Operação faz parte da estratégia de reestruturação global da companhia e foi bem recebida pelo mercado financeiro.
A International Paper concluiu a venda da sua unidade de Global Cellulose Fibers (GCF) para fundos afiliados ao grupo American Industrial Partners (AIP) pelo valor de US$ 1,5 bilhão.
A transação integra o plano de reestruturação da companhia, que busca concentrar suas operações em segmentos estratégicos com maior retorno e eficiência operacional.
Além do valor principal da operação, o acordo prevê a emissão de ações preferenciais com preferência de liquidação, estimadas em aproximadamente US$ 190 milhões, destinadas à International Paper como parte da compensação financeira.
A unidade Global Cellulose Fibers é especializada na produção de polpa de celulose utilizada principalmente em produtos de higiene e cuidados pessoais, como papel tissue, toalhas e fraldas. Em 2024, o segmento registrou receita aproximada de US$ 2,3 bilhões, já considerando o encerramento de algumas fábricas antes da conclusão da venda.
A operação envolve nove unidades industriais e oito escritórios regionais, com cerca de 3.300 funcionários distribuídos globalmente, que passam agora a integrar a estrutura administrativa sob gestão da American Industrial Partners.
A International Paper mantém atuação histórica no Brasil há mais de duas décadas. No país, a companhia foi responsável por operações industriais que deram origem à atual empresa Sylvamo, incluindo unidades localizadas em São Paulo e em Três Lagoas, município reconhecido como um dos principais polos da indústria de celulose do Brasil.
Embora a venda da GCF não envolva diretamente ativos brasileiros, analistas avaliam que o movimento reforça uma tendência global de reorganização do setor, com impactos indiretos sobre estratégias de investimento e competitividade em mercados como o brasileiro.
No mercado financeiro, a operação foi interpretada de forma positiva. As ações da International Paper, negociadas sob o ticker IP na Bolsa de Nova York, apresentaram movimentação positiva no curto prazo, refletindo a leitura de que a venda fortalece o caixa da companhia e melhora seu foco operacional.
A empresa possui atualmente valor de mercado superior a US$ 22 bilhões, e investidores acompanham com atenção os próximos resultados financeiros, que devem trazer maior clareza sobre os efeitos da reestruturação em andamento.
A divulgação do próximo balanço está prevista para o fim de janeiro, quando o mercado deverá avaliar de forma mais precisa o impacto da alienação da unidade de fibras no desempenho global da companhia.
A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.
Projeto atravessou dois anos de ajustes, leilão vazio, troca de vencedor e disputa judicial até a formalização.
Depois de um processo idealizado em 2023, marcado por falta de interessados, reformulações no projeto, disputas administrativas e judicialização, o Governo de Mato Grosso do Sul assina na próxima segunda-feira (2) o contrato de concessão da chamada Rota da Celulose. A concessão será formalizada com a Concessionária Caminhos da Celulose, consórcio liderado por fundo de investimentos da XP, que assumirá a recuperação, operação, manutenção, conservação e ampliação de capacidade de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais pelo prazo de 30 anos.
O Governo de Mato Grosso do Sul assinará na próxima segunda-feira (2) o contrato de concessão da Rota da Celulose com o consórcio Caminhos da Celulose, liderado por fundo de investimentos da XP. O projeto prevê a gestão de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais por 30 anos, com investimentos de R$ 6,9 bilhões. O processo, iniciado em 2023, passou por diversos desafios, incluindo um primeiro leilão sem interessados e disputas judiciais. A concessão abrange nove municípios e visa atender regiões com forte atividade econômica, especialmente ligadas à indústria de celulose, setor sucroalcooleiro e agropecuária.
O projeto teve início formal 2023, quando o Governo do Estado lançou um PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse) com o objetivo de estruturar a concessão de rodovias estratégicas localizadas nas regiões central, leste e do Bolsão sul-mato-grossense. A proposta envolvia trechos das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267, totalizando 869 quilômetros de extensão.
O corredor rodoviário atravessa nove municípios: Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Água Clara, Três Lagoas, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina e Anaurilândia e foi concebido para atender regiões com alto fluxo de veículos e forte atividade econômica, especialmente ligadas à indústria de celulose, ao setor sucroalcooleiro e à agropecuária.
Desde o início, o governo Eduardo Riedel (PP) tratou o projeto como estratégico para melhorar a infraestrutura logística do Estado, aumentar a competitividade de setores exportadores e reforçar a integração com a Rota Bioceânica, que conecta Mato Grosso do Sul ao Oceano Pacífico.
Detalhes do projeto da Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul (Imagem: Reprodução)
Com os estudos concluídos, o governo estruturou a concessão e marcou o primeiro leilão para dezembro de 2024, na B3, em São Paulo. O projeto previa cerca de R$ 6 bilhões em investimentos em obras de infraestrutura, incluindo duplicações, além de aproximadamente R$ 3 bilhões em custos operacionais ao longo de 30 anos.
No entanto, o leilão não atraiu interessados. A entrega de envelopes, prevista para o início de dezembro, não ocorreu, e o governo anunciou o reagendamento do certame. Poucos dias depois, confirmou a retirada do projeto da Bolsa.
O governador Eduardo Riedel explicou à Assembleia Legislativa que o momento econômico não favoreceu a concessão, citando a alta do dólar, juros elevados e a saturação do mercado de concessões rodoviárias, com milhares de quilômetros sendo ofertados simultaneamente em todo o país.
Membros do governo estadual e federal batendo martelo na segunda tentativa do leilão (Foto: Divulgação/Governo de MS)
Após o fracasso da primeira tentativa, o governo estadual iniciou uma nova rodada de consultas ao mercado e promoveu ajustes no edital. As mudanças não alteraram a extensão das rodovias concedidas nem o escopo das obras, tampouco os valores-teto de pedágio, mas modificaram principalmente o cronograma de investimentos.
O alongamento do prazo para execução de parte das obras permitiu diluir os custos ao longo do contrato e melhorar a taxa interna de retorno do projeto, tornando-o mais atrativo aos investidores. A concessão manteve o prazo de 30 anos e a cobrança de pedágio no modelo eletrônico free flow, com 12 pontos de cobrança previstos ao longo da malha.
O projeto ajustado voltou ao mercado e teve novo leilão marcado para 8 de maio de 2025.
Pontos de cobrança de pedágio no sistema free-flow (sem cabine de cobrança) (Imagem: Reprodução)
Diferentemente da primeira tentativa, o segundo leilão atraiu quatro concorrentes. O Consórcio K&G Rota da Celulose, formado pela K-Infra Concessões e pela Galápagos Participações, apresentou a melhor proposta, com desconto de 9% sobre a tarifa-teto de pedágio, superando o Consórcio Caminhos da Celulose, que ofereceu 8% de desconto.
