Fogo decretou até esta sexta-feira o alerta vermelho de risco de incêndios na região, que continuará com altas temperaturas e ventos fortes. O outro incêndio florestal que assola a província de Chubut abrange cerca de 22 mil hectares entre a região de Puerto Patriada e a localidade de Epuyén, ameaçando áreas residenciais. sf/cn (AFP, EFE, ots)
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Mato Grosso do Sul tem pior janeiro para incêndios florestais dos últimos 10 anos

Mato Grosso do Sul registrou 49.434 hectares de vegetação queimados de 1º a 27 de janeiro deste ano, sendo o pior mês de janeiro para incêndios florestais dos últimos 10 anos. Dados foram apresentados pelos meteorologistas do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) durante a reunião do Centro Integrado de Comando e Controle (Cicoe/MS), nessa quinta-feira (29).

Conforme os dados, a área queimada em 2026 já representa mais que o dobro do mesmo período do ano passado, que até então era a pior da década para o mês, e quando foram registrados 22.036 hectares consumidos pelo fogo.

Em 2020, quando houve a considerada pior catástrofe ambiental provocada por incêndios no Estado, a área queimada em janeiro foi de 15.050 ha.

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, demonstrou preocupação com a situação crítica e pediu mobilização das equipes e ações de prevenção, controle e combate a incêndios florestais.

Segundo Verruck, além do risco ambiental, a escassez de chuvas já traz prejuízos econômicos para o Estado.

“Esses números refletem diretamente na safra do Estado, com impacto na produtividade. Aqueles agricultores que conseguiram plantar a soja no início do período de chuvas, escapou da estiagem. Mas em regiões que não choveu o suficiente e os produtores acabaram fazendo o plantio tardio, as lavouras estão agora na fase de desenvolvimento dos grãos e a falta de chuvas vai prejudicar”, afirmou.

Chuvas irregulares
Em geral, o mês de janeiro apresentou 30% menos chuva do que a média histórica na região do Pantanal neste ano.

Conforme o Cemtec, entre 1º e 26 de janeiro, nenhum dos pontos monitorados pela rede de estações meteorológicas do Estado alcançou a média histórica de chuvas.

Na região do Pantanal, em localidades como na Serra do Amolar, em Corumbá, o nível de chuvas está 98% abaixo do esperado. Em Paranaíba, região do Bolsão, 99% abaixo.

Caso a estiagem persista, pode haver restrição na bacia do Rio Paraná, em atividades como irrigação e navegação, para não prejudicar as usinas de geração de usina elétrica, segundo Verruck.

A previsão aponta que a situação pode se agravar a partir de junho, quando as climáticas terão influência do fenômeno El Niño, com elevação de temperaturas em um período que já é marcado pela escassez de chuvas e que, aumentando assim os riscos de incêndios florestais.

Diante da situação já estabelecida e das previsões negativas, o secretário ressalta que serão necessárias medidas urgentes e a conjunção de forças dos governos estadual e federal, produtores e população em geral para evitar que contenção máxima dos riscos e prejuízos.

“Será difícil repetir o controle que tivemos ano passado, quando o tempo ajudou e tivemos chuva em abril. O que precisamos fazer é conseguir o melhor resultado em um ano que se mostra muito desfavorável”, concluiu o secretário.

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Suzano abriu novas vagas de emprego na Bahia, Espírito Santo, São Paulo e outros estados

A Suzano, uma das maiores empresas do setor de celulose, está com vagas de emprego abertas em diversos estados brasileiros, incluindo Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Na Bahia, foram publicados sete novos anúncios nos últimos 30 dias, além de uma vaga mais antiga ainda disponível. As oportunidades estão distribuídas nas cidades de Mucuri e Teixeira de Freitas, em funções como operador de máquina guindaste, aprendiz em máquinas florestais, consultor de manutenção, mecânico de manutenção, operador de bomba de combustível, supervisor de suprimentos e técnico de manutenção especializado.

Em consulta à página de seleções da empresa neste domingo, 1º de fevereiro, 42 anúncios estavam ativos. A Suzano informa que oferece a seus colaboradores benefícios como plano médico, odontológico, seguro de vida, vale-refeição ou refeitório, vale-alimentação, previdência privada, home office em áreas corporativas, flexibilidade de horários e dress code casual.

