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Dimensão econômica e sociocultural do carvão vegetal no Mato Grosso do Sul

Por José Otávio Brito e Moacir Reis

O carvão vegetal constitui um dos combustíveis sólidos mais tradicionais da matriz energética brasileira. Sua utilização ocorre de forma expressiva tanto em atividades industriais quanto no preparo de alimentos, especialmente no churrasco. Essa dupla inserção, industrial e alimentar, confere ao carvão vegetal uma relevância econômica e sociocultural significativa no país.

Apesar dessa importância, o consumo associado ao preparo de alimentos raramente aparece de forma explícita nas estatísticas energéticas nacionais ou nas análises setoriais da matriz de combustíveis. Essa invisibilidade estatística contrasta com a presença cotidiana do carvão vegetal na cultura alimentar brasileira, particularmente nas regiões onde o churrasco ocupa papel central nos hábitos sociais e gastronômicos. Nesse contexto, o carvão vegetal deixa de ser apenas um insumo energético e passa a integrar um conjunto mais amplo de relações econômicas, culturais e sociais.

O carvão vegetal deve ser analisado não apenas como um insumo energético isolado, mas como elemento estruturante de uma cadeia produtiva mais ampla que integra atividades florestais, industriais e comerciais, com Mato Grosso do Sul se inserindo claramente nesse cenário. Neste estado, o carvão vegetal possui importância econômica em dois grandes segmentos: na cadeia siderúrgica baseada na produção de ferro-gusa e no preparo de carnes em churrasco, atividade amplamente disseminada na cultura regional.

Estimativas baseadas em estatísticas setoriais relacionadas à frequência de consumo de carne em churrasco e aos hábitos alimentares da população indicam que o consumo estadual e anual de carvão vegetal associado ao preparo doméstico de churrasco possa situar-se entre 60 mil e 70 mil toneladas. Esse carvão vegetal é comercializado predominantemente no mercado varejista, em embalagens de pequeno volume destinadas ao consumidor final.

Esse formato de comercialização resulta em um importante processo de agregação de valor ao produto. Diferentemente do carvão vegetal destinado ao uso industrial, geralmente comercializado em grandes volumes e com menor valor unitário, o carvão destinado ao preparo de alimentos alcança preços significativamente superiores. Tendo como referências dados do comércio varejista, estima-se que essa cadeia de comercialização possa movimentar, anualmente, cerca de R$ 325 milhões por ano no estado.

No setor siderúrgico, o carvão vegetal é utilizado como agente redutor na produção de ferro-gusa, constituindo um insumo fundamental para essa importante atividade industrial.

A utilização do carvão vegetal nesse processo representa também um diferencial relevante do ponto de vista ambiental, uma vez que se trata de um insumo de origem renovável, diferentemente do coque mineral empregado em outras rotas siderúrgicas. Isso agrega um valor intangível ao produto industrial final, permitindo que a produção estadual atenda a padrões rigorosos de sustentabilidade e certificação, com enormes potenciais para novos mercados e aumento da rentabilidade dos produtores locais.

Estimativas setoriais indicam que o consumo anual de carvão vegetal na siderurgia do Mato Grosso do Sul seja da ordem de 450 mil toneladas, representando uma movimentação financeira aproximada de R$ 490 milhões por ano considerando apenas o valor do carvão.

Entretanto, quando se considera o valor econômico do ferro-gusa produzido a partir desse insumo, a dimensão econômica da cadeia produtiva torna-se significativamente maior. Considerando a produção estimada de cerca de 550 mil toneladas de ferro-gusa por ano no estado, o valor econômico anual associado à tal produção encontra-se na ordem de R$ 1,2 bilhões.

Para se ter uma ideia da dimensão desse mercado, esse valor corresponde a aproximadamente 61% de todo o faturamento da suinocultura do Mato Grosso do Sul, e é equivalente ao gerado pela indústria de moagem de cereais (exceto soja) e a panificação do estado.

Apesar da sua relevância econômica, o carvão vegetal ainda permanece relativamente invisível no debate público e nas políticas setoriais, muitas vezes sendo percebido como uma atividade secundária, quando na realidade constitui um componente significativo da economia regional.

Os dados evidenciam que, embora o setor siderúrgico concentre os maiores volumes físicos de consumo de carvão vegetal, o segmento associado ao preparo de churrasco apresenta uma capacidade proporcionalmente maior de geração de valor econômico por unidade de produto. Nesse contexto, deve-se ressaltar que no segmento ligado ao preparo do churrasco, quase que toda riqueza permanece dentro do próprio estado, envolvendo uma ampla rede de agentes econômicos locais. Entre esses agentes destacam-se produtores de carvão vegetal, pecuaristas, frigoríficos, supermercados, açougues, distribuidores de carvão vegetal, fornecedores de bebidas e outros insumos, além do próprio consumidor final.

Com base em dados da IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores, SEMADESC – Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul e informações setoriais, pode-se estimar que a cadeia produtiva do carvão vegetal no Estado do Mato Grosso do Sul gere cerca de 11 mil postos de trabalho, computando-se apenas os empregos diretos. A produção do carvão comporta a maior parcela (90%), com o restante correspondendo aos postos de trabalho diretamente envolvidos somente no processamento interno das plantas industriais do ferro-gusa. Tendo ainda como referência que outras 3,2 vagas sejam geradas nos setores de transporte, manutenção, embalagens e comércio varejista atrelados ao campo e à indústria de transformação florestal, indiretamente estariam sendo gerados mais 35,2 mil postos de trabalho.

Historicamente, a atividade carvoeira no Brasil tem sido frequentemente associada a estigmas e percepções negativas. Essas percepções acabam contribuindo para a desvalorização social e econômica do carvão vegetal, bem como do produtor e dos agentes envolvidos em sua cadeia de distribuição. Entretanto, quando analisado no contexto mais amplo de sua cadeia produtiva, o carvão vegetal revela-se um insumo estratégico, com capacidade de gerar valor econômico significativo e de contribuir para a dinamização de diversas atividades produtivas.

