PÁGINA BLOG
Featured Image

Tempestade Kristin devasta florestas em Portugal e obriga indústria da celulose a se adaptar

Quarenta por cento da floresta de eucalipto foi afetada pelas tempestades. A indústria de celulose considera urgente retirar toda a madeira até junho para reduzir o risco de incêndios, enquanto os proprietários pedem apoio.

A tempestade Kristin destruiu áreas florestais do litoral até a fronteira com a Espanha. O setor madeireiro fala em um verdadeiro “cone de devastação”, enquanto os maiores grupos de celulose já começam a comprar madeira de menor diâmetro.

Trata-se de uma medida excepcional para dar suporte aos produtores das áreas atingidas.

A limpeza das áreas é considerada urgente, principalmente pelo risco de aumento na propagação de incêndios.

Produtores vivem momentos de angústia

Após um verão marcado por grandes incêndios e um inverno com tempestades intensas, os produtores florestais enfrentam um período de grande preocupação.

Apesar do cenário difícil, o setor busca transformar a crise em oportunidade. Esse movimento já pode ser observado na indústria, com o avanço no desenvolvimento de biomateriais. Um exemplo são as embalagens produzidas a partir de fibras de eucalipto, que podem ser de duas a seis vezes mais recicláveis.

Essa cadeia produtiva tem forte impacto econômico, representando cerca de 5% do PIB e 10% das exportações.

No total, o setor florestal movimenta mais de 13 bilhões de euros em volume de negócios.

Fonte: SIC Notícias / Traduzido por I.A

Featured Image

Google anuncia Groundsource com a ambição de “prever o imprevisível” e evitar catástrofes

Yossi Matias, líder da Google Research, revela como a inteligência artificial está a criar um simulador da Terra, capaz de antecipar enchentes urbanas e combater incêndios florestais.

Yossi Matias, israelense, é vice-presidente de engenharia e pesquisa da Google e lidera a Google Research. Mal começamos a entrevista com ele, o cientista demonstrou conhecer, em detalhe, os desafios meteorológicos recentes em Portugal — informação essencial para quem lidera a resposta a crises em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. A Google já disponibilizava o Flood Hub, uma plataforma que prevê inundações em leitos de rios usando inteligência artificial, cruzando imagens de satélite e mapas de terreno. No entanto, o Groundsource, anunciado nesta quinta-feira, representa um salto qualitativo ao abordar o que até agora era invisível para as máquinas: as enchentes repentinas em áreas urbanas.

O coração dessa nova abordagem está no que Matias chama de “ciclo mágico da pesquisa”. Segundo o engenheiro, esse processo consiste em “ter uma curiosidade orientada pelo impacto, fazendo as perguntas que realmente importam”, resolvendo-as cientificamente e aplicando a solução na prática. O Groundsource utiliza o Gemini para analisar décadas de relatórios públicos, “transformando milhões de documentos em um banco de dados de alta qualidade”. Foram identificados mais de 2,6 milhões de eventos históricos de inundações em mais de 150 países, permitindo treinar modelos de inteligência artificial para prever desastres em áreas urbanas com até 24 horas de antecedência.

O trauma pessoal transformado em missão global

Essa metodologia resolve, segundo Matias, uma lacuna crítica de dados. O cientista lembra que, em 2018, a maioria dos especialistas dizia que a previsão de enchentes era “totalmente impossível” devido à complexidade das variáveis. Ainda assim, a equipe insistiu, começando com um projeto-piloto na Índia que protegia um milhão de pessoas, evoluindo para um modelo hidrológico global que hoje cobre dois bilhões de cidadãos.

A obsessão de Yossi Matias por sistemas de alerta nasceu de uma experiência pessoal. Há cerca de quinze anos, ele viveu de perto a ameaça de um incêndio florestal. Em meio à tensão, tentou buscar no Google informações úteis sobre o que fazer ou para onde fugir — e praticamente não encontrou nada. “Fiquei surpreso com a falta de informação”, recorda. “Sinto-me angustiado toda vez que leio sobre um desastre porque me lembro do que senti ao ver aquele grande incêndio.” Dessa sensação de impotência surgiu uma pequena equipe dentro da Google dedicada a melhorar as informações disponíveis durante crises. O objetivo virou uma espécie de bússola estratégica. A “minha Estrela Polar”, diz Matias, é simples: garantir que “ninguém seja pego de surpresa por um desastre natural”.

Prever para agir: do Alentejo à Nigéria

Segundo o pesquisador, a utilidade desses sistemas depende principalmente da confiança nas previsões. Por isso, ele cita um caso recente na Nigéria, onde o Flood Hub permitiu organizar uma evacuação antes que uma enchente atingisse regiões rurais remotas.

