A Ibema, uma das principais produtoras de papel cartão no Brasil, firmou um acordo para adquirir uma fábrica da BO Paper em Arapoti (PR). O valor do negócio não foi divulgado.
A unidade produz pasta de celulose com alto aproveitamento da madeira (fibra termomecânica) e tem capacidade anual de 60 mil toneladas, segundo apurou o Valor.
Em nota, a Ibema disse que a transação está alinhada à estratégia de crescimento da empresa, “contribuindo para o aumento de competitividade, ganho de flexibilidade operacional e expansão da capacidade de atendimento a diferentes segmentos da indústria de embalagens”.
A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), bem como do cumprimento de outras condições e etapas regulatórias pertinentes. Até que o essas condições sejam cumpridas, as empresas permanecerão operando de forma independente, em estrita conformidade com a legislação aplicável.
Casas que a Arauco está construído terão até 215 m². Em Ribas do Rio Pardo, as maiores que a Suzano disponibilizou para seus funcionários têm 59 m².
Para abrigar profissionais de outras cidades, estados e até de outros países, a chilena Arauco está construindo um conjunto habitacional de 620 casas em Inocência. O tamanho destas casas, porém, destoa daquilo que normalmene se vê em conjuntos habitacionais. Elas terão 115 e 215 metros quadrados, segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Jaime Verruck.
Para efeito de comparação, em Ribas do Rio Pardo, as 954 casas construídas pela Suzano para abrigar os trabalhadores da fábrica de celulose ativada em julho de 2024 têm 46 metros quadrados (551 casas) ou 59,3 metros quadrados (403 casas). As menores têm dois quartos e as demais, três.
Praticamente todos os condomínios horizontais considerados de alto padrão de Campo Grande têm em seu regulamento uma medida mínima que as casas devem ter. A exigência ocorre para evitar que construções de baixo padrão provoquem desevalorização dos demais imóveis. Essa medida, na maior parte dos condomínios, é de 179 metros quadrados. Ou seja, parte das casas da Vila Arauco será maior que parcela das residências existentes em condomínios de Campo Grande.
Em um terreno adquirido numa parceria da prefeitura com o governo estadual, as obras em Inocência ainda estão na fase inicial, mas já estão empregando em torno de 120 trabalhadores. No pico dos trabalhos, este número deve dobrar, estima o secretário.
A previsão é de que a fábrica, que terá investimentos US$ 4,6 bilhões, esteja concluída antes do final do próximo ano e até lá, segundo o secretário, a chamada Vila da Arauco também deve estar em condições de receber os novos moradores.
A fábrica está sendo construída a 50 quilômetros da área urbana de Inocência, às margens do Rio Sucuriú. A Vila da Arauco, porém, está sendo erguida na área urbana de Inocência. Ou seja, os trabalhadores terão de percorrer diariamente esta distância para ir e voltar do trabalho.
Já durante a elaboração do Projeto Sucuriú a prefeitura de Inocência criou uma lei municipal vetando a construção das moradias próximo da fábrica, pois temia que a Vila da Arauco pudesse virar cidade em um futuro próximo e “engolir” a Inocência.
O Correio do Estado procurou a Arauco em busca de detalhes sobre o projeto habitacional, mas até a publicação da reportagem não obteve retorno. Porém, em publicação do diário oficial do dia 17 de dezembro, a Secretaria de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável (Semades) informou que somente a título de compensação ambiental pela implantação da vila a empresa chilena estava repassando R$ 1.793.304,79 à administração estadual.
O montante equivale a 0,52% dos R$ 344,8 milhões que estão projetados para serem investidos no projeto, conforme a publicação do diário oficial de dezembro, onde constou a informação de que o terreno que vai receber as casas tem mais de 25 hectares.
Publicação do diário oficial do governo estadual de 17 de dezembro de 2025
Sendo assim, o custo médio de cada casa será da ordem de R$ 556 mil, levando em consideração os gastos para levar infraestrutura à vila, já que benfeitorias como águal, luz, drenagem, arruamento e pavimentação estão partindo do zero e fazem parte dos custos.
PROBLEMA CRÔNICO
No dia 6 de fevereiro, durante o lançamento oficial da obra do ramal ferroviário de 47 quilômetros que a Arauco está construíndo, o prefeito de Inocência, conhecido como Toninho da Cofap, literalmente pediu socorro das autoridades para solucionar o problema da falta de moradias em Inocência, já que o obra da fábrica está atraíndo muita gente para a cidade.
