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Orçamento para prevenir incêndios florestais e fiscalizar ambiente cai 17% em 2026

Corte é de R$ 101 milhões em relação a 2025; Ministério do Meio Ambiente diz que recursos adicionais poderão ser alocados ao longo do ano.

O orçamento federal para fiscalização do meio ambiente e prevenção de incêndios florestais em 2026 sofreu corte de 17% em relação a 2025. Estão previstos R$ 495,8 milhões, R$ 101 milhões a menos que os R$ 596,9 milhões destinados no ciclo anterior.

A quantia reservada para a área neste ano é a menor de todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se considerada a inflação no período. Com a redução, o montante determinado para 2026 é inferior ao de 2024, quando o Brasil registrou 278,2 mil focos de incêndio, o pior número desde 2010.

A Folha analisou dados do Painel do Orçamento Federal após Lula sancionar a LOA (Lei Orçamentária Anual), que fixa as despesas públicas. O levantamento considera os valores previstos no início de cada ano e envolve três ações voltadas às queimadas e à fiscalização ambiental, todas de responsabilidade do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima).

Em nota, a pasta da ministra Marina Silva afirma que o PLOA 2026 (Projeto de Lei Orçamentária Anual) previa R$ 507,4 milhões para o conjunto das medidas e que o Congresso Nacional cortou R$ 11,5 milhões durante a tramitação, resultando em R$ 495,8 milhões.

“Ressalta-se que, ao longo do exercício de 2026, recursos adicionais poderão ser realocados para as ações de fiscalização ambiental e combate a incêndios, conforme a evolução das necessidades, o cenário e risco climático e as possibilidades orçamentárias”, diz o MMA.

Após ajustes feitos no decorrer de 2025, a verba para a área passou de R$ 596,9 milhões para R$ 613,6 milhões, dos quais R$ 606,5 milhões foram empenhados, ou seja, de fato reservados para as atividades.

Nos últimos meses de 2024, o governo Lula liberou recursos emergenciais para combater as queimadas registradas naquele ano, sendo que R$ 185,3 milhões foram aplicados em 2025 no conjunto das três ações orçamentárias analisadas. Com isso, o total empenhado em 2025 saltou para R$ 791,9 milhões, 59,7% a mais que os R$ 495,8 milhões previstos oficialmente para 2026.

A verba para prevenir e combater queimadas em áreas federais prioritárias, locais que deveriam receber atenção especial do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), sofreu a redução mais expressiva. O montante estimado em 2026 é de R$ 66,6 milhões, 48% a menos que os R$ 128,7 milhões fixados na LOA de 2025. As comparações consideram a correção pela inflação no período.

O orçamento para controle e fiscalização ambiental, também atribuído ao Ibama, passou de R$ 305,2 milhões em 2025 para R$ 232,7 milhões em 2026, um corte de 24%.

O recurso para fiscalização ambiental e prevenção de incêndios florestais em unidades de conservação federais, que deve ser gasto pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), foi reduzido em 6%, de R$ 209 milhões para R$ 197,1 milhões.

Especialistas mostram preocupação com os cortes e temem a ocorrência de novas queimadas em 2026. A volta do El Niño, o aquecimento cíclico das águas do oceano Pacífico que intensifica a seca na amazônia, poderia agravar a situação, mas ainda não há confirmação sobre o retorno do fenômeno.

Gustavo Figuerôa, biólogo e diretor de comunicação da ONG SOS Pantanal, afirma que é essencial ter recursos crescentes para a prevenção de incêndios florestais. “É muito preocupante subir e descer o orçamento todo ano. Não tem uma constância, e descontinua trabalhos que estão sendo iniciados.”

“Esse investimento tem de ser constante e cada vez maior, para no futuro próximo, inclusive, deixar de gastar o que se gasta nessas ações emergenciais”, diz. “É uma questão estratégica. Trabalhar na prevenção é muito mais eficaz e barato do que trabalhar no combate depois.”

Ele alerta para a possível perda de interesse de brigadistas especializados no controle de queimadas e lembra que 2025 teve mais chuvas do que o esperado, graças ao fenômeno La Niña, favorecendo a redução do fogo.

“A tendência é que chova menos no Brasil neste ano, principalmente na região Centro-Oeste, e vai ter mais ondas de calor, que é o cenário perfeito para incêndios florestais”, diz.

A ecóloga Livia Moura, assessora técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza, afirma que os cortes comprometem a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída em 2024.

A legislação prioriza o trabalho preventivo em relação a incêndios e cria um arcabouço para a chamada queima prescrita, uma técnica que usa o próprio fogo para conter queimadas.

“A implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo ficará totalmente comprometida, já que suas ações estruturantes são, em geral, as primeiras a serem deixadas de lado quando faltam recursos”, avalia Moura.

Ane Alencar, especialista em fogo e diretora de ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa da Amazônia), afirma que o cenário de 2026 é desafiador.

“Agora não é a hora de cortar. O ano eleitoral é muito problemático do ponto de vista ambiental, e pode ser que venha um evento climático que impacta bastante”, diz, em referência ao possível retorno do El Niño.

Para ela, o foco na área ambiental diminui durante as eleições para presidente e governadores. “É um período de limbo, em que as energias do país se voltam para uma questão”, afirma.

“Na região amazônica, veem-se pessoas usando fogo sem pedir licença, desmatando sem pedir licença, porque tem uma dúvida se aquele governo vai ficar ou não, e se o governo que entrar vai ser mais restritivo ou menos restritivo no que diz respeito às questões ambientais”, diz.

Informações: Diário de Cuiabá


Paper-Excellence-Brasil-inicia-transicao-de-marca-e-passa-a-integrar-identidade-global-da-Domtar (Pequeno)

Paper Excellence Brasil inicia transição de marca e passa a integrar identidade global da Domtar

Movimento alinha atuação no país à consolidação global do grupo, agora unificado sob a marca Domtar.

A Paper Excellence Brasil inicia um processo de evolução de marca, alinhando- se aos padrões globais do Grupo Domtar, que recentemente consolidou suas operações internacionais sob uma identidade única. O movimento reforça o posicionamento institucional da companhia no país e sua integração a uma das principais referências globais do setor de papel, celulose e produtos florestais.

Em 2024, o Grupo Paper Excellence concluiu a integração operacional das empresas Domtar Corporation, Resolute Forest Products e Paper Excellence Canadá, passando a operar globalmente sob a marca Domtar, cujo fundador e único dono é o empresário Jackson Wijaya. A consolidação representa um marco estratégico, unificando legados históricos e fortalecendo sinergias industriais, comerciais e institucionais.

Com mais de um século de história, e origens que remontam a quase 200 anos na América do Norte, a Domtar é uma das maiores fabricantes privadas de produtos florestais diversificados do continente. A companhia conta com aproximadamente 14 mil colaboradores distribuídos em mais de 40 unidades
industriais e centros de distribuição na América do Norte. Possui capacidade anual de produção de 9,1 milhões de toneladas métricas de celulose, papel, embalagens e tissue, além de cerca de 3 bilhões de board feet de madeira serrada e outros produtos de madeira.

Reconhecida por sua excelência operacional, a Domtar é referência global em sustentabilidade, manejo florestal responsável, inovação, segurança e eficiência produtiva, transformando fibra de madeira proveniente de fontes responsáveis em produtos essenciais para o dia a dia.

SOBRE A MARCA DOMTAR

A marca Domtar reflete uma história rica e respeitada na América do Norte, onde o nome se consolidou como sinônimo de excelência, qualidade e inovação junto a clientes, mercados florestais e parceiros operacionais. Ao longo de décadas, a marca construiu reputação sólida baseada em desempenho industrial consistente, responsabilidade ambiental e relacionamento de longo prazo com stakeholders.