Além da dimensão econômica, deve-se considerar também a forte dimensão sociocultural associada ao consumo de carvão vegetal no preparo de churrasco. No Mato Grosso do Sul, assim como em diversas outras regiões do país, o churrasco constitui uma prática social amplamente disseminada, presente em encontros familiares, celebrações comunitárias e eventos sociais diversos. Centenas de milhares de pessoas participam direta ou indiretamente dessas atividades, nas quais o carvão vegetal desempenha papel essencial.

Outro ponto interessante a ser destacado é o da relação direta entre o consumo de carvão vegetal no preparo de churrasco e a forte presença da pecuária de corte no Mato Grosso do Sul. O estado apresenta elevada participação na produção nacional de carne bovina. Parte expressiva dessa produção destina-se aos mercados externos, mas uma parcela relevante permanece no mercado interno e integra os hábitos alimentares regionais.

O consumo de carne bovina em cria, portanto, cria uma conexão econômica indireta entre a cadeia da pecuária e o mercado de carvão vegetal, uma vez que a demanda por carne preparada na brasa constitui um dos principais fatores de sustentação do consumo de carvão destinado à gastronomia. Estima-se que até 20% da chamada carne bovina nobre produzida no estado seja destinada ao churrasco doméstico local.

Outro aspecto relevante refere-se à dimensão sanitária e alimentar desse consumo. O carvão destinado ao preparo de alimentos está diretamente relacionado à qualidade do que é ingerido pela população, o que reforça a necessidade de atenção quanto à sua qualidade, origem e condições de produção.

Diante desse conjunto de fatores, torna-se fundamental ampliar a atenção institucional e setorial dedicada ao tema do carvão vegetal no Mato Grosso do Sul. Algumas iniciativas podem contribuir de forma decisiva para o fortalecimento e a valorização dessa cadeia produtiva, entre as quais se destacam: a) realização de diagnósticos mais precisos da produção e do mercado estadual de carvão vegetal; b) estímulo à certificação e à rastreabilidade do produto; c) definição de padrões específicos de qualidade para o carvão; d) avaliação mais detalhada do segmento de uso gastronômico do carvão; d) valorização econômica da produção sustentável de carvão vegetal.

O reconhecimento e a valorização dessa cadeia produtiva podem representar uma oportunidade concreta de agregação de valor ao produto, aumento da renda dos produtores e fortalecimento de um setor que integra dimensões energéticas, econômicas, sociais e culturais da sociedade sul-mato-grossense.

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Como as florestas protegem o Brasil diante da crise internacional

Fonte: Um Só Planeta

O conflito no Golfo Pérsico pode gerar uma recessão global. Se estamos em uma posição privilegiada, isso se deve em boa parte aos nossos ativos ambientais.

O agravamento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã coloca o mundo diante de um cenário de incerteza que não se via há décadas. O risco de uma disrupção no Estreito de Ormuz — a principal artéria do petróleo global — projeta sombras de recessão sobre as grandes economias. No entanto, em meio a essa arquitetura de instabilidade, o Brasil emerge com uma configuração econômica única, capaz de transformar a crise externa em uma oportunidade de consolidação estratégica. Mas essa ascensão possui uma condição inegociável: a governança ambiental.

Enquanto o mundo teme o “choque do petróleo”, o Brasil se posiciona como um dos poucos países que caminha para a autossuficiência e exportação líquida, com a vantagem competitiva de possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Com 98% de sua geração elétrica proveniente de fontes renováveis e gás natural, o país está blindado contra crises de desabastecimento elétrico que assolam a Europa.

Mais do que isso: nossa frota de carros flex e a robusta produção de etanol funcionam como um amortecedor macroeconômico. Temos tecnologias de sobra para expandir o uso de biocombustíveis de diversas fontes vegetais para substituir em parte o diesel. Em um cenário de escalada do barril de petróleo, o Brasil tem a capacidade necessária para mitigar o impacto nos transportes, algo que economias desenvolvidas ainda lutam para implementar via eletrificação.

Mas, peraí, Alexandre Mansur, se você está pregando etanol e outros biocombustíveis como substituto para os derivados de petróleo, isso significa expandir a produção nacional, aumentando a área plantada. Para isso precisamos derrubar florestas? Não. Terra desmatada é o que o Brasil tem de sobra. O Brasil tem tanta terra aberta que está jogando fora. Só na Amazônia Legal, estudos realizados pelo pesquisador Paulo Barreto, do Imazon e do projeto Amazônia 2030, mostram que existem 40 milhões de hectares de pastos degradados, que podem ter uso mais adequado. Em todo o país, segundo o Mapbiomas, há um total de 102 milhões de hectares de pasto degradado. Tudo isso é mais que suficiente para qualquer necessária expansão da cana do Brasil, que hoje ocupa um total de 9,87 milhões de hectares.

Nossa capacidade de produzir combustíveis a partir de base vegetal só existe porque temos, além de sol e terra abundante, um fornecimento de chuva. Essa chuva vem da Amazônia.

Fundamental para sustentar essa vantagem competitiva é a compreensão de que a Amazônia funciona como uma gigantesca bomba d’água para o continente. Através da evapotranspiração, a floresta lança na atmosfera os chamados “rios voadores”, que transportam umidade para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Essa dinâmica é a engrenagem vital que garante o regime de chuvas necessário para a produtividade recorde do nosso agronegócio e para o enchimento dos reservatórios das hidrelétricas. Sem a floresta em pé, o risco de secas prolongadas coloca em xeque a exportação de grãos e eleva o custo da energia para a indústria nacional, provando que o desmatamento é, na prática, um processo de autossabotagem econômica.

Além de zerar o desmatamento e recuperar florestas, nossa estratégia deve se basear na transformação da agricultura. A adoção em larga escala de sistemas de agricultura regenerativa surge como um escudo contra a volatilidade do dólar e das cadeias de suprimentos globais. Ao cuidar das florestas, priorizar a saúde do solo, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos — como fixadores biológicos de nitrogênio e defensivos naturais —, o produtor brasileiro reduz drasticamente a dependência de fertilizantes NPK e pesticidas sintéticos, cujos preços são dolarizados e vulneráveis a conflitos em regiões como o Leste Europeu.

Essa transição para uma “indústria biológica” dentro da porteira não apenas melhora a margem de lucro diante de um câmbio desfavorável, mas confere ao Brasil uma autonomia estratégica sem precedentes, desatando o nó logístico e geopolítico que historicamente condicionava nossa produtividade a insumos estrangeiros.