A expansão das previsões para o ambiente urbano com o Groundsource é “crucial porque é nessas áreas que a densidade populacional e a rapidez dos eventos tornam a resposta humana mais difícil”.

Quando perguntado se o Google Earth AI pode ajudar países como Portugal a lidar com incêndios florestais, o cientista respondeu que sim, explicando o projeto FireSat. Trata-se de um sistema de satélites desenvolvido em parceria com várias organizações internacionais. A ideia é colocar em órbita cerca de 50 satélites — um deles já foi lançado — capazes de observar cada ponto da Terra a cada 20 minutos. Essa resolução “permitirá detectar focos de incêndio tão pequenos quanto uma sala de aula”. Para o VP da Google, isso pode mudar completamente a forma como os incêndios são combatidos. O objetivo é claro: “conter muitos incêndios florestais antes mesmo de começarem”.

O polímata digital e o futuro da ciência

A visão da Google vai ainda mais longe. O cientista enxerga a inteligência artificial como um acelerador da descoberta científica. A empresa desenvolveu o AI Co-scientist, um sistema projetado para acelerar a pesquisa acadêmica. Ele é capaz de realizar revisões bibliográficas, gerar hipóteses e validar teorias em múltiplas áreas ao mesmo tempo. Para Matias, isso significa que cada estudante terá acesso a um “laboratório virtual” mais potente do que muitos centros de pesquisa. O AI Co-scientist atua como um “polímata no bolso”, conectando áreas como bioquímica, física e ciência dos materiais.

“A trajetória mais empolgante que vejo hoje é a aceleração da própria descoberta científica”, afirma o líder da Google Research. Matias rejeita a ideia de que a tecnologia reduzirá o número de cientistas. Pelo contrário, acredita que haverá mais pessoas fazendo ciência e formulando perguntas mais ambiciosas sobre doenças, energia e novos materiais. “O AI Co-scientist já está sendo usado para resolver problemas complexos de engenharia e matemática”, mas seu maior valor está na capacidade de democratizar o acesso à pesquisa de alto nível.

No entanto, essa aceleração tecnológica não elimina o fator humano. Pelo contrário: o pesquisador defende que o método científico e a ética são mais importantes do que nunca. A inteligência artificial deve ser vista como um “amplificador da engenhosidade humana”, cabendo aos pesquisadores definir o que é o bem comum e garantir que as máquinas operem de acordo com os valores da sociedade. O papel humano é definir o que é “bom” e qual deve ser o objetivo final da tecnologia. “Se parece bom para nós, é porque é bom”, conclui, em referência à frase de Duke Ellington.

Se o otimismo de Yossi Matias se confirmar, o tempo em que populações eram vítimas indefesas dos caprichos da natureza pode estar chegando ao fim. É um compromisso ambicioso, que envolve parcerias com a comunidade acadêmica e organizações internacionais. Para esse vice-presidente da Google, o progresso recente em áreas antes consideradas impossíveis nos dá motivos para acreditar que o “simulador da Terra” está mais próximo do que imaginamos.

Fonte: SIC Notícias / Traduzido por I.A

Featured Image

MS já recebeu R$ 48,6 bilhões em investimentos no ‘Vale da Celulose’

Mato Grosso do Sul se tornou o ‘Vale da Celulose’ muito por conta dos investimentos, que somam R$ 48,6 bilhões, nas fábricas implantadas — ou em fase de obras — no Estado, nos últimos anos, conforme dados da Valor Econômico.

No mês passado, a Arauco colocou mais uma lajota neste trajeto rumo a um grande polo industrial em MS, com o lançamento da pedra fundamental da ferrovia, que vai ajudar a escoar a produção da fábrica — 47% concluída — até o porto de Santos (SP).

O investimento do Projeto Sucuriú é de US$ 4,6 bilhões — algo em torno de R$ 24,2 bilhões. Em obras desde o primeiro semestre de 2025, a fábrica deve começar a operar no segundo semestre de 2027. A ferrovia, que terá 45 km da planta industrial até a Malha Norte da Rumo (onde a celulose segue até Santos), tem investimentos de R$ 2,4 bilhões.

O projeto terá 26 locomotivas, 721 vagões e capacidade para transportar até 9,6 mil toneladas por composição. A previsão de conclusão é concomitante à fábrica, que terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano.

