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Mato Grosso do Sul intensifica ações de prevenção a incêndios florestais

Prevenção, treinamento e tecnologia são foco para reduzir incêndios florestais.

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) inicia a preparação da Operação Pantanal 2026, com ações de prevenção e combate a incêndios florestais nos biomas do Estado, que incluem Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. O trabalho envolve manutenção e vistoria de equipamentos, testes de novos recursos, como drones com sensor de calor, e treinamento das equipes.

Segundo o major Eduardo Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA), a pré-temporada é dedicada a “treinamento, capacitação dos militares e readequação dos materiais, visando sempre estar pronto quando for necessário”. O capitão Samuel Pedrozo destaca a importância da manutenção dos equipamentos e testes operacionais para garantir atuação eficiente em todo o território sul-mato-grossense.

Entre as estratégias de prevenção estão a instalação de brigadas de incêndio em propriedades rurais, reativação de bases avançadas e queimas prescritas nos parques estaduais do Pantanal do Rio Negro e das Nascentes do Rio Taquari. “As brigadas disponibilizam conhecimento, equipamentos e técnicas para que moradores e comunidades possam se preparar, reduzindo danos em caso de sinistros”, explicou o major.

O risco de incêndios é potencializado pelo fenômeno El Niño, que aumenta a temperatura e altera o padrão de chuvas. Por isso, o Estado mantém planejamento estratégico com uso de tecnologia, mobilização de equipes por terra e ar e ações preventivas, visando reduzir a ocorrência de focos de calor e proteger a fauna, flora e áreas sensíveis da região.

Informações: Capital News


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BNDES aprova financiamento de R$ 122,55 mi para a Klabin

Recursos vão financiar 14 projetos de inovação até 2027.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 122,55 milhões para a Klabin, empresa brasileira do setor de papel e celulose com ações negociadas na Bolsa. Os recursos, de acordo com a coluna Painel S.A., do jornal Folha de São Paulo, serão destinados a 14 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), com foco em ampliar a produtividade, fortalecer a sustentabilidade e aumentar a competitividade da companhia. Segundo o banco de fomento, a iniciativa está alinhada às diretrizes de estímulo à indústria nacional e busca impulsionar tecnologias e processos mais eficientes no setor.

Investimentos em inovação e sustentabilidade

Parte do montante será aplicada na otimização do processo produtivo da celulose e no aprimoramento das propriedades dos papéis utilizados na fabricação de embalagens, com o objetivo de oferecer desempenho diferenciado. O financiamento também contempla iniciativas voltadas à viabilização da reciclagem e ao avanço de soluções ambientais.

De acordo com o BNDES, os investimentos pretendem consolidar ganhos de eficiência industrial e ampliar o desenvolvimento de tecnologias verdes, reforçando a posição da empresa no mercado nacional e internacional.

Pesquisa florestal e adaptação climática

Cerca de R$ 41 milhões serão direcionados a projetos de pesquisa florestal. Entre as ações previstas estão o melhoramento genético de eucalipto e pínus, além de iniciativas para elevar a qualidade da madeira.

Os resultados esperados incluem avanços no manejo de pragas e doenças e o desenvolvimento de soluções inovadoras para adaptação e tolerância a fatores climáticos adversos, fortalecendo a resiliência das florestas plantadas.

Projetos até 2027 no Paraná e em Santa Catarina

Os projetos financiados serão executados até junho de 2027 nas unidades industriais de Telêmaco Borba (PR) e Otacílio Costa (SC).

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o alinhamento do aporte com a política industrial do país. “Este é mais um financiamento aderente à Nova Indústria Brasil, cujos recursos permitirão que a maior produtora e exportadora brasileira de papéis para embalagens realize investimentos em tecnologias verdes inovadoras para desenvolver novas aplicações para seus produtos”, afirmou.

Segundo a Klabin, o investimento reforça o objetivo de consolidar a empresa como referência em soluções renováveis no Brasil e no exterior, ampliando sua atuação em inovação e sustentabilidade no setor de papel e celulose.


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Eucalipto avança no Brasil e MS se consolida como epicentro da nova fronteira florestal 

Estudo de 2024 aponta que esses empreendimentos podem gerar até 24 mil empregos diretos e indiretos, reforçando o papel estratégico do estado na economia florestal brasileira.

