
O que está escondido no solo pode ser a chave para ressuscitar florestas tropicais
Árvores crescerem até duas vezes mais rápido após o desmatamento, supercarregando a captura de carbono e mudando o jogo das estratégias globais de reflorestamento.
Uma nova pesquisa trouxe um alerta que mexe direto com o futuro das florestas tropicais: o que está “escondido” no solo pode acelerar a volta das árvores depois do desmatamento. Em áreas com nitrogênio suficiente, a recuperação acontece até duas vezes mais rápido, especialmente nos primeiros 10 anos, justamente a fase em que o crescimento define se a floresta engrena ou patina.
E isso não é só uma boa notícia para a paisagem. Crescimento mais rápido significa mais captura de carbono da atmosfera, com impacto direto nas estratégias de reflorestamento. O estudo aponta um caminho de gestão mais inteligente, trabalhando com a lógica da natureza em vez de depender de fertilizantes, que podem gerar efeitos colaterais ambientais.
O que os cientistas acompanharam por até 20 anos
A equipe, liderada pela Universidade de Leeds, montou o que descreve como o maior e mais longo experimento para entender como nutrientes afetam o crescimento de novas florestas tropicais.
O foco foram áreas tropicais previamente desmatadas por atividades como exploração madeireira e agricultura, exatamente os cenários em que a recuperação natural vira uma corrida contra o tempo.
Foram selecionadas 76 parcelas florestais na América Central, monitoradas por períodos de até 20 anos.
Os locais tinham idades e tamanhos diferentes, permitindo observar o processo de recuperação com o passar do tempo, acompanhando crescimento e mortalidade de árvores à medida que as florestas se reconstroem.
Como o experimento testou nitrogênio e fósforo na prática
Para isolar o efeito dos nutrientes, as parcelas receberam tratamentos diferentes: algumas ganharam fertilizante com nitrogênio, outras com fósforo, outras com os dois, e um grupo ficou sem tratamento. Esse desenho permitiu comparar como as florestas respondiam quando o “combustível” do subsolo mudava.
O resultado foi direto: o nitrogênio apareceu como o fator decisivo para acelerar a regeneração, especialmente no início. Já o fósforo, quando aplicado sozinho, não gerou o mesmo salto.
O nitrogênio virou o “motor” das florestas jovens

O ponto mais forte do estudo está no timing. Durante os primeiros 10 anos de recuperação, as florestas com nitrogênio adequado avançaram a uma velocidade aproximadamente duas vezes maior do que aquelas com deficiência do nutriente.
Isso importa porque essa primeira década é a fase em que a floresta define sua estrutura, ganha volume, fecha copa e começa a funcionar como um sistema mais estável.
Se o começo é lento, o retorno do ecossistema inteiro atrasa. Se o começo acelera, o ganho de biomassa e de carbono também acelera.
Por que “crescer mais rápido” muda a captura de carbono
Florestas tropicais são alguns dos maiores sumidouros de carbono do planeta. Quanto mais árvores crescem e acumulam biomassa, mais carbono fica armazenado nas plantas, em vez de circular na atmosfera.
A pesquisa estimou que, se a escassez de nitrogênio estiver freando florestas tropicais jovens no mundo, cerca de 0,69 bilhão de toneladas de dióxido de carbono podem deixar de ser armazenadas por ano.
Os autores comparam essa quantidade a aproximadamente dois anos de emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa do Reino Unido. Ou seja: o “freio” do solo pode custar caro para o clima.
Publicação e quem participou do trabalho
Os resultados foram publicados em 13 de janeiro na revista Nature Communications.
O estudo envolveu pesquisadores de várias instituições, incluindo Universidade de Glasgow, Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, Universidade de Yale, Universidade de Princeton, Universidade de Cornell, Universidade Nacional de Singapura e Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas.
O autor principal, Wenguang Tang, conduziu a pesquisa durante o doutorado na Universidade de Leeds e destacou que existe espaço para aumentar captura e armazenamento de gases de efeito estufa via reflorestamento, olhando com atenção para os nutrientes disponíveis às árvores.
Por que os cientistas não recomendam “jogar fertilizante” na floresta
Mesmo tendo usado fertilizante nitrogenado no experimento, a mensagem é clara: eles não recomendam fertilização de florestas como solução em larga escala.
O motivo é que o uso generalizado pode trazer efeitos colaterais, como emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa potente.
Em vez disso, a proposta é trabalhar com alternativas práticas e alinhadas com a natureza, evitando criar um remédio que gera outro problema climático.
As alternativas “inteligentes” sugeridas pelo estudo
A linha defendida pelos pesquisadores é estratégica: restaurar melhor, não apenas restaurar mais. Entre as opções apontadas, duas ganham destaque:
1) Plantar leguminosas para colocar nitrogênio no sistema naturalmente
A sugestão é usar árvores da família das leguminosas, que adicionam nitrogênio ao solo, ajudando a sustentar o crescimento sem depender de fertilizantes.
2) Priorizar áreas que já têm nitrogênio suficiente
Outra possibilidade é restaurar florestas em locais onde o nitrogênio já é mais abundante, inclusive por efeitos ligados à poluição atmosférica, direcionando esforços para onde a recuperação tende a ser mais rápida.
A lógica por trás disso é simples e forte: não é só plantar árvore, é escolher o terreno onde ela vai disparar.
O timing político: COP30 e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre
O estudo foi divulgado poucas semanas após o encerramento da COP30 no Brasil, quando foi anunciado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado a apoiar países com florestas tropicais na proteção das áreas existentes e na restauração das que foram danificadas.
A pesquisadora principal, Sarah Batterman, professora associada da Escola de Geografia de Leeds, reforça um ponto central: evitar o desmatamento de florestas tropicais maduras deve seguir como prioridade, mas entender como nutrientes influenciam a recuperação ajuda formuladores de políticas a decidir onde e como restaurar para maximizar o sequestro de carbono.
O que isso muda na prática para reflorestamento
A conclusão que fica é incômoda e poderosa: o subsolo pode decidir o sucesso do reflorestamento. Se a estratégia ignora nutrientes, pode acabar investindo pesado em áreas onde a floresta vai demorar muito mais a “pegar no tranco”. Se considera o nitrogênio, pode direcionar ações para acelerar a volta das florestas e aumentar a captura de carbono no ritmo que a crise climática exige.
No fim, a pergunta que vira debate é simples: você acha que os projetos de reflorestamento deveriam priorizar primeiro as áreas onde o solo já dá vantagem para as florestas crescerem mais rápido?
Informações: Click Petróleo e Gás

