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Já estão abertas as inscrições para o Programa de Estágio 2026 da Veracel

A Veracel, indústria de celulose com operação na região Sul da Bahia, está com inscrições abertas para o seu Programa de Estágio de 2026. Serão 31 vagas para atuar em diversas áreas da companhia. As candidaturas podem ser submetidas pelo site da empresa até o dia 11 de janeiro. O período de admissão está previsto para acontecer no início de março de 2026 e o período de estágio será de 12 meses.

Os estudantes precisam ter disponibilidade para estágio de 30 horas semanais, das 8h às 15h em formato presencial ou híbrido, para atuar em Eunápolis, na Bahia.  A preferência será para jovens que residam nos municípios da região. 

Todo o processo seletivo envolve o período de inscrições, que começa em 08/12 e vai até o dia 11 de janeiro, seguido pela triagem das pessoas candidatas. Quem for selecionado, passará por entrevistas com o setor de Recursos Humanos e com o gestor da área respectiva à sua candidatura ao longo do mês de janeiro. Finalizadas as entrevistas, as pessoas aprovadas passarão pelos processos de admissão e de assinatura do contrato de estágio, para ser iniciado a partir do mês de março.

Na Veracel, estamos comprometidos com a promoção de um ambiente de trabalho com respeito à dignidade, à diversidade e aos direitos humanos. Nossas ações são pautadas na sustentabilidade, no diálogo e na transparência, o que nos confere o título de uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil. Encorajamos candidaturas de pessoas de diferentes raças, etnias, deficiências, identidades e expressões de gênero, orientação sexual, idade, religião, convicção política, nacionalidade, estado civil, possuir filhos ou não, peso, ou qualquer outra característica que te torna único(a). Junte-se a nós para fazer parte de um time que celebra as diferenças! Será muito bem-vindo ou bem-vinda!

Como se candidatar: 

Acesse o site da Veracel e faça a sua inscrição.

Informações: O Xarope

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Exclusiva – Mais Floresta/ExpoRibas 2026: O hub de tecnologia que vai ditar o futuro do setor florestal brasileiro

Entre os dias 18 e 21 de março de 2026, Ribas do Rio Pardo (MS) será o palco de um evento de dimensões históricas que une o melhor do agronegócio, tecnologia e entretenimento. A grande aposta do município é a ExpoRibas 2026, que traz em seu coração a Mais Floresta: uma feira estritamente segmentada ao setor florestal, desenhada para ser o motor de inovação e o principal balcão de negócios da “capital da celulose”.

Enquanto a ExpoRibas celebra a diversidade econômica da região, abrangendo desde a pecuária tradicional até a crescente citricultura e produção de grãos, a Mais Floresta surge como o núcleo técnico especializado.

Lançamento da ExpoRibas 2026 / Reprodução

É dentro desse ecossistema integrado que empresas, fornecedores e profissionais se reunirão para apresentar o que há de mais moderno em maquinários, soluções tecnológicas e discussões estratégicas sobre o futuro da cadeia produtiva de florestas cultivadas.

Evento e município em transformação

Ribas do Rio Pardo vive um momento histórico. O município abriga hoje a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com investimentos que somam R$ 22 bilhões. Esse crescimento é sustentado pela maior área de floresta plantada do Brasil, superando 460 mil hectares de eucalipto.

Roberson Moureira / Reprodução

Para o prefeito Roberson Moureira, o evento é o marco dessa nova era:

“Ribas está se preparando para ser referência em tecnologia, inovação e conhecimento. Além da celulose, vemos a expansão da soja, milho e o surgimento do maior plantio de laranja do estado”, afirma o prefeito, destacando que o município ocupa o centro da Rota da Celulose e se beneficia diretamente da Rota Bioceânica.

Um balcão de negócios bilionário

O evento não é apenas festa. A infraestrutura foi planejada para fomentar parcerias entre gigantes do setor e fornecedores.

Gabriel Sell, diretor da empresa gestora da feira, revela que a expectativa de público é de 40 mil pessoas nos quatro dias. “A feira acomodará cerca de 45 empresas no setor Mais Floresta, além de outras 25 empresas de diversos segmentos”, afirma.

Além disso, a feira conta com o peso de parceiros como SEBRAE, SENAI, SENAR, FAMASUL e a Reflore.

De acordo com Gabriel, o grande objetivo será atrair investidores da construção civil, logística e agronegócio.

Soluções para o “gargalo” do setor

Para Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações, a feira Mais Floresta ataca um dos maiores desafios da indústria atual: a qualificação profissional.

Paulo Cardoso

A Mais Floresta é uma oportunidade singular para todos os participantes. Para as empresas expositoras, em especial, o valor é imenso. Além de máquinas de ponta, equipamentos inovadores e as mais recentes soluções tecnológicas, teremos um foco crucial em um tema que hoje é um gargalo para a nossa indústria: a falta de mão de obra qualificada. Este evento será um espaço vital para discutir e buscar soluções para esse desafio, conectando talentos e abrindo caminhos para o desenvolvimento profissional”.

Com a cidade ocupando o posto de maior área de eucalipto plantada do país — mais de 460 mil hectares — e abrigando a maior planta de celulose do mundo , a integração entre a ExpoRibas e a Mais Floresta posiciona Ribas do Rio Pardo definitivamente na rota estratégica do mercado internacional e da Rota Bioceânica.

Lazer e negócios

Aliado aos negócios, o lazer garante o fluxo de visitantes. Com o slogan “ExpoRibas começou gigante”, o evento já confirmou shows de peso como Zé Felipe, Mato Grosso e Mathias e César Menotti e Fabiano, resultando na venda antecipada de todos os bangalôs. O rodeio e o parque de diversões completam a experiência.

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Com fundo de US$ 1 bi, braço florestal do BTG avança sobre o Cerrado brasileiro e tem plano de expansão

Timberland Investment Group (TIG), subsidiária de ativos florestais do BTG, está implantando projetos de restauração de florestas em 11 mil hectares no MS, já entrou no Uruguai e analisa chegar em outros biomas brasileiros como Amazônia e Mata Atlântica.

Depois de apostas bem-sucedidas em setores como energia e telecomunicações, o BTG Pactual decidiu acelerar sua diversificação para o mercado de ativos florestais.

Há quatro anos, o banco lançou um veículo de investimento com o objetivo de conseguir US$ 1 bilhão em cinco anos para desenvolver projetos de restauração florestal na América Latina, com foco no Cerrado brasileiro. Os resultados até aqui têm sido promissores. Mais da metade da meta inicial de captação já foi alcançada – cerca de US$ 672 milhões – e a expectativa do banco é cumprir o planejado e dar um passo além.

Resumo

  • O BTG Pactual vem acelerando investimentos em ativos florestais por meio de uma subsidiária, o TIG, que tem um fundo de reflorestamento que já captou US$ 672 milhões.
  • O fundo busca US$ 1 bi para projetos de restauração na América Latina e vem se dedicando ao reflorestamento no Cerrado.
  • O TIG também ampliou suas operações para o Uruguai, enquanto avalia possibilidades na Amazônia Legal e na Mata Atlântica.

Isso porque, além de avançar com seus projetos no Cerrado, o banco recentemente iniciou projetos de reflorestamento do fundo no Uruguai, e avalia agora oportunidades também na Amazônia Legal e na Mata Atlântica.