Além disso, a empresa disponibiliza cursos e treinamentos E-learning, um clube de descontos, extensão da licença paternidade e maternidade, auxílio-creche, vale-brinquedo, kit material escolar e um programa de reconhecimento escolar. A Suzano também oferece apoio psicológico, assistência social, orientação jurídica e financeira, e programas de saúde mental e física.

Para se candidatar, basta acessar a página da empresa, hospedada na plataforma Gupy.

A Agência Sertão apenas divulga as vagas e não recebe currículos. Para mais informações sobre concursos públicos, empregos, estágios e qualificações, os interessados podem consultar a nossa página de concursos e emprego. Os links para as vagas disponíveis no estado estão disponíveis logo abaixo.

Cidades com vagas por estado

BA: Mucuri e Teixeira de Freitas.

DF: Brasília.

ES: Aracruz.

MS: Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas.

PA: Belém.

PR: São José dos Pinhais.

RS: Cachoeirinha.

SC: Cordilheira Alta.

SP: Caçapava, Jacareí, Limeira, São Paulo e Taubaté.

Confira os anúncios abertos – Bahia

Mucuri

Teixeira de Freitas

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International Paper conclui venda de unidade de fibras por US$ 1,5 bilhão

Operação faz parte da estratégia de reestruturação global da companhia e foi bem recebida pelo mercado financeiro.

A International Paper concluiu a venda da sua unidade de Global Cellulose Fibers (GCF) para fundos afiliados ao grupo American Industrial Partners (AIP) pelo valor de US$ 1,5 bilhão.

A transação integra o plano de reestruturação da companhia, que busca concentrar suas operações em segmentos estratégicos com maior retorno e eficiência operacional.

Além do valor principal da operação, o acordo prevê a emissão de ações preferenciais com preferência de liquidação, estimadas em aproximadamente US$ 190 milhões, destinadas à International Paper como parte da compensação financeira.

A unidade Global Cellulose Fibers é especializada na produção de polpa de celulose utilizada principalmente em produtos de higiene e cuidados pessoais, como papel tissue, toalhas e fraldas. Em 2024, o segmento registrou receita aproximada de US$ 2,3 bilhões, já considerando o encerramento de algumas fábricas antes da conclusão da venda.

A operação envolve nove unidades industriais e oito escritórios regionais, com cerca de 3.300 funcionários distribuídos globalmente, que passam agora a integrar a estrutura administrativa sob gestão da American Industrial Partners.

A International Paper mantém atuação histórica no Brasil há mais de duas décadas. No país, a companhia foi responsável por operações industriais que deram origem à atual empresa Sylvamo, incluindo unidades localizadas em São Paulo e em Três Lagoas, município reconhecido como um dos principais polos da indústria de celulose do Brasil.

Embora a venda da GCF não envolva diretamente ativos brasileiros, analistas avaliam que o movimento reforça uma tendência global de reorganização do setor, com impactos indiretos sobre estratégias de investimento e competitividade em mercados como o brasileiro.

No mercado financeiro, a operação foi interpretada de forma positiva. As ações da International Paper, negociadas sob o ticker IP na Bolsa de Nova York, apresentaram movimentação positiva no curto prazo, refletindo a leitura de que a venda fortalece o caixa da companhia e melhora seu foco operacional.

A empresa possui atualmente valor de mercado superior a US$ 22 bilhões, e investidores acompanham com atenção os próximos resultados financeiros, que devem trazer maior clareza sobre os efeitos da reestruturação em andamento.

A divulgação do próximo balanço está prevista para o fim de janeiro, quando o mercado deverá avaliar de forma mais precisa o impacto da alienação da unidade de fibras no desempenho global da companhia.

A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

Informações: Vale da Celulose


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Governo do Mato Grosso supera entraves e assina contrato da Rota da Celulose na segunda

Projeto atravessou dois anos de ajustes, leilão vazio, troca de vencedor e disputa judicial até a formalização.