Apesar da vitória no leilão, o resultado não se consolidou. O Consórcio Caminhos da Celulose entrou com recurso administrativo questionando a habilitação do K&G, alegando que a K-Infra havia perdido seu principal atestado de qualificação técnica após a decretação de caducidade da concessão da BR-393, a Rodovia do Aço, no Rio de Janeiro, por descumprimentos contratuais.
Em agosto de 2025, a Comissão Especial de Licitação acolheu o recurso, declarou o Consórcio K&G inabilitado e convocou o segundo colocado para dar continuidade ao processo. O recurso apresentado posteriormente pelo K&G foi rejeitado, confirmando a exclusão definitiva do grupo.
Após a perda da concessão, a K-Infra recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio de mandado de segurança, pedindo a suspensão da licitação e o impedimento da assinatura do contrato. A empresa alegou que a desclassificação teria se baseado em critérios supervenientes e não previstos no edital.
O pedido liminar foi negado pelo TJMS. Na decisão, o Judiciário entendeu que a paralisação do processo poderia causar prejuízo maior ao interesse público, ao atrasar investimentos e melhorias na infraestrutura rodoviária do Estado. Com isso, foi mantida a homologação do resultado em favor do Consórcio Caminhos da Celulose.
Em setembro de 2025, a Comissão Especial de Licitação considerou habilitado o Consórcio Caminhos da Celulose, após análise da documentação apresentada. O grupo comprovou capacidade jurídica, fiscal, econômico-financeira e técnica, com experiências anteriores em concessões rodoviárias.
Com a habilitação confirmada, o processo entrou na fase final, restando apenas trâmites burocráticos e o cumprimento das exigências prévias à assinatura do contrato. Mesmo com ações judiciais ainda em curso, o governo estadual manteve o andamento dos ritos administrativos.
Assinatura e próximos passos
A assinatura do contrato está marcada para a próxima segunda-feira (2), às 11h, no auditório da Governadoria, no Parque dos Poderes, em Campo Grande. Antes da formalização, representantes da concessionária farão uma apresentação técnica do planejamento da futura operação da Rota da Celulose.
O contrato prevê investimentos totais de R$ 6,9 bilhões ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, implantação de acostamentos, terceiras faixas, contornos urbanos, dispositivos de segurança, passagens de fauna e obras de arte especiais. Ao fim das intervenções, toda a malha concedida deverá contar com acostamento.
Com a assinatura, o governo encerra um ciclo iniciado em 2023 e destrava um projeto considerado fundamental para a logística da indústria de celulose, para a integração regional e para a melhoria das condições de tráfego em um dos principais corredores rodoviários de Mato Grosso do Sul.
A floresta de lariços do Parque Nacional Los Alerces tem espécie com crescimento extremamente lento e longevidade extraordinária.
O avanço dos incêndios florestais na Serra de Chubut reacendeu o alerta sobre um dos tesouros naturais mais valiosos da Argentina: a antiga floresta de lariços do Parque Nacional Los Alerces, que atrai milhares de turistas do mundo todo anualmente.
Enquanto o fogo continua a arder em diferentes frentes, com mais de 40 mil hectares devastados entre o incêndio que começou dentro do parque e o que avança a partir de Epuyén, a proximidade das chamas coloca em risco um ecossistema emblemático, cujos danos poderão ser irreversíveis mesmo sem o fogo atingir diretamente as áreas mais sensíveis.
Localizado na província de Chubut, no oeste do país, no coração da Cordilheira dos Andes e na fronteira com o Chile, o Parque Nacional Los Alerces foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 2017 por seu valor ambiental. Em seus mais de 188 mil hectares, alguns dos últimos trechos contínuos de floresta andino-patagônica permanecem em estado quase intocado, moldados por sucessivas glaciações que formaram morenas, circos glaciais e lagos cristalinos. O parque também abriga pinturas rupestres milenares.
Dentro dessa rede natural encontra-se a antiga floresta de lariços, um bosque dominado pela Fitzroya cupressoides, uma conífera endêmica de crescimento extremamente lento e longevidade extraordinária. Alguns exemplares têm mais de 2000 anos, o que os torna as árvores mais antigas da América do Sul. Seu valor não é apenas biológico. Por quê? Essas florestas testemunham a história do clima e do meio ambiente.
Aviso que já estava implícito
A preocupação com os incêndios no Parque Nacional Los Alerces não é recente. Em 2024, a UNESCO já havia destacado o impacto do fogo na área protegida, alertando para a vulnerabilidade deste Patrimônio Mundial.
Nesse contexto, a organização internacional deixou clara a importância excepcional do parque para a conservação das florestas andino-patagônicas e a necessidade de fortalecer as capacidades de prevenção e resposta diante dos incêndios florestais cada vez mais frequentes e intensos.
Dois incêndios ativos e uma região em estado de emergência
Apesar dos esforços para prevenir tais incidentes, a situação atual expõe mais uma vez essas vulnerabilidades. O incêndio que começou há mais de um mês e meio dentro do Parque Nacional Los Alerces permanece fora de controle e, impulsionado principalmente por ventos fortes e condições climáticas extremas, se alastrou em direção a áreas próximas a Cholila e Villa Lago Rivadavia.
Entretanto, o incêndio que começou em Puerto Patriada, em Epuyén, já devastou mais de 22 mil hectares e criou novas frentes de fogo que cercam cidades, campos agrícolas e áreas de alto valor ambiental. Bombeiros oficiais e voluntários trabalham quase incansavelmente, enquanto moradores evacuam animais e protegem suas casas em uma situação imprevisível e em constante mudança.
Floresta Milenar de Alerzal em Risco
Para Esquel e toda a região andina, a ameaça à floresta de lariço tem um significado que transcende o ambiental.
— Significa nossa falha como sociedade em cuidar das áreas naturais — disse à La Nacion Claudia Tabares, formada em turismo, ex-secretária de Turismo de Esquel, ex-delegada regional da Secretaria de Turismo e Áreas Protegidas e professora da Universidade Nacional da Patagônia San Juan Bosco.
— É uma mistura de sentimentos, entre tristeza e impotência, por causa do que isso representa para a natureza, para a população local e para os prestadores de serviços turísticos. Infelizmente, nos últimos anos, essa história continua se repetindo; não se trata apenas da ameaça à antiga floresta de lariços, mas de todo um ecossistema natural que está queimando.
‘El Abuelo’ (O Avô), lariço mais antigo do parque, tem cerca de 2620 anos e é um dos maiores símbolos da área protegida — Foto: Cortesia do Turismo de Esquel
Embora as chamas ainda não tenham atingido completamente as áreas mais vulneráveis da floresta de lariços, especialistas alertam que o risco não se limita ao avanço direto do fogo.
— O fogo é imprevisível. Há cerca de dez dias, falava-se em queimadas controladas, e ontem vimos moradores chorando porque perderam seu gado — observou Tabares.