Por: Nathália Santos / Perfil News

O Brasil encerrou 2024 com 8,1 milhões de hectares plantados com eucalipto, consolidando a espécie como a principal cultura florestal do país, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). O crescimento recente tem endereço certo: Mato Grosso do Sul, hoje o principal eixo de expansão da silvicultura nacional.

A região Sudeste concentra 43% das plantações (cerca de 3,5 milhões de hectares), seguida pelo Centro-Oeste, com 22%. No ranking estadual, Minas Gerais permanece na liderança, com 2,2 milhões de hectares (27% do total), reflexo da tradição na produção de carvão vegetal e celulose.

Mas é o Mato Grosso do Sul que mais chama atenção. O estado já soma 1,5 milhão de hectares (19% da área nacional) e respondeu por 80% dos 234 mil novos hectares plantados em 2024. O avanço é impulsionado por uma nova onda de investimentos industriais que vem consolidando o chamado “Vale da Celulose”.

Entre os principais projetos estão:

– Projeto Cerrado, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo;

– Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência;

– Nova fábrica da Bracell, em Bataguassu;

– Expansão da unidade da Eldorado Brasil, em Três Lagoas.

Estudo de 2024 aponta que esses empreendimentos podem gerar até 24 mil empregos diretos e indiretos, reforçando o papel estratégico do estado na economia florestal brasileira.

Enquanto isso, São Paulo mantém posição estratégica como um dos principais produtores, com crescimento orgânico da área plantada no último ano.

Pinus segue concentrado no Sul

Os plantios de pinus totalizaram 1,9 milhão de hectares em 2024, com leve retração de 2%, especialmente no Paraná.

Diferentemente do eucalipto, 89% das áreas estão concentradas na região Sul (1,69 milhão de hectares), favorecida por condições edafoclimáticas ideais.

Fora do Sul, São Paulo abriga os maiores plantios da espécie, com 154,2 mil hectares.

Outras espécies ganham espaço

Além de eucalipto e pinus, cerca de 500 mil hectares são destinados a outras espécies florestais. Destaque para:

– Hevea brasiliensis (seringueira): 247 mil hectares, em crescimento;

– Tectona grandis (teca): segunda maior área, com leve redução;

– Acácia (acácia) e Araucaria angustifolia (araucária): ambas em expansão.

Estrutura fundiária e mercado

A maior parte da área plantada pertence à indústria de celulose e papel, seguida por produtores independentes.

Cerca de 74% das florestas estão em áreas próprias das indústrias, complementadas por arrendamentos, parcerias e contratos de fomento. Apenas 5% da madeira é adquirida via mercado spot, o que garante segurança no abastecimento e previsibilidade ao setor.

Os produtores independentes destinam madeira para múltiplos usos: secagem de grãos, geração de energia térmica, cerâmica e extração de óleos essenciais para cosméticos e medicamentos.

Produtividade entre as maiores do mundo

A produtividade média do eucalipto em 2024 foi estimada em 34,4 m³/ha.ano, com idade média de 6,8 anos, uma das maiores do mundo. O estado menos produtivo registrou 20 m³/ha.ano, enquanto o mais produtivo alcançou 41,3 m³/ha.ano.

No caso do pinus, a média nacional foi de 31,1 m³/ha.ano, com idade média de 16,2 anos.

Esse desempenho é resultado de décadas de investimento em pesquisa, mecanização, agricultura de precisão, melhoramento genético e Manejo Integrado de Pragas (MIP), dentro do conceito de Intensificação Sustentável, que alia ganhos de produtividade à geração de valor ambiental e social.

ILPF: Mato Grosso do Sul como referência nacional

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) somou 65,7 mil hectares em 2024, sendo 55% concentrados no Centro-Oeste, principalmente no Mato Grosso do Sul. O Sudeste aparece em seguida (18%), puxado por Minas Gerais.

Cerca de 73% da área total corresponde a sistemas de Integração Floresta-Pecuária (IFP). O Mato Grosso do Sul reúne mais de 27 mil hectares de IFP, consolidando-se como referência nacional na adoção da técnica.