Depois de um processo idealizado em 2023, marcado por falta de interessados, reformulações no projeto, disputas administrativas e judicialização, o Governo de Mato Grosso do Sul assina na próxima segunda-feira (2) o contrato de concessão da chamada Rota da Celulose. A concessão será formalizada com a Concessionária Caminhos da Celulose, consórcio liderado por fundo de investimentos da XP, que assumirá a recuperação, operação, manutenção, conservação e ampliação de capacidade de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais pelo prazo de 30 anos.

O Governo de Mato Grosso do Sul assinará na próxima segunda-feira (2) o contrato de concessão da Rota da Celulose com o consórcio Caminhos da Celulose, liderado por fundo de investimentos da XP. O projeto prevê a gestão de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais por 30 anos, com investimentos de R$ 6,9 bilhões. O processo, iniciado em 2023, passou por diversos desafios, incluindo um primeiro leilão sem interessados e disputas judiciais. A concessão abrange nove municípios e visa atender regiões com forte atividade econômica, especialmente ligadas à indústria de celulose, setor sucroalcooleiro e agropecuária.

O projeto teve início formal 2023, quando o Governo do Estado lançou um PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse) com o objetivo de estruturar a concessão de rodovias estratégicas localizadas nas regiões central, leste e do Bolsão sul-mato-grossense. A proposta envolvia trechos das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267, totalizando 869 quilômetros de extensão.

O corredor rodoviário atravessa nove municípios: Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Água Clara, Três Lagoas, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina e Anaurilândia e foi concebido para atender regiões com alto fluxo de veículos e forte atividade econômica, especialmente ligadas à indústria de celulose, ao setor sucroalcooleiro e à agropecuária.

Desde o início, o governo Eduardo Riedel (PP) tratou o projeto como estratégico para melhorar a infraestrutura logística do Estado, aumentar a competitividade de setores exportadores e reforçar a integração com a Rota Bioceânica, que conecta Mato Grosso do Sul ao Oceano Pacífico.

Governo supera entraves e assina contrato da Rota da Celulose na segunda
Detalhes do projeto da Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul (Imagem: Reprodução)

Com os estudos concluídos, o governo estruturou a concessão e marcou o primeiro leilão para dezembro de 2024, na B3, em São Paulo. O projeto previa cerca de R$ 6 bilhões em investimentos em obras de infraestrutura, incluindo duplicações, além de aproximadamente R$ 3 bilhões em custos operacionais ao longo de 30 anos.

No entanto, o leilão não atraiu interessados. A entrega de envelopes, prevista para o início de dezembro, não ocorreu, e o governo anunciou o reagendamento do certame. Poucos dias depois, confirmou a retirada do projeto da Bolsa.

O governador Eduardo Riedel explicou à Assembleia Legislativa que o momento econômico não favoreceu a concessão, citando a alta do dólar, juros elevados e a saturação do mercado de concessões rodoviárias, com milhares de quilômetros sendo ofertados simultaneamente em todo o país.

Governo supera entraves e assina contrato da Rota da Celulose na segunda
Membros do governo estadual e federal batendo martelo na segunda tentativa do leilão (Foto: Divulgação/Governo de MS)

Após o fracasso da primeira tentativa, o governo estadual iniciou uma nova rodada de consultas ao mercado e promoveu ajustes no edital. As mudanças não alteraram a extensão das rodovias concedidas nem o escopo das obras, tampouco os valores-teto de pedágio, mas modificaram principalmente o cronograma de investimentos.

O alongamento do prazo para execução de parte das obras permitiu diluir os custos ao longo do contrato e melhorar a taxa interna de retorno do projeto, tornando-o mais atrativo aos investidores. A concessão manteve o prazo de 30 anos e a cobrança de pedágio no modelo eletrônico free flow, com 12 pontos de cobrança previstos ao longo da malha.

O projeto ajustado voltou ao mercado e teve novo leilão marcado para 8 de maio de 2025.

Governo supera entraves e assina contrato da Rota da Celulose na segunda
Pontos de cobrança de pedágio no sistema free-flow (sem cabine de cobrança) (Imagem: Reprodução)

Diferentemente da primeira tentativa, o segundo leilão atraiu quatro concorrentes. O Consórcio K&G Rota da Celulose, formado pela K-Infra Concessões e pela Galápagos Participações, apresentou a melhor proposta, com desconto de 9% sobre a tarifa-teto de pedágio, superando o Consórcio Caminhos da Celulose, que ofereceu 8% de desconto.