— Além do que possa acontecer, o dano já está feito. A floresta de lariços é única devido à sua concentração de árvores antigas com mais de 2000 anos, mas todo o parque tem centenas de anos. Se uma árvore de 400 anos queimar, como as que estão queimando agora, é igualmente preocupante, já que várias gerações nunca mais verão aquela floresta.
Turismo, conservação e gestão em debate
A situação de emergência também suscita debates sobre como conciliar a conservação de um ecossistema extremamente frágil com o turismo, especialmente durante a alta temporada de verão. Milhares de visitantes exploram as trilhas, lagos e áreas de camping do parque, atraídos por uma paisagem que agora está ameaçada.
Para Tabares, o equilíbrio não se resume apenas a restringir o acesso.
— Ele é alcançado por meio de gestão e supervisão, como acontece com todos os sítios de patrimônio natural abertos ao turismo. Simplesmente proibir e estabelecer regras não basta. Os visitantes precisam estar cientes da importância da interpretação ambiental, por exemplo, e ter os recursos humanos e materiais necessários para cuidar adequadamente de um Parque Nacional e Patrimônio Mundial.
Nesse sentido, ele questionou as limitações estruturais que são expostas a cada incêndio.
— As áreas protegidas são importantes para evitar o impacto do turismo, mas também devemos considerar a criação de vias de acesso para os bombeiros ou a limpeza de áreas para impedir que o fogo se alastre tanto. Se os guardas florestais não tiverem combustível, ferramentas ou salários adequados, dificilmente estarão preparados para evitar essas situações. Não basta simplesmente designar áreas; precisamos apoiá-las com financiamento e gestão.
As consequências de uma potencial perda de floresta nativa ou de bosques de lariço vão além do âmbito ambiental e impactam diretamente a identidade turística de Esquel e de toda a região andina. Mesmo assim, Tabares propõe uma perspectiva de longo prazo:
— Como região, já vivenciamos cinzas vulcânicas e outros incêndios, e também superaremos isso. As empresas locais devem incorporar em suas narrativas o que aconteceu, o trabalho realizado no combate aos incêndios e o número de bombeiros de todo o país que participaram. Essa também é uma forma de conscientizar e criar um senso de pertencimento.
Segundo o especialista, os incêndios devem servir de alerta.
— Este tem de ser um ponto de virada na forma como as áreas naturais são geridas. Durante anos, dizia-se que estavam a ser cuidadas, mas não havia qualquer preparação para as defender contra o fogo. Gostamos de criar hierarquias e distinções, mas isso não se reflete nos orçamentos e nas ações. O verdadeiro valor não está nos títulos, mas na responsabilidade inerente ao cuidado dos ambientes que representam — destacou.
Entretanto, o Escritório de Turismo de Esquel confirmou que o fogo mudou de direção, permitindo que a árvore, conhecida como “El Abuelo” (O Avô), com mais de 2600 anos, escapasse do perigo. Contudo, as autoridades enfatizaram que a situação é instável e depende muito da possibilidade de novos focos de incêndio dentro do parque e da direção do vento.
Este último fator é crucial para a propagação do fogo para outra área, afastando-se tanto da árvore alerce quanto da região onde se localiza a geleira Torrecillas. Bombeiros e equipes do governo nacional e da província de Chubut continuam trabalhando de forma coordenada na área, com o objetivo de conter o avanço do fogo em outros setores do Parque Nacional Los Alerces.
Brasil pode fazer da restauração florestal um seguro verde contra os efeitos da crise climática.
O agronegócio e o governo brasileiros já provaram que sabem enfrentar desafios complexos com planejamento, coordenação e engajamento. A trajetória de erradicação da febre aftosa – uma doença que afetava o rebanho bovino – é um exemplo claro. Pressionado por restrições de acesso ao mercado internacional, o Brasil estruturou o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) e, em poucas décadas, saiu da vulnerabilidade sanitária para se tornar referência global. Essa transformação abriu mercados e fortaleceu a pecuária nacional.
A lição central desse processo — resposta coerente e sustentada a uma barreira concreta — deve agora inspirar uma nova agenda: fazer da restauração florestal um seguro verde contra os efeitos da crise climática.
Assim como a aftosa comprometia a competitividade da carne bovina, os eventos extremos já prejudicam a produtividade agrícola, afetam a segurança hídrica e colocam em risco a estabilidade econômica do país. Segundo pesquisa do Banco Central em 2024, 44% das instituições financeiras relataram impactos desses eventos, contra 17% em 2023.
As consequências incluem paralisações produtivas, perda de renda dos clientes e maior demanda por renegociação de crédito, elevando o risco sistêmico no setor.
Uma das soluções-chave para a crise climática no Brasil é reflorestar, pois florestas protegem o solo, promovem a geração de chuvas e permitem a continuidade da produção. Por exemplo, um estudo liderado pela Universidade de São Paulo mostrou que 75% da redução das chuvas e 16,5% do aumento da temperatura do ar próximo à superfície da Floresta Amazônica foram causados pelo desmatamento.
O Brasil tem uma “frente de expansão” óbvia para a restauração florestal com escala sem pressionar a produção agropecuária: pastagens degradadas. A rede MapBiomas mostrou que, embora a qualidade média tenha melhorado, ainda havia 40 milhões de ha de pastagens severamente degradadas em 2023 ou o equivalente a duas vezes o território do Paraná.
A experiência do plano contra a febre aftosa mostra que mudanças estruturais exigem metas de longo prazo, fases bem definidas e coordenação nacional. O Brasil já desenvolveu o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), mas não destinou recursos em escala compatível, nem estruturou uma linha de financiamento de longo prazo que o viabilize plenamente. Isso precisa mudar.
Outro aprendizado do PNEFA é a corresponsabilidade dos produtores. A adesão dos pecuaristas foi decisiva para o sucesso da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Da mesma forma, a adesão dos agricultores é indispensável para escalar o reflorestamento. Mas, para isso, é essencial incentivos claros e governança: crédito condicionado ao desempenho produtivo e ambiental, pagamentos por serviços ambientais, certificações com valor de mercado e monitoramento de desempenho.
O Brasil já subsidia o setor rural por meio de crédito público e instrumentos como CRA e LCA, que isentam pessoas físicas de Imposto de Renda. Esses incentivos barateiam o capital com impostos pagos por toda a população. Parte desses recursos pode — e deve — ser usada para financiar o seguro verde: a restauração da vegetação nativa. Dinheiro público deve gerar benefício público — como solo conservado, água disponível e produção estável. É hora de redesenhar os incentivos.
Outras regras brasileiras podem induzir o reflorestamento. O Código Florestal é claro quanto às obrigações de recomposição de áreas desmatadas ilegalmente. A arrecadação de multas ambientais poderia também gerar recursos para investir na restauração.
