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Manejo com redução de impacto é capaz de promover recuperação de floresta e estocar carbono

Pesquisa realizada por 30 anos na Amazônia traz evidências de que boas práticas na exploração de madeira aumentam a biomassa acima do solo e podem contribuir para mitigar mudanças climáticas.

Luciana Constantino | Agência FAPESP – A adoção de técnicas de manejo com redução de impacto na exploração de madeira é capaz de promover a recuperação de florestas tropicais, como a Amazônia, e estocar carbono a longo prazo, mantendo biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Pesquisa publicada no Journal of Environmental Management traz evidências de que essas boas práticas aumentam a biomassa acima do solo, ao contrário da exploração convencional. Reforça, assim, o papel do chamado manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR) como uma estratégia eficaz para conciliar a produção de madeira, a conservação da floresta e a mitigação das mudanças climáticas.

A biomassa, ou seja, a matéria orgânica viva ou morta (como plantas, árvores, animais e resíduos), é um indicador-chave para analisar a recuperação florestal e o sequestro de carbono.

O estudo foi realizado entre 1993 e 2023 em uma fazenda próxima ao município de Paragominas, no Estado do Pará, que tem uma área destinada a experimentos científicos, especialmente ligados à silvicultura e ao manejo de florestas tropicais.

Nesse período de 30 anos, os diâmetros das árvores foram medidos 12 vezes em dois sistemas de manejo – MF-EIR e convencional, além de uma parcela de controle não explorada. O estoque de biomassa foi estimado para a floresta toda; para áreas de espécies exploradas; com potencial de exploração e espécies sem valor madeireiro.

De acordo com os resultados, a área manejada com técnicas de impacto reduzido se aproximou das condições estruturais de uma floresta madura e teve balanço positivo de biomassa – ganho médio de 70,68 megagramas por hectare (Mg ha⁻¹). Por outro lado, a parcela de manejo convencional apresentou perda de biomassa, com saldo negativo de 11,35 Mg ha⁻¹, e a de controle ficou praticamente estável.

Ao longo do tempo, incluindo ciclos de corte de madeira, o MF-EIR levou, em média, a estoques máximos de biomassa de 353,42 Mg ha⁻¹, em todos os grupos de espécies analisados, ficando acima das demais áreas avaliadas.

“Esse acompanhamento por 30 anos traz resultados práticos inéditos e reafirma a importância de inserir o manejo florestal em discussões de mitigação das mudanças climáticas. Mostramos que o manejo de impacto reduzido consegue recuperar claramente a biomassa e, consequentemente, o sequestro de carbono. Com isso, os resultados podem ajudar na criação de metodologias para pagamento por serviços ecossistêmicos, como mercado de carbono, vindos dessas áreas e contribuir para a atualização da legislação de manejo sustentável em florestas tropicais”, avalia o coordenador da pesquisa, Edson Vidal, do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Ele é um dos coordenadores do Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Esalq.

A legislação

O manejo sustentável é descrito no Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/2012) como a “administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema” e considerando a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não e de produtos e subprodutos da flora.

A legislação para a Amazônia prevê ainda planos de manejo, a cada cinco anos, cujos parâmetros técnicos seguem resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), criada em 2009.

Diferentemente da exploração ilegal predatória de madeira, o manejo é baseado em análises científicas que permitem a extração de forma planejada e controlada.

A exploração de impacto reduzido adota técnicas que minimizam danos à floresta, incluindo zoneamento e registro de área, planejamento detalhado de espécies com o mapeamento de todas as árvores comerciais (chamado inventário) e treinamento de pessoal. É necessário também fazer a seleção de árvores ideais para a colheita, corte de lianas e trepadeiras, planejamento de estradas e trilhas, além da minimização de desperdícios e dos danos à floresta remanescente. As árvores manejadas têm corte direcional respeitando um diâmetro mínimo, com planejamento de retirada e ciclos de extração determinados.

No ano passado, outro artigo publicado por um grupo de cientistas liderados por Vidal mostrou que até mesmo a distância entre as árvores de uma determinada espécie em uma região pode fazer diferença no manejo. Isso porque as distâncias mínimas de corte específicas para cada espécie podem favorecer a dispersão do pólen e a viabilidade genética, permitindo a conservação (leia mais em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378112725000763).

Alternativa econômica

Vidal destaca que a pesquisa publicada agora evidencia a viabilidade de conciliar o uso econômico da floresta à conservação ambiental, com fundamentação em ciência, planejamento e políticas públicas baseadas em evidências.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Florestais, a produção madeireira no Brasil provém, principalmente, de áreas de plantio – em 2023, 94% da madeira em tora teve origem em áreas plantadas. No mesmo ano, foram comercializados R$ 35,1 bilhões em produtos madeireiros, dos quais R$ 22,2 bilhões foram de madeira em tora.

Para os pesquisadores, ao favorecer a recuperação da biomassa e o sequestro de carbono, a exploração de impacto reduzido se alinha a estratégias econômicas discutidas no mercado, como projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) e de Improved Forest Management (IFM).

“Levei para a COP30 resultados que obtivemos e os dados suscitaram discussões interessantes. Conseguimos até mesmo um grupo que se organizou para fazer um evento em maio sobre manejo florestal. Durante a conferência, o foco principal nessa área estava voltado para a restauração de florestas”, conta à Agência FAPESP o pesquisador, que esteve em Belém (PA), em novembro de 2025, participando das discussões da Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Parcerias

O artigo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Indo além do primeiro ciclo de colheita nas florestas tropicais da Amazônia Brasileira”, financiado pela FAPESP e vinculado à Iniciativa Amazônia+10 – programa liderado pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) que envolve Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 unidades da Federação, incluindo São Paulo.

Segundo Vidal, o próximo passo do estudo será envolver instituições que participam da Iniciativa Amazônia+10 e têm dados de manejo florestal de outros Estados, como Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, para comparar os resultados de biomassa de forma mais global. “A partir disso podemos pensar, por exemplo, em qual é a contribuição do manejo florestal para a NDC brasileira”, complementa.

