Peças destinadas à fábrica da Arauco avançam pelo Estado e entram na reta final do trajeto.
No fim da tarde desta sexta-feira (16), o transporte de carga superdimensionada com peças gigantes destinadas à usina de celulose da Arauco cruzou Campo Grande e seguiu pela BR-262, no sentido do município de Inocência, onde será o destino final do comboio.
Uma carga superdimensionada com peças destinadas à usina de celulose da Arauco cruzou Campo Grande nesta sexta-feira (16) e segue pela BR-262 rumo a Inocência. O transporte, que partiu de Assaí, no Paraná, vem atravessando Mato Grosso do Sul com esquema especial de escolta.O comboio, que teve seu cronograma afetado pelas fortes chuvas dos últimos dias, passou pela MS-134 e BR-267 anteriormente. As peças serão utilizadas na fábrica da Arauco, um dos maiores investimentos do setor de celulose no estado. Motoristas que trafegam pela BR-262 devem ficar atentos às alterações no fluxo de veículos.
A carga faz parte de um conjunto de equipamentos de grandes dimensões que saiu de Assaí, no Paraná, e vem atravessando Mato Grosso do Sul ao longo da semana. O deslocamento vinha sendo acompanhado por esquemas especiais de escolta e provocando lentidão em rodovias estaduais e federais por onde passou, devido ao tamanho e ao peso das peças transportadas.
Na quarta-feira (14), o comboio trafegou pela MS-134, entre Batayporã e o distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina, e também pela BR-267, com previsão de avanço lento ao longo da manhã. Naquele momento, a expectativa era de chegada a Inocência na sexta-feira (16), mas o cronograma foi impactado pelas fortes chuvas registradas nos últimos dias.
Com a passagem por Campo Grande no fim da tarde desta sexta, o transporte entrou em um dos trechos finais do percurso dentro do Estado, utilizando a BR-262 em direção a Inocência. As peças serão destinadas à fábrica da Arauco, empreendimento industrial em implantação no município e considerado um dos maiores investimentos do setor de celulose em Mato Grosso do Sul.
Motoristas que trafegam pela BR-262 devem permanecer atentos, já que a movimentação de cargas superdimensionadas exige cuidados especiais e pode provocar alterações temporárias no fluxo de veículos ao longo do trajeto.
Evento reuniu empresas com interesse em conhecer de perto o funcionamento das megafábricas.
Transporte de madeiras, alimentação, transporte de pessoas, construção e manutenção de estradas são algumas das áreas com oportunidades para empresários sul-mato-grossenses firmarem parceria com a Suzano – empresa de celulose e papel que tem duas fábricas no Estado. Para atrair mais parceiros regionais, a empresa realizou, na manhã desta sexta-feira (16), o Workshop Logística Florestal 360° – Abastecimento, Transporte e Integração Regional.
A Suzano, empresa de celulose e papel com duas fábricas em Mato Grosso do Sul, busca ampliar parcerias com empresários locais em diversas áreas, incluindo transporte de madeiras, alimentação e manutenção de estradas. Durante workshop realizado em Campo Grande, a empresa apresentou oportunidades para diferentes perfis empresariais.A companhia, que produz 13,4 milhões de toneladas de celulose anualmente, sendo 40% em MS, oferece vagas para motoristas, operadores de máquinas florestais e engenheiros. Atualmente, apenas duas empresas sul-mato-grossenses mantêm parceria com a Suzano na área de logística e infraestrutura.
O evento, realizado com apoio da Prefeitura de Campo Grande, no Teatro Municipal, reuniu empresários do Estado com interesse em conhecer de perto o funcionamento das megafábricas instaladas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo e os caminhos para a prestação de serviço. Ao longo de duas horas, gestores de logística e infraestrutura da empresa apresentaram a “marca” Suzano e o dia a dia de cada setor.
“O objetivo hoje foi justamente demonstrar o potencial de parcerias para N segmentos. A gente tem oportunidades também para a mão de obra local, porque isso gera um movimento muito grande. Para motorista, para operador de máquinas florestais, para ajudantes florestais, para engenheiros. É uma forma de a gente divulgar mais a nossa marca, além de demonstrar as oportunidades que a gente tem no Mato Grosso do Sul”, afirmou o diretor de operações, Rodrigo Zagonel.