Para tanto, é necessário tornar a cobrança efetiva após decisões do STJ que confirmaram a validade de R$ 29 bilhões em multas do Ibama. A arrecadação de metade desse valor permitiria reflorestar cerca de 1,5 milhão de hectares.
A COP30, que ocorrerá em Belém, onde países discutirão políticas para lidar com a crise climática, também abre uma oportunidade estratégica. O Brasil tem proposto acordos de financiamento internacional para florestas. Se conseguir, o país poderia aumentar ainda mais a escala do reflorestamento.
Outra abordagem seria direcionar parte dos recursos da exportação para o seguro verde. As exportações agropecuárias e florestais de reflorestamento em 2024 chegaram a cerca de R$ 954 bilhões. Um programa que arrecadasse 1% sobre esse valor para o seguro verde, geraria R$ 9,5 bilhões, o que seria suficiente para restaurar quase um milhão de hectares por ano.
Mas, mesmo sem depender de um consenso internacional imediato e de novos acordos, o país pode começar com os recursos internos.
O monitoramento é outro pilar central. O sucesso do PNEFA se apoiou em auditorias e credibilidade internacional. No caso ambiental, o Brasil já dispõe de ferramentas modernas e confiáveis, como o MapBiomas e os sistemas de satélite do INPE, que permitem acompanhar o avanço da restauração rapidamente e com custos baixos. Conectar incentivos a dados públicos verificáveis fortalece a confiança de mercados, consumidores e investidores.
Restauração também gera emprego e renda. Levantamentos do WRI Brasil estimam 0,42 emprego por hectare restaurado (42 empregos a cada 100 hectares), com forte potencial para cadeias de madeira manejada, castanha, cacau e açaí. Essa é uma vantagem concreta em um mundo em que automação e inteligência artificial tendem a transformar (e em parte substituir) ocupações.
Por exemplo, o reflorestamento de dois milhões de hectares por ano geraria cerca de 850 mil empregos considerando a densidade de empregos estimado pelo WRI.
Em resumo, restaurar florestas não é um custo, mas um investimento em segurança econômica. Se a erradicação da febre aftosa abriu mercados e possibilitou a expansão da pecuária brasileira, o reflorestamento pode proteger o setor de riscos climáticos e abrir novas frentes de investimento nas áreas já degradadas. O seguro verde é viável, urgente e necessário.
Falta tratá-lo com a mesma determinação estratégica com que o próprio setor rural com coordenação da política pública já venceu outros desafios.
*Paulo Barreto é pesquisador associado do Imazon / Artigo Globo Rural
Florestas plantadas vão além da celulose e do carvão vegetal e colaboram para a segurança alimentar.
A relação entre florestas plantadas e produção de alimentos, embora não pareça evidente, é mais presente na rotina dos brasileiros do que se imagina. Além de fornecer matéria-prima para celulose, papel e carvão vegetal, as florestas plantadas desempenham papel estratégico na agroindústria como fonte de energia e insumo produtivo, garantindo alimentos com qualidade e sustentabilidade na mesa dos consumidores. Em Minas, estado com a maior área de florestas plantadas do Brasil, com 2,3 milhões de hectares, o fortalecimento da cadeia da silvicultura é uma das prioridades do Governo estadual, com foco também na contribuição para a segurança alimentar.
A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), por meio da Superintendência de Fomento Florestal, desenvolve diferentes ações para impulsionar a cadeia. O trabalho tem como foco a ampliação das florestas produtivas, também chamadas de “florestas pensadas”, em especial, nas áreas de pastagem degradadas, colaborando para recuperação ambiental. Entre as ações, estão o apoio e fomento aos produtores florestais, a busca de parcerias públicas e privadas e a interlocução para soluções de entraves na produção.
“O uso da madeira advinda das florestas plantadas é fundamental para garantir a segurança agroalimentar, preconizada pelos governantes globais, já que muitos alimentos que chegam à nossa mesa dependem da madeira em alguma fase do seu processo produtivo”, diz a superintendente de Fomento Florestal da Seapa, Taiana Arriel.
Segundo Taiana Arriel, cresce o uso da madeira de reflorestamento como fonte energética e insumo produtivo na agroindústria, em especial a que produz alimentos. “A madeira e seus derivados, especialmente o cavaco de eucalipto e a lenha, são utilizados como biomassa para geração de energia térmica em laticínios, granjas, frigoríficos, usinas de beneficiamento, fábricas de ração animal, entre outros”, enumera.
O cavaco é usado no aquecimento de caldeiras, pasteurização do leite, secagem de grãos, esterilização de equipamentos e climatização de granjas, substituindo combustíveis fósseis e reduzindo emissões de carbono na atmosfera. No campo, é aplicado como cobertura de solo, no controle de erosão e na manutenção da umidade, beneficiando a produção agrícola e pecuária.
“Outro uso importante está nas camas de animais em granjas, aviários e estábulos. O cavaco garante absorção, conforto térmico e higiene, melhorando o bem-estar e a produtividade de aves, bovinos e equinos. Também é empregado na produção de carvão vegetal industrial e no ajuste de caldeiras de carbonização, atendendo indústrias alimentícias que utilizam calor controlado”, completa a superintendente.
Avicultura
Empresas da região Centro-Oeste de Minas, referência na produção de frango e outros alimentos, destacam-se como grandes consumidoras de madeiras de florestas plantadas, para mover as suas engrenagens. O uso começa nos aviários, onde as lenhas abastecem as fornalhas que aquecem os galpões. “Nas duas primeiras semanas de vida das aves, a lenha de reflorestamento é imprescindível para garantir um ambiente apropriado aos animais, antes de serem levados para o abate”, diz Ronam Antônio da Silva, líder de avicultura da JMC Agroindustrial, em São Sebastião do Oeste.
Taiana Arriel diz que uma das agroindústrias na região apresenta uma demanda de madeira de cerca de 180 m³ por dia, com previsão de chegar a 560 m³ em 2030. “A empresa adquire a lenha e realiza o processamento no próprio empreendimento, transformando-o em cavaco. Esses dados evidenciam o papel estratégico do setor florestal e reforçam a necessidade de políticas públicas que fortaleçam esta cadeia produtiva”, destaca.
O uso da lenha pelas agroindústrias pode ser medido pela produção da Madeiras Mata Verde, empresa que mantém floresta de eucalipto e usina de tratamento da madeira, em Itapecerica. São cerca de 1.500 ha plantados, de onde são colhidos, por mês, 2.000 m3 de madeira, lenha e carvão vegetal das florestas próprias. Enquanto o carvão vai para as siderúrgicas, a madeira tratada vai para a construção civil, agricultura e pecuária. “A lenha, vendida para as granjas e abatedouros da região, chega a corresponder a 40% da produção”, diz o fundador da empresa, Paulo Moraes.