Falta de mão de obra em MS vira pauta estratégica no setor florestal e ganha espaço na Mais Floresta ExpoRibas 2026
Setor florestal cresce, mas falta gente: o novo desafio estratégico de MS.
O avanço acelerado do setor florestal em Mato Grosso do Sul trouxe ganhos expressivos em produção, tecnologia e investimentos, mas também expôs um dos principais gargalos da cadeia: a escassez de mão de obra. O que há uma década era um cenário de abundância de trabalhadores disponíveis hoje se tornou um desafio estratégico para empresas de base florestal que operam no estado.
Segundo Germano Vieira, diretor florestal da Eldorado Brasil, a mudança é resultado de uma combinação de fatores. “Nos últimos anos, várias empresas passaram a operar em Mato Grosso do Sul, aumentando muito a demanda por profissionais. Além disso, o estado tem baixa densidade demográfica. A equação entre oferta e demanda mudou completamente”, explica.

O cenário é ainda mais complexo porque a escassez não está apenas relacionada ao número de trabalhadores, mas também ao perfil dessa nova força de trabalho. “A geração mudou. O que era aceito há 10 ou 15 anos já não é mais. Hoje, as pessoas buscam conforto, qualidade de vida, propósito e respeito dentro das organizações”, afirma.
Emprego existe, mas a adaptação é o desafio
Mato Grosso do Sul vive, atualmente, uma situação próxima ao pleno emprego no setor florestal. São vagas qualificadas, ligadas a operações cada vez mais tecnológicas, mas que exigem um ecossistema social preparado para receber novos profissionais.
“O problema não é convencer alguém a ir para o estado, é como essa pessoa vai se instalar. Falta moradia, escolas, leitos hospitalares, estrutura urbana. Algumas cidades evoluíram, como Três Lagoas, mas outras ainda enfrentam limitações”, pontua Germano, citando municípios estratégicos como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência e Selvíria.

Diante desse contexto, empresas do setor passaram a assumir um papel ativo não apenas na geração de empregos, mas também no suporte social e na qualidade de vida dos colaboradores.
Eldorado Brasil aposta em atração, qualificação e retenção
Na Eldorado Brasil, a resposta ao desafio da mão de obra veio com a criação do programa “Nossa Gente”, estruturado em quatro pilares: conforto e adaptação, carreira, relacionamento e família.
No campo, as mudanças começam pelo básico. Transporte confortável com internet via satélite, uniformes mais leves e funcionais, alimentação personalizada e alojamentos reformulados — agora chamados de “estações do sono”, com quartos menores, suítes, internet e áreas de descanso. “A ideia é que a pessoa realmente consiga se recuperar e se sentir bem”, explica o diretor florestal.
Outro avanço é a chamada “cabinização” das operações. “Hoje, mais de 70% dos trabalhadores atuam dentro de cabines climatizadas, com conforto térmico e menor desgaste físico. Isso muda completamente a experiência de trabalho no campo”, destaca.
Capacitação contínua e trilhas de carreira
A qualificação profissional também é tratada como prioridade. A Eldorado treina cerca de 3 mil pessoas por ano, número superior ao próprio quadro de colaboradores. Por meio de um sistema acessível pelo celular, o trabalhador pode visualizar trilhas de carreira, entender os requisitos para novas funções e se candidatar a cursos internos de capacitação.
“Hoje, o colaborador consegue enxergar claramente onde está e onde pode chegar. Isso aumenta o engajamento e reduz a rotatividade”, afirma Germano.
A relação entre líderes e equipes também passou por mudanças. A empresa investe na formação de lideranças com foco em respeito, escuta ativa e valorização individual. Iniciativas como o “termômetro da felicidade” buscam medir o clima organizacional e antecipar problemas de retenção.