Hoje, a empresa produz 13,4 milhões de toneladas de celulose por ano. Cerca de 40% desse valor sai de Mato Grosso do Sul. Para dimensionar o papel da produção estadual, um dos gestores apontou que, se as três plantas da Suzano no Estado fossem independentes, elas ficariam em segunda colocação no ranking de produção mundial, atrás apenas da própria empresa.
Uma das interessadas foi empresária Magna Ajala. Ela administra uma empresa de transporte de pessoas. “Como lá naquela região aumentou o fluxo de passageiros e pessoas lá que se mudaram que estão indo para aquela região a gente veio para essa região”, disse.
“Aqui a gente faz transporte com o Vans, o intermunicipal, aqui de Campo Grande para o interior porque a gente tem interesse em vir aqui para saber como é que está a demanda lá”, completou.
No plano de parceria apresentado, a Suzano aponta espaço para diversos perfis de empresários, desde os classificados pelo Simples Nacional, com até seis frotas, passando por pequenas e médias transportadoras, até grandes transportadoras, com até 60 frotas.
Para Zagonel, a apresentação é importante para quebrar barreiras. “A própria comunidade aqui de Campo Grande não associava a nossa marca a um produto que está no dia a dia dela, como a produção de um papel higiênico, um guardanapo. Então, a gente construiu uma planta com investimento que, por um ou dois anos, foi o maior investimento privado no Brasil, e poucas pessoas associavam as oportunidades que estavam lá ou não imaginavam a magnitude do tamanho do investimento”, apontou. Segundo ele, esse receio dos empresários locais afastou parcerias que poderiam ter sido firmadas desde o início da construção da nova planta, em Ribas do Rio Pardo.
Hoje, a Suzano tem parceria com apenas duas empresas sul-mato-grossenses na área de logística e infraestrutura. “Então, a gente está startando a ampliação dessa nossa relação com empresas maiores ou empresas de transporte. A gente sempre vai ter espaço para a gente estar inserindo novos players, assim como a gente teve essa experiência com as novas transportadoras que entraram”, completou.
Mato Grosso do Sul atravessa um período de ajustes estratégicos em seus principais pilares industriais. De acordo com indicadores recentes, setores vitais como a extração de minério de ferro e a produção de papel e celulose estão sob forte pressão devido à combinação de fatores macroeconômicos, incluindo a desaceleração da demanda externa e a volatilidade do câmbio.
O cenário exige que as empresas sul-mato-grossenses priorizem a inovação e o planejamento rigoroso para mitigar riscos e sustentar a competitividade do estado no mercado internacional.
Pressão nas Commodities: Minério e Celulose
O minério de ferro, peça-chave da balança comercial do estado, enfrenta um momento de margens estreitas. A redução no ritmo de consumo global, puxada majoritariamente pela menor demanda da China, somada ao excesso de oferta no mercado mundial, tem impactado o valor da commodity. Essa realidade expõe a vulnerabilidade da economia local às flutuações geopolíticas externas.
Paralelamente, o segmento de celulose também sente os efeitos do mercado. Em novembro, os preços industriais do setor recuaram 1,35%. A valorização do real frente ao dólar surge como um obstáculo adicional para as exportadoras, tornando o planejamento logístico e financeiro essencial para manter a rentabilidade das gigantes instaladas na região.
Retração em Outros Segmentos Industriais
O impacto não se restringe apenas às grandes commodities. Levantamentos do IBGE apontam que 50% das atividades industriais pesquisadas em Mato Grosso do Sul apresentaram queda nos preços de produção em novembro.
Segmentos afetados: Além da mineração e celulose, os ramos de produtos químicos e de impressão também registraram retração.
Fatores internos: Além das questões globais, custos operacionais e o ajuste na cadeia de suprimentos interna contribuem para o cenário de cautela.
Caminho para a Recuperação
Apesar dos obstáculos, os setores de minério e celulose permanecem como os grandes motores da exportação do estado. Analistas do mercado reforçam que a solução para atravessar este ciclo de baixa reside na diversificação da pauta produtiva e em investimentos massivos em tecnologia e eficiência operacional.
A ideia é reduzir a dependência exclusiva das oscilações estrangeiras, agregando valor aos produtos manufaturados dentro de Mato Grosso do Sul e fortalecendo as cadeias de fornecimento locais.
De município com parque industrial modesto a protagonista global da economia florestal, a trajetória de Três Lagoas é hoje um dos maiores cases de desenvolvimento regional do Brasil nas últimas duas décadas.