Ao lado do governador Eduardo Riedel, de dois ministros do Governo Lula, dois senadores e uma série de outros políticos e autoridades estaduais e federais, o prefeito cobrou ajuda dos políticos para a liberação de recursos para a construção de pelo menos 600 casas, que não são as que a Arauco está bancando.
“Estamos passando por um momento muito difícil no setor de habitação da nossa cidade. Gostaria que vocês olhassem para a gente para que possamos atender aquelas famílias que estão mudando para Cassilândia, Paranaíba, Três Lagoas e Água Clara porque não encontram residência em Inocência”, afirmou o prefeito.
De acordo com Toninho da Cofap, a prefeitura tem áreas para construir em torno de 600 casas, mas precisa de recursos para que os projetos habitacionais saiam do papel.
Das cidades citadas pelo prefeito para abrigar pessoas que estão trabalhando em Inocência por conta das obras de instalação da fábrica de celulose, Cassilândia e Paranaíba ficam a cerca de 90 quilômetros. Três Lagoas e Água Clara, por sua vez, estão a quase 140 quilômetros.
Naquele dia, cerca de 9,2 mil pessoas estavam trabalhando no canteiro de obras da fábrica e a previsão é de que no pico dos trabalhos, no segundo semestre deste ano, este número cheque a 14 mil. Embora a maior parte deles esteja abrigada em alojamentos temporários, este provável aumento tende a agravar o problema de moradias em Inocência, município que até o início da obra tinha em torno de 8,5 mil habitantes.
Mesmo assim, segundo o prefeito, uma infinidade prestadores de serviço e trabalhadores que deve permanecer na região estão sendo obrigados a buscar imóveis nas cidades vizinhas porque faltam casas em Inocência.
PROJETO SUCURIÚ
A fábrica que está em construção desde meados de 2024 terá capacidade para 3,5 milhões de toneladas por ano, a maior do mundo em linha única. Para abastecer a indústria serão necessários 400 mil hectares de eucaliptos e a metade já está em fase de crescimento.
Depois da ativação, conforme previsão da empresa chilena, serão gerados em torno de seis mil empregos, incluíndo os setores de plantio e colheita das florestas e todo o setor de logística, como transporte e atividades de manutenção do empreendimento.
Pesquisa da Embrapa levou 15 anos para concretizar processo que altera o tamanho e o tempo de desenvolvimento da araucária.
Fonte: Gaucha ZH
Uma araucária capaz de produzir pinhão em quase metade do tempo chamou a atenção entre as pesquisas apresentadas pela Embrapa durante a Expodireto Cotrijal, feira voltada ao agronegócio que acontece em Não-Me-Toque, no norte do Estado.
A técnica utiliza um método de enxertia: partes de uma planta mais velha são inseridas em uma muda jovem, em um processo semelhante à clonagem. Na natureza, uma araucária fêmea pode levar de 12 a 20 anospara começar a produzir pinhões. Com a propagação vegetativa, no entanto, esse tempo pode cair para cerca de seis a 10 anos.
Segundo a analista da Embrapa Florestas, Cátia Pichelli, a pesquisa busca transformar o pinhão em uma cultura agrícola organizada, e não apenas em atividade extrativista.
— Hoje praticamente não existe cultivo de pinhão, existe o extrativismo. As pessoas escalam as árvores ou esperam ele cair. O que queremos é incentivar o produtor a ter um pomar de pinhão, como acontece com outras frutíferas — explica.
Além de antecipar a produção, a tecnologia permite facilitar a colheita. Em um dos métodos, a árvore permanece pequena, com cerca de três metros de altura, permitindo que o pinhão seja colhido diretamente da planta, sem necessidade de escalar.
A técnica de clonagem da araucária já começou a ser aplicada em viveiros e propriedades rurais no sul do país. Segundo a analista, produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul já iniciaram o cultivo de árvores com produção precoce, mas ainda estão em processo de maturação.
O processo consiste em retirar um broto do topo de uma araucária adulta — região da planta que já possui características de maturidade — e enxertá-lo em uma muda jovem que já tenha lenhagem suficiente para sustentar o crescimento.
— Se o broto for retirado da base da árvore, ele “acha” que é jovem e vai seguir o ciclo normal. Quando pegamos um broto da parte superior, geneticamente ele entende que já é uma planta madura. Quando é enxertado, ele continua com essa característica e acaba produzindo pinhão mais cedo — explica a profissional.