Quando a captação estiver concluída, a estratégia do BTG poderá ser denominada um “fundo”, em acordo com as regras que regulam o mercado de capitais.

“Estamos no caminho para alcançar nosso objetivo. As coisas estão indo bem”, resume Mark Wishnie, diretor de sustentabilidade do TIG, que conversou com o AgFeed durante sua passagem por São Paulo.

TIG é a sigla de Timberland Investment Group, subsidiária do BTG focada em ativos florestais, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos, e que está tocando os projetos de reflorestamento. A julgar pelos números que divulga publicamente, pode-se dizer que o TIG hoje é um grande player em seu segmento: a subsidiária do BTG afirma ter US$ 7,3 bilhões em ativos sob gestão e compromissos firmados, como administrar 2,9 milhões de acres (1,1 milhão de hectares) e estar presente em 22 escritórios espalhados pelo mundo.

O TIG está na estrutura do BTG desde 2013, ano em que foi comprado pelo banco, mas sua história é mais antiga e começa em 1981, quando foi criado um fundo de ativos florestais, no extinto National Bank de Atlanta, nos Estados Unidos, que daria origem ao Regions Timberland Group.

Um ano antes de comprar o Regions Timberland Group, o banco já havia adquirido a TTG Brasil, empresa que havia sido criada em 2007 com o objetivo de atender à demanda de investidores institucionais que buscavam parceiros no Brasil – e que passou a integrar o TIG com a absorção do Regions Timberland Group.

Mark Wishnie, diretor de sustentabilidade do TIG

Desde a criação, o foco da operação do TIG vem sendo a compra de áreas degradadas e transformação em florestas comerciais, além de também investir em florestas estabelecidas e produtivas.

A subsidiária do BTG adquire terras em degradação e as restaura, plantando espécies exóticas, e as transformando em florestas comerciais com a ideia de obter recursos a partir da venda de madeira reflorestada anos depois.

A novidade, nos últimos anos, com esse veículo focado em reflorestamento é que, além de transformar áreas degradadas em florestas comerciais, a ideia é também gerar créditos de carbono.

Isso acontece porque, nas áreas restauradas, segundo Mark Wishnie, a ideia é que metade dos territórios onde estão instalados os projetos seja destinada ao plantio de espécies exóticas para florestas comerciais e a outra metade receba espécies nativas para restauração e proteção dos biomas.

Assim, a partir do plantio de espécies nativas, há a expectativa de gerar créditos de remoção de carbono com os projetos, quando há possibilidade de retirar CO2 da atmosfera. E esses créditos tem o poder de atrair grandes empresas que têm metas de net zero a cumprir nas próximas décadas.

Não à toa, o braço de investimentos florestais do BTG fechou a venda de créditos de remoção de carbono para duas big techs no ano passado.

Primeiro, em junho do ano passado, a Microsoft acertou a compra de até 8 milhões de créditos de remoção de carbono até 2043, e depois, em setembro do mesmo ano, a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp acertou a compra de 1,3 milhão de créditos de remoção de carbono, que podem ser adicionados com mais 2,6 milhões de créditos, até 2038.

Quem é a Ceres, nova parceira do BTG Pactual para se aproximar ainda mais do campo

“Nossa expectativa é que provavelmente teremos mais transações (com outras empresas) em 2026”, antecipa Wishnie.

Em paralelo, além das big techs, o TIG tem conseguido atrair novos investidores de peso nesta sua iniciativa para a América Latina.

É o caso do BNDES, que aprovou um investimento de US$ 56 milhões (cerca de R$ 300 milhões) no veículo, e da GenZero, plataforma de descarbonização do fundo soberano de Cingapura, o Temasek, que aportou valores não revelados.

A tese é sólida e as credenciais de Wishnie também dão uma forcinha para que o projeto deslanche. O executivo está em sua segunda passagem pelo TIG e é um nome conhecido no mundo dos ativos florestais, onde vem atuando nas últimas duas décadas, e foi o fundador do TTG Brasil no passado.

Pés no Cerrado, olhos para Amazônia (e mais)

O foco dos projetos de reflorestamento para o que é arrecadado, por enquanto, tem sido o Cerrado, onde o TIG vem restaurando 11 mil hectares localizados no Mato Grosso do Sul, que está dentro do bioma . A ideia é conectar mais de 40 mil hectares de habitat para a fauna local – o equivalente a um terço da cidade do Rio de Janeiro.

O start dos projetos pelo Cerrado não acontece por acaso. Afinal, por mais que não seja o bioma mais óbvio em termos de desmatamento e restauração florestal – a Amazônia é geralmente o primeiro nome que vem à cabeça – o Cerrado é tão desmatado (ou até mais) quanto a Amazônia, fato que não ganha a mesma visibilidade.

Em 40 anos, entre 1985 e 2024, o Cerrado perdeu 28% de toda a sua vegetação nativa, o equivalente a 40,5 milhões de hectares, de acordo com estudo da rede colaborativa Mapbiomas.

E o bioma continua perdendo áreas nativas no momento. Em agosto deste ano, por exemplo, o Cerrado registrava 5,5 mil hectares sob alerta de desmatamento, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe), órgão do governo federal. Já a Amazônia, por sua vez, tinha 4,4 mil hectares sob alerta.

Mas o desmatamento não está restrito apenas a esse ou aquele bioma. É por isso que o TIG não descarta desenvolver projetos de restauração florestal também na Amazônia e na Mata Atlântica, diz Wishnie. “Estamos avaliando as oportunidades na Mata Atlântica. E, ainda nas etapas iniciais, mas também olhando para a Amazônia Legal”, adianta ele, econômico nos detalhes.

Abrangendo 17 estados do território brasileiro, indo do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, a Mata Atlântica foi o bioma nacional mais devastado ao longo das décadas, de forma que atualmente, segundo a ONG SOS Mata Atlântica, restam apenas 24% da floresta que existia originalmente e, desse volume, apenas 12,4% representam florestas maduras e bem preservadas.

Recentemente, em paralelo ao “fundo” de US$ 1 bilhão, o TIG anunciou um outro projeto na Mata Atlântica, com a varejista de móveis sueca Ikea, que tem o objetivo de restaurar 4 mil hectares de pastagens degradadas ou pouco produtivas nos estados do Paraná e Santa Catarina, localizados dentro desse bioma.

A ideia é recuperar essas áreas e criar florestas comerciais para comercialização de pinus. A iniciativa faz parte de um investimento de 100 milhões de euros para remoção e armazenamento de carbono feito anteriormente pela companhia sueca.

Wishnie salienta que a estratégia para a América latina busca fazer investimentos em regiões com capacidade operacional e infraestrutura que possam suportar a estrutura.

“Onde temos acesso aos mercados, onde temos uma boa compreensão do crescimento das árvores e um ambiente de negócio favorável”, explica o executivo do TIG. “Estamos procurando as características que irão suportar essa estratégia.”

Como o veículo é voltado para a América Latina como um todo, não abarcando apenas o Brasil, projetos de restauração também começaram a ser executados em paralelo no Uruguai ao longo deste ano. “Por lá, nós estamos focando em uma região que é uma mescla de Pampa e de floresta. É uma floresta baixa, mas também é floresta”, afirma ele.