Instrumento-chave para as metas de limitar o aquecimento global, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) é o compromisso que cada país apresentou no Acordo de Paris para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. As NDCs deveriam ter sido revisadas em 2025 – até o início da COP30, 111 dos 160 países apresentaram as novas metas.

O estudo também recebeu apoio da FAPESP por meio de mais cinco projetos (19/25820-722/09047-923/07753-624/04038-7 e 24/14326-0), incluindo bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado para pesquisadores que participam do grupo.

O artigo Impact of different management practices on tree biomass and carbon dynamics 30 years after logging in eastern Amazon pode ser lido em sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0301479725043130.

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Do campo aos números: novo modelo aprimora estimativa de carbono no Brasil

Setor florestal ganha ferramenta mais moderna para calcular carbono.

A precisão dos dados é um dos pilares da credibilidade climática. No setor florestal, uma nova modelagem desenvolvida com base em medições reais promete reduzir incertezas históricas na estimativa de carbono.

Ao abandonar fatores médios globais e adotar equações ajustadas à realidade brasileira, a metodologia representa um salto técnico importante.

Nesta entrevista exclusiva, Gabriela Gonçalves Moreira Matzner, Gerente de P&D Manejo Florestal da Bracell, explicou os diferenciais do estudo e os reflexos para empresas e inventários nacionais.

Mundo Agro: O que diferencia esses novos modelos de estimativa de carbono dos métodos utilizados anteriormente?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Os novos modelos substituem valores médios fixos e genéricos por equações específicas aplicadas a cada árvore, calibradas com dados reais de campo e variáveis que refletem a realidade das plantações brasileiras.

Na prática, o estudo descreve que essa abordagem usa variáveis coletadas diretamente no campo – como DAP, altura total, idade do plantio, espécie, localização e características ambientais (clima, precipitação, temperatura) – para alimentar modelos estatísticos de regressão que tornam a estimativa mais precisa e aderente à realidade das florestas plantadas no Brasil.

Outro diferencial é que a melhoria de precisão é especialmente relevante para a biomassa subterrânea (raízes), tradicionalmente mais difícil de mensurar, com redução de erro reportada em até 60% nas raízes.

Mundo Agro: Por que ainda havia tanta margem de imprecisão na mensuração de carbono em florestas plantadas?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: É importante ressaltar que existe uma margem de imprecisão em toda estimativa, sendo que a utilizada anteriormente era considerado o melhor disponível em literatura internacional até o momento. Essa imprecisão existe porque os valores recomendados pelo IPCC são médias globais gerais. Em termos simples, é como tentar definir um peso médio para toda a população humana sem considerar diferenças de genética, idade ou hábitos alimentares. O novo trabalho busca justamente compreender como diferentes condições ambientais e características do plantio influenciam o acúmulo de biomassa.

Atualmente, grande parte dos inventários florestais no Brasil ainda utiliza valores médios genéricos definidos em 2004 pelo MCTI, que não consideram fatores como idade das árvores, espécie, tipo de solo, clima e localização. Essa simplificação pode gerar erros relevantes, especialmente na estimativa da biomassa subterrânea, como as raízes, que são tradicionalmente mais difíceis de mensurar.

Essa limitação também se reflete nos inventários utilizados nas comunicações internacionais do país. Inclusive, os dados enviados ao IPCC ainda se baseiam, em grande medida, nesses valores fixos e genéricos, o que ajuda a explicar por que a margem de imprecisão se manteve elevada por tanto tempo.

Mundo Agro: Esses modelos podem ser replicados em outros tipos de florestas ou biomas?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Como os modelos foram desenvolvidos a partir de plantações de eucalipto e pinus, eles devem ser usados de modo restrito para esses gêneros. Contudo, pode ser aplicado para estes em diferentes biomas. Vale ressaltar que os modelos contemplam os dois gêneros que respondem por mais de 90% da produção florestal plantada no Brasil.

O desenvolvimento considerou um conjunto amplo de condições (27 locais de diferentes regiões do país) e variáveis ambientais (incluindo clima por Köppen, precipitação e temperatura), o que reforça a robustez dentro do escopo apresentado (florestas plantadas de eucalipto e pinus).

Mundo Agro: Qual é o impacto dessa maior precisão para os inventários de emissões no Brasil?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: A mudança tem impacto direto nos inventários de carbono usados por empresas e até por governos, ao trocar valores genéricos por fórmulas calibradas com dados reais.

Além de ganho de precisão, fortalecer a qualidade técnica dos inventários, aumentando a confiabilidade das estimativas de remoções e contribuindo para maior transparência dos reportes, há impacto positivo também no desenvolvimento de planos e estratégias climáticas mais precisos e baseados na ciência.

E, no contexto mais amplo discutido pela própria Bracell em outubro de 2025 (no seminário “Bracell 2030 – O Brasil na vanguarda do clima”), a precisão e a qualidade de dados são coerentes com o debate sobre como o Brasil pode liderar a agenda climática global com base em ciência, inovação e bioindústria.

Mundo Agro: Como a Bracell incorporou esses novos modelos aos seus inventários de GEE?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: A incorporação de avanços científicos às práticas da empresa é um princípio consolidado em sua atuação. Neste estudo, a Bracell não apenas contribuiu com dados essenciais, como também participou do desenvolvimento dos modelos utilizados. Por isso, a aplicação dos resultados ao Inventário de Gases de Efeito Estufa ocorreu de forma natural e imediata. Sempre que uma nova metodologia é validada, a equipe de Pesquisa e Desenvolvimento trabalha para que ela seja adotada como padrão pelas áreas parceiras.

Mundo Agro: Que mudanças práticas essa adoção trouxe para a gestão florestal da empresa?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: O que antes era uma estimativa genérica passou a ser um cálculo técnico mais preciso, permitindo relatar com mais responsabilidade as emissões e remoções florestais. Essa melhoria fortalece a credibilidade dos números apresentados e qualifica o planejamento florestal.