Silvicultura em Minas
As florestas plantadas são a maior cultura agrícola de Minas, superior a 2 milhões de hectares. Dos 853 municípios mineiros, 811 deles desenvolvem a silvicultura. Minas detém 22% da área total de florestas plantadas no Brasil, que é de 10,3 milhões de hectares.
A agroindústria florestal do estado protege uma área de vegetação nativa equivalente a 40 vezes o tamanho de Belo Horizonte. Cada mineiro possui, em média, 187 árvores plantadas pela agroindústria florestal.
Com 102 anos de história, a Suzano celebra uma trajetória centenária que se confunde com o desenvolvimento de Três Lagoas e de Mato Grosso do Sul, onde gera cerca de 6 mil empregos, além de outros 4 mil em Ribas do Rio Pardo, e projeta o nome do Brasil como referência global na indústria de celulose e bioprodutos.
A Suzano, maior fabricante de celulose do mundo e referência global na fabricação de bioprodutos a partir do cultivo de eucalipto, está completando neste ano 102 anos de história, mais de um século de vida que entrelaça com Três Lagoas. As duas vivem um casamento de praticamente duas décadas.
Juntas, Suzano e Três Lagoas caminharam lado a lado rumo ao desenvolvimento. Desbravando o mundo da celulose em Mato Grosso do Sul, hoje, fizeram o Estado, principalmente a Costa Leste, ser referência mundial no setor que só cresce cada dia mais no país.
A Suzano leva o nome do Brasil e de Três Lagoas aos cinco continentes, destacando-se pelo pioneirismo tecnológico e arrojo no desbravamento de novas oportunidades de negócios no mundo.
A HISTÓRIA DA SUZANO
David Feffer é presidente do conselho de administração da Suzano Papel e Celulose e usou as redes sociais para parabenizar a empresa fundada em 1924 pelo imigrante ucraniano Leon Feffer. Inicialmente como uma empresa de comércio de papel, a Suzano teve seus rumos alterados a partir de 1939, quando, devido à Segunda Guerra Mundial, a importação de papel foi bastante dificultada.
“É uma data que me faz pensar: quanto mais madura a empresa fica, mais ela precisa de um skill especial. Ela precisa de escuta ativa, ela precisa escutar de verdade. Isso exige atenção, presença e dedicação. Clientes, colaboradores, parceiros, sociedade, a gente precisa que todos consigam se manifestar e temos que escutá-los. Essa ação, com muita humildade, vai nos levar muito longe”, disse.
Em 1941, em um passo ousado (já que dois anos antes teve que renunciar a todos os seus bens para investir no novo negócio), o Sr. Feffer abriu sua primeira fábrica localizada no Ipiranga, em São Paulo.
Oito anos depois, sob a liderança do filho de Leon, Max Feffer, inicia-se a pesquisa para fabricação de papel a partir do eucalipto no Brasil. Em 1955, para sustentar o rápido crescimento, adquiriu uma fábrica em Suzano, na Grande São Paulo, destinada à produção de celulose de eucalipto.
Em 1961, chega a primeira grande conquista internacional. A Suzano se torna a primeira empresa do mundo a produzir papel e celulose com 100% de fibra de eucalipto em escala industrial e, três anos depois, realiza a primeira exportação para a Argentina e, em 1975, começa a exportar para o mercado europeu. Atualmente, a companhia possui doze fábricas e uma joint venture no Brasil, localizadas em Mucuri e Eunápolis (sendo a última Joint Venture Veracel) – BA, Maracanaú – CE; Aracruz e Cachoeiro de Itapemirim – ES; Imperatriz – MA; Três Lagoas – MS; Ribas do Rio Pardo – MS; Belém – PA; e Suzano, Rio Verde, Jacareí, Mogi das Cruzes e Limeira – SP.
“Ser centenário não nos coloca acima do aprendizado, muito pelo contrário. Nós temos a obrigação de seguir em frente como um eterno aprendiz, como eternos empresários, criando, do nada uma startup de 102 anos. Precisa de criatividade e coragem para experimentar. Precisa de responsabilidade para manter o foco naquilo é essencial. Isso é bem complexo! Em alguns momentos, vamos precisar investir mais em determinada coisa, mas não importa. 102 anos é uma vida longa e queremos mais uns cem anos pela frente. Então, nós temos que seguir com nossos valores e acreditando nas nossas premissas”, ressaltou o presidente.
No Mato Grosso do Sul, além da já existente unidade de Três Lagoas, com duas linhas de produção, a companhia concluiu a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, em Ribas do Rio Pardo. Nomeado Projeto Cerrado, o empreendimento teve investimento de 22,2 bilhões de reais.
A nova unidade tem como um de seus diferenciais a gaseificação da biomassa para substituição de combustível fóssil nos fornos de cal, um novo marco da Suzano em ecoeficiência, que evidencia o compromisso da empresa com as pessoas e com o planeta.
SUZANO CAMINHA AO LADO DO MEIO AMBIENTE
Atenta à evolução do mercado e às mudanças do mundo, a Suzano se tornou referência em sustentabilidade, e, atualmente, é exemplo mundial na fabricação de bioprodutos a partir do cultivo sustentável de eucaliptos. Muito mais do que uma fabricante de papel e celulose, a empresa também encabeça diversos projetos socioeducacionais.
EMPRESA ATENTA AO FUTURO
Outros focos dos recentes investimentos da Suzano tem sido pesquisas em conservação, biodiversidade, água e mudanças climáticas. Desde 1999, ainda sob orientação do Sr. Max Feffer, mantém o Instituto Ecofuturo, e, em 2010, a Suzano adquiriu a FuturaGene, organização pioneira no aumento da produtividade e da sustentabilidade de árvores plantadas para a indústria de base florestal.
Em 2020, a empresa assumiu um conjunto de 15 metas de longo prazo baseadas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que direcionam os esforços da empresa para a renovação da vida, das pessoas e do planeta.
EXEMPLO
A Suzano é um grande exemplo de empresa que nunca parou de se reinventar e crescer. Tanto que, hoje, tem um papel importantíssimo e pioneiro dentro do mundo da sustentabilidade, não apenas no que se refere a seus processos da fabricação, como também na conscientização da sociedade sobre a necessidade de vivermos em um mundo mais harmônico, que combina desenvolvimento e meio ambiente de modo eficaz.
“Só pode ser bom para a Suzano se for bom para o mundo. As relações de qualidade são importantíssimas e a gente precisa agir de forma humilde. O forte gentil é uma forma de ser humilde e ao mesmo tempo empreendedor.
É uma forma que a gente consegue ter resultados potentes para conseguirmos reinvestir o lucro e continuarmos crescendo, gerando emprego e renda. Que a gente continue sendo gentil com as pessoas na forma que agimos, pois a gentileza vai fazer com que os outros nos acolham, nos escutem que as relações sejam melhores e duradoras. Os desafios são muitos, o mundo mudou, o clima mudou e as condições empresariais também mudam. Portanto é preciso que estejamos preparados para essas mudanças que estão por firma de forma ágil e leve. Sem se culpar olhando para trás, mas aprendendo com as lições anteriores. Com isso vamos construindo nosso futuro”, pontuou o presidente.