Há cerca de 19 anos, Três Lagoas vivia uma realidade econômica muito distinta da atual. A arrecadação municipal era limitada, as obras estruturantes avançavam lentamente e o parque industrial concentrava-se em algumas empresas de pequeno e médio porte, ligadas principalmente aos setores têxtil e de óleos vegetais.
Entre os principais nomes daquele período estavam Mabel, Nelitex, Cortex e a multinacional Cargill, sendo a Mabel, à época, a maior referência industrial do município — hoje já fora de operação na cidade.
Foto aérea de Três Lagoas feita há mais de dez anos. A comparação com registros atuais evidencia a evolução da cidade.(Arquivo)
A economia local ainda buscava escala e diversificação capazes de sustentar um ciclo de crescimento consistente.
Antes da celulose: o papel como prenúncio da transformação
Antes mesmo da consolidação do polo de celulose, Três Lagoas já dava sinais de que passaria a integrar cadeias industriais mais complexas. Um marco importante foi em 2006, quando ocorreu a confirmação da instalação International Paper, multinacional americana do setor de papel, que iniciou suas operações no município em 2009, mesmo ano que a VCP deu start à fábrica.
Anos mais tarde, a empresa passou por uma reorganização global e sua operação brasileira passou a operar sob a marca Sylvamo, mantendo Três Lagoas como unidade estratégica no país. A presença da indústria papeleira antecedeu a chegada em larga escala da celulose e ajudou a preparar a cidade técnica, logisticamente e institucionalmente para receber empreendimentos industriais ainda maiores.
O divisor de águas: a chegada da indústria de celulose em escala global
A virada histórica se consolida entre 2007 e 2009, com a instalação da então Votorantim Celulose e Papel (VCP) — empreendimento que à época foi classificado pela então prefeita Simone Tebet como “o investimento do século” para Três Lagoas.
Naquela ocasião, quando a VCP começou a construção da fábrica em fevereiro de 2007, foi firmado um compromisso visando o desenvolvimento sustentável da região. A empresa contribuiu com a renovação da base produtiva do Estado e sua consolidação como um dos polos produtivos de celulose e papel no Brasil. Naquela ocasião a fábrica contribuiu para a elevação em cerca de 300% o PIB de Três Lagoas e em 13,5% o PIB do Estado. A atuação da VCP MS movimentou a economia da região, gerou milhares de novos postos de trabalho em diversos setores, conforme apontou estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas.
A VCP se transformaria posteriormente em Fibria e, mais adiante, seria incorporada pela Suzano, hoje uma das maiores produtoras de celulose do mundo.
Atualmente, a Suzano opera duas grandes fábricas de celulose no município, responsáveis por milhares de empregos e milhões de toneladas anuais e por marcos históricos de produção acumulada, colocando Três Lagoas no centro da estratégia global da companhia.
Outro pilar fundamental desse polo é a Eldorado Brasil, lançada em 15 de junho 2010 e com fábrica inaugurada em 12 de dezembro 2012, após investimentos superiores a R$ 6 bilhões. A unidade rapidamente superou sua capacidade nominal e se consolidou como uma das mais modernas plantas industriais do setor no mundo.
Com Suzano e Eldorado, Três Lagoas deixou de ser apenas um polo regional e passou a operar em escala internacional, integrada às maiores cadeias globais de fornecimento de celulose.
Crescimento econômico e liderança nas exportações
Os efeitos dessa transformação aparecem com clareza nos indicadores econômicos:
O PIB de Três Lagoas cresceu cerca de 17 vezes, passando de aproximadamente R$ 3,9 bilhões em 2010 para cerca de R$ 65,9 bilhões em 2024, impulsionado majoritariamente pela indústria florestal.
O PIB per capita acompanhou esse crescimento, refletindo aumento da produtividade, renda média e formalização do mercado de trabalho.
Em 2024, Três Lagoas respondeu por mais de 26% de todas as exportações do Mato Grosso do Sul, somando US$ 2,6 bilhões, com a celulose como principal produto da pauta.
Hoje, o município é o maior exportador do Estado e uma das principais plataformas brasileiras de exportação de celulose, conectando o interior do país diretamente aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
Transformação urbana, arrecadação e serviços públicos
A industrialização acelerada provocou uma expansão urbana sem precedentes. Novos bairros e loteamentos surgiram, a construção civil ganhou ritmo intenso e o setor imobiliário acompanhou a chegada de trabalhadores, técnicos, engenheiros e executivos.
