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Eldorado Brasil recebe Selo Agro Mais Integridade pela segunda vez

Reconhecimento do Ministério da Agricultura destaca boas práticas de ética, sustentabilidade e responsabilidade no agronegócio.

A Eldorado Brasil Celulose foi premiada pela segunda vez com o Selo Agro Mais Integridade, concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em reconhecimento às boas práticas de integridade e ética adotadas pela empresa. A cerimônia de entrega ocorreu nesta quinta-feira (5), na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília, reunindo 52 empresas do setor agropecuário.

A iniciativa do Mapa reconhece empresas, associações e cooperativas do agronegócio brasileiro que se destacam pela adoção de práticas de ética e integridade nas áreas de combate à corrupção, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental.  

De acordo com André Tourinho, o reconhecimento reforça o compromisso da companhia com a transparência e a ética em seus processos. “A premiação pela segunda vez reforça que a Eldorado está alinhada aos valores que orientam a companhia e que também sustentam os altos padrões do agro brasileiro. É um reconhecimento importante ao trabalho que desenvolvemos com responsabilidade e compromisso”, pontua.

O Selo Agro Mais Integridade é coordenado pelo Mapa, por meio da Assessoria Especial de Controle Interno, em parceria com instituições como a Controladoria-Geral da União (CGU), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Também integram o Comitê Gestor da iniciativa a Alliance for Integrity e o Pacto Global – Rede Brasil da Organização das Nações Unidas (ONU), fortalecendo a articulação entre setor público e privado para incentivar práticas responsáveis no agronegócio brasileiro.


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Governo federal deve destinar R$ 24 milhões para combate a incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul

Com previsão de estiagem severa, recursos do governo federal vão reforçar estrutura do Corpo de Bombeiros para prevenção e combate ao fogo no bioma.

A falta de chuva e a estiagem prolongada têm causado preocupação e alerta devido ao tempo seco, que pode aumentar o número de casos de incêndios no Pantanal sul-mato-grossense.

Diante desse cenário, o governo federal deve destinar, nas próximas semanas, R$ 24 milhões para a compra de equipamentos, como mochilas de combate a incêndio, sopradores, caminhões ABTF (Auto Bomba Tanque Florestal), além de EPIs (equipamentos de proteção individual) e GPS de mão, que irão reforçar a atuação das equipes em campo.

Os recursos fazem parte do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais para 2026 e serão destinados ao Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, fortalecendo a estrutura de resposta e prevenção durante o período de estiagem.

Paralelamente, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul vem se preparando para a Operação Pantanal 2026, com a vistoria e reparos de equipamentos, além da incorporação de novos itens que serão utilizados durante a operação. Entre as tecnologias em teste estão drones com sensores de calor, que auxiliam na identificação de focos de incêndio, além da realização de treinamentos específicos para as equipes.

De acordo com o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, a manutenção dos equipamentos é parte fundamental do planejamento da operação.

“Nesse momento de pré-temporada, nós fazemos a preparação, com foco no treinamento e na capacitação dos militares, além da readequação dos materiais para mais uma operação. Tudo isso visando estar sempre prontos quando for necessário”, afirmou.

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Segurança no transporte de celulose e madeira avança com treinamento de motoristas em MS

Informações: Hoje Mais / Vale da Celulose

Empresas do setor florestal investem em capacitação contínua, tecnologia e valorização de mulheres no transporte rodoviário.

O transporte de madeira e celulose em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos da indústria florestal do país, vem sendo fortalecido por investimentos contínuos em segurança e capacitação profissional.

Empresas de transporte e logística que atuam na cadeia produtiva do setor têm adotado programas permanentes de treinamento para motoristas e equipes de apoio, com foco na redução de riscos e na condução responsável nas rodovias do estado.

As ações fazem parte de uma estratégia que une qualificação técnica, tecnologia de monitoramento e boas práticas operacionais para garantir mais segurança tanto para os profissionais do transporte quanto para os demais usuários das estradas.

Treinamento constante fortalece cultura de segurança

A formação de motoristas profissionais é uma das principais ferramentas para garantir a segurança no transporte de cargas florestais. Programas de capacitação realizados por empresas e instituições especializadas incluem cursos teóricos e práticos voltados à condução de veículos de grande porte, como bitrens e tritrens utilizados no transporte de madeira e celulose.

Os treinamentos abordam temas como direção defensiva, legislação de trânsito, condução segura em rodovias, gestão de risco e comportamento preventivo no trânsito. A reciclagem periódica permite atualizar os profissionais sobre novas tecnologias, procedimentos operacionais e normas de segurança.

Além da formação inicial, motoristas e equipes passam por avaliações constantes e programas de aperfeiçoamento que reforçam a responsabilidade e o cuidado no dia a dia das operações logísticas.

Prevenção ao sono ao volante e cuidado com a saúde do motorista

Outro ponto importante nos programas de segurança é a conscientização sobre os riscos da fadiga ao volante. A condução de veículos pesados exige atenção permanente, e o cansaço pode comprometer reflexos e capacidade de reação.