ORGULHO
A Suzano é motivo de muito orgulho para todos os brasileiros. Trata-se da maior produtora de celulose do mundo, uma das maiores fabricantes de papel da América Latina e líder de mercado em vários setores no Brasil. Falar da história dessa empresa, é também falar sobre a história da indústria gráfica brasileira e de Três Lagoas. Parabéns, Suzano, pelos 102 anos, e que muitos mais venham.
Comércio interestadual liderou vendas em 2025, enquanto exportações enfrentaram entraves burocráticos.
O mercado da madeira movimentou R$ 3,17 bilhões em Mato Grosso em 2025, crescimento de 2,86% em relação ao ano anterior. O desempenho reforça a importância econômica do setor no estado, que produziu 16,4 milhões de metros cúbicos ao longo do ano, considerando mercado estadual, interestadual, exportações e venda de madeira em tora.
O principal destino da produção foi o comércio interestadual, responsável por R$ 1,46 bilhão, o equivalente a 46,24% do total comercializado. O mercado interno estadual somou R$ 877,2 milhões, enquanto as exportações alcançaram R$ 596,89 milhões, o que representa US$ 113,01 milhões. Já a comercialização de madeira em tora movimentou R$ 232,1 milhões em 2025.
Na comparação com 2024, o crescimento do setor foi sustentado pelo avanço do mercado interestadual, que registrou alta de 18,89%. Em contrapartida, as exportações recuaram 10,5% e o mercado estadual apresentou queda de 7,92%, segundo dados do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem).
Comércio interestadual sustenta crescimento Mesmo com a retração em alguns segmentos, o desempenho do mercado interestadual consolidou-se como o principal motor do setor em 2025. O avanço compensou as perdas no mercado interno e nas exportações, garantindo crescimento global da cadeia da madeira no estado.
Ainda assim, as vendas para os Estados Unidos cresceram, apesar do aumento da tarifa de importação, que elevou a taxação de produtos de madeira para até 50%. As exportações para o país passaram de US$ 13,7 milhões em 2024 para US$ 15 milhões em 2025.
Burocracia afeta competitividade externa A queda nas exportações não está relacionada à falta de mercado ou à irregularidade da produção, pontua o Cipem. O presidente da entidade, Ednei Blasius, ressalta que a cadeia florestal do estado é cada vez mais profissionalizada e opera dentro da legalidade. “O setor florestal de Mato Grosso é cada vez mais profissionalizado, opera com manejo florestal sustentável e sistemas robustos de rastreabilidade”, afirma.
Entre os principais fatores que pressionam as exportações está a inclusão de espécies como Ipê e Cumaru na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que ampliou a burocracia e criou gargalos operacionais. Segundo o presidente do Cipem, “o que temos enfrentado são entraves de natureza institucional”, já que as exigências impactam diretamente a competitividade da madeira brasileira no mercado internacional.
Os principais destinos da madeira mato-grossense foram a Índia, com US$ 51,2 milhões e 156,8 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 15 milhões e 8,5 mil toneladas. A China aparece na sequência, com US$ 11,1 milhões e 18,2 mil toneladas, além da França, com US$ 7,1 milhões e 4,1 mil toneladas, e do Vietnã, que movimentou US$ 5,9 milhões referentes a 9,5 mil toneladas.
Emprego, arrecadação e desenvolvimento regional No mercado interno, o setor de base florestal segue como uma das principais atividades produtivas em diversas regiões do estado. Mato Grosso conta atualmente com 1.339 estabelecimentos ligados à cadeia da madeira, que empregam 10.323 trabalhadores de forma direta e cerca de 30 mil de maneira indireta.
Em cidades como Colniza, o setor responde por 18% dos empregos formais. “O setor está presente em todo o estado, com empregos gerados em 89 municípios”, afirma Blasius, ao destacar a importância econômica da atividade para o interior. “Por isso é tão importante fortalecer e estruturar o setor para ampliar ainda mais este mercado”, completa.
A cadeia da madeira também contribui para a arrecadação estadual. Em 2025, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) arrecadou R$ 28,5 milhões ligados ao setor, recursos destinados a investimentos em infraestrutura e habitação.
Regulação e qualificação profissional Para 2026, está prevista a entrega do primeiro guia de coleta botânica de Mato Grosso, que deverá orientar as atividades de base florestal no estado. Paralelamente, o Cipem investe na capacitação profissional por meio do projeto de Formação de Identificadores Botânicos, iniciativa voltada à redução do tempo de registro das espécies e à melhoria da qualidade dos inventários florestais.
Entre as demandas do setor estão a modernização do arcabouço regulatório e a redução de exigências consideradas redundantes. O Cipem defende a extinção do Certificado de Identificação de Madeiras (CIM), emitido pelo Indea, além da migração do Sisflora 2.0 para o DOF+, com maior integração entre os sistemas estadual e federal. No âmbito nacional, o setor também reivindica mudanças em resoluções do Conama para ampliar prazos e eliminar exigências que elevam custos e criam entraves à competitividade da indústria florestal legal.
O processo de ratificação pode levar seis meses ou mais, e não está descartada a inclusão de salvaguardas e mecanismos de reequilíbrio.
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção (Paraguai), e passa a redesenhar o cenário do comércio exterior brasileiro. Para o setor de papel e celulose, o tratado representa uma oportunidade estratégica de redução tarifária, ampliação de mercado e agregação de valor, com impactos diretos para polos produtores como Mato Grosso do Sul.
Atualmente, a União Europeia já é o segundo maior destino da celulose brasileira, respondendo por 21,1% das exportações do produto, o equivalente a US$ 1,98 bilhão em 2024. Com o acordo, a expectativa do setor é de ganho adicional de competitividade frente a concorrentes globais, especialmente em um mercado reconhecido por pagar preços médios superiores aos praticados na Ásia.
O que prevê o acordo Mercosul–UE Pelos termos do tratado, a União Europeia se compromete a eliminar tarifas para cerca de 92% das exportações do Mercosul, o que corresponde a aproximadamente US$ 61 bilhões em comércio, em um período de até 10 anos. No caso brasileiro, 82,7% das exportações terão tarifa zero já na entrada em vigor.
Além da celulose, o acordo contempla produtos como carnes, açúcar, etanol, café e manufaturados, ampliando o acesso do Brasil a um mercado de 450 milhões de consumidores. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o acordo pode elevar a participação do Brasil no comércio internacional de 8% para até 36% ao longo dos próximos anos.
