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Da chegada ao Brasil até se tornar ouro verde: como a silvicultura do pinus teve início no país

A trajetória do agronegócio brasileiro está diretamente ligada à ciência, à pesquisa e ao melhoramento genético. Culturas hoje consideradas pilares da economia nacional, como milho, soja, café, trigo e diversas frutas, passaram por extensos estudos de progênese, adaptação climática e avaliação de produtividade antes de se consolidarem no território brasileiro.

Nenhuma dessas culturas foi introduzida de forma aleatória. Ao longo da história, pesquisadores analisaram solos, regimes de chuva, temperaturas, incidência de pragas e potencial produtivo para definir quais espécies apresentariam melhor desempenho em cada região.

Esse mesmo caminho científico orientou a introdução do gênero pinus no Brasil, processo iniciado há cerca de 120 anos e que moldou a silvicultura comercial brasileira.

Estudos iniciais e a chegada do pinus ao país

Os primeiros experimentos com pinus no Brasil começaram no início do século XX, a partir da necessidade de ampliar a oferta de madeira e reduzir a pressão sobre florestas nativas. Assim como ocorreu com outras culturas agrícolas, diferentes espécies foram testadas de forma sistemática, considerando viabilidade econômica, adaptação climática e resistência a pragas. “Houve muita pesquisa para colocar o pinus no Brasil. Nada foi feito por acaso. Assim como aconteceu com o café, a soja, o milho e outras culturas, tudo passou por estudo, desenvolvimento e avaliação científica”, afirma Afonso Mehl Júnior, diretor da APRE.

Segundo registros históricos, pesquisadores implantaram parcelas experimentais com diversas variedades do gênero pinus, oriundas principalmente de regiões de clima semelhante ao do Sul do Brasil. A partir desses testes, foi possível identificar quais espécies apresentavam melhor crescimento e qualidade de madeira nas condições brasileiras, com destaque para Pinus taeda e Pinus elliottii. “Outras espécies também foram estudadas, inclusive de pinus tropicais, o que permitiu comparações detalhadas de resistência e produtividade”, relembra.

Adaptação, produtividade e benefícios econômicos

Com a adaptação confirmada, o pinus passou a desempenhar papel estratégico no desenvolvimento do setor florestal. O clima, a luminosidade e a fertilidade dos solos brasileiros permitiram um crescimento mais rápido em comparação a países do Hemisfério Norte, resultando em elevada produtividade e qualidade da madeira.

“Há 120 anos o pinus vem sendo estudado e utilizado no Brasil, sempre gerando benefícios. É uma espécie que se adaptou muito bem e que até hoje só trouxe desenvolvimento e riqueza”, destaca Afonso Mehl Júnior.

A madeira proveniente do pinus se tornou fundamental para diversas cadeias produtivas, abastecendo indústrias de papel e celulose, móveis, construção civil, painéis de madeira, bem como energia. Além disso, o cultivo em áreas já utilizadas anteriormente pela agricultura ou em regiões de menor aptidão agrícola contribuiu para a otimização do uso do solo e para a sustentabilidade do setor.

Afonso Mehl Júnior, que é engenheiro florestal, ressalta que a pesquisa não se encerrou com a definição das espécies mais produtivas. Ao longo do tempo, novos estudos continuaram sendo realizados para aprimorar o manejo, aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade do setor. “A pesquisa nunca parou. Ela começou há 120 anos e continua até hoje, sempre buscando melhorar o desempenho e o aproveitamento da cultura”, pontua.

Importância econômica e presença no Sul do Brasil

“O pinus é o que podemos chamar de ouro verde”, afirma Gilson Geronasso, ex-presidente e atualmente membro do Conselho Diretor da APRE, ao ressaltar os diferenciais do cultivo. “O gênero Pinus tem hoje extrema importância na economia brasileira, sendo o mais plantado no Sul do Brasil. Algumas espécies são de rápido crescimento e produzem madeira de fibra longa de excelente qualidade para diversas finalidades”.

A presença do pinus no cotidiano da população é ampla. Móveis, papel, embalagens, celulose e diversos produtos de uso diário têm origem em florestas plantadas, o que demonstra a relevância econômica e social do cultivo ao longo de mais de um século.

Um legado construído com pesquisa e planejamento

O histórico do Pinus no Brasil reflete um modelo baseado em ciência, planejamento e continuidade da pesquisa. Desde os primeiros experimentos até a consolidação do setor florestal, o gênero se integrou à paisagem produtiva brasileira, acompanhando a evolução das práticas de manejo e das políticas de desenvolvimento da silvicultura. 

O diretor executivo da APRE Florestas, Ailson Loper, ressalta a importância desse marco histórico. “Ao completar 120 anos de presença no país, o pinus reafirma seu papel como uma cultura florestal estratégica, construída a partir do mesmo rigor técnico que marcou o desenvolvimento das principais culturas agrícolas brasileiras, permitindo substituir a extração de fibras de florestas nativas pela colheita de florestas plantadas”, conclui.