Apesar da vitória no leilão, o resultado não se consolidou. O Consórcio Caminhos da Celulose entrou com recurso administrativo questionando a habilitação do K&G, alegando que a K-Infra havia perdido seu principal atestado de qualificação técnica após a decretação de caducidade da concessão da BR-393, a Rodovia do Aço, no Rio de Janeiro, por descumprimentos contratuais.

Em agosto de 2025, a Comissão Especial de Licitação acolheu o recurso, declarou o Consórcio K&G inabilitado e convocou o segundo colocado para dar continuidade ao processo. O recurso apresentado posteriormente pelo K&G foi rejeitado, confirmando a exclusão definitiva do grupo.

Após a perda da concessão, a K-Infra recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio de mandado de segurança, pedindo a suspensão da licitação e o impedimento da assinatura do contrato. A empresa alegou que a desclassificação teria se baseado em critérios supervenientes e não previstos no edital.

O pedido liminar foi negado pelo TJMS. Na decisão, o Judiciário entendeu que a paralisação do processo poderia causar prejuízo maior ao interesse público, ao atrasar investimentos e melhorias na infraestrutura rodoviária do Estado. Com isso, foi mantida a homologação do resultado em favor do Consórcio Caminhos da Celulose.

Em setembro de 2025, a Comissão Especial de Licitação considerou habilitado o Consórcio Caminhos da Celulose, após análise da documentação apresentada. O grupo comprovou capacidade jurídica, fiscal, econômico-financeira e técnica, com experiências anteriores em concessões rodoviárias.

Com a habilitação confirmada, o processo entrou na fase final, restando apenas trâmites burocráticos e o cumprimento das exigências prévias à assinatura do contrato. Mesmo com ações judiciais ainda em curso, o governo estadual manteve o andamento dos ritos administrativos.

Assinatura e próximos passos

A assinatura do contrato está marcada para a próxima segunda-feira (2), às 11h, no auditório da Governadoria, no Parque dos Poderes, em Campo Grande. Antes da formalização, representantes da concessionária farão uma apresentação técnica do planejamento da futura operação da Rota da Celulose.

O contrato prevê investimentos totais de R$ 6,9 bilhões ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, implantação de acostamentos, terceiras faixas, contornos urbanos, dispositivos de segurança, passagens de fauna e obras de arte especiais. Ao fim das intervenções, toda a malha concedida deverá contar com acostamento.

Com a assinatura, o governo encerra um ciclo iniciado em 2023 e destrava um projeto considerado fundamental para a logística da indústria de celulose, para a integração regional e para a melhoria das condições de tráfego em um dos principais corredores rodoviários de Mato Grosso do Sul.

Informações: Campo Grande News

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Conheça a floresta na Argentina com árvores de mais de 2 mil anos e que corre riscos devido a incêndios

A floresta de lariços do Parque Nacional Los Alerces tem espécie com crescimento extremamente lento e longevidade extraordinária.

O avanço dos incêndios florestais na Serra de Chubut reacendeu o alerta sobre um dos tesouros naturais mais valiosos da Argentina: a antiga floresta de lariços do Parque Nacional Los Alerces, que atrai milhares de turistas do mundo todo anualmente.

Enquanto o fogo continua a arder em diferentes frentes, com mais de 40 mil hectares devastados entre o incêndio que começou dentro do parque e o que avança a partir de Epuyén, a proximidade das chamas coloca em risco um ecossistema emblemático, cujos danos poderão ser irreversíveis mesmo sem o fogo atingir diretamente as áreas mais sensíveis.

Localizado na província de Chubut, no oeste do país, no coração da Cordilheira dos Andes e na fronteira com o Chile, o Parque Nacional Los Alerces foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 2017 por seu valor ambiental. Em seus mais de 188 mil hectares, alguns dos últimos trechos contínuos de floresta andino-patagônica permanecem em estado quase intocado, moldados por sucessivas glaciações que formaram morenas, circos glaciais e lagos cristalinos. O parque também abriga pinturas rupestres milenares.

