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Eldorado Brasil recebe Selo Agro Mais Integridade pela segunda vez

Reconhecimento do Ministério da Agricultura destaca boas práticas de ética, sustentabilidade e responsabilidade no agronegócio.

A Eldorado Brasil Celulose foi premiada pela segunda vez com o Selo Agro Mais Integridade, concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em reconhecimento às boas práticas de integridade e ética adotadas pela empresa. A cerimônia de entrega ocorreu nesta quinta-feira (5), na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília, reunindo 52 empresas do setor agropecuário.

A iniciativa do Mapa reconhece empresas, associações e cooperativas do agronegócio brasileiro que se destacam pela adoção de práticas de ética e integridade nas áreas de combate à corrupção, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental.  

De acordo com André Tourinho, o reconhecimento reforça o compromisso da companhia com a transparência e a ética em seus processos. “A premiação pela segunda vez reforça que a Eldorado está alinhada aos valores que orientam a companhia e que também sustentam os altos padrões do agro brasileiro. É um reconhecimento importante ao trabalho que desenvolvemos com responsabilidade e compromisso”, pontua.

O Selo Agro Mais Integridade é coordenado pelo Mapa, por meio da Assessoria Especial de Controle Interno, em parceria com instituições como a Controladoria-Geral da União (CGU), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Também integram o Comitê Gestor da iniciativa a Alliance for Integrity e o Pacto Global – Rede Brasil da Organização das Nações Unidas (ONU), fortalecendo a articulação entre setor público e privado para incentivar práticas responsáveis no agronegócio brasileiro.


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Governo federal deve destinar R$ 24 milhões para combate a incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul

Com previsão de estiagem severa, recursos do governo federal vão reforçar estrutura do Corpo de Bombeiros para prevenção e combate ao fogo no bioma.

A falta de chuva e a estiagem prolongada têm causado preocupação e alerta devido ao tempo seco, que pode aumentar o número de casos de incêndios no Pantanal sul-mato-grossense.

Diante desse cenário, o governo federal deve destinar, nas próximas semanas, R$ 24 milhões para a compra de equipamentos, como mochilas de combate a incêndio, sopradores, caminhões ABTF (Auto Bomba Tanque Florestal), além de EPIs (equipamentos de proteção individual) e GPS de mão, que irão reforçar a atuação das equipes em campo.

Os recursos fazem parte do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais para 2026 e serão destinados ao Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, fortalecendo a estrutura de resposta e prevenção durante o período de estiagem.

Paralelamente, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul vem se preparando para a Operação Pantanal 2026, com a vistoria e reparos de equipamentos, além da incorporação de novos itens que serão utilizados durante a operação. Entre as tecnologias em teste estão drones com sensores de calor, que auxiliam na identificação de focos de incêndio, além da realização de treinamentos específicos para as equipes.

De acordo com o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, a manutenção dos equipamentos é parte fundamental do planejamento da operação.

“Nesse momento de pré-temporada, nós fazemos a preparação, com foco no treinamento e na capacitação dos militares, além da readequação dos materiais para mais uma operação. Tudo isso visando estar sempre prontos quando for necessário”, afirmou.

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Segurança no transporte de celulose e madeira avança com treinamento de motoristas em MS

Informações: Hoje Mais / Vale da Celulose

Empresas do setor florestal investem em capacitação contínua, tecnologia e valorização de mulheres no transporte rodoviário.

O transporte de madeira e celulose em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos da indústria florestal do país, vem sendo fortalecido por investimentos contínuos em segurança e capacitação profissional.

Empresas de transporte e logística que atuam na cadeia produtiva do setor têm adotado programas permanentes de treinamento para motoristas e equipes de apoio, com foco na redução de riscos e na condução responsável nas rodovias do estado.

As ações fazem parte de uma estratégia que une qualificação técnica, tecnologia de monitoramento e boas práticas operacionais para garantir mais segurança tanto para os profissionais do transporte quanto para os demais usuários das estradas.

Treinamento constante fortalece cultura de segurança

A formação de motoristas profissionais é uma das principais ferramentas para garantir a segurança no transporte de cargas florestais. Programas de capacitação realizados por empresas e instituições especializadas incluem cursos teóricos e práticos voltados à condução de veículos de grande porte, como bitrens e tritrens utilizados no transporte de madeira e celulose.

Os treinamentos abordam temas como direção defensiva, legislação de trânsito, condução segura em rodovias, gestão de risco e comportamento preventivo no trânsito. A reciclagem periódica permite atualizar os profissionais sobre novas tecnologias, procedimentos operacionais e normas de segurança.

Além da formação inicial, motoristas e equipes passam por avaliações constantes e programas de aperfeiçoamento que reforçam a responsabilidade e o cuidado no dia a dia das operações logísticas.