Além de seu legado, Domtar é um nome curto, de fácil pronúncia em diferentes idiomas, característica estratégica para uma companhia com ambição global e presença internacional crescente. Segundo a própria empresa, a nova identidade reflete “legado combinado, valores compartilhados e visão voltada para o futuro”.

O novo logotipo incorpora uma muda, símbolo que representa tanto o
compromisso com a sustentabilidade quanto a jornada contínua de crescimento e renovação da companhia, conectando tradição e futuro sob uma única identidade global.

TRANSIÇÃO NO BRASIL SERÁ GRADUAL

No Brasil, a transição ocorrerá de forma estruturada e progressiva. A marca Paper Excellence Brasil continuará sendo utilizada durante o período de adaptação, agora com a Domtar como marca endossadora. Segundo a empresa, a adoção gradual da nova identidade busca preservar o reconhecimento institucional já consolidado no Brasil, ao mesmo tempo em que apresenta ao mercado nacional a força e o posicionamento global da Domtar.

ESTRATÉGIA E VISÃO DE FUTURO

Para o mercado brasileiro, o movimento sinaliza alinhamento estratégico global e preparação para futuras oportunidades, mantendo os princípios de ética, transparência e responsabilidade que historicamente orientam a atuação da companhia.

A nova identidade também reflete o compromisso contínuo do grupo com a sustentabilidade florestal e com a geração de valor de longo prazo, consolidando a Domtar como um player global relevante nos segmentos de celulose, papel, embalagens e produtos de madeira.

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Grande muralha verde: veja como a China transformou deserto em ‘esponja’ de carbono

Com 3 mil quilômetros, a maior barreira vegetal do planeta transformou o árido deserto de Mu Us em um sumidouro de carbono gigante; estudo revela o impacto da engenharia ambiental que reduziu tempestades de areia em 90%.

A imagem tradicional da Grande Muralha da China, feita de pedra e fortificações militares, ganhou uma sucessora tecnológica e biológica à altura. Um estudo recente detalhado pela IFLScience confirma o sucesso sem precedentes da Grande Muralha Verde (conhecida oficialmente como Programa de Floresta de Abrigo dos Três Nortes), um projeto de reflorestamento massivo que se estende por 3.046 quilômetros ao longo do norte do país. O feito mais impressionante? A conversão quase total do deserto de Mu Us — antes uma fonte implacável de poeira e degradação — em um sumidouro de carbono produtivo.

Publicada no site Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa aponta que esta floresta artificial não é apenas uma barreira física contra a desertificação, mas um componente ativo no ciclo global do carbono. Ao transformar solo arenoso em biomassa vegetal, a China conseguiu sequestrar milhões de toneladas de $CO_2$, oferecendo uma prova de conceito de que a intervenção humana em larga escala pode, de fato, reverter danos climáticos históricos.

A engenharia do “milagre verde”

Diferente de plantios convencionais, a Muralha Verde exigiu soluções tecnológicas para sobreviver em condições extremas. A China implementou um sistema de “tabuleiros de xadrez de palha”, uma técnica de bioengenharia onde grades de palha de arroz ou trigo são enterradas na areia para fixar as dunas. Isso cria um microclima estável que permite às mudas de espécies resistentes à seca, como o espinheiro-marítimo e o salgueiro-do-deserto, criarem raízes profundas.

Os números da transformação são colossais:

  • Redução de tempestades: a frequência de nuvens de poeira que assolavam Pequim caiu de cerca de 26 dias por ano para menos de 3.
  • Cobertura vegetal: no deserto de Mu Us, a cobertura verde saltou de cerca de 1% para mais de 80% em algumas regiões, efetivamente “apagando” o deserto dos mapas topográficos tradicionais.
  • Sequestro de carbono: o estudo indica que a capacidade de absorção de carbono da região aumentou exponencialmente, ajudando a mitigar a pegada industrial do país.

O desafio da biodiversidade e a sustentabilidade

Apesar do entusiasmo, o relatório científico e especialistas ocidentais fazem uma ressalva crítica: a sustentabilidade a longo prazo depende da diversidade biológica. Nos primeiros anos, o projeto focou em monoculturas (plantação de uma única espécie), o que tornava as florestas vulneráveis a pragas e doenças.

Em resposta, a China mudou a estratégia para o que chamam de “silvicultura inteligente”, utilizando drones e monitoramento por satélite para gerenciar a introdução de ervas nativas e arbustos. O objetivo é criar um ecossistema resiliente que não dependa de irrigação artificial constante, mas que se torne autossustentável através da recuperação do lençol freático local — um fenômeno que já começou a ser observado com o retorno de pequenos rios e zonas úmidas no deserto de Mu Us.

Implicações globais: um modelo para a África e o Brasil?

O sucesso chinês serve como um farol para a Grande Muralha Verde da África, que tenta impedir o avanço do Saara. A lição aprendida em Mu Us é que o reflorestamento em zonas áridas não é apenas sobre plantar árvores, mas sobre restaurar a dignidade social: as comunidades locais foram integradas ao projeto, transformando a preservação em fonte de renda através do cultivo de plantas medicinais e ecoturismo.

Para o Brasil, embora o contexto bioma seja o oposto (preservação da floresta tropical vs. recuperação de deserto), a tecnologia chinesa de monitoramento de biomassa e sequestro de carbono oferece ferramentas valiosas para a restauração da Mata Atlântica e o combate à desertificação no Semiárido.

Informações: Isto É

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Projeto em SC recupera quase 300 campos de futebol de Mata Atlântica com araucárias

Iniciativa busca regenerar ecossistemas que enfrentam perda de diversidade genética.

Projeto financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e desenvolvido pela Fundação CERTI conseguiu restaurar 292 hectares de Mata Atlântica em áreas degradadas em serras de Santa Catarina, equivalentes a mais de 290 campos de futebol.

A iniciativa, chamada Mais Floresta com Araucária, combinou o plantio de espécies nativas com capacitação de agricultores familiares, integrando restauração ecológica e geração de renda local.

Segundo Gisele Alarcon, gerente de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, o projeto busca recuperar ecossistemas que enfrentam perda de diversidade genética, comprometendo não apenas a produção de frutos e madeira, mas também serviços ambientais essenciais, como regulação climática, polinização, conservação do solo e disponibilidade de recursos hídricos.

Recuperação da Mata Atlântica e integração com comunidades

Na Serra Catarinense, o projeto atuou em Urupema, Urubici e Bom Retiro, recuperando Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas degradadas em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Canto do Araponga.

Em Passos Maia, foram restaurados 192 hectares de Reserva Legal nos assentamentos da reforma agrária “Zumbi dos Palmares” e “29 de Junho”, implantando sistemas agroflorestais (SAFs) que combinam árvores nativas com culturas agrícolas.

A árvore símbolo do projeto, a araucária (Araucaria angustifolia), é fundamental para a Floresta Ombrófila Mista e gera o pinhão, alimento tradicional e fonte de renda.

Outras espécies incluídas no plantio, como erva-mate, goiabeira-serrana, imbuia e casca-d’anta, contribuem para a diversificação ecológica e econômica das áreas restauradas.

Os agricultores familiares participaram de coleta de sementes, plantio de mudas e construção de cercas, sendo capacitados para atuar na cadeia produtiva da restauração florestal.