Com o crescimento da arrecadação, a Prefeitura ampliou investimentos em:
pavimentação e mobilidade urbana;
rede pública de saúde;
segurança pública (com reforço no efetivo e na estrutura);
educação e planejamento urbano.
A cidade passou a ter capacidade financeira e institucional para planejar seu crescimento, algo inexistente duas décadas atrás.
Logística pesada e suporte industrial: quando o caminhão vira infraestrutura
A consolidação do polo de celulose exigiu uma logística robusta e permanente. Nesse contexto, a presença de empresas de suporte pesado tornou-se estratégica.
Um exemplo é a Rivesa, concessionária Volvo instalada em Três Lagoas, às margens da BR 158, especializada em caminhões, carretas e serviços voltados ao transporte de grande porte.
A atuação da Rivesa atende diretamente operações como Suzano e Eldorado, além de empresas florestais e transportadoras que sustentam o fluxo contínuo de produção e exportação. A logística deixou de ser apenas apoio e passou a ser parte estrutural do modelo econômico local.
Andritz e Valmet: o selo definitivo de maturidade industrial
A chegada de fornecedores globais de engenharia é um dos indicadores mais claros de que Três Lagoas atingiu um novo patamar.
A Andritz, grupo europeu líder mundial em tecnologia industrial, está implantando uma divisão em Três Lagoas voltada a serviços, manutenção e equipamentos para a indústria de celulose. Ao lado da Valmet, a Andritz integra o seleto grupo das duas maiores fornecedoras globais de projetos e equipamentos para o setor.
Enquanto a Valmet lidera o Projeto Sucuriú, da Arauco — considerado o maior projeto de celulose do mundo —, a instalação da Andritz em Três Lagoas consolida o município como hub técnico-industrial, e não apenas local de produção.
Diversificação e o horizonte da UFN3
Além da celulose, Três Lagoas volta seus olhos para a diversificação econômica. Um dos principais vetores em debate é a possível retomada da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), obra paralisada há cerca de 10 anos.
A reativação do projeto é discutida por governos e setor produtivo como oportunidade de:
ampliar a base industrial;
reduzir dependência de importação de fertilizantes;
gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
Embora ainda dependa de decisões técnicas e financeiras, a UFN3 representa o próximo grande salto fora da celulose.
Da cidade interiorana ao ecossistema industrial globa
Hoje, Três Lagoas não é apenas uma cidade com fábricas. É um ecossistema industrial completo, onde produção, logística, engenharia, serviços especializados e exportação operam de forma integrada.
O que começou, há 20 anos, como uma aposta ousada, transformou-se em um case nacional de desenvolvimento econômico, capaz de reposicionar um município inteiro no mapa mundial da indústria.
A celulose não apenas mudou a economia de Três Lagoas. Mudou o seu destino.
Comboio de carretas que fazem transporte de peças da megafábrica devem chegar amanhã em Campo Grande e deixar tráfego da BRs 163 e 262 mais lento.
Outras quatro cargas superdimensionadas devem chegar a Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (15) e lentidão em estradas se mantém. A previsão é que 200 cargas de transportes do tipo sejam realizadas ao longo do ano para a implantação da indústria de celulose.
Segundo informações apuradas pela reportagem, das 200 cargas estimadas, oito já estão no percurso em Mato Grosso do Sul durante os últimos dias e devem ficar nas estradas por até uma semana, a depender das condições climáticas.
Ontem, o comboio das primeiras cargas desse porte chegaram ao município de Nova Casa Verde e seguiram caminho até o quilômetro 210 da BR-267, cerca de 40 quilômetros antes do trevo com a BR-163 em Nova Alvorada do Sul.
Com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a previsão é que até o fim da tarde de hoje essas primeiras carretas percorram o trajeto até o quilômetro 410 da BR-163 de Anhanduí, distrito de Campo Grande, que fica a 60 quilômetros da capital.
A previsão é que por volta da hora do almoço, o comboio chegue em Campo Grande e após pausa segue o trajeto para Água Clara, passando por Ribas do Rio Pardo, com destino a Inocência.
De acordo com informações da PRF, até o final da tarde desta quinta-feira (15), mais quatro cargas chegarão à Nova Casa Verde e seguirão pelo mesmo caminho.
A estimativa é percorrer cerca de 100 a 150 quilômetros por dia, contando com pausas para almoço, dependentes das condições climáticas e locomoção apenas durante o dia.