O Pampa é um bioma pequeno – no Brasil, por exemplo, está presente apenas no Rio Grande do Sul – e por isso acaba sendo deixado de lado quando se pensa em desmatamento. Mas foi justamente o Pampa o bioma que mais perdeu vegetação nativa no Brasil entre 1985 e 2021, com 3,4 milhões de hectares a menos nesse período, de acordo com dados do Mapbiomas.

“As pessoas acham que o Pampa é só área de pasto, de grama. Mas também tem floresta”, diz Wishnie. “O potencial que o Uruguai traz, em termos de restauração florestal, é menor do que no Brasil, é óbvio. Mas também há potencial por lá.”

Esse potencial do Brasil tem oportunidades e desafios, sinaliza Wishnie. De um lado, há uma grande oportunidade pela quantidade de áreas passíveis de recuperação. Mas, de outro, ainda falta mais conhecimento sobre os projetos de restauração – especialmente projetos de restauração comercial, ainda uma novidade no país. E, mesmo assim, vários projetos de restauração estão sendo executados no país.

“Apesar de faltar muita informação, também tem vários projetos de restauração com alunos, professores estudando métodos, ou seja, tem já uma base”, analisa. “E isso é uma vantagem para o Brasil, mais do que em qualquer outro país da América Latina.”

Nesse contexto, no ano passado, o TIG assinou um acordo de pesquisa de longo prazo com a Universidade Federal de Viçosa para estudar técnicas de restauração do Cerrado. Um experimento de campo de 81 hectares – projetado pelo TIG, Conservation International e pelo Laboratório de Restauração Florestal da UFV – foi criado para avaliar a eficácia de diferentes métodos de restauração no bioma.

“Por meio de experimentos de campo rigorosos, estamos avaliando como diferentes abordagens afetam a recuperação da vegetação, do solo e da biodiversidade. Esta pesquisa fornecerá dados essenciais para refinar as estratégias de restauração, garantindo que os esforços sejam ecologicamente sólidos e escaláveis para uma aplicação mais ampla em paisagens degradadas da região”, disse o professor Sebastião Venâncio Martins, do Laboratório de Restauração Florestal da UFV.

Diversificação

A aposta do BTG em florestas ajuda a contar uma história mais longa sobre os diferentes caminhos percorridos pelo banco ao longo das últimas décadas e que começa ainda com um dos criadores da instituição, o ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes.

Nome já consolidado no mercado financeiro, Cezar, como é conhecido, resolveu investir em empresas da economia real em meados dos anos 1990, com a criação de uma holding chamada Latinpart, que comprou participações de companhias como a fábrica de roupas de linho Teba, a produtora de suco de laranja CTM e a locadora de veículos Hertz, entre outras.

Mas nenhum desses negócios deu certo. Endividado e sem liquidez, Cezar foi vendendo sua participação no Pactual para fazer caixa na tentativa de salvar suas empresas. Só que as retiradas foram tantas que Cezar acabou perdendo, em 1999, o controle acionário do banco que criou para um grupo de sócios, cujo nome proeminente foi o de André Esteves.

Com Esteves à frente, o atual BTG Pactual seguiu um caminho diferente de Cezar. Com mais acertos que erros, obteve sucesso em sua estratégia de diversificar seu portfólio e hoje tem participação em empresas de setores da economia bastante diferentes entre si.

No setor energético, por exemplo, o BTG controla a Eneva, que atua na exploração, produção e comercialização de gás natural e líquidos; no varejo, é dono da Veste, que comanda marcas como Le Lis, Dudalina e John John; nas telecomunicações, tem o controle da V.tal, que tem a maior rede neutra de fibra ótica do país. E agora, com as florestas, tem tudo para se tornar um campeão em mais um setor da economia.

Informações: AG News

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Paraná propõe compra de créditos tributários e redução de ICMS para auxiliar setor madeireiro

O Governo do Estado enviou nesta segunda-feira (8) à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um projeto de lei que autoriza a Fazenda Pública a adquirir até R$ 150 milhões em créditos tributários próprios habilitados no Sistema de Controle da Transferência e Utilização de Créditos Acumulados (Siscred), em poder dessas empresas, com deságio de 30%, e estabelece a redução da alíquota interna de 19,5% para 12% para os produtos da indústria madeireira.

O projeto objetiva socorrer o setor madeireiro diante do tarifaço dos EUA, a fim de mitigar os impactos das tarifas norte-americanas, estimular a atividade econômica do setor e preservar empregos no Estado. “O Paraná é o principal Estado do País em produção de madeira. Somente esse setor representa 40% das exportações paranaenses para os Estados Unidos, sendo o produto líder da nossa balança comercial com os norte-americanos”, ressaltou o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara. 

A ideia, conforme explica Ortigara, é turbinar as medidas que já foram adotadas em agosto, à época da confirmação da taxação americana. “Uma das primeiras ações que tomamos em resposta ao tarifaço foi a possibilidade de as empresas comercializarem esses créditos tributários no mercado – e isso já está valendo. O que estudamos agora é permitir que o Estado possa fazer a compra desses valores com deságio para ampliar essa ajuda”, explica o secretário. 

De maneira geral o comércio com os EUA já foi impactado. Os principais destinos das exportações paranaenses ao longo de 2025 (janeiro a outubro) foram China, com 23,3% de participação, Argentina (8,2%), EUA (5,4%) e México (4%). A variação com os EUA foi 17,6% menor em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a balança comercial continua superavitária com a articulação de empresas do Paraná com outros países. As vendas para a Índia cresceram 39,2% e para a Argentina, 69%.

APOIO AO SETOR PRODUTIVO – Nos últimos meses, para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Fazenda, também liberou R$ 300 milhões em créditos de ICMS homologados para auxiliar empresas impactadas. Este valor está sendo liberado via Siscred. Há um teto de R$ 10 milhões apenas para empresas que exportam menos de 10% do seu faturamento total para os EUA. 

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) também liberou R$ 200 milhões para empresas e cooperativas paranaenses exportadoras para financiamento de capital de giro, com prazo de 5 anos, sendo um ano de carência, e taxa de juros de IPCA + 4%, menor do que a maioria das linhas de crédito disponíveis.

COMITÊ DE CRISE – Outra ação foi a criação de um comitê de crise para dar mais celeridade tanto às respostas do poder público quanto para facilitar a comunicação das empresas com a Secretaria da Fazenda. A ideia é estreitar cada vez mais as relações entre Governo e empresas. 

Um dos primeiros efeitos práticos surgido do comitê foi uma mudança na forma com que as auditorias são realizadas pela Receita Estadual. O órgão conta com um grupo exclusivo de auditores fiscais que ficarão responsáveis pela análise de pedidos de liberação de créditos tributários – medida que torna o processo muito mais agilizado.

Informações: AEN

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Mato Grosso do Sul supera os Estados Unidos e terá a maior fábrica de celulose do planeta

Com um megainvestimento bilionário e tecnologia de ponta, o Brasil, mais precisamente, Inocência, em Mato Grosso do Sul, vai sediar a maior fábrica de celulose do mundo, superando estruturas existentes nos Estados Unidos e consolidando sua liderança em um mercado estratégico para a economia global e a transição sustentável.