Não se trata apenas de um inventário. A mudança tem reflexos práticos em áreas como planejamento, certificação e acesso a crédito, ao oferecer uma base técnica mais robusta para decisões e reportes que dependem desses dados.

Mundo Agro: A nova metodologia altera metas ou compromissos climáticos já estabelecidos?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Não. A atualização da metodologia pode alterar os resultados estimados, mas não muda as estratégias de descarbonização nem os compromissos climáticos já assumidos. As metas permanecem as mesmas.

Mundo Agro: Há impactos diretos na estratégia de descarbonização da companhia?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Embora a mudança na metodologia influencie os resultados obtidos, as estratégias de descarbonização permanecem as mesmas. Os compromissos assumidos pela empresa seguem inalterados.

Mundo Agro: O Brasil pode se tornar referência internacional nesse tipo de modelagem?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: O setor florestal brasileiro tem um longo histórico de cooperação com universidades e centros de pesquisa. Mesmo competindo no mercado, as empresas do setor compreenderam, ainda décadas atrás, que a atuação coordenada em pesquisas estratégicas traz ganhos coletivos e fortalece toda a cadeia produtiva. Este estudo é um dos diversos resultados gerados por esse modelo de cooperação, que continua produzindo novos avanços científicos.

Os modelos discutidos fazem parte de uma pesquisa brasileira publicada na revista Global Change Biology, referência internacional na área. O trabalho representa um avanço relevante tanto para o setor florestal quanto para a agenda climática do Brasil.

Mundo Agro: Quais são os próximos passos da empresa para aprimorar ainda mais a mensuração de carbono?

Gabriela Gonçalves Moreira Matzner: Investir em pesquisas voltadas à sustentabilidade faz parte da essência da Bracell, com destaque para os estudos sobre gases de efeito estufa. Como próximos passos, a empresa segue aprimorando as estimativas de biomassa e carbono por meio de métodos já consolidados, ao mesmo tempo em que avalia novas tecnologias. Entre elas estão o uso de torres de fluxo para entender como o clima influencia o sequestro de carbono e a utilização de sensores LiDAR, que podem tornar essas medições mais ágeis e menos custosas.

Informações: R7 / Mundo Agro


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Tecnologia catarinense amplia precisão na identificação de espécies florestais 

Iniciativa desenvolvida em Timbó reforça a importância da Engenharia Florestal e da responsabilidade técnica no setor ambiental.

A identificação botânica é um dos principais gargalos do setor florestal no Brasil e em regiões de clima tropical. Com florestas ricas e diversas, a correta identificação das espécies é essencial para que os estudos atinjam resultados precisos sobre os recursos vegetais, sejam para fins de conservação ou de produção. O estudo que quantifica e qualifica os recursos da flora é chamado de inventário florestal — levantamento técnico realizado em campo para medir e identificar as árvores existentes em determinada área.

Em Timbó, uma iniciativa liderada por engenheiros florestais vem desenvolvendo uma tecnologia que pode ampliar significativamente a precisão da identificação botânica. A proposta utiliza a análise da composição das folhas para auxiliar na identificação das espécies, alcançando cerca de 90% de índice de acerto.

O tema ganha relevância no contexto da atuação da Câmara Especializada de Engenharia Florestal do CREA-SC, que acompanha e representa a modalidade no estado, reforçando a importância da qualificação e da responsabilidade técnica em atividades que impactam diretamente o meio ambiente.

Camila Mayara Gessner, fundadora da iFlorestal

Segundo a engenheira florestal Camila Mayara Gessner, a identificação botânica é uma das variáveis centrais do inventário. “O Brasil possui mais de 46 mil espécies da flora, muitas visualmente muito semelhantes. Isso torna o processo complexo e exige conhecimento especializado”, explica.

Precisão além da imagem

Aplicativos baseados apenas em fotografia já são utilizados para reconhecimento de plantas ornamentais, mas não oferecem a confiabilidade necessária para estudos técnicos.

A nova solução analisa características físicas e químicas das folhas e gera algo análogo a uma digital humana para cada espécie botânica. Os dados que comporão um mega banco de dados está sendo iniciado a partir de milhares de amostras científicas armazenadas no Herbário Dr. Roberto Miguel Klein, da FURB, e poderá ser ampliado indefinidamente pela incorporação de novas amostras provenientes de outros herbários existentes no Brasil e no mundo.

A ferramenta em desenvolvimento poderá servir como fonte de pesquisa para órgãos e empresas públicas e privadas. Por exemplo, em 2023, cerca de 60% das solicitações de corte de vegetação recebidas pelo Ibama apresentavam espécies não identificadas, o que demonstra o desafio técnico ainda presente no setor.

Esse avanço só é possível graças ao Programa Tecnova III, organizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o qual apoia empresas catarinenses com projetos altamente inovadores.  Desenvolvido em parceria com o Herbário Dr. Roberto Miguel Klein (FURB) e com apoio do Inventário Florestal Nacional (IFN-BR), da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

O projeto conta com financiamento do Programa Tecnova III, iniciativa da FINEP em parceria com a FAPESC, voltada ao apoio de empresas catarinenses inovadoras. A tecnologia é desenvolvida em conjunto com o Herbário Dr. Roberto Miguel Klein, da FURB, e recebe apoio do Inventário Florestal Nacional (IFN-BR), da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, reforçando seu potencial de impacto para o setor florestal.

Engenharia e fortalecimento profissional

A iniciativa também se conecta  ao trabalho da Câmara Especializada de Engenharia Florestal (CEEF) do CREA-SC. Para o engenheiro florestal Heitor Felippe Uller, conselheiro suplente da Câmara, a CEEF é o espaço onde os profissionais apresentam demandas, discutem desafios e contribuem para o futuro da profissão. “É a casa das reinvindicações da profissão, é onde os profissionais levam suas demandas, dúvidas e ideias para discussão. Baseado nos princípios da engenharia, na fundamentação técnica, científica e ética que orientam a concepção, execução e gestão de projetos e serviços, iniciativas como as descritas acima, fortalecem o setor e a engenharia,” ressalta.