Dentro dessa rede natural encontra-se a antiga floresta de lariços, um bosque dominado pela Fitzroya cupressoides, uma conífera endêmica de crescimento extremamente lento e longevidade extraordinária. Alguns exemplares têm mais de 2000 anos, o que os torna as árvores mais antigas da América do Sul. Seu valor não é apenas biológico. Por quê? Essas florestas testemunham a história do clima e do meio ambiente.

Aviso que já estava implícito

A preocupação com os incêndios no Parque Nacional Los Alerces não é recente. Em 2024, a UNESCO já havia destacado o impacto do fogo na área protegida, alertando para a vulnerabilidade deste Patrimônio Mundial.

Nesse contexto, a organização internacional deixou clara a importância excepcional do parque para a conservação das florestas andino-patagônicas e a necessidade de fortalecer as capacidades de prevenção e resposta diante dos incêndios florestais cada vez mais frequentes e intensos.

Dois incêndios ativos e uma região em estado de emergência

Apesar dos esforços para prevenir tais incidentes, a situação atual expõe mais uma vez essas vulnerabilidades. O incêndio que começou há mais de um mês e meio dentro do Parque Nacional Los Alerces permanece fora de controle e, impulsionado principalmente por ventos fortes e condições climáticas extremas, se alastrou em direção a áreas próximas a Cholila e Villa Lago Rivadavia.

Entretanto, o incêndio que começou em Puerto Patriada, em Epuyén, já devastou mais de 22 mil hectares e criou novas frentes de fogo que cercam cidades, campos agrícolas e áreas de alto valor ambiental. Bombeiros oficiais e voluntários trabalham quase incansavelmente, enquanto moradores evacuam animais e protegem suas casas em uma situação imprevisível e em constante mudança.

Floresta Milenar de Alerzal em Risco

Para Esquel e toda a região andina, a ameaça à floresta de lariço tem um significado que transcende o ambiental.

— Significa nossa falha como sociedade em cuidar das áreas naturais — disse à La Nacion Claudia Tabares, formada em turismo, ex-secretária de Turismo de Esquel, ex-delegada regional da Secretaria de Turismo e Áreas Protegidas e professora da Universidade Nacional da Patagônia San Juan Bosco.

— É uma mistura de sentimentos, entre tristeza e impotência, por causa do que isso representa para a natureza, para a população local e para os prestadores de serviços turísticos. Infelizmente, nos últimos anos, essa história continua se repetindo; não se trata apenas da ameaça à antiga floresta de lariços, mas de todo um ecossistema natural que está queimando.

'El Abuelo' (O Avô), lariço mais antigo do parque, tem cerca de 2620 anos e é um dos maiores símbolos da área protegida — Foto: Cortesia do Turismo de Esquel
‘El Abuelo’ (O Avô), lariço mais antigo do parque, tem cerca de 2620 anos e é um dos maiores símbolos da área protegida — Foto: Cortesia do Turismo de Esquel

Embora as chamas ainda não tenham atingido completamente as áreas mais vulneráveis ​​da floresta de lariços, especialistas alertam que o risco não se limita ao avanço direto do fogo.

— O fogo é imprevisível. Há cerca de dez dias, falava-se em queimadas controladas, e ontem vimos moradores chorando porque perderam seu gado — observou Tabares.

— Além do que possa acontecer, o dano já está feito. A floresta de lariços é única devido à sua concentração de árvores antigas com mais de 2000 anos, mas todo o parque tem centenas de anos. Se uma árvore de 400 anos queimar, como as que estão queimando agora, é igualmente preocupante, já que várias gerações nunca mais verão aquela floresta.

Turismo, conservação e gestão em debate

A situação de emergência também suscita debates sobre como conciliar a conservação de um ecossistema extremamente frágil com o turismo, especialmente durante a alta temporada de verão. Milhares de visitantes exploram as trilhas, lagos e áreas de camping do parque, atraídos por uma paisagem que agora está ameaçada.

Para Tabares, o equilíbrio não se resume apenas a restringir o acesso.

— Ele é alcançado por meio de gestão e supervisão, como acontece com todos os sítios de patrimônio natural abertos ao turismo. Simplesmente proibir e estabelecer regras não basta. Os visitantes precisam estar cientes da importância da interpretação ambiental, por exemplo, e ter os recursos humanos e materiais necessários para cuidar adequadamente de um Parque Nacional e Patrimônio Mundial.