Projeto bilionário transforma o Mato Grosso do Sul em polo mundial da bioeconomia

O avanço é impulsionado por um ciclo robusto de investimentos no setor de papel e celulose, que deve ultrapassar R$ 67 bilhões até 2028. O principal símbolo desse movimento é o Projeto Sucuriú, da multinacional chilena Arauco, que constrói em Inocência, no Mato Grosso do Sul, a maior planta de celulose do planeta erguida em uma única etapa.

Com aporte de US$ 4,6 bilhões, a unidade terá capacidade produtiva anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta, superando o recorde global atual. A operação está prevista para começar no último trimestre de 2027 e marcará a estreia industrial da Arauco no Brasil, país onde a empresa já atua no setor florestal desde 2009.

Conforme o TNH1, especialistas apontam que a liderança brasileira se explica por fatores como alta produtividade florestal, clima favorável, vasta extensão territorial e décadas de avanço científico em silvicultura. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o setor planta cerca de 1,8 milhão de árvores por dia, reforçando o peso da atividade na economia rural e na geração de renda.

Além da escala industrial, o Projeto Sucuriú também chama atenção pelo impacto regional. Durante as obras, mais de 14 mil postos de trabalho devem ser criados. Após o início das operações, cerca de 6 mil empregos diretos serão mantidos nas áreas industrial, florestal e logística. O impacto deve reposicionar o país.

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Leste de Mato Grosso do Sul vira queridinho da indústria da celulose

Investimentos bilionários em celulose consolidaram, em 2025, o corredor industrial do leste do Estado.

Dois mil e vinte e cinco marcou a consolidação do chamado Vale da Celulose de Mato Grosso do Sul, com a confirmação de cerca de R$ 31 bilhões em investimentos privados no setor até a próxima década, reforçando o estado como um dos principais polos produtores do país. A celulose ampliou seu papel central na economia sul-mato-grossense, com forte peso nas exportações e impacto direto sobre emprego, renda e arrecadação, especialmente em municípios do eixo industrial do leste do estado.

O principal marco do ano foi o lançamento da pedra fundamental do Projeto Sucuriú, da chilena Arauco, em Inocência. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, a futura unidade foi anunciada como a maior da história da empresa, com capacidade projetada de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta. O início das obras reuniu autoridades estaduais e federais e simbolizou a entrada definitiva do município no mapa global da indústria de base florestal.

Durante o pico das obras, o empreendimento foi associado à geração de até 14 mil empregos, além de milhares de postos indiretos na cadeia logística, florestal e de serviços. O projeto também evidenciou a estratégia estadual de atração de grandes investimentos, baseada em infraestrutura, segurança jurídica e agilidade nos processos de licenciamento ambiental.

Ao longo de 2025, o avanço da Arauco somou-se à expansão de outras plantas já instaladas nos municípios da região, como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Selvíria e Bataguassu, reforçando a formação de um corredor industrial integrado. O conjunto desses movimentos marcou um período decisivo para a consolidação de Mato Grosso do Sul como referência nacional e internacional na produção de celulose.

Informações: Capital News

Suzano e Natura

Suzano e Natura assinam Memorando de Entendimento para desenvolvimento de soluções sustentáveis na produção de embalagens

Acordo prevê chamada pública com foco em alternativas para promover a descarbonização da cadeia.

Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto, e a Natura, líder no mercado de beleza e cuidados pessoais na América Latina, anunciaram no dia 28 de novembro a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para discutir a estrutura de colaboração voltada ao desenvolvimento de soluções sustentáveis na produção de embalagens para uso em cosméticos. As inovações devem contribuir para a redução de emissões de carbono e a descarbonização da cadeia de forma a impulsionar e fortalecer a economia regenerativa no setor.

A aliança estratégica, formalizada durante a COP30, em Belém, prevê uma chamada pública para reunir e integrar centros de pesquisa, empresas e startups que também tenham o compromisso com o meio ambiente e práticas sustentáveis. O objetivo é impulsionar o desenvolvimento de soluções aplicáveis na formação de embalagens compatíveis para uso em cosméticos como frascos, potes, tampas e outros recipientes, bem como em embalagens flexíveis, filmes e coatings.

Haverá um comitê de avaliação multidisciplinar, que levará em consideração, sobretudo, três parâmetros prioritários: ser de fonte renovável, ser uma solução biodegradável e ser passível de reciclabilidade.

Além de fortalecer a estratégia da Suzano, que integra inovação e sustentabilidade em um modelo de negócios voltado ao desenvolvimento de soluções renováveis para indústrias como a de embalagens, a parceria está alinhada à meta da Natura de impulsionar negócios e parcerias que promovam a regeneração do planeta. Atualmente, a Suzano conta com um amplo portfólio de soluções desenvolvidas a partir de matéria-prima renovável, biodegradável e reciclável, como a linha de papéis para embalagens, Greenpack®. Já a Natura, eleita a empresa mais sustentável do mundo pela Brand Blueprint Awards da Kantar, tem a meta de que 100% de suas embalagens sejam reutilizáveis, refiláveis, recicláveis ou compostáveis até 2030. Em 2024, o índice de uso desses materiais para Natura e Avon na América Latina foi de 84,6%.

“Nossa trajetória de mais de cem anos nos permitiu passar por uma série de transformações e inovar a partir da fibra do eucalipto, desde a produção de celulose e papéis tradicionais, até os papéis especiais para o desenvolvimento de embalagens”, diz André Junqueira, diretor de Operações Comerciais da Unidade de Papel e Embalagem Suzano. “Essa parceria vai além das embalagens, ela contribui para metas globais de descarbonização e mostra como ciência e inovação, quando alinhadas à sustentabilidade, podem transformar indústrias e gerar benefícios reais para pessoas e para o planeta”, complementa o executivo.

“A inovação orientada pela sustentabilidade sempre guiou a Natura na busca por soluções de baixo impacto. A parceria com a Suzano reforça nossa convicção de que a transformação das embalagens na indústria depende de colaboração e novas tecnologias de baixo carbono. Ao reunir startups, ciência e parceiros estratégicos, aceleramos a descoberta de materiais mais circulares e regenerativos, alinhados às ambições da Natura de se tornar uma empresa regenerativa até 2050”, comenta Romulo Zamberlan, diretor de Pesquisa Avançada da Natura.

Inauguração Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Três Lagoas (MS) (Pequeno)

Com apoio da Arauco, Imasul inaugura Centro de Triagem de Animais Silvestres em Três Lagoas (MS)

Na quinta-feira, 11, foi inaugurado o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Três Lagoas (MS), resultado da parceria entre o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), a Arauco e outras 10 empresas. A nova unidade complementa o trabalho do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) de Campo Grande, a cerca de 340 km, e representa um avanço significativo na proteção da fauna local.

 O Cetas tem como objetivo oferecer atendimento médico-veterinário inicial, rápido e adequado, garantindo estabilização e tratamento emergencial dos animais silvestres. Após os cuidados, eles serão preparados para a soltura em seu habitat natural ou, em casos mais graves, encaminhados para reabilitação de longo prazo na Capital.

A cerimônia contou com a presença da gerente de Meio Ambiente do Projeto Sucuriú da Arauco, Camila Paschoal, representantes de empresas parceiras na construção da unidade, e autoridades estaduais e municipais, entre elas, o governador do Estado, Eduardo Riedel, o secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, presidente do Imasul, André Borges Barros de Araújo, presidente da Câmara, vereador Antônio Luiz Empke e promotor de Justiça e Meio Ambiente, Antônio Carlos Garcia de Oliveira, reforçando a importância da iniciativa para a conservação da biodiversidade.