Informações: Apre Florestas

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Com alta de 14%, indústria de MS domina 73% das exportações

Celulose, carnes e óleos vegetais puxam o setor em levantamento divulgado nesta segunda-feira (26).

A indústria de Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o melhor resultado da série histórica em exportações, ao faturar US$ 7,81 bilhões, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), divulgado nesta segunda-feira (26). O valor representa crescimento de 14% em relação a 2024, quando o setor registrou US$ 6,83 bilhões.

Somente em dezembro, as exportações industriais alcançaram US$ 687,6 milhões, alta de 10% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, que somou US$ 623,3 milhões. O desempenho marcou o melhor resultado já registrado para um mês de dezembro. No período, a indústria respondeu por 79% da receita total das exportações do Estado.

No acumulado de 2025, a participação do setor industrial chegou a 73% de todas as vendas externas de Mato Grosso do Sul. Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, os números confirmam a importância da indústria no comércio exterior estadual.

Os segmentos de Celulose e Papel, Complexo Frigorífico e Óleos Vegetais e produtos de sua extração concentraram 82% da receita anual das exportações. O grupo de Celulose e Papel liderou, com US$ 6,9 bilhões, impulsionado principalmente pela pasta química de madeira.

Os principais destinos dos produtos de celulose foram China, Itália, Holanda, Estados Unidos e Turquia. Já o Complexo Frigorífico somou US$ 2,4 bilhões entre janeiro e dezembro, com destaque para carnes bovinas desossadas, congeladas e refrigeradas, além de peito de frango desossado e congelado.

China, Estados Unidos, Chile, México e Holanda figuraram entre os maiores compradores dos produtos frigoríficos. No segmento de Óleos Vegetais, a receita chegou a US$ 561 milhões, puxada por bagaços e resíduos da extração do óleo de soja, farinhas, pellets de soja e óleo de soja bruto.

Holanda, Indonésia, Polônia, Espanha e Índia lideraram as compras desses produtos. O resultado consolida a indústria sul-mato-grossense como principal geradora de receita nas exportações e reforça o peso do setor na economia do Estado.

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Suzano encerra 2025 com mais de 430 profissionais formados para atuar na colheita florestal em Ribas do Rio Pardo

Desenvolvido em parceria com o Senai, programa de qualificação da Suzano fortalece a empregabilidade e impulsiona o desenvolvimento regional.

Comprometida com a geração de trabalho e renda e com o desenvolvimento socioeconômico da região, a Suzano encerra o ano de 2025 com 433 novos profissionais capacitados para atuar no setor de colheita florestal, em Ribas do Rio Pardo. O programa de qualificação profissional da companhia é uma iniciativa gratuita, desenvolvida em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que já formou nove turmas de Operadores(as) de Máquinas Florestais e três de Mecânicos(as) de Máquinas Florestais.

“Contribuir com o desenvolvimento regional por meio da valorização da mão de obra local é um compromisso da Suzano com Mato Grosso do Sul. Essa iniciativa dialoga com um dos nossos principais direcionadores, que diz que ‘só é bom para nós se for bom para o mundo’, uma vez que ao ampliar o acesso à qualificação, geramos oportunidades reais e colaboramos para promover a transformação das comunidades onde atuamos”, afirma Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Ribas do Rio Pardo.

Do total de 433 pessoas qualificadas, 271 profissionais foram contratados pela própria Suzano, sendo 202 homens e 69 mulheres, o que representa uma média geral de aproveitamento de 62,6%. Os demais formandos(as) passaram a integrar o mercado regional, atuando em empresas da cadeia florestal e de serviços.

Entre as pessoas contratadas está Beatriz Carolina Gonçalves, operadora de colheita. Aos 27 anos, ela conta que o curso de qualificação representou sua primeira conquista profissional. “Até então, eu não me via atuando no setor florestal ou como operadora de colheita, ainda mais em uma área tradicionalmente masculina. Me inscrevi acreditando na oportunidade de crescimento com a chegada da Suzano a Ribas do Rio Pardo e deu certo. Hoje, só tenho a agradecer por essa nova carreira”, recorda. Ela também destaca o impacto da iniciativa na promoção da equidade de gênero na região: “Antes, era muito difícil para mulheres encontrarem emprego. A Suzano ampliou essas oportunidades, e isso mudou a realidade de muitas mulheres e de muitas famílias”, complementa.

Criada em ambiente rural, Giovanna Batista Raimundo, de 22 anos, encontrou no programa o apoio necessário para transformar a carreira e a vida pessoal. “O curso é bem estruturado, une teoria e prática e prepara para a realidade da operação. Além disso, aprendi a importância da comunicação no ambiente de trabalho, o que contribuiu muito para o meu crescimento profissional e pessoal. Antes do curso, eu era bastante tímida e quase não me comunicava, mas esse aprendizado me ajudou a me tornar mais comunicativa e confiante”, afirma.