Por isso, empresas do setor reforçam orientações sobre descanso adequado, pausas durante as viagens, hidratação e planejamento da jornada de trabalho. A qualidade do sono e o equilíbrio físico e mental dos motoristas são fatores fundamentais para manter a segurança nas estradas.

Procedimentos operacionais reduzem riscos nas rodovias

Além da capacitação profissional, o transporte florestal segue protocolos operacionais rigorosos que ajudam a garantir a segurança das cargas e das viagens.

Entre as principais práticas adotadas pelas empresas estão:

• verificação da trava e amarração das toras de madeira antes do início do transporte
• inspeção técnica dos veículos antes das viagens
• controle de velocidade operacional nas rodovias
• manutenção preventiva periódica dos caminhões
• distanciamento seguro entre caminhões durante o deslocamento
• monitoramento das rotas por sistemas de rastreamento
• comunicação constante entre motoristas e equipes de apoio

Essas medidas ajudam a prevenir acidentes e garantem maior estabilidade das cargas durante o transporte entre áreas florestais, centros logísticos e unidades industriais.

Presença feminina cresce no transporte florestal

Outro movimento importante observado no setor é o aumento da participação feminina nas operações de transporte. Cada vez mais mulheres têm assumido funções como motoristas de caminhões de grande porte, condutoras de ônibus corporativos e profissionais de apoio logístico nas empresas do setor florestal.

A presença feminina no transporte de madeira e celulose representa um avanço importante na inclusão e na diversidade dentro de um segmento historicamente dominado por homens.

Além de conduzirem caminhões que transportam madeira e celulose, muitas profissionais também atuam no transporte de trabalhadores do setor florestal, contribuindo diretamente para o funcionamento das operações e reforçando a cultura de segurança nas estradas.

Programas de formação e capacitação também têm incentivado a entrada de mulheres na profissão, ampliando oportunidades e fortalecendo a qualificação da mão de obra no transporte rodoviário.

Segurança que protege trabalhadores e comunidades

Com o crescimento da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, o fluxo de caminhões nas rodovias que conectam áreas de plantio, centros logísticos e fábricas também aumentou. Nesse cenário, o investimento em segurança viária tornou-se uma prioridade para empresas e transportadoras.

Treinamento constante, tecnologia de monitoramento, manutenção dos veículos e valorização dos profissionais do transporte são fatores que contribuem para tornar as estradas mais seguras.

Mais do que transportar cargas, motoristas e equipes de apoio desempenham um papel fundamental na construção de uma logística responsável, que busca eficiência sem abrir mão da segurança nas rodovias do estado.


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Do preconceito à valorização: mulheres encontram novas oportunidades no setor florestal de MS

Informações: G1

Cargos antes ocupados exclusivamente por homens passam a ter mulheres como protagonistas, principalmente, na produção de eucalipto.

O dia 8 de março marca a luta das mulheres na busca por conquistas sociais, políticas e trabalhistas. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, e também traz na pauta debates como igualdade de gênero, combate ao machismo e à violência.

Nas questões trabalhistas, por exemplo, as mulheres passaram a ganhar espaços em contextos profissionais antes dominados homens. Em Mato Grosso do Sul, um dos setores que registram esse novo cenário é o florestal. Do preconceito à valorização, são muitas as histórias de conquistas profissionais de mulheres no setor.

Joérica Travasso de Moreira é um desses exemplos. Ela se mudou de Laranjal do Jari, no Amapá, para Água Clara e conquistou vaga para atuar na colheita, na MS Florestal, empresa voltada à produção de madeira de eucalipto destinada à fabricação de celulose.

“Me mudei para Água Clara em busca de uma oportunidade. Na minha região, além da falta de vagas, sofri bastante preconceito por ser negra e pela minha orientação sexual. Aqui na MS Florestal, me sinto acolhida e valorizada por todos. Estou muito feliz e todos deveriam valorizar essa oportunidade com todas as forças”, comenta Joérica.

Na ASJ Florestal, em Nova Andradina, 25% dos 130 funcionários são mulheres. No viveiro da empresa, localizado no distrito de Nova Casa Verde, elas representam 90% da equipe. A engenheira florestal Bárbara de Souza Marques, que também atua na área de segurança do trabalho, conhece de perto os desafios.

“Creio que a maior dificuldade seja ainda o setor ser considerado um ambiente predominantemente masculino. Em cargos técnicos, a gente já ocupa uma boa parte, mas ainda vemos essa dificuldade de acessar esses cargos da alta gestão”.

Rayane Aparecida Silva Menezes, 28 anos, engenheira florestal e pesquisadora de desenvolvimento de produto da ArborGen, trabalha com melhoramento genético do eucalipto.

“Em alguns momentos, ser a única mulher exigiu uma fala mais firme (…). Ainda assim, posso afirmar com convicção que nós, mulheres, também temos capacidade técnica e física para atuar nessa área”.

Estatísticas

Mato Grosso do Sul registrou aumento na contratação de trabalhadores da agropecuária em 2025. O cultivo de eucalipto respondeu por 55% dessas vagas, metade de todos os empregos formais do setor no estado. Grande parte dessas contratações é formada por mulheres de diferentes regiões do país, que buscam estabilidade, independência e valorização profissional.