A ILPF contribui para:

– Mitigação de gases de efeito estufa;

– Recuperação de áreas degradadas;

– Aumento da fertilidade do solo;

– Maior resiliência climática e produtividade integrada.

MS no centro da nova geografia florestal

Os dados da Ibá mostram uma mudança clara na geografia da silvicultura brasileira. Se Minas Gerais mantém a liderança histórica, é o Mato Grosso do Sul que hoje simboliza a nova fronteira de crescimento, combinando expansão industrial, geração de empregos, ganhos de produtividade e inovação em sistemas integrados.

Com novos projetos industriais em andamento e protagonismo na ILPF, o estado se consolida não apenas como grande produtor de madeira plantada, mas como hub estratégico da bioeconomia florestal brasileira.

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Startup transforma micro-organismo do solo pantaneiro em bioinsumo para a silvicultura

Do Pantanal à celulose, empresa fecha acordo com a indústria florestal.

Uma pesquisa iniciada em 2015, a partir do isolamento de um micro-organismo no solo do Pantanal, começa a ganhar escala industrial em Mato Grosso do Sul. A startup Pantabio firmou acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação para adaptar um bioinsumo à base de trichoderma à silvicultura, um dos setores mais estratégicos da economia estadual.

O projeto é resultado de uma trajetória que começou no meio acadêmico. O engenheiro agrônomo Tiago Calves Nunes, CEO da empresa, teve o primeiro contato com o fungo durante o doutorado na Unesp de Ilha Solteira (SP). Depois, aprofundou os estudos na Espanha e na Itália, com pesquisadores especializados em controle biológico.

“O trichoderma já é conhecido no mundo inteiro, mas a gente nunca tinha pensado em isolar microrganismos da região do Pantanal”, afirma. A escolha não foi aleatória. Segundo ele, as condições extremas do bioma — períodos de inundação, estiagens prolongadas e queimadas — podem favorecer a seleção de cepas mais resistentes ao estresse climático, como altas temperaturas.

De volta ao estado, Calves iniciou um pós-doutorado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em parceria com a pesquisadora Dra. Mércia Ikarugi Bomfim Celoto, hoje sua sócia. A equipe isolou 50 microrganismos do solo pantaneiro, fez a identificação molecular e selecionou os mais promissores para testes em laboratório e, depois, em campo.

A Pantabio tornou-se a primeira startup incubada dentro da UEMS. O processo incluiu mentorias e apoio de instituições como Sebrae, Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação(Semadesc) e a incubadora Fênix.

Desafios e Avanços da Startup

A transição do laboratório para o mercado foi um dos principais desafios. “Na graduação e na pós, a gente é treinado para ser pesquisador ou professor. O maior desafio foi mudar a chave e enxergar que a pesquisa também pode virar negócio”, diz.

O avanço mais recente é a assinatura de contrato com a Embrapii, em parceria com empresas do setor florestal, como Arauco e MS Florestal. O objetivo é adaptar o bioinsumo à produção de eucalipto, em um momento em que Mato Grosso do Sul consolida-se como polo da celulose no país.

Apostas para o Futuro

A aposta da empresa é que o uso de microrganismos adaptados às condições locais possa contribuir para aumentar a produtividade sem ampliar a área plantada, reduzindo impactos ambientais e respondendo aos desafios das mudanças climáticas.

Informações: RCN 67

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Indústria de papel e celulose cresce mais de 10% em Minas

Em 2025, resultado significativo está ligado à expansão das exportações das duas gigantes do setor no Estado; entre os maiores desafios do setor estão alta dos custos de mão de obra e de insumos.

Diferentemente do que ocorreu em 2024, quando recuou 0,8%, a produção da indústria de celulose, papel e produtos de papel em Minas Gerais subiu 10,1% em 2025, conforme a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo maior avanço entre as atividades observadas pelo levantamento, atrás do de veículos automotores (12,1%), o que chama a atenção.

Esse resultado significativo está ligado à expansão das exportações das duas empresas do setor em Minas Gerais consideradas gigantes, segundo o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais, Antônio Baggio. Ele afirma que, entre as intermediárias, que são algumas, observou-se uma alta menor, de cerca de 3%, e, entre as centenas de pequenas, o incremento foi ainda menos intenso, de 2%.

