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Suzano completa 102 anos, uma história de trabalho, sucesso e humildade que entrelaça com Três Lagoas

Com 102 anos de história, a Suzano celebra uma trajetória centenária que se confunde com o desenvolvimento de Três Lagoas e de Mato Grosso do Sul, onde gera cerca de 6 mil empregos, além de outros 4 mil em Ribas do Rio Pardo, e projeta o nome do Brasil como referência global na indústria de celulose e bioprodutos.

A Suzano, maior fabricante de celulose do mundo e referência global na fabricação de bioprodutos a partir do cultivo de eucalipto, está completando neste ano 102 anos de história, mais de um século de vida que entrelaça com Três Lagoas. As duas vivem um casamento de praticamente duas décadas.

Juntas, Suzano e Três Lagoas caminharam lado a lado rumo ao desenvolvimento. Desbravando o mundo da celulose em Mato Grosso do Sul, hoje, fizeram o Estado, principalmente a Costa Leste, ser referência mundial no setor que só cresce cada dia mais no país.

A Suzano leva o nome do Brasil e de Três Lagoas aos cinco continentes, destacando-se pelo pioneirismo tecnológico e arrojo no desbravamento de novas oportunidades de negócios no mundo.

A HISTÓRIA DA SUZANO

David Feffer é presidente do conselho de administração da Suzano Papel e Celulose e usou as redes sociais para parabenizar a empresa fundada em 1924 pelo imigrante ucraniano Leon Feffer. Inicialmente como uma empresa de comércio de papel, a Suzano teve seus rumos alterados a partir de 1939, quando, devido à Segunda Guerra Mundial, a importação de papel foi bastante dificultada.

“É uma data que me faz pensar: quanto mais madura a empresa fica, mais ela precisa de um skill especial. Ela precisa de escuta ativa, ela precisa escutar de verdade. Isso exige atenção, presença e dedicação. Clientes, colaboradores, parceiros, sociedade, a gente precisa que todos consigam se manifestar e temos que escutá-los. Essa ação, com muita humildade, vai nos levar muito longe”, disse.

Em 1941, em um passo ousado (já que dois anos antes teve que renunciar a todos os seus bens para investir no novo negócio), o Sr. Feffer abriu sua primeira fábrica localizada no Ipiranga, em São Paulo.

Oito anos depois, sob a liderança do filho de Leon, Max Feffer, inicia-se a pesquisa para fabricação de papel a partir do eucalipto no Brasil. Em 1955, para sustentar o rápido crescimento, adquiriu uma fábrica em Suzano, na Grande São Paulo, destinada à produção de celulose de eucalipto.

Em 1961, chega a primeira grande conquista internacional. A Suzano se torna a primeira empresa do mundo a produzir papel e celulose com 100% de fibra de eucalipto em escala industrial e, três anos depois, realiza a primeira exportação para a Argentina e, em 1975, começa a exportar para o mercado europeu. Atualmente, a companhia possui doze fábricas e uma joint venture no Brasil, localizadas em Mucuri e Eunápolis (sendo a última Joint Venture Veracel) – BA, Maracanaú – CE; Aracruz e Cachoeiro de Itapemirim – ES; Imperatriz – MA; Três Lagoas – MS; Ribas do Rio Pardo – MS; Belém – PA; e Suzano, Rio Verde, Jacareí, Mogi das Cruzes e Limeira – SP.

“Ser centenário não nos coloca acima do aprendizado, muito pelo contrário. Nós temos a obrigação de seguir em frente como um eterno aprendiz, como eternos empresários, criando, do nada uma startup de 102 anos. Precisa de criatividade e coragem para experimentar. Precisa de responsabilidade para manter o foco naquilo é essencial. Isso é bem complexo! Em alguns momentos, vamos precisar investir mais em determinada coisa, mas não importa. 102 anos é uma vida longa e queremos mais uns cem anos pela frente. Então, nós temos que seguir com nossos valores e acreditando nas nossas premissas”, ressaltou o presidente.

No Mato Grosso do Sul, além da já existente unidade de Três Lagoas, com duas linhas de produção, a companhia concluiu a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, em Ribas do Rio Pardo. Nomeado  Projeto Cerrado, o empreendimento teve investimento de 22,2 bilhões de reais.

A nova unidade tem como um de seus diferenciais a gaseificação da biomassa para substituição de combustível fóssil nos fornos de cal, um novo marco da Suzano em ecoeficiência, que evidencia o compromisso da empresa com as pessoas e com o planeta.

SUZANO CAMINHA AO LADO DO MEIO AMBIENTE

Atenta à evolução do mercado e às mudanças do mundo, a Suzano se tornou referência em sustentabilidade, e, atualmente, é exemplo mundial na fabricação de bioprodutos a partir do cultivo sustentável de eucaliptos. Muito mais do que uma fabricante de papel e celulose, a empresa também encabeça diversos projetos socioeducacionais.

EMPRESA ATENTA AO FUTURO

Outros focos dos recentes investimentos da Suzano tem sido pesquisas em conservação, biodiversidade, água e mudanças climáticas. Desde 1999, ainda sob orientação do Sr. Max Feffer, mantém o Instituto Ecofuturo, e, em 2010, a Suzano adquiriu a FuturaGene, organização pioneira no aumento da produtividade e da sustentabilidade de árvores plantadas para a indústria de base florestal.