Prevenção ao sono ao volante e cuidado com a saúde do motorista

Outro ponto importante nos programas de segurança é a conscientização sobre os riscos da fadiga ao volante. A condução de veículos pesados exige atenção permanente, e o cansaço pode comprometer reflexos e capacidade de reação.

Por isso, empresas do setor reforçam orientações sobre descanso adequado, pausas durante as viagens, hidratação e planejamento da jornada de trabalho. A qualidade do sono e o equilíbrio físico e mental dos motoristas são fatores fundamentais para manter a segurança nas estradas.

Procedimentos operacionais reduzem riscos nas rodovias

Além da capacitação profissional, o transporte florestal segue protocolos operacionais rigorosos que ajudam a garantir a segurança das cargas e das viagens.

Entre as principais práticas adotadas pelas empresas estão:

• verificação da trava e amarração das toras de madeira antes do início do transporte
• inspeção técnica dos veículos antes das viagens
• controle de velocidade operacional nas rodovias
• manutenção preventiva periódica dos caminhões
• distanciamento seguro entre caminhões durante o deslocamento
• monitoramento das rotas por sistemas de rastreamento
• comunicação constante entre motoristas e equipes de apoio

Essas medidas ajudam a prevenir acidentes e garantem maior estabilidade das cargas durante o transporte entre áreas florestais, centros logísticos e unidades industriais.

Presença feminina cresce no transporte florestal

Outro movimento importante observado no setor é o aumento da participação feminina nas operações de transporte. Cada vez mais mulheres têm assumido funções como motoristas de caminhões de grande porte, condutoras de ônibus corporativos e profissionais de apoio logístico nas empresas do setor florestal.

A presença feminina no transporte de madeira e celulose representa um avanço importante na inclusão e na diversidade dentro de um segmento historicamente dominado por homens.

Além de conduzirem caminhões que transportam madeira e celulose, muitas profissionais também atuam no transporte de trabalhadores do setor florestal, contribuindo diretamente para o funcionamento das operações e reforçando a cultura de segurança nas estradas.

Programas de formação e capacitação também têm incentivado a entrada de mulheres na profissão, ampliando oportunidades e fortalecendo a qualificação da mão de obra no transporte rodoviário.

Segurança que protege trabalhadores e comunidades

Com o crescimento da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, o fluxo de caminhões nas rodovias que conectam áreas de plantio, centros logísticos e fábricas também aumentou. Nesse cenário, o investimento em segurança viária tornou-se uma prioridade para empresas e transportadoras.

Treinamento constante, tecnologia de monitoramento, manutenção dos veículos e valorização dos profissionais do transporte são fatores que contribuem para tornar as estradas mais seguras.

Mais do que transportar cargas, motoristas e equipes de apoio desempenham um papel fundamental na construção de uma logística responsável, que busca eficiência sem abrir mão da segurança nas rodovias do estado.


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Do preconceito à valorização: mulheres encontram novas oportunidades no setor florestal de MS

Informações: G1

Cargos antes ocupados exclusivamente por homens passam a ter mulheres como protagonistas, principalmente, na produção de eucalipto.

O dia 8 de março marca a luta das mulheres na busca por conquistas sociais, políticas e trabalhistas. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, e também traz na pauta debates como igualdade de gênero, combate ao machismo e à violência.

Nas questões trabalhistas, por exemplo, as mulheres passaram a ganhar espaços em contextos profissionais antes dominados homens. Em Mato Grosso do Sul, um dos setores que registram esse novo cenário é o florestal. Do preconceito à valorização, são muitas as histórias de conquistas profissionais de mulheres no setor.

Joérica Travasso de Moreira é um desses exemplos. Ela se mudou de Laranjal do Jari, no Amapá, para Água Clara e conquistou vaga para atuar na colheita, na MS Florestal, empresa voltada à produção de madeira de eucalipto destinada à fabricação de celulose.

“Me mudei para Água Clara em busca de uma oportunidade. Na minha região, além da falta de vagas, sofri bastante preconceito por ser negra e pela minha orientação sexual. Aqui na MS Florestal, me sinto acolhida e valorizada por todos. Estou muito feliz e todos deveriam valorizar essa oportunidade com todas as forças”, comenta Joérica.

Na ASJ Florestal, em Nova Andradina, 25% dos 130 funcionários são mulheres. No viveiro da empresa, localizado no distrito de Nova Casa Verde, elas representam 90% da equipe. A engenheira florestal Bárbara de Souza Marques, que também atua na área de segurança do trabalho, conhece de perto os desafios.

“Creio que a maior dificuldade seja ainda o setor ser considerado um ambiente predominantemente masculino. Em cargos técnicos, a gente já ocupa uma boa parte, mas ainda vemos essa dificuldade de acessar esses cargos da alta gestão”.