Área de restauração de floresta empreendida pela Fundação CERTI
Área de restauração de floresta empreendida pela Fundação CERTI (Getty/Getty Images)

Sistemas agroflorestais e sustentabilidade econômica

Os SAFs implantados em Passos Maia representam uma alternativa à monocultura, combinando produtividade agrícola e preservação ambiental.

O modelo utiliza espécies adubadeiras que protegem o solo, fixam nitrogênio e preparam o terreno para o crescimento de árvores nativas.

Com a produção integrada, as famílias passam a fornecer alimentos para programas públicos, como a merenda escolar (PNAE), enquanto aguardam que as mudas de araucária e outras espécies entrem em produção para venda em feiras e mercados locais.

Impactos esperados e replicabilidade

Especialistas destacam que o projeto serve como modelo viável de restauração florestal, capaz de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos.

A combinação de capacitação, sistemas produtivos e restauração ecológica cria uma estratégia sustentável que pode ser replicada em outras regiões do país, fortalecendo a Mata Atlântica, bioma ameaçado que abriga grande parte da biodiversidade brasileira.

Segundo estudos do Instituto de Pesquisas Ambientais de Santa Catarina (IPA-SC), projetos que integram SAFs e recuperação de APPs aumentam significativamente a resiliência do ecossistema, promovendo conectividade ecológica e melhoria na qualidade da água e do solo.

Para as comunidades, o modelo também representa uma fonte contínua de renda e segurança alimentar, articulando conservação ambiental com desenvolvimento local.

Informações: VEJA


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Mata Atlântica: de bioma devastado a exemplo de restauração florestal

Restauração genética acelera recuperação e aumenta resiliência da Mata Atlântica.

Uma iniciativa de restauração da área florestal da Mata Atlântica, na Bahia, apresentou resultados eficientes ao reduzir o tempo de crescimento das espécies em até 50% e recriando florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas.

Segundo a supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da Symbiosis, Laura Guimarães, o trabalho é parte de uma estratégia de recuperação ambiental que teve início em 2014, com a coleta e mapeamento para identificar indivíduos com maior potencial de conservação em cada uma das espécies estudadas.

O resultado alcançado pela Empresa Brasileira de Reflorestamento permitiu a recuperação de 1 mil hectares do bioma a partir da seleção genética de 45 espécies nativas. Exemplares como jacarandá, jequitibá, ipês, angicos e muitos outros foram escolhidos para o plantio, a partir de suas capacidades de adaptação e desenvolvimento em diferentes contextos.

“Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”, explica o gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, Mickael Mello.

Além da escolha dos indivíduos mais capazes, as novas florestas foram estruturadas de forma a garantir variabilidade genética e reduzir riscos associados a homogeneização.

“Indivíduos com diferentes comportamentos e níveis de adaptação são essenciais para a recomposição da diversidade. Ao identificar e selecionar aqueles mais adaptados e resilientes, favorece-se a recuperação de populações mais estáveis e preparadas para enfrentar os desafios ambientais”, disse Laura Guimarães.

A vegetação nativa da Mata Atlântica já cobriu cerca de 130 milhões de hectares do território nacional, uma área equivalente ao tamanho de países vizinhos como o Peru. Hoje, o Brasil mantém apenas 24% dessa cobertura verde, mas só 12,4% são de florestas maduras e bem preservadas, espalhadas em fragmentos de cobertura verde existentes em 17 estados.

“Essa fragmentação reduz o número de indivíduos, compromete a variabilidade genética e enfraquece a capacidade adaptativa das espécies. Sob pressão da dinâmica de uso e ocupação do solo, essas populações tornam-se mais suscetíveis a eventos como déficit hídrico e mudanças climáticas, o que pode levar ao seu declínio progressivo”, analisou o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, Rafael Bitante Fernandes.

Para Fernandes, menos diversidade impacta diretamente a vida das pessoas, porque diminui a capacidade dos ecossistemas de prestarem serviços que garantem a disponibilidade de água, qualidade do ar, qualidade do clima, controle de doenças e produtividade de alimentos.

“Por fim, isso acaba contribuindo, de forma global, para todos esses problemas climáticos que a gente vem tendo, de chuvas e secas cada vez mais intensas, os extremos climáticos mais constantes, e as tragédias cada vez mais acontecendo – grandes enchentes, enxurradas e escassez de água “, acrescenta o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

De acordo com Fernandes, a pressão gerada pelo declínio da Mata Atlântica e o risco econômico associado aos seus impactos tem gerado um novo posicionamento de empresas privadas que passam a ver a restauração florestal como investimento e oportunidade de negócio e abandonam cada vez mais a ideia de filantropia.

“Existem hoje modelos de restauração florestal que contemplam um bom manejo dessa floresta. Então você tem uma exploração permanente, inclusive de produtos madeireiros, mas nunca faz o corte raso daquela floresta ali. Continua sequestrando carbono, faz o uso nobre dessa maneira e ainda pode aproveitar outros subprodutos que não sejam madeireiros como óleos e essências”, explica.

Com finalidades diversificadas, a restauração da Mata Atlântica foi ganhando em métodos, formas e caminhos possíveis, que vão desde a transformação de solo sem viabilidade agrícola em uma floresta produtiva, até a proteção de recursos que dependem da biodiversidade existente para a viabilidade econômica de um negócio.

“A gente tem, por exemplo, empresas geradoras de energia elétrica através da água, para as quais a gente fez projeto de proteção dos mananciais que abastecem essas hidrelétricas. Consequentemente, além de proteger a floresta ali existente, você dá uma longevidade melhor para esse negócio, reduzindo o risco em períodos mais secos ou de fortes chuvas “, acrescenta o gestor florestal.

>>Caminhos da Reportagem mostra resgate de frutas da Mata Atlântica 

O reposicionamento da iniciativa privada associado a um forte movimento que envolve ainda governos e organizações sociais resultou no Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050.

“É importante fazer um destaque aqui, para explicar que restauração florestal é quando ela é intencional. Então a gente foi lá, criou um projeto, ainda que você vá apenas induzir a natureza para que aquela floresta volte sozinha”, disse Fernandes.

De acordo com o gestor, esse compromisso é importante diante de uma dinâmica já observada no longo histórico do bioma mais ocupado pelo homem, que atualmente abriga 72% dos brasileiros.

“A SOS Mata Atlântica tem um estudo, liderado pelo professor Paulo Molin, que identificou 4,9 milhões de hectares que entraram em processo de regeneração, entre 1993 até 2022. Nesse mesmo recorte temporal 1,1 milhão de hectares voltaram a ser desmatados e 3,8 milhões de hectares ficaram lá em pé”, informou.

Na avaliação de Fernandes, no Brasil, o movimento tem contribuído para que o bioma seja um modelo para a restauração ambiental em todo o planeta. “Por diversos congressos que a gente passa pelos países, a Mata Atlântica foi eleita uma das primeiras flagships, carro-chefe, com ações qualificadas em prol da restauração. A Mata Atlântica está entre os dez primeiros exemplos a serem adotados globalmente”, reforça.

Apesar dos avanços em modelos de restauração, mapeamento das áreas prioritárias ainda há uma longa jornada a ser percorrida para que o mínimo necessário ao perfeito funcionamento da Mata Atlântica seja garantido, e a meta de 15 milhões de hectares seja possível em 2050. Para o representante da fundação, ainda é necessário sensibilizar pessoas já que 90% do território da Mata Atlântica são áreas privadas.

“A gente precisa agora dar um salto em escala com boas políticas públicas que estimulem a restauração florestal. Então, precisamos de pagamentos por serviços ambientais, comando e controle que determine algumas áreas obrigatórias preservadas e uma política de incentivos massiva para manutenção e restauração da floresta”, avalia Fernandes.