Família como parte da estratégia
O quarto pilar do programa é a família. A Eldorado tem investido em ações de apoio social, como telemedicina em municípios com baixa oferta de especialistas, além de projetos que aproximam familiares do ambiente de trabalho.
“Queremos que o pai tenha orgulho do filho e que o filho tenha orgulho do pai. Estamos criando programas culturais, educacionais e até visitas dos filhos às áreas operacionais, para que entendam o trabalho realizado”, conta Germano.
Tema central na Mais Floresta ExpoRibas 2026
A falta de mão de obra qualificada e as estratégias para atrair, desenvolver e reter talentos serão um dos temas centrais da Mais Floresta ExpoRibas 2026, que acontece de 18 a 21 de março, em Ribas do Rio Pardo (MS).
Durante os três dias da feira, o assunto será debatido em um pavilhão exclusivo, em parceria com Senar, Sebrae e Senai, reunindo empresas, especialistas, instituições de ensino e profissionais do setor florestal. O objetivo é conectar demandas reais das empresas com soluções práticas em capacitação, qualificação e desenvolvimento regional.
“A Mais Floresta nasce como um hub de tecnologia, negócios e pessoas. Discutir mão de obra é discutir o futuro do setor florestal”, destaca Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações e idealizador da feira.
Para quem quiser se aprofundar no tema e conhecer mais detalhes sobre as ações da Eldorado Brasil, a entrevista completa com o diretor florestal está disponível no link:
https://youtu.be/FQLetLhtFPY?si=pKSpv-Dc8GeNF6tn

Plano estadual fortalece silvicultura e amplia base de florestas plantadas em Goiás
Estratégia integra políticas públicas, planejamento técnico e articulação institucional para atrair investimentos e fortalecer cadeias florestais no estado.
O Governo de Goiás avança na consolidação da silvicultura com a estruturação do Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal. Apresentada neste mês de janeiro, a proposta inserida na Política Florestal para Goiás está em fase de elaboração e organiza ações estratégicas para ampliar a base de florestas plantadas, fortalecer cadeias produtivas demandantes de madeira, como as de alimentos, construção civil e etanol de milho, além de criar um ambiente favorável à atração de novas indústrias, como as de celulose, papel e painéis.
O plano é estruturado em um contexto de expansão da atividade florestal no país. A construção e a implantação do plano são conduzidas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), além de apoio institucional da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ).
Coordenado pela Seapa, o Plano Diretor Florestal reunirá estudos edafoclimáticos, logísticos e econômicos para orientar investimentos, estruturar zonas produtivas no estado e promover mudanças estruturais e legislativas voltadas à melhoria do ambiente de negócios. A proposta prevê atuação integrada entre órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa e setor produtivo, além da realização de ações de campo, workshops técnicos e diálogo direto com produtores e consumidores de madeira.
Durante o lançamento, o vice-governador Daniel Vilela destacou o momento de crescimento econômico de Goiás e a importância de ampliar a atuação do estado em novos segmentos produtivos. Segundo ele, “o setor de base florestal apresenta demanda global crescente e reúne condições para ampliar a geração de renda e investimentos no estado”.
Titular da Seapa, Pedro Leonardo Rezende ressaltou o caráter técnico do plano e o papel do planejamento na organização do setor. “A iniciativa integra informações estratégicas, articula ações públicas e privadas e cria condições para ampliar a base florestal, dando previsibilidade ao investidor e fortalecendo o abastecimento das cadeias produtivas”, afirmou.
Base produtiva florestal
Em Goiás, a silvicultura tem como principal ativo a produção de lenha. Em 2024, a produção de lenha de eucalipto alcançou 3,2 milhões de m³, com valor de produção de R$ 389 milhões, frente a 3,1 milhões de m³, quando o valor foi de R$ 309,3 milhões no ano anterior. A madeira em tora de eucalipto destinada ao setor de papel e celulose apresentou expansão significativa, passando de 268,5 mil m³ em 2023 para 880,8 mil m³ em 2024. A movimentação financeira evoluiu de R$ 20,7 milhões para R$ 211,3 milhões no mesmo período.
A borracha natural produzida no estado teve participação relevante na silvicultura goiana. Em 2024, foram produzidas 31,3 mil toneladas de látex coagulado, volume próximo ao registrado em 2023, quando a produção alcançou 32,2 mil toneladas. O segmento movimentou R$ 101,2 milhões no último ano. O carvão vegetal também integra a base produtiva, com produção de 3,3 mil toneladas em 2024 e valor de produção de R$ 7,2 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Atualmente, Goiás conta com cerca de 123,2 mil hectares de florestas plantadas voltadas à produção florestal, que movimentaram R$ 782,6 milhões em 2024. O setor apresenta potencial de expansão diante da demanda crescente, da disponibilidade de áreas aptas e das condições edafoclimáticas favoráveis do cerrado.