Assim como Beatriz e Giovanna, Gabriely Horas da Silva Amorim, de 22 anos, também viu no programa uma oportunidade concreta de mudança. “O curso foi uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Minha vida foi transformada, e hoje consigo enxergar um futuro profissional que antes não imaginava”, relata. Para ela, a presença feminina na operação também tem grande valor na promoção da equidade de gênero. “Ver mulheres atuando como operadoras mostra que esse espaço também é nosso”, completa.

Carreira na Suzano

As pessoas interessadas em construir uma carreira na Suzano podem acessar a Plataforma de Oportunidades da companhia (https://suzano.gupy.io/). Nela, é possível conferir todos os processos seletivos em andamento e se inscrever no Banco de Talentos. A Suzano reforça que todos os processos seletivos são gratuitos, sem a cobrança de qualquer valor para participação, e que as vagas oficiais estão abertas a todas as pessoas interessadas. Na página, candidatos e candidatas também podem acessar oportunidades no Estado, em outras unidades da empresa no país, além de realizar o cadastro no Banco de Talentos.

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Crise silenciosa no campo expõe desequilíbrio na cadeia da borracha

Enquanto a indústria de pneus discute medidas para conter o avanço das importações e tenta reverter a queda nas vendas no mercado interno, outro elo essencial da cadeia produtiva da borracha vive uma crise silenciosa no campo. Produtores e sangradores enfrentam uma combinação de preços defasados, ausência de contratos e falta de políticas públicas estruturantes, cenário que ameaça a sustentabilidade da produção nacional de borracha natural.

Apesar de estar diretamente associada ao setor automotivo, a borracha natural vai muito além dos pneus. Trata-se de uma matéria-prima estratégica para o desenvolvimento do país, com impacto econômico, social, ambiental e até de segurança nacional. Hoje, o Brasil produz cerca de 40% da borracha que consome, o que o torna dependente do mercado externo para abastecer a indústria.

A produção nacional, porém, exige planejamento de longo prazo. Um seringal leva cerca de dez anos para iniciar a produção e pode gerar renda por até 35 anos. “Se faltar borracha e decidirmos plantar hoje, o país só verá resultado daqui a uma década”, alerta Antonio Carlos Carvalho Gerin, presidente da Câmara Setorial da Borracha do Ministério da Agricultura. Segundo ele, garantir a autossuficiência é uma questão estratégica, já que a ausência da matéria-prima comprometeria cadeias industriais inteiras.

Além do aspecto econômico, a seringueira tem forte impacto social. A atividade gera emprego contínuo, com mão de obra perene, especialmente para trabalhadores com baixa qualificação técnica. “Um sangrador pode trabalhar no mesmo seringal por décadas. É uma atividade que fixa pessoas no campo e gera renda estável”, afirma Gerin. Há ainda o fator ambiental: a cultura da seringueira apresenta alta capacidade de captura de carbono, superando, em alguns casos, biomas nativos.

O problema, segundo o presidente da Câmara Setorial, começa na forma como o mercado é organizado. A cadeia produtiva é formada por três elos, produtores, indústrias intermediárias, conhecidas como usinas, e o consumidor final, representado majoritariamente pela indústria pneumática. Com cerca de 60% do mercado abastecido por borracha importada, as indústrias firmam contratos anuais de compra no exterior.

Quando há retração na venda de pneus, a borracha importada continua chegando, enquanto a produção nacional deixa de ser adquirida.
Esse movimento provoca uma queda artificial nos preços pagos no campo. Diferentemente de outras culturas agrícolas, a seringueira precisa ser sangrada regularmente. O que não é retirado da árvore não pode ser recuperado depois.

“Ou o produtor vende a um preço muito baixo ou não ganha nada”, explica Gerin. Hoje, o custo médio de produção de um quilo de látex gira em torno de R$ 6,50, enquanto o valor pago ao produtor está próximo de R$ 3,84.

A concentração do mercado agrava o cenário. Cerca de dez a doze usinas compram aproximadamente 90% da produção nacional, o que reduz o poder de negociação dos produtores. Sem contratos formais e sem mecanismos de proteção, o preço acaba sendo imposto. “Não há regra, não há índice de referência. Se amanhã o comprador decidir pagar menos, ele paga”, afirma.

No passado, existiu uma política pública que buscava equilibrar essa relação. Um decreto federal estabelecia que a borracha nacional não poderia custar menos do que a importada, além de prever incentivos à produção. A norma, no entanto, perdeu validade em 2008 e não foi renovada. Desde então, segundo Gerin, a metodologia de formação de preços passou a atender majoritariamente aos interesses da indústria de transformação e das pneumáticas.

Enquanto isso, medidas de proteção têm sido adotadas principalmente para produtos industrializados. Tarifas sobre pneus importados chegaram a 25%, mas incidem sobre itens de alto valor agregado. No campo, qualquer reajuste no preço da borracha teria impacto mínimo no valor final do pneu. “Em um pneu de caminhão que custa mais de R$ 3 mil, a borracha natural representa cerca de 20%. Um aumento no preço da matéria-prima não gera inflação, mas faz enorme diferença para quem produz”, argumenta.

