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Cipem acompanha lançamento de duas importantes ferramentas para o setor de base florestal de MT

A partir de agora, o estado passa a contar com uma nova norma ISO de manejo florestal, uma referência internacional que fortalece a transparência, a rastreabilidade e a credibilidade da produção florestal sustentável, um diferencial competitivo para Mato Grosso.

Além da normativa, também foi apresentado o Plano de Desenvolvimento Florestal e de Biomassa 2026–2040, construído pelo Governo do Estado, por meio da Sema e da Sedec, em diálogo com o setor produtivo, incluindo a participação ativa do Cipem e das lideranças da cadeia de base florestal.

O plano estabelece ações estratégicas para ampliar e fortalecer o manejo sustentável, com potencial de alcançar 6,5 milhões de hectares e diversificar ainda mais as espécies manejadas, refletindo as demandas e contribuições de quem está na base da produção.

O Cipem reconhece e valoriza o trabalho do poder público, especialmente pela construção conjunta com o setor produtivo, essencial para o desenvolvimento de políticas eficazes que impulsionam a cadeia de base florestal, segmento que alia desenvolvimento econômico, geração de empregos e conservação ambiental.

Seguimos atuando de forma propositiva para fortalecer o setor e consolidar Mato Grosso como referência em produção florestal sustentável.

Fonte: Notícia Exata

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A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS

A expansão da indústria de celulose no interior de Mato Grosso do Sul redefine a economia regional, impulsiona empregos e consolida o Estado como líder nacional do setor

Por: Nathália Santos / Perfil News

A interiorização da indústria brasileira ganhou um novo capítulo nos últimos anos com a consolidação do chamado “Vale da Celulose” em Mato Grosso do Sul. Longe dos grandes centros industriais tradicionais, municípios do interior passaram a receber investimentos bilionários, redesenhando suas economias e colocando o Estado no centro da produção global de celulose.

Hoje, a celulose não apenas integra a matriz produtiva sul-mato-grossense. Ela se tornou o principal motor de crescimento econômico do Estado.

UM NOVO EIXO INDUSTRIAL NO INTERIOR

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS
Unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo; a maior do mundo (Assessoria)

Historicamente dependente do agronegócio, Mato Grosso do Sul encontrou na cadeia florestal uma estratégia de diversificação econômica. A combinação de clima favorável ao cultivo de eucalipto, disponibilidade de terras e logística estratégica atraiu gigantes globais do setor.

Atualmente, o Estado já abriga operações consolidadas da Eldorado Brasil e da Suzano, com fábricas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Essas unidades somam milhões de toneladas de capacidade produtiva anual e posicionam o Estado entre os maiores produtores mundiais.

Além das plantas já em funcionamento, uma nova onda de investimentos reforça o processo de interiorização industrial:

            •          A chilena Arauco constrói, em Inocência, aquela que deve ser a maior fábrica de celulose do mundo em linha única

            •          A Bracell prepara a implantação de uma unidade em Bataguassu

            •          A Eldorado também projeta expansão da sua capacidade nos próximos anos

Esse conjunto de empreendimentos consolida uma mudança estrutural. A indústria pesada deixa os grandes centros urbanos e passa a se instalar em cidades médias e pequenas do interior.

IMPACTO DIRETO NAS ECONOMIAS LOCAIS

Os efeitos dessa interiorização são profundos e visíveis. Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e, mais recentemente, Inocência e Bataguassu, experimentam crescimento acelerado em emprego, renda e infraestrutura.

Segundo estimativas recentes, o setor de celulose deve gerar cerca de 93 mil empregos até 2032 em Mato Grosso do Sul, sendo aproximadamente:

            •          24 mil empregos diretos

            •          69 mil empregos indiretos

Durante a fase de construção, os impactos são ainda mais intensos:

            •          A obra da Arauco pode empregar até 14 mil trabalhadores

            •          A Bracell deve gerar cerca de 12 mil empregos no pico das obras

Esse dinamismo aquece não apenas o mercado de trabalho industrial, mas também setores como comércio, serviços, habitação e transporte, criando um efeito multiplicador típico de grandes projetos industriais.