De acordo com o executivo, as gigantes no Estado são a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) e a LD Celulose. A primeira produz celulose branqueada de fibra curta de eucalipto no município de Belo Oriente, no Vale do Rio Doce, enquanto a outra tem fábrica de celulose solúvel em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

“Como estas duas empresas citadas cresceram mais e representam muito mais no faturamento, é natural que ‘levantem’ o índice”, destaca. “As empresas menores sofreram com aumentos de custos e falta de mão de obra”, pondera.

As intermediárias, conforme Baggio, são, por exemplo, a Paraibuna Embalagens – fabricante de papel para embalagens e papelão ondulado em Juiz de Fora, na Zona da Mata – e a Klabin – que produz embalagens de papel ondulado em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Já no grupo das pequenas, figuram empresas como a Imballaggio, que fabrica sacos de papel em Lagoa Santa, também na RMBH.

Alta nos custos e escassez de trabalhadores

Sobre os desafios que parte do setor enfrentou, o executivo explica que o papel e as aparas de papel, com as quais se faz papel reciclado, subiram, em média, 18% no ano passado. Além disso, houve aumento dos salários. Esses fatores fizeram os custos crescerem.

Já a escassez de trabalhadores, na visão de Baggio, tem relação com os programas de assistência social do governo federal, como o Bolsa Família e o Gás do Povo. O vice-presidente do Sinpapel diz que, “longe de ajudar os necessitados ou incapazes”, com o que o sindicato concorda, essas iniciativas “acabam beneficiando preguiçosos em sua maioria”.

Copa do Mundo e eleições devem impor obstáculos em 2026

Analisando o cenário para a indústria mineira de papel e celulose em 2026, Baggio crê em um novo cenário de crescimento para o mercado de celulose de fibra curta. No entanto, para os convertedores, isto é, as empresas que transformam papel em sacos e chapas de papelão ondulado em caixas, o ano tende a ser negativo, na avaliação dele.

O executivo afirma que os convertedores sofrerão muita quebra de produção com a Copa do Mundo, época em que o dinheiro do consumidor “some”. Também serão afetados por um agravamento da falta de mão de obra devido às eleições, pois, nesses períodos, existem muitos empregos informais concorrendo com os formais e atraindo os trabalhadores.


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Indústria de papel e celulose segue em expansão e reforça a necessidade de eficiência energética

Estudos apontam que segmento é responsável por 16% do consumo industrial de energia no Brasil. Demanda cada vez maior vai exigir uso estratégico de eletricidade para manter competitividade do setor.

O segmento de papel e celulose no Brasil e no mundo segue em trajetória de crescimento, impulsionado por fatores estruturais como urbanização, aumento da classe média global, mudanças no perfil de consumo e maior demanda por materiais recicláveis e de base florestal. Ao mesmo tempo, a expansão de capacidade produtiva e os novos investimentos previstos ampliam um desafio já conhecido do setor: o alto consumo de energia e a pressão constante sobre os custos operacionais.
Segundo Alisson D´Agostin, gerente técnico da Eletron Energia, o consumo específico do setor ajuda a dimensionar a importância da busca por eficiência energética. A produção de celulose pode demandar cerca de 600 kWh por tonelada, enquanto a transformação em papel exige aproximadamente mais 800 kWh por tonelada. Nesse contexto, pequenos ganhos percentuais se traduzem em impactos relevantes no custo final do produto, influenciando diretamente a competitividade, a previsibilidade operacional e o cumprimento de metas de sustentabilidade.
Estudo divulgado pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel mostra continuidade de crescimento global e protagonismo brasileiro do setor. No cenário internacional, a demanda por celulose permanece aquecida, com destaque para a China, que responde sozinha por mais de 31% do consumo global, superando a Europa, com 21%, e a América do Norte, com 17%. As preocupações ambientais e a busca por soluções mais sustentáveis reforçam o papel estratégico da indústria de base florestal, mesmo em um contexto de incertezas políticas que afetam o comércio global.
O Brasil ocupa uma posição de destaque nesse cenário. Entre 2005 e 2024, a produção brasileira de celulose cresceu a uma taxa média de 4,9% ao ano, com tendência de continuidade nesta década. Nesse mesmo período, o perfil do setor se tornou ainda mais exportador: se em 2005 cerca de 53% da produção era destinada ao mercado externo, em 2024 essa participação alcançou 73%, consolidando o país como o maior exportador mundial de celulose. Apenas em 2024, a produção cresceu 5,2% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações avançaram 2,8% e o consumo aparente interno saltou 12,4%, atingindo o maior volume desde 2005. A China concentrou 44% das exportações brasileiras, seguida pela Europa, com 27%.