Focos de incêndio no Pantanal dobram e governo reforça combate em Mato Grosso do Sul
Bombeiros alertam para risco maior em 2026 e ampliam ações de prevenção.
O governo de Mato Grosso do Sul registrou aumento nos focos de incêndio no Pantanal, com novos casos na região do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, no Nabileque e na área norte de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai. O cenário preocupa por envolver áreas com vegetação já recuperada após os grandes incêndios de 2024 e por conta do período prolongado de pouca chuva.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a intensidade dos focos é maior do que a média histórica para esta época do ano. As equipes de Corumbá já estão atuando no combate direto, enquanto outra frente de trabalho organiza estratégias e ações futuras em conjunto com órgãos estaduais e federais. O uso de aeronaves também ajuda na identificação e no direcionamento das equipes em solo.
Dados do BDQueimadas mostram que, entre 1º e 26 de janeiro, foram registrados 69 focos ativos no Pantanal, contra 34 no mesmo período de 2025, indicando um aumento de 100%. Para enfrentar essa situação, o governo mantém desde 2024 uma estrutura de monitoramento e combate, com reforço logístico, capacitação e integração entre órgãos ambientais.
O estado reforça que a atuação preventiva tem sido fundamental para reduzir os impactos dos incêndios. Em 2025, o Pantanal teve queda no número de focos e na área queimada, com 1.844 focos e 202.678 hectares atingidos, bem abaixo dos mais de 2,3 milhões de hectares consumidos em 2024. O objetivo agora é manter a coordenação e os resultados positivos, mesmo diante do aumento dos riscos neste início de ano.

Projeto Sucuriú consolida maior investimento da Arauco no Vale da Celulose
Empreendimento de R$ 25 bilhões em Inocência (MS) dará origem à maior fábrica de celulose de linha única do mundo, com início de operação previsto para 2027.
O Projeto Sucuriú representa o maior investimento já realizado pelo grupo chileno Arauco, com aporte estimado em R$ 25 bilhões destinados à implantação da maior fábrica de celulose de linha única do mundo, no município de Inocência, em Mato Grosso do Sul. O início das operações está programado para o final de 2027, quando a unidade atingirá uma capacidade produtiva de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de mercado.
DENTRO DO CRONOGRAMA
Desde o lançamento da Pedra Fundamental, realizado em 9 de abril de 2025, as obras do empreendimento vêm avançando conforme o cronograma estabelecido. Atualmente, o projeto mobiliza cerca de 8.200 trabalhadores diretos, número que deverá ultrapassar 14 mil postos de trabalho ao longo do pico das obras. Após o startup, a operação industrial deverá empregar aproximadamente 6 mil profissionais nas áreas Industrial, Florestal e Logística.
Além de seu impacto industrial, o Projeto Sucuriú tem como propósito impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região conhecida como Vale da Celulose, promovendo geração de renda, ampliação da arrecadação tributária e atração de novos investimentos para o entorno.
MARCOS OPERACIONAIS E AVANÇOS TÉCNICOS
No início de 2026, o projeto registrou avanços relevantes em sua execução. Um dos principais marcos ocorreu em 20 de janeiro, com o içamento de um Feedwater Tank (tanque de alimentação de caldeira).
A atividade é classificada como uma operação crítica de movimentação de cargas pesadas, exigindo planejamento minucioso, utilização de equipamentos especializados e adoção rigorosa de procedimentos de segurança, com o objetivo de preservar a integridade do reservatório e a segurança das equipes envolvidas. Esses tanques desempenham papel essencial no armazenamento e no pré-aquecimento da água que alimenta as caldeiras do processo industrial.
Registro da aplicação da ferramenta “Cascading in Safety” (Cascateamento de Segurança) nas Caldeiras que envolve uma caminhada de segurança focada na montagem de gruas de alto risco (Foto: Redes sociais)
Outro destaque no cronograma de janeiro foi a aplicação da ferramenta de gestão conhecida como Cascading in Safety (Cascateamento de Segurança). A metodologia foi implementada junto às equipes responsáveis pela montagem das gruas que darão suporte às etapas de construção. A ferramenta tem como finalidade assegurar que os valores, diretrizes e comportamentos de segurança definidos pela liderança sejam disseminados de forma estruturada e contínua para todas as frentes operacionais.
A complexidade das operações é evidenciada pelas dimensões dos equipamentos em instalação. Uma das gruas atingirá 145 metros de altura, enquanto outra, atualmente em operação, alcançará futuramente 121 metros. Essas estruturas demandam rigorosos protocolos de segurança e alto nível de coordenação entre gruas e guindastes, sob gestão integrada dos parceiros Valmet, Grupo ENESA, Logon Engenharia e Gerenciamento Ltda. e Timenow. O conjunto dessas operações dará suporte à montagem da maior Caldeira de Recuperação do mundo.
Paralelamente, o canteiro de obras já começou a receber componentes de pressão destinados à montagem industrial, em uma operação logística de elevada complexidade. Os materiais são provenientes da Finlândia e da China, exigindo planejamento logístico internacional preciso e sincronizado.
Dimensão e impacto do empreendimento
A magnitude do Projeto Sucuriú também se reflete em seus números físicos. A planta industrial ocupará uma área de aproximadamente 300 hectares, equivalente a cerca de 365 campos de futebol. Para sua construção, serão utilizadas cerca de 110 mil toneladas de aço, volume comparável à edificação de aproximadamente 15 Torres Eiffel.
Quando concluída, a unidade produzirá anualmente 3,5 milhões de toneladas de celulose, volume que corresponde, em termos comparativos, à produção de cerca de 20 bilhões de rolos de papel higiênico. As informações institucionais sobre a dimensão do empreendimento têm sido divulgadas nos canais oficiais e redes sociais da Arauco.

