“Porque alguns dirigentes de cooperativas conseguiram perceber que os associados que adotaram a ILPF conseguiram aumentar a lucratividade e a sustentabilidade da atividade”. A fala é do agrônomo, professor e consultor Ronaldo Trecenti, ao explicar a crescente tendência de recomendação do sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta por parte de cooperativas agropecuárias a seus produtores cooperados.

Para tratar desse assunto, no dia 26 de fevereiro, às 19h, o canal de Trecenti no YouTube vai reunir técnicos e produtores rurais da Cocamar Cooperativa Agroindustrial de Maringá, PR, e Cooperativa Comigo de Rio Verde, GO, e da COOPA-DF (Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal); além de um pesquisador da Embrapa Cerrados. A live ILPF nas cooperativas agropecuárias: da ciência à prática é o sexto programa da série “LIVE ILPF” e vai mostrar as experiências e números que dão sustentação a este crescimento efetivo do uso do sistema ILPF. Leia abaixo a entrevista exclusiva de Ronaldo Trecenti.

FEBRAPDP – “ILPF nas cooperativas agropecuárias: da ciência à prática”, este vai ser o tema da LIVE ILPF – 6 que você irá conduzir no dia 26 de fevereiro. O que será abordado exatamente?

Ronaldo Trecenti – Será abordado quanto e como os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) tem contribuído para a recuperação de pastagens degradadas e de áreas de lavouras com problemas de pragas, doenças e plantas daninhas; para a diversificação de atividades e da renda dos produtores rurais; para a melhoria da fertilidade química, física e biológica do solo; para o aumento da produtividade tanto da pecuária quanto das lavouras;para a redução dos riscos de mercado; e para o aumento da resiliência à intensificação das intempéries climáticas, principalmente as estiagens (veranicos) e as chuvas torrenciais.

FEBRAPDP – Quem vai participar?

RT: Emerson Nunes e Cesar Formighieri, da Cocamar; Hemython Bandeira, agrônomo do Departamento Técnico da Comigo, Claudio Teoro, agrônomo, da Fazenda Confusão Boa Sorte, de Rio Verde, GO; José Roberto Gonçalves, técnico da COOPA-DF, Paranoá, DF, e Lourival Vilela, pesquisador da Embrapa Cerrado.

FEBRAPDP – O que muda na prática nos sistemas de ILPF quando empregado pelos produtores cooperados?

RT: Na pratica a maneira de fazer a ILPF não muda, o que muda significativamente e qualidade e efetividade da orientação e do suporte técnico na tomada de decisões, na elaboração do projeto, no acompanhamento para a implantação e condução do sistema adotado.

FEBRAPDP – Por que, algumas cooperativas estão estimulando que seus produtores associados adotem os sistemas de ILP? Quais as principais vantagens sob os pontos de vista operacional e econômico?

RT: Porque alguns dirigentes das cooperativas conseguiram perceber que os associados que adotaram a ILPF conseguiram aumentar a lucratividade e a sustentabilidade da atividade. Do ponto de vista operacional há uma redução na sazonalidade de uso da mão de obra e um melhor aproveitamento do parque de maquinas. A ILPF permite a produção de forragens em quantidade, com qualidade e a baixo custo para alimentar o rebanho na entressafra, com possibilidade de formação de palhada para a realização do Sistema Plantio Direto, viabilizando a rotação de culturas, que resulta no incremento da produtividade e na redução dos custos de produção, diversificando e intensificando a produção, isto e, aumentando a produção por unidade de área (ha) e conseguindo incorporar áreas degradadas de pastagens, principalmente em solos arenosos, ao sistema produtivo.

FEBRAPDP – Há mais alguma vantagem além desses dois aspectos?

RT: Há ainda diversas vantagens que passam pelo aumento da biodiversidade, da potencialização do uso de bioinsumos, do controle biológico e dos remineralizadores, da geração de serviços ecossistêmicos ou ambientais como, por exemplo, a produção de água, a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), o sequestro de carbono na palhada, nas raízes e na madeira, todos possíveis de serem remunerados pelo pagamento de serviços ambientais (PSA).

FEBRAPDP – Em termos produtivos, há diferenças?

RT: Sim e muito expressivas. Com a adoção dos sistemas ILPF temos conseguido aumentar a produtividade da soja na rotação com milho consorciado com forrageiras em até 20 sc/ha; as pastagens melhoradas e sombreadas têm proporcionado aumento de 15% no ganho de peso animal/dia e de até 24% de aumento na produção de leite por animal/dia, em vacas zebuínas, além da produção de 45 m3/ha/ano de madeira de eucalipto, enquanto a média nacional de produção de madeira no eucalipto solteiro e de 35 m3/ha/ano.

FEBRAPDP – Em 2022, o 18º ENPDP irá visitar a Cooperativa Lar, para que os participantes do evento possam conferir in loco as peculiaridades do Sistema Plantio Direto no ambiente de produção cooperativo. Onde estão, para você, as principais distinções em termos de desafios entre o modelo cooperativo e o modelo comum, do produtor individual? 

RT: A união faz a força. Os produtores organizados em cooperativas aumentam significativamente a capacidade de superar os desafios de produzir em quantidade, com qualidade, com competitividade e sustentabilidade para atender as exigências do mercado consumidor. Sozinho ele se torna presa fácil, fica muito difícil e até mesmo quase impossível.

FEBRAPDP – Pode falar um pouco sobre o Sistema Plantio Direto dentro deste contexto da ILPF em cooperativas?

RT: Hoje o SPD está vinculado a ILPF, não dá para imaginar um sem o outro. O SPD facilita a implantação das culturas na ILPF e a ILPF viabiliza a recuperação de áreas degradadas, especialmente de pastagens, e possibilita a formação de palhada para o SPD. A COOPA-DF, por exemplo, desde o início da criação do Parque Ivaldo Cenci e da realização da Feira AgroBrasilia em 2008, destinou uma área significativa para a implantação de uma Unidade Demonstrativa com o Sistema Plantio Direto e os Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, onde anualmente realiza o tradicional Dia de Campo ILPF. Este ano, o evento voltará a ser realizado presencialmente, no dia 20 de maio.

FEBRAPDP – Em caso de produtores que não tenham acesso fácil a uma cooperativa, juntar-se aos vizinhos é uma possibilidade que pode gerar bons resultados, principalmente, sob o aspecto do custo de produção, ou até no melhor aproveitamento do timing das lavouras?

RT: Pequenos grupos de produtores, que não conseguem formar uma cooperativa podem juntar-se numa associação para fortalecer as suas ações na adoção da ILPF e viabilizar a realização, em conjunto, das práticas necessárias para a sua implantação como, por exemplo, demarcação de curvas de nível, construção de terraços, aplicação de corretivos (calcário e gesso agrícola), compra de insumos, sementes e mudas, plantio, tratos culturais, colheita etc.

FEBRAPDP – Qual o link para quem quiser assistir à live?

RT: Quem desejar assistir a Live ILPF com as cooperativas agropecuárias no dia 23/02, às 19 horas poderá acessar o meu canal no Youtube Ronaldo Trecenti, se inscrever e ativar o sininho de notificação para ser avisado. Além disso, poderá assistir as lives anteriores e, inclusive acessar as palestras e vídeos.

Fonte: FEBRAPDP

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