O avanço também é impulsionado pelo peso econômico da atividade. No beneficiamento de eucalipto, Mato Grosso do Sul liderou as exportações brasileiras em 2025.

Segundo a plataforma Comex Stat, o estado embarcou 6,8 milhões de toneladas — 33,8% do total nacional. O volume é mais que o dobro do registrado por São Paulo, segundo colocado, com 3,4 milhões de toneladas. Enquanto o Brasil cresceu 11,4% no setor, Mato Grosso do Sul teve alta de 48,7% em relação ao ano anterior.


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Celulose puxa exportações e contribui para superávit de R$ 903 milhões na balança comercial de MS

Em números, as exportações do Estado nos dois primeiros meses de 2026 somaram US$ 1,43 bilhão e as importações, US$ 530,57.

Mato Grosso do Sul manteve um lucro positivo na balança comercial do Estado de US$ 902,38 milhões no acumulado até o mês de fevereiro deste ano.

O superávit foi puxado pelas exportações no período que somaram US$ 1,43 bilhão, puxado pela celulose (32,31% da pauta exportadora), pela carne bovina fresca (22,2%) e pela soja (13,79%), produtos que lideraram as vendas externas sul-mato-grossenses. 

Ao todo, a quantidade de produtos exportados pelo Estado chegou a 3,86 milhões de toneladas, valor 14,26% maior que o registrado em fevereiro de 2025. 

Os dados foram divulgados pela Carta de Conjuntura do Setor Externo do mês de fevereiro, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). 

O principal destino dos produtos estaduais continuou sendo a China, responsável por 37,76% das exportações. Em seguida, aparecem os Estados Unidos, com 10,16% e os Países Baixos, com 4,4%. 

O principal porto de exportação foi o Porto de Santos, responsável por 42,75% do total exportado pelo Estado. Outros portos importantes incluem o Paranaguá (36,30%), São Francisco do Sul (7,13%) e IRF Imbituba (2,52%). 

A indústria de transformação apresentou uma variação positiva de 3,12% no preço exportado e 6,27% do volume das exportações. O setor agropecuário também apresentou incremento no preço (9,62%) e nas quantidades exportadas (17,4%). 

A Indústria Extrativa foi o único setor com desempenho negativo, com preço em retraçaõ de 49,05%. Porém, a quantidade exportada registrou aumento de 24,68%. 

Três Lagoas foi o maior município exportador, sendo responsável por 21,63% das exportações, seguido por Ribas do Rio Pardo (14,85%), Dourados (9,22%) e Campo Grande (8,99%). 

Segundo a pasta, “Mato Grosso do Sul tem exibido um sólido desempenho nas exportações, impulsionado por commodities e produtos agrícolas. O constante superávit comercial destaca a capacidade econômica do Estado”. 

Importação

Quanto aos produtos comprados pelo Estado, o acumulado em fevereiro de 2026 foi igual a US$ 530,57 milhões, um aumento de 35,36% em relação aos dois primeiros meses do ano passado, quando registrou US$ 391,94 milhões.

Segundo a Semadesc, esse movimento está associado principalmente à aquisição de bens de capital e equipamentos industriais.

Quanto às quantidades, em 2026 já foram importadas 699,31 toneladas de produtos, valor 3,99% inferior à do mesmo período em 2025. 

Pela segunda vez na série histórica, o gás natural deixou de ser o principal produto importado, dando lugar às “caldeiras de geradores de vapor”, responsáveis por 23,72% das importações. Em seguida, aparece o gás natural (23,62%) e o cobre (7,5%). 

Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o desempenho da balança comercial com valor excedente de mais de US$ 900 milhões demonstra a capacidade produtiva do Estado e a dinâmica de investimentos na economia estadual. 

“Mato Grosso do Sul mantém crescimento no volume exportado e amplia investimentos industriais, evidenciados pelo aumento das importações de bens de capital. Esse movimento demonstra a expansão das cadeias produtivas e a consolidação do Estado como um dos principais polos agroindustriais do país”, afirmou. 

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Império do Mogno Africano começa a desmoronar mas isso não significa fracasso

Por Milton Dino Frank Junior

Promessas de rendimentos milionários e “aposentadoria verde” enfrentam o choque de realidade de investidores que subestimaram o manejo, o tempo e os riscos biológicos.

O Mogno Africano (gênero Khaya) foi vendido por anos como o investimento perfeito: resistente, valioso e com retornos que poderiam ultrapassar R$ 1,0 milhão por hectare ao final do ciclo. No entanto, o “ouro verde” está se tornando um pesadelo para quem entrou no negócio com mentalidade especulativa de curto prazo.

A armadilha: 

Muitos investidores foram atraídos por promessas de lucros exorbitantes sem o devido alerta sobre a complexidade do manejo mesmo porque a maioria deles não tinham tradição florestal, e isso os levou a eles acreditarem no erro do “plantar e esquecer”, que passava a ideia de que a floresta cresceria sozinha, garantindo a aposentadoria, só que quando a parte de execução entrou em ação muitos investidores abandonaram suas áreas que hoje valem pouco ou nada, a não ser o valor da terra.

