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Celulose da 5ª megafábrica de MS pode ser escoada por hidrovia

Inicialmente a Bracell estuda levar madeira por hidrovia até a fábrica de Lençóis Paulista. Se der certo, pretende escoar a celulose até a mesma região e depois seguir por ferrovia.

Em contagem regressiva para obtenção da licença de instalação de sua fábrica em Bataguassu, na região leste de Mato Grosso do Sul,  a Bracell, do grupo indonésio Royal Golden Eagle (RGE), estuda a possibilidade de despachar por hidrovia sua produção anual de até 2,9 milhões de toneladas de celulose previstas para serem produzidas na nova fábrica, a quinta do setor em Mato Grosso do Sul.

De acordo com declarações do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Jaime Verruck, feitas ao jornal Valor Econômico,  inicialmente a Bracell pretende utilizar a hidrovia para levar eucalipto de Mato Grosso do Sul  para sua fábrica em Lençóis Paulista (SP). 

“Se funcionar bem para o eucalipto, eles estudam usar com a celulose também”, afirmou o secretário, que no começo de abril deve deixar o cargo para disputar uma das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.

Embora ainda não tenha feito oficialmente o pedido de instalação de sua fábrica, a Bracel já cultiva áreas de eucalipto há cerca de seis anos em Mato Grosso do Sul, quando anunciou o plantio de 50 mil hectares. 

Além disso, adquiriu uma série de plantações de terceiros e atualmente leva esta madeira utilizando caminhões. De Bataguassu até fábrica paulista são em torno de 450 quilômetros de estrada. E são estes caminhões que a empresa pretende substituir por barcaças. 

Estas embarcações sairiam das imediações de Bataguassu, subiriam pelo Rio Paraná até a hidrelétrica de Jupiá, onde existe eclusa para transpor a barragem.  

Eta eclusa permite a passagem de grandes embarcações e comboios. Inaugurada em 1998, a estrutura foi construída para transpor o desnível de cerca de 26 metros. A câmara da eclusa tem cerca de 210 metros de comprimento, 17 metros de largura e cinco de profundidade. 

Depois disso, as embarcações seguiriam até a foz do Rio Tietê e continuariam em território paulista até um terminal intermodal (ferrovia, hidrovia e rodovia) no município de Pederneiras, a 35 quilômetros da fábrica de celulose da Bracell em Lencóis Paulista. No caso da madeira, ela seria industrializada nesta fábrica.

Porém, se o transporte hidroviária se mostrar viável, a celulose seria levada até esta região e depois disso seria despachada por ferrovia até o porto de Santos, percorrendo mais 550 quilômetros por trilhos. A Bracell de São Paulo já despacha sua celulose pelo terminal que serviria também para a celulose de Bataguassu.

A viabilidade depende basicamente da análise dos impactos e custos dos múltiplos transbordos de carga. Porém, a hidrovia é mais competitiva que o transporte rodoviário e reduz em 80% as emissões de CO. 

Além disso, existe o risco de  transporte ser afetado por períodos de estiagem, como o registrado no início de 2026, quando houve um recuo momentâneo na movimentação devido à estiagem.

Se esta alternativa for inviável, o mais provável é que a produção tenha de ser despachada por cerca de 300 carretas diariamente em uma distância da ordem de 270 quilômetros até Ferronorte, em Aparecida do Taboado, de onde seguiria até o porto de Santos pela ferrovia.

Neste percurso, além de terem de passar pela área urbana de Bataguassu, que deve receber um contorno rodoviário, estas carretas terão de passar por cidades como Brasilândia, Três Lagoas e Selvíria. Outra alternativa seria levar até o terminal da própria Bracell em Lençóis Paulista, um percurso de 460 km.

Estas 300 carretas diárias, conforme os estudos de impacto ambiental da Bracell, serão necessárias somente para escoar a produção.

Outras 500 passarão a circular na região para abastecer a fábrica com madeira e demais insumos. A estimativa é de que sejam consumidos anualmente 12 milhões de metros cúbicos de madeira, o equivalente à produção de cerca de 50 mil hectares de eucaliptos.  