Setor madeireiro em Ponta Grossa: Sindimadeira analisa desafios e projeta futuro da indústria
Radialista em Ponta Grossa, atuou em rádios, TV e sites, com experiência no microfone e nos bastidores. Apaixonado por comunicação, entretenimento e notícias, também é promoter de eventos, assessor de imprensa, destacando-se pela versatilidade e busca constante por aprendizado.
O setor madeireiro em Ponta Grossa atravessa um momento de profunda transformação, em meio às mudanças tecnológicas, pressões tarifárias internacionais e a busca por novos mercados. Com uma das cadeias produtivas mais completas do país, os Campos Gerais mantêm papel estratégico no desenvolvimento da indústria da madeira, unindo inovação, tradição e potencial de crescimento sustentável.
À frente dessa articulação, o Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Tanoarias, e de Marcenarias de Ponta Grossa (Sindimadeira), comandado por Álvaro Scheffer Júnior, atua como ponte entre empresas, governo, universidades e fornecedores de tecnologia para fortalecer a competitividade regional.
Scheffer destaca que o Paraná é hoje o polo mais completo do Brasil na utilização integral da floresta, aproveitando desde galhos mais finos até toras destinadas à construção civil. Mesmo com essa estrutura consolidada, o setor sentiu com força os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos — medida que afetou exportações, reduziu turnos de trabalho e levou algumas indústrias à paralisação parcial.
Apesar do cenário difícil em 2025, a expectativa para 2026 é de retomada gradual, especialmente se houver resolução das tarifas. Paralelamente, o setor acelera sua aposta na madeira engenheirada, tecnologia que pode transformar a construção civil brasileira com eficiência energética, conforto térmico e menor impacto ambiental. A certificação nacional da madeira engenheirada, liderada pelo Tecpar, deve impulsionar essa transição.
Outro desafio importante é a tributação: enquanto a construção convencional tem carga de 1% para fins sociais, a construção industrializada chega a 33%, o que limita o avanço de sistemas como Wood Frame e CLT. O Sindimadeira defende equiparação como caminho para destravar investimentos.
A diversificação de mercados também está em curso, com tentativas de realocar produtos antes destinados aos EUA para Europa, China e consumidor interno. Scheffer alerta, porém, que a reconversão é lenta, cara e nem sempre compatível com a escala de produção local.
O dirigente afirma ainda que o setor precisa de avanços em qualificação profissional, energia elétrica estável, ampliação de área plantada e melhorias em infraestrutura — especialmente nas estradas e no transporte público do Distrito Industrial de Ponta Grossa. A cooperação entre governo, indústrias e sindicatos será determinante para transformar a região em referência nacional até 2026.
Para Scheffer, o momento também é oportunidade: a crise tarifária mostrou o valor estratégico da madeira brasileira e reforçou a urgência de fortalecer o mercado interno. Com apoio estatal, inovação contínua e investimentos em industrialização, o setor madeireiro em Ponta Grossa pode liderar uma nova fase de crescimento sustentável e tecnológico.

Fazenda Cambiju se consolida como referência em manejo florestal sustentável no Paraná
Localizada em Ponta Grossa, a Fazenda Cambiju se destaca como uma das referências paranaenses em manejo florestal sustentável e boas práticas ambientais. Com 5.882 hectares de área total, a propriedade mantém 3.000 hectares destinados ao plantio de pinus, além de extensas áreas de preservação permanente e reserva legal, reforçando o compromisso com o equilíbrio entre produção e conservação. “A média do setor é de um hectare preservado para cada hectare plantado. É a nossa realidade, o que demonstra nosso cuidado com o meio ambiente”, destaca Paulo Henrique Souza, administrador da empresa.
A Cambiju atua em sintonia com padrões internacionais de sustentabilidade. Seus clientes, em sua maioria certificados por órgãos internacionais, exigem o cumprimento rigoroso de normas socioambientais para garantir uma cadeia de custódia de madeira controlada e responsável. “Seguimos critérios definidos por certificadoras, assegurando que todo processo, do plantio à colheita, seja feito com respeito ambiental e social”, explica Souza.
Outro diferencial da empresa é o trabalho de recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), com o controle do pinus em margens de rios e nascentes e o plantio de espécies nativas. Em apenas um ano, foram plantadas aproximadamente 20 mil mudas, fortalecendo o ecossistema local e ampliando a biodiversidade. O processo ocorre em conformidade com a legislação ambiental, garantindo que cada ação esteja dentro dos parâmetros técnicos.
Com todas as áreas mapeadas e manejadas de forma responsável, a Cambiju reafirma seu papel como exemplo de gestão florestal eficiente e ambientalmente consciente. Para o administrador, o futuro do setor depende de uma postura ética e comprometida. “A responsabilidade ambiental dos produtores de pinus é uma preocupação constante. Um manejo bem feito reflete respeito à natureza e assegura que todo processo seja sustentável, mitigando ao máximo os impactos ambientais negativos”, reforça.
Com mais de uma década de dedicação ao setor florestal, a Fazenda Cambiju se posiciona como um modelo de equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental no Paraná. A atuação consistente, pautada em critérios técnicos, respeito à legislação e visão de longo prazo, consolida a Cambiju como referência no setor florestal, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região e inspirando outros produtores a adotarem práticas de manejo conscientes.