Legado sustentável

A participação da Arauco na instalação do Cetas integra as ações do Projeto Sucuriú, consolidando a empresa como referência global em sustentabilidade. O investimento inicial da Companhia na unidade é de R$ 1,1 milhão em equipamentos, além da contratação de dois profissionais por dois anos para atendimento especializado.

“A Arauco mantém operações florestais em 10 municípios da região, sempre com um compromisso inegociável com a gestão sustentável e o cuidado com a fauna silvestre. Apoiar a criação e o funcionamento do Cetas em Três Lagoas é uma ação que reflete nossa responsabilidade ambiental. O Centro garantirá que os animais silvestres, parte vital da biodiversidade local, recebam os cuidados necessários e tenham melhor chance de readaptação na natureza, contribuindo diretamente para um legado positivo e transformador em Mato Grosso do Sul”, destacou Theófilo Militão, diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Institucional da Arauco.

“É fundamental ressaltar que o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul exige uma fiscalização intensiva na vertente ambiental. O estado e as empresas demonstram dedicação e comprometimento com a biodiversidade. Temos alcançado resultados importantes através de ações que são altamente eficazes e efetivas na conscientização de todos e, sobretudo, na recuperação de danos que possam ser causados ao meio ambiente. Quero agradecer a todos pela dedicação e pelo comprometimento neste projeto”, enfatizou Riedel.

Estrutura e funcionamento do Cetas

O novo centro foi projetado para atender às necessidades específicas da fauna silvestre da região. Ele conta com:

•          Recepção, escritório administrativo, ambulatório, cozinha e três recintos para animais silvestres, garantindo infraestrutura adequada para triagem e cuidados iniciais.

•          Equipe especializada, composta por um médico veterinário com experiência em fauna silvestre e biólogo tratador de animais.

•          Abrangência regional, atendendo municípios como Três Lagoas, Inocência, Paranaíba, Água Clara, Selvíria, Brasilândia, Bataguassu, Santa Rita do Pardo e Aparecida do Taboado.

•          Capacidade de atendimento estimada em 600 animais por ano, incluindo espécies apreendidas, resgatadas ou entregues voluntariamente.

A ação faz parte do Termo de Compromisso firmado com o Imasul.

Valmet-EcoVadis

Valmet conquista Medalha de Ouro da EcoVadis e pelo segundo ano está no grupo seleto de 2% das empresas mais sustentáveis do mundo

Com 82 pontos em 100, multinacional supera resultado anterior e reforça o compromisso com a excelência em sustentabilidade.

A Valmet, líder global em tecnologia que atende às indústrias de processo, fornecendo tecnologia de ponta e serviços, além de soluções de automação e controle de fluxo,  conquistou a Medalha de Ouro na avaliação de sustentabilidade da EcoVadis, pelo segundo ano consecutivo, e continua parte do grupo de 2% das empresas mais sustentáveis do mundo. O reconhecimento posiciona a companhia entre os 5% das mais de 150 mil  avaliadas em todo o mundo. A nota geral foi de 82 em 100 — seis pontos acima do resultado obtido no ano anterior. O avanço aproxima a Valmet da Medalha de Platina, meta que representa o mais alto nível de desempenho sustentável.

A avaliação da EcoVadis, altamente respeitada e globalmente reconhecida como um dos principais padrões para a classificação do desempenho de sustentabilidade (ESG) de empresas e cadeias de suprimentos, leva em conta quatro pilares: meio ambiente, práticas trabalhistas e direitos humanos, ética e compras sustentáveis.

“Este reconhecimento reflete nosso forte compromisso com a sustentabilidade e o trabalho sistemático em direção às nossas metas ambiciosas. A sustentabilidade está no centro da nossa nova estratégia Lead the Way e incorporada em tudo o que fazemos — das tecnologias à cadeia de suprimentos. A EcoVadis é amplamente utilizada por nossos clientes para avaliar parceiros, e este resultado demonstra que nosso desempenho e nossas melhorias são reconhecidos globalmente. Acima de tudo, é fruto do trabalho dedicado dos Valmeteers em todo o mundo, em parceria com nossos clientes e parceiros”, afirma a vice-presidente de sustentabilidade da Valmet, Reetta Loponen.

A empresa participa de avaliações independentes conduzidas por organizações externas para reforçar a transparência e permitir que seus stakeholders acompanhem o desempenho em sustentabilidade. Além da EcoVadis, a Valmet também é reconhecida por outros índices de referência, como o CDP (Carbon Disclosure Project) e o MSCI ESG Ratings.

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Nova edição do Observatório da Restauração é lançada com mais de 200 mil hectares mapeados

Área em recuperação nos ecossistemas é 158% maior do que a identificada em 2021, ano em que a plataforma, mantida pela Coalizão Brasil, foi inaugurada.

Com 204,2 mil hectares em processo de restauração, uma área equivalente a 285 mil campos de futebol, o Brasil tem registrado um crescimento expressivo em área recuperada em seus seis biomas — principalmente na Mata Atlântica e na Amazônia. Trata-se de um aumento de 158% em relação a 2021, quando foram mapeados 79 mil hectares, e de 33% ante o ano passado. Os números são do Observatório da Restauração (OR), uma das principais plataformas de dados do país dedicada a esta atividade. Mantida pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o observatório acabou de ser lançado em um evento online que está disponível no canal da Coalizão no Youtube.

A restauração da vegetação nativa é fundamental para a manutenção do fornecimento de sistemas ecossistêmicos essenciais para a saúde, a produção agrícola, a segurança hídrica, a igualdade social e o desenvolvimento sustentável. Em sua contribuição ao Acordo de Paris, o Brasil comprometeu-se a restaurar 12 milhões de hectares até 2030 — a meta foi reforçada pelo governo federal em 2024, no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Estima-se que a atividade pode gerar mais de 2,5 milhões de empregos diretos.
 
O OR tornou-se pioneiro na articulação com coletivos atuantes nos seis biomas brasileiros, que reportam dados com base em uma metodologia única, desenvolvida pela gestão da plataforma.  

“O Observatório é uma ferramenta essencial não somente pela contabilização de hectares em si, mas pela articulação e visibilidade aos atores que fazem a restauração acontecer”, explica Tainah Godoy, secretária-executiva do OR. Dessa forma, a plataforma consegue integrar dados de qualidade que trazem a realidade do campo para os tomadores de decisão, como o poder público e investidores. 

O processo de coleta e validação dos dados tem, portanto, uma análise diferente da feita por outras instâncias, como o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) — que, em um evento na COP 30, anunciou que o país conta com 3,4 milhões de hectares em restauração.  

Os indicadores do MMA consideram diferentes dinâmicas de recomposição do território, incluindo extensas áreas de vegetação secundária em regeneração natural — ou seja, florestas que avançam de forma natural e espontânea. Já o OR trabalha com um recorte metodológico específico, baseado em informações autodeclaratórias de empresas e organizações que desenvolvem ações de restauração com algum nível de manejo ou intervenção planejada.  

A restauração por biomas

Segundo o OR, os biomas mais beneficiados com projetos de restauração são a Mata Atlântica (com 131,2 mil hectares mapeados, o equivalente a 64% da área total monitorada) e a Amazônia (39,7 mil hectares, ou 19%).  