Já o Projeto Cerrado, da Suzano, concluído em 2024 em Ribas do Rio Pardo, recebeu investimentos de R$ 22 bilhões e resultou na maior fábrica de celulose de eucalipto em linha única do mundo até o momento — com capacidade anual de 2,55 milhões de toneladas.

Com a maior fábrica de celulose do mundo, o ‘Vale da Celulose’ ajudou a elevar o patamar de competitividade dos projetos de toda a América do Sul.

5ª fábrica de celulose
Neste ano, ainda deve ocorrer o anúncio da quinta planta de celulose de Mato Grosso do Sul, pela Bracell. A companhia já conseguiu, em dezembro do ano passado, a licença prévia para a construção de uma unidade em Bataguassu.

A previsão de conclusão do projeto é o segundo semestre de 2028. Entretanto, alguns gargalos podem alterar esse prazo. Segundo a Valor Econômico, a ausência de uma rede de energia para abastecer a fábrica e escoar o excedente de energia gerada é o principal impasse atualmente.

A companhia aguarda o leilão de uma subestação localizada a 155 km da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter a autorização para implementação desse linhão.

Investimentos de R$ 16 bilhões
Com investimento estimado de R$ 16 bilhões, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental, a unidade terá duas linhas de produção, uma dedicada exclusivamente à celulose para papel (kraft) e outra com flexibilidade para produzir tanto kraft quanto celulose solúvel, usada na fabricação de fibras têxteis, cosméticos e alimentos.

Caso produza apenas kraft, a capacidade anual da planta pode chegar a 2,9 milhões de toneladas anuais; se optar pela flexibilidade de produzir celulose solúvel, a produção será de aproximadamente 2,6 milhões de toneladas.

Contando com este último investimento, o valor injetado pela ‘celulose’ no Estado chega a R$ 64,6 bilhões no Estado.

6ª fábrica de celulose
Outro projeto anunciado para o Estado é o de expansão da Eldorado. Esse é um plano antigo, suspenso pela disputa societária entre o grupo J&F, dos irmãos Batista, e a Paper Excellence. A briga acabou no ano passado, com a aquisição, pelos Batista, da fatia de 49,41% que a Paper detinha na produtora de celulose, ao preço de US$ 2,7 bilhões.

Segundo estimativas iniciais, a segunda linha deve exigir investimentos de US$ 5 bilhões, cerca de R$ 26,5 bilhões na cotação atual. Em meados do ano passado, a empresa renovou a licença ambiental com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e elevou a capacidade do projeto, de 2,3 milhões para 2,6 milhões de toneladas anuais de celulose.

Esses dois investimentos previstos somam R$ 42,5 milhões. Se efetivarem, o total, num período de menos de 10 anos, alcança R$ 91,1 bilhões.

Projetos da América do Sul
Além das citadas, a chilena CMPC aguarda a aprovação para erger um projeto em Barra do Ribeiro (RS). Já o projeto da Paracel, no Paraguai, tem futuro mais incerto. Entretanto, a perspectiva de crescimento no consumo de celulose, especialmente na Ásia, e novos usos e aplicações da fibra sustentam o avanço de projetos no setor, na avaliação de Rafael Barisauskas, economista para América Latina na Fastmarkets, consultoria de preços especializada em commodities, ouvido pela Valor Econômico.

Os projetos na América do Sul são muito mais competitivos quando comparados à maioria das outras regiões do mundo, especialmente pela ampla oferta de madeira e pelo crescimento mais rápido das florestas de eucalipto — cerca de 7 anos na região, diante de 15 anos no Hemisfério Norte.

“No pior cenário, em que a demanda global cresça abaixo das expectativas, as novas capacidades na América do Sul provavelmente levarão concorrentes de custos mais elevados a sair do mercado”, diz Barisauskas.

Dentre os últimos grandes movimentos de expansão na região, aparece o Projeto Star, da Bracell, entregue em 2022 em Lençóis Paulista (SP), com aporte de R$ 15 bilhões.

Na região Sul, a outra chilena, a CMPC, também deu mais um passo no projeto de sua nova unidade de celulose no país, em Barra do Riberio (RS), ao assinar o contrato de concessão do terreno e construção de um TUP (Terminal de Uso Privado), no Porto de Rio Grande (RS). Foram firmados ainda contratos para a construção de novas embarcações. As iniciativas devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do montante total para a construção da unidade.

A conclusão do projeto continua prevista para o segundo semestre de 2029. Com aporte estimado de US$ 4,6 bilhões — R$ 24,2 bilhões ao câmbio atual —, a unidade terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto.