Em 2020, a empresa assumiu um conjunto de 15 metas de longo prazo baseadas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU),  que direcionam os esforços da empresa para a renovação da vida, das pessoas e do planeta.

EXEMPLO

A Suzano é um grande exemplo de empresa que nunca parou de se reinventar e crescer. Tanto que, hoje, tem um papel importantíssimo e pioneiro dentro do mundo da sustentabilidade, não apenas no que se refere a seus processos da fabricação, como também na conscientização da sociedade sobre a necessidade de vivermos em um mundo mais harmônico, que combina desenvolvimento e meio ambiente de modo eficaz.

“Só pode ser bom para a Suzano se for bom para o mundo. As relações de qualidade são importantíssimas e a gente precisa agir de forma humilde. O forte gentil é uma forma de ser humilde e ao mesmo tempo empreendedor.

É uma forma que a gente consegue ter resultados potentes para conseguirmos reinvestir o lucro e continuarmos crescendo, gerando emprego e renda. Que a gente continue sendo gentil com as pessoas na forma que agimos, pois a gentileza vai fazer com que os outros nos acolham, nos escutem que as relações sejam melhores e duradoras. Os desafios são muitos, o mundo mudou, o clima mudou e as condições empresariais também mudam.  Portanto é preciso que estejamos preparados para essas mudanças que estão por firma de forma ágil e leve. Sem se culpar olhando para trás, mas aprendendo com as lições anteriores. Com isso vamos construindo nosso futuro”, pontuou o presidente.

ORGULHO

A Suzano é motivo de muito orgulho para todos os brasileiros. Trata-se da maior produtora de celulose do mundo, uma das maiores fabricantes de papel da América Latina e líder de mercado em vários setores no Brasil. Falar da história dessa empresa, é também falar sobre a história da indústria gráfica brasileira e de Três Lagoas. Parabéns, Suzano, pelos 102 anos, e que muitos mais venham.

Informações: Perfil News

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Setor da madeira movimenta R$ 3,17 bilhões e reforça peso econômico em Mato Grosso

Comércio interestadual liderou vendas em 2025, enquanto exportações enfrentaram entraves burocráticos.

O mercado da madeira movimentou R$ 3,17 bilhões em Mato Grosso em 2025, crescimento de 2,86% em relação ao ano anterior. O desempenho reforça a importância econômica do setor no estado, que produziu 16,4 milhões de metros cúbicos ao longo do ano, considerando mercado estadual, interestadual, exportações e venda de madeira em tora.

O principal destino da produção foi o comércio interestadual, responsável por R$ 1,46 bilhão, o equivalente a 46,24% do total comercializado. O mercado interno estadual somou R$ 877,2 milhões, enquanto as exportações alcançaram R$ 596,89 milhões, o que representa US$ 113,01 milhões. Já a comercialização de madeira em tora movimentou R$ 232,1 milhões em 2025.

Na comparação com 2024, o crescimento do setor foi sustentado pelo avanço do mercado interestadual, que registrou alta de 18,89%. Em contrapartida, as exportações recuaram 10,5% e o mercado estadual apresentou queda de 7,92%, segundo dados do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem).

Comércio interestadual sustenta crescimento
Mesmo com a retração em alguns segmentos, o desempenho do mercado interestadual consolidou-se como o principal motor do setor em 2025. O avanço compensou as perdas no mercado interno e nas exportações, garantindo crescimento global da cadeia da madeira no estado.

Ainda assim, as vendas para os Estados Unidos cresceram, apesar do aumento da tarifa de importação, que elevou a taxação de produtos de madeira para até 50%. As exportações para o país passaram de US$ 13,7 milhões em 2024 para US$ 15 milhões em 2025.

Burocracia afeta competitividade externa
A queda nas exportações não está relacionada à falta de mercado ou à irregularidade da produção, pontua o Cipem. O presidente da entidade, Ednei Blasius, ressalta que a cadeia florestal do estado é cada vez mais profissionalizada e opera dentro da legalidade. “O setor florestal de Mato Grosso é cada vez mais profissionalizado, opera com manejo florestal sustentável e sistemas robustos de rastreabilidade”, afirma.

Entre os principais fatores que pressionam as exportações está a inclusão de espécies como Ipê e Cumaru na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que ampliou a burocracia e criou gargalos operacionais. Segundo o presidente do Cipem, “o que temos enfrentado são entraves de natureza institucional”, já que as exigências impactam diretamente a competitividade da madeira brasileira no mercado internacional.

Os principais destinos da madeira mato-grossense foram a Índia, com US$ 51,2 milhões e 156,8 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 15 milhões e 8,5 mil toneladas. A China aparece na sequência, com US$ 11,1 milhões e 18,2 mil toneladas, além da França, com US$ 7,1 milhões e 4,1 mil toneladas, e do Vietnã, que movimentou US$ 5,9 milhões referentes a 9,5 mil toneladas.

Emprego, arrecadação e desenvolvimento regional
No mercado interno, o setor de base florestal segue como uma das principais atividades produtivas em diversas regiões do estado. Mato Grosso conta atualmente com 1.339 estabelecimentos ligados à cadeia da madeira, que empregam 10.323 trabalhadores de forma direta e cerca de 30 mil de maneira indireta.