No Cerrado, foram identificados 31,7 mil hectares em restauração (15% do território mapeado). Na Caatinga foram compilados mil hectares (0,06%), enquanto o Pantanal soma 280 hectares (0,01%) e o Pampa, 260 hectares (0,01%). 

“A Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado possuem redes multissetoriais pela restauração, consolidadas há anos, que impulsionam a recuperação de seus biomas. Isso contribui para o engajamento da sociedade, o desenvolvimento de pesquisas e a formação de mão de obra qualificada para a atividade”, ressalta Godoy. “Já os coletivos da Caatinga, o Pampa e o Pantanal iniciaram recentemente suas operações, e a estruturação de redes leva tempo.” 

Mata Atlântica: Desafio de reconectar fragmentos florestais

Ao mesmo tempo em que a Mata Atlântica apresenta os principais esforços de restauração, o bioma é também o mais degradado do país. De acordo com Rubens Benini, diretor de Florestas e Restauração da The Nature Conservancy (TNC) Brasil e coordenador do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, restam menos de 24% da área original e, desse restante, metade está em processo de degradação.  

“A Mata Atlântica vive um cenário delicado que requer muita atenção”, alerta Benini. “A pressão da expansão urbana e da agricultura tem acelerado o desmatamento. Para reverter esse quadro, iniciativas de restauração têm buscado recuperar áreas degradadas e reconectar fragmentos florestais. Mais de 2 milhões de hectares dessas áreas, por exemplo, estão em Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais, o que representa não apenas um desafio, mas também uma oportunidade de garantir a manutenção de serviços ecossistêmicos, como a conservação de nascentes e rios que abastecem grandes centros urbanos.” 

Cerrado: Restauração é arma contra a crise hídrica

O Cerrado também tem enfrentado uma crise de degradação, sendo a restauração ecológica uma das estratégias mais eficazes para garantir a segurança hídrica da população local, a mitigação da crise climática e a manutenção dos modos de vida dos povos e comunidades tradicionais. 

“O Cerrado enfrenta intensa pressão na mudança do uso do solo, resultando em perda significativa de biodiversidade”, explica Carol Sacramento, secretária executiva da Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum). “Nossos esforços buscam não apenas recuperar a vegetação nativa, mas também fortalecê-la. Queremos promover um olhar sobre o Cerrado que valorize as iniciativas de base comunitária e a diversidade de arranjos produtivos.”

Amazônia: ‘Arco pela restauração’ contra desmatamento

A Amazônia teve um avanço considerável de reporte de áreas em processo de restauração em relação aos dados de 2021, passando de 14,5 mil para 40 mil hectares, um aumento de 173% em quatro anos. 

“Esse aumento pode ser atribuído a diversos fatores, destacando o papel de  políticas públicas e iniciativas privadas”, explica Tainah Godoy, secretária-executiva do OR. “Vemos, nos últimos anos, o aumento da oferta por editais voltados à restauração de ecossistemas, além de ações envolvendo organizações da sociedade civil e empresas. Houve ainda, no ano passado, o lançamento pelo governo federal da iniciativa Arco pela Restauração, que visa recuperar a região do Acordo do Desmatamento, onde ocorrem 75% da devastação da floresta.” 

Caatinga: Aposta em restauração contra avanço da desertificação

Na Caatinga, um dos principais desafios é demonstrar que o bioma abriga uma imensa biodiversidade, o que reforça a necessidade de ampliar os investimentos em restauração. 

“Há um potencial imenso para a restauração que pode contribuir para reagirmos ao avanço da desertificação, que hoje já atinge 18% do território nacional, inclusive áreas do Pantanal e do Cerrado”, explica Pedro Sena, conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa). “Em nosso bioma, a restauração é biocultural: as pessoas conseguem se enxergar nas espécies com que vivem e trabalham.” 

Pantanal: Incêndios impulsionaram urgência pela restauração

O Pantanal foi o último bioma do país a ter um movimento expressivo pela restauração — justamente pelo fato de que, até a última década, era o que contava com os melhores índices de conservação de sua vegetação. Este cenário começou a mudar com as queimadas de 2020, que acometeram um terço do bioma. Em 2024, segundo pior ano da série histórica, o Pantanal registrou 14 mil focos de incêndio. 

“A diminuição de aproximadamente 60% da superfície de água do Pantanal, um bioma que depende das águas do planalto da Bacia do Alto Paraguai, é um fato alarmante”, ressalta Solange Ikeda, coordenadora do Pacto pela Restauração do Pantanal. “Portanto, as iniciativas de restauração são soluções eficazes para recompor áreas degradadas, recuperar a vegetação nativa e restabelecer os ciclos de inundação que sustentam a biodiversidade e garantem a proteção das nascentes desse ecossistema.”  

Pampa: Integração de restauração e manejo de pastos

No Pampa, a restauração segue uma lógica distinta da dos demais biomas, já que está voltada à integração com a produção animal. Isso porque sua vegetação nativa é predominantemente campestre, composta por uma grande diversidade de capins e gramíneas. “O pastoreio tem um papel importante na manutenção e equilíbrio desse ecossistema. Aliado aos esforços de pesquisas e iniciativas de restauração no bioma, que é mais recente, tem sido fundamental para garantir o bom uso do solo na região no longo prazo”, explica Godoy. 

Nova versão do Observatório

Lançado em 2021, o OR é uma plataforma independente e multissetorial dedicada ao mapeamento de áreas em restauração. Seu comitê gestor é formado por Coalizão Brasil, WWF, WRI Brasil, Imazon e The Nature Conservancy. 

Em sua terceira edição, o Observatório da Restauração anuncia a retirada do termo “Reflorestamento” de sua nomenclatura, reforçando seu compromisso exclusivo com a recuperação da vegetação nativa e da biodiversidade. A decisão reflete o amadurecimento técnico e normativo da agenda ambiental, que diferencia claramente a restauração ecológica — voltada à integridade dos ecossistemas — de práticas de reflorestamento associadas a plantios comerciais e espécies exóticas. Com essa atualização, o Observatório garante maior clareza conceitual e alinhamento com compromissos nacionais e internacionais, como o Planaveg e o Marco Global da Biodiversidade de Kunming‑Montreal. 

Nos últimos quatro anos, o grupo gestor do OR dedicou-se à qualificação dos dados, à coleta de novas informações, atualizações em seus processos de monitoramento e ao estabelecimento de parcerias com grupos atuantes no setor de restauração nos seis biomas brasileiros, conhecidos como coletivos biomáticos. São eles: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Rede pela Restauração da Caatinga, Pacto pela Restauração do Pantanal, Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), Aliança pela Restauração da Amazônia e Rede Sul — esta última, com atuação no Pampa. 

Os dados do OR estão disponíveis em: observatoriodarestauracao.org.br.

arauco (Pequeno)

Arauco e Senai-MS iniciam novos cursos técnicos para 160 pessoas em Três Lagoas

Abrace este Projeto promove qualificação profissional gratuita nas áreas de Automação, Eletrotécnica e Mecânica.

A Arauco, referência em celulose, madeira e bioenergia, iniciou, nesta terça-feira, 09, quatro turmas, com 40 alunos cada, de cursos técnicos gratuitos de Automação, Eletrotécnica e Mecânica, em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. A iniciativa integra o Abrace este Projeto, promovido pela Companhia em parceria com o Senai-MS com o objetivo de qualificar profissionais para atuarem em indústrias de celulose. As aulas vão até dezembro de 2026 e os alunos recebem bolsa-auxílio de até R$ 1.500 mensais.