Em relação à base florestal, o executivo disse que a companhia já possui madeira plantada suficiente para rodar as duas fábricas no país por cinco anos. Além da nova unidade em Barra do Ribeiro, a empresa chilena já opera uma fábrica de celulose no município de Guaíba (RS), com capacidade anual de 2,4 milhões de toneladas de celulose de eucalipto.

Fonte: Mídia Max

Featured Image

Segurança e saúde no trabalho florestal é destaque no Dia Internacional das Florestas 2026

No Brasil, a OIT aprimora a segurança e saúde no trabalho e fortalece o diálogo social no setor florestal.

GENEBRA (Notícias da OIT) – As florestas são importantes fontes de emprego e subsistência para milhões de pessoas em todo o mundo, apoiando a gestão sustentável das florestas, a produção de madeira e a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade. No entanto, o setor florestal continua sendo um dos mais perigosos do mundo, no qual muitos trabalhadores e trabalhadoras enfrentam déficits significativos de trabalho decente, especialmente no que diz respeito à segurança e saúde no trabalho. A mudança do clima intensifica ainda mais esses riscos, tornando os esforços para melhorar as condições e práticas de trabalho mais urgentes do que nunca.

Para marcar o Dia Internacional das Florestas 2026, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca iniciativas em andamento para fortalecer a segurança e saúde no trabalho (SST) e o diálogo social no setor, com foco no Brasil, uma das principais economias florestais do mundo.

No país, a OIT trabalha ativamente com governos, empregadores e trabalhadores para melhorar a SST e fortalecer o diálogo social por meio de iniciativas inovadoras, como o projeto Nossa Voz. A OIT também está avançando em esforços em parceria com o Pacto Global das Nações Unidas, reunindo empresas líderes e constituintes tripartites para promover o diálogo e a ação conjunta no setor.

Um marco importante para 2026 é o desenvolvimento de um pacto setorial para avançar na área de SST e na devida diligência em direitos humanos, juntamente com a promoção de outros princípios e direitos fundamentais no trabalho.

Nesse contexto, o Código de práticas da OIT sobre segurança e saúde no trabalho florestal, juntamente com os materiais de treinamento recentemente lançados para apoiar sua implementação, oferecem ferramentas setoriais essenciais para melhorar as condições de trabalho em um dos setores mais perigosos do mundo.

Featured Image

UFSM desenvolve metodologias para gestão de florestas plantadas 

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) firmou um acordo de cooperação com a Associação Gaúcha de Plantadores de Florestas (Agaflor) para desenvolver estudos voltados à gestão econômica de florestas plantadas no Rio Grande do Sul. A parceria ocorre por meio do projeto “Desenvolvimento e validação de metodologias para gestão econômica e organizacional em florestas plantadas no Rio Grande do Sul”, coordenado pelo professor Jorge Antonio de Farias, do curso de Engenharia Florestal da UFSM. 

O projeto prevê a criação de metodologias para auxiliar produtores na definição de preços mínimos da madeira e no cálculo dos custos de produção de florestas plantadas. A proposta abrange espécies como pinus, eucalipto e acácia, utilizadas em diferentes segmentos da cadeia florestal, como produção de lenha, cavacos, toras para serraria, exportação e geração de energia.

Uma das questões abordadas pela pesquisa é a ausência de referências consolidadas de preços para a madeira. Diferentemente de produtos agrícolas como soja ou gado, cujos valores de mercado são amplamente divulgados, produtores florestais frequentemente têm dificuldade para avaliar se os preços oferecidos são adequados.

Além da análise econômica da produção, a pesquisa também busca desenvolver ferramentas para a organização do setor florestal em Arranjos Produtivos Locais (APLs). A iniciativa pretende considerar as características regionais do mercado e a diversidade das atividades relacionadas à silvicultura no estado. 

Segundo Farias, a aproximação entre universidade e sociedade permite direcionar a pesquisa para demandas concretas da atividade florestal. “A universidade ganha quando faz parceria com a sociedade como um todo e passa a entender exatamente o que a sociedade precisa”, afirma. 

De acordo com o coordenador, a falta de informações consolidadas sobre custos de produção e formação de preços ainda representa um desafio para produtores de florestas plantadas. A expectativa é que as metodologias desenvolvidas no projeto contribuam para ampliar a capacidade de planejamento e negociação dos produtores.  

Entre os resultados esperados estão a criação de ferramentas para análise de custos e precificação da madeira, além de orientações para fortalecer a cadeia produtiva florestal no Rio Grande do Sul.

Texto: Gabriela Alves. bolsista de jornalismo da Proinova / UFSM

Anúncios aleatórios