O PROTAGONISMO DA CELULOSE NA ECONOMIA ESTADUAL

Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que Mato Grosso do Sul caminha para se tornar líder nacional na produção e exportação de celulose. O Estado já possui:

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS

            •          Cerca de 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas

            •          Projeção de atingir 2 milhões de hectares nos próximos anos

Além disso:

            •          O Estado responde por cerca de 24 por cento da produção nacional de celulose

            •          Pode concentrar mais de 70 por cento da expansão da produção brasileira na próxima década

            •          Os investimentos previstos no setor podem chegar a até 131 bilhões de reais até 2030

Esses números confirmam o protagonismo da cadeia florestal, que hoje se posiciona como o carro chefe da economia sul-mato-grossense, superando atividades tradicionais em geração de valor e atração de investimentos.

TRANSFORMAÇÃO E DESAFIOS

A interiorização da indústria de celulose não se limita ao crescimento econômico. Ela também promove mudanças estruturais nas cidades, exigindo planejamento urbano, qualificação de mão de obra e expansão de serviços públicos.

Entre os principais desafios estão:

            •          Escassez de trabalhadores qualificados

            •          Pressão sobre infraestrutura urbana

            •          Necessidade de ampliação de serviços públicos

Ao mesmo tempo, o avanço da cadeia florestal estimula políticas de capacitação e fortalece parcerias entre empresas, governo e instituições de ensino, consolidando um novo perfil econômico para o interior do Estado.

UM NOVO MAPA INDUSTRIAL

O caso de Mato Grosso do Sul ilustra uma tendência mais ampla da economia brasileira, a descentralização industrial. No Estado, porém, esse movimento ganha escala global.

Com a presença de gigantes como Suzano e Eldorado Brasil, e a chegada de novos projetos de Arauco e Bracell, o interior sul-mato-grossense deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passa a ocupar posição estratégica na indústria mundial de base florestal.

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Audiência pública vai debater aumento no consumo de biomassa de floresta nativa em MT

Biomassa é a madeira utilizada em caldeiras de diversos tipos de agroindústrias. Conforme Código Florestal, grandes consumidores podem usar madeira colhida de reflorestamento.

Em 2022, uma instrução normativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso autorizou que grandes consumidores de biomassa pudessem usar madeira de supressão vegetal (desmate legalizado). Desde então, tem aumentado o consumo desse tipo de insumo, apesar de vedado pelo Código Florestal. O assunto é o ponto central da audiência pública convocada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) que ocorre em 7 de abril (terça-feira) às 14h.

“Além de se contrapor à legislação ambiental brasileira, a normativa coloca em risco vários setores produtivos mato-grossenses que são voltados à exportação. Os importadores mundiais já deixaram claro que não vão comprar produtos com origem em desmatamento, mesmo que legalizado, e isso nos preocupa”, alertou Fausto Takizawa, presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta).

Biomassa é a madeira utilizada em caldeiras de diversos tipos de agroindústrias. Conforme o Código Florestal, os grandes consumidores (que empregam mais de 24 mil metros estéreos por ano) somente podem usar madeira colhida de florestas plantadas (reflorestamento) ou do manejo florestal – corte planejado de árvores nativas. Não há previsão na legislação brasileira para uso de biomassa vinda do desmate legalizado em larga escala.

Em Mato Grosso, a produção de biomassa é feita, predominantemente, do plantio de eucalipto, usado principalmente em secadores de grãos, indústrias esmagadoras, usinas de etanol de milho, etc. Com o avanço das agroindústrias mato-grossenses, tem aumentado o mercado de biomassa, opção mais sustentável para produzir energia no setor industrial. 

Em 2025, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que tenham sido consumidos 14,16 milhões de metros cúbicos de biomassa no estado. No ano anterior (2024), foram registrados 13,60 milhões de m3, um acréscimo de 4% no ano.

A questão é que do total consumido em 2025, apenas 47,5% tiveram madeira de reflorestamento como origem (6,7 milhões m3). O que significa que a maior parte (52,5%) teve outras fontes de extração, não tornadas públicas.

“Cabe à Sema demonstrar, de forma transparente, o volume de madeira nativa autorizada com Guia Florestal (GF) em 2025. Nossa preocupação é com a fiscalização dessa biomassa. O órgão ambiental está conseguindo monitorar o transporte desses 7,4 milhões de m3?”, questiona Takizawa.

Com a instrução normativa da Sema em vigor, o uso de biomassa de floresta nativa superou em 55% o consumo de madeira de reflorestamento de 2022 a 2024. “Não é um contrassenso um estado como Mato Grosso, com tanto potencial para o reflorestamento, ir na contramão da descarbonização da economia?”, ponderou Takizawa.