FUNPINUS reúne setor produtivo e pesquisadores para melhoramento genético do pinus
O Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus (FUNPINUS) foi criado em 2017 como um dos principais instrumentos de colaboração entre empresas florestais, instituições de pesquisa e o setor produtivo para o desenvolvimento de genótipos superiores de pinus no Brasil. Desde sua fundação, a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE) participa ativamente dessa iniciativa, apoiando a articulação, o intercâmbio técnico e o fortalecimento de ações que visam resultados de longo prazo para a silvicultura nacional.
Além disso, a entidade reforça seu papel como articuladora entre empresas paranaenses e o conjunto de organizações envolvidas no PCMP. Esse tipo de atividade integra um esforço mais amplo para alinhar conhecimentos de campo, demandas do mercado e resultados de pesquisa, garantindo que os materiais desenvolvidos sejam efetivamente aplicáveis nos plantios comerciais e respondam às necessidades de produtores e indústrias.
O FUNPINUS foi criado com o objetivo de promover o Projeto Cooperativo de Melhoramento de Pinus (PCMP), que reúne a Embrapa Florestas e mais dez empresas florestais associadas para conduzir pesquisas e práticas de melhoramento genético voltadas a cadeias produtivas de madeira sólida e resina.
A iniciativa responde a uma necessidade histórica de fortalecer o desempenho genético das espécies de Pinus cultivadas no país e consolidar o papel dos plantios florestais na economia brasileira.
Historicamente, a pesquisa com pinus no Brasil ganhou impulso nos anos 1970 por meio de cooperação internacional entre países como Brasil, Colômbia, Índia, África do Sul, Zimbábue e Honduras, fomentando avaliações de procedências e progênies adaptadas às condições brasileiras.
Com o FUNPINUS, essa estratégia se consolidou, reunindo esforços de pesquisa aplicada e prática operacional para seleção de material genético com maior produtividade e qualidade de madeira e resina.
O PCMP adotou técnicas modernas de melhoramento, como seleção precoce em testes de progênie, polinização controlada e práticas de biotecnologia e genômica para acelerar ganhos genéticos. “O foco do projeto foi desenvolver sementes e clones de pinus melhorados geneticamente, com uma base genética ampla que assegure o potencial de melhoramento por várias gerações”, afirma a pesquisadora Ananda Aguiar, da Embrapa Florestas, destacando os caminhos metodológicos do programa.
Entre os avanços apresentados, estão os testes de progênie instalados em áreas das empresas associadas, que permitem estimar parâmetros genéticos relevantes, como produção de madeira, forma de fuste e adaptação ao ambiente. Também foram realizados trabalhos de genotipagem para monitorar variabilidade genética e favorecer, no futuro, a aplicação de seleção genômica ampla, ferramenta que promete acelerar ainda mais os ciclos de melhoramento.
Impactos e perspectivas
O FUNPINUS e o PCMP, ao aprimorar o material genético de pinus, contribuem para objetivos ambientais e sociais mais amplos, como a manutenção de estoques de carbono, a estabilidade de ecossistemas florestais e a redução de riscos associados às mudanças climáticas, por meio da diversificação genética e adaptação das árvores a diferentes condições ambientais.
Com ferramentas que vão da biotecnologia à seleção tradicional e com o envolvimento contínuo de instituições como a Embrapa, universidades e empresas associadas, o FUNPINUS projeta-se como um catalisador de inovação na silvicultura brasileira. A presença da APRE desde o início cimenta o compromisso do setor produtivo com práticas de pesquisa colaborativa e com o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva de Pinus no país, reforçando uma trajetória de décadas de evolução do melhoramento genético no Brasil.