Heitor também participou de discussões que resultaram na liberação de códigos específicos para atividades de arborização urbana, como avaliação de risco de árvores, transplantes e elaboração de planos diretores. Segundo ele, a medida trouxe mais clareza ao registro das atividades e ampliou a segurança técnica e jurídica para os profissionais que atuam na área, fortalecendo a Engenharia Florestal em Santa Catarina.

Soluções desenvolvidas por engenheiros florestais

Fundada em 2020 pelos engenheiros florestais Heitor Uller e Camila Mayara Gessner, a iFlorestal atua no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas voltadas ao setor florestal e ambiental. Entre elas estão aplicativo para coleta de dados em inventários florestais e para coleta de dados e gestão da arborização urbana, soluções que auxiliam profissionais no registro técnico das atividades realizadas em campo.

As ferramentas foram criadas a partir da vivência prática na área. “Todas as soluções surgiram das demandas que enfrentamos no dia a dia da Engenharia Florestal. A proposta é oferecer instrumentos que qualifiquem o trabalho técnico, tragam mais organização às informações coletadas e contribuam para decisões mais seguras”, destaca Heitor.

Informações: CREA -SC

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Obra de nova fábrica de fertilizantes vai gerar até 300 empregos em Aracruz

Com previsão para começar a funcionar em 2027, unidade da Adufértil vai abastecer a Suzano e também pode atender produtores de café e outras culturas do Estado.

A partir de um investimento de R$ 90 milhões, a região Norte do Espírito Santo vai ganhar uma nova fábrica de fertilizantes até o início de 2027. Por meio de parceria com a Suzano e a Portocel, a Adufértil iniciou a construção da sua unidade em Aracruz. A empresa é líder no segmento de fertilizantes mistos em São Paulo e, desde 2021, integra o grupo Indorama Corporation, de Singapura.

A pedra fundamental da obra, que marca um movimento estratégico da companhia para fortalecer a cadeia de suprimentos agrícolas no Sudeste do Brasil, foi lançada nesta quinta-feira (26). O evento ocorreu na área onde será construída a unidade, às margens da rodovia ES-010 e próximo das operações da Suzano e da Portocel.

O empreendimento é viabilizado por uma parceria que envolve a Suzano, um dos principais clientes da empresa, e a Portocel — terminal que tem a empresa de celulose e a Cenibra como acionistas —, responsável pela logística de importação dos insumos.

Durante a fase de implantação, a obra deverá gerar cerca de 300 empregos, com maior volume de contratações previsto para maio. Na etapa operacional, a unidade contará com aproximadamente 80 profissionais, com vagas nas áreas operacional, técnica e de gestão e ainda gerará 160 vagas de emprego indiretas. As admissões devem começar em outubro, e o início da operação está previsto para abril de 2027.

Informações: A Gazeta


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Cidade âncora do Vale da Celulose, Três Lagoas busca equilíbrio entre expansão e estrutura 

Três Lagoas vive um ciclo acelerado de expansão que reposiciona o município como eixo estratégico do leste sul-mato-grossense. Com densidade populacional semelhante à de Santa Cruz do Sul (RS), a cidade segue trajetória distinta, marcada por crescimento industrial mais recente e pressionado.

Três Lagoas consolidou-se como cidade âncora de uma região que vive um novo ciclo de desenvolvimento puxado pelo setor de papel e celulose. Todos os grandes investimentos que chegam ao chamado Vale da Celulose passam, de forma direta ou indireta, pelo município.

O caso mais emblemático é o megaprojeto da chilena Arauco, que constrói uma nova planta industrial em Inocência. Embora a fábrica esteja sendo erguida em uma cidade com pouco mais de 8 mil habitantes, boa parte da engrenagem administrativa e operacional gira em torno de Três Lagoas.

É no município que funcionam escritórios, processos de contratação, exames médicos admissionais e etapas de regularização trabalhista. Engenheiros, técnicos e profissionais especializados fixam residência em Três Lagoas, reforçando sua posição como base logística e de serviços para toda a região leste do Estado.

EMPREGOS, FALTA DE MÃO DE OBRA E PRESSÃO IMOBILIÁRIA

O avanço industrial trouxe forte geração de emprego e renda. Ao mesmo tempo, criou gargalos. Empresas relatam dificuldade para preencher vagas técnicas e operacionais, evidenciando escassez de mão de obra qualificada.

O mercado imobiliário sente o impacto. A alta demanda elevou o valor dos aluguéis e reduziu a oferta de imóveis disponíveis. O setor hoteleiro também opera frequentemente no limite. Mesmo com uma rede considerável de hotéis, visitantes que chegam sem reserva prévia podem enfrentar dificuldades para encontrar hospedagem.

Cidade âncora do Vale da Celulose, Três Lagoas busca equilíbrio entre expansão e estrutura
Empresas de vários estados chegam à Três Lagoas atraídas pelo potencial econômico que a região oferece (Foto: Ricardo Ojeda)

O crescimento também é visível nas ruas. O aumento da frota de veículos, somado ao trânsito de caminhões ligados à cadeia da celulose, pressiona a mobilidade urbana e exige investimentos constantes em infraestrutura viária.

IMPACTOS SOCIAIS E AUMENTO DA VULNERABILIDADE

O dinamismo econômico transformou Três Lagoas em polo de atração para trabalhadores de diversas regiões do país. No entanto, parte desse fluxo acaba ampliando desafios sociais.

A cidade registra crescimento no número de pessoas em situação de rua e usuários de drogas vindos de outros estados, o que pressiona os serviços de assistência social e segurança pública. O município cresce, mas precisa ampliar sua capacidade de acolhimento e atendimento às demandas sociais que acompanham o desenvolvimento.