Energia como fator crítico de competitividade
Esse ritmo contínuo de crescimento traz consigo um impacto direto sobre o consumo energético. O setor de papel e celulose é um dos maiores consumidores de energia elétrica da indústria brasileira. De acordo com o estudo “A indústria de papel e celulose no Brasil e do Mundo”, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em conjunto com a Agência Internacional de Energia, o segmento responde por 16% de todo o consumo industrial de energia elétrica no país. Em 1970, essa participação era de apenas 5%, o que representa um crescimento médio de 5,4% ao ano até 2020.
Com a perspectiva de novos projetos e ampliações de plantas industriais nos próximos anos para absorver essa expansão constante da produção, a energia deixa de ser apenas um insumo básico e passa a ocupar um papel estratégico. Para Alisson D´Agostin, da Eletron, ainda é comum encontrar projetos que subestimam a importância do planejamento energético, priorizando a redução do investimento inicial em detrimento da eficiência ao longo da vida útil da planta. Esse tipo de decisão pode resultar em desperdícios recorrentes e margens pressionadas à medida que a produção aumenta.

Investimentos e expansão da capacidade produtiva
Para sustentar esse ritmo de crescimento nos próximos anos, o setor projeta investimentos robustos. Estão previstos R$ 105,4 bilhões em aportes no Brasil entre 2024 e 2028, incluindo projetos já concluídos, em andamento ou em fase de implantação. No longo prazo, a combinação entre crescimento demográfico, avanço tecnológico, novas aplicações para a celulose e a centralidade do tema da sustentabilidade indica que a tendência de expansão deve se manter tanto no Brasil quanto no mercado global.
A eficiência energética, segundo Alisson, exige também visão de longo prazo, engenharia aplicada ao processo e, muitas vezes, um investimento inicial maior, compensado por ganhos consistentes e duradouros. “Indústrias que planejam bem o uso da energia conseguem crescer com maior controle de custos, evitando que a expansão da produção venha acompanhada de perdas energéticas”, afirma.

Trabalho especializado
Embora o planejamento interno da empresa visando economizar no consumo de energia seja um passo importante, ele raramente é suficiente para capturar todo o potencial de economia. “A experiência mostra que os melhores resultados surgem a partir de diagnósticos baseados em dados, medições em campo e projetos de engenharia focados nas particularidades de cada processo industrial”, ressalta Alisson, da Eletron. É nesse ponto que a atuação de empresas especializadas se torna decisiva, seja para otimizar plantas antigas, seja para desenhar novas unidades já com sistemas energéticos mais eficientes desde a concepção.
Especializada na elaboração e execução de projetos de eficiência energética para o setor industrial, a Eletron Energia atua de forma integrada, desde o diagnóstico inicial até a execução e o comissionamento das soluções. O processo começa com estudos de viabilidade técnica, que identificam as reais necessidades de cada planta, e avança para o desenvolvimento de projetos que priorizam a redução do consumo específico de energia, medido em kWh por tonelada, sem comprometer a confiabilidade operacional. As soluções incluem automação de equipamentos e sistemas, substituição de motores por versões de alta eficiência e otimizações em sistemas de climatização e processos produtivos.

Informações: Diário Indústria e Comércio


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Jubileu de ouro: há 50 anos, o “ouro verde” africano lançava raízes no Brasil

Por Milton Dino Frank Junior

BELÉM – Em fevereiro de 1976, o que parecia ser apenas um experimento botânico tornava-se o marco zero de uma revolução econômica e ambiental no campo brasileiro. Há exatos 50 anos, a primeira muda de Khaya grandifoliola (anteriormente classificada como Khaya ivorensis) era plantada em solo nacional, dando início ao Jubileu de Ouro do Mogno Africano no Brasil.