O plantio de florestas tem como principal objetivo reduzir a extração de madeira sobre florestas nativas do País. Com isso, contribui para a preservação ambiental e a recuperação do ecossistema brasileiro. Atualmente, a Arefloresta reúne cerca de 30 associados que respondem por 74.334 hectares de florestas plantadas em Mato Grosso.

A audiência pública foi convocada pela 15ª e 16ª Promotorias de Justiça Cíveis de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital e tem como tema “Biomassa e Sustentabilidade: O uso de vegetação nativa nos Planos de Suprimento Sustentável (PSS) pelos grandes consumidores de matéria-prima florestal”. O evento será híbrido e ocorrerá às 14h, no Auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, com transmissão ao vivo.

Fonte: Mato Grosso Econômico

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Comitiva gaúcha sai otimista sobre empreendimento bilionário de celulose após reunião na Funai

Órgão está cumprindo prazos e dá segurança sobre questionamento do Ministério Público Federal, diz secretária do Meio Ambiente do RS.

O ritmo de trabalho e o conhecimento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre o investimento bilionário da CMPC em Barra do Ribeiro, sul do Estado, transmitiram otimismo à comitiva do governo gaúcho que viajou a Brasília, nesta quarta-feira (1º), para discutir o processo de autorização do projeto. Está nas mãos do órgão a principal pendência em relação à recomendação do Ministério Público Federal (MPF) de que o licenciamento seja suspenso.

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Indústria de celulose avança em eficiência hídrica e reduz consumo de água por tonelada produzida

Fonte: Perfil News

Modernização tecnológica e sistemas de reuso colocam o Brasil entre os modelos mais avançados do setor, com desafios crescentes na gestão regional dos recursos hídricos

A indústria de papel e celulose ocupa posição estratégica na economia brasileira, especialmente em polos produtivos como Três Lagoas (MS), considerado um dos maiores do mundo no setor. Responsável pela produção de insumos essenciais — como papel, embalagens e derivados —, a atividade historicamente esteve associada ao uso intensivo de água. No entanto, avanços tecnológicos e exigências ambientais têm transformado esse cenário nas últimas décadas.

Hoje, o setor caminha para uma operação cada vez mais eficiente, com redução significativa no consumo hídrico e maior controle sobre os impactos ambientais.

Ciclo da água: da captação ao reuso

O funcionamento de uma fábrica de celulose depende diretamente da água, elemento essencial em praticamente todas as etapas produtivas. O ciclo começa na captação, geralmente realizada em rios próximos às unidades industriais, garantindo abastecimento contínuo.

Na região de Três Lagoas, por exemplo, grandes plantas industriais operam próximas ao Rio Paraná, enquanto outras unidades no estado utilizam a água do Rio Verde (Suzano de Ribas do Rio Pardo) e o Rio Sucuriú (Arauco – ainda em construção). Após a captação, a água passa por rigorosos processos de tratamento para atender aos padrões exigidos antes de entrar no sistema produtivo.

No chamado “coração” da indústria — o processo de transformação da madeira em polpa de celulose —, a água é utilizada para separar fibras, remover impurezas e transportar materiais. Após essa etapa, o líquido residual, conhecido como efluente, contém compostos químicos e precisa passar por tratamento avançado antes de ser devolvido ao meio ambiente.

Tecnologias como processos biológicos, sistemas de oxidação avançada e múltiplas etapas de filtragem garantem que a água devolvida atenda aos padrões ambientais, desmontando a percepção de que a atividade causa degradação hídrica irreversível.

Eficiência hídrica e sistemas fechados

Um dos principais avanços do setor está na adoção de sistemas de circuito fechado, que permitem a reutilização contínua da água dentro da própria fábrica. Essa prática reduz drasticamente a necessidade de captação de água nova e diminui a geração de efluentes.

Além disso, a indústria investe em:

  • reutilização de condensados industriais;
  • melhorias nos sistemas de lavagem da polpa;
  • integração térmica e energética dos processos;
  • controle rigoroso de perdas e purgas;
  • monitoramento em tempo real do consumo hídrico.

Essas medidas não apenas preservam recursos naturais, como também aumentam a eficiência operacional e reduzem custos.

Quanto de água uma fábrica consome?

O principal indicador utilizado para medir o impacto hídrico do setor é o consumo específico de água por tonelada de celulose produzida. Esse índice evoluiu de forma expressiva ao longo das últimas décadas.