O Mito do Lucro Antecipado: A Frustração dos Primeiros Cortes

“Um dos pilares das planilhas de investimento do Mogno Africano era a promessa de que os desbastes iniciais (entre 7 e 10 anos) pagariam os custos de implantação da floresta. A realidade, contudo, revelou-se um ‘balde de água fria’. Relatos de produtores que buscaram o mercado recentemente indicam que a madeira jovem — composta quase inteiramente por alburno (madeira clara e macia), sem cerne formado e com baixa estabilidade dimensional — tem valor comercial irrisório.

Em vez dos preços de madeira nobre prometidos, muitos desses produtores receberam ofertas comparáveis às de madeiras para caixotaria ou escoras de construção civil. ‘O mercado não compra potencial, compra realidade tecnológica’. Sem cerne, a madeira de 8 anos não atende à indústria de móveis de luxo, restando apenas o mercado de biomassa (lenha) ou usos rústicos, onde o valor pago sequer cobre os custos de derrubada e transporte.”

Casos de abandonos e desistencias

Como faço um registro de áreas plantadas de mogno africano espalhadas pelo Brasil, tenho conhecimento que 18 produtores abandonaram suas áreas, 22 cortaram a madeira aproveitaram o que deu para lenha e partiu para outra cultura, e 9 produtores desejam vender suas terras que já estão com idade acima de 10 anos de plantio.

Como estou enxergando esta realidade?

Como relatei 49 casos que eu conheço, vou tentar explicá-los sobre a ótica de quem viveu misturado com minha opinião pessoal.

  • O Abandono (18 produtores): Este é o nível máximo de negligência. Representa quem entrou no negócio como se fosse uma “criptomoeda verde”. Ao perceberem que o Mogno exige manutenção anual (combate a formigas, aceiros, podas e desbaste) e que o retorno não é imediato, preferiram o prejuízo total à continuidade do custo operacional dos primeiros anos.
  • A Capitulação Radicial (22 produtores): O fato de cortarem árvores de alto valor potencial para vender como lenha é o maior atestado de erro de planejamento e falta de caixa para tocar o projeto. Transformar madeira nobre em biomassa é um “suicídio financeiro” que indica que o produtor não tem mais fôlego para esperar o ciclo de 20-24 anos ou que a floresta foi tão mal manejada que não atingiu diâmetro para serraria.
  • A Saída Estratégica / Desespero (9 produtores): As áreas com mais de 10 anos são o “filé mignon” do investimento, mas o desejo de venda agora sugere que o proprietário atingiu o limite da sua paciência ou capacidade de investimento justo na reta final. Para o mercado, isso cria uma oportunidade para investidores profissionais comprarem ativos biológicos com desconto.

O que podemos prever para o futuro de quem continua no Projeto?

Para quem permanece no projeto com uma visão profissional, o futuro reserva uma consolidação de mercado onde a escassez de madeira de qualidade será o maior trunfo do produtor.

Está Ocorrendo uma Seleção Natural de Produtores

É nítido a saída dos “aventureiros” e isso diminui a oferta futura de madeira de baixa qualidade (lenha), valorizando quem aplicou o manejo correto no futuro. Com isso também haverá menos concorrência amadora significa e maior poder de barganha para quem tiver madeira com diâmetro e fuste (tronco) de padrão internacional.

Haverá uma Valorização Pelo Ciclo Biológico

Entre o 20º e 24º ano, o ativo atinge sua maturação biológica e comercial máxima.
A madeira seca ao ar livre, que em 2009 valia 595 euros/m³, saltou para 1.239 euros/m³ em 2022, indicando uma tendência de alta contínua no mercado global, mas este não será o preço de venda do mogno plantado no Brasil, mesmo porque este preço é o do mogno nativo de Gana que é Khaya ivorensis e não Khaya Grandifoliola ou senegalensis que são as espécies cultivadas aqui. Os produtores terão de lutar por um bom preço de venda para sua madeira.

O Produtor terá de ter Consciência do Mito da Equivalência Automática

A comparação de preços com o mogno de Gana (Khaya ivorensis) foi o grande motor das planilhas de venda de mudas há 15 anos. No entanto, o mercado internacional é extremamente conservador e segmentado por Gênero + Espécie + Origem:

Madeira Nativa vs. Cultivada: O mercado europeu paga prêmio pelo K. ivorensis nativo devido à densidade e estética desenvolvidas em séculos. O mogno cultivado no Brasil (K. grandifoliola e senegalensis) ainda precisa “provar seu valor” em escala industrial.

Propriedades Tecnológicas: O preço de 1.239 euros/m³ é para uma madeira com propriedades mecânicas consolidadas. O produtor brasileiro terá que gastar energia e recursos em testes laboratoriais e certificações para provar que sua madeira de 20 anos tem a mesma estabilidade e cor da africana nativa.

O produtor não vai apenas “vender”; ele terá que negociar.

Como obter sucesso no futuro?

Existe uma esperança real, mas ela não é para o “investidor de papel”, e sim para o produtor florestal. A “morte” do sonho amador abre espaço para o nascimento de uma indústria profissional no Brasil.

Aqui estão os três caminhos onde vejo esperança promissora:

A Escassez Global de Madeira Nobre

O mercado mundial de madeiras tropicais nativas está fechando. O cerco contra o desmatamento ilegal na África e na Amazônia é irreversível.