O pioneirismo coube à Embrapa Amazônia Oriental (então CPATU), em Belém do Pará. As sementes, trazidas da África Ocidental (região da Costa do Marfim e Nigéria), deram origem às quatro árvores pioneiras que se tornaram a base genética para a expansão da espécie no país.

De Experimento a Ativo Financeiro

O que começou com quatro mudas hoje se transformou em uma potência florestal. Estima-se que o Brasil possua mais de 60 mil hectares plantados com a espécie. O Mogno Africano conquistou o apelido de “Ouro Verde” por ser um dos investimentos de madeira nobre com retorno mais rápido, variando entre 15 e 25 anos, com alta rentabilidade para investidores e produtores rurais.

Por que o Mogno Africano venceu?

Diferente do mogno brasileiro (Swietenia macrophylla), a espécie africana demonstrou características cruciais para o sucesso comercial em larga escala:

  • Resistência Biológica: É altamente resistente à broca-das-ponteiras (Hypsipyla grandella), praga que inviabiliza muitos plantios do mogno nativo.
  • Qualidade da Madeira: Possui tons rosados e excelente trabalhabilidade, sendo amplamente demandada pela indústria moveleira de luxo e naval.
  • Sustentabilidade: O cultivo em florestas plantadas ajuda a reduzir a pressão sobre as matas nativas, servindo como um importante sumidouro de carbono.

O Futuro da Espécie

Cinco décadas depois, o cenário é de consolidação. Eventos realizados pela ABPMA continuam a aprofundar as técnicas de manejo e oportunidades de mercado para a espécie que mudou a cara da silvicultura de madeiras nobres no Brasil.

Como afirmam especialistas do setor, o Mogno Africano não é apenas uma árvore, mas uma “poupança para o futuro”, garantindo recursos e sustentabilidade para as próximas gerações de produtores brasileiros, mas que não passa de um negócio como outro qualquer que para se fazer dinheiro exige muita luta e trabalho.

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Fim do tarifaço? Corte dos EUA barra tarifas que afetavam madeira brasileira

Artigo por Marcelo Schmid

Breaking news! Sextou com o fim do tarifaço!

Embora há alguns meses não lhes trago novidades aqui sobre a questão das tarifas de importação impostas pelo governo dos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros – que tanto afetou e está afetando o setor de base florestal da região sul do país, hoje tenho uma notícia urgente e relevante!

Há poucos minutos a mídia norte-americana divulgou que a Suprema Corte decidiu nesta sexta-feira que o presidente Donald Trump violou a lei federal ao impor unilateralmente tarifas abrangentes em todo o mundo,

A decisão é, sem dúvida, a derrota mais importante sofrida pelo segundo mandato de Trump na Suprema Corte conservadora. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, redigiu o voto majoritário e a Corte concordou por 6 a 3 que as tarifas excediam os limites da lei.

O setor de base florestal brasileiro – em especial da região sul, altamente dependente das exportações de produtos de madeira sólida para os EUA e muito prejudicado pelo tarifaço – pode ter esperanças de que o “pesadelo” chegou ao fim?

Segundo Douglas Charles, conselheiro do Grupo Index nos Estados Unidos e um dos mais importantes executivos aposentados da indústria de base florestal americana, o presidente Donald Trump não pode ir contra a decisão da Suprema Corte.

Sim, muito embora saibamos que subordinação não é o ponto mais forte do chefe do poder executivo dos EUA), me parece que o pesadelo chegou ao fim!

Segundo Charles, que está no Brasil a negócios com o Grupo Index, “o que ele poderia fazer é voltar para o congresso e pedir aprovação das tarifas, o que levaria (provavelmente) anos”.

A questão vai gerar um grande problema para Trump, pois ele cortou impostos pensando nas receitas destas tarifas e vai desbalancear as contas americanas, pois quem já pagou as tarifas, agora formalmente consideradas ilegais, vai querer o reembolso.

E o nosso lado, como fica?

O cancelamento das tarifas vai dar vazão à uma oferta represada de madeira. Dentro do portfólio de negócios do Grupo Index temos 7 transações, em um total de negócios de aproximadamente 2 bilhões de reais, que estão em stand-by por conta do tarifaço! Assim, devemos observar nos próximos meses um super aquecimento de negócios e consequente aumento no preço da madeira.