Segundo ela, o desenvolvimento da técnica levou cerca de 15 anos de estudos até que fosse possível identificar o ponto correto da planta para realizar o enxerto.
Farinha de pinhão sem glúten
Farinha de pinhão reaproveita a semente.Alessandra Hoppen / Agência RBS
Outra frente de pesquisa envolve o aproveitamento do pinhão em novos alimentos. Um dos exemplos é a produção de farinha sem glúten, feita a partir da semente da araucária.
— A farinha de pinhão tem um potencial muito grande. Diferente de muitos produtos sem glúten, ela tem sabor e também contribui para deixar pães e bolos mais aerados — afirma Cátia.
A ideia é que o aumento da produção da matéria-prima permita ampliar o uso do ingrediente em alimentos industrializados, como panificação e snacks.
Megaprojetos de Suzano, Arauco, Bracell e Eldorado impulsionam investimentos bilionários e elevam economia.
Fonte: Campo Grande News
A escassez de mão de obra qualificada ainda desponta como um dos principais desafios para a indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, em meio ao crescimento da produção impulsionado por uma onda de investimentos bilionários de grandes empresas que instalaram ou ampliaram operações no Estado.
A indústria de celulose em Mato Grosso do Sul enfrenta desafios com a escassez de mão de obra qualificada, em meio a investimentos bilionários de grandes empresas no estado. Especialistas preveem que o mercado de trabalho permanecerá aquecido até 2032, com expectativa de geração de 93 mil novos empregos, sendo 24 mil diretos e 69 mil indiretos.O setor deve liderar a economia sul-mato-grossense em 2026, com investimentos estimados em R$ 131 bilhões até 2030. Entre os principais projetos estão a Suzano, já em operação, a Arauco, com previsão para 2027, a Bracell, prevista para 2026, e a expansão da Eldorado Brasil, programada para 2030.
A avaliação de especialistas do setor é de que o mercado de trabalho continuará aquecido até 2032, quando deve se encerrar o atual ciclo de novos projetos. A Eldorado aguarda a maturação desse movimento e deve anunciar a ampliação da unidade de produção em Três Lagoas por volta de 2030, segundo fontes do setor ouvidas pelo Campo Grande News.
O presidente do SINPACEMS (Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Mato Grosso do Sul), Elcio Trajano Junior, avalia que o momento é extremamente positivo para o setor no Estado, mesmo diante dos desafios, principalmente relacionados à escassez de mão de obra qualificada.
Sem estimar um número exato, o dirigente afirma que o setor enfrenta um déficit de profissionais qualificados, reflexo do ritmo acelerado de crescimento da região e da competição por trabalhadores especializados.
“Por isso, além de gerar empregos, as empresas têm investido cada vez mais em formação, capacitação e valorização das pessoas para preparar profissionais e acompanhar o desenvolvimento do chamado Vale da Celulose”, afirma.
Ainda assim, os esforços têm sido insuficientes para atender à demanda, e algumas indústrias apontam dificuldade para atrair trabalhadores qualificados para o Estado.
“Hoje, a cadeia florestal já está entre as que mais geram empregos formais em Mato Grosso do Sul e tem sido protagonista na abertura de novas vagas”, acrescenta Trajano Junior.
A tendência, segundo o dirigente, é de que a demanda por profissionais permaneça elevada nos próximos anos, impulsionada pelos investimentos em novas fábricas, pela expansão das operações florestais e pelo aumento da produção.
Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), baseados em estudo de 2024, indicam que, até 2032, a expansão da cadeia de papel e celulose pode gerar cerca de 93 mil novos empregos no Estado, considerando pelo menos quatro novos empreendimentos do setor no período analisado. Os cálculos levam em conta aproximadamente 24 mil empregos diretos e outros 69 mil indiretos.
Elcio Trajano Junior — presidente do SINPACEMS (divulgação)
Megaprojetos consolidam polo global
A fábrica mais recente em operação é a da Suzano, que ampliou a produção no Estado. Com capacidade para produzir cerca de 2,55 milhões de toneladas por ano, a unidade começou a operar em 2024, em Ribas do Rio Pardo, e é considerada a maior linha única de produção de celulose de fibra curta do mundo.