Isso é nossa proteção.

Não é à toa que no novo paradigma econômico, o controle do desmatamento não é apenas uma pauta ecológica, é uma pauta de soberania financeira. Em um momento em que a Europa e a China buscam parceiros confiáveis para garantir sua segurança alimentar e energética, o desmatamento ilegal da Amazônia torna-se o principal argumento para barreiras não-tarifárias. Se o Brasil quer se consolidar como o porto seguro das commodities globais, a governança ambiental precisa ser vista como o seguro das nossas exportações.

O saldo final é claro: o Brasil possui os ativos que o século XXI exige em tempos de crise — energia limpa, comida e petróleo fora de zonas de guerra. Temos a faca e o queijo na mão para sermos o destino predileto do capital global que foge da instabilidade do Oriente Médio. Entretanto, a chave desse cofre chama-se governança. Ao erradicar o desmatamento ilegal e promover a agricultura regenerativa, o Brasil deixa de ser apenas um exportador de produtos para se tornar o fiador da estabilidade global. A crise no Golfo apenas acelera a urgência de assumirmos esse papel de liderança responsável.

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STF anula norma do Acre que permitia transferência de florestas a particulares

O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o dispositivo de uma lei do Acre que previa a concessão automática do título de domínio definitivo de florestas públicas a particulares após dez anos de uso autorizado pelo poder público. A decisão foi tomada no julgamento conjunto de três ações diretas de inconstitucionalidade.

As ações foram apresentadas pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (ADI 7.764), pela Procuradoria-Geral da República (ADI 7.767) e pelo Partido Verde (ADI 7.769). Todas miravam duas leis estaduais: a Lei 4.396/2024 e a Lei 4.397/2024, que alteraram as regras sobre gestão ambiental e a atuação da polícia ambiental no estado.

A Lei 4.397/2024 modificou a Lei 1.117/1994 (Política Ambiental do Estado) e simplificou ou até dispensou licenças ambientais antes exigidas para atividades com potencial impacto, como limpeza de terrenos, abertura de vias marginais e pavimentação. Já a Lei 4.396/2024 alterou o artigo 6º da Lei 1.787/2006 e passou a prever, entre outros pontos, a transferência de propriedade de florestas públicas a particulares após dez anos de uso autorizado.

Parte das ações foi julgada prejudicada porque os dispositivos foram revogados por legislação posterior, incluindo regras sobre dispensa e simplificação do licenciamento ambiental.

Por outro lado, a corte declarou inconstitucional a regra que permitia a transferência de floresta pública com base apenas na comprovação de posse por dez anos. Para o STF, a medida dispensava estudos técnicos e análise de impacto ambiental, contrariava normas federais e reduzia o nível de proteção ao meio ambiente, em afronta ao princípio constitucional da vedação ao retrocesso ambiental.

A decisão, tomada em sessão do Plenário virtual, teve como base o voto do relator, ministro Nunes Marques. Com informações da assessoria de imprensa do STF.

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Suzano restaura mais de 1,5 mil hectares do Cerrado em MS

Plano de manejo revela áreas protegidas, espécies monitoradas e ações sociais em 14 municípios do Estado.

A maior produtora mundial de celulose mantém mais de 1,5 mil hectares do Cerrado em processo de restauração ecológica em Mato Grosso do Sul, em uma estratégia que combina produção florestal e conservação ambiental. A iniciativa integra o Plano de Manejo Florestal 2025 da unidade de negócios no Estado, documento que detalha ações de preservação, monitoramento e relacionamento com comunidades.

A Suzano, maior produtora mundial de celulose, mantém mais de 1,5 mil hectares do Cerrado em restauração ecológica em Mato Grosso do Sul. A iniciativa faz parte do Plano de Manejo Florestal 2025, que busca equilibrar produção e preservação ambiental. A empresa possui oito grandes remanescentes naturais classificados como Áreas de Alto Valor de Conservação, totalizando mais de 15 mil hectares. O monitoramento ambiental registrou 283 espécies, incluindo animais ameaçados como o cervo-do-pantanal e o gato-palheiro. A operação abrange 1,136 milhão de hectares em 14 municípios, dos quais 31% são destinados à conservação.

Ao longo da execução do plano, a Suzano adota um modelo que busca equilibrar produtividade e preservação, com foco na recuperação de áreas degradadas e na manutenção dos serviços ambientais do bioma. O material, disponível na área de transparência da companhia, também orienta as diretrizes para os próximos ciclos de manejo.

A restauração ecológica faz parte de um conjunto de práticas contínuas voltadas ao uso responsável da terra. Segundo a empresa, o objetivo é integrar o desenvolvimento econômico à proteção ambiental e ao fortalecimento das relações com as comunidades onde atua.

“Nosso propósito de renovar a vida a partir da árvore reflete o compromisso em desenvolver soluções sustentáveis com base em recursos renováveis. A restauração ecológica integra essas práticas e é fundamental para equilibrar produtividade, conservação ambiental e relacionamento com comunidades”, afirma o coordenador de Licenciamento Ambiental, Jackson Silva.

Áreas preservadas e biodiversidade monitorada

No Estado, foram identificados oito grandes remanescentes naturais classificados como Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVCs), que somam mais de 15 mil hectares. Esses espaços incluem florestas, savanas e veredas, considerados estratégicos para a proteção da biodiversidade, conservação da água e regulação do clima.

O monitoramento ambiental também aponta a presença de 283 espécies registradas no último ciclo, concluído em 2024. Entre elas estão 26 mamíferos, 219 aves, 23 anfíbios, 2 répteis e 13 espécies vegetais. Animais ameaçados como cervo-do-pantanal, gato-palheiro, queixada e veado-campeiro aparecem entre os registros, reforçando a relevância ecológica das áreas preservadas.

Base florestal e manejo sustentável

A operação no Estado abrange cerca de 1,136 milhão de hectares distribuídos em 14 municípios. Desse total, 327 mil hectares são destinados exclusivamente à conservação da biodiversidade — o equivalente a 31% da área florestal mantida.