A nova ordem comercial mundial e as oportunidades para o setor florestal brasileiro
Artigo por Marcelo Schmid.
Nas primeiras semanas do ano, enquanto muita gente estava de férias na praia, tivemos um acontecimento global de extrema importância para o Brasil e para o setor florestal: a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
O acordo, assinado no dia 17 de Janeiro, em Assunção, no Paraguai, foi divulgado de forma discreta pela mídia, mas marcou o encerramento de mais de 25 anos de negociações e abriu caminho para a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Segundo o acordo, a UE eliminará cerca de 95% das linhas tarifárias, cobrindo aproximadamente 92% do valor importado do Brasil, com cortes imediatos ou escalonados em até 12 anos.
E o que o setor de base florestal tem a ganhar com isso?
Quando entrar em vigor, o acordo promoverá a redução (ou eliminação) de tarifas para produtos como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja, café e celulose, o que tende a ampliar a competitividade da indústria brasileira, incluindo o setor de base florestal, no mercado europeu.
A celulose brasileira tem na União Europeia o seu segundo maior mercado, respondendo por 21,1% do total exportado, gerando receitas anuais de US$ 1,98 bilhão.
Durante o Fórum Econômico Mundial, realizado na última semana em Davos, Suécia, houve um consenso geral sobre a reorganização do comércio exterior e o fim do multilateralismo estabelecido a partir da 2a Guerra Mundial, tornando acordos bilaterais, como o acordo Mercosul – UE, de grande importância.
Segundo Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, “Se essa mudança é permanente, então a Europa deve mudar permanentemente também. É hora de aproveitar esta oportunidade e construir uma nova Europa independente”. Um dos principais destaques do caminho em direção a essa independência, segundo Von der Leyen, foi o recente acordo do bloco com o Mercosul, assinado depois de décadas de negociações.
O acordo ainda precisa passar pelos trâmites de ratificação nos parlamentos nacionais dos países envolvidos e no Parlamento Europeu. O Parlamento Europeu solicitou no dia 21 à Corte de Justiça da União Europeia um parecer sobre a conformidade jurídica do acordo com os tratados do bloco, logo, podemos ter novidades inclusive em relação à EUDR, que tanto vem assombrando as empresas brasileiras
Acompanhe as minhas redes sociais (https://lnkd.in/dQfUmWTe) e do Grupo Index para novidades sobre o tema!
#eudr #mercosul #ue #trump #eua #comercio #trade #negocios #economia #floresta #pulp #celulose

Bombeiros combatem incêndio no Pantanal e locais de difícil acesso continuam com focos
Baía do Tuiuiú, local de difícil acesso, continua com focos.
Corpo de Bombeiros, em combate aos incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul, informou na noite desta segunda-feira (26) que incêndio florestal na região do Nabileque foi contido e a guarnição já retornou à base, em Corumbá. Em outro ponto, na Baía do Tuiuiú, de acordo com os militares, ainda há focos em local de difícil acesso, que estão sendo monitorados.
Segundo o Governo do Estado, do último dia primeiro, até esta segunda-feira (26), os satélites de referência já detectaram 69 focos ativos no Pantanal, contra 34 registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados do BDQueimadas. O combate conta com apoio da aeronave Air Tractor dos Bombeiros na região do Morro do Azeite. Segundo as autoridades, os sobrevoos auxiliam na identificação de focos e no direcionamento das equipes em solo, trabalho fundamental para barrar o fogo.
“Historicamente há incêndios nessa época de chuvas, mas este ano os focos se apresentam com maior intensidade. Considerando esse cenário já estamos nos preparando estruturalmente para que tenhamos capacidade de resposta, o que está sendo feito nesse momento pela nossa unidade de Corumbá, que tem empregado equipes para combater os focos que atingem a região pantaneira”, disse o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Rachid Teixeira.