LICENÇA
Inicialmente havia a previsão de que a licença para instalação da fábrica, orçada em R$ 16 bilhões, fosse concedida até o fim março. Porém, até agora a empresa não fez o pedido formal, o que está previsto para acontecer até o fim da próxima semana. Embora não haja confirmação oficial, impasses sobre o local exato de instalação da fábrica atrasou os planos iniciais da empresa. 

Depois que o pedido for feito, o Governo do Estado deve levar em torno de 60 dias para fazer as análises finais e liberar as obras. Então, se não ocorrerem novos atrasos, estas obras devem ter início ainda no segundo semestre de 2026 e a previsão oficial é de que se estendam por 38 meses. Ou seja, se tiverem início em meados de 2026, devem se estender até o final de 2029. 

O PROJETO
De acordo com a previsão inicial, a fábrica, a primeira de Mato Grosso do Sul a produzir celulose para fabricação de tecidos , ficará às margens da BR-267, a nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da hidrelétrica de Porto Primavera,  a quase quatro quilômetros do lago, que agora também pode ser utilizado para escoar a produção. 

E é deste lago, resultado do represamento do Rio Paraná, que a indústria vai coletar os 11 milhões de litros de água por hora que serão necessários para viabilizar o funcionamento da indústria. Cerca e 9 milhões de litros serão devolvidos ao lago depois da utilização. Segundo a Bracell, todos os efluentes serão tratados e trarão impacto mínimo na qualidade da água. 

No pico dos trabalhos devem ser gerados 12 mil empregos e em torno de dois mil depois que o empreendimento entrar em operação.

Em anos sem interrupção para manutenção dos equipamentos serão produzidos, conforme o estudo de impacto ambiental, 2,9 milhões de toneladas de celulose. Dependendo da demanda, a unidade terá condições de produzir celulose solúvel, como já ocorre com a fábrica do grupo asiático em Lencóis Paulista (SP). 

Esse tipo de celulose é usado na produção fibras têxteis, produtos de higiene (fraldas, lenços umedecidos), alimentos (sorvetes, molhos), fármacos (cápsulas) e produtos químicos (tintas, esmaltes).

Além da produção de celulose, o estudo informa que será gerada energia suficiente para abastecer a indústria e um excedente que será injetado na rede de energia da região. 

E esta infraestrutura para receber energia e no futuro despachar o excedente enfrenta um sério gargalo. Ainda não existe uma linha de transmissão de energia para abastecer a fábrica e depois escoar o excedente de energia. 

A companhia aguarda o leilão de uma subestação em Ivinhema, a 155 km da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter a autorização para implementação desse linhão. Em Ribas do Rio Pardo e em Inocência, as próprias empresas providenciaram estes linhões extras de energia.

Mas, mesmo que este linhão saia do papel, também haverá necessidade de investimentos para conseguir levar esta energia a partir da subestação de Ivinhema, o que não depende da Bracell.

Para o início de operação, a Bracell precisará de 66 megawatts. E, depois de entrar em operação, deve gerar 400, sendo que a metade será vendida para transmissão e consumo no restante do país. Até agora, porém, estas linhas de transmissão ainda não estão garantidas.

QUINTA FÁBRICA
A indústria de Bataguassu será a quinta do setor em Mato Grosso do Sul. A primeira, da Suzano, entrou em operação em 2009, em Três Lagoas.  Depois, em 2012, foi ativa a unidade do grupo J&F, a Eldorado, também em Três Lagoas. 

Em julho de 2024 começou a funcionar a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, que atualmente é a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano.

Este título, porém, passará a ser da Arauco, que no segundo semestre do próximo ano promete ativar uma fábrica em Inocência, onde será produzidas 3,5 milhões de toneladas por ano. As obras estão a todo vapor e atualmente abrigam em torno de dez mil trabalhadores. 