Mas o esforço promete compensação na forma de desenvolvimento sustentável e geração de renda. “Se a gente for olhar a grosso modo aquela restauração só para conservar a biodiversidade e resgatar os serviços ecossistêmicos. A gente tem um potencial de gerar a cada dois campos de futebol um emprego. Então, dentro desse universo de até 15 milhões de hectares, a gente pode gerar um benefício social que seria gigantesco”, conclui o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

Informações: Agrolink

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Como a madeira engenheirada pode mudar cidades

A construção civil ocupa uma posição estratégica no debate climático global. Não apenas pelo volume de obras que transforma paisagens e cidades, mas pelo peso de sua pegada ambiental. A produção de cimento, aço e  concreto responde por uma fatia significativa das emissões globais de dióxido de carbono. Cada edifício erguido com sistemas convencionais carrega consigo um rastro energético intenso, desde a extração de matérias-primas até os processos industriais de alta temperatura.

Nesse cenário, a madeira engenheirada surge como uma alternativa concreta — e paradoxalmente ancestral. Ao contrário do concreto, cuja fabricação depende da calcinação do calcário e da queima massiva de combustíveis fósseis, a madeira nasce de um ciclo biológico que captura carbono da atmosfera. Aproximadamente metade da composição química da madeira é carbono fixado durante o crescimento das árvores. Quando transformada em elementos estruturais, essa matéria-prima passa a funcionar como um reservatório de carbono incorporado ao edifício.

Estudos comparativos indicam que construções em madeira engenheirada podem emitir até 80% menos CO2 por metro quadrado do que estruturas equivalentes em concreto e alvenaria. A diferença não está apenas no material em si, mas na cadeia produtiva como um todo. O processamento da madeira demanda menos energia e, em geral, não depende de processos térmicos tão intensivos quanto os da indústria cimenteira e siderúrgica.

Assim, a discussão deixa de ser apenas técnica. Trata-se de repensar o modelo construtivo que dominou o século XX e de compreender o edifício como parte da estratégia climática.

Tecnologia, desempenho e normas técnicas

A madeira engenheirada não se limita a vigas tradicionais. Ela incorpora tecnologias industriais de alto desempenho, como a madeira laminada colada e a madeira laminada colada cruzada, conhecida internacionalmente como CLT. Esses sistemas permitem vencer grandes vãos, alcançar múltiplos pavimentos e garantir estabilidade estrutural compatível com exigências contemporâneas de segurança.

No Brasil, o projeto de estruturas de madeira é regulamentado pela ABNT, especialmente por meio da ABNT NBR 7190, norma que estabelece critérios de dimensionamento, classes de umidade e coeficientes de modificação que influenciam diretamente na resistência e rigidez do material ao longo do tempo. Essa norma está em processo de atualização para incorporar de forma mais abrangente sistemas como o CLT, refletindo a evolução tecnológica do setor.

A durabilidade das edificações também está associada à ABNT NBR 15575-1, que define a Vida Útil de Projeto mínima de 60 anos para novas construções. Essa diretriz não é apenas um número; ela impõe que o projeto, a execução e a manutenção sejam pensados desde o início como um ciclo de longo prazo. Complementarmente, a ABNT NBR 14037 estabelece diretrizes para a elaboração do Manual de Operação, Uso e Manutenção das Edificações, documento essencial para orientar proprietários e gestores sobre cuidados preventivos.

Enquanto o Brasil consolida suas normas específicas, referências internacionais como a ISO e a APA – The  Engineered Wood Association oferecem parâmetros técnicos amplamente adotados para madeira laminada colada e CLT. A ISO estabelece padrões de qualidade e desempenho reconhecidos globalmente, enquanto a APA desenvolve critérios técnicos amplamente utilizados na América do Norte.

A manutenção preventiva é decisiva para garantir o desempenho ao longo das décadas. O controle de umidade é o ponto mais sensível. A madeira reage às variações ambientais; portanto, ventilação adequada, estanqueidade das instalações hidráulicas e proteção contra infiltrações são requisitos fundamentais. A proteção solar com vernizes dotados de filtros UV ajuda a preservar superfícies expostas. O tratamento em autoclave, especialmente em espécies como o pinus de reflorestamento, amplia a resistência contra cupins e brocas. Em termos de segurança contra incêndio, a inspeção periódica de selantes firestop e de revestimentos resistentes ao fogo, como gesso acartonado e vernizes intumescentes, integra o protocolo de preservação estrutural.

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Economia, produtividade e previsibilidade financeira

Embora o custo direto da madeira engenheirada ainda possa superar o do concreto em determinados contextos brasileiros, a análise econômica precisa ir além do preço por metro cúbico. Estruturas em madeira pesam, em média, um quinto de uma estrutura equivalente em concreto. Essa leveza reduz cargas nas fundações, permitindo soluções mais simples e econômicas na base do edifício.

A industrialização é outro diferencial. Elementos estruturais são fabricados com precisão milimétrica em ambiente controlado e chegam ao canteiro prontos para montagem. O resultado é uma obra mais rápida, limpa e previsível. A redução do tempo de execução diminui custos indiretos, como aluguel de equipamentos, despesas administrativas e encargos de manutenção do canteiro. Para incorporadores e investidores, a entrega antecipada significa retorno financeiro mais rápido.

Há ainda ganhos associados à redução de resíduos. Diferentemente da concretagem moldada in loco, que frequentemente gera entulho e retrabalho, a construção em madeira engenheirada trabalha com peças pré-dimensionadas. O desperdício é mínimo, e o canteiro se transforma em espaço de montagem, não de improviso.

Em edifícios públicos, como escolas, estudos indicam que sistemas construtivos em madeira podem oferecer melhor custo-benefício no longo prazo. A combinação de menor impacto ambiental, eficiência energética e rapidez de execução cria um modelo economicamente competitivo, sobretudo quando se considera o ciclo de vida completo da edificação.

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Edifícios como reservatórios de carbono

O debate sobre madeira engenheirada transcende a técnica e alcança a estratégia climática. Ao utilizar matéria-prima proveniente de florestas plantadas e manejadas de forma responsável, a construção civil passa a integrar um ciclo de carbono mais equilibrado. As árvores capturam CO2 durante seu crescimento. Ao serem transformadas em elementos estruturais, mantêm esse carbono estocado ao longo de décadas.

Se a Vida Útil de Projeto mínima é de 60 anos, isso significa que cada edifício pode funcionar como um depósito estável de carbono por duas ou três gerações. Em vez de serem apenas fontes de emissão, as construções tornam-se parte da solução climática. Quando comparadas às emissões intensivas do  concreto e do aço, as estruturas de madeira oferecem um balanço significativamente mais favorável.

Esse modelo exige responsabilidade. O uso sustentável depende de cadeias produtivas certificadas, manejo florestal adequado e cumprimento rigoroso das normas técnicas. Porém, quando esses elementos se alinham, a madeira engenheirada representa uma síntese entre tradição e inovação: um material antigo, reinterpretado pela engenharia contemporânea para responder a um dos maiores desafios do nosso tempo.

A transformação não ocorre apenas na estética dos edifícios, mas na lógica que sustenta sua existência. Em vez de consumir recursos de forma irreversível, a construção passa a dialogar com ciclos naturais. Em vez de acelerar o aquecimento global, pode contribuir para mitigá-lo. Nesse horizonte, a madeira engenheirada deixa de ser alternativa e se consolida como protagonista de uma nova etapa da arquitetura e da engenharia.

Informações: Revista Amazônia

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Florestar vive novo patamar institucional e fortalece protagonismo junto ao Governo de São Paulo

Maturidade expressa no rebranding e atuação estruturada na agenda paulista.

