É a primeira vez que o produto erva-mate recebe reconhecimento como IG de Denominação de Origem

A Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense ganhou o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem. Este é o primeiro registro na espécie Denominação de Origem para o produto erva-mate. O reconhecimento foi concedido hoje (14) pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI).

O outro registro para esse produto é na modalidade Indicação de Procedência, destinado à Erva-Mate de São Matheus, no Paraná, em 2017.

O processo para o registro da Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense contou com apoio financeiro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio de convênio, e também apoio técnico por mais de 10 anos. O Instrumento Oficial de Delimitação da área da IG, documento necessário para o registro, foi emitido pela Coordenação de Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários do Mapa. No total, a área geográfica engloba 20 municípios catarinenses.

Os produtores poderão aplicar em seus produtos um Selo representativo da cultura, bem como os Selos Brasileiros de IG, criados em 2021.

A Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense caracteriza-se por ser cultivada em ambiente de sombra esparsa junto à Mata de Araucária. O produto é constituído por folhas e ramos da erva-mate (Ilex paraguariensis), em sua maioria proveniente de ervais nativos, sem a presença de espécies exóticas e insumos químicos.

Além da sombra proporcionada à erva-mate, a Mata de Araucária tem papel fundamental durante o inverno, no qual o estrato arbóreo constitui uma barreira contra as perdas de radiação e os ventos frios. Dessa forma, contribui para a conservação de calor no solo e no ar, mantendo a umidade necessária aos ervais. 

A região apresenta a menor insolação anual no estado de Santa Catarina, o que garante à erva-mate um ambiente menos ensolarado. Tal sombreamento proporciona à erva-mate do Planalto Norte Catarinense maiores teores de cafeína, conforme evidenciaram estudos de caracterização química do produto, provenientes de municípios da área delimitada.

De acordo com a documentação apresentada no processo da Denominação de Origem, a análise sensorial da erva-mate do Planalto Norte Catarinense, realizada por um painel de especialistas, mostrou que, quando comparada às ervas-mate do Paraná, Rio Grande do Sul e da Argentina, a primeira apresentou maior brilho e um verde mais intenso na erva seca triturada. Além disso, a cor verde da infusão da erva-mate do Planalto Norte Catarinense foi superior.

Quanto aos atributos de doçura e amargor, a Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense apresentou maior nível de doçura e menor amargor, quando comparada às amostras das outras regiões mencionadas, gerando o sabor suave específico e mais valorizado no mercado, ainda segundo a documentação no processo.

Com relação aos fatores humanos do meio geográfico, os métodos de colheita e trituração, bem como o preparo da infusão de erva-mate, sofreram forte influência de diferentes povos. Desde o saber fazer atual da colheita, passando pelo sapeco e cancheamento (moagem), até o modo de preparo para consumo, somaram-se contribuições históricas dos povos indígenas, dos caboclos e dos tropeiros, que introduziram um instrumento chamado ouriço no processo de cancheamento; além da influência dos imigrantes europeus, que se incorporaram à atividade ervateira na floresta.

Indicações Geográficas 

A Indicação Geográfica (IG) é um instrumento de reconhecimento da origem geográfica de um produto ou serviço. Por isso, é conferida a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, que detêm valor intrínseco, identidade própria, o que os distingue dos similares disponíveis no mercado.

O total de Indicações Geográficas chega a 99, sendo 68 Indicações de Procedência (IP), todas nacionais, e 31 Denominações de Origem (DO), das quais 22 são nacionais e nove, estrangeiras.

* Com informações do INPI

Fonte: MAPA

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