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/cidades/celulose-da-5a-mefabrica-de-ms-pode-ser-escoada-por-hidrovia/464237/

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Engenheiro cria método de reflorestamento que transforma pequenos terrenos em florestas densas usando biomassa local

Fonte: Click Petróleo e Gás

Método de reflorestamento acelera crescimento de florestas usando biomassa local e reduz custos de recuperação ambiental.
Em 2011, o engenheiro industrial indiano Shubhendu Sharma, na Índia, iniciou um projeto que chamou a atenção global ao adaptar uma técnica japonesa para criar florestas densas em áreas degradadas. Segundo a própria organização Afforestt, fundada por Sharma, o método permite transformar pequenos terrenos degradados em ecossistemas florestais completos em poucos anos, utilizando biomassa local e espécies nativas. A técnica é baseada no método desenvolvido pelo botânico japonês Akira Miyawaki, amplamente documentado na literatura científica. De acordo com estudos publicados sobre o método Miyawaki, como os compilados pela Organização das Nações Unidas e pesquisas acadêmicas sobre reflorestamento acelerado, essa abordagem pode acelerar significativamente o crescimento florestal e aumentar a densidade vegetal em comparação com processos naturais de regeneração.

O dado mais impactante é que áreas que levariam décadas para se regenerar naturalmente podem atingir estágios avançados de desenvolvimento em poucos anos. Segundo análises sobre florestas Miyawaki aplicadas em diferentes países, incluindo estudos de caso e relatórios ambientais, o método promove rápida recuperação da biodiversidade e da estrutura florestal, alterando a lógica tradicional de custos e tempo no reflorestamento.

O que é o método Miyawaki e como ele foi adaptado na Índia
O método Miyawaki foi desenvolvido no Japão a partir da década de 1970, com base na ideia de recriar florestas nativas densas utilizando espécies locais plantadas de forma intensiva.

Shubhendu Sharma teve contato direto com o próprio Akira Miyawaki durante um projeto da Toyota na Índia, onde a técnica foi aplicada para restaurar áreas industriais degradadas.

A partir dessa experiência, Sharma adaptou o método às condições climáticas e de solo da Índia, criando um modelo mais acessível e replicável em diferentes regiões.

A principal inovação foi o uso intensivo de biomassa local para enriquecer o solo, reduzindo a necessidade de insumos externos e tornando o processo mais  econômico.

Como funciona o reflorestamento acelerado na prática

O processo começa com uma análise detalhada do solo. Amostras são coletadas para identificar deficiências nutricionais e características físicas.

Com base nisso, o solo é preparado utilizando materiais orgânicos disponíveis localmente, como:

  • restos agrícolas
  • folhas secas
  • cascas
  • composto orgânico

Essa biomassa melhora a retenção de água e aumenta a fertilidade. Em seguida, são plantadas diversas espécies nativas em alta densidade, geralmente entre 3 a 5 mudas por metro quadrado, o que é significativamente superior ao reflorestamento tradicional.

Essa densidade elevada cria uma competição natural entre as plantas, fazendo com que cresçam mais rápido em busca de luz solar.

Crescimento acelerado e formação de microecossistemas

Um dos aspectos mais impressionantes do método é a velocidade de crescimento. Enquanto reflorestamentos convencionais podem levar décadas para atingir maturidade, as florestas criadas com esse método começam a se estruturar em poucos anos.

Em cerca de:

  • 1 ano: crescimento inicial intenso
  • 2 a 3 anos: formação de dossel
  • 10 anos: estrutura semelhante a florestas maduras

Esse crescimento acelerado ocorre porque o ambiente é projetado para imitar as condições naturais ideais de uma floresta desde o início. Além disso, essas áreas passam a atrair insetos, aves e outros organismos, criando um ecossistema funcional.

Redução de custos com uso de biomassa local

Um dos fatores que tornam esse método atrativo é o custo relativamente mais baixo em comparação com projetos tradicionais de reflorestamento. Ao utilizar biomassa disponível no próprio local, o método reduz gastos com:

  • fertilizantes industriais
  • transporte de materiais
  • manutenção prolongada

Embora não seja um sistema de custo zero, a redução de insumos externos pode tornar o processo significativamente mais acessível, especialmente em projetos urbanos e de pequena escala.

Além disso, a necessidade de manutenção é concentrada nos primeiros anos. Após esse período, a floresta se torna autossustentável.