Da chegada ao Brasil até se tornar ouro verde: como a silvicultura do pinus teve início no país
A trajetória do agronegócio brasileiro está diretamente ligada à ciência, à pesquisa e ao melhoramento genético. Culturas hoje consideradas pilares da economia nacional, como milho, soja, café, trigo e diversas frutas, passaram por extensos estudos de progênese, adaptação climática e avaliação de produtividade antes de se consolidarem no território brasileiro.
Nenhuma dessas culturas foi introduzida de forma aleatória. Ao longo da história, pesquisadores analisaram solos, regimes de chuva, temperaturas, incidência de pragas e potencial produtivo para definir quais espécies apresentariam melhor desempenho em cada região.
Esse mesmo caminho científico orientou a introdução do gênero pinus no Brasil, processo iniciado há cerca de 120 anos e que moldou a silvicultura comercial brasileira.
Estudos iniciais e a chegada do pinus ao país
Os primeiros experimentos com pinus no Brasil começaram no início do século XX, a partir da necessidade de ampliar a oferta de madeira e reduzir a pressão sobre florestas nativas. Assim como ocorreu com outras culturas agrícolas, diferentes espécies foram testadas de forma sistemática, considerando viabilidade econômica, adaptação climática e resistência a pragas. “Houve muita pesquisa para colocar o pinus no Brasil. Nada foi feito por acaso. Assim como aconteceu com o café, a soja, o milho e outras culturas, tudo passou por estudo, desenvolvimento e avaliação científica”, afirma Afonso Mehl Júnior, diretor da APRE.
Segundo registros históricos, pesquisadores implantaram parcelas experimentais com diversas variedades do gênero pinus, oriundas principalmente de regiões de clima semelhante ao do Sul do Brasil. A partir desses testes, foi possível identificar quais espécies apresentavam melhor crescimento e qualidade de madeira nas condições brasileiras, com destaque para Pinus taeda e Pinus elliottii. “Outras espécies também foram estudadas, inclusive de pinus tropicais, o que permitiu comparações detalhadas de resistência e produtividade”, relembra.
Adaptação, produtividade e benefícios econômicos
Com a adaptação confirmada, o pinus passou a desempenhar papel estratégico no desenvolvimento do setor florestal. O clima, a luminosidade e a fertilidade dos solos brasileiros permitiram um crescimento mais rápido em comparação a países do Hemisfério Norte, resultando em elevada produtividade e qualidade da madeira.
“Há 120 anos o pinus vem sendo estudado e utilizado no Brasil, sempre gerando benefícios. É uma espécie que se adaptou muito bem e que até hoje só trouxe desenvolvimento e riqueza”, destaca Afonso Mehl Júnior.
A madeira proveniente do pinus se tornou fundamental para diversas cadeias produtivas, abastecendo indústrias de papel e celulose, móveis, construção civil, painéis de madeira, bem como energia. Além disso, o cultivo em áreas já utilizadas anteriormente pela agricultura ou em regiões de menor aptidão agrícola contribuiu para a otimização do uso do solo e para a sustentabilidade do setor.
Afonso Mehl Júnior, que é engenheiro florestal, ressalta que a pesquisa não se encerrou com a definição das espécies mais produtivas. Ao longo do tempo, novos estudos continuaram sendo realizados para aprimorar o manejo, aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade do setor. “A pesquisa nunca parou. Ela começou há 120 anos e continua até hoje, sempre buscando melhorar o desempenho e o aproveitamento da cultura”, pontua.
Importância econômica e presença no Sul do Brasil
“O pinus é o que podemos chamar de ouro verde”, afirma Gilson Geronasso, ex-presidente e atualmente membro do Conselho Diretor da APRE, ao ressaltar os diferenciais do cultivo. “O gênero Pinus tem hoje extrema importância na economia brasileira, sendo o mais plantado no Sul do Brasil. Algumas espécies são de rápido crescimento e produzem madeira de fibra longa de excelente qualidade para diversas finalidades”.
A presença do pinus no cotidiano da população é ampla. Móveis, papel, embalagens, celulose e diversos produtos de uso diário têm origem em florestas plantadas, o que demonstra a relevância econômica e social do cultivo ao longo de mais de um século.
Um legado construído com pesquisa e planejamento
O histórico do Pinus no Brasil reflete um modelo baseado em ciência, planejamento e continuidade da pesquisa. Desde os primeiros experimentos até a consolidação do setor florestal, o gênero se integrou à paisagem produtiva brasileira, acompanhando a evolução das práticas de manejo e das políticas de desenvolvimento da silvicultura.
O diretor executivo da APRE Florestas, Ailson Loper, ressalta a importância desse marco histórico. “Ao completar 120 anos de presença no país, o pinus reafirma seu papel como uma cultura florestal estratégica, construída a partir do mesmo rigor técnico que marcou o desenvolvimento das principais culturas agrícolas brasileiras, permitindo substituir a extração de fibras de florestas nativas pela colheita de florestas plantadas”, conclui.
Informações: Apre Florestas

Com alta de 14%, indústria de MS domina 73% das exportações
Celulose, carnes e óleos vegetais puxam o setor em levantamento divulgado nesta segunda-feira (26).
A indústria de Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o melhor resultado da série histórica em exportações, ao faturar US$ 7,81 bilhões, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), divulgado nesta segunda-feira (26). O valor representa crescimento de 14% em relação a 2024, quando o setor registrou US$ 6,83 bilhões.
Somente em dezembro, as exportações industriais alcançaram US$ 687,6 milhões, alta de 10% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, que somou US$ 623,3 milhões. O desempenho marcou o melhor resultado já registrado para um mês de dezembro. No período, a indústria respondeu por 79% da receita total das exportações do Estado.
No acumulado de 2025, a participação do setor industrial chegou a 73% de todas as vendas externas de Mato Grosso do Sul. Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, os números confirmam a importância da indústria no comércio exterior estadual.
Os segmentos de Celulose e Papel, Complexo Frigorífico e Óleos Vegetais e produtos de sua extração concentraram 82% da receita anual das exportações. O grupo de Celulose e Papel liderou, com US$ 6,9 bilhões, impulsionado principalmente pela pasta química de madeira.
Os principais destinos dos produtos de celulose foram China, Itália, Holanda, Estados Unidos e Turquia. Já o Complexo Frigorífico somou US$ 2,4 bilhões entre janeiro e dezembro, com destaque para carnes bovinas desossadas, congeladas e refrigeradas, além de peito de frango desossado e congelado.
China, Estados Unidos, Chile, México e Holanda figuraram entre os maiores compradores dos produtos frigoríficos. No segmento de Óleos Vegetais, a receita chegou a US$ 561 milhões, puxada por bagaços e resíduos da extração do óleo de soja, farinhas, pellets de soja e óleo de soja bruto.
Holanda, Indonésia, Polônia, Espanha e Índia lideraram as compras desses produtos. O resultado consolida a indústria sul-mato-grossense como principal geradora de receita nas exportações e reforça o peso do setor na economia do Estado.