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Grupo argentino investe em novos equipamentos Valmet para modernizar fábrica e aumentar produtividade

Escopo fornecido pela Valmet inclui uma caixa de entrada, um shaker, equipamentos de automação e camisas de rolo de sucção para elevar a qualidade do papel e ampliar a eficiência operacional.

A Valmet, líder global em tecnologias para as indústrias de processo, fechou um projeto significativo com uma empresa do grupo argentino, que atua com soluções de embalagens. O escopo contempla uma caixa de entrada New IntelliJet V com controle de diluição, um shaker, camisas de rolo de sucção e equipamentos de automação, tais como: QCS, IQ Steam Profiler, IQ Moisturizer Profiler, WMS, WIS e WEM, entre outros. Depois de anos de discussões técnicas e comerciais, o contrato foi assinado em setembro de 2025. 

Os principais desafios do projeto incluíam a parte técnica e, principalmente, a adaptação da proposta comercial à realidade do mercado argentino. “Conseguimos compreender as necessidades do cliente e oferecer a melhor solução técnica, garantindo confiabilidade e aumento de eficiência e qualidade do papel. Além do desafio técnico, a adequação comercial foi um dos pontos mais complexos e que demandou resiliência por parte da Valmet e do cliente. Com o apoio do cliente, ajustamos a proposta em função do cenário econômico local”, explica o Vice-presidente de Serviços da Valmet, Felipe Floriani.

“Estamos muito felizes e orgulhosos em fechar um pacote tão importante para o setor. Esta negociação representa um marco significativo para a Valmet, pois permite consolidar nossa presença no mercado argentino de papel embalagem, um mercado estratégico para a região. É a prova do nosso compromisso em oferecer a melhor tecnologia e suporte para impulsionar a produtividade e a qualidade do papel produzido pelos nossos clientes,” afirma o Diretor de Papel, Packaging e Tissue da Valmet, Rogério Berardi. 

O coração da máquina de papel

A Caixa de Entrada New IntelliJet V reforça o compromisso da Valmet com a qualidade do papel. O equipamento é responsável pela perfeita distribuição das fibras sobre a mesa plana para formação da folha, etapa determinante para a qualidade do papel e o desempenho da máquina.

“A caixa de entrada é considerada por muitos ‘papeleiros’ como o coração da máquina. Com a nova IntelliJet V e seu sistema de diluição, nosso cliente terá ganhos significativos de qualidade, isso tanto no aspecto visual como na redução da variação do perfil de gramatura, e melhora de outras propriedades físicas importantes do papel embalagem. Ou seja, apesar de não ter incremento de produção, a instalação da nova caixa de entrada aumentará a competitividade do nosso cliente”, conta o Gerente de Vendas e Tecnologia da Valmet, Claudio Vitali.

A fabricação ocorrerá no centro de tecnologia da Valmet em Jelenia Góra, na Polônia, e a instalação está prevista para dezembro de 2026.

Resistência operacional

A Valmet também fornecerá camisas de rolo de sucção, que serão instaladas nos rolos prensa da máquina de papel, fabricadas em aço inox duplex especial, material que garante alta resistência à corrosão por fadiga e prolonga a vida útil dos componentes. A necessidade surgiu após a identificação de trincas nas camisas existentes, que aumentavam o risco de parada da máquina.

“O processo de perfuração de alta velocidade na fabricação das camisas Valmet assegura um acabamento preciso, prevenindo a formação de microtrincas”, explica o Coordenador Especialista de Vendas da Valmet, Guilherme Zanzarini. 

Segundo ele, os principais critérios técnicos que garantem a resistência à corrosão por fadiga incluem a seleção rigorosa do material e o processo de perfuração. “A escolha do material é crucial para assegurar um acabamento perfeito nas paredes internas, evitando pontos de concentração de tensão que poderiam comprometer a durabilidade do componente”, acrescenta. 

As camisas são responsáveis por transferir o papel entre as seções da máquina e remover a água durante o processo produtivo. Com os novos componentes, a principal melhoria está no aumento da confiabilidade operacional, assegurando desempenho dos rolos de sucção nas etapas de formação e prensas da máquina de papel.