Impacto direto na celulose brasileira Mesmo com uma retração de 12,9% nas exportações de celulose em 2024, a União Europeia manteve sua posição como mercado estratégico. A avaliação do setor é que o acordo tende a estimular a retomada das vendas, sobretudo de produtos com maior valor agregado, como a celulose solúvel, amplamente utilizada pela indústria têxtil sustentável europeia.
Outro fator relevante é o alinhamento do setor florestal brasileiro às exigências ambientais do bloco, como a EUDR (Regulamento Europeu Antidesmatamento), que impõe rigorosos critérios de rastreabilidade. Grandes empresas brasileiras já utilizam ferramentas como monitoramento por satélite, blockchain e cadeias certificadas, o que pode transformar a exigência ambiental em vantagem competitiva.
Mato Grosso do Sul no centro da estratégia Em Mato Grosso do Sul, onde a celulose é o principal produto da pauta externa, os efeitos do acordo tendem a ser ainda mais expressivos. Em 2025, o estado exportou cerca de 1 milhão de toneladas de celulose para a União Europeia, o que representou 26% de tudo o que MS vendeu ao bloco, com receita total de aproximadamente US$ 1,3 bilhão e saldo comercial positivo de US$ 812 milhões.
A consolidação do chamado Vale da Celulose, com grandes projetos industriais em Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu, reforça a expectativa de diversificação da pauta exportadora, maior integração logística e expansão do superávit comercial estadual.
Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais dos países membros. A França segue como principal foco de resistência, com o presidente Emmanuel Macron alegando risco de “concorrência desleal” para agricultores europeus e defendendo cláusulas-espelho ambientais e sanitárias.
O processo de ratificação pode levar seis meses ou mais, e não está descartada a inclusão de salvaguardas e mecanismos de reequilíbrio. O tratado também prevê que o Acordo de Paris seja elemento essencial, permitindo suspensão em caso de descumprimento climático.
A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.
Árvores crescerem até duas vezes mais rápido após o desmatamento, supercarregando a captura de carbono e mudando o jogo das estratégias globais de reflorestamento.
Uma nova pesquisa trouxe um alerta que mexe direto com o futuro das florestas tropicais: o que está “escondido” no solo pode acelerar a volta das árvores depois do desmatamento. Em áreas com nitrogênio suficiente, a recuperação acontece até duas vezes mais rápido, especialmente nos primeiros 10 anos, justamente a fase em que o crescimento define se a floresta engrena ou patina.
E isso não é só uma boa notícia para a paisagem. Crescimento mais rápido significa mais captura de carbono da atmosfera, com impacto direto nas estratégias de reflorestamento. O estudo aponta um caminho de gestão mais inteligente, trabalhando com a lógica da natureza em vez de depender de fertilizantes, que podem gerar efeitos colaterais ambientais.
O que os cientistas acompanharam por até 20 anos
A equipe, liderada pela Universidade de Leeds, montou o que descreve como o maior e mais longo experimento para entender como nutrientes afetam o crescimento de novas florestas tropicais.
O foco foram áreas tropicais previamente desmatadas por atividades como exploração madeireira e agricultura, exatamente os cenários em que a recuperação natural vira uma corrida contra o tempo.
Foram selecionadas 76 parcelas florestais na América Central, monitoradas por períodos de até 20 anos.
Os locais tinham idades e tamanhos diferentes, permitindo observar o processo de recuperação com o passar do tempo, acompanhando crescimento e mortalidade de árvores à medida que as florestas se reconstroem.
Como o experimento testou nitrogênio e fósforo na prática
Para isolar o efeito dos nutrientes, as parcelas receberam tratamentos diferentes: algumas ganharam fertilizante com nitrogênio, outras com fósforo, outras com os dois, e um grupo ficou sem tratamento. Esse desenho permitiu comparar como as florestas respondiam quando o “combustível” do subsolo mudava.
O resultado foi direto: o nitrogênio apareceu como o fator decisivo para acelerar a regeneração, especialmente no início. Já o fósforo, quando aplicado sozinho, não gerou o mesmo salto.
O nitrogênio virou o “motor” das florestas jovens
O ponto mais forte do estudo está no timing. Durante os primeiros 10 anos de recuperação, as florestas com nitrogênio adequado avançaram a uma velocidade aproximadamente duas vezes maior do que aquelas com deficiência do nutriente.
Isso importa porque essa primeira década é a fase em que a floresta define sua estrutura, ganha volume, fecha copa e começa a funcionar como um sistema mais estável.
Se o começo é lento, o retorno do ecossistema inteiro atrasa. Se o começo acelera, o ganho de biomassa e de carbono também acelera.
Por que “crescer mais rápido” muda a captura de carbono
Florestas tropicais são alguns dos maiores sumidouros de carbono do planeta. Quanto mais árvores crescem e acumulam biomassa, mais carbono fica armazenado nas plantas, em vez de circular na atmosfera.
A pesquisa estimou que, se a escassez de nitrogênio estiver freando florestas tropicais jovens no mundo, cerca de 0,69 bilhão de toneladas de dióxido de carbono podem deixar de ser armazenadas por ano.
Os autores comparam essa quantidade a aproximadamente dois anos de emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa do Reino Unido. Ou seja: o “freio” do solo pode custar caro para o clima.
Publicação e quem participou do trabalho
Os resultados foram publicados em 13 de janeiro na revista Nature Communications.
O estudo envolveu pesquisadores de várias instituições, incluindo Universidade de Glasgow, Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, Universidade de Yale, Universidade de Princeton, Universidade de Cornell, Universidade Nacional de Singapura e Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas.
O autor principal, Wenguang Tang, conduziu a pesquisa durante o doutorado na Universidade de Leeds e destacou que existe espaço para aumentar captura e armazenamento de gases de efeito estufa via reflorestamento, olhando com atenção para os nutrientes disponíveis às árvores.
Por que os cientistas não recomendam “jogar fertilizante” na floresta
Mesmo tendo usado fertilizante nitrogenado no experimento, a mensagem é clara: eles não recomendam fertilização de florestas como solução em larga escala.
O motivo é que o uso generalizado pode trazer efeitos colaterais, como emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa potente.
Em vez disso, a proposta é trabalhar com alternativas práticas e alinhadas com a natureza, evitando criar um remédio que gera outro problema climático.
As alternativas “inteligentes” sugeridas pelo estudo
A linha defendida pelos pesquisadores é estratégica: restaurar melhor, não apenas restaurar mais. Entre as opções apontadas, duas ganham destaque:
1) Plantar leguminosas para colocar nitrogênio no sistema naturalmente A sugestão é usar árvores da família das leguminosas, que adicionam nitrogênio ao solo, ajudando a sustentar o crescimento sem depender de fertilizantes.
2) Priorizar áreas que já têm nitrogênio suficiente Outra possibilidade é restaurar florestas em locais onde o nitrogênio já é mais abundante, inclusive por efeitos ligados à poluição atmosférica, direcionando esforços para onde a recuperação tende a ser mais rápida.