Aplicações em áreas urbanas e industriais

O método ganhou destaque não apenas em áreas rurais, mas também em ambientes urbanos. Cidades passaram a utilizar essa técnica para criar:

  • florestas urbanas
  • corredores ecológicos
  • áreas de recuperação ambiental

Empresas também adotaram o método para compensação ambiental e melhoria de imagem sustentável. Essas florestas densas ocupam espaços pequenos, mas oferecem benefícios significativos, como redução de temperatura, melhoria da qualidade do ar e aumento da biodiversidade.

Impacto ambiental e recuperação de áreas degradadas

A recuperação de áreas degradadas é um dos principais desafios ambientais globais. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, milhões de hectares de terras sofrem degradação todos os anos.

Métodos tradicionais de reflorestamento muitas vezes são lentos e caros, o que limita sua aplicação em larga escala. A abordagem baseada em densidade elevada e uso de biomassa local surge como uma alternativa eficiente para acelerar esse processo e aumentar a taxa de sucesso.

Além disso, essas florestas contribuem para:

  • sequestro de carbono
  • retenção de água no solo
  • redução da erosão

Diferença entre reflorestamento tradicional e método Miyawaki

O reflorestamento tradicional geralmente envolve o plantio espaçado de mudas, com crescimento mais lento e necessidade de manutenção prolongada. Já o método Miyawaki trabalha com alta densidade e diversidade de espécies.

Essa diferença estrutural cria um ambiente mais competitivo e equilibrado, resultando em crescimento acelerado e maior resiliência ecológica.

Outra diferença importante é o foco em espécies nativas, que são adaptadas às condições locais e exigem menos intervenção ao longo do tempo.

Limitações e desafios do método

Apesar das vantagens, o método não é aplicável em todas as situações. Ele é mais eficaz em áreas pequenas ou médias e pode não ser ideal para grandes extensões de reflorestamento comercial.

Além disso, o custo inicial pode ser mais elevado em comparação com métodos convencionais, devido à preparação intensiva do solo. Outro desafio é a necessidade de conhecimento técnico para seleção adequada de espécies e preparação do terreno.

Reprodução/Youtube

Com o avanço das mudanças climáticas e a crescente necessidade de recuperação ambiental, métodos mais rápidos e eficientes ganham relevância. Projetos baseados no método Miyawaki já foram implementados em diversos países, incluindo Índia, Europa e América Latina.

A tendência é que soluções baseadas em biomassa local e alta densidade de plantio continuem sendo exploradas como alternativas viáveis para acelerar a regeneração ambiental.

O trabalho iniciado por Shubhendu Sharma representa uma mudança significativa na forma como o reflorestamento é conduzido. Ao combinar conhecimento ecológico com práticas adaptadas às condições locais, o método demonstra que é possível acelerar processos naturais sem comprometer a sustentabilidade.

Com crescimento rápido, uso eficiente de recursos e impacto ambiental positivo, essa abordagem se consolida como uma das alternativas mais promissoras para enfrentar a degradação ambiental em escala global.

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Líder em florestas plantadas, Minas mira expansão com avanço da bioeconomia

Projeções de maior demanda por madeira impulsionam o setor a ampliar a base de plantio no Estado.

Dona da maior área de florestas plantadas no país, com aproximadamente 2,3 milhões de hectares, e com participação de quase 23% na composição do valor bruto da produção da silvicultura brasileira, Minas Gerais está se preparando para assegurar a futura expansão do setor.

O cenário aponta para um aumento no consumo de biomassa de madeira, motivado pela tendência de descarbonização das economias e pelas mudanças dos consumidores em direção a produtos mais sustentáveis. E Minas Gerais dispõe de espaço para aumentar a oferta. Parte da demanda deve vir localmente, considera Adriana Maugeri, presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif). “Nesse horizonte, se os projetos anunciados se concretizarem, ainda deveremos observar o avanço da usinas de etanol de milho em Minas Gerais, grandes consumidoras de biomassa da madeira”, diz.

As projeções da Organização das Nações Unidas, segundo a executiva, sugerem que a demanda global por madeira deverá dobrar até 2050. Para ela, o crescimento esperado para o consumo deve “fortalecer os plantios e propiciar a recuperação de áreas degradadas, mas para que isso ocorra será preciso comprovar que toda madeira vem de manejos sustentáveis e tem origem legal”. Maugeri destaca a importância da certificação e da rastreabilidade nesse processo.