Em cidades como Colniza, o setor responde por 18% dos empregos formais. “O setor está presente em todo o estado, com empregos gerados em 89 municípios”, afirma Blasius, ao destacar a importância econômica da atividade para o interior. “Por isso é tão importante fortalecer e estruturar o setor para ampliar ainda mais este mercado”, completa.

A cadeia da madeira também contribui para a arrecadação estadual. Em 2025, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) arrecadou R$ 28,5 milhões ligados ao setor, recursos destinados a investimentos em infraestrutura e habitação.

Regulação e qualificação profissional
Para 2026, está prevista a entrega do primeiro guia de coleta botânica de Mato Grosso, que deverá orientar as atividades de base florestal no estado. Paralelamente, o Cipem investe na capacitação profissional por meio do projeto de Formação de Identificadores Botânicos, iniciativa voltada à redução do tempo de registro das espécies e à melhoria da qualidade dos inventários florestais.

Entre as demandas do setor estão a modernização do arcabouço regulatório e a redução de exigências consideradas redundantes. O Cipem defende a extinção do Certificado de Identificação de Madeiras (CIM), emitido pelo Indea, além da migração do Sisflora 2.0 para o DOF+, com maior integração entre os sistemas estadual e federal. No âmbito nacional, o setor também reivindica mudanças em resoluções do Conama para ampliar prazos e eliminar exigências que elevam custos e criam entraves à competitividade da indústria florestal legal.

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Acordo entre Mercosul e União Europeia abre nova janela para a celulose brasileira

O processo de ratificação pode levar seis meses ou mais, e não está descartada a inclusão de salvaguardas e mecanismos de reequilíbrio.

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção (Paraguai), e passa a redesenhar o cenário do comércio exterior brasileiro. Para o setor de papel e celulose, o tratado representa uma oportunidade estratégica de redução tarifária, ampliação de mercado e agregação de valor, com impactos diretos para polos produtores como Mato Grosso do Sul.

Atualmente, a União Europeia já é o segundo maior destino da celulose brasileira, respondendo por 21,1% das exportações do produto, o equivalente a US$ 1,98 bilhão em 2024. Com o acordo, a expectativa do setor é de ganho adicional de competitividade frente a concorrentes globais, especialmente em um mercado reconhecido por pagar preços médios superiores aos praticados na Ásia.

O que prevê o acordo Mercosul–UE
Pelos termos do tratado, a União Europeia se compromete a eliminar tarifas para cerca de 92% das exportações do Mercosul, o que corresponde a aproximadamente US$ 61 bilhões em comércio, em um período de até 10 anos. No caso brasileiro, 82,7% das exportações terão tarifa zero já na entrada em vigor.

Além da celulose, o acordo contempla produtos como carnes, açúcar, etanol, café e manufaturados, ampliando o acesso do Brasil a um mercado de 450 milhões de consumidores. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o acordo pode elevar a participação do Brasil no comércio internacional de 8% para até 36% ao longo dos próximos anos.

Impacto direto na celulose brasileira
Mesmo com uma retração de 12,9% nas exportações de celulose em 2024, a União Europeia manteve sua posição como mercado estratégico. A avaliação do setor é que o acordo tende a estimular a retomada das vendas, sobretudo de produtos com maior valor agregado, como a celulose solúvel, amplamente utilizada pela indústria têxtil sustentável europeia.

Outro fator relevante é o alinhamento do setor florestal brasileiro às exigências ambientais do bloco, como a EUDR (Regulamento Europeu Antidesmatamento), que impõe rigorosos critérios de rastreabilidade. Grandes empresas brasileiras já utilizam ferramentas como monitoramento por satélite, blockchain e cadeias certificadas, o que pode transformar a exigência ambiental em vantagem competitiva.

Mato Grosso do Sul no centro da estratégia
Em Mato Grosso do Sul, onde a celulose é o principal produto da pauta externa, os efeitos do acordo tendem a ser ainda mais expressivos. Em 2025, o estado exportou cerca de 1 milhão de toneladas de celulose para a União Europeia, o que representou 26% de tudo o que MS vendeu ao bloco, com receita total de aproximadamente US$ 1,3 bilhão e saldo comercial positivo de US$ 812 milhões.

A consolidação do chamado Vale da Celulose, com grandes projetos industriais em Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu, reforça a expectativa de diversificação da pauta exportadora, maior integração logística e expansão do superávit comercial estadual.

Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais dos países membros. A França segue como principal foco de resistência, com o presidente Emmanuel Macron alegando risco de “concorrência desleal” para agricultores europeus e defendendo cláusulas-espelho ambientais e sanitárias.

O processo de ratificação pode levar seis meses ou mais, e não está descartada a inclusão de salvaguardas e mecanismos de reequilíbrio. O tratado também prevê que o Acordo de Paris seja elemento essencial, permitindo suspensão em caso de descumprimento climático.

A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.


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O que está escondido no solo pode ser a chave para ressuscitar florestas tropicais

Árvores crescerem até duas vezes mais rápido após o desmatamento, supercarregando a captura de carbono e mudando o jogo das estratégias globais de reflorestamento.