Em um cenário no qual o setor de florestas plantadas amplia sua relevância econômica, ambiental e social, a Florestar consolida seu papel como referência institucional da indústria florestal paulista. A entidade amplia sua presença nas agendas públicas do Estado, com atuação estruturada e diálogo permanente com o Governo de São Paulo. A atualização da marca acompanha esse movimento e reflete uma associação qualificada e integrada às pautas do setor.

Para Marcos Coelho, vice-presidente da entidade, o cenário é especialmente favorável. “A Florestar vive um momento muito positivo. O setor de florestas plantadas tem ganhado cada vez mais relevância em São Paulo, e a associação tem acompanhado esse movimento. Hoje buscamos atuar não apenas como representante institucional das empresas associadas, mas também como um espaço de diálogo qualificado sobre políticas públicas e desenvolvimento regional”, afirma.


Marcos Coelho, vice-presidente

Rebranding como expressão de amadurecimento

A mudança na identidade visual não foi um movimento isolado. De acordo com Fernanda Abilio, engenheira florestal e diretora executiva da associação, o rebranding reflete o amadurecimento institucional vivido pela entidade nos últimos anos.

“O rebranding da Florestar é a expressão de um ciclo de fortalecimento institucional. Ao longo de quatro anos, a entidade redefiniu seu posicionamento, aprimorou sua atuação e construiu reputação e legitimidade nas agendas estratégicas do Estado”, explica.

A contratação de assessorias especializadas e a organização de uma estratégia consistente de comunicação contribuíram para o novo estágio da entidade, ampliando a capacidade da Florestar antecipar tendências regulatórias, organizar posições técnicas e representar o setor nos ambientes decisórios do Estado.

A atualização da identidade visual foi, portanto, um desdobramento natural dessa transformação. “A nova marca traduz uma Florestar madura, conectada às agendas estratégicas do setor e representativa da cadeia florestal paulista”, complementa Fernanda.

Para Marcos Coelho, o movimento simboliza algo mais amplo do que uma atualização visual. “O setor evoluiu, a agenda ficou mais complexa e o papel das associações também mudou. Hoje precisamos dialogar com governo, sociedade, academia e outros setores da economia.”

Governança fortalecida e comunicação estratégica

A evolução foi acompanhada pelo aperfeiçoamento da governança e agendas institucionais. “A Florestar é conduzida por prioridades claras, com interlocução direcionada e comunicação coesa ao perfil do setor”, detalha Fernanda.


Fernanda Abilio, diretora executiva

A adoção da denominação Florestar – Indústria Florestal Paulista reforça essa coerência representativa e seu papel como instância legítima de articulação da cadeia produtiva.

Parcerias estratégicas com o Governo do Estado

A ampliação das parcerias institucionais com o Governo de São Paulo foi resultado de uma agenda estruturada de aproximação.

“Acreditamos que o desenvolvimento do setor depende de um diálogo permanente com o poder público. A Florestar tem buscado contribuir com dados, propostas e posicionamento fundamentado para essas discussões”, destaca Marcos.

Entre as agendas prioritárias estão prevenção a incêndios florestais, preservação ambiental, infraestrutura logística, recursos hídricos, empregabilidade e qualificação profissional. A atuação técnica e institucional da entidade tem facilitado a construção de cooperações formais e a participação em fóruns de alto nível nos cenários estaduais e federais.

“A modernização da marca esclareceu quem somos e quem representamos. Isso fortaleceu a relação junto a secretarias, agências reguladoras e demais órgãos governamentais, facilitando o diálogo em agendas complexas e de longo prazo”, acrescenta Fernanda.

Continuidade e consolidação

Para a vice-presidência, o momento agora é avançar nos patamares já alcançados.

“O foco é dar continuidade ao trabalho que vem sendo construído, com consistência e previsibilidade. É demonstrar às empresas associadas e aos parceiros institucionais que a agenda da Florestar é permanente e orientada a resultados concretos”, afirma Marcos Coelho.

A avaliação interna é de que o rebranding é a expressão visível de uma entidade que se consolidou e reafirmou seu papel como interlocutora legítima da indústria florestal paulista.

Saiba mais sobre a Florestar no link.

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Manejo com redução de impacto é capaz de promover recuperação de floresta e estocar carbono

Pesquisa realizada por 30 anos na Amazônia traz evidências de que boas práticas na exploração de madeira aumentam a biomassa acima do solo e podem contribuir para mitigar mudanças climáticas.

Luciana Constantino | Agência FAPESP – A adoção de técnicas de manejo com redução de impacto na exploração de madeira é capaz de promover a recuperação de florestas tropicais, como a Amazônia, e estocar carbono a longo prazo, mantendo biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Pesquisa publicada no Journal of Environmental Management traz evidências de que essas boas práticas aumentam a biomassa acima do solo, ao contrário da exploração convencional. Reforça, assim, o papel do chamado manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR) como uma estratégia eficaz para conciliar a produção de madeira, a conservação da floresta e a mitigação das mudanças climáticas.

A biomassa, ou seja, a matéria orgânica viva ou morta (como plantas, árvores, animais e resíduos), é um indicador-chave para analisar a recuperação florestal e o sequestro de carbono.

O estudo foi realizado entre 1993 e 2023 em uma fazenda próxima ao município de Paragominas, no Estado do Pará, que tem uma área destinada a experimentos científicos, especialmente ligados à silvicultura e ao manejo de florestas tropicais.

Nesse período de 30 anos, os diâmetros das árvores foram medidos 12 vezes em dois sistemas de manejo – MF-EIR e convencional, além de uma parcela de controle não explorada. O estoque de biomassa foi estimado para a floresta toda; para áreas de espécies exploradas; com potencial de exploração e espécies sem valor madeireiro.

De acordo com os resultados, a área manejada com técnicas de impacto reduzido se aproximou das condições estruturais de uma floresta madura e teve balanço positivo de biomassa – ganho médio de 70,68 megagramas por hectare (Mg ha⁻¹). Por outro lado, a parcela de manejo convencional apresentou perda de biomassa, com saldo negativo de 11,35 Mg ha⁻¹, e a de controle ficou praticamente estável.

Ao longo do tempo, incluindo ciclos de corte de madeira, o MF-EIR levou, em média, a estoques máximos de biomassa de 353,42 Mg ha⁻¹, em todos os grupos de espécies analisados, ficando acima das demais áreas avaliadas.

“Esse acompanhamento por 30 anos traz resultados práticos inéditos e reafirma a importância de inserir o manejo florestal em discussões de mitigação das mudanças climáticas. Mostramos que o manejo de impacto reduzido consegue recuperar claramente a biomassa e, consequentemente, o sequestro de carbono. Com isso, os resultados podem ajudar na criação de metodologias para pagamento por serviços ecossistêmicos, como mercado de carbono, vindos dessas áreas e contribuir para a atualização da legislação de manejo sustentável em florestas tropicais”, avalia o coordenador da pesquisa, Edson Vidal, do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Ele é um dos coordenadores do Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Esalq.

A legislação

O manejo sustentável é descrito no Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/2012) como a “administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema” e considerando a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não e de produtos e subprodutos da flora.

A legislação para a Amazônia prevê ainda planos de manejo, a cada cinco anos, cujos parâmetros técnicos seguem resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), criada em 2009.

Diferentemente da exploração ilegal predatória de madeira, o manejo é baseado em análises científicas que permitem a extração de forma planejada e controlada.

