Programa estadual busca fomentar a cadeia produtiva de madeira em Goiás; fabricação de papel e uso de biomassa são focos.
A crescente demanda mundial por produtos de base florestal, como os voltados para fabricação de celulose e papel, e o aumento da produção industrial, que necessita desta biomassa em seus processos, abre oportunidades para a expansão da silvicultura. De olho neste potencial, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), lança nesta quinta-feira (15) o Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal, que definirá medidas de estímulo para ampliar a produção desta cadeia produtiva e estimular investimentos no beneficiamento.
O Plano Diretor Estadual do Setor de Base Florestal reúne estudos edafoclimáticos, logísticos e econômicos para orientar estes investimentos e estruturar zonas produtivas. O boletim Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2024, do IBGE, mostrou que a produção do segmento florestal somou R$ 44,2 bilhões em 2024, um crescimento de 16,7% sobre 2023. A silvicultura respondeu por R$ 37,2 bilhões, avanço de 17,4%.
Em Goiás, a produção de lenha continua sendo o principal ativo da silvicultura, o que mantém o estado entre os maiores produtores nacionais da biomassa energética. Em 2024, foram produzidos 3,2 milhões de metros cúbicos de lenha de eucalipto. Mas o maior crescimento ocorreu na produção de madeira em tora de eucalipto, destinada ao setor de papel e celulose: foram 880,8 mil metros cúbicos, um aumento de 228%, enquanto o valor de produção cresceu 921%. O estado também se destaca na produção de borracha natural.
Atualmente, Goiás possui 123,2 mil hectares de florestas plantadas destinadas à produção florestal, que movimentaram R$ 782,6 milhões em 2024, segundo o IBGE. Mas, de acordo com a Seapa, a área apresenta potencial de expansão diante da demanda crescente e das condições climáticas favoráveis do Cerrado.
O Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal de Goiás, instituído pela Lei nº 21.674/2022, reconhece o setor florestal como estratégico e estabelece diretrizes para expansão sustentável. “Nos estados com vocação produtiva, a produção dos produtos de base florestal tem sido pouco expressiva, considerando o aumento da demanda, principalmente por produtos voltados a fabricação de papel e celulose e a biomassa de eucalipto como matéria-prima de processos agroindustriais”, avalia o secretário de Agricultura, Pedro Leonardo.
Ele lembra que Goiás é o estado com maiores indicadores de desenvolvimento industrial e que a produção de produtos de base florestal para matéria-prima não tem acompanhado o crescimento das agroindústrias e do setor de mineração. “A principal matéria-prima para o processamento destes ativos minerais são os produtos de base florestal, que têm demanda crescente no mundo”, adverte.
Goiás tem vantagens logísticas, climáticas/agronômicas e disponibilidade de terras para o cultivo de florestas em 7,5 milhões de hectares ocupados por pastagens degradadas ou em algum estágio de degradação, que podem ser convertidas em silvicultura para produção do volume necessário de matéria-prima que estimule os investimentos industriais. “São áreas que podem ser recuperadas através da silvicultura”, diz o secretário.
Além disso, ele lembra que há um aumento da demanda global por papel e celulose, principalmente nos países asiáticos, para fabricação de produtos como papéis sanitários, o que é oportunidade muito grande para a economia goiana. Por isso, o plano tem como objetivo propor um conjunto de medidas governamentais e do setor privado para criar um ambiente de atratividade para os investimentos florestais em Goiás.
“Poderemos aproveitar oportunidades também provenientes do crescimento industrial e do setor mineral, que demanda a biomassa de eucalipto”, diz .
Medidas
O Plano prevê medidas para desburocratizar legislações para licenciamentos ambientais pertinentes ao plantio e processos de implantação de indústrias fabricantes de papel e celulose. Segundo o secretário, as ações visam proporcionar incentivos para atrair investimentos no setor florestal, inclusive medidas tributárias, além de investimentos na qualificação da mão de obra. Mas, para que sejam atrativos e viáveis, estes investimentos precisam estar casados com o aumento do massivo florestal.
Pedro Leonardo ressalta que a ideia também é propor produtos customizados para facilitar o acesso ao crédito para os investimentos em florestas e industriais, através de linhas que já existem no BNDES e no FCO Rural. A Goiás Fomento deve criar linhas de crédito específicas, dentro de um pacote customizado, com taxas diferenciadas e maiores períodos de carência, adequados às características dessa cadeia produtiva. “O retorno financeiro vem a longo prazo e o período de carência precisa equivaler a este tempo”, explica.
O empresário e silvicultor, Manuel Nunes Teixeira, há 25 anos produz madeira em Abadia de Goiás e Guapó: eucalipto, mogno, paricá e a teca. A produção vai para sua fábrica de móveis ou é vendida para outras indústrias. Para ele, o problema da silvicultura é que todos os elos da cadeia trabalham desconectados. “Precisamos de um órgão para unir a cadeia e compartilhar conhecimentos. Só temos o apoio da Embrapa”, conta. Neste ano, Teixeira também está produzindo mais cavaco, para queima em caldeira. “Precisávamos de um programa assim. Houve uma corrida há algumas décadas para produzir eucalipto, mas, hoje, praticamente não tem produção no estado e as áreas foram cobertas por soja e milho, pela falta de incentivo para a silvicultura”, afirma.
Informações: O Popular
(Arte/O Popular)
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