Uma nova pesquisa trouxe um alerta que mexe direto com o futuro das florestas tropicais: o que está “escondido” no solo pode acelerar a volta das árvores depois do desmatamento. Em áreas com nitrogênio suficiente, a recuperação acontece até duas vezes mais rápido, especialmente nos primeiros 10 anos, justamente a fase em que o crescimento define se a floresta engrena ou patina.

E isso não é só uma boa notícia para a paisagem. Crescimento mais rápido significa mais captura de carbono da atmosfera, com impacto direto nas estratégias de reflorestamento. O estudo aponta um caminho de gestão mais inteligente, trabalhando com a lógica da natureza em vez de depender de fertilizantes, que podem gerar efeitos colaterais ambientais.

O que os cientistas acompanharam por até 20 anos

A equipe, liderada pela Universidade de Leeds, montou o que descreve como o maior e mais longo experimento para entender como nutrientes afetam o crescimento de novas florestas tropicais.

O foco foram áreas tropicais previamente desmatadas por atividades como exploração madeireira e agricultura, exatamente os cenários em que a recuperação natural vira uma corrida contra o tempo.

Foram selecionadas 76 parcelas florestais na América Central, monitoradas por períodos de até 20 anos.

Os locais tinham idades e tamanhos diferentes, permitindo observar o processo de recuperação com o passar do tempo, acompanhando crescimento e mortalidade de árvores à medida que as florestas se reconstroem.

Como o experimento testou nitrogênio e fósforo na prática

Para isolar o efeito dos nutrientes, as parcelas receberam tratamentos diferentes: algumas ganharam fertilizante com nitrogênio, outras com fósforo, outras com os dois, e um grupo ficou sem tratamento. Esse desenho permitiu comparar como as florestas respondiam quando o “combustível” do subsolo mudava.

O resultado foi direto: o nitrogênio apareceu como o fator decisivo para acelerar a regeneração, especialmente no início. Já o fósforo, quando aplicado sozinho, não gerou o mesmo salto.

O nitrogênio virou o “motor” das florestas jovens

O ponto mais forte do estudo está no timing. Durante os primeiros 10 anos de recuperação, as florestas com nitrogênio adequado avançaram a uma velocidade aproximadamente duas vezes maior do que aquelas com deficiência do nutriente.

Isso importa porque essa primeira década é a fase em que a floresta define sua estrutura, ganha volume, fecha copa e começa a funcionar como um sistema mais estável.

Se o começo é lento, o retorno do ecossistema inteiro atrasa. Se o começo acelera, o ganho de biomassa e de carbono também acelera.

Por que “crescer mais rápido” muda a captura de carbono

Florestas tropicais são alguns dos maiores sumidouros de carbono do planeta. Quanto mais árvores crescem e acumulam biomassa, mais carbono fica armazenado nas plantas, em vez de circular na atmosfera.

A pesquisa estimou que, se a escassez de nitrogênio estiver freando florestas tropicais jovens no mundo, cerca de 0,69 bilhão de toneladas de dióxido de carbono podem deixar de ser armazenadas por ano.

Os autores comparam essa quantidade a aproximadamente dois anos de emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa do Reino Unido. Ou seja: o “freio” do solo pode custar caro para o clima.

Publicação e quem participou do trabalho

Os resultados foram publicados em 13 de janeiro na revista Nature Communications.

O estudo envolveu pesquisadores de várias instituições, incluindo Universidade de Glasgow, Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, Universidade de Yale, Universidade de Princeton, Universidade de Cornell, Universidade Nacional de Singapura e Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas.

O autor principal, Wenguang Tang, conduziu a pesquisa durante o doutorado na Universidade de Leeds e destacou que existe espaço para aumentar captura e armazenamento de gases de efeito estufa via reflorestamento, olhando com atenção para os nutrientes disponíveis às árvores.

Por que os cientistas não recomendam “jogar fertilizante” na floresta

Mesmo tendo usado fertilizante nitrogenado no experimento, a mensagem é clara: eles não recomendam fertilização de florestas como solução em larga escala.

O motivo é que o uso generalizado pode trazer efeitos colaterais, como emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa potente.

Em vez disso, a proposta é trabalhar com alternativas práticas e alinhadas com a natureza, evitando criar um remédio que gera outro problema climático.

As alternativas “inteligentes” sugeridas pelo estudo

A linha defendida pelos pesquisadores é estratégica: restaurar melhor, não apenas restaurar mais. Entre as opções apontadas, duas ganham destaque:

1) Plantar leguminosas para colocar nitrogênio no sistema naturalmente
A sugestão é usar árvores da família das leguminosas, que adicionam nitrogênio ao solo, ajudando a sustentar o crescimento sem depender de fertilizantes.

2) Priorizar áreas que já têm nitrogênio suficiente
Outra possibilidade é restaurar florestas em locais onde o nitrogênio já é mais abundante, inclusive por efeitos ligados à poluição atmosférica, direcionando esforços para onde a recuperação tende a ser mais rápida.

A lógica por trás disso é simples e forte: não é só plantar árvore, é escolher o terreno onde ela vai disparar.