O desequilíbrio tem provocado o abandono da atividade. Segundo estimativas da Câmara Setorial, o setor já perdeu entre 30% e 40% da mão de obra. Sangradores deixam o campo e migram para cidades pequenas, pressionando sistemas de saúde, educação e assistência social. “É um problema social grave. No campo, essas famílias têm moradia, renda e acesso a serviços básicos. Na cidade, muitas vezes, não têm alternativa”, diz Gerin.

A preocupação se estende também ao aspecto ambiental. A legislação brasileira exige que produtos importados sigam padrões sociais e ambientais equivalentes aos nacionais, mas, segundo o setor, isso não tem sido efetivamente fiscalizado. Estudos sobre condições de trabalho em países exportadores apontam situações precárias, o que amplia a assimetria competitiva.

Diante desse cenário, a Câmara Setorial da Borracha defende a criação de um comitê gestor que envolva diferentes ministérios, como Agricultura, Indústria e Comércio, Fazenda, Relações Exteriores, Meio Ambiente e Defesa. A proposta não é intervir diretamente no mercado, mas estabelecer regras claras que garantam equilíbrio entre os elos da cadeia.

“O setor não é contra a indústria nem contra a importação. O que defendemos é uma gestão justa, que considere o impacto social, ambiental e econômico de toda a cadeia”, afirma Gerin. Segundo ele, sem regras, o país corre o risco de perder sua base produtiva e aumentar ainda mais a dependência externa de uma matéria-prima considerada estratégica.

Informações: Isto É

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Excesso de borracha no Noroeste paulista preocupa setor nesta safra

Seringueiras estão com boa produtividade na região Noroeste, porém a oferta de borracha tem sido maior do que a demanda, especialmente das indústrias de pneus.

As regiões de Rio Preto e Votuporanga concentram a principal produção de seringueiras do País e iniciaram a safra 2025-2026 com uma preocupação: o destino da borracha produzida no campo. O maior desafio para os produtores não está na cadeia produtiva e nem no preço da commodity, que está registrando alta na Bolsa de Valores de Singapura, mas a questão envolve o elevado número de pneus importados comercializado no País.

Com a maior importação de pneus- a principal demanda da borracha produzida nos seringais da região- os produtores veem a oferta maior da borracha e os elevados estoques das usinas de beneficiamento ameaçar a safra de seringueira nesta temporada.

“Levamos a questão para o governo, mas o que vemos é uma enxurrada de pneus importados entrando no País e sufocando a produção nacional. O governo federal não toma nenhuma providência para proteger uma cadeia produtiva tão grande e forte como é a da borracha natural no Brasil”, afirma o diretor-executivo da Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Apabor), Fábio Tonus.

Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) apontam que a produção da borracha no País já respondeu por 70% da demanda do mercado há dois anos. Mas atualmente, no último levantamento de 2025, as indústrias estão comprando apenas 34% da borracha brasileira e optando pelo produto importado da China, que chega ao Brasil com preço mais baixo.

Imposto

O produtor e presidente da Apabor, Fábio Magrini, explica que a situação é de muita preocupação na safra deste ano, que ainda está no início e deverá atingiu a maior produção a partir do mês de março. “A borracha importada chega ao Brasil, dos países da Ásia, com preços muito mais baixos e as pneumáticas acabam comprando também os pneus importados, compensa para a indústria, mesmo com a cobrança de imposto de 25% do pneu para carros de passeio”.

Fábio comentou ainda que países como os Estados Unidos e o México elevaram os impostos de importação da borracha para 35%, recentemente. “Se não tivermos interferências dos governos estadual e federal, vai sobrar borracha no campo nesta safra”, pontua.

Pela primeira vez no cenário da produção nacional de borracha natural, o agrônomo e produtor Gilson Pinheiro considera que essa temporada deverá atingir uma produção maior do que o consumo do látex. “O problema não é que aumentamos o número de seringais, mas diminuiu o consumo da borracha no País. Essa a grande preocupação do setor, a sobra de borracha nesta safra por conta da importação de pneus que tem comprometido a indústria brasileira”, ressaltou.

Aumento de 9%

Segundo levantamento de Previsões e Estimativas de Safra do estado, elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), a safra paulista de 2024-2025 da seringueira registrou produção total de 266,2 mil toneladas de coágulo de látex, volume 8,6% superior ao do ciclo anterior, e rendimento médio de 2,375 mil quilos por hectare. A área total com os seringais expandiu-se 3,1%, totalizando 123,7 mil hectares.

Apesar de ter origem amazônica, atualmente 60% da borracha natural brasileira é produzida nos seringais do estado de São Paulo, conforme dados do IEA. As maiores produções se concentram nas regiões norte e noroeste do estado, tendo como as principais regionais São José do Rio Preto (31%), General Salgado (15,1%) e Votuporanga (13%).

Na região Noroeste, produtores contam que as seringueiras vêm se desenvolvendo bem e a produção tem boas perspectivas no campo. “Ainda é cedo para fazermos uma avaliação de aumento de produtividade, mas podemos estimar crescimento de 10%, com as chuvas que estão irregulares ainda, mas que contribuem com a safra”, diz Fábio Magrini.