Além disso, equipes da PRF que fazem a escolta relataram que devido a altura das cargas, é necessário em alguns momentos que equipes da Energisa façam movimentações dos fios, o que também interfere no tempo e duração do trajeto.
A informação é que as peças possuem 6,6 metros de altura e cerca de 10 metros de comprimento, e pesam 62 toneladas cada.
Rotas
Relatado à reportagem, para chegar ao destino final estão cotadas 4 rotas alternativas que podem gerar tráfego lento durante o ano enquanto as carretas estiverem em percurso, todas escoltadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ou Estadual (PRM), a depender da rodovia.
Entre os trajetos, as rodovias estaduais que aparecem nas rotas são: MS-134; MS-377; MS-240 e MS-112; Além das rodovias federais: BR-267; BR-163; BR- 262 e BR-158.
Arauco Sucuriú
A construção da indústria de celulose no município de Inocência marca a quinta unidade de setor do Estado de Mato Grosso do Sul e a primeira da Arauco.
Nomeado como Projeto Sucuriú, em homenagem ao rio da região, os materiais são fornecidos pela empresa Valmet, de origem finlandesa, que os envia para a JBO Indústria Mecânica, onde são fabricadas as peças que posteriormente são transportadas para o município do interior do Estado sul-mato-grossense.
O investimento está estimado em R$ 25 bilhões e antes previsto para 2028, porém foi adiantado já para o final do ano que vem, e por isso, além das 200 supercargas, terão cerca de 60 mil caminhões nas estradas para a implementação total e construção final da fábrica.
O projeto é considerado como uma das maiores fábricas de celulose do mundo e promete gerar 6 mil vagas de empregos após início de operação, seja na própria fábrica, até logística e produção de eucalipto.
O Governo de Goiás apresentou, nesta quinta-feira, 15, o Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal em Goiás, iniciativa que tem como objetivo impulsionar a silvicultura no estado em parceria com lideranças do setor privado.
O plano reúne um conjunto de medidas voltadas ao estímulo da cadeia florestal, setor no qual Goiás ocupa atualmente a 12ª posição nacional, com cerca de 171 mil hectares plantados. No Brasil, a área total de florestas plantadas soma aproximadamente 10,5 milhões de hectares.
A silvicultura é o principal setor que promove o plantio de eucalipto, pinus, teca e seringueira, sendo responsável na fabricação de celulose e papel, produção de carvão vegetal, biomassa para geração de energia e painéis de madeira.
Segundo o vice-governador Daniel Vilela (MDB), o projeto busca colocar Goiás em posição de destaque no cenário nacional, além de fomentar o crescimento econômico do estado. “O Brasil lidera as exportações da base florestal, e Goiás precisa ser protagonista nesse setor que é pujante e apresenta alto crescimento diante da demanda global”, afirmou.
Daniel Vilela também ressaltou a participação do setor privado na construção do plano. “Essa iniciativa vai viabilizar ações governamentais e privadas, permitindo que os produtores tenham maior produtividade”, completou.
Participaram da apresentação representantes de diversas entidades da agroindústria, entre eles o presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBA), José Carlos Fonseca; o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner; o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha; o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial-GO), Edwal Portilho; e o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO), Luís Alberto.
Entre as medidas anunciadas está a desburocratização do licenciamento ambiental, com a previsão de inexigibilidade para atividades em propriedades com até 20 mil hectares. O plano também prevê maior agilidade no licenciamento de unidades de desdobramento de toras (pranchas e pranchões) com produção inferior a 300 m³ por ano, além de empreendimentos de produção de carvão vegetal oriundo de florestas plantadas com volume inferior a 30 mil metros de carvão (mdc) ao ano.
O vice-governador destacou ainda que o governo estadual atua em conjunto com a Secretaria da Economia para manter a atratividade tributária das indústrias de base florestal e viabilizar novos investimentos no estado.
Outro eixo do plano é a ampliação do acesso ao crédito, com linhas de financiamento que ofereçam taxas competitivas e períodos de carência compatíveis com o ciclo produtivo da silvicultura. As medidas envolvem recursos de fundos públicos, como o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), BNDES e Goiás Fomento, além de parcerias com fundos privados, abrangendo desde o plantio florestal até a transformação industrial.
De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Pedro Leonardo, novas linhas de crédito específicas para o setor estão sendo estruturadas pela Goiás Fomento e devem ser disponibilizadas de forma imediata aos produtores.