O timing político: COP30 e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre

O estudo foi divulgado poucas semanas após o encerramento da COP30 no Brasil, quando foi anunciado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado a apoiar países com florestas tropicais na proteção das áreas existentes e na restauração das que foram danificadas.

A pesquisadora principal, Sarah Batterman, professora associada da Escola de Geografia de Leeds, reforça um ponto central: evitar o desmatamento de florestas tropicais maduras deve seguir como prioridade, mas entender como nutrientes influenciam a recuperação ajuda formuladores de políticas a decidir onde e como restaurar para maximizar o sequestro de carbono.

O que isso muda na prática para reflorestamento

A conclusão que fica é incômoda e poderosa: o subsolo pode decidir o sucesso do reflorestamento. Se a estratégia ignora nutrientes, pode acabar investindo pesado em áreas onde a floresta vai demorar muito mais a “pegar no tranco”. Se considera o nitrogênio, pode direcionar ações para acelerar a volta das florestas e aumentar a captura de carbono no ritmo que a crise climática exige.

No fim, a pergunta que vira debate é simples: você acha que os projetos de reflorestamento deveriam priorizar primeiro as áreas onde o solo já dá vantagem para as florestas crescerem mais rápido?

Informações: Click Petróleo e Gás

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Falta de mão de obra em MS vira pauta estratégica no setor florestal e ganha espaço na Mais Floresta ExpoRibas 2026

Setor florestal cresce, mas falta gente: o novo desafio estratégico de MS.

O avanço acelerado do setor florestal em Mato Grosso do Sul trouxe ganhos expressivos em produção, tecnologia e investimentos, mas também expôs um dos principais gargalos da cadeia: a escassez de mão de obra. O que há uma década era um cenário de abundância de trabalhadores disponíveis hoje se tornou um desafio estratégico para empresas de base florestal que operam no estado.

Segundo Germano Vieira, diretor florestal da Eldorado Brasil, a mudança é resultado de uma combinação de fatores. “Nos últimos anos, várias empresas passaram a operar em Mato Grosso do Sul, aumentando muito a demanda por profissionais. Além disso, o estado tem baixa densidade demográfica. A equação entre oferta e demanda mudou completamente”, explica.

Germano Vieira

O cenário é ainda mais complexo porque a escassez não está apenas relacionada ao número de trabalhadores, mas também ao perfil dessa nova força de trabalho. “A geração mudou. O que era aceito há 10 ou 15 anos já não é mais. Hoje, as pessoas buscam conforto, qualidade de vida, propósito e respeito dentro das organizações”, afirma.

Emprego existe, mas a adaptação é o desafio

Mato Grosso do Sul vive, atualmente, uma situação próxima ao pleno emprego no setor florestal. São vagas qualificadas, ligadas a operações cada vez mais tecnológicas, mas que exigem um ecossistema social preparado para receber novos profissionais.

“O problema não é convencer alguém a ir para o estado, é como essa pessoa vai se instalar. Falta moradia, escolas, leitos hospitalares, estrutura urbana. Algumas cidades evoluíram, como Três Lagoas, mas outras ainda enfrentam limitações”, pontua Germano, citando municípios estratégicos como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência e Selvíria.

Germano Vieira e Paulo Cardoso / Arquivo

Diante desse contexto, empresas do setor passaram a assumir um papel ativo não apenas na geração de empregos, mas também no suporte social e na qualidade de vida dos colaboradores.

Eldorado Brasil aposta em atração, qualificação e retenção

Na Eldorado Brasil, a resposta ao desafio da mão de obra veio com a criação do programa “Nossa Gente”, estruturado em quatro pilares: conforto e adaptação, carreira, relacionamento e família.

No campo, as mudanças começam pelo básico. Transporte confortável com internet via satélite, uniformes mais leves e funcionais, alimentação personalizada e alojamentos reformulados — agora chamados de “estações do sono”, com quartos menores, suítes, internet e áreas de descanso. “A ideia é que a pessoa realmente consiga se recuperar e se sentir bem”, explica o diretor florestal.

Outro avanço é a chamada “cabinização” das operações. “Hoje, mais de 70% dos trabalhadores atuam dentro de cabines climatizadas, com conforto térmico e menor desgaste físico. Isso muda completamente a experiência de trabalho no campo”, destaca.

Capacitação contínua e trilhas de carreira

A qualificação profissional também é tratada como prioridade. A Eldorado treina cerca de 3 mil pessoas por ano, número superior ao próprio quadro de colaboradores. Por meio de um sistema acessível pelo celular, o trabalhador pode visualizar trilhas de carreira, entender os requisitos para novas funções e se candidatar a cursos internos de capacitação.

“Hoje, o colaborador consegue enxergar claramente onde está e onde pode chegar. Isso aumenta o engajamento e reduz a rotatividade”, afirma Germano.

A relação entre líderes e equipes também passou por mudanças. A empresa investe na formação de lideranças com foco em respeito, escuta ativa e valorização individual. Iniciativas como o “termômetro da felicidade” buscam medir o clima organizacional e antecipar problemas de retenção.

Família como parte da estratégia

O quarto pilar do programa é a família. A Eldorado tem investido em ações de apoio social, como telemedicina em municípios com baixa oferta de especialistas, além de projetos que aproximam familiares do ambiente de trabalho.