A avaliação de Fábio Tonus também sinaliza a safra deste ano com a expectativa de vigor dos seringais. “A safra está com boas perspectivas, tem chovido na região e os seringais estão todos equipados, com pessoal contratado e sem problemas no campo”, diz Tonus.

Porém, para Tonus o problema maior está na cadeia produtiva. “As indústrias pneumáticas reduziram a capacidade de produção, inclusive com o fechamento de duas delas que fabricam pneus. É um momento muito diferente de tudo que a produção de seringueiras já presenciou”.

Estoques nas usinas

A região de Rio Preto, além de concentrar as maiores áreas de seringueiras, responde ainda pelo maior número de usinas de beneficiamento da borracha natural, que são responsáveis pelo envio do produto para as indústrias de pneus e do mercado leve (solados de calçados, preservativos, elásticos e outros). Nesta safra, as usinas já avaliam a falta de demanda do látex para as indústrias.

Renato Arantes, da usina Noroeste Borracha, localizada em Urupês, disse que nesta safra, pela primeira vez, a empresa já começa a temporada com estoque de borracha. Ele afirma que a maior dificuldade está no mercado, muito valorizado pela cotação da commodity, mas com consumo muito baixo da borracha no Brasil.

“O consumo da borracha pela indústria nacional caiu muito, por conta da maior competição com o pneu importado. Por isso nós já estamos iniciando a safra em 2026 com estoque e perspectiva de vendas bem reduzidas e isso tende a uma pressão maior de preços porque teremos uma oferta muito maior de coágulo”, afirmou Renato.


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Polli Fertilizantes aposta em nanotecnologia para elevar a eficiência da correção de solos no setor florestal

Fertilizantes especiais ganham espaço na construção da fertilidade em florestas plantadas.

A Polli Fertilizantes nasceu com o propósito de modernizar a correção e a fertilidade do solo no Brasil por meio da inovação tecnológica. A empresa dá continuidade ao legado iniciado ainda na década de 1970 pela Primocal, mas foi a partir da experiência internacional de seu CEO, Luiz Osni Miranda, que a Polli passou a investir de forma consistente em fertilizantes especiais baseados em nanotecnologia — trajetória que se consolidou com a fundação da empresa em 25 de setembro de 2011, em Colombo (PR).

Segundo Osni, a motivação surgiu ao observar um descompasso no campo. “Enquanto genética, maquinário e manejo evoluíam rapidamente, a correção de solo ainda se apoiava em métodos rudimentares, com baixa eficiência e lenta reatividade. Vimos aí a oportunidade de unir tradição e tecnologia para gerar resultados mais rápidos, sustentáveis e eficientes ao produtor”, afirma.

Luiz Osni Miranda / Divulgação

Tecnologia Nano Atom como pilar estratégico

Esse movimento resultou no desenvolvimento da Tecnologia Nano Atom, tecnologia patenteada que utiliza nanopartículas de carbonatos e silicatos para aumentar a superfície reativa dos corretivos e fertilizantes. O objetivo é potencializar a eficiência agronômica com menor dosagem, maior uniformidade de aplicação e redução significativa de impactos ambientais.

Hoje, a Nano Atom é o centro da estratégia da Polli. “Ela conecta inovação, sustentabilidade e produtividade. Estamos falando de uma redução de até 73,6% nas emissões de CO₂ em comparação ao uso de corretivos convencionais, além de ganhos logísticos e agronômicos claros”, destaca Osni. Para a empresa, tecnologia e agricultura regenerativa caminham juntas e são fundamentais para a expansão e consolidação da marca no mercado nacional e internacional.

Divulgação

Desafios técnicos do solo em sistemas florestais

Do ponto de vista técnico, a correção e a construção da fertilidade do solo seguem como grandes desafios, especialmente nos sistemas florestais. De acordo com Dra. Thais Ramari, diretora técnica da Polli Fertilizantes, esses desafios são amplificados pela escala das áreas, pela logística operacional e pela necessidade de previsibilidade no estabelecimento inicial das culturas.

Dra. Thais Ramari / Divulgação

“Acidez elevada, presença de alumínio tóxico, baixa saturação por bases e deficiência de cálcio e magnésio são fatores recorrentes. Além disso, muitos talhões apresentam acidez em camadas subsuperficiais, o que limita o crescimento radicular e aumenta a sensibilidade ao déficit hídrico”, explica.

Outro ponto crítico é conciliar eficiência agronômica com viabilidade operacional. “O produtor precisa corrigir o solo dentro de janelas curtas, com uniformidade, custo controlado e sem perder desempenho, seja em solos arenosos, com maior risco de perdas, ou em solos muito argilosos, com alta reatividade”, complementa.

Mais eficiência com menor dose

Nesse cenário, a Tecnologia Nano Atom se diferencia por acelerar a reação no solo. “Trabalhamos com partículas ultrafinas, de alta área específica, que aumentam o contato com a solução do solo. Isso favorece uma neutralização mais rápida da acidez e uma disponibilização mais eficiente de cálcio e magnésio, especialmente no momento crítico de estabelecimento da cultura”, detalha a diretora.