Esta é a segunda etapa do projeto, iniciado em setembro deste ano, com um total de 560 vagas para cursos oferecidos nas unidades do Senai em Inocência, Paranaíba e Três Lagoas. A iniciativa integra um conjunto de ações da Arauco para o desenvolvimento das comunidades localizadas no entorno do Projeto Sucuriú, que marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil, com investimento de US$4.6 bilhões para instalar em Inocência (MS) uma planta com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose/ano – a maior do mundo construída em etapa única.

O Abrace este Projeto destina-se a jovens e adultos interessados em seguir carreira no setor de celulose. Com estas qualificações, a Arauco prepara profissionais para possíveis oportunidades no Projeto Sucuriú, mas não somente, porque as qualificações atendem a requisitos comuns a empresas do setor, o que aumenta a empregabilidade dos participantes.

“A partir de 2027, com o início das operações de nossa fábrica, geraremos cerca de 6 mil empregos diretos nas áreas industrial, florestal e logística. Ao promover o ‘Abrace este Projeto’, vamos garantir que encontraremos na região os profissionais qualificados que buscamos”, destaca Marcelo Biscaro, gerente executivo de Manutenção na Arauco Brasil. E concluiu: “Esperamos que cada um de vocês molde o futuro do Projeto Sucuriú, contribuindo para um legado duradouro de excelência, inovação e desenvolvimento socioeconômico para todo o Mato Grosso do Sul”.

“Queremos entregar, ao final desse projeto, profissionais qualificados para operar essa ‘gigante linda’ que precisa de pessoas preparadas. Então, aproveitem esta oportunidade única. E contem com o Senai e com a Arauco. Estamos aqui para oferecer sempre o melhor para vocês”, diz Rodrigo Bastos Melo, gerente de Gestão e Negócios no SENAI-MS.

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O plano florestal da Eldorado Celulose para (em algum momento) chegar na expansão de R$ 25 bilhões 

Em entrevista exclusiva ao AgFeed, o diretor florestal, Germano Vieira, conta que o grupo já possui um excedente de eucalipto de 100 mil hectares para suprir uma eventual ampliação industrial, em meio à nova fase na empresa que agora está “livre” do imbróglio com a Paper Excellence

Aos 71 anos de idade, o engenheiro florestal Germano Vieira é um apaixonado pelo setor e mostra emoção ao falar de um negócio que, na visão de muitos, poderia ser “apenas mais um” no gigante universo empresarial dos irmãos Batista.

A Eldorado Brasil foi criada em 2012 quando a J&F, holding controlada por Joesley e Wesley Batista, decidiu entrar no mercado de celulose. Na época o grupo já era o maior do Brasil em função da consolidação da global JBS, com suas tradicionais marcas Seara e Friboi, por exemplo, além dos frigoríficos em diferentes países.

Um ano antes da indústria operar, Germano Vieira entrou no grupo e o desafio era plantar boa parte das florestas que o projeto demandaria dali para frente.

“Quando eu cheguei tinha muito pouco, então nós começamos a plantar muito rapidamente, plantar uns 50 mil hectares todo ano para que a gente pudesse ter a indústria funcionando em 2012. E como o eucalipto demora seis, sete anos para crescer, nós tivemos também que fazer uma aquisição de madeira de terceiros”, lembrou Vieira, em entrevista ao AgFeed.

Foram anos de bastante crescimento até que em 2017, a J&F assinou um contrato para vender a Eldorado à canadense Paper Excellence, que pertence a um empresário da Indonésia.

Um ano depois, a holding dos irmãos Batista decidiu cancelar a venda, condição não aceita pelo comprador, portanto, iniciando uma longa disputa judicial, em âmbito internacional, que só foi solucionada em 2025, quando finalmente a J&F passou a ser, novamente, 100% controladora da Eldorado Celulose.

Virada essa página, a Eldorado – e também Germano Vieira – podem mais uma vez se debruçar aos planos florestais, com mais afinco, para que haja matéria-prima abudante, assim que a empresa decidir dar saltos mais ousados de expansão.

Em 2025 a Eldorado contabilizou cerca de 305 mil hectares plantados com florestas. É um pouco mais do que os 293 hectares do ano anterior.

No início de novembro a empresa chegou a sinalizar ao AgFeed que ampliaria em 40 mil hectares essa área total, já em 2026. Um cenário semelhante foi descrito ao site The Agribiz, que reportou a intenção da Eldorado de elevar dos históricos 25 mil hectares para 50 mil hectares o plantio de novas áreas no próximo ano.

Na ponta do lápis, porém, os acionistas da empresa decidiram, semanas depois, que ainda é cedo para dar um passo maior. Falta ajustar no detalhe as finanças da Eldorado, que ainda tem alta alavancagem e resquícios do imbróglio com a Paper Excellence para administrar internamente.

Além disso, na conversa com o AgFeed, Germano Vieira deixou claro que já está sobrando eucalipto na Eldorado, ou seja, o que se colhe hoje é mais do que suficiente para atender a indústria atual.

O sinal verde que falta para acelerar o plantio é a definição de uma data para colocar em prática um plano que já foi anunciado por Wesley Batista, em abril de 2024, prevendo um investimento de R$ 25 bilhões para a Eldorado.

O projeto prevê a montagem de uma segunda linha de produção em Três Lagoas (MS) dobrando a capacidade da empresa e incluindo a construção de uma ferrovia.

Para atender a segunda linha, seriam necessários no mínimo 450 mil hectares de floresta. Dessa forma a produção subiria para 4 milhões de toneladas de celulose, acima da capacidade atual de cerca de 1,8 milhão de toneladas.

Como ainda não se sabe exatamente quando essa obra começa, a Eldorado disse esta semana ao AgFeed que manterá a área plantada de florestas em aproximadamente 305 mil hectares em 2026.

Eldorado Celulose tem lucro de R$ 751 mi no 2º trimestre
Isso quer dizer que até serão semeados 25 mil hectares de áreas novas, porém, como todo um ano uma parte da floresta é colhida, esse saldo, ficará em patamares semelhantes ao de 2025.

Além do rigor financeiro, a empresa alega que ainda estaria confortável com essa “sobra” de eucalipto do cenário atual.

“Hoje nós temos madeira já sobrando, porque a segunda linha que estava prevista, ela acabou não acontecendo ainda. Nós temos 305 mil e nós usamos de 200 mil hectares. Então sobra um terço do que nós temos, é uma madeira excedente”, explicou Germano.

Esse volume, segundo o executivo, estaria sendo comercializado para outras indústrias do setor, permutado ou sendo mantido como estoque estratégico. “Estamos fazendo algumas ações nesse sentido, para exatamente esperar o momento certo da gente consumir.”

O modelo da Eldorado consiste basicamente no arrendamento das terras para que a própria empresa execute as atividades florestais. Apenas 5% das terras são próprias.

Anos atrás, algumas empresas ainda apostavam mais no sistema semelhante a integração do setor de proteína, onde produtores rurais plantavam e forneciam à indústria. Vieira diz que a Eldorado acabou sendo pioneira nesse modelo de arrendamento em Mato Grosso Sul, que seria bem mais eficiente para as áreas extensas da região, o que acabou sendo adotado também por outras empresas.