A produção é baseada em plantios renováveis de eucalipto, com certificações internacionais que garantem rastreabilidade e conformidade ambiental. O modelo adotado busca assegurar a continuidade dos serviços ecossistêmicos e a sustentabilidade da atividade.

Impacto social nas comunidades

Além da agenda ambiental, as ações sociais também fazem parte da estratégia. Projetos voltados à educação, geração de renda e inclusão produtiva já alcançaram mais de 700 pessoas em municípios como Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Brasilândia, Água Clara, Bataguassu, Selvíria, Anaurilândia, Aquidauana, Campo Grande e Santa Rita do Pardo.

O conjunto das iniciativas evidencia um movimento crescente no setor florestal: produzir em escala, mas com pressão cada vez maior por transparência, responsabilidade ambiental e impacto positivo nas comunidades locais.

Fonte: Campo Grande News

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Exportações: Mato Grosso do Sul alcança US$ 646 milhões e tem maior fevereiro da história

Indústria lidera vendas externas e impulsiona resultado histórico.

A força da indústria segue como principal motor das exportações de Mato Grosso do Sul, sendo responsável por 81% de toda a receita obtida pelo estado com vendas externas em fevereiro, percentual que também se manteve no acumulado dos dois primeiros meses de 2026. O dado evidencia a relevância do setor industrial na balança comercial sul-mato-grossense e sua capacidade de sustentar o crescimento das exportações mesmo em cenários desafiadores.

Grande parte desse desempenho está concentrada em três segmentos estratégicos: Celulose e papel, Complexo frigorífico e Óleos vegetais e derivados, que juntos responderam por 86% de toda a receita de exportação entre janeiro e fevereiro. O setor de celulose liderou com folga, somando US$ 464,8 milhões no período, impulsionado principalmente pela pasta química de madeira, com forte demanda internacional, especialmente de países como China, Itália, Turquia, Holanda e Estados Unidos.

Na sequência, o complexo frigorífico acumulou US$ 419,3 milhões, com destaque para as exportações de carnes bovinas desossadas, congeladas e refrigeradas, além de cortes de frango, como coxas e sobrecoxas. Os principais destinos desses produtos incluem China, Estados Unidos, Chile, Holanda e Uruguai, mercados consolidados e estratégicos para o setor. Já o grupo de óleos vegetais e demais produtos da extração atingiu US$ 114 milhões, com predominância de itens derivados da soja, como óleo bruto, farelo e resíduos, enviados principalmente para Índia, Dinamarca, Tailândia, Holanda e Indonésia.

Esse cenário positivo se reflete diretamente nos números gerais. Em fevereiro, a receita com exportações industriais alcançou US$ 646,4 milhões, representando um crescimento expressivo de 43% em comparação ao mesmo mês de 2025, quando o valor havia sido de US$ 451,6 milhões. O resultado reforça a trajetória de expansão do setor e consolida um novo patamar para o desempenho mensal.

“Trata-se do melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro em toda a série histórica das exportações industriais de Mato Grosso do Sul”, afirmou o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, destacando a importância do marco alcançado.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a receita totalizou US$ 1,17 bilhão, o que representa um crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o estado somou US$ 1,16 bilhão. Embora a alta seja mais moderada no consolidado, o desempenho mantém a tendência positiva e indica estabilidade em níveis elevados.

“Com isso, o Estado também alcança o melhor resultado da história para o período de janeiro a fevereiro nas exportações de produtos industriais”, reforçou Resende, ao destacar a consistência dos números e o fortalecimento da indústria sul-mato-grossense no mercado internacional.

Fonte: Capital News


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Expansão da celulose na América do Sul pode alcançar R$ 109 bilhões em novos projetos até 2030

Investimentos concentram-se no Brasil, com protagonismo de Suzano, Arauco e CMPC, impulsionados pela demanda asiática e competitividade florestal.

Passada a inauguração do Projeto Cerrado, da Suzano, o setor de celulose volta suas atenções para uma nova onda de expansão na América do Sul. Ao longo dos próximos cinco anos, os investimentos previstos podem chegar a R$ 109 bilhões, com destaque para projetos no Brasil.

Entre os principais movimentos, a Arauco já iniciou a construção de uma megafábrica em Inocência (MS), enquanto a CMPC aguarda aprovação para erguer uma unidade em Barra do Ribeiro (RS). Também são esperados o anúncio de uma nova planta da Bracell em Bataguassu (MS) e o avanço da segunda linha da Eldorado Brasil em Três Lagoas (MS). Já o projeto da Paracel, no Paraguai, ainda enfrenta incertezas.

A expansão é sustentada pela perspectiva de aumento da demanda global, especialmente na Ásia, além da ampliação das aplicações da celulose. Segundo Rafael Barisauskas, economista da Fastmarkets, a competitividade da região é um diferencial relevante, impulsionada pela disponibilidade de madeira e pelo rápido crescimento do eucalipto.

“Os projetos na América do Sul são muito mais competitivos quando comparados à maioria das outras regiões do mundo, especialmente pela ampla oferta de madeira e pelo crescimento mais rápido das florestas de eucalipto – cerca de 7 anos na região, ante 15 anos no Hemisfério Norte. “No pior cenário, em que a demanda global cresça abaixo das expectativas , as novas capacidades na América do Sul provavelmente levarão concorrentes de custos mais elevados a sair do mercado”, diz Barisauskas.

Os últimos ciclos de expansão incluem o Projeto Star, da Bracell, concluído em 2022, e o Projeto Cerrado, da Suzano, finalizado em 2024, atualmente a maior fábrica de celulose de eucalipto em linha única do mundo.

Esse posto, porém, pode ser superado pelo Projeto Sucuriú, da Arauco. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, a unidade terá capacidade de 3,5 milhões de toneladas anuais e início de operação previsto para o segundo semestre de 2027. O projeto inclui ainda um ramal ferroviário de 45 km conectado à malha da Rumo até o Porto de Santos.

Na região Sul, a CMPC avançou na estruturação do Projeto Natureza, com contratos para infraestrutura logística no Porto de Rio Grande (RS). O empreendimento, com capacidade de 2,5 milhões de toneladas anuais, depende de licenças ambientais e deve ser concluído em 2029.