Num mapeamento recente, realizado com base nos passivos ambientais declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) pelos produtores do Estado, foram identificados 3,3 milhões de hectares em áreas degradadas aptas à implantação de florestas cultivadas, o que permitiria mais que dobrar o espaço hoje destinado à produção florestal.

Ela aposta na posição estratégica do Estado não apenas porque hoje ele já detém a maior área de plantio, mas também porque as florestas plantadas estão presentes em 811 dos 853 municípios mineiros. Além disso, afirma que os principais clones do eucalipto cultivado em todo o país foram desenvolvidos pelo setor privado em Minas Gerais, sobretudo pela siderurgia, e “isso significa uma vantagem competitiva importante”.

Na sua avaliação, os investimentos na indústria florestal mineira ficaram travados até 2024 pelo processo moroso de licenciamento ambiental dos empreendimentos. Em julho daquele ano, conforme a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), o governo do Estado e o Ministério Público Estadual firmaram acordo, homologado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, simplificando o licenciamento ambiental de plantios acima de mil hectares.

Além disso, numa medida controversa, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) eliminou a exigência de estudo e relatório de impacto ambiental para novos empreendimentos de silvicultura. Os prazos de licenciamento, de acordo com Maugeri, foram reduzidos de seis ou dez anos para até seis meses.

Única fabricante de aço inoxidável na América Latina e produtora ainda de aços elétricos para transformadores e motores, entre outras aplicações, a Aperam mantém em hibernação seus projetos de investimentos, afirma Rodrigo Vilela, CEO da siderúrgica. Segundo ele, o momento atual não tem favorecido a siderurgia, que enfrentou no ano passado a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, destino de metade de suas exportações, e ainda importações recordes, na faixa de 6,4 milhões de toneladas, num salto de 170,6% desde 2019.

O movimento mais recente da empresa, realizado entre 2022 e 2024, resultou num investimento de R$ 588 milhões na aquisição de 30 mil hectares de área florestal, na troca de laminador a quente, destinado a melhorar a qualidade e acrescentar novas opções de produtos na usina instalada em Timóteo, na região conhecida como Vale do Aço.

A área de florestas aproxima-se de 150 mil hectares no Vale do Jequitinhonha, dos quais 90 mil destinados à produção, base para 440 mil toneladas de carvão vegetal que movimentam integralmente os dois altos-fornos da Aperam todos os anos, desde 2011.

Com capacidade para 630 mil a 650 mil toneladas de produtos siderúrgicos acabados, a indústria registra uma pegada de carbono equivalente a 340 quilos por tonelada de placa de aço produzida, quase 60% abaixo da média do mercado mundial, na faixa de 800 quilos por tonelada de aço, graças ao uso do carvão vegetal.

Resultado de tecnologias desenvolvidas internamente, a Aperam produz ainda o biochar, biocarbono aplicado nas áreas de floresta por sua capacidade de retenção de água e de incremento da fertilidade das árvores. Desenvolvido pela Aperam BioEnergia, maior produtora de carvão vegetal no mundo, instalada no Vale do Jequitinhonha, a siderúrgica iniciou a produção há dois ou três anos do bio-óleo a partir da condensação de gases gerados durante o processo de transformação do eucalipto em carvão, evitando emissões de carbono. As vendas do produto, que substitui o óleo diesel no processo produtivo, aproximam-se de 5 mil toneladas anuais.

Entre outros clientes, a Nexa Resources utiliza o biocombustível em 12 de seus 47 fornos em Três Marias, reduzindo o uso de fósseis na prod

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Eldorado Brasil lança seu primeiro Anuário de Integridade

Iniciativa reúne dados, políticas e resultados do programa de integridade da companhia, com foco em transparência e fortalecimento da governança.

A Eldorado Brasil Celulose lançou a primeira edição do seu Anuário de Integridade, publicação que reúne indicadores, políticas e iniciativas relacionadas à ética, compliance e governança corporativa desenvolvidas pela companhia ao longo de 2025. O documento consolida as principais frentes do programa de integridade da empresa, reunindo informações sobre estrutura de governança, ações de prevenção, mecanismos de monitoramento e iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura ética entre colaboradores e parceiros. A publicação passa a integrar o conjunto de relatórios institucionais da companhia.