“Queremos que o pai tenha orgulho do filho e que o filho tenha orgulho do pai. Estamos criando programas culturais, educacionais e até visitas dos filhos às áreas operacionais, para que entendam o trabalho realizado”, conta Germano.

Tema central na Mais Floresta ExpoRibas 2026

A falta de mão de obra qualificada e as estratégias para atrair, desenvolver e reter talentos serão um dos temas centrais da Mais Floresta ExpoRibas 2026, que acontece de 18 a 21 de março, em Ribas do Rio Pardo (MS).

Durante os três dias da feira, o assunto será debatido em um pavilhão exclusivo, em parceria com Senar, Sebrae e Senai, reunindo empresas, especialistas, instituições de ensino e profissionais do setor florestal. O objetivo é conectar demandas reais das empresas com soluções práticas em capacitação, qualificação e desenvolvimento regional.

“A Mais Floresta nasce como um hub de tecnologia, negócios e pessoas. Discutir mão de obra é discutir o futuro do setor florestal”, destaca Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações e idealizador da feira.

Para quem quiser se aprofundar no tema e conhecer mais detalhes sobre as ações da Eldorado Brasil, a entrevista completa com o diretor florestal está disponível no link:
https://youtu.be/FQLetLhtFPY?si=pKSpv-Dc8GeNF6tn

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Plano estadual fortalece silvicultura e amplia base de florestas plantadas em Goiás

Estratégia integra políticas públicas, planejamento técnico e articulação institucional para atrair investimentos e fortalecer cadeias florestais no estado.

O Governo de Goiás avança na consolidação da silvicultura com a estruturação do Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal. Apresentada neste mês de janeiro, a proposta inserida na Política Florestal para Goiás está em fase de elaboração e organiza ações estratégicas para ampliar a base de florestas plantadas, fortalecer cadeias produtivas demandantes de madeira, como as de alimentos, construção civil e etanol de milho, além de criar um ambiente favorável à atração de novas indústrias, como as de celulose, papel e painéis.

O plano é estruturado em um contexto de expansão da atividade florestal no país. A construção e a implantação do plano são conduzidas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), além de apoio institucional da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ).

Coordenado pela Seapa, o Plano Diretor Florestal reunirá estudos edafoclimáticos, logísticos e econômicos para orientar investimentos, estruturar zonas produtivas no estado e promover mudanças estruturais e legislativas voltadas à melhoria do ambiente de negócios. A proposta prevê atuação integrada entre órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa e setor produtivo, além da realização de ações de campo, workshops técnicos e diálogo direto com produtores e consumidores de madeira.

Durante o lançamento, o vice-governador Daniel Vilela destacou o momento de crescimento econômico de Goiás e a importância de ampliar a atuação do estado em novos segmentos produtivos. Segundo ele, “o setor de base florestal apresenta demanda global crescente e reúne condições para ampliar a geração de renda e investimentos no estado”.

Titular da Seapa, Pedro Leonardo Rezende ressaltou o caráter técnico do plano e o papel do planejamento na organização do setor. “A iniciativa integra informações estratégicas, articula ações públicas e privadas e cria condições para ampliar a base florestal, dando previsibilidade ao investidor e fortalecendo o abastecimento das cadeias produtivas”, afirmou.

Base produtiva florestal
Em Goiás, a silvicultura tem como principal ativo a produção de lenha. Em 2024, a produção de lenha de eucalipto alcançou 3,2 milhões de m³, com valor de produção de R$ 389 milhões, frente a 3,1 milhões de m³, quando o valor foi de R$ 309,3 milhões no ano anterior. A madeira em tora de eucalipto destinada ao setor de papel e celulose apresentou expansão significativa, passando de 268,5 mil m³ em 2023 para 880,8 mil m³ em 2024. A movimentação financeira evoluiu de R$ 20,7 milhões para R$ 211,3 milhões no mesmo período.

A borracha natural produzida no estado teve participação relevante na silvicultura goiana. Em 2024, foram produzidas 31,3 mil toneladas de látex coagulado, volume próximo ao registrado em 2023, quando a produção alcançou 32,2 mil toneladas. O segmento movimentou R$ 101,2 milhões no último ano. O carvão vegetal também integra a base produtiva, com produção de 3,3 mil toneladas em 2024 e valor de produção de R$ 7,2 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atualmente, Goiás conta com cerca de 123,2 mil hectares de florestas plantadas voltadas à produção florestal, que movimentaram R$ 782,6 milhões em 2024. O setor apresenta potencial de expansão diante da demanda crescente, da disponibilidade de áreas aptas e das condições edafoclimáticas favoráveis do cerrado.

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Focos de incêndio no Pantanal dobram e governo reforça combate em Mato Grosso do Sul 

Bombeiros alertam para risco maior em 2026 e ampliam ações de prevenção.

O governo de Mato Grosso do Sul registrou aumento nos focos de incêndio no Pantanal, com novos casos na região do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, no Nabileque e na área norte de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai. O cenário preocupa por envolver áreas com vegetação já recuperada após os grandes incêndios de 2024 e por conta do período prolongado de pouca chuva.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a intensidade dos focos é maior do que a média histórica para esta época do ano. As equipes de Corumbá já estão atuando no combate direto, enquanto outra frente de trabalho organiza estratégias e ações futuras em conjunto com órgãos estaduais e federais. O uso de aeronaves também ajuda na identificação e no direcionamento das equipes em solo.