Leonardo também destacou o cenário favorável do mercado global, impulsionado pela crescente demanda por papel, papelão e embalagens sustentáveis, especialmente em razão da expansão do comércio eletrônico. Segundo ele, o setor florestal global tem projeção de faturamento de US$ 77,68 bilhões até o final de 2026, o que representa uma oportunidade estratégica para Goiás.
Para o presidente da Adial-GO, Edwal Portilho, o plano cria um canal de diálogo direto para atender às demandas do setor produtivo. Ele ressaltou que o setor sucroenergético enfrenta atualmente um déficit de biomassa, devido ao aumento do consumo do bagaço de cana nas caldeiras industriais em 2024.
“Tivemos a implantação de mais de 30 usinas ao longo de pouco mais de uma década, período em que havia superávit de biomassa. Hoje, com o crescimento da economia industrial do estado, esse excedente deixou de existir, e já falta biomassa para atender às indústrias”, explicou.
Segundo Portilho, a iniciativa do governo, em parceria com entidades privadas e institutos de pesquisa, é fundamental para retomar o estímulo ao plantio florestal e garantir o abastecimento das cadeias produtivas, assegurando a continuidade do crescimento industrial de Goiás.
O plano também prevê a intensificação de investimentos em infraestrutura, aproveitando a localização estratégica do estado. As ações incluem o fortalecimento da malha rodoviária, o uso das ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, a futura Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), além do acesso ao modal hidroviário pelo Porto de São Simão e a utilização do Porto Seco de Anápolis.
Para o titular da Seapa, o setor florestal também tem grande potencial para contribuir com a produção de energia, especialmente por meio de usinas classificadas como “superavitárias”, que geram energia suficiente para suprir seus próprios processos produtivos e ainda disponibilizam excedente para a rede elétrica.
Além do setor sucroenergético, Pedro Leonardo destacou a importância do carvão vegetal como insumo estratégico para a agroindústria goiana, atendendo à demanda de laticínios, frigoríficos e unidades de secagem e beneficiamento de grãos. “Essas indústrias são superavitárias na produção de energia, elas produzem o suficiente para atender o seu próprio projeto e disponibilizam esse excedente de energia na rede local, podendo ter a possibilidade de utilização em outros processos industriais.”
Já o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, afirmou que Goiás não deve se limitar à produção de grãos e à pecuária, mas buscar protagonismo também na silvicultura. Segundo ele, o histórico de programas de incentivo, como o voltado à indústria do etanol, demonstra que o estado tem capacidade de liderar novas cadeias produtivas. “Não tenho dúvida que essa cadeia produtiva vai trazer muito desenvolvimento, muita harmonia e acima de tudo qualidade de vida para os goianos.”
A Suzano está comunicando clientes sobre reajustes que fará a partir de outubro nos preços da celulose em todos os mercados, afirmou uma fonte à Reuters nesta sexta-feira (19).
A companhia, maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, vai elevar os preços da commodity em US$ 20 a tonelada para clientes na Ásia e em US$ 50 na Europa e Américas. Na Europa, o preço do insumo base da produção do papel será elevado para US$ 1.130 a tonelada, disse a fonte.
Empresas associadas ao SINPACEMS registraram quase 4 mil contratações em 2025 e reforçaram participação feminina no mercado de trabalho.
O setor de papel e celulose tem se consolidado como um dos principais motores da geração de empregos formais em Mato Grosso do Sul. Levantamento do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de MS (SINPACEMS) aponta que as empresas associadas responderam por 3.985 contratações em 2025, contribuindo de forma expressiva para o fortalecimento do mercado de trabalho no Estado.
No acumulado dos últimos 12 meses, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo de 16.368 empregos formais, conforme dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, com base no Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Entre as associadas ao sindicato, a Eldorado Brasil Celulose liderou o número de admissões no período, com 2.002 contratações, das quais 366 foram de mulheres. (Foto: Divulgação)
Entre as associadas ao sindicato, a Eldorado Brasil Celulose liderou o número de admissões no período, com 2.002 contratações, das quais 366 foram de mulheres. A Suzano, considerando as operações industriais e florestais no Estado, registrou 1.868 admissões, incluindo 556 trabalhadoras. Já a São José Papel e Embalagens contratou 80 profissionais, sendo 20 mulheres, enquanto a Sylvamo contabilizou 35 admissões, com 13 novas colaboradoras.