A Eldorado tem uma área dedicada ao tema, com atuação conjunta nas frentes de Integridade, Auditoria Interna e Segurança da Informação. As atividades são acompanhadas pelo Conselho de Administração, pela presidência da companhia e pelo Comitê de Ética, responsável por avaliar demandas registradas nos canais oficiais e orientar as tratativas e encaminhamentos.

“O anuário se conecta diretamente com a cultura da Eldorado porque mostra como os valores da companhia se refletem nas práticas do dia a dia. Mais do que diretrizes, a integridade está incorporada às decisões de gestão e à forma como a empresa conduz suas relações”, afirma André Tourinho, head de Integridade da Eldorado Brasil Celulose.

O relatório apresenta a estrutura do programa de integridade da companhia, organizada em quatro pilares: Prevenção, Detecção, Correção e Fomento.

Prevenção – No pilar de prevenção, o anuário reúne ações voltadas à disseminação das políticas corporativas e do Código de Conduta e Ética entre os colaboradores. Em 2025, foram trabalhados 30 temas relacionados à integridade, abordados em 55 comunicações internas por canais como e-mail, intranet, cartazes em áreas operacionais, Rádio Eldorado, Revista Conexão e o periódico Radar.

A capacitação é uma das bases do programa de integridade e, ao longo de 2025, a empresa realizou uma agenda contínua de treinamentos para que os colaboradores pudessem compreender, na prática, como aplicar o Código de Conduta e Ética e as políticas da companhia no dia a dia. “Esse processo começa já na integração de novos profissionais e se estende às lideranças, que têm um papel essencial na construção de um ambiente ético e transparente dentro da organização”, destaca o head de Integridade.

Detecção de irregularidades – O Programa de Integridade da Eldorado tem mecanismos voltados à identificação e avaliação de eventuais desvios em relação ao Código de Conduta e Ética, às políticas internas ou à legislação. A principal ferramenta é a Linha Ética, canal acessível a colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros para registro de relatos por site, telefone, e-mail ou contato direto com a área de Integridade, com possibilidade de anonimato.

Para assegurar independência, os registros passam por triagem inicial de uma empresa especializada antes da apuração interna. Segundo o anuário, o tempo médio de análise é de 12 dias, desempenho 71% mais ágil que a média nacional de canais de denúncia, de acordo com a Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias 2025, da Be.Aliant.

Ações de correção – Quando são identificadas situações que exigem ajustes de conduta ou revisão de procedimentos, a área de Integridade conduz análises para interromper práticas inadequadas, aprimorar processos e fortalecer controles internos. O objetivo é reduzir a possibilidade de recorrência e aprimorar continuamente o programa de integridade da companhia.

Disseminação da cultura de integridade – O anuário também destaca iniciativas voltadas à ampliação da cultura ética dentro e fora da empresa. Entre elas está o programa Integridade na Área, criado para levar orientações sobre conduta a colaboradores com menos acesso a canais digitais. Em 2025, a iniciativa realizou 16 visitas, alcançando 10 áreas e impactando 467 colaboradores, do campo ao porto de Santos (SP). A companhia também analisou 200 fornecedores parceiros no último ano considerando aspectos de integridade, e lançou a newsletter trimestral Ética em Foco, dedicada à discussão de boas práticas no ambiente corporativo.

Compromissos e reconhecimentos – O relatório reúne compromissos públicos assumidos pela empresa na agenda de integridade, como a adesão ao Pacto Global da ONU, ao Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção e ao Movimento Empresarial pela Integridade e Transparência, iniciativa do Instituto Ethos. Entre os reconhecimentos externos, a Eldorado recebeu pela segunda vez o Selo Mais Integridade, concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA), além de medalha de ouro na avaliação da EcoVadis, com nota 85 em ética. Desde 2019, a empresa também participa do Aprofundamento Temático dos Indicadores Ethos e, em 2025, registrou nota 8,5, acima da média das empresas participantes, de 7,1.

O Anuário de Integridade 2025 está disponível para download no site da companhia, bem como os demais relatórios.

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