Grande parte das 177 produtoras de ferro-gusa e de ferroligas de médio e grande porte no país, faz uso de carvão vegetal em seu processo produtivo, insumo que atua como biorredutor na geração do produto final dessas indústrias. Matéria-prima relevante para outras cadeias, o carvão vegetal nacional posiciona o país como o principal produtor no mundo, sendo o Sudeste a principal região de consumo, com destaque para Minas Gerais, que utiliza 45,8% do total. Segundo o Relatório Anual do IBÁ (2021), o insumo originado de árvores cultivadas, substitui aqueles de origem fóssil, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa (GEEs) na sua cadeia produtiva. Dessa maneira, o setor reforça o compromisso ambiental, beneficiando outras indústrias.

Além das vantagens para o meio ambiente, a redução das emissões de gases de efeito estufa na carbonização, por meio da combustão dos mesmos, pode ser atrativo economicamente, a partir da possibilidade de gerar projetos de créditos de carbono, pois há, nesse processo, a redução das emissões, principalmente de metano, gás considerado 21 vezes mais nocivo que o dióxido de carbono. Com essa pegada de carbono, muitas empresas do setor ferroligas estão buscando tal alternativa em suas plantas de carbonização, com o objetivo de queimar a fumaça liberada no processo, eliminando grande parte dos gases gerados na carbonização da madeira e dispersando, em sua maioria, gás carbônico e vapor d’água, e assim promovendo um sistema mais sustentável.

A siderurgia brasileira é a única no mundo a conservar um uso significativo do carvão vegetal como agente redutor, pois pela baixa concentração de enxofre, o material proporciona uma liga de maior qualidade, dispondo uma menor concentração de contaminantes do processo siderúrgico. Já no contexto da crescente preocupação mundial com a mudança global do clima, essa característica peculiar da siderurgia brasileira se torna um importante ativo do setor, uma vez que viabiliza uma trajetória de desenvolvimento de baixo carbono que pode significar um diferencial de competitividade para os produtos siderúrgicos brasileiros.

Quando abordamos o lado social, vemos que o uso de queimadores beneficia a comunidade ao redor das empresas e os trabalhadores, pois a captação dos gases reduz as emissões daqueles que seriam nocivos ao ar e poderiam ocasionar em curto e longo prazo, por exemplo, doenças respiratórias.

Outro motivo que o setor de ferroligas pode se beneficiar com a instalação dos queimadores, é a cogeração de energia, transformando o uso da energia em calor ou em energia elétrica, desenvolvendo mais receita aos produtores, e ainda pode ser usada na secagem da madeira a ser carbonizada, diminuindo o tempo de ciclo de produção, aumentando a capacidade produtiva e, consequentemente, a renda dos produtores.

Um exemplo prático na produção de carvão com o uso de queimador que está sendo espalhado, é o projeto siderurgia sustentável. O projeto foi criado para incentivar a redução de emissões de gases de efeito estufa na siderurgia brasileira. Para atingir seu objetivo, há uma busca no desenvolvimento e na demonstração de tecnologias e processos sustentáveis para a produção e uso de carvão vegetal na indústria de aço, ferro-gusa e ferroligas. Dessa forma se torna mais competitiva, colaborando para o fortalecimento tecnológico do setor industrial brasileiro, com amplo apoio à pesquisa e inovação. A proposta é construída no uso de um sistema denominado fornos-fornalha, que se constitui “em um conjunto de 4 fornos circulares conectados a um queimador central através de dutos”. O trabalho vem sendo construído em diversos locais no Brasil, como em São Paulo, Goiás, Espírito Santo e principalmente em Minas Gerais. Por meio do PNUD, essa tecnologia é oferecida aos pequenos e médios produtores rurais e traz ganhos de rendimento, além de produzir um carvão vegetal de maior qualidade, sem prejudicar a saúde de quem opera os fornos e sem poluir o meio ambiente.

Sistema Fornos-Fornalha

As empresas parceiras dos Grupos Temáticos Ferroligas e Carvão Vegetal Sustentável têm total apoio da SIF/UFV e de professores de excelência sobre o tema produção de carvão vegetal e têm buscado cada vez mais aderir às tecnologias de produção para a sustentabilidade e ir de encontro aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

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Fonte: SIF

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