  • Fábricas da década de 1990: entre 60 e 80 m³ por tonelada de celulose
  • Fábricas modernizadas: entre 35 e 50 m³ por tonelada de celulose
  • Plantas de última geração: entre 20 e 30 m³ por tonelada de celulose
  • Eldorado Brasil: 24 m³ por tonelada de celulose
  • Suzano Três Lagoas: 24,11 m³ de água por tonelada*

(*)a unidade economizou 421.596,6 m³ de água, o suficiente para encher até 169 piscinas olímpicas

A redução é resultado direto da incorporação de novas tecnologias e da pressão por padrões ambientais mais rigorosos. Atualmente, grandes projetos industriais são concebidos desde o início com foco em produzir mais utilizando menos água.

Curiosamente, isso permite que fábricas modernas, com capacidade superior a 2 milhões de toneladas por ano, apresentem consumo específico menor do que unidades menores e mais antigas.

Mitos, sustentabilidade e devolução da água

Apesar de críticas recorrentes, especialistas apontam que a associação entre a indústria de celulose e processos como desertificação não encontra respaldo técnico quando analisada à luz das práticas atuais.

As fábricas modernas operam com sistemas avançados de tratamento e devolvem a água aos corpos hídricos em condições adequadas, seguindo parâmetros ambientais rigorosos. No caso de Mato Grosso do Sul, o setor tem sido citado como exemplo de desenvolvimento aliado à sustentabilidade.

O desafio do futuro: consumo agregado e pressão regional

Se, por um lado, o consumo individual das fábricas tem diminuído, por outro surge um novo desafio: o impacto coletivo das plantas industriais concentradas em uma mesma região hidrográfica.

No chamado “Vale da Celulose”, em Mato Grosso do Sul, projetos de grande porte operam ou estão em implantação, formando um cluster industrial relevante. Individualmente, cada empreendimento comprova viabilidade hídrica nos processos de licenciamento ambiental. No entanto, cresce a preocupação com o consumo agregado ao longo das próximas décadas.

Esse tema já começa a ganhar espaço em análises ESG e avaliações de risco ambiental, especialmente entre investidores e órgãos reguladores.

Sustentabilidade como estratégia de longo prazo

A gestão eficiente da água deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser um fator estratégico para a competitividade da indústria de celulose.

Combinando inovação tecnológica, reuso intensivo e monitoramento contínuo, o setor avança rumo a um modelo mais sustentável. Ainda assim, o equilíbrio entre crescimento industrial e preservação dos recursos hídricos seguirá como um dos principais desafios — especialmente em regiões com alta concentração produtiva.

No fim, mais do que produzir em larga escala, o indicador que ganha protagonismo é outro: quanta água é necessária para produzir cada tonelada de celulose.

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A Guerra no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz que Estreita o CTL e Alarga o FT

Artigo por Sebastião Renato Valverde

O tema do momento não poderia ser outro que não a guerra no Oriente Médio. Sem recorrer a previsões catastróficas como a de terceira guerra mundial, o fato é que seus efeitos já são concretos e profundos. Ainda que conflitos regionais — como o entre Rússia e Ucrânia — também provoquem impactos relevantes, a atual tensão envolvendo Irã e Israel, com apoio dos Estados Unidos, possui um alcance sistêmico muito maior, especialmente sobre o mercado de energia. O barril de petróleo, que orbitava na casa dos US$70, já alcança níveis próximos de US$120, com projeções ainda mais elevadas, US$200. Mesmo que haja reacomodação após a guerra, a insegurança energética já está instalada — e seus efeitos tendem a perdurar por um bom tempo.

É nesse contexto que se propõe uma reflexão: quais são as ameaças e, sobretudo, as oportunidades que esse cenário impõe ao setor florestal brasileiro? Se há alguma “profecia” plausível, ela não reside apenas no comércio internacional de produtos florestais, mas também em transformações tecnológicas e operacionais — em especial, na forma como se realiza a colheita florestal e no aproveitamento de seus resíduos.

Historicamente, crises do petróleo sempre funcionaram como catalisadores de mudança. Desde a Segunda Guerra Mundial até os choques da década de 1970, observa-se um padrão: instabilidade nos mercados, volatilidade de preços, insegurança energética e, como resposta, substituição e inovação. Mesmo países com grandes reservas — como o Brasil, com o monopólio da Petrobras e que figura entre as maiores reservas globais — não estão imunes, já que o petróleo é uma commodity de preço internacional. Os impactos se propagam por cadeias inteiras, desde a de fertilizantes nitrogenados que inflaciona o preço dos alimentos, até às indústrias químicas, plásticas, têxteis, farmacêuticas e de transformação em geral.