Entre os principais benefícios observados no campo estão o melhor desenvolvimento radicular, maior uniformidade de estande, melhor aproveitamento dos nutrientes aplicados e maior resiliência das plantas em situações de estresse. “Em florestas, uniformidade é produtividade. E o arranque inicial define boa parte do potencial produtivo do ciclo”, ressalta.

Os resultados tendem a ser mais evidentes em áreas com acidez elevada, baixa saturação por bases, solos arenosos ou muito argilosos, além de sistemas em implantação, reforma ou replantio florestal, onde a correção rápida e consistente é determinante.

Recomendação técnica orientada por dados

Para garantir segurança e consistência, a Polli não trabalha com doses padronizadas. A recomendação técnica é construída a partir de diagnóstico detalhado do solo e do sistema produtivo, posicionamento correto do produto e acompanhamento em campo.

“Analisamos camada por camada, histórico da área, textura, ambiente produtivo e objetivo do manejo. A partir disso, definimos a estratégia mais adequada para cada situação”, explica Ramari. O foco é reduzir variabilidade entre talhões e consolidar um manejo eficiente ao longo dos ciclos produtivos.

Visão de futuro

Para o CEO da Polli Fertilizantes, o futuro da agricultura passa, necessariamente, por inovação validada e responsabilidade ambiental. “Correção e nutrição adequadas são a base do equilíbrio entre solo, planta e fertilidade. O produtor que busca longevidade produtiva precisa apostar em tecnologias que entreguem eficiência agronômica com menor impacto ambiental”, afirma Osni.

Com uma proposta que une nanotecnologia, sustentabilidade e alta performance, a Polli Fertilizantes reforça seu posicionamento como referência técnico-comercial em fertilizantes especiais, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e resilientes no setor florestal.

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Brasil corta R$ 101 milhões para prevenção de incêndios e fiscalização ambiental

O orçamento federal para fiscalização do meio ambiente e prevenção de incêndios florestais em 2026 sofreu corte de 17% em relação a 2025. Estão previstos R$ 495,8 milhões, R$ 101 milhões a menos que os R$ 596,9 milhões destinados no ciclo anterior.

A quantia reservada para a área neste ano é a menor de todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se considerada a inflação no período. Com a redução, o montante determinado para 2026 é inferior ao de 2024, quando o Brasil registrou 278,2 mil focos de incêndio, o pior número desde 2010.

A Folha analisou dados do Painel do Orçamento Federal após Lula sancionar a Lei Orçamentária Anual (LOA), que fixa as despesas públicas. O levantamento considera os valores previstos no início de cada ano e envolve três ações voltadas às queimadas e à fiscalização ambiental, todas de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Em nota, a pasta da ministra Marina Silva afirma que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2026) previa R$ 507,4 milhões para o conjunto das medidas e que o Congresso Nacional cortou R$ 11,5 milhões durante a tramitação, resultando em R$ 495,8 milhões.

“Ressalta-se que, ao longo do exercício de 2026, recursos adicionais poderão ser realocados para as ações de fiscalização ambiental e combate a incêndios, conforme a evolução das necessidades, o cenário e risco climático e as possibilidades orçamentárias”, diz o MMA.

Após ajustes feitos no decorrer de 2025, a verba para a área passou de R$ 596,9 milhões para R$ 613,6 milhões, dos quais R$ 606,5 milhões foram empenhados, ou seja, de fato reservados para as atividades.

Nos últimos meses de 2024, o governo Lula liberou recursos emergenciais para combater as queimadas registradas naquele ano, sendo que R$ 185,3 milhões foram aplicados em 2025 no conjunto das três ações orçamentárias analisadas. Com isso, o total empenhado em 2025 saltou para R$ 791,9 milhões, 59,7% a mais que os R$ 495,8 milhões previstos oficialmente para 2026.

A verba para prevenir e combater queimadas em áreas federais prioritárias, locais que deveriam receber atenção especial do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), sofreu a redução mais expressiva. O montante estimado em 2026 é de R$ 66,6 milhões, 48% a menos que os R$ 128,7 milhões fixados na LOA de 2025. As comparações consideram a correção pela inflação no período.

O orçamento para controle e fiscalização ambiental, também atribuído ao Ibama, passou de R$ 305,2 milhões em 2025 para R$ 232,7 milhões em 2026, um corte de 24%.

O recurso para fiscalização ambiental e prevenção de incêndios florestais em unidades de conservação federais, que deve ser gasto pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), foi reduzido em 6%, de R$ 209 milhões para R$ 197,1 milhões.

Brasília (DF), 16/09/2024 – Grandes focos de incêndio atingem áreas do Parque Nacional de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Especialistas mostram preocupação com os cortes e temem a ocorrência de novas queimadas em 2026. A volta do El Niño, o aquecimento cíclico das águas do oceano Pacífico que intensifica a seca na amazônia, poderia agravar a situação, mas ainda não há confirmação sobre o retorno do fenômeno.