No Mato Grosso do Sul, a Bracell conduz estudos para viabilizar sua nova planta em Bataguassu, estimada em R$ 16 bilhões. “A empresa está em fase de estudos e de cumprimento das exigências legais que subsidiam a análise dos órgãos competentes e garantem a transparência do processo”, informa a companhia.

“Perspectiva de crescimento no consumo da celulose, sobretudo na Ásia, sustenta os projetos”, disse Rafael Barisauskas.

A logística se mantém como um dos principais desafios para a expansão. “O grande foco hoje é a logística”, afirma o secretário Jaime Verruck, citando investimentos ferroviários, rodoviários e hidroviários no chamado Vale da Celulose.

A Eldorado Brasil também avalia a expansão com uma segunda linha, estimada em US$ 5 bilhões, embora a decisão dependa de condições financeiras e disponibilidade de fornecedores. O Mato Grosso do Sul concentra parte relevante dessa expansão, com cerca de 1,5 milhão de hectares de eucalipto plantados — aproximadamente 19% do total nacional. Ainda assim, desafios como habitação e infraestrutura urbana acompanham o crescimento acelerado da indústria.

No Paraguai, a Paracel segue ampliando sua base florestal, mas ainda busca investidores para viabilizar a construção da fábrica. Apesar de avanços, como um possível financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o projeto permanece indefinido.

Por fim, apesar das vantagens estruturais, fatores macroeconômicos, como juros elevados, podem limitar o ritmo de expansão. “As taxas de juros elevadas, especialmente no Brasil, tendem a limitar o ritmo e o apetite por novos projetos de expansão e pela implantação de novas unidades ao longo da cadeia de valor”, afirma Barisauskas.

Fonte: Portal Celulose


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Setor florestal sustenta exportações do agro paulista e mantém desempenho próximo à média nacional

Fonte: Florestar

O agronegócio paulista iniciou 2026 com saldo positivo no comércio exterior. Nos dois primeiros meses do ano, o setor registrou superávit de US$ 2,79 bilhões, resultado de US$ 3,76 bilhões em exportações e US$ 0,97 bilhão em importações, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA).

Entre os principais segmentos da pauta exportadora, os produtos florestais tiveram papel relevante, respondendo por 15,3% das exportações do agro paulista, com US$ 576,34 milhões embarcados no primeiro bimestre. Desse total, 67,8% correspondem à celulose e 26,9% ao papel, consolidando o setor como um dos pilares da balança comercial agrícola do estado.

De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o resultado reflete a diversidade produtiva e a competitividade da agroindústria paulista no mercado internacional.

“O resultado do primeiro bimestre confirma a força e a diversidade do agro paulista no comércio internacional. São Paulo reúne produção, indústria e tecnologia, o que permite ao estado manter um desempenho sólido nas exportações mesmo em um cenário global desafiador”, afirmou.

Impacto do tarifaço foi limitado

Análises do setor indicam que as exportações florestais paulistas seguiram tendência semelhante à observada no Brasil como um todo, mesmo diante das incertezas comerciais e das discussões internacionais sobre tarifas.

Dados consolidados do comércio exterior apontam que, entre 2024 e 2025, as exportações do setor florestal registraram retração de 5,1% em valor FOB em São Paulo, enquanto no Brasil a queda foi de 4,8%.

Na prática, os números indicam que o chamado “tarifaço” não alterou de forma significativa a trajetória das exportações do setor, que manteve desempenho relativamente estável frente ao cenário internacional.

Exportações de celulose impulsionam superávit de Mato Grosso do Sul com a União Europeia em 2025

Segmentos do setor florestal

Entre os principais produtos exportados pela indústria florestal paulista estão celulose, painéis reconstituídos de madeira, papel e resinas e derivados — segmentos que refletem a diversidade da base industrial florestal instalada no estado.

A análise da variação do valor FOB entre 2024 e 2025 indica comportamento semelhante ao observado no agregado do setor, com pequenas diferenças entre o desempenho paulista e o nacional.

No caso da celulose, principal produto da pauta florestal, a retração foi de 3,6% em São Paulo, praticamente alinhada ao resultado nacional, que registrou queda de 3,5%.

Nos painéis reconstituídos de madeira, São Paulo apresentou crescimento de 17,4%, enquanto no Brasil o segmento registrou retração de 1% no mesmo período.

Para papel, a redução foi mais acentuada no estado, com queda de 10,2%, frente a 2,4% no Brasil.

Já no segmento de resinas e derivados, o desempenho foi semelhante entre as duas escalas, com retração de 2,1% em São Paulo e 2,6% no Brasil.

Os dados reforçam a resiliência da cadeia florestal e a relevância dos diferentes segmentos indus

triais na composição da pauta exportadora paulista.

China lidera destinos

No comércio exterior do agronegócio paulista, a China permanece como principal destino das exportações, com 20,5% de participação, seguida pela União Europeia (16,9%) e pelos Estados Unidos (9,7%).

No caso específico do setor florestal paulista, a China também se mantém como principal mercado consumidor, com cerca de US$ 1,19 bilhão em exportações (valor FOB) no ano de 2025.

Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com aproximadamente US$ 277 milhões, mantendo posição semelhante à observada nos anos anteriores.

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Sustentabilidade de verdade começa na estrutura: madeira é o caminho realista para reduzir emissões

Artigo Por Ana Belizário

A sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência técnica, ambiental e, cada vez mais, econômica. Em um cenário em que o setor da construção responde por uma parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa, repensar materiais e métodos construtivos não é apenas desejável, é urgente.

Nesse contexto, a madeira engenheirada surge como uma alternativa concreta, escalável e altamente estratégica para a construção sustentável. Não se trata apenas de “construir com madeira” por apelo estético ou por tendência. Trata-se de uma mudança estrutural, no sentido literal da palavra, capaz de reduzir impactos ambientais, otimizar recursos e contribuir ativamente para o combate às mudanças climáticas.

Um dos grandes diferenciais da madeira, quando comparada a materiais tradicionais, é sua origem renovável. Diferentemente do aço e do concreto, cuja produção demanda alta energia e gera emissões expressivas, a madeira vem de um recurso que pode ser cultivado e manejado de forma responsável. Mais do que isso, ao longo de seu crescimento, a árvore captura dióxido de carbono da atmosfera e o armazena em sua estrutura. Esse carbono permanece estocado mesmo após a transformação do tronco em produto industrial, como vigas, painéis e elementos estruturais.