Qualidade e Performance

Valmet Breast Roll Shaker é um equipamento com mais de 20 anos de pesquisa e desenvolvimento, aplicado para incrementar as propriedades físicas e a qualidade do papel.  O equipamento produz deslocamentos axiais no rolo cabeceira durante a operação da máquina. Os parâmetros de frequência e amplitude de vibração são ajustáveis e permitem uma janela de operação ideal para cada produto, otimizando a performance do equipamento e da máquina de papel em todas as situações. 

As vibrações controladas produzem efeitos capazes de auxiliar na dissolução de aglomerados de fibras, melhoram a formação do papel e, consequentemente, a melhoria das propriedades físicas do papel, permitindo ao cliente operar a máquina com menor gramatura e, ainda assim, mantendo a resistência à tração do papel ou até mesmo operando em gramaturas mais altas, mantendo um padrão de formação ótimo.

Todos estes efeitos combinados levam a uma menor necessidade de refino, menor adição de amido e consequentemente um menor consumo de vapor na secagem, ou seja, maior eficiência e produtividade.

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Suzano quebra novo recorde histórico com mais de 5,8 milhões de toneladas de celulose embarcadas no Porto de Santos

Volume movimentado nos terminais da empresa corresponde a 58,8% de toda a celulose exportada via Porto de Santos.

A Suzano, maior produtora mundial de celulose, quebrou novo recorde histórico ao alcançar a marca de 5,8 milhões de toneladas de celulose embarcadas em seus terminais no Porto de Santos em 2025, um aumento de 41% em comparação a 2024 (4,1 milhões de toneladas). O número colabora diretamente para os resultados do setor no mercado externo: a exportação de celulose fechou 2025 com alta de 21%, totalizando 9,9 milhões de toneladas. Deste total, 58,8% foram de celulose da Suzano, de acordo com dados do Porto de Santos.

“Esses recordes consecutivos são frutos de uma busca constante para melhorar a nossa eficiência operacional, investimentos robustos na modernização e ampliação dos nossos terminais portuários, aliados à determinação e comprometimento da nossa equipe. Na Suzano, temos um direcionador que diz que ‘só é bom para nós se for bom para o mundo’ e, ao ampliarmos a nossa capacidade logística, estamos contribuindo para o fortalecimento da economia nacional e, principalmente, para a geração de trabalho e renda em todas as regiões em que mantemos operações”, destaca Renan Volpatto, gerente executivo de Logística da Suzano.

Os terminais T32 e DPW – este último operado pela empresa DP World –, no Porto de Santos, são responsáveis pelo escoamento da produção das três fábricas da companhia em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo (MS), que somam uma capacidade produtiva de 5,8 milhões de toneladas de celulose/ano, e de Jacareí (SP), com capacidade para produzir 1,1 milhão de toneladas ao ano.

O último recorde registrado pela empresa ocorreu em dezembro de 2025, quando a Suzano alcançou o volume de 481 mil toneladas de celulose embarcadas em um único mês. Esse desempenho representa um crescimento de 2,6% em relação ao recorde anterior, registrado em maio do mesmo ano, quando foram embarcadas 469 mil toneladas de celulose.

Investimentos nos terminais

Para dar vazão ao alto volume de produção, os dois terminais passaram por obras de obras para ampliação e modernização. As obras integraram um amplo pacote de investimentos em logística da empresa, o que possibilitou o aumento da capacidade média de movimentação de carga anual do complexo portuário em 43,48%, passando de 4,6 milhões de toneladas para 6,6 milhões de toneladas anuais de celulose. E incrementou também a capacidade estática em cerca de 42%, saltando de 162 mil toneladas para 230 mil toneladas aproximadamente.

Além dos terminais portuários, os investimentos também englobaram ampliação e melhorias no modal ferroviário, responsável pelo transporte de toda a produção das fábricas da Suzano para os terminais em Santos. “Com os investimentos nos terminais portuários e modal ferroviário, reforçamos nosso compromisso com soluções logísticas mais sustentáveis e eficientes. O uso da ferrovia representa a nossa estratégia de otimizar o escoamento e reduzir as emissões de gases, contribuindo diretamente para o meio ambiente e para combater as mudanças climáticas”, conclui Renan.

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