A oportunidade: Quem tiver uma floresta de Khaya manejada, com 20+ anos e certificada, terá em mãos um produto que o mundo quer, mas que quase ninguém terá para entregar com legalidade garantida. O preço pode não ser o de Gana, mas será muito superior ao de qualquer espécie comum.

A Curva de Aprendizado e a Industrialização

Otimização: Os produtores que ficaram aprenderam que não basta plantar; é preciso processar. A esperança reside na criação de serrarias móveis especializadas e estufas de secagem cooperativas. O lucro não está no tora (árvore em pé), mas na madeira serrada e seca, que agrega até 300% de valor ao produto bruto.

O “Filtro” Necessário

A esperança é promissora para quem tratar o Mogno como agronegócio sério (como soja ou café), e não como uma “loteria verde”. O futuro pertence a quem conseguir consolidar essas áreas fragmentadas e oferecer ao mercado externo um volume constante e padronizado.

Conclusão: O Despertar do Realismo Florestal

O desmoronamento do “sonho do lucro fácil” com o Mogno Africano não deve ser visto como o fim da espécie no Brasil, mas como o fim da era da ingenuidade. Os números de abandonos e a conversão de áreas nobres em lenha são cicatrizes de um aprendizado caro: a silvicultura de elite não tolera o amadorismo.

A esperança para o futuro não reside em promessas de enriquecimento sem esforço, mas na profissionalização. Para os produtores que resistem e mantêm suas florestas com rigor técnico, o prêmio está logo ali. À medida que as fontes de madeira nativa secam sob o peso das restrições ambientais globais, o mogno cultivado, manejado e certificado surgirá como um ativo estratégico e escasso.

O futuro pertence àqueles que compreendem que o “ouro verde” não nasce da sorte, mas do tempo, da paciência e da técnica. A poeira dos projetos fracassados está baixando, e o que restará são florestas reais, prontas para atender a um mercado que paga pela qualidade, não pela ilusão. O sonho não acabou; ele apenas, finalmente, caiu na real.

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Mulheres são a força estratégica da restauração florestal brasileira

O protagonismo das mulheres é reforçado quando criamos espaços seguros para sua participação na tomada de decisões coletivas, promovemos oportunidades de capacitação nas áreas de gestão e liderança.

A restauração florestal no Brasil consolidou-se como uma das principais estratégias de enfrentamento da crise climática, de recuperação de ecossistemas e de fortalecimento das economias rurais. Nesse processo, a participação das mulheres tem sido decisiva em etapas estratégicas da cadeia da restauração, como a coleta e o beneficiamento de sementes, o manejo de viveiros comunitários e a organização dos arranjos produtivos locais que sustentam os projetos nos territórios.

Estudo da  Embrapa Florestas, com base nos dados do Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) e da RAIS, indica que, entre 2010 e 2021, as mulheres responderam por cerca de 21% da força de trabalho formal do setor florestal brasileiro. Pode parecer pouco, mas esses dados adquirem maior relevância quando analisados à luz das desigualdades históricas de acesso das mulheres à terra, ao crédito e à assistência técnica no campo.

Nesse contexto, a restauração florestal tem se mostrado um campo fértil para o protagonismo comunitário, e especialmente, feminino. Projetos bem-sucedidos têm sido capazes de promover o desenvolvimento econômico, fortalecendo e diversificando os meios de vida locais, seja através da oferta de empregos na própria cadeia da restauração, ou do desenvolvimento de cadeias de valor a partir de recursos da sociobiodiversidade.

O beneficiamento de sementes nativas, etapa estratégica da cadeia da restauração, constitui-se essencialmente como uma atividade de base familiar e comunitária, sendo que as mulheres representam cerca de 60% dos coletores de sementes em todo o país, de acordo com levantamento da Rede de Sementes do Cerrado (RSC). Na maioria das redes e grupos de coletores, as mulheres respondem não apenas pela coleta em si, mas pela organização dos grupos, pelo controle de qualidade, pela gestão dos recursos e pela transmissão de conhecimentos locais e tradicionais.

Essa contribuição ocorre em meio a uma rotina marcada pela sobreposição de afazeres. As mulheres rurais conciliam o trabalho produtivo no campo com o cuidado da casa, dos filhos, dos idosos, a gestão da alimentação, o manejo dos quintais produtivos e, muitas vezes, atividades comunitárias e associativas. Nesse contexto, a coleta de sementes nativas configura-se como uma atividade complementar às demais práticas produtivas, ampliando e diversificando as fontes de renda das famílias envolvidas.

O engajamento feminino não ocorre por acaso. Ele se conecta à trajetória histórica das mulheres na agricultura familiar, no manejo agroecológico e na conservação da biodiversidade. Ao longo de gerações, foram elas as principais responsáveis pela diversificação produtiva, pelo cuidado com o solo, pela seleção de sementes e pela manutenção de sistemas agrícolas mais resilientes – competências que dialogam diretamente com os princípios da restauração florestal em larga escala.