Rayane Aparecida Silva Menezes, 28 anos, engenheira florestal e pesquisadora de desenvolvimento de produto da ArborGen, trabalha com melhoramento genético do eucalipto.

“Em alguns momentos, ser a única mulher exigiu uma fala mais firme (…). Ainda assim, posso afirmar com convicção que nós, mulheres, também temos capacidade técnica e física para atuar nessa área”.

Estatísticas

Mato Grosso do Sul registrou aumento na contratação de trabalhadores da agropecuária em 2025. O cultivo de eucalipto respondeu por 55% dessas vagas, metade de todos os empregos formais do setor no estado. Grande parte dessas contratações é formada por mulheres de diferentes regiões do país, que buscam estabilidade, independência e valorização profissional.

O avanço também é impulsionado pelo peso econômico da atividade. No beneficiamento de eucalipto, Mato Grosso do Sul liderou as exportações brasileiras em 2025.

Segundo a plataforma Comex Stat, o estado embarcou 6,8 milhões de toneladas — 33,8% do total nacional. O volume é mais que o dobro do registrado por São Paulo, segundo colocado, com 3,4 milhões de toneladas. Enquanto o Brasil cresceu 11,4% no setor, Mato Grosso do Sul teve alta de 48,7% em relação ao ano anterior.


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Celulose puxa exportações e contribui para superávit de R$ 903 milhões na balança comercial de MS

Em números, as exportações do Estado nos dois primeiros meses de 2026 somaram US$ 1,43 bilhão e as importações, US$ 530,57.

Mato Grosso do Sul manteve um lucro positivo na balança comercial do Estado de US$ 902,38 milhões no acumulado até o mês de fevereiro deste ano.

O superávit foi puxado pelas exportações no período que somaram US$ 1,43 bilhão, puxado pela celulose (32,31% da pauta exportadora), pela carne bovina fresca (22,2%) e pela soja (13,79%), produtos que lideraram as vendas externas sul-mato-grossenses. 

Ao todo, a quantidade de produtos exportados pelo Estado chegou a 3,86 milhões de toneladas, valor 14,26% maior que o registrado em fevereiro de 2025. 

Os dados foram divulgados pela Carta de Conjuntura do Setor Externo do mês de fevereiro, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). 

O principal destino dos produtos estaduais continuou sendo a China, responsável por 37,76% das exportações. Em seguida, aparecem os Estados Unidos, com 10,16% e os Países Baixos, com 4,4%. 

O principal porto de exportação foi o Porto de Santos, responsável por 42,75% do total exportado pelo Estado. Outros portos importantes incluem o Paranaguá (36,30%), São Francisco do Sul (7,13%) e IRF Imbituba (2,52%). 

A indústria de transformação apresentou uma variação positiva de 3,12% no preço exportado e 6,27% do volume das exportações. O setor agropecuário também apresentou incremento no preço (9,62%) e nas quantidades exportadas (17,4%). 

A Indústria Extrativa foi o único setor com desempenho negativo, com preço em retraçaõ de 49,05%. Porém, a quantidade exportada registrou aumento de 24,68%. 

Três Lagoas foi o maior município exportador, sendo responsável por 21,63% das exportações, seguido por Ribas do Rio Pardo (14,85%), Dourados (9,22%) e Campo Grande (8,99%). 

Segundo a pasta, “Mato Grosso do Sul tem exibido um sólido desempenho nas exportações, impulsionado por commodities e produtos agrícolas. O constante superávit comercial destaca a capacidade econômica do Estado”. 

Importação

Quanto aos produtos comprados pelo Estado, o acumulado em fevereiro de 2026 foi igual a US$ 530,57 milhões, um aumento de 35,36% em relação aos dois primeiros meses do ano passado, quando registrou US$ 391,94 milhões.

Segundo a Semadesc, esse movimento está associado principalmente à aquisição de bens de capital e equipamentos industriais.

Quanto às quantidades, em 2026 já foram importadas 699,31 toneladas de produtos, valor 3,99% inferior à do mesmo período em 2025. 

Pela segunda vez na série histórica, o gás natural deixou de ser o principal produto importado, dando lugar às “caldeiras de geradores de vapor”, responsáveis por 23,72% das importações. Em seguida, aparece o gás natural (23,62%) e o cobre (7,5%). 

Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o desempenho da balança comercial com valor excedente de mais de US$ 900 milhões demonstra a capacidade produtiva do Estado e a dinâmica de investimentos na economia estadual. 

“Mato Grosso do Sul mantém crescimento no volume exportado e amplia investimentos industriais, evidenciados pelo aumento das importações de bens de capital. Esse movimento demonstra a expansão das cadeias produtivas e a consolidação do Estado como um dos principais polos agroindustriais do país”, afirmou. 