Esse posto, no entanto, pode ser superado com a chegada da Arauco. A empresa chilena prevê iniciar as operações do Projeto Sucuriú no segundo semestre de 2027, em Inocência. A fábrica terá capacidade estimada de 3,5 milhões de toneladas por ano e representa o primeiro investimento industrial da companhia no Brasil, com aporte de cerca de R$ 25 bilhões. No pico das obras, o empreendimento deve empregar até 14 mil pessoas.
Outro megaprojeto previsto para o Estado é o da Bracell, com início de construção estimado para 2026 em Bataguassu. O investimento é calculado em cerca de R$ 16 bilhões.
Somados, os projetos contribuem para consolidar Mato Grosso do Sul como um polo global da celulose, transformando a economia regional.
Para completar esse ciclo de investimentos, a Eldorado Brasil retomou o plano de expansão para instalar uma segunda linha de produção em sua fábrica de Três Lagoas. O chamado Projeto Vanguarda 2.0 prevê entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em investimentos, incluindo a construção de uma nova linha industrial, a expansão das florestas de eucalipto e a implantação de uma ferrovia ligando a fábrica ao município de Aparecida do Taboado.
Enquanto aguarda a maturação dos investimentos das concorrentes em Mato Grosso do Sul, a Eldorado Brasil Celulose estrutura seu plano de expansão após o fim do litígio envolvendo a holding J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS, e a multinacional Paper Excellence, de capital asiático.
A disputa pelo controle da Eldorado começou em 2017 e se tornou um dos maiores litígios societários da história empresarial brasileira. O conflito foi encerrado em maio de 2025, quando a J&F pagou cerca de US$ 2,7 bilhões para recomprar a fatia de 49,41% da Paper Excellence e voltar a deter a totalidade da companhia após quase oito anos de disputa.
Segundo fontes do setor ouvidas pelo Campo Grande News, a retomada do plano de expansão da Eldorado, inicialmente prevista para 2025 — deve ocorrer por volta de 2030. A avaliação é de que o mercado precisa de tempo para absorver os investimentos bilionários já em andamento, sobretudo em relação à oferta de mão de obra e à logística. Em dezembro do ano passado, o BNDES aprovou R$ 1,05 bilhão para a Eldorado construir uma ferrovia de 86,7 km entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado para escoamento da produção de celulose.
A ampliação da unidade deve mais do que dobrar a atual capacidade de produção da empresa, hoje em cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano. A nova linha poderá ter capacidade superior a 2,6 milhões de toneladas anuais.
Estudo da Tendências Consultoria aponta que a indústria de celulose deve liderar a economia de Mato Grosso do Sul em 2026 e concentrar os investimentos da região Centro-Oeste até 2030. A estimativa é de que cerca de R$ 131 bilhões sejam aplicados no setor nesse período.
Segundo os economistas da consultoria, a produção de celulose no Estado deve crescer 17% em 2026, revertendo a retração de 1,3% registrada em 2025. A análise é de que o setor será um dos principais responsáveis pelo avanço do PIB sul-mato-grossense, projetado em 1,2% neste ano.
A Portaria GM/MMA nº 1.623/2026, publicada em 25 de fevereiro do corrente ano, declarou estado de emergência ambiental em vários estados do Brasil, em razão do risco de incêndios florestais. O Paraná está na lista, com todas as mesorregiões destacadas, cada uma para um período diferente do ano.
A saber, o período de risco de incêndio no Centro Ocidental, Oeste, Sudeste e Sudoeste Paranaense é de março a outubro. Já no Noroeste do estado, o período de alerta começou em fevereiro e se estenderá até setembro.
O Paraná é dividido em 10 mesorregiões de acordo com o IBGE (1990). O Centro Ocidental, Oeste, Sudeste e Sudoeste são compostos, respectivamente, pelas microrregiões de Goioerê, Campo Mourão, Toledo, Cascavel, Foz do Iguaçu, Prudentópolis, Irati, União da Vitória, São Mateus do Sul, Capanema, Francisco Beltrão e Pato Branco. Já para Noroeste Paranaense, deverão estar em alerta as cidades das microrregiões de Paranavaí, Umuarama e Cianorte.
Para saber mais sobre o período de risco em cada mesorregião paranaense, acesse a Portaria na íntegra: Portaria nº 1.623/2026.
Prestação de Serviços Florestais, implantação, manutenção e colheita florestal. Estrutura completa de equipamentos e mão de obra qualificada em operações…