Além disso, iniciativas de base comunitária tendem a criar ambientes mais favoráveis à liderança feminina do que modelos produtivos altamente mecanizados ou concentradores de renda. Arranjos de governança adequados e abordagens colaborativas promovem confiança e inclusão, e permitem que mulheres assumam posições centrais na produção, na articulação local e na gestão coletiva. Esse envolvimento nas atividades de restauração ecológica e conservação ainda aflora valores relacionais e de pertencimento ao território.

A experiência da Ressemear, rede de coletores de sementes nativas vinculada ao Instituto Black Jaguar, ilustra essa dinâmica. Com ampla participação feminina, mais de 70% dos coletores capacitados e atuantes são mulheres da agricultura familiar, demonstrando como projetos de restauração podem, simultaneamente, recuperar paisagens e promover inclusão social.

O protagonismo natural das mulheres é reforçado quando criamos espaços seguros para sua participação na tomada de decisões coletivas, promovemos oportunidades de capacitação nas áreas de gestão e liderança, garantimos remunerações justas e a distribuição equitativa de benefícios, além de incentivarmos a participação dos jovens – filhos e netos – nas atividades da rede de sementes. Valorizar a participação feminina na restauração florestal não é apenas reconhecer uma realidade já existente. É compreender que a efetividade das metas ambientais brasileiras passa, necessariamente, pelo fortalecimento dessas lideranças, com igualdade de acesso a oportunidades. Sem equidade de gênero, não há restauração em escala nem sustentabilidade de longo prazo.

Fonte: O Eco

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Plano de Desenvolvimento Florestal avança em Mato Grosso

Grupo de trabalho define metas e indicadores do Plano de Desenvolvimento Florestal para ampliar investimentos e segurança jurídica no setor.

Plano de Desenvolvimento Florestal de Mato Grosso avançou para uma nova etapa técnica após a 2ª reunião do grupo de trabalho responsável pela elaboração do documento, realizada na terça-feira (4), conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT). O encontro reuniu representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) para consolidar o documento-base que orientará a política florestal do estado.

Conforme apurado pela reportagem em informações oficiais da Sedec-MT, a reunião discutiu ajustes técnicos no Plano de Desenvolvimento Florestal, incluindo a definição de metas, indicadores e um plano de ação estruturado. A proposta busca ampliar a segurança jurídica para investidores e produtores florestais, além de garantir previsibilidade regulatória diante das exigências de licenciamento ambiental e da comprovação de origem sustentável da matéria-prima utilizada por indústrias do setor.

Setor florestal e investimentos

Durante a reunião técnica, foram apresentados dados sobre a retomada de investimentos em florestas plantadas no estado. Segundo a Sedec-MT, projetos voltados à expansão da base florestal já foram encaminhados ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) por meio de cartas-consulta aprovadas nas etapas preliminares de análise.

Plano de Desenvolvimento Florestal pretende estruturar políticas públicas que estimulem a produção sustentável de madeira e derivados, ao mesmo tempo em que fortaleçam cadeias industriais ligadas ao setor. A estratégia inclui integração entre governo, produtores rurais, indústria e instituições de financiamento.

Diretrizes para competitividade e sustentabilidade

A secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Sedec-MT, Linacis Vogel Lisboa, afirmou em nota oficial que a consolidação do plano representa um avanço estratégico para a política florestal estadual.

“A construção do Plano de Desenvolvimento Florestal representa um passo estratégico para Mato Grosso ao estabelecer diretrizes claras para o crescimento do setor, conciliando produção e sustentabilidade. O PDEF contribui para ampliar a competitividade, atrair novos investimentos e garantir maior previsibilidade aos empreendedores”, declarou a gestora.

Segundo o cronograma apresentado durante a reunião, as instituições participantes terão até 13 de março para encaminhar contribuições técnicas ao documento. Após a consolidação das sugestões, uma nova versão do Plano de Desenvolvimento Florestal será submetida à validação final, com previsão de publicação ainda neste mês.

O que é o Plano de Desenvolvimento Florestal

Plano de Desenvolvimento Florestal é um instrumento de planejamento voltado à organização da cadeia produtiva de florestas plantadas e manejo sustentável. Entre os objetivos do plano estão:

  • estimular a expansão de florestas plantadas para suprimento industrial;
  • fortalecer a segurança jurídica para investimentos no setor;
  • integrar políticas ambientais e econômicas ligadas ao uso sustentável da terra;
  • definir metas e indicadores de crescimento da base florestal.

Fonte: Cenário MT

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Com destaque para a celulose, exportações de MS atingem US$ 1,43 bilhão

Mato Grosso do Sul registrou US$ 1,43 bilhão em exportações no acumulado até fevereiro de 2026 e manteve superávit de US$ 902,38 milhões na balança comercial. O resultado reflete a força das cadeias agroindustriais do Estado, com destaque para a celulose (32,31% da pauta exportadora), carne bovina fresca (22,2%) e soja (13,79%), que lideram as vendas externas sul-mato-grossenses. Os dados constam na Carta de Conjuntura do Setor Externo do mês de fevereiro, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base nas informações do sistema Comexstat.