A exploração de impacto reduzido adota técnicas que minimizam danos à floresta, incluindo zoneamento e registro de área, planejamento detalhado de espécies com o mapeamento de todas as árvores comerciais (chamado inventário) e treinamento de pessoal. É necessário também fazer a seleção de árvores ideais para a colheita, corte de lianas e trepadeiras, planejamento de estradas e trilhas, além da minimização de desperdícios e dos danos à floresta remanescente. As árvores manejadas têm corte direcional respeitando um diâmetro mínimo, com planejamento de retirada e ciclos de extração determinados.

No ano passado, outro artigo publicado por um grupo de cientistas liderados por Vidal mostrou que até mesmo a distância entre as árvores de uma determinada espécie em uma região pode fazer diferença no manejo. Isso porque as distâncias mínimas de corte específicas para cada espécie podem favorecer a dispersão do pólen e a viabilidade genética, permitindo a conservação (leia mais em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378112725000763).

Alternativa econômica

Vidal destaca que a pesquisa publicada agora evidencia a viabilidade de conciliar o uso econômico da floresta à conservação ambiental, com fundamentação em ciência, planejamento e políticas públicas baseadas em evidências.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Florestais, a produção madeireira no Brasil provém, principalmente, de áreas de plantio – em 2023, 94% da madeira em tora teve origem em áreas plantadas. No mesmo ano, foram comercializados R$ 35,1 bilhões em produtos madeireiros, dos quais R$ 22,2 bilhões foram de madeira em tora.

Para os pesquisadores, ao favorecer a recuperação da biomassa e o sequestro de carbono, a exploração de impacto reduzido se alinha a estratégias econômicas discutidas no mercado, como projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) e de Improved Forest Management (IFM).

“Levei para a COP30 resultados que obtivemos e os dados suscitaram discussões interessantes. Conseguimos até mesmo um grupo que se organizou para fazer um evento em maio sobre manejo florestal. Durante a conferência, o foco principal nessa área estava voltado para a restauração de florestas”, conta à Agência FAPESP o pesquisador, que esteve em Belém (PA), em novembro de 2025, participando das discussões da Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Parcerias

O artigo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Indo além do primeiro ciclo de colheita nas florestas tropicais da Amazônia Brasileira”, financiado pela FAPESP e vinculado à Iniciativa Amazônia+10 – programa liderado pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) que envolve Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 unidades da Federação, incluindo São Paulo.

Segundo Vidal, o próximo passo do estudo será envolver instituições que participam da Iniciativa Amazônia+10 e têm dados de manejo florestal de outros Estados, como Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, para comparar os resultados de biomassa de forma mais global. “A partir disso podemos pensar, por exemplo, em qual é a contribuição do manejo florestal para a NDC brasileira”, complementa.

Instrumento-chave para as metas de limitar o aquecimento global, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) é o compromisso que cada país apresentou no Acordo de Paris para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. As NDCs deveriam ter sido revisadas em 2025 – até o início da COP30, 111 dos 160 países apresentaram as novas metas.

O estudo também recebeu apoio da FAPESP por meio de mais cinco projetos (19/25820-722/09047-923/07753-624/04038-7 e 24/14326-0), incluindo bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado para pesquisadores que participam do grupo.

O artigo Impact of different management practices on tree biomass and carbon dynamics 30 years after logging in eastern Amazon pode ser lido em sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0301479725043130.

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Do campo aos números: novo modelo aprimora estimativa de carbono no Brasil

Setor florestal ganha ferramenta mais moderna para calcular carbono.

A precisão dos dados é um dos pilares da credibilidade climática. No setor florestal, uma nova modelagem desenvolvida com base em medições reais promete reduzir incertezas históricas na estimativa de carbono.

Ao abandonar fatores médios globais e adotar equações ajustadas à realidade brasileira, a metodologia representa um salto técnico importante.

Nesta entrevista exclusiva, Gabriela Gonçalves Moreira Matzner, Gerente de P&D Manejo Florestal da Bracell, explicou os diferenciais do estudo e os reflexos para empresas e inventários nacionais.

Mundo Agro: O que diferencia esses novos modelos de estimativa de carbono dos métodos utilizados anteriormente?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Os novos modelos substituem valores médios fixos e genéricos por equações específicas aplicadas a cada árvore, calibradas com dados reais de campo e variáveis que refletem a realidade das plantações brasileiras.

Na prática, o estudo descreve que essa abordagem usa variáveis coletadas diretamente no campo – como DAP, altura total, idade do plantio, espécie, localização e características ambientais (clima, precipitação, temperatura) – para alimentar modelos estatísticos de regressão que tornam a estimativa mais precisa e aderente à realidade das florestas plantadas no Brasil.

Outro diferencial é que a melhoria de precisão é especialmente relevante para a biomassa subterrânea (raízes), tradicionalmente mais difícil de mensurar, com redução de erro reportada em até 60% nas raízes.

Mundo Agro: Por que ainda havia tanta margem de imprecisão na mensuração de carbono em florestas plantadas?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: É importante ressaltar que existe uma margem de imprecisão em toda estimativa, sendo que a utilizada anteriormente era considerado o melhor disponível em literatura internacional até o momento. Essa imprecisão existe porque os valores recomendados pelo IPCC são médias globais gerais. Em termos simples, é como tentar definir um peso médio para toda a população humana sem considerar diferenças de genética, idade ou hábitos alimentares. O novo trabalho busca justamente compreender como diferentes condições ambientais e características do plantio influenciam o acúmulo de biomassa.

Atualmente, grande parte dos inventários florestais no Brasil ainda utiliza valores médios genéricos definidos em 2004 pelo MCTI, que não consideram fatores como idade das árvores, espécie, tipo de solo, clima e localização. Essa simplificação pode gerar erros relevantes, especialmente na estimativa da biomassa subterrânea, como as raízes, que são tradicionalmente mais difíceis de mensurar.

Essa limitação também se reflete nos inventários utilizados nas comunicações internacionais do país. Inclusive, os dados enviados ao IPCC ainda se baseiam, em grande medida, nesses valores fixos e genéricos, o que ajuda a explicar por que a margem de imprecisão se manteve elevada por tanto tempo.

Mundo Agro: Esses modelos podem ser replicados em outros tipos de florestas ou biomas?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Como os modelos foram desenvolvidos a partir de plantações de eucalipto e pinus, eles devem ser usados de modo restrito para esses gêneros. Contudo, pode ser aplicado para estes em diferentes biomas. Vale ressaltar que os modelos contemplam os dois gêneros que respondem por mais de 90% da produção florestal plantada no Brasil.

O desenvolvimento considerou um conjunto amplo de condições (27 locais de diferentes regiões do país) e variáveis ambientais (incluindo clima por Köppen, precipitação e temperatura), o que reforça a robustez dentro do escopo apresentado (florestas plantadas de eucalipto e pinus).

Mundo Agro: Qual é o impacto dessa maior precisão para os inventários de emissões no Brasil?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: A mudança tem impacto direto nos inventários de carbono usados por empresas e até por governos, ao trocar valores genéricos por fórmulas calibradas com dados reais.

Além de ganho de precisão, fortalecer a qualidade técnica dos inventários, aumentando a confiabilidade das estimativas de remoções e contribuindo para maior transparência dos reportes, há impacto positivo também no desenvolvimento de planos e estratégias climáticas mais precisos e baseados na ciência.

E, no contexto mais amplo discutido pela própria Bracell em outubro de 2025 (no seminário “Bracell 2030 – O Brasil na vanguarda do clima”), a precisão e a qualidade de dados são coerentes com o debate sobre como o Brasil pode liderar a agenda climática global com base em ciência, inovação e bioindústria.