Caso ampliasse em 40 mil hectares a área no ano que vem, somente com as atividades de plantio, a Eldorado gastaria cerca de R$ 350 milhões. Isso porque, segundo o diretor, o custo médio do plantio fica hoje em torno de R$ 8.700 por hectare. Ele calculava, na época, que o orçamento da silvicultura subiria cerca de 50% em 2026.

Um projeto de expansão, no entanto, inclui diversos outros custos como o próprio arrendamento da terra, a manutenção das florestas, o controle de incêndios e pragas e as ações de pesquisa e desenvolvimento.

Germano Vieira explicou que uma nova fábrica demora cerca de 3 anos para ficar pronta. Portanto, a partir do momento que a decisão for tomada, ao elevar em 50 mil hectares por ano a expansão de cultivo, também em três anos seria possível chegar ao alvo de 450 mil hectares.

Como ainda há o excedente a ser trabalhado, a empresa poderia se dar ao luxo de não crescer agora e ainda assim decidir erguer a fábrica a partir de 2027, por exemplo. Mas esses cenários são apenas hipóteses, por enquanto.

“Termômetro da felicidade”
Enquanto os planos de expansão da companhia não aceleram, Germano Vieira contou com entusiasmo, ao receber o AgFeed na sede da empresa em São Paulo, ações que vem criando e implementando com foco na atração e retenção de funcionários.

Mato Grosso do Sul vive uma onda de investimentos por parte de diferentes indústrias do setor de papel e celulose, muitos deles em pequenas cidades, com baixa oferta de mão de obra, por isso atrair e manter os trabalhadores tem sido um desafio para as empresas. Fora esse obstáculo, a outra grande questão a ser resolvida é a busca de novas terras para arrendamento.

A Eldorado Brasil tem cerca de 6 mil funcionários, sendo 3 mil na área florestal. Quando decidir acelerar a expansão, deverá precisar de no mínimo mais 500 pessoas.

Vieira diz que nos últimos começou a refletir sobre melhorias que poderia fazer para tornar os funcionários da Eldorado “mais felizes”.

“A gente vai ficando velho e começa a ter um outro olhar para o mundo. Comecei a me perguntar, será que estes 3 mil funcionários estão felizes trabalhando comigo?”, contou ele.

A partir daí foi criada uma política com 4 pilares. O primeiro deles seria adaptação e conforto. Todos os funcionários agora são transportados em ônibus com ar condicionado e mais de 70% da equipe faz o trabalho de campo com o uso de cabines. No chamado “Nossa Gente”, também se decidiu instalar internet da Starlink em todas as áreas florestais e também nos ônibus – uma demanda que veio por parte dos trabalhadores.

Outra ação, chamada de “Prato no Ponto”, procurou melhorar a alimentação que é fornecida às equipes. A empresa aderiu a um sistema chamado de EldBox (caixas inteligentes que controlam o descongelamento e aquecimento das refeições).

O trabalhador escolhe o cardápio por meio de um aplicativo e programa a hora exata que o prato deve estar pronto. Segundo o diretor, a comida é servida com a mesma qualidade e temperatura que oferece o refeitório. A tecnologia estaria eliminando o conceito de “boia fria”, mesmo nas áreas florestais mais remotas, diz a Eldorado.

Os outros pilares tratam de relacionamento entre líderes e equipe, com foco em “respeito e escuta ativa”, além de temas como carreira e família. Estão sendo oferecidos treinamentos de capacitação para incentivar a mobilidade interna, em diferentes funções e há a oferta, por exemplo, de serviços de telemedicina nas pequenas cidades de Mato Grosso do Sul, onde é mais difícil ter acesso a médicos especialistas.

“Então, isso para mim é um termômetro. É um termômetro de felicidade. Não é que eu vou medir se a pessoa está feliz ou não, mas eu tiro tudo aquilo que pode gerar infelicidade”, afirmou Germano Vieira, no auge dos seus 40 anos de experiência na área florestal.

Foco na produtividade e na resiliência climática
Outra preocupação importante do diretor florestal da Eldorado Brasil é manter suas áreas de eucalipto em altos níveis de sanidade e produtividade, mesmo em períodos desafiadores do ponto de vista climático.

O desenvolvimento genético do eucalipto é um dos pilares da estratégia. Segundo Germano Vieira, a empresa mantém um processo contínuo de pesquisa voltado à seleção de materiais mais produtivos e adaptados às condições ambientais do Mato Grosso do Sul.

O trabalho começa na construção de uma base genética ampla, formada a partir da origem do eucalipto.

“A gente tem um processo muito forte, robusto em conseguir novos materiais genéticos. Na Austrália, por exemplo, buscamos várias espécies de eucaliptos que poderiam ser interessantes pra gente”, disse.

Com o trabalho de melhoramento, por meio de cruzamentos, os melhores são identificados e são os feitos os clones, para chegar no maior potencial. “A cada 33 mil sementinhas dessa, a gente cruza e tira um clone de elite”.

Com áreas cada vez mais extensas de eucalipto no estado, aumentam os desafios em relação a pragas e também ao clima.

“Tem o déficit hídrico, a gente tem observado nos últimos três ciclos de eucalipto, o regime de chuva tem diminuído.” Esses fatores exigem maior cuidado na escolha dos materiais genéticos.

Atualmente, a produtividade média das florestas da empresa está em torno de 40 metros cúbicos por hectare, mas 20% da área já alcança 55 metros cúbicos. O maior objetivo têm sido manter bons níveis de rendimento mesmo com o clima não tão favorável.

“A gente vai crescendo a produtividade, crescendo um pouco, mas você briga também pela sobrevivência, pela garantia da madeira”, admite.

Ele lembra que há 30 anos a produtividade era de 10 metros cúbicos por hectare, na silvicultura brasileira.

A Eldorado diz não trabalhar com eucalipto transgênico e entre os motivos estaria a importância das certificações ambientais no setor.

Para o controle de pragas, a empresa informa que está aumentando o uso de biológicos. Em 2025, o controle biológico foi aplicado em cerca de 80 mil hectares. A exceção seria o combate às formigas, que hoje representam a principal praga na cultura do eucalipto e que ainda são controladas por meio de inseticidas químicos. “Excluindo formigas, entre 80% e 90% do controle de pragas já é biológico”, afirmou Vieira.

Entre outros aspectos ligados à sustentabilidade, o diretor garante que a Eldorado também vem evoluindo. O balanço de carbono, por exemplo, é positivo, afinal “70% da árvore é carbono”.

A biodiversidade é medida dentro das florestas cultivadas e também nas áreas de reserva legal e preservação permanente. A Eldorado conta com 100 mil hectares de preservação.

Sobre as críticas que volta e meia se apresentam ao setor florestal, em função de ser uma monocultura, Germano Vieira discorda. Ele lembra que em Mato Grosso do Sul, por exemplo, 50% do estado são pastagens e apenas 4% são áreas de eucalipto.

Se depender dele, a produção seguirá crescendo, afinal, “o Brasil é o país mais competitivo do mundo em celulose”. Segundo Germano, o consumo global cresce cerca de 1 milhão de toneladas por ano, exigindo “uma nova fábrica”, semelhante à Eldorado, a cada um ano e meio.

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