Um dos destaques do período está no comportamento das importações. Pela segunda vez na série histórica sul-mato-grossense, o gás natural deixou de ser o principal produto importado pelo Estado. O item de maior participação nas compras externas passou a ser “caldeiras de geradores de vapor”, responsáveis por 23,72% das importações, seguido pelo gás natural (23,62%) e pelo cobre (7,5%). No acumulado do ano, as importações somaram US$ 530,57 milhões, valor 35,36% superior ao registrado no mesmo período de 2025, movimento associado principalmente à aquisição de bens de capital e equipamentos industriais.

Para o secretário Jaime Verruck, da Semadesc, o desempenho da balança comercial demonstra a capacidade produtiva e a dinâmica de investimentos na economia sul-mato-grossense. “Mato Grosso do Sul mantém crescimento no volume exportado e amplia investimentos industriais, evidenciados pelo aumento das importações de bens de capital. Esse movimento demonstra a expansão das cadeias produtivas e a consolidação do Estado como um dos principais polos agroindustriais do país”, afirma.

Segundo o relatório da Semadesc, as exportações cresceram 1,74% em valor na comparação com o mesmo período de 2025. No entanto, o volume embarcado apresentou expansão mais expressiva, de 14,26%, totalizando 3,86 milhões de toneladas. A diferença entre os indicadores revela redução no preço médio das exportações no mercado internacional.

Do ponto de vista setorial, todos os segmentos registraram aumento nas quantidades exportadas. A agropecuária apresentou crescimento de 17,4% no volume e aumento de 9,62% nos preços. Já a indústria de transformação registrou alta de 6,27% nas quantidades e de 3,12% nos preços exportados. A única exceção foi a indústria extrativa, que apresentou queda de 49,05% nos preços de exportação, mesmo com aumento de 24,68% no volume embarcado. O resultado reflete o comportamento do mercado internacional de minérios, especialmente a redução nas cotações do minério de ferro.

Entre os destinos das exportações sul-mato-grossenses, a China permanece como principal parceiro comercial, absorvendo 37,76% das vendas externas do Estado. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com 10,16%, e os Países Baixos, com 4,4% de participação. No recorte por municípios, Três Lagoas lidera o ranking de exportações, respondendo por 21,63% do total exportado. Na sequência aparecem Ribas do Rio Pardo (14,85%), Dourados (9,22%) e Campo Grande (8,99%).

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MS Florestal, da Bracell, acelera contratações no Vale da Celulose à espera da fábrica de R$ 16 bi

Em entrevista ao AgFeed, Amanda Barrera, líder de RH da companhia, afirma que número de empregados em Mato Grosso do Sul aumentou 57% no último ano, confirmando boom de vagas proporcionadas pelo cultivo do eucalipto, que responde por metade das vagas geradas na agropecuária do estado.

Os projetos bilionários do setor florestal seguem movimentando a economia de Mato Grosso do Sul, que vem sendo chamado de “Vale da Celulose”, embora nem todos avancem no ritmo esperado, inicialmente.

Entre investimentos já feitos e anúncios de aportes que ainda estão por vir, o estado estaria recebendo cerca de R$ 90 bilhões para expandir o plantio de eucalipto e a fabricação de papel e celulose.

Resumo

  • MS Florestal, do grupo Bracell, ampliou quadro em 57%; setor lidera geração de empregos no agro de Mato Grosso do Sul.
  • Plantios de eucalipto da companhia preparam abastecimento da futura fábrica de celulose da Bracell, estimada em R$ 16 bilhões.
  • Formação de florestas plantadas respondeu por 55% das vagas da agropecuária no estado em 2025

Um dos players que chegou ao MS em 2021 com planos de crescer foi a Bracell, multinacional pertencente ao grupo RGE (Royal Golden Eagle), de Cingapura.

As atividades de plantio de florestas da empresa vêm sendo intensificadas ano a ano. Em 2023, o braço da Bracell que atua em Mato Grosso do Sul ganhou uma nova marca e, somente no estado, a empresa passou a ser chamada de MS Florestal.

Por enquanto, as atividades seguem restritas à silvicultura na região, com três polos principais, que são os municípios de Bataguassu, Água Clara e Nova Alvorada do Sul. Também há um escritório na capital, Campo Grande.

A expectativa, porém, é que todo o investimento em produção de eucalipto seja apenas uma preparação para abastecer a futura fábrica da Bracell que, segundo informações mais recentes, deve ser construída em Bataguassu.

A Bracell confirma que está conduzindo os trâmites para viabilizar um novo projeto industrial, o que envolve estudos e autorizações legais, incluindo a questão socioambiental. Quando houver a construção, a previsão é de um investimento de R$ 16 bilhões, sendo que o pico das obras vai demandar 12 mil trabalhadores.

Enquanto isso não ocorre, o trabalho vai avançando no interior.

Equipe da MS Florestal: em um ano, força de trabalho aumentou 57%

Amanda Barrera, gerente sênior de Recursos Humanos da MS Florestal

“Eu cheguei aqui em junho de 2023, quando mudou a marca. A gente tinha 600 colaboradores e agora temos 2,3 mil. Então a gente vem expandindo muito”, afirmou Amanda Barrera, gerente sênior de Recursos Humanos da MS Florestal, em entrevista ao AgFeed.

As contratações vêm sendo aceleradas, segundo a executiva. Entre janeiro de 2025 e o início deste ano, o número de funcionários da companhia no estado saltou de 1,4 mil para 2,3 mil, um avanço de 57%.