Na prática, isso significa que uma edificação em madeira engenheirada carrega em si um atributo ambiental raro na engenharia contemporânea, deixando de ser apenas um consumo de recursos ao atuar como um reservatório de carbono ao longo de sua vida útil. Quando falamos sobre reduzir emissões, muitas vezes pensamos apenas em cortar excessos. A madeira amplia essa lógica, oferecendo também uma oportunidade de compensação natural e eficiente, desde que associada a uma cadeia produtiva responsável.

Os desafios ambientais atuais não se resolvem com discursos, mas com métricas e entregas. A madeira engenheirada atende essa necessidade por ser uma solução com menor pegada de carbono em seu ciclo de vida, especialmente quando comparada a sistemas convencionais. Isso tem implicações diretas para projetos que buscam certificações e compromissos ambientais robustos, como LEED, metas de net-zero e outras diretrizes de desempenho sustentável.

Mais do que cumprir requisitos técnicos, o uso de madeira engenheirada facilita uma abordagem mais consistente de construção de baixo carbono, seja pela redução de emissões incorporadas nos materiais, seja pela maior eficiência de obra e menor desperdício. Para arquitetos, engenheiros e construtoras, isso significa uma vantagem competitiva clara: sustentabilidade deixa de ser apenas um discurso e se torna um critério mensurável, com impacto real no valor do empreendimento e na sua aderência às exigências do mercado e da sociedade.

Sustentabilidade também é sobre inteligência de recursos e a madeira engenheirada oferece ganhos que vão muito além do aspecto ambiental. Por ser produzida com alto controle industrial e tecnologia aplicada, permite maior precisão, padronização e desempenho estrutural. Isso se traduz em obras mais organizadas, com redução de perdas, melhor previsibilidade e otimização logística. Em muitos casos, ela contribui para a redução do tempo de execução e menor geração de resíduos no canteiro.

Quando a construção se torna mais eficiente, o impacto ambiental diminui naturalmente, porque o desperdício é, quase sempre, um sintoma de um sistema mal planejado. A madeira engenheirada favorece uma construção mais limpa não apenas por ser um material sustentável, mas por viabilizar um processo mais racional e produtivo.

É importante reforçar que a sustentabilidade não está apenas no material final, mas em toda a cadeia de produção. Por isso, quando falamos de madeira engenheirada como aliada climática, falamos também de manejo responsável, rastreabilidade e compromisso com boas práticas florestais e industriais. O potencial positivo da madeira se amplia quando ela é produzida com origem certificada, transparência de processo e responsabilidade socioambiental. Isso garante que a solução represente, de fato, um avanço consistente.

A construção civil tem um papel decisivo na forma como o mundo responderá às mudanças climáticas. E isso exige escolhas práticas, acessíveis e replicáveis, não só ideias inspiradoras. A madeira engenheirada representa uma dessas escolhas ao aliar desempenho técnico, eficiência construtiva e benefícios ambientais consistentes: ajuda a reduzir emissões, otimiza recursos, viabiliza práticas mais sustentáveis e amplia o potencial de inovação no setor.

Mais do que uma tendência, é uma resposta real a uma necessidade global. Porque, no fim, sustentabilidade não pode ser apenas uma intenção estética: precisa ser estrutural.

*Ana Belizário é diretora da Urbem, indústria brasileira de madeira engenheirada de larga escala, que atua no setor da construção civil, focada em oferecer produtos e serviços inovadores e sustentáveis.

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Indústria da celulose em MS acelera procura por cursos e já contrata alunos antes da formatura

Com expansão do setor, Senai de MS forma até 100 profissionais por ano para atender a demanda das fábricas e da cadeia florestal.

O avanço da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul não tem impacto apenas nas fábricas e nas florestas plantadas. O crescimento do setor também mudou o mercado de qualificação profissional no Estado e aumentou a procura por cursos técnicos ligados à área, com alunos sendo contratados antes mesmo de concluir a formação. Segundo o Senai, de 80 a 100 profissionais são colocados todos os anos no mercado de celulose.

Esse movimento é mais forte na Costa Leste e em Ribas do Rio Pardo, regiões que concentram parte importante da expansão florestal e industrial. De acordo com o gerente regional da Costa Leste, Rodrigo Bastos, a demanda cresceu nos cursos de Celulose, Química e Florestas, impulsionada pela necessidade de mão de obra para toda a cadeia produtiva.

“Esse avanço impacta diretamente na área de qualificação profissional, aumentando de forma expressiva a procura por cursos ligados à celulose, química e floresta pela alta demanda desses profissionais. Então, estamos em um momento muito importante, que fortalece a região”, afirmou.

Na prática, o cenário mostra que a formação técnica passou a ser uma porta de entrada rápida para o emprego. Conforme Bastos, há casos de estudantes contratados antes de terminar o curso, em vagas com salários acima da média. Ele também destaca uma mudança no perfil da formação local: antes, muitos estudantes precisavam sair de Mato Grosso do Sul para buscar capacitação; agora, conseguem estudar no próprio Estado e já encontrar oportunidade de trabalho perto de casa.

A estrutura de formação também vem sendo reforçada por parcerias com grandes empresas do setor, como Bracell, Arauco, Eldorado e Suzano, que apoiam a qualificação e, em alguns casos, oferecem bolsas. Os números ajudam a mostrar o tamanho desse mercado. Dados do Observatório da Indústria da Fiems, com base no Caged de janeiro de 2026, apontam 15.947 trabalhadores formais na área florestal e 6.683 na fabricação de celulose, somando 22.630 empregos diretos no Estado.

Para o economista-chefe do Observatório da Indústria da Fiems, Ezequiel Resende, o alcance do setor é ainda maior quando entram na conta os serviços que giram em torno dessa produção. “Se considerarmos uma estimativa de emprego indireto também, ou seja, aqueles trabalhadores de empresas terceirizadas de transporte, alimentação, segurança e limpeza que atuam no apoio à produção florestal e de celulose esse número deve, facilmente, estar acima dos 40 mil em todo Mato Grosso do Sul”. As inscrições para os cursos técnicos e qualificações de 2026 já estão abertas no site meufuturoagora.com.br, enquanto o vestibular das graduações está disponível em graduacaosenai.com.br.