Mundo Agro: Como a Bracell incorporou esses novos modelos aos seus inventários de GEE?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: A incorporação de avanços científicos às práticas da empresa é um princípio consolidado em sua atuação. Neste estudo, a Bracell não apenas contribuiu com dados essenciais, como também participou do desenvolvimento dos modelos utilizados. Por isso, a aplicação dos resultados ao Inventário de Gases de Efeito Estufa ocorreu de forma natural e imediata. Sempre que uma nova metodologia é validada, a equipe de Pesquisa e Desenvolvimento trabalha para que ela seja adotada como padrão pelas áreas parceiras.

Mundo Agro: Que mudanças práticas essa adoção trouxe para a gestão florestal da empresa?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: O que antes era uma estimativa genérica passou a ser um cálculo técnico mais preciso, permitindo relatar com mais responsabilidade as emissões e remoções florestais. Essa melhoria fortalece a credibilidade dos números apresentados e qualifica o planejamento florestal.

Não se trata apenas de um inventário. A mudança tem reflexos práticos em áreas como planejamento, certificação e acesso a crédito, ao oferecer uma base técnica mais robusta para decisões e reportes que dependem desses dados.

Mundo Agro: A nova metodologia altera metas ou compromissos climáticos já estabelecidos?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Não. A atualização da metodologia pode alterar os resultados estimados, mas não muda as estratégias de descarbonização nem os compromissos climáticos já assumidos. As metas permanecem as mesmas.

Mundo Agro: Há impactos diretos na estratégia de descarbonização da companhia?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Embora a mudança na metodologia influencie os resultados obtidos, as estratégias de descarbonização permanecem as mesmas. Os compromissos assumidos pela empresa seguem inalterados.

Mundo Agro: O Brasil pode se tornar referência internacional nesse tipo de modelagem?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: O setor florestal brasileiro tem um longo histórico de cooperação com universidades e centros de pesquisa. Mesmo competindo no mercado, as empresas do setor compreenderam, ainda décadas atrás, que a atuação coordenada em pesquisas estratégicas traz ganhos coletivos e fortalece toda a cadeia produtiva. Este estudo é um dos diversos resultados gerados por esse modelo de cooperação, que continua produzindo novos avanços científicos.

Os modelos discutidos fazem parte de uma pesquisa brasileira publicada na revista Global Change Biology, referência internacional na área. O trabalho representa um avanço relevante tanto para o setor florestal quanto para a agenda climática do Brasil.

Mundo Agro: Quais são os próximos passos da empresa para aprimorar ainda mais a mensuração de carbono?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Investir em pesquisas voltadas à sustentabilidade faz parte da essência da Bracell, com destaque para os estudos sobre gases de efeito estufa. Como próximos passos, a empresa segue aprimorando as estimativas de biomassa e carbono por meio de métodos já consolidados, ao mesmo tempo em que avalia novas tecnologias. Entre elas estão o uso de torres de fluxo para entender como o clima influencia o sequestro de carbono e a utilização de sensores LiDAR, que podem tornar essas medições mais ágeis e menos custosas.

Informações: R7 / Mundo Agro


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Tecnologia catarinense amplia precisão na identificação de espécies florestais 

Iniciativa desenvolvida em Timbó reforça a importância da Engenharia Florestal e da responsabilidade técnica no setor ambiental.

A identificação botânica é um dos principais gargalos do setor florestal no Brasil e em regiões de clima tropical. Com florestas ricas e diversas, a correta identificação das espécies é essencial para que os estudos atinjam resultados precisos sobre os recursos vegetais, sejam para fins de conservação ou de produção. O estudo que quantifica e qualifica os recursos da flora é chamado de inventário florestal — levantamento técnico realizado em campo para medir e identificar as árvores existentes em determinada área.

Em Timbó, uma iniciativa liderada por engenheiros florestais vem desenvolvendo uma tecnologia que pode ampliar significativamente a precisão da identificação botânica. A proposta utiliza a análise da composição das folhas para auxiliar na identificação das espécies, alcançando cerca de 90% de índice de acerto.

O tema ganha relevância no contexto da atuação da Câmara Especializada de Engenharia Florestal do CREA-SC, que acompanha e representa a modalidade no estado, reforçando a importância da qualificação e da responsabilidade técnica em atividades que impactam diretamente o meio ambiente.

Camila Mayara Gessner, fundadora da iFlorestal

Segundo a engenheira florestal Camila Mayara Gessner, a identificação botânica é uma das variáveis centrais do inventário. “O Brasil possui mais de 46 mil espécies da flora, muitas visualmente muito semelhantes. Isso torna o processo complexo e exige conhecimento especializado”, explica.

Precisão além da imagem

Aplicativos baseados apenas em fotografia já são utilizados para reconhecimento de plantas ornamentais, mas não oferecem a confiabilidade necessária para estudos técnicos.

A nova solução analisa características físicas e químicas das folhas e gera algo análogo a uma digital humana para cada espécie botânica. Os dados que comporão um mega banco de dados está sendo iniciado a partir de milhares de amostras científicas armazenadas no Herbário Dr. Roberto Miguel Klein, da FURB, e poderá ser ampliado indefinidamente pela incorporação de novas amostras provenientes de outros herbários existentes no Brasil e no mundo.

A ferramenta em desenvolvimento poderá servir como fonte de pesquisa para órgãos e empresas públicas e privadas. Por exemplo, em 2023, cerca de 60% das solicitações de corte de vegetação recebidas pelo Ibama apresentavam espécies não identificadas, o que demonstra o desafio técnico ainda presente no setor.

Esse avanço só é possível graças ao Programa Tecnova III, organizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o qual apoia empresas catarinenses com projetos altamente inovadores.  Desenvolvido em parceria com o Herbário Dr. Roberto Miguel Klein (FURB) e com apoio do Inventário Florestal Nacional (IFN-BR), da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

O projeto conta com financiamento do Programa Tecnova III, iniciativa da FINEP em parceria com a FAPESC, voltada ao apoio de empresas catarinenses inovadoras. A tecnologia é desenvolvida em conjunto com o Herbário Dr. Roberto Miguel Klein, da FURB, e recebe apoio do Inventário Florestal Nacional (IFN-BR), da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, reforçando seu potencial de impacto para o setor florestal.

Engenharia e fortalecimento profissional

A iniciativa também se conecta  ao trabalho da Câmara Especializada de Engenharia Florestal (CEEF) do CREA-SC. Para o engenheiro florestal Heitor Felippe Uller, conselheiro suplente da Câmara, a CEEF é o espaço onde os profissionais apresentam demandas, discutem desafios e contribuem para o futuro da profissão. “É a casa das reinvindicações da profissão, é onde os profissionais levam suas demandas, dúvidas e ideias para discussão. Baseado nos princípios da engenharia, na fundamentação técnica, científica e ética que orientam a concepção, execução e gestão de projetos e serviços, iniciativas como as descritas acima, fortalecem o setor e a engenharia,” ressalta.

Heitor também participou de discussões que resultaram na liberação de códigos específicos para atividades de arborização urbana, como avaliação de risco de árvores, transplantes e elaboração de planos diretores. Segundo ele, a medida trouxe mais clareza ao registro das atividades e ampliou a segurança técnica e jurídica para os profissionais que atuam na área, fortalecendo a Engenharia Florestal em Santa Catarina.

Soluções desenvolvidas por engenheiros florestais

Fundada em 2020 pelos engenheiros florestais Heitor Uller e Camila Mayara Gessner, a iFlorestal atua no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas voltadas ao setor florestal e ambiental. Entre elas estão aplicativo para coleta de dados em inventários florestais e para coleta de dados e gestão da arborização urbana, soluções que auxiliam profissionais no registro técnico das atividades realizadas em campo.