ESTRUTURA PÚBLICA NÃO ACOMPANHA O RITMO

O crescimento acelerado contrasta com limitações na estrutura dos serviços públicos, muitos deles de responsabilidade estadual.

Nesta semana, uma forte tempestade atingiu diferentes bairros e provocou alagamentos severos. Em alguns pontos, a água invadiu residências e chegou próximo à altura do corpo dos moradores. Durante a madrugada, houve relatos de insuficiência de viaturas para atender a demanda emergencial. Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Militar Ambiental enfrentaram dificuldades operacionais diante do volume de ocorrências.

A preocupação vai além das enchentes. Com a verticalização crescente da cidade, o Corpo de Bombeiros não dispõe de escada de grande porte para atendimento a prédios mais altos em caso de incêndio. A cidade cresce em altura e complexidade, mas os equipamentos não evoluem na mesma proporção.

O GARGALO DO AEROPORTO

Outro ponto crítico é a infraestrutura aeroportuária. Até alguns anos atrás, o município contava com voos regulares operados pela Passaredo e, posteriormente, pela Azul. Atualmente, não há voos comerciais regulares partindo de Três Lagoas.

A pista, com mais de 20 anos, necessita de reforço estrutural para suportar aeronaves de maior porte e não possui homologação para operação por instrumentos. Isso limita pousos em condições climáticas adversas e reduz a competitividade do município.

Empresários e investidores que não possuem aeronaves próprias precisam desembarcar em cidades como São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente ou Campo Grande, percorrendo depois centenas de quilômetros por rodovia até chegar a Três Lagoas. Para uma cidade que se tornou plataforma regional de investimentos, a ausência de voos comerciais regulares representa um entrave logístico significativo.

SANTA CRUZ DO SUL: REALIDADE DIFERENTE NO RIO GRANDE DO SUL

Enquanto Três Lagoas vive um ciclo de expansão industrial acelerada, Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, construiu sua força econômica ao longo de décadas, com base histórica ligada ao setor do tabaco e forte presença do setor de serviços.

A comparação expõe realidades diferentes entre municípios de porte parecido. O desafio local é fazer infraestrutura e serviços acompanharem a velocidade dos investimentos. No caso sul-mato-grossense, o desafio é garantir que infraestrutura, segurança e serviços públicos acompanhem o ritmo intenso de investimentos. Três Lagoas deixou de ser apenas uma cidade média do interior. Hoje é um eixo decisivo para o desenvolvimento regional.

Informações: Perfil News

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Crise silenciosa ameaça produção de borracha

Sem políticas estruturantes e com forte pressão das importações, setor perde competitividade e já registra saída de trabalhadores do campo.

A produção brasileira de borracha natural atravessa um momento crítico, marcado por preços abaixo do custo, ausência de contratos e crescente dependência de importações, situação que ameaça a continuidade da atividade no campo. Enquanto a indústria pneumática busca conter o avanço de produtos estrangeiros, produtores e sangradores enfrentam um desequilíbrio estrutural que compromete a sustentabilidade da cadeia nacional.

Embora seja insumo essencial para diversos setores industriais, o Brasil produz apenas cerca de 40% da borracha que consome, o que torna o país dependente do mercado externo. O cultivo da seringueira exige planejamento de longo prazo, já que o início da produção ocorre cerca de dez anos após o plantio e pode se estender por até 35 anos, reforçando a necessidade de previsibilidade para garantir a viabilidade econômica.

“Se faltar borracha e decidirmos plantar hoje, o país só verá resultado daqui a uma década”, destaca Antonio Carlos Carvalho Gerin, presidente da Câmara Setorial da Borracha do Ministério da Agricultura.

Além do papel estratégico, a atividade possui forte impacto social, com geração de empregos permanentes no meio rural e capacidade de fixar trabalhadores no campo. Também apresenta benefícios ambientais relevantes, com elevada capacidade de captura de carbono, contribuindo para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

O principal problema está na estrutura de comercialização. Com cerca de 60% do mercado abastecido por borracha importada, a indústria mantém contratos externos mesmo em períodos de retração, reduzindo a demanda pelo produto nacional e pressionando os preços. Atualmente, o custo médio de produção gira em torno de R$ 6,50 por quilo de látex, enquanto o valor pago ao produtor está próximo de R$ 3,84, inviabilizando a atividade.

A concentração do mercado agrava o cenário. Entre dez e doze usinas concentram aproximadamente 90% das compras, limitando o poder de negociação dos produtores e permitindo a imposição de preços sem referências claras. O resultado tem sido o abandono da atividade e a redução de 30% a 40% da mão de obra, segundo estimativas do setor.

Diante desse quadro, representantes da cadeia defendem a criação de mecanismos de governança e políticas públicas que restabeleçam o equilíbrio entre os elos produtivos. Sem medidas estruturantes, o país corre o risco de ampliar ainda mais sua dependência externa e comprometer uma cadeia considerada estratégica para a economia e a segurança industrial.

Informações: Agro Revenda

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IPEF – A controvérsia de que o Eucalipto seca o solo: uma revisão bibliográfica sobre o tema

Nesta edição do PROMAB News, trazemos uma análise baseada no artigo de revisão recentemente publicado: “The Myth That Eucalyptus Trees Deplete Soil Water—A Review” (Medeiros et al., 2025). Este estudo revisou 200 trabalhos publicados entre 1977 e 2024 para reavaliar o senso comum de que o eucalipto “seca o solo” com evidências científicas sólidas. Consideramos este, um assunto pertinente para as empresas filiadas ao PROMAB, que vivenciam essa temática e, sabendo de sua importância estratégica, munem-se de dados por meio do monitoramento hidrológico nas microbacias experimentais. Embora se trate de um artigo de revisão, ou seja, não foram coletados e analisados dados diretamente, este tipo de trabalho é importante na consolidação do conhecimento, mas deve ser sempre analisado com ressalvas.