Gustavo Figuerôa, biólogo e diretor de comunicação da ONG SOS Pantanal, afirma que é essencial ter recursos crescentes para a prevenção de incêndios florestais. “É muito preocupante subir e descer o orçamento todo ano. Não tem uma constância, e descontinua trabalhos que estão sendo iniciados.”

“Esse investimento tem de ser constante e cada vez maior, para no futuro próximo, inclusive, deixar de gastar o que se gasta nessas ações emergenciais”, diz. “É uma questão estratégica. Trabalhar na prevenção é muito mais eficaz e barato do que trabalhar no combate depois.”

Informações: Revista Cenarium

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Cidade turística de 12 mil habitantes no Sul vai ganhar nova fábrica de R$ 24 bilhões

A chilena CMPC avançou mais uma etapa no projeto de instalação de sua nova fábrica de celulose no Brasil ao assinar, nesta semana, o contrato de concessão do terreno e de construção de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Também foram firmados contratos para a construção de novas embarcações, reforçando a logística do empreendimento. Com os novos avanços, a companhia reafirmou o cronograma de entrega do projeto para o segundo semestre de 2029.

Investimento bilionário e cronograma mantido

Os investimentos relacionados à estrutura portuária e logística devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do total aproximado de R$ 24 bilhões previstos para a implantação da unidade industrial em Barra do Ribeiro, município localizado a cerca de 30 quilômetros ao sul de Porto Alegre, às margens do Lago Guaíba. Segundo o diretor de celulose da CMPC, Antonio Lacerda, a estimativa é que as obras do terminal sejam concluídas em meados de 2029, com a fábrica iniciando operação dois meses depois. “Tudo está dentro do cronograma”, afirmou o executivo em entrevista ao Valor.

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Foto: Reprodução

Batizado de Projeto Natureza, o empreendimento terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto. O investimento ainda depende da aprovação do conselho de administração da empresa, condicionada à obtenção das licenças ambientais. De acordo com Lacerda, a companhia está na fase final dessas autorizações, com expectativa de levar o projeto ao conselho em meados deste ano.

Base florestal e desafio da mão de obra

Na frente florestal, a CMPC afirma já possuir madeira plantada suficiente para abastecer, por cinco anos, tanto a nova fábrica em Barra do Ribeiro quanto a unidade que a empresa já opera no Brasil. Outro desafio estratégico é a formação de mão de obra. Atualmente, a companhia conta com cerca de 6,5 mil colaboradores diretos e indiretos, número que deve ultrapassar 10 mil com a entrada em operação da segunda fábrica.

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Foto: Reprodução

Segundo o executivo, a empresa já mapeou as necessidades futuras de pessoal, as habilidades exigidas e o tempo de capacitação necessário. A CMPC vem trabalhando em parceria com entidades do Rio Grande do Sul para preparar os profissionais que atuarão no projeto. “É um grande desafio, e a tendência é ficar mais complexo, mas estamos nos preparando para minimizar esse impacto”, afirmou Lacerda.

Mercado global em ajuste e impacto regional

O avanço do projeto ocorre em um momento de ajustes no mercado global de celulose. Em 2025, o preço da celulose de fibra curta (BHKP) na China — principal referência para a commodity — registrou forte queda, passando de US$ 540 por tonelada, no início do ano, para US$ 495 em julho. A partir de agosto, houve recuperação, com o preço encerrando o ano em torno de US$ 560 por tonelada.

Apesar da instabilidade gerada por fatores como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a desaceleração do setor de construção na China, a CMPC avalia que a principal pressão sobre os preços veio do aumento da oferta, impulsionado pela entrada de novos volumes no mercado e pelo avanço de fábricas integradas no país asiático. “Ninguém esperava uma oferta de madeira tão grande aos produtores chineses em função da queda da demanda do mercado de construção. Isso alterou a dinâmica do mercado”, observou Lacerda, acrescentando que, ainda assim, a celulose brasileira segue competitiva.

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Foto: Reprodução

Com pouco mais de 12 mil habitantes, Barra do Ribeiro tem origem histórica ligada à instalação de uma charqueada em 1780 e se emancipou de Porto Alegre em 1959. Conhecida pelas praias de água doce, áreas de mata nativa e atrativos culturais, como a Fábrica de Gaiteiros, a cidade deve passar por transformações significativas com a chegada do novo empreendimento industrial, que promete impactar a economia local e regional nos próximos anos.

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Pelo terceiro ano consecutivo, CMPC é reconhecida como a empresa florestal mais sustentável do mundo

A companhia foi classificada na categoria Paper & Forest Products, de acordo com o índice Dow Jones Best-in-Class Index.

Pelo terceiro ano consecutivo, a CMPC obteve o primeiro lugar como indústria florestal e de papel mais sustentável do mundo no Dow Jones Best-in-Class Index. O ranking considera o período de 2025 e novamente reconhece a posição da empresa como referência global no setor.