As ferramentas foram criadas a partir da vivência prática na área. “Todas as soluções surgiram das demandas que enfrentamos no dia a dia da Engenharia Florestal. A proposta é oferecer instrumentos que qualifiquem o trabalho técnico, tragam mais organização às informações coletadas e contribuam para decisões mais seguras”, destaca Heitor.

Informações: CREA -SC

lancamento-da-pedra-fundamental-da-fabrica-da-adufertil-em-aracruz-3160871-article (Pequeno)

Obra de nova fábrica de fertilizantes vai gerar até 300 empregos em Aracruz

Com previsão para começar a funcionar em 2027, unidade da Adufértil vai abastecer a Suzano e também pode atender produtores de café e outras culturas do Estado.

A partir de um investimento de R$ 90 milhões, a região Norte do Espírito Santo vai ganhar uma nova fábrica de fertilizantes até o início de 2027. Por meio de parceria com a Suzano e a Portocel, a Adufértil iniciou a construção da sua unidade em Aracruz. A empresa é líder no segmento de fertilizantes mistos em São Paulo e, desde 2021, integra o grupo Indorama Corporation, de Singapura.

A pedra fundamental da obra, que marca um movimento estratégico da companhia para fortalecer a cadeia de suprimentos agrícolas no Sudeste do Brasil, foi lançada nesta quinta-feira (26). O evento ocorreu na área onde será construída a unidade, às margens da rodovia ES-010 e próximo das operações da Suzano e da Portocel.

O empreendimento é viabilizado por uma parceria que envolve a Suzano, um dos principais clientes da empresa, e a Portocel — terminal que tem a empresa de celulose e a Cenibra como acionistas —, responsável pela logística de importação dos insumos.

Durante a fase de implantação, a obra deverá gerar cerca de 300 empregos, com maior volume de contratações previsto para maio. Na etapa operacional, a unidade contará com aproximadamente 80 profissionais, com vagas nas áreas operacional, técnica e de gestão e ainda gerará 160 vagas de emprego indiretas. As admissões devem começar em outubro, e o início da operação está previsto para abril de 2027.

Informações: A Gazeta


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Cidade âncora do Vale da Celulose, Três Lagoas busca equilíbrio entre expansão e estrutura 

Três Lagoas vive um ciclo acelerado de expansão que reposiciona o município como eixo estratégico do leste sul-mato-grossense. Com densidade populacional semelhante à de Santa Cruz do Sul (RS), a cidade segue trajetória distinta, marcada por crescimento industrial mais recente e pressionado.

Três Lagoas consolidou-se como cidade âncora de uma região que vive um novo ciclo de desenvolvimento puxado pelo setor de papel e celulose. Todos os grandes investimentos que chegam ao chamado Vale da Celulose passam, de forma direta ou indireta, pelo município.

O caso mais emblemático é o megaprojeto da chilena Arauco, que constrói uma nova planta industrial em Inocência. Embora a fábrica esteja sendo erguida em uma cidade com pouco mais de 8 mil habitantes, boa parte da engrenagem administrativa e operacional gira em torno de Três Lagoas.

É no município que funcionam escritórios, processos de contratação, exames médicos admissionais e etapas de regularização trabalhista. Engenheiros, técnicos e profissionais especializados fixam residência em Três Lagoas, reforçando sua posição como base logística e de serviços para toda a região leste do Estado.

EMPREGOS, FALTA DE MÃO DE OBRA E PRESSÃO IMOBILIÁRIA

O avanço industrial trouxe forte geração de emprego e renda. Ao mesmo tempo, criou gargalos. Empresas relatam dificuldade para preencher vagas técnicas e operacionais, evidenciando escassez de mão de obra qualificada.

O mercado imobiliário sente o impacto. A alta demanda elevou o valor dos aluguéis e reduziu a oferta de imóveis disponíveis. O setor hoteleiro também opera frequentemente no limite. Mesmo com uma rede considerável de hotéis, visitantes que chegam sem reserva prévia podem enfrentar dificuldades para encontrar hospedagem.

Cidade âncora do Vale da Celulose, Três Lagoas busca equilíbrio entre expansão e estrutura
Empresas de vários estados chegam à Três Lagoas atraídas pelo potencial econômico que a região oferece (Foto: Ricardo Ojeda)

O crescimento também é visível nas ruas. O aumento da frota de veículos, somado ao trânsito de caminhões ligados à cadeia da celulose, pressiona a mobilidade urbana e exige investimentos constantes em infraestrutura viária.

IMPACTOS SOCIAIS E AUMENTO DA VULNERABILIDADE

O dinamismo econômico transformou Três Lagoas em polo de atração para trabalhadores de diversas regiões do país. No entanto, parte desse fluxo acaba ampliando desafios sociais.

A cidade registra crescimento no número de pessoas em situação de rua e usuários de drogas vindos de outros estados, o que pressiona os serviços de assistência social e segurança pública. O município cresce, mas precisa ampliar sua capacidade de acolhimento e atendimento às demandas sociais que acompanham o desenvolvimento.

ESTRUTURA PÚBLICA NÃO ACOMPANHA O RITMO

O crescimento acelerado contrasta com limitações na estrutura dos serviços públicos, muitos deles de responsabilidade estadual.

Nesta semana, uma forte tempestade atingiu diferentes bairros e provocou alagamentos severos. Em alguns pontos, a água invadiu residências e chegou próximo à altura do corpo dos moradores. Durante a madrugada, houve relatos de insuficiência de viaturas para atender a demanda emergencial. Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Militar Ambiental enfrentaram dificuldades operacionais diante do volume de ocorrências.

A preocupação vai além das enchentes. Com a verticalização crescente da cidade, o Corpo de Bombeiros não dispõe de escada de grande porte para atendimento a prédios mais altos em caso de incêndio. A cidade cresce em altura e complexidade, mas os equipamentos não evoluem na mesma proporção.

O GARGALO DO AEROPORTO

Outro ponto crítico é a infraestrutura aeroportuária. Até alguns anos atrás, o município contava com voos regulares operados pela Passaredo e, posteriormente, pela Azul. Atualmente, não há voos comerciais regulares partindo de Três Lagoas.

A pista, com mais de 20 anos, necessita de reforço estrutural para suportar aeronaves de maior porte e não possui homologação para operação por instrumentos. Isso limita pousos em condições climáticas adversas e reduz a competitividade do município.

Empresários e investidores que não possuem aeronaves próprias precisam desembarcar em cidades como São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente ou Campo Grande, percorrendo depois centenas de quilômetros por rodovia até chegar a Três Lagoas. Para uma cidade que se tornou plataforma regional de investimentos, a ausência de voos comerciais regulares representa um entrave logístico significativo.

SANTA CRUZ DO SUL: REALIDADE DIFERENTE NO RIO GRANDE DO SUL

Enquanto Três Lagoas vive um ciclo de expansão industrial acelerada, Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, construiu sua força econômica ao longo de décadas, com base histórica ligada ao setor do tabaco e forte presença do setor de serviços.

A comparação expõe realidades diferentes entre municípios de porte parecido. O desafio local é fazer infraestrutura e serviços acompanharem a velocidade dos investimentos. No caso sul-mato-grossense, o desafio é garantir que infraestrutura, segurança e serviços públicos acompanhem o ritmo intenso de investimentos. Três Lagoas deixou de ser apenas uma cidade média do interior. Hoje é um eixo decisivo para o desenvolvimento regional.

Informações: Perfil News

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