A MS Florestal não divulga os dados de área cultivada, atualmente. Na época em que houve o anúncio da intenção de construir uma fábrica, junto com o governo do estado, estimava-se que seriam 50 mil hectares de produção.

Na conversa com o AgFeed, no entanto, a gerente de RH foi clara: “Hoje a nossa unidade florestal aqui no MS, em quantidade de hectares plantados, já é maior do que a de São Paulo”.

A partir desta afirmação, vale lembrar os dados mais recentes sobre a área cultivada pela Bracell no estado de São Paulo, em notícias divulgadas na imprensa. Seriam 183 mil hectares de produção em terras paulistas.

O desafio da gerente de RH da MS Florestal é conseguir preencher todas as vagas em aberto que possui. No começo, a empresa contratava mais a mão de obra operacional para atividades de plantio.

Agora, começa uma etapa mais complexa, com a necessidade de formar operadores de máquinas para a colheita e até sistemas de drones e inteligência artificial.

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“Mas quando você cresce na mão de obra operacional, cresce tudo junto, todas as nossas áreas de apoio cresceram juntas. Hoje a gente tem 16 gerentes aqui no Mato Grosso do Sul”, relata.

No Sul do estado, segundo Amanda, é onde as contratações foram ainda mais intensas, já que há mais parceiros para plantação. A empresa atua em 13 municípios.

Somente em Bataguassu, a MS Florestal já conta com 1,5 mil trabalhadores, sendo que a cidade tem 26 mil habitantes.

Apesar da concorrência com outras gigantes que vêm investindo em MS como SuzanoEldorado e Arauco, a executiva garante que tem conseguido manter o turnover em níveis semelhantes aos registrados em outras unidades da Bracell como São Paulo e Bahia.

O índice estaria em 30% nas atividades operacionais e “bem abaixo disso” para áreas mais tecnológicas ou administrativas. O dado é considerado positivo – em linha com outros estados – porque o RH da região trabalha com longas distâncias e forte concorrência no “Vale da Celulose”.

Ela diz que 80% da mão de obra contratada recentemente se refere a pessoas da própria região. Os outros 20% vieram de outras áreas, principalmente do Nordeste do Brasil, já que os projetos de celulose vêm chamando a atenção deste público.

“Não é 100% local (a mão de obra), porque tem uma hora que você divulga uma vaga e realmente você não tem inscritos”.

A prova de que as contratações estão aquecidas no segmento está nos dados recentes do Caged, que mostra o cultivo de eucalipto com papel importante para manter o saldo positivo do setor agropecuário em Mato Grosso do Sul.

Das 1.256 novas vagas abertas no grupamento da agropecuária ao longo do ano, 701 foram geradas diretamente pelo cultivo de eucalipto, o que representa 55,81% do total de empregos do setor.

Vagas para operadores de máquinas pesadas, mecânicos automotivos e supervisores de silvicultura têm liderado as buscas das empresas, segundo a gerente da MS Florestal.

E como ficar mais atrativo em meio à concorrência com outras grandes empresas do setor? Amanda Barrera afirma que o grupo vem investimento muito “em desenvolver a comunidade”.

“Tanto aqui em Bataguassu como em Água Clara, a gente tem programa de formação para a comunidade, seja de operador de equipamento, de operador de colheita, de piloto de drone. A gente faz esse trabalho para conseguir deixar a mão de obra mais qualificada”, explicou.

Oferecer um bom pacote de benefícios também é estratégia da companhia, o que inclui plano de saúde, assistência odontológica, seguro de vida e auxílios farmácia e alimentação.

Na MS Florestal, quem ingressa nos cursos de formação para colheita, por exemplo, já é contratado como CLT, mesmo passando por vários meses sem ter assumido a função.

A empresa também vem reforçando ações que ajudem na retenção de talentos. O objetivo é que, inclusive as pessoas que vêm de outros estados, realmente optem por construir uma família nos municípios de MS, criando bases na região.

“Não adianta eu trazer as pessoas, se eu não conseguir mantê-las aqui. Então no ano passado a gente teve quase 15% de toda a nossa força de trabalho que teve alguma movimentação de promoção. Todas as vagas que abrem, a gente divulga internamente”.

Perguntada se os salários também foram elevados devido à maior demanda, a executiva diz que a remuneração ainda segue os acordos coletivos. O salário-base para atividades mais simples é de R$ 1,8 mil, mas quem opera equipamentos mais tecnológicos, de colheita, por exemplo, a faixa já ficaria acima de R$ 3 mil.

“Para produtividade, a gente trabalha bastante é com (remuneração) variável, com prêmio de produção, de acordo com a performance individual, então isso ajuda bastante na retenção também”, ponderou.

Sobre eventuais contratações com foco na futura indústria, que será construída, Amanda Barrera garantiu que por enquanto não trabalha nisso, já que o processo ainda se encontra na fase de licenciamentos e estudos.

Ela admite, porém, que muitas pessoas, mesmo recebendo outras ofertas, acabam optando por ficar na MS Florestal em função dos planos de expansão, acreditando que terão um futuro na empresa.

Informações: AG Feed

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