O passado brasileiro ilustra bem essa dinâmica. Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, restrições ao uso de combustíveis fósseis impulsionaram soluções emergenciais como o gasogênio — tecnologia rudimentar e poluente, posteriormente abandonada. Já na crise dos anos 1970, surgiu o Proálcool: inicialmente instável, mas que evoluiu até consolidar o atual modelo de veículos flex, além do biodiesel e a mais cosmopolita das alternativas refletida no carro elétrico e híbrido, ainda que não sejam plenamente acessíveis.

Na indústria, a substituição de combustíveis fósseis por biomassa já é uma realidade consolidada em muitos segmentos. A geração de vapor e a cogeração a partir de resíduos florestais apresentam custos competitivos, significativamente inferiores aos dos derivados de petróleo. Apesar da crescente participação de fontes intermitentes, como solar e eólica, na geração de eletricidade, a biomassa mantém uma vantagem estratégica: trata-se de uma fonte de energia de base, contínua e previsível.

Nesse cenário, tecnologias como pirólise e gaseificação ganham protagonismo. Diferentemente do gasogênio do passado, soluções modernas permitem a conversão de biomassa em bio-óleo, syngas e biochar — produtos com maior valor agregado e melhor benefício ambiental. A abundância e o baixo custo dos resíduos de plantações florestais colocam o Brasil em posição privilegiada para avançar nesse campo, especialmente em segmentos como celulose, painéis de madeira, metalsiderurgia a carvão vegetal e até mesmo na substituição parcial do diesel por biodiesel derivado de bio-óleo.

Entretanto, essa transição energética traz implicações diretas para a base produtiva florestal: o sistema de colheita. Atualmente, predominam dois modelos principais: o Cut-to-Length (CTL) baseia-se no uso de harvesters que realizam o corte, desgalhamento, descascamento e traçamento da madeira ainda no campo, gerando toras curtas e deixando uma parcela significativa de resíduos — estima-se em até 20% da biomassa — no local. Já o sistema Full-Tree (FT) opera de forma distinta: o corte é realizado por máquinas como o feller buncher, e as árvores inteiras são transportadas para processamento à beira da estrada, permitindo o aproveitamento integral da biomassa lenhosa https://www.maisfloresta.com.br/exclusivo-a-biorrefinaria-e-o-fim-do-porno-florestal/.

A diferença entre os sistemas torna-se estratégica em um contexto de valorização energética dos resíduos. Enquanto o CTL implica perdas relevantes de material lenhoso, o FT viabiliza a captura total desse recurso, com ganhos econômicos estimados — inclusive com redução de custos operacionais. Em um cenário de petróleo caro e pressão por alternativas energéticas, resíduos passam de passivo para ativo https://www.maisfloresta.com.br/exclusivo-fustegando-e-tripudiando-o-transporte-florestal/.

Esse movimento não ocorre isoladamente. A eficiência dos motores a combustão evoluiu significativamente, reduzindo o consumo específico de combustíveis. Caminhões e máquinas tornaram-se mais potentes e econômicos. Paralelamente, mudanças no sistema financeiro internacional — com o fortalecimento de blocos como os BRICS — e a redução da influência histórica da OPEP indicam um rearranjo estrutural no mercado energético global e até na confiabilidade do petrodólares.

Assim, embora guerras possam trazer ganhos de curto prazo para países produtores de petróleo, seus efeitos de longo prazo tendem a acelerar a transição energética e a diversificação de matrizes. Nesse processo, a biomassa — especialmente a florestal — emerge como protagonista.

Por fim, cabe a provocação: se no Estreito de Ormuz, onde não passa boi e nem boiada, muito menos, neste momento, navios petroleiros, pode, paradoxalmente, abrir caminho para uma nova lógica produtiva no setor florestal. A valorização dos resíduos e o avanço das biorrefinarias podem, não apenas transformar a matriz energética, mas também redefinir os sistemas de colheita. Nesse contexto, a pergunta deixa de ser meramente retórica: o que chegará primeiro — uma escalada global do conflito ou o declínio do modelo CTL e dos  harvester como padrão dominante?

Se a história das crises energéticas ensina algo, é que a resposta tende a vir menos da geopolítica e mais da capacidade de adaptação tecnológica e produtiva. E, nesse campo, o setor florestal brasileiro pode estar mais próximo da solução do que se imagina.

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