Ao todo, as empresas associadas ao SINPACEMS foram responsáveis por quase 4 mil novos postos de trabalho, ampliando a inclusão de profissionais no mercado formal e fortalecendo a presença feminina no setor industrial. Segundo o presidente do sindicato, Elcio Trajano Jr., o desempenho do segmento reflete a importância estratégica da indústria de papel e celulose para o desenvolvimento regional.
“A presença do setor na economia sul-mato-grossense reforça o papel da indústria na diversificação do mercado de trabalho e no desenvolvimento socioeconômico. O impacto positivo vai além dos números, com geração de renda, fortalecimento das cadeias produtivas e ampliação da diversidade de oportunidades”, destaca.
Dados do Governo do Estado indicam ainda que Mato Grosso do Sul possui atualmente a quarta menor taxa de desemprego do país. A rotatividade observada no mercado de trabalho, segundo a avaliação oficial, é característica de um cenário ainda aquecido, impulsionado pela instalação de grandes empreendimentos industriais no território estadual.
O cultivo florestal de Mato Grosso do Sul está concentrado na Costa Leste do estado, entre Campo Grande e a divisa com São Paulo. Segundo o último Boletim Casa Rural da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), nessa região, o eucalipto ocupa mais de 1,89 milhão de hectares distribuídos em 74 municípios, sendo a maior área localizada em Ribas do Rio Pardo (26,8%), seguida por Três Lagoas (19,2%) e Água Clara (10,5%).
Já o cultivo de seringueira soma mais de 25,2 mil hectares em 28 municípios, localizados principalmente no Nordeste do estado. Cassilândia lidera com 25,9% da área plantada, seguida por Aparecida do Taboado (13,5%) e Inocência (8,8%).
Em entrevista do Podcast Agro de Primeira, Junior Ramires, presidente da Reflore/MS, avalia que cultivo de eucalipto vai crescer mais nos próximos anos, fortalecento o setor florestal de Mato Grosso do Sul. Confira as estimativas apontadas na entrevista.
Comércio florestal
Entre janeiro e novembro de 2025, os produtos do setor florestal registraram receita 19% acima do acumulado de 2024. O setor manteve a liderança entre os produtos mais exportados pelo estado, respondeu por 31% das exportações do agronegócio e acumulou US$ 2,85 bilhões em negócios.
A celulose segue como o principal item exportado, com 99,65% da receita acumulada. Na sequência aparecem papel (0,25%) e madeira (0,11%). No período, as exportações do capital florestal somaram US$ 2,858 bilhões.
A China foi o principal destino dos produtos florestais, responsável por 55,3% da receita e pela compra de mais de 3,47 milhões de toneladas. Itália (10,5%) e Países Baixos (5,2%) completam a lista dos maiores importadores.
Ao todo, Mato Grosso do Sul exportou para 44 países, com receita total de US$ 2,858 bilhões e volume de 6,3 milhões de toneladas.
Cotação de eucalipto
A demanda da indústria de celulose sustenta a valorização da madeira no estado, tendência reforçada pela construção de uma nova fábrica em Bataguassu (MS). O preço médio do eucalipto clonal (árvore geneticamente selecionada – maior produtividade) vendido como “árvore em pé com casca” no fechou novembro de 2025 em R$ 179,46/m³.
Já o eucalipto citriodora (espécie aromática – alta durabilidade), usada principalmente na produção de madeira tratada, registrou alta de 5,85% no mesmo período, chegando a R$ 124,38 por metro estéreo. A menor oferta relatada por fornecedores contribui para a elevação dos preços.
Cotação de seringueira
O preço do coágulo de seringueira caiu 7% em dezembro de 2025, e ficou cotado em R$ 4,03/kg no DRC 53% (teor de borracha seca – pureza do produto). As usinas operam com estoques elevados e enfrentam baixa procura da indústria de pneus, impactada pelo aumento das importações.
A maior concentração de plantios de seringueiras está na região nordeste de MS. (Foto: Famasul)
Na Bolsa de Singapura, o TSR20 (borracha natural industrial – referência global) manteve estabilidade no período.
Em novembro, o preço de referência da borracha natural importada recuou 1,1% em relação a outubro. As cotações internacionais caíram 0,6%. Diante disso, o frete marítimo subiu 2,7%, enquanto o frete interno permaneceu estável, desta maneiro o preço final de importação ficou em R$ 12,43/kg.
Por Cícero Ramos é engenheiro florestal e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF).