Os resultados da revisão bibliográfica demonstraram que o impacto na disponibilidade de água não é uma característica inerente ao gênero Eucalyptus, mas, sim, um resultado da interação entre o manejo florestal, as condições do solo e o clima local. Historicamente, a narrativa de que o eucalipto esgota os recursos hídricos surgiu entre os séculos XVII e XIX, quando a espécie era utilizada propositalmente para biodrenagem em áreas alagadas visando combater a malária. Infelizmente, essa função específica de drenagem foi erroneamente generalizada para todos os tipos de ecossistemas ao longo das décadas. Complementamos que o manejo inadequado de alguns dos primeiros plantios introduzidos no Brasil pode ter contribuído para que este mito se perpetuasse injustamente até os dias de hoje, sem considerar os enormes avanços da silvicultura brasileira ocorrido nos últimos 50 anos.

Contudo, a ciência moderna demonstra que a demanda hídrica do eucalipto é comparável à de diversas espécies nativas (pioneiras e de crescimento rápido). Estudos citados na revisão mostram que em estados como São Paulo e Minas Gerais, a evapotranspiração do eucalipto foi registrada como similar ou até inferior à da Mata Atlântica e do Cerrado. Neste ponto, os resultados de 30 anos de monitoramento do PROMAB mostram que em média, o manejo dos plantios na escala de microbacia tem evapotranspiração um pouco maior que a vegetação nativa. Contudo, isto é esperado de qualquer espécie manejada para a produtividade em sistema de plantio.

O estudo cita ainda que, apesar da alta demanda hídrica de espécies de crescimento rápido como o Eucalipto, quando bem manejado, ele atua na abertura de macroporos no solo através de suas raízes finas, o que favorece significativamente a infiltração de água. Dados comparativos em bacias pareadas revelaram taxas de infiltração de 68 a 175 mm/h em plantios de eucalipto, enquanto áreas de pastagem na mesma região apresentaram apenas 47 a 50 mm/h. Isso resulta em menor escoamento superficial, redução de sedimentos na água e uma clara melhoria na recarga do lençol freático. Estes resultados são compatíveis com o que observamos nos monitoramentos do PROMAB, que mostram boa infiltração de água no solo nas áreas monitoradas de manejo florestal.

O artigo reforça que o “vilão” não é a árvore, mas o manejo por ventura inadequado que ignora a capacidade de recarga local. Para as empresas florestais, o estudo destaca estratégias fundamentais que o PROMAB já adota como recomendação para o planejamento dos plantios: como entender as limitações hídricas regionais e adaptar o manejo florestal considerando a ocupação da bacia, o mosaico de idades, e ajustar a intensidade do manejo florestal na microbacia quando avaliado ser necessário (ver mais informações em Ferraz et a., 2019).

A revisão científica demonstra que, quando o cultivo respeita o zoneamento, utiliza espaçamentos adequados e mantém a cobertura de floresta nativa recomendada (cerca de 45% para serviços ecossistêmicos), a atividade florestal contribui para a regulação do ciclo hidrológico e a proteção do solo. O monitoramento em escala de microbacia realizado pelas empresas do PROMAB é a peça final deste quebra-cabeça, comprovando em campo, nos riachos, o resultado do manejo florestal na água, e transformando evidências científicas globais em segurança operacional e sustentabilidade local.

Como ilustração comparativa, a Figura 1 apresenta valores mínimos e máximos de evapotranspiração associados a diferentes culturas agrícolas e formações vegetais, permitindo contextualizar o posicionamento do eucalipto em relação a outros sistemas de uso do solo. Observa-se que os valores de evapotranspiração do eucalipto se situam, em muitos casos, em faixas semelhantes ou inferiores às de culturas como milho e batata. Embora o estudo traga estas comparações obtidas nos estudos consultados, essa comparação deve ser interpretada com cautela, uma vez que culturas de ciclo anual apresentam dinâmicas fisiológicas e temporais, além de práticas de manejo distintas das florestas plantadas, que possuem ciclos mais longos e maior complexidade estrutural. Assim, o gráfico deve ser entendido como uma referência indicativa, e não como uma equivalência direta entre sistemas produtivos distintos. Ou seja, não se pode dizer que o cultivo de Eucalipto utiliza menos água do que os cultivos de cana-de-açúcar, batata ou milho com base neste tipo de abordagem, algo que já foi bastante disseminado de forma equivocada e precisa ficar bem claro.


Figura 1. Consumo de água de espécies agrícolas e florestais em comparação com Eucalyptus. O asterisco (*) indica que o nome da espécie deveria estar está em itálico, representando seu nome científico. Os valores de evapotranspiração (mm/ano) correspondem ao consumo mínimo e máximo de água para cada espécie, com base em diferentes fontes da literatura. Dados de ¹ White et al. [116], ² Hutley et al., ³ White et al., ⁴ Dias et al., ⁵ FAO, ⁶ El-Abedin et al., ⁷ Boer et al.

Em conclusão, o papel do zoneamento agroclimático é enfatizado como a diretriz mestra para a expansão florestal sustentável, apoiando-se em ferramentas como o ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), que avalia riscos como geadas e disponibilidade hídrica; o ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico), que integra variáveis sociais e ambientais; e o ZEC (Zoneamento Edafoclimático), que foca na compatibilidade entre as características do solo e o clima. Essas ferramentas permitem identificar áreas de menor risco para assegurar a viabilidade econômica e ambiental da atividade, alinhando as demandas de produção com a capacidade de carga local e a manutenção de serviços ecossistêmicos.

O artigo argumenta que os casos de impacto negativo documentados na literatura ocorreram justamente em regiões onde o plantio ignorou esses zoneamentos ou utilizou espécies inadequadas para climas distintos. A Figura 2 abaixo, apresenta um mapeamento de aptidão para 47 espécies de eucalipto no território brasileiro, servindo como guia para que a escolha dos genótipos respeite as limitações de cada ecossistema e previna a escassez hídrica.