O DJBCI avalia anualmente cerca de 2.500 das empresas de capital aberto mais relevantes do mundo, selecionando aquelas com o melhor desempenho por indústria, com base em critérios econômicos, ambientais, sociais e de governança corporativa. Nesse contexto, a CMPC voltou a liderar a categoria Paper & Forest Products, dando continuidade ao primeiro lugar alcançado nas medições de 2023 e 2024.

“Ser reconhecidos pela terceira vez consecutiva como a empresa florestal mais sustentável do mundo reflete uma trajetória construída com visão de longo prazo, padrões exigentes e uma profunda responsabilidade com nossos impactos. Este resultado valida uma forma de fazer empresa que entende a sustentabilidade como um eixo central em toda a sua cadeia de valor”, afirmou Francisco Ruiz-Tagle, CEO da CMPC.

É importante reforçar que, para a CMPC, a sustentabilidade é um pilar estratégico essencial que impulsiona sua competitividade e liderança global, integrando-se de forma transversal em toda a sua cadeia de valor. Este enfoque se materializa por meio de certificações internacionais (FSC/PEFC), operações industriais eficientes e sólidas políticas de governança corporativa, garantindo o cumprimento dos mais altos padrões de transparência e resiliência em todas as suas áreas funcionais.

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Chilena CPMC confirma cronograma para nova fábrica de celulose no Brasil

Nesta semana, a chilena CMPC deu mais um passo no projeto de instalação de sua nova fábrica de celulose no Brasil ao assinar o contrato de concessão do terreno e construção de um Terminal de Uso Privado (TUP), no Porto de Rio Grande (RS). Também foram firmados contratos para a construção de novas embarcações. Com esses avanços, a companhia reafirmou o cronograma de entrega do projeto para o segundo semestre de 2029.

As iniciativas devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do montante aproximado de R$ 24 bilhões previsto pela empresa para a construção da unidade industrial em Barra do Ribeiro (RS). “A estimativa de término das obras [do terminal portuário] é em meados de 2029, com a fábrica entrando em operação dois meses depois, ou seja, tudo está dentro do cronograma”, disse Antonio Lacerda, diretor de celulose da CMPC, em entrevista ao Valor.

O Projeto Natureza, como o empreendimento foi batizado, terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto. O investimento ainda precisa ser aprovado pelo conselho de administração. “Precisamos ter as licenças ambientais para ir ao conselho. Estamos na fase final de aprovações”, afirmou Lacerda. Segundo ele, isso deve acontecer em meados deste ano.

Em relação à base florestal, o executivo disse que a CMPC já possui madeira plantada suficiente para rodar as duas fábricas no país por cinco anos. Além da nova unidade em Barra do Ribeiro, a empresa chilena já opera uma fábrica de celulose no município de Guaíba (RS), com capacidade anual de 2,4 milhões de toneladas de celulose de eucalipto.

Outra frente importante para o projeto é a de capacitação de mão de obra, que tem sido um desafio comum para diversas empresas do setor. Hoje, a CMPC conta com 6,5 mil colaboradores diretos e indiretos, número que deve superar a marca de 10 mil com a entrada em operação da segunda fábrica.

Segundo Lacerda, a empresa já mapeou quando precisará dos novos colaboradores, quais habilidades serão necessárias e o tempo de formação exigido. “Estamos trabalhando junto com entidades do Rio Grande do Sul para capacitar essas pessoas. É um grande desafio, e a tendência é ficar mais complexo, mas estamos nos preparando para que ele seja um pouco menor”, disse.

Momento de ajustes sob efeitos da China e do tarifaço dos EUA
O mercado de celulose atravessa um momento de ajustes após um ano de oscilações. Em 2025, o preço da celulose de fibra curta (BHKP) na China — mercado de referência para a commodity — teve forte recuo, saindo de US$ 540 por tonelada, nos primeiros meses, para US$ 495, em julho. Uma recuperação começou a se desenhar em agosto, com a cotação encerrando o ano em cerca de US$ 560 por tonelada.

A leitura é que, embora o tarifaço de Donald Trump tenha gerado instabilidade no comércio global, a entrada de novos volumes no mercado — principalmente da nova fábrica da Suzano — e o avanço de fábricas integradas na China (que produzem a própria celulose) foram as principais explicações para o cenário desafiador de preços observado no ano passado.

“Ninguém esperava uma oferta de madeira tão grande aos produtores chineses em função da queda da demanda do mercado de construção. Isso alterou a dinâmica do mercado”, observou Lacerda. Na sua avaliação, o movimento de integração de produtores chineses vai continuar, mas a celulose brasileira continua sendo mais competitiva.

Embora os preços da fibra tenham apresentado um leve incremento nos últimos meses, Lacerda avalia que o patamar atual continua desafiador, especialmente para produtores da Europa e dos Estados Unidos, onde as fábricas são mais antigas e menos eficientes. “Temos visto vários fechamentos, e esse movimento deve continuar”, disse. Diante desse cenário, ele mantém um “otimismo cauteloso” em relação ao mercado.

Informações: Valor Econômico

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