Nesse sentido, ele questionou as limitações estruturais que são expostas a cada incêndio.

— As áreas protegidas são importantes para evitar o impacto do turismo, mas também devemos considerar a criação de vias de acesso para os bombeiros ou a limpeza de áreas para impedir que o fogo se alastre tanto. Se os guardas florestais não tiverem combustível, ferramentas ou salários adequados, dificilmente estarão preparados para evitar essas situações. Não basta simplesmente designar áreas; precisamos apoiá-las com financiamento e gestão.

As consequências de uma potencial perda de floresta nativa ou de bosques de lariço vão além do âmbito ambiental e impactam diretamente a identidade turística de Esquel e de toda a região andina. Mesmo assim, Tabares propõe uma perspectiva de longo prazo:

— Como região, já vivenciamos cinzas vulcânicas e outros incêndios, e também superaremos isso. As empresas locais devem incorporar em suas narrativas o que aconteceu, o trabalho realizado no combate aos incêndios e o número de bombeiros de todo o país que participaram. Essa também é uma forma de conscientizar e criar um senso de pertencimento.

Segundo o especialista, os incêndios devem servir de alerta.

— Este tem de ser um ponto de virada na forma como as áreas naturais são geridas. Durante anos, dizia-se que estavam a ser cuidadas, mas não havia qualquer preparação para as defender contra o fogo. Gostamos de criar hierarquias e distinções, mas isso não se reflete nos orçamentos e nas ações. O verdadeiro valor não está nos títulos, mas na responsabilidade inerente ao cuidado dos ambientes que representam — destacou.

Entretanto, o Escritório de Turismo de Esquel confirmou que o fogo mudou de direção, permitindo que a árvore, conhecida como “El Abuelo” (O Avô), com mais de 2600 anos, escapasse do perigo. Contudo, as autoridades enfatizaram que a situação é instável e depende muito da possibilidade de novos focos de incêndio dentro do parque e da direção do vento.

Este último fator é crucial para a propagação do fogo para outra área, afastando-se tanto da árvore alerce quanto da região onde se localiza a geleira Torrecillas. Bombeiros e equipes do governo nacional e da província de Chubut continuam trabalhando de forma coordenada na área, com o objetivo de conter o avanço do fogo em outros setores do Parque Nacional Los Alerces.

Informações: O Globo

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Restaurar florestas é investimento em segurança econômica

Brasil pode fazer da restauração florestal um seguro verde contra os efeitos da crise climática.

agronegócio e o governo brasileiros já provaram que sabem enfrentar desafios complexos com planejamento, coordenação e engajamento. A trajetória de erradicação da febre aftosa – uma doença que afetava o rebanho bovino – é um exemplo claro. Pressionado por restrições de acesso ao mercado internacional, o Brasil estruturou o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) e, em poucas décadas, saiu da vulnerabilidade sanitária para se tornar referência global. Essa transformação abriu mercados e fortaleceu a pecuária nacional.

A lição central desse processo — resposta coerente e sustentada a uma barreira concreta — deve agora inspirar uma nova agenda: fazer da restauração florestal um seguro verde contra os efeitos da crise climática.

Assim como a aftosa comprometia a competitividade da carne bovina, os eventos extremos já prejudicam a produtividade agrícola, afetam a segurança hídrica e colocam em risco a estabilidade econômica do país. Segundo pesquisa do Banco Central em 2024, 44% das instituições financeiras relataram impactos desses eventos, contra 17% em 2023.

As consequências incluem paralisações produtivas, perda de renda dos clientes e maior demanda por renegociação de crédito, elevando o risco sistêmico no setor.

Uma das soluções-chave para a crise climática no Brasil é reflorestar, pois florestas protegem o solo, promovem a geração de chuvas e permitem a continuidade da produção. Por exemplo, um estudo liderado pela Universidade de São Paulo mostrou que 75% da redução das chuvas e 16,5% do aumento da temperatura do ar próximo à superfície da Floresta Amazônica foram causados pelo desmatamento.