Figura 2. Zoneamento agroclimático para 47 espécies de eucalipto no Brasil com base na classificação climática de Köppen. Fonte: modificado de Flores et al.

Dentro dessa abordagem de planejamento, o PROMAB tem como produto o índice de resiliência (IR), que por meio da análise geoespacial de características naturais (relevo, solos, precipitação, evapotranspiração) e aspectos do manejo florestal (ocupação e idade dos plantios), permite a classificação das sub bacias de toda a área da empresa em classes de maior ou menor resiliência hidrológica. O resultado vem subsidiando decisões estratégicas, como planejamento do uso e expansão das áreas produtivas, ajuste do manejo florestal em áreas críticas e definição de estratégias de mitigação de impactos do manejo florestal.

Esse trabalho também pode ser acessado diretamente no site do IPEF: https://www.ipef.br/

Equipe PROMAB
Isadora Tomazini
Bruna Lopes
Prof. Dr. Silvio Ferraz

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Estudo brasileiro cria modelos inéditos para estimar carbono em florestas plantadas e reduz erro nas medições em até 60%

Já aplicada nos inventários corporativos da Bracell, metodologia publicada na Global Change Biology desenvolve equações específicas que aprimoram as estimativas de carbono estocado em plantações de eucalipto e pinus no Brasil.

Uma pesquisa brasileira publicada na Global Change Biology, revista de referência internacional em mudanças climáticas, apresentou um avanço relevante para o setor florestal e a agenda climática do Brasil: a criação de modelos estatísticos inéditos que aumentam a precisão no cálculo de carbono estocado em florestas plantadas. Com base na medição de mais de 2 mil árvores em 27 locais de diferentes regiões do país, os autores desenvolveram equações que reduziram o erro das estimativas de carbono em 10% na parte aérea (tronco, galhos e folhas) e em até 60% nas raízes, tradicionalmente mais difíceis de mensurar. A Bracell, uma das líderes globais na produção de celulose solúvel, já aplica esses novos modelos em seus inventários corporativos de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

O setor de florestas plantadas desempenha um papel estratégico na mitigação das mudanças climáticas, sendo responsável por capturar mais de 1,8 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente no Brasil. Os novos modelos desenvolvidos no estudo foram aplicados em plantações de eucalipto e pinus, espécies que compõem a base florestal da indústria brasileira de papel e celulose. Para o gerente de Sustentabilidade da Bracell, João Augusti, “melhorar a precisão nas estimativas desse carbono é fundamental para que o país cumpra suas metas no Acordo de Paris e para que empresas do setor possam acessar, com mais confiança, os mercados voluntários e regulados de carbono”.

Como os novos modelos funcionam

Segundo o estudo, atualmente a maior parte dos inventários de carbono feitos no Brasil, inclusive aqueles que o país envia ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, ligado à ONU (IPCC), ainda utiliza valores médios fixos e genéricos. Esses números foram definidos há mais de 20 anos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2004 e não consideram características importantes das florestas, como a idade das árvores, a espécie plantada, o tipo de solo, o clima da região ou a localização exata do plantio. Isso contribui para erros significativos nos cálculos sobre quanto carbono realmente está sendo removido da atmosfera pelas florestas plantadas.

O novo estudo corrige essa lacuna com uma abordagem baseada em ciência de campo: equações específicas são aplicadas a cada árvore, com base em variáveis reais das plantações brasileiras. Esses dados alimentam modelos estatísticos de regressão que tornam a estimativa muito mais precisa.

Entre os principais fatores analisados estão o diâmetro da árvore à altura do peito (DAP), a altura total, a idade do plantio, a espécie cultivada, a localização geográfica, além de características ambientais como o tipo de clima (com base na classificação de Köppen), a precipitação média e a temperatura da região. Essas informações, coletadas diretamente no campo, tornam os cálculos mais precisos e adaptados à realidade das florestas brasileiras.

Com base nessas variáveis, os cientistas aprimoraram dois indicadores fundamentais para estimar a biomassa total das árvores e, por consequência, o carbono que elas armazenam. O primeiro é o Fator de Expansão da Biomassa (BEF – Biomass Expansion Factor), que converte a biomassa do tronco em biomassa da parte aérea, incluindo galhos e folhas. O segundo é a Relação Raiz-Parte Aérea (R – Root-to-Shoot Ratio), que estima quanto da biomassa está nas raízes, em relação à parte visível da árvore. Juntos, esses índices aumentam a precisão dos inventários de carbono em plantações florestais e ajudam a tornar os cálculos mais aderentes à realidade do campo.

“Ao substituir valores genéricos por fórmulas calibradas com dados reais, os novos modelos capturam a variabilidade das florestas plantadas brasileiras com muito mais precisão. Isso é importante, pois estamos falando de uma mudança metodológica com impacto direto nos inventários de carbono usados por empresas e até por governos”, explica Otávio Camargo Campoe, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e autor principal do estudo.
“Os modelos anteriores davam uma estimativa média. Agora, conseguimos dizer com mais precisão quanto carbono existe em cada floresta, dependendo do tipo, da idade e do lugar”, completa.

Aplicação prática na Bracell

A Bracell também forneceu grande parte da base de dados usada na pesquisa, com amostras de áreas operacionais coletadas em parceria com universidades e centros de pesquisa. “O que antes era uma estimativa genérica, agora virou um cálculo técnico preciso, com base em dados reais da floresta, isso nos permite relatar com mais responsabilidade nossas emissões e remoções de carbono, além de melhorar o planejamento florestal”, afirma a gerente de P&D Manejo Florestal da empresa, Gabriela Matzner.

O Especialista de P&D na Bracell, Geovanni Barros, ainda complementa:“É um exemplo de ciência aplicada que gera resultado direto para a economia de baixo carbono. Não estamos falando só de inventário, mas de planejamento, certificação, crédito e credibilidade”.