Dados do BDQueimadas mostram que, entre 1º e 26 de janeiro, foram registrados 69 focos ativos no Pantanal, contra 34 no mesmo período de 2025, indicando um aumento de 100%. Para enfrentar essa situação, o governo mantém desde 2024 uma estrutura de monitoramento e combate, com reforço logístico, capacitação e integração entre órgãos ambientais.

O estado reforça que a atuação preventiva tem sido fundamental para reduzir os impactos dos incêndios. Em 2025, o Pantanal teve queda no número de focos e na área queimada, com 1.844 focos e 202.678 hectares atingidos, bem abaixo dos mais de 2,3 milhões de hectares consumidos em 2024. O objetivo agora é manter a coordenação e os resultados positivos, mesmo diante do aumento dos riscos neste início de ano.

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Projeto Sucuriú consolida maior investimento da Arauco no Vale da Celulose

Empreendimento de R$ 25 bilhões em Inocência (MS) dará origem à maior fábrica de celulose de linha única do mundo, com início de operação previsto para 2027.

O Projeto Sucuriú representa o maior investimento já realizado pelo grupo chileno Arauco, com aporte estimado em R$ 25 bilhões destinados à implantação da maior fábrica de celulose de linha única do mundo, no município de Inocência, em Mato Grosso do Sul. O início das operações está programado para o final de 2027, quando a unidade atingirá uma capacidade produtiva de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de mercado.

DENTRO DO CRONOGRAMA

Desde o lançamento da Pedra Fundamental, realizado em 9 de abril de 2025, as obras do empreendimento vêm avançando conforme o cronograma estabelecido. Atualmente, o projeto mobiliza cerca de 8.200 trabalhadores diretos, número que deverá ultrapassar 14 mil postos de trabalho ao longo do pico das obras. Após o startup, a operação industrial deverá empregar aproximadamente 6 mil profissionais nas áreas Industrial, Florestal e Logística.

Além de seu impacto industrial, o Projeto Sucuriú tem como propósito impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região conhecida como Vale da Celulose, promovendo geração de renda, ampliação da arrecadação tributária e atração de novos investimentos para o entorno.

MARCOS OPERACIONAIS E AVANÇOS TÉCNICOS

No início de 2026, o projeto registrou avanços relevantes em sua execução. Um dos principais marcos ocorreu em 20 de janeiro, com o içamento de um Feedwater Tank (tanque de alimentação de caldeira).

A atividade é classificada como uma operação crítica de movimentação de cargas pesadas, exigindo planejamento minucioso, utilização de equipamentos especializados e adoção rigorosa de procedimentos de segurança, com o objetivo de preservar a integridade do reservatório e a segurança das equipes envolvidas. Esses tanques desempenham papel essencial no armazenamento e no pré-aquecimento da água que alimenta as caldeiras do processo industrial.

Registro da aplicação da ferramenta “Cascading in Safety”  (Cascateamento de Segurança) nas Caldeiras que envolve uma caminhada de segurança focada na montagem de gruas de alto risco (Foto: Redes sociais)

Outro destaque no cronograma de janeiro foi a aplicação da ferramenta de gestão conhecida como Cascading in Safety (Cascateamento de Segurança). A metodologia foi implementada junto às equipes responsáveis pela montagem das gruas que darão suporte às etapas de construção. A ferramenta tem como finalidade assegurar que os valores, diretrizes e comportamentos de segurança definidos pela liderança sejam disseminados de forma estruturada e contínua para todas as frentes operacionais.

A complexidade das operações é evidenciada pelas dimensões dos equipamentos em instalação. Uma das gruas atingirá 145 metros de altura, enquanto outra, atualmente em operação, alcançará futuramente 121 metros. Essas estruturas demandam rigorosos protocolos de segurança e alto nível de coordenação entre gruas e guindastes, sob gestão integrada dos parceiros Valmet, Grupo ENESA, Logon Engenharia e Gerenciamento Ltda. e Timenow. O conjunto dessas operações dará suporte à montagem da maior Caldeira de Recuperação do mundo.

Paralelamente, o canteiro de obras já começou a receber componentes de pressão destinados à montagem industrial, em uma operação logística de elevada complexidade. Os materiais são provenientes da Finlândia e da China, exigindo planejamento logístico internacional preciso e sincronizado.

Dimensão e impacto do empreendimento

A magnitude do Projeto Sucuriú também se reflete em seus números físicos. A planta industrial ocupará uma área de aproximadamente 300 hectares, equivalente a cerca de 365 campos de futebol. Para sua construção, serão utilizadas cerca de 110 mil toneladas de aço, volume comparável à edificação de aproximadamente 15 Torres Eiffel.

Quando concluída, a unidade produzirá anualmente 3,5 milhões de toneladas de celulose, volume que corresponde, em termos comparativos, à produção de cerca de 20 bilhões de rolos de papel higiênico. As informações institucionais sobre a dimensão do empreendimento têm sido divulgadas nos canais oficiais e redes sociais da Arauco.