O Brasil tem uma “frente de expansão” óbvia para a restauração florestal com escala sem pressionar a produção agropecuária: pastagens degradadas. A rede MapBiomas mostrou que, embora a qualidade média tenha melhorado, ainda havia 40 milhões de ha de pastagens severamente degradadas em 2023 ou o equivalente a duas vezes o território do Paraná.

A experiência do plano contra a febre aftosa mostra que mudanças estruturais exigem metas de longo prazo, fases bem definidas e coordenação nacional. O Brasil já desenvolveu o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), mas não destinou recursos em escala compatível, nem estruturou uma linha de financiamento de longo prazo que o viabilize plenamente. Isso precisa mudar.

Outro aprendizado do PNEFA é a corresponsabilidade dos produtores. A adesão dos pecuaristas foi decisiva para o sucesso da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Da mesma forma, a adesão dos agricultores é indispensável para escalar o reflorestamento. Mas, para isso, é essencial incentivos claros e governança: crédito condicionado ao desempenho produtivo e ambiental, pagamentos por serviços ambientais, certificações com valor de mercado e monitoramento de desempenho.

O Brasil já subsidia o setor rural por meio de crédito público e instrumentos como CRA e LCA, que isentam pessoas físicas de Imposto de Renda. Esses incentivos barateiam o capital com impostos pagos por toda a população. Parte desses recursos pode — e deve — ser usada para financiar o seguro verde: a restauração da vegetação nativa. Dinheiro público deve gerar benefício público — como solo conservado, água disponível e produção estável. É hora de redesenhar os incentivos.

Outras regras brasileiras podem induzir o reflorestamento. O Código Florestal é claro quanto às obrigações de recomposição de áreas desmatadas ilegalmente. A arrecadação de multas ambientais poderia também gerar recursos para investir na restauração.

Para tanto, é necessário tornar a cobrança efetiva após decisões do STJ que confirmaram a validade de R$ 29 bilhões em multas do Ibama. A arrecadação de metade desse valor permitiria reflorestar cerca de 1,5 milhão de hectares.

A COP30, que ocorrerá em Belém, onde países discutirão políticas para lidar com a crise climática, também abre uma oportunidade estratégica. O Brasil tem proposto acordos de financiamento internacional para florestas. Se conseguir, o país poderia aumentar ainda mais a escala do reflorestamento.

Outra abordagem seria direcionar parte dos recursos da exportação para o seguro verde. As exportações agropecuárias e florestais de reflorestamento em 2024 chegaram a cerca de R$ 954 bilhões. Um programa que arrecadasse 1% sobre esse valor para o seguro verde, geraria R$ 9,5 bilhões, o que seria suficiente para restaurar quase um milhão de hectares por ano.

Mas, mesmo sem depender de um consenso internacional imediato e de novos acordos, o país pode começar com os recursos internos.

O monitoramento é outro pilar central. O sucesso do PNEFA se apoiou em auditorias e credibilidade internacional. No caso ambiental, o Brasil já dispõe de ferramentas modernas e confiáveis, como o MapBiomas e os sistemas de satélite do INPE, que permitem acompanhar o avanço da restauração rapidamente e com custos baixos. Conectar incentivos a dados públicos verificáveis fortalece a confiança de mercados, consumidores e investidores.

Restauração também gera emprego e renda. Levantamentos do WRI Brasil estimam 0,42 emprego por hectare restaurado (42 empregos a cada 100 hectares), com forte potencial para cadeias de madeira manejada, castanha, cacau e açaí. Essa é uma vantagem concreta em um mundo em que automação e inteligência artificial tendem a transformar (e em parte substituir) ocupações.

Por exemplo, o reflorestamento de dois milhões de hectares por ano geraria cerca de 850 mil empregos considerando a densidade de empregos estimado pelo WRI.

Em resumo, restaurar florestas não é um custo, mas um investimento em segurança econômica. Se a erradicação da febre aftosa abriu mercados e possibilitou a expansão da pecuária brasileira, o reflorestamento pode proteger o setor de riscos climáticos e abrir novas frentes de investimento nas áreas já degradadas. O seguro verde é viável, urgente e necessário.

Falta tratá-lo com a mesma determinação estratégica com que o próprio setor rural com coordenação da política pública já venceu outros desafios.

*Paulo Barreto é pesquisador associado do Imazon / Artigo Globo Rural

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