Sobre o artigo

Título: Improved Estimates of Biomass Expansion Factors and Root-to-Shoot Ratios: An Approach for Different Forest Types Across a Climatic Gradient in Brazil

Publicado em: Global Change Biology, agosto de 2025

DOIhttps://doi.org/10.1111/gcb.70395

Autores: Pesquisadores da UFLA, UNESP, Cirad (França), Bracell, Embrapa Florestas, IPEF, Klabin, Suzano, CMPC e Ibá.

Sobre a Bracell 

A Bracell, líder global na produção de celulose solúvel e especial, se destaca por sua expertise no cultivo sustentável do eucalipto, que é a base para a produção de matéria-prima essencial na fabricação de celulose de alta qualidade. Atualmente a multinacional conta com mais de 11 mil colaboradores e duas principais operações no Brasil, sendo uma em Camaçari, na Bahia, e outra em Lençóis Paulista, em São Paulo. Além de suas operações no Brasil, a Bracell possui um escritório administrativo em Singapura e escritórios de vendas na Ásia, Europa e Estados Unidos. Para mais informações, acesse: www.bracell.com  




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Vazio fundiário pode afetar a expansão florestal em MS

Estado tem 597 mil hectares sem titularidade declarada e setor de celulose depende de segurança jurídica.

Mato Grosso do Sul possui  597 mil hectares de vazio fundiário  , áreas sem titularidade declarada no  Cadastro Ambiental Rural (CAR)  . O dado, divulgado em levantamento repercutido pelo Correio do Estado, acende um alerta para o  setor florestal  , especialmente para a cadeia do  eucalipto  , que depende de  segurança jurídica  , financiamento e certificação ambiental.

O Estado possui atualmente cerca de  1,8 milhão de hectares de florestas plantadas  , com previsão de crescimento para  2,5 milhões de hectares até 2028  , segundo dados do governo estadual. A expansão estimada gira em torno de 40% nos próximos anos, impulsionada por novos investimentos industriais no  Vale da Celulose  .

Mato Grosso do Sul abriga um dos maiores polos de  produção de celulose  do mundo, com operações concentradas principalmente em  Três Lagoas  e  Ribas do Rio Pardo  . Esse crescimento exige ampliação ordenada da base florestal, o que depende diretamente da  regularização fundiária  das áreas utilizadas.

Peso econômico da celulose

O  setor de celulose em Mato Grosso do Sul  é um dos motores da economia estadual. Produtos florestais responderam por aproximadamente  US$ 2,85 bilhões em exportações do agronegócio  em 2025, com a celulose representando quase a totalidade desse volume.

O segmento participa com cerca de  17,8% do PIB industrial do Estado  e movimenta milhares de empregos diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva.

No cenário nacional, a  celulose brasileira  movimentou aproximadamente  US$ 10,6 bilhões em exportações em 2024  , reforçando a importância estratégica da produção instalada no Estado.

Onde o vazio fundiário impacta

A existência de  áreas sem titularidade declarada  pode afetar o setor em diferentes frentes.

Crédito e financiamento

O ciclo do eucalipto dura de seis a sete anos. Para viabilizar plantios, produtores dependem de  crédito rural  . Sem matrícula regularizada, as áreas não podem ser usadas como garantia, o que limita financiamentos e pode elevar o custo do capital.

Planejamento logístico

A indústria de celulose depende de  fornecimento contínuo de madeira  . Áreas com indefinição jurídica dificultam a consolidação de mosaicos florestais, o planejamento de corredores logísticos e a expansão territorial estratégica.

Certificações e mercado externo

Empresas exportadoras operam sob padrões internacionais rigorosos de  governança ambiental  e rastreabilidade. Irregularidades fundiárias podem comprometer certificações, gerar questionamentos jurídicos e criar riscos reputacionais no mercado externo.

Impacto no Vale da Celulose

O  Vale da Celulose em MS  vive um ciclo de forte expansão industrial. Projeções indicam que novos investimentos podem gerar até  100 mil empregos diretos e indiretos  , ampliando a relevância do setor na economia regional.

Se parte do vazio fundiário for regularizada, os impactos positivos podem incluir ampliação da base produtiva, maior arrecadação estadual, segurança jurídica para investidores e crescimento sustentável da  silvicultura  .

Por outro lado, a manutenção da indefinição fundiária pode gerar travamento de projetos, redução da competitividade e aumento do risco regulatório.

O vazio fundiário revela um desafio estrutural para o desenvolvimento do  agronegócio sul-mato-grossense  . Em um Estado líder na produção de celulose, a  regularização fundiária  é estratégica para sustentar a expansão das florestas plantadas, fortalecer o Vale da Celulose e garantir competitividade internacional.

Informações: Hoje Mais / Vale da Celulose


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CNA apresenta ações na reunião da Câmara Setorial de Florestas Plantadas

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na terça (24), da reunião da Câmara Setorial de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que discutiu temas como a lista de espécies exóticas invasoras, reforma tributária, sustentabilidade, inovação e ambiente regulatório.

A assessora de sustentabilidade da CNA, Jaíne Cubas, apresentou o cenário atual da discussões sobre a atualização das ações da lista de espécies exóticas invasoras, ressaltando o impacto econômico e social, buscando a revisão e a reavaliação dessas classificações para garantir segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade às cadeias produtivas, dentre elas as florestais.

A CNA reforçou a importância de que o processo de atualização da lista considere critérios técnicos, evidências científicas e análises de risco proporcionais, evitando impactos desnecessários às atividades produtivas já consolidadas.

O presidente da Comissão Nacional de Silvicultura da CNA, Antônio Ginack, e a assessora técnica da CNA, Eduarda Lee, também participaram da reunião.

Os integrantes da câmara setorial também discutiram temas como o Painel Floresta + Sustentável, a Política Agrícola para Florestas Plantadas (PAFP), o Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PNDF) e a Plataforma Agro Brasil + Sustentável.

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