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Balão da caldeira chega ao Projeto Sucuriú após 48 dias de transporte

Fonte: Hoje Mais / Vale da Celulose

Equipamento de mais de 300 toneladas será instalado na caldeira de recuperação da futura fábrica da Arauco em Inocência (MS).

Um dos principais componentes industriais do Projeto Sucuriú, da Arauco, chegou ao canteiro de obras da futura fábrica de celulose em Inocência (MS) após uma complexa operação logística internacional.

O equipamento é o balão da caldeira de recuperação, considerado um dos elementos centrais no sistema de geração de vapor da planta industrial.

A estrutura percorreu uma longa jornada desde sua fabricação na China até o interior de Mato Grosso do Sul. O transporte marítimo levou cerca de 45 dias, seguido por aproximadamente 48 dias de deslocamento rodoviário até o destino final.

O equipamento foi fornecido pela Valmet, empresa global especializada em tecnologias para a indústria de celulose e papel, e integra o sistema da caldeira de recuperação química, responsável por gerar vapor e energia a partir do licor negro do processo industrial.

Especificações técnicas do equipamento:

O balão da caldeira se destaca pelo porte e pela complexidade de engenharia envolvida em sua fabricação e transporte.

Principais características técnicas:

Comprimento: cerca de 32 metros
Largura: aproximadamente 3,15 metros
Altura: cerca de 3,81 metros
Peso: aproximadamente 312 toneladas
Fornecedor: Valmet
Origem de fabricação: China

Na operação industrial, o balão tem a função de separar vapor e água dentro do sistema de geração de vapor, garantindo estabilidade operacional e segurança no funcionamento da caldeira de recuperação.

Esse equipamento é considerado essencial para o funcionamento eficiente do sistema energético da fábrica.

Operação logística exigiu planejamento especial.

O transporte terrestre do equipamento mobilizou uma operação logística de grande porte. Para deslocar a peça até o canteiro do Projeto Sucuriú, foi utilizada uma carreta especial com 28 linhas de eixo, tracionada por três cavalos mecânicos.

Devido ao peso e às dimensões da carga, o transporte ocorreu em velocidade reduzida e contou com apoio de escoltas técnicas e órgãos de segurança ao longo do trajeto.

Segundo o gerente de projetos da Valmet, Fábio Moreira, o equipamento representa um marco importante na implantação da planta.

“O balão da caldeira é um dos componentes mais relevantes da ilha de recuperação, responsável por concentrar a geração de vapor que sustenta a operação industrial da fábrica”, explicou.

Instalação ocorrerá a cerca de 90 metros de altura.

A próxima etapa envolve a instalação do balão na estrutura da caldeira de recuperação, operação que exigirá grande capacidade de engenharia e equipamentos de içamento de alta capacidade.

A instalação será realizada com dois guindastes de aproximadamente 750 toneladas, posicionando o equipamento a cerca de 90 metros de altura na estrutura da caldeira.

De acordo com Claudinei Santos, diretor de engenharia e implantação do Projeto Sucuriú, a chegada da peça representa um avanço significativo no cronograma da obra.

“Receber e preparar a instalação de um equipamento dessa magnitude demonstra o nível de planejamento e integração exigido por um empreendimento industrial dessa escala”, destacou.

O Projeto Sucuriú, desenvolvido pela Arauco, prevê a construção de uma das maiores fábricas de celulose do mundo em etapa única no município de Inocência (MS).

Principais dados do empreendimento:

Capacidade estimada: cerca de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano
Empresa responsável: Arauco
Localização: Inocência, região leste de Mato Grosso do Sul
Tecnologia industrial: sistema de caldeira de recuperação química de alta capacidade
Objetivo: produção de celulose com alta eficiência energética e integração tecnológica

O empreendimento integra o ciclo de expansão da indústria de celulose no estado, que já abriga um dos maiores polos produtivos do setor no país.


Suzano está com 4 vagas abertas Rio Pardo (MS)

Suzano aprova emissão milionária de debêntures e reforça polo de celulose em Mato Grosso do Sul

Recursos poderão apoiar investimentos industriais, incluindo operações ligadas às fábricas de Três Lagoas.

A Suzano aprovou a realização de sua 12ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor total de R$ 179 milhões. A decisão foi tomada pelo conselho da companhia e prevê que os títulos sejam distribuídos por meio de oferta pública com registro automático.

De acordo com a ata da reunião, as debêntures serão da espécie quirografária e emitidas em série única. O valor nominal unitário será de R$ 1 mil na data de emissão, com prazo de vencimento de 15 anos.

A remuneração dos investidores será composta por juros remuneratórios prefixados, calculados sobre o valor nominal atualizado das debêntures. A taxa final será definida durante o processo de colocação dos títulos e formalizada posteriormente por meio de aditamento à escritura de emissão.

Segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários, os recursos obtidos com a emissão poderão ser utilizados para reembolso de despesas ou gastos relacionados a projetos da companhia, conforme condições que ainda serão detalhadas.

Em Três Lagoas, a Suzano mantém duas grandes fábricas de celulose, consideradas entre as maiores do mundo. A presença industrial da empresa transformou o município em um dos principais polos globais do setor, e novos investimentos ou reforço financeiro da companhia costumam ter impacto direto na cadeia produtiva e na economia local

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Wood frame: casa popular em 63 horas e montagem em 1,5 hora

Fonte: Click Petróleo e Gás

casa popular entrou de vez no radar da construção industrializada com a aposta da Tecverde no wood frame, sistema que ganhou escala no Paraná e passou a ser apresentado como alternativa para reduzir prazo sem romper a lógica de custo da alvenaria. A promessa aparece de forma direta: uma casa popular em 63 horas, com montagem citada em 1,5 hora em etapas industriais.

Esse movimento chama atenção porque não se apoia apenas em velocidade. O modelo tenta reorganizar a obra como processo fabril, deslocando 75% das etapas para dentro da indústria, com controle de qualidade, padronização e menor geração de resíduos. Em vez de depender de quase tudo no canteiro, a proposta é fazer a construção chegar mais pronta ao terreno e reduzir o tempo gasto na montagem final.