A lógica por trás disso é simples e forte: não é só plantar árvore, é escolher o terreno onde ela vai disparar.
O timing político: COP30 e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre
O estudo foi divulgado poucas semanas após o encerramento da COP30 no Brasil, quando foi anunciado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado a apoiar países com florestas tropicais na proteção das áreas existentes e na restauração das que foram danificadas.
A pesquisadora principal, Sarah Batterman, professora associada da Escola de Geografia de Leeds, reforça um ponto central: evitar o desmatamento de florestas tropicais maduras deve seguir como prioridade, mas entender como nutrientes influenciam a recuperação ajuda formuladores de políticas a decidir onde e como restaurar para maximizar o sequestro de carbono.
O que isso muda na prática para reflorestamento
A conclusão que fica é incômoda e poderosa: o subsolo pode decidir o sucesso do reflorestamento. Se a estratégia ignora nutrientes, pode acabar investindo pesado em áreas onde a floresta vai demorar muito mais a “pegar no tranco”. Se considera o nitrogênio, pode direcionar ações para acelerar a volta das florestas e aumentar a captura de carbono no ritmo que a crise climática exige.
No fim, a pergunta que vira debate é simples: você acha que os projetos de reflorestamento deveriam priorizar primeiro as áreas onde o solo já dá vantagem para as florestas crescerem mais rápido?
Setor florestal cresce, mas falta gente: o novo desafio estratégico de MS.
O avanço acelerado do setor florestal em Mato Grosso do Sul trouxe ganhos expressivos em produção, tecnologia e investimentos, mas também expôs um dos principais gargalos da cadeia: a escassez de mão de obra. O que há uma década era um cenário de abundância de trabalhadores disponíveis hoje se tornou um desafio estratégico para empresas de base florestal que operam no estado.
Segundo Germano Vieira, diretor florestal da Eldorado Brasil, a mudança é resultado de uma combinação de fatores. “Nos últimos anos, várias empresas passaram a operar em Mato Grosso do Sul, aumentando muito a demanda por profissionais. Além disso, o estado tem baixa densidade demográfica. A equação entre oferta e demanda mudou completamente”, explica.
Germano Vieira
O cenário é ainda mais complexo porque a escassez não está apenas relacionada ao número de trabalhadores, mas também ao perfil dessa nova força de trabalho. “A geração mudou. O que era aceito há 10 ou 15 anos já não é mais. Hoje, as pessoas buscam conforto, qualidade de vida, propósito e respeito dentro das organizações”, afirma.
Emprego existe, mas a adaptação é o desafio
Mato Grosso do Sul vive, atualmente, uma situação próxima ao pleno emprego no setor florestal. São vagas qualificadas, ligadas a operações cada vez mais tecnológicas, mas que exigem um ecossistema social preparado para receber novos profissionais.
“O problema não é convencer alguém a ir para o estado, é como essa pessoa vai se instalar. Falta moradia, escolas, leitos hospitalares, estrutura urbana. Algumas cidades evoluíram, como Três Lagoas, mas outras ainda enfrentam limitações”, pontua Germano, citando municípios estratégicos como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência e Selvíria.
Germano Vieira e Paulo Cardoso / Arquivo
Diante desse contexto, empresas do setor passaram a assumir um papel ativo não apenas na geração de empregos, mas também no suporte social e na qualidade de vida dos colaboradores.
Eldorado Brasil aposta em atração, qualificação e retenção
Na Eldorado Brasil, a resposta ao desafio da mão de obra veio com a criação do programa “Nossa Gente”, estruturado em quatro pilares: conforto e adaptação, carreira, relacionamento e família.
No campo, as mudanças começam pelo básico. Transporte confortável com internet via satélite, uniformes mais leves e funcionais, alimentação personalizada e alojamentos reformulados — agora chamados de “estações do sono”, com quartos menores, suítes, internet e áreas de descanso. “A ideia é que a pessoa realmente consiga se recuperar e se sentir bem”, explica o diretor florestal.
Outro avanço é a chamada “cabinização” das operações. “Hoje, mais de 70% dos trabalhadores atuam dentro de cabines climatizadas, com conforto térmico e menor desgaste físico. Isso muda completamente a experiência de trabalho no campo”, destaca.
Capacitação contínua e trilhas de carreira
A qualificação profissional também é tratada como prioridade. A Eldorado treina cerca de 3 mil pessoas por ano, número superior ao próprio quadro de colaboradores. Por meio de um sistema acessível pelo celular, o trabalhador pode visualizar trilhas de carreira, entender os requisitos para novas funções e se candidatar a cursos internos de capacitação.
“Hoje, o colaborador consegue enxergar claramente onde está e onde pode chegar. Isso aumenta o engajamento e reduz a rotatividade”, afirma Germano.
A relação entre líderes e equipes também passou por mudanças. A empresa investe na formação de lideranças com foco em respeito, escuta ativa e valorização individual. Iniciativas como o “termômetro da felicidade” buscam medir o clima organizacional e antecipar problemas de retenção.
Família como parte da estratégia
O quarto pilar do programa é a família. A Eldorado tem investido em ações de apoio social, como telemedicina em municípios com baixa oferta de especialistas, além de projetos que aproximam familiares do ambiente de trabalho.
“Queremos que o pai tenha orgulho do filho e que o filho tenha orgulho do pai. Estamos criando programas culturais, educacionais e até visitas dos filhos às áreas operacionais, para que entendam o trabalho realizado”, conta Germano.
Tema central na Mais Floresta ExpoRibas 2026
A falta de mão de obra qualificada e as estratégias para atrair, desenvolver e reter talentos serão um dos temas centrais da Mais Floresta ExpoRibas 2026, que acontece de 18 a 21 de março, em Ribas do Rio Pardo (MS).
Durante os três dias da feira, o assunto será debatido em um pavilhão exclusivo, em parceria com Senar, Sebrae e Senai, reunindo empresas, especialistas, instituições de ensino e profissionais do setor florestal. O objetivo é conectar demandas reais das empresas com soluções práticas em capacitação, qualificação e desenvolvimento regional.
“A Mais Floresta nasce como um hub de tecnologia, negócios e pessoas. Discutir mão de obra é discutir o futuro do setor florestal”, destaca Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações e idealizador da feira.
Para quem quiser se aprofundar no tema e conhecer mais detalhes sobre as ações da Eldorado Brasil, a entrevista completa com o diretor florestal está disponível no link: https://youtu.be/FQLetLhtFPY?si=pKSpv-Dc8GeNF6tn
Tritrens Florestais de Único Dono, da frota da transpotadora TRANSPES. Carretas de qualidade e procedência, Carretas florestais 100% operacionais, prontas…
Prestação de Serviços Florestais, implantação, manutenção e colheita florestal. Estrutura completa de equipamentos e mão de obra qualificada em operações…