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Império do Mogno Africano começa a desmoronar mas isso não significa fracasso

Por Milton Dino Frank Junior

Promessas de rendimentos milionários e “aposentadoria verde” enfrentam o choque de realidade de investidores que subestimaram o manejo, o tempo e os riscos biológicos.

O Mogno Africano (gênero Khaya) foi vendido por anos como o investimento perfeito: resistente, valioso e com retornos que poderiam ultrapassar R$ 1,0 milhão por hectare ao final do ciclo. No entanto, o “ouro verde” está se tornando um pesadelo para quem entrou no negócio com mentalidade especulativa de curto prazo.

A armadilha: 

Muitos investidores foram atraídos por promessas de lucros exorbitantes sem o devido alerta sobre a complexidade do manejo mesmo porque a maioria deles não tinham tradição florestal, e isso os levou a eles acreditarem no erro do “plantar e esquecer”, que passava a ideia de que a floresta cresceria sozinha, garantindo a aposentadoria, só que quando a parte de execução entrou em ação muitos investidores abandonaram suas áreas que hoje valem pouco ou nada, a não ser o valor da terra.

O Mito do Lucro Antecipado: A Frustração dos Primeiros Cortes

“Um dos pilares das planilhas de investimento do Mogno Africano era a promessa de que os desbastes iniciais (entre 7 e 10 anos) pagariam os custos de implantação da floresta. A realidade, contudo, revelou-se um ‘balde de água fria’. Relatos de produtores que buscaram o mercado recentemente indicam que a madeira jovem — composta quase inteiramente por alburno (madeira clara e macia), sem cerne formado e com baixa estabilidade dimensional — tem valor comercial irrisório.

Em vez dos preços de madeira nobre prometidos, muitos desses produtores receberam ofertas comparáveis às de madeiras para caixotaria ou escoras de construção civil. ‘O mercado não compra potencial, compra realidade tecnológica’. Sem cerne, a madeira de 8 anos não atende à indústria de móveis de luxo, restando apenas o mercado de biomassa (lenha) ou usos rústicos, onde o valor pago sequer cobre os custos de derrubada e transporte.”

Casos de abandonos e desistencias

Como faço um registro de áreas plantadas de mogno africano espalhadas pelo Brasil, tenho conhecimento que 18 produtores abandonaram suas áreas, 22 cortaram a madeira aproveitaram o que deu para lenha e partiu para outra cultura, e 9 produtores desejam vender suas terras que já estão com idade acima de 10 anos de plantio.

Como estou enxergando esta realidade?

Como relatei 49 casos que eu conheço, vou tentar explicá-los sobre a ótica de quem viveu misturado com minha opinião pessoal.

  • O Abandono (18 produtores): Este é o nível máximo de negligência. Representa quem entrou no negócio como se fosse uma “criptomoeda verde”. Ao perceberem que o Mogno exige manutenção anual (combate a formigas, aceiros, podas e desbaste) e que o retorno não é imediato, preferiram o prejuízo total à continuidade do custo operacional dos primeiros anos.
  • A Capitulação Radicial (22 produtores): O fato de cortarem árvores de alto valor potencial para vender como lenha é o maior atestado de erro de planejamento e falta de caixa para tocar o projeto. Transformar madeira nobre em biomassa é um “suicídio financeiro” que indica que o produtor não tem mais fôlego para esperar o ciclo de 20-24 anos ou que a floresta foi tão mal manejada que não atingiu diâmetro para serraria.
  • A Saída Estratégica / Desespero (9 produtores): As áreas com mais de 10 anos são o “filé mignon” do investimento, mas o desejo de venda agora sugere que o proprietário atingiu o limite da sua paciência ou capacidade de investimento justo na reta final. Para o mercado, isso cria uma oportunidade para investidores profissionais comprarem ativos biológicos com desconto.

O que podemos prever para o futuro de quem continua no Projeto?

Para quem permanece no projeto com uma visão profissional, o futuro reserva uma consolidação de mercado onde a escassez de madeira de qualidade será o maior trunfo do produtor.

Está Ocorrendo uma Seleção Natural de Produtores

É nítido a saída dos “aventureiros” e isso diminui a oferta futura de madeira de baixa qualidade (lenha), valorizando quem aplicou o manejo correto no futuro. Com isso também haverá menos concorrência amadora significa e maior poder de barganha para quem tiver madeira com diâmetro e fuste (tronco) de padrão internacional.

Haverá uma Valorização Pelo Ciclo Biológico

Entre o 20º e 24º ano, o ativo atinge sua maturação biológica e comercial máxima.
A madeira seca ao ar livre, que em 2009 valia 595 euros/m³, saltou para 1.239