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Setor madeireiro em Ponta Grossa: Sindimadeira analisa desafios e projeta futuro da indústria

Radialista em Ponta Grossa, atuou em rádios, TV e sites, com experiência no microfone e nos bastidores. Apaixonado por comunicação, entretenimento e notícias, também é promoter de eventos, assessor de imprensa, destacando-se pela versatilidade e busca constante por aprendizado.

setor madeireiro em Ponta Grossa atravessa um momento de profunda transformação, em meio às mudanças tecnológicas, pressões tarifárias internacionais e a busca por novos mercados. Com uma das cadeias produtivas mais completas do país, os Campos Gerais mantêm papel estratégico no desenvolvimento da indústria da madeira, unindo inovação, tradição e potencial de crescimento sustentável.

À frente dessa articulação, o Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Tanoarias, e de Marcenarias de Ponta Grossa (Sindimadeira), comandado por Álvaro Scheffer Júnior, atua como ponte entre empresas, governo, universidades e fornecedores de tecnologia para fortalecer a competitividade regional.

Scheffer destaca que o Paraná é hoje o polo mais completo do Brasil na utilização integral da floresta, aproveitando desde galhos mais finos até toras destinadas à construção civil. Mesmo com essa estrutura consolidada, o setor sentiu com força os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos — medida que afetou exportações, reduziu turnos de trabalho e levou algumas indústrias à paralisação parcial.

Apesar do cenário difícil em 2025, a expectativa para 2026 é de retomada gradual, especialmente se houver resolução das tarifas. Paralelamente, o setor acelera sua aposta na madeira engenheirada, tecnologia que pode transformar a construção civil brasileira com eficiência energética, conforto térmico e menor impacto ambiental. A certificação nacional da madeira engenheirada, liderada pelo Tecpar, deve impulsionar essa transição.

Outro desafio importante é a tributação: enquanto a construção convencional tem carga de 1% para fins sociais, a construção industrializada chega a 33%, o que limita o avanço de sistemas como Wood Frame e CLT. O Sindimadeira defende equiparação como caminho para destravar investimentos.

A diversificação de mercados também está em curso, com tentativas de realocar produtos antes destinados aos EUA para Europa, China e consumidor interno. Scheffer alerta, porém, que a reconversão é lenta, cara e nem sempre compatível com a escala de produção local.

O dirigente afirma ainda que o setor precisa de avanços em qualificação profissional, energia elétrica estável, ampliação de área plantada e melhorias em infraestrutura — especialmente nas estradas e no transporte público do Distrito Industrial de Ponta Grossa. A cooperação entre governo, indústrias e sindicatos será determinante para transformar a região em referência nacional até 2026.

Para Scheffer, o momento também é oportunidade: a crise tarifária mostrou o valor estratégico da madeira brasileira e reforçou a urgência de fortalecer o mercado interno. Com apoio estatal, inovação contínua e investimentos em industrialização, o setor madeireiro em Ponta Grossa pode liderar uma nova fase de crescimento sustentável e tecnológico.

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Fazenda Cambiju se consolida como referência em manejo florestal sustentável no Paraná

Localizada em Ponta Grossa, a Fazenda Cambiju se destaca como uma das referências paranaenses em manejo florestal sustentável e boas práticas ambientais. Com 5.882 hectares de área total, a propriedade mantém 3.000 hectares destinados ao plantio de pinus, além de extensas áreas de preservação permanente e reserva legal, reforçando o compromisso com o equilíbrio entre produção e conservação. “A média do setor é de um hectare preservado para cada hectare plantado. É a nossa realidade, o que demonstra nosso cuidado com o meio ambiente”, destaca Paulo Henrique Souza, administrador da empresa.

A Cambiju atua em sintonia com padrões internacionais de sustentabilidade. Seus clientes, em sua maioria certificados por órgãos internacionais, exigem o cumprimento rigoroso de normas socioambientais para garantir uma cadeia de custódia de madeira controlada e responsável. “Seguimos critérios definidos por certificadoras, assegurando que todo processo, do plantio à colheita, seja feito com respeito ambiental e social”, explica Souza.

Outro diferencial da empresa é o trabalho de recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), com o controle do pinus em margens de rios e nascentes e o plantio de espécies nativas. Em apenas um ano, foram plantadas aproximadamente 20 mil mudas, fortalecendo o ecossistema local e ampliando a biodiversidade. O processo ocorre em conformidade com a legislação ambiental, garantindo que cada ação esteja dentro dos parâmetros técnicos.

Com todas as áreas mapeadas e manejadas de forma responsável, a Cambiju reafirma seu papel como exemplo de gestão florestal eficiente e ambientalmente consciente. Para o administrador, o futuro do setor depende de uma postura ética e comprometida. “A responsabilidade ambiental dos produtores de pinus é uma preocupação constante. Um manejo bem feito reflete respeito à natureza e assegura que todo processo seja sustentável, mitigando ao máximo os impactos ambientais negativos”, reforça.

Com mais de uma década de dedicação ao setor florestal, a Fazenda Cambiju se posiciona como um modelo de equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental no Paraná. A atuação consistente, pautada em critérios técnicos, respeito à legislação e visão de longo prazo, consolida a Cambiju como referência no setor florestal, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região e inspirando outros produtores a adotarem práticas de manejo conscientes.

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