Casa popular em wood frame ganha força com a Tecverde no Paraná, acelera a construção, mantém custo próximo da alvenaria e coloca a obra industrializada no centro do debate habitacional.

Tecverde surgiu em 2009 com a ideia de aplicar à construção uma lógica parecida com a da indústria automotiva.

O primeiro desafio foi encontrar uma tecnologia que reduzisse prazo e resíduos sem comprometer desempenho.

A solução veio da Alemanha, por meio do sistema wood frame, depois adaptado ao mercado brasileiro com paredes mais robustas para atender melhor ao perfil local.

Esse processo não aconteceu isoladamente. A operação teve apoio da Fiep e do SENAI-PR, além de um convênio com o Ministério da Economia de Baden-Württemberg para transferência de tecnologia.

Em 2010, a primeira fábrica foi inaugurada em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná, com recursos de investidores, aporte da Finep e subsídio alemão.

A partir dali, a casa popular deixou de ser pensada apenas como obra tradicional e passou a ser tratada como produto industrializável.

Casa popular em wood frame ganha força com a Tecverde no Paraná, acelera a construção, mantém custo próximo da alvenaria e coloca a obra industrializada no centro do debate habitacional.

A ideia de uma casa popular em 63 horas chama atenção porque ataca o ponto mais sensível da obra de interesse social: o prazo.

Caio Bonatto afirma que uma casa pode ser montada em 1,5 hora e que um prédio de quatro pavimentos pode ser erguido em 10 dias. Em 2018, a empresa ainda recebeu prêmio por construir uma residência em 10 horas, com acabamentos, pronta para morar.

Os números não falam exatamente da mesma etapa, mas todos apontam na mesma direção: encurtar drasticamente o tempo da construção.

Esse ganho de velocidade só é possível porque 75% do processo fica em ambiente fabril. A incorporadora ou construtora recebe da Tecverde a estrutura da residência já montada, com paredes, tubulações internas e estrutura de telhado. Isso reduz improviso, encurta etapas no canteiro e torna a construção mais previsível. Para uma casa popular, essa previsibilidade pesa muito, porque atraso de obra costuma ampliar custo, travar entrega e pressionar financiamento.

O que o wood frame entrega além da velocidade

wood frame usado pela Tecverde combina  madeira estrutural de florestas plantadas com dupla secagem e tratamento com preservante químico. 

Madeira e plásticos

Sobre os perfis estruturais são aplicados OSB e membrana hidrófuga, enquanto o acabamento usa placas cimentícias na parte externa e gesso cartonado no interior.

O resultado buscado é unir durabilidade equivalente à de sistemas convencionais com melhor conforto térmico e acústico.

A proposta não é ser apenas rápida, mas manter padrão técnico comparável ao da alvenaria.

Há ainda um componente de rastreabilidade que reforça o discurso industrial. Por meio de QR Code no frame, é possível visualizar estruturas hidráulica e elétrica internas da parede e até identificar a origem dos materiais usados. Isso permite recall quando necessário e amplia o controle sobre o processo.

Em uma construção convencional, esse tipo de rastreamento é muito mais difícil. No caso da casa popular, o ganho está em transformar um produto historicamente marcado por improviso em algo mais controlado.

Como custo, resíduos e água entram na conta da construção

O custo para o proprietário fica similar ao da alvenaria financiada por programas sociais do governo. Isso é decisivo, porque a velocidade sozinha não resolveria nada se a casa popular saísse muito mais cara. 

Abastecimento e tratamento de águas

O que coloca o sistema no radar é justamente a combinação entre prazo curto e custo competitivo, algo que a Tecverde tentou sustentar ao longo do crescimento da operação.

Na dimensão ambiental, os números informados também são fortes. O processo reduz em 85% a geração de resíduos e em 90% o uso de recursos hídricos.

Estudos da empresa apontam que 13 mil toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas e 22,1 mil toneladas de resíduos deixaram de ser produzidos, em um total já acumulado de 130 mil metros quadrados construídos.

Na prática, o  wood frame aparece não apenas como atalho de prazo, mas como reorganização completa da construção em escala industrial.

Onde o Paraná entra na expansão e por que o financiamento foi decisivo

Paraná foi o ponto de partida dessa estrutura. Um ano depois da fundação, 34 empresas já estavam mobilizadas para fornecer matéria-prima e equipamentos, formando uma cadeia produtiva robusta no estado.

A capacidade de produção saltou de 34 casas em 2010 para 3,4 mil unidades por ano em 2018, com perspectiva de chegar a 4,2 mil após ampliação da fábrica.

Esse salto mostra que a casa popular em wood frame deixou de ser demonstração isolada e passou a operar em escala muito mais ambiciosa.

Outro ponto central foi o financiamento imobiliário. Em 2011, a regulamentação passou a permitir que bancos financiassem casas feitas com estrutura em wood frame.

Dois anos depois, o Ministério das Cidades autorizou a tecnologia da Tecverde para habitações de interesse social.

Sem essa homologação, a casa popular dificilmente teria espaço real no mercado. Velocidade industrial sem aceitação regulatória não vira política habitacional nem produto financiável.

A força dessa proposta está na combinação entre fábrica, padronização e escala. A casa popular em wood frame ganhou visibilidade porque a Tecverde conseguiu empurrar a construção para uma lógica mais industrial, com promessa de montagem muito rápida, custo próximo da alvenaria e redução importante de resíduos e consumo de  água.

No Paraná, esse modelo saiu do estágio experimental e passou a operar com cadeia produtiva, financiamento e homologação.

Ainda assim, o ponto mais relevante talvez seja outro: o sistema só chama tanta atenção porque toca numa ferida antiga da construção brasileira, marcada por obra lenta, desperdício e baixa previsibilidade.

Quando aparece uma casa popular em 63 horas, o impacto não está apenas no número, mas no contraste com o padrão histórico do setor.

Você acha que o wood frame tem chance real de ganhar espaço na casa popular brasileira ou a alvenaria ainda deve continuar dominando mesmo com esse avanço industrial?

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