O problema central do setor florestal brasileiro não é técnico. É institucional e estratégico. Falta hoje uma instância capaz de organizar o setor como sistema, conectando florestas nativas e florestas plantadas sob um mesmo horizonte de decisão e conferindo maior coerência ao diálogo entre governo, mercados e sociedade.
Embora ocupe um único território, o setor permanece organizado de forma fragmentada. Florestas nativas e florestas plantadas integram o mesmo sistema produtivo, ambiental e territorial, mas são tratadas de maneira dissociada pelas políticas públicas federais. Essa dissociação não é apenas conceitual: gera sobreposições regulatórias, reduz a eficiência das cadeias produtivas, enfraquece a governança do setor e limita a conversão dos ativos florestais em vetores de desenvolvimento sustentável.
Na prática, a vegetação nativa é tratada predominantemente sob uma lógica de controle, proteção e autorização de uso, enquanto a silvicultura com florestas plantadas é reconhecida como atividade produtiva vinculada à política agrícola e industrial. O Código Florestal estrutura o uso da vegetação nativa, ao passo que instrumentos de fomento, crédito e organização de cadeias produtivas dão suporte à silvicultura. Trata-se, portanto, de regimes distintos aplicados ao mesmo espaço físico, decorrentes de arranjos institucionais diferentes.
Dessa diferença de enquadramento decorre um efeito direto sobre a ação do poder público. Instrumentos eficazes para um segmento não respondem, necessariamente, às exigências do outro. As florestas plantadas estão inseridas em cadeias produtivas estruturadas — papel e celulose, painéis de madeira, biomassa, carvão vegetal — que operam com planejamento de longo prazo, escala, logística integrada e previsibilidade econômica. Essas cadeias se organizam como atividades econômicas contínuas, com elevada capacidade de mobilização de investimentos privados.
As florestas nativas, por sua vez, operam sob um modelo de governança voltado à gestão, ao controle e à autorização de usos. O manejo florestal sustentável constitui o principal instrumento para a exploração legal e planejada desses recursos, podendo ser aplicado tanto em propriedades privadas quanto em florestas públicas sob regime de concessão. Trata-se de um instrumento técnico inserido em uma lógica regulatória específica, distinta daquela que orienta a silvicultura com florestas plantadas.
Esse distanciamento é frequentemente justificado pelo argumento de que a expansão das florestas plantadas reduz a pressão sobre as florestas nativas. O problema surge quando essa lógica passa a orientar a ação estatal como princípio estruturante, reforçando a percepção de dois mundos: um produtivo e organizado; outro visto apenas sob a ótica da contenção ambiental. Em lugar da integração entre produção e conservação, consolida-se uma lógica de compensação, com efeitos limitados tanto sobre o desenvolvimento econômico quanto sobre a conservação ambiental.
O efeito prático dessa fragmentação é um setor que dialoga com o Estado, o mercado e a sociedade por múltiplas vozes. Florestas nativas e florestas plantadas se organizam em entidades, fóruns e agendas distintas, com baixo nível de articulação estratégica. Isso reduz a capacidade do setor florestal de participar de forma estruturada do processo decisório, justamente quando temas como clima, carbono, bioeconomia, energia e uso do território exigem visão integrada e previsibilidade institucional.
Essa fragmentação também se reflete na comunicação com a sociedade. O manejo florestal sustentável é confundido com o desmatamento ilegal, e os plantios florestais passam a ser associados à ideia de “deserto verde”. Trata-se menos de um problema técnico e mais de uma falha institucional de comunicação pública. Onde a explicação não alcança a sociedade, a percepção se impõe. E dela decorrem a perda de legitimidade pública, a redução do apoio político e a insegurança jurídica.
O desafio, portanto, não é escolher entre florestas nativas ou florestas plantadas. É estruturar uma ação estatal capaz de integrar políticas ambientais, agrícolas, florestais, climáticas e industriais em uma estratégia nacional de desenvolvimento florestal, capaz de alinhar produção, conservação e ordenamento territorial.
Crescer, nesse contexto, é dar consequência prática a essa integração. Não significa expandir um segmento à custa de outro, mas ordenar o setor como unidade, articular políticas hoje dissociadas e conferir-lhe maturidade institucional. Onde essa integração não ocorre, a ação pública produz apenas avanços parciais: fortalece um lado, limita outro e perpetua a fragmentação. O resultado é um setor que avança de forma desigual e permanece limitado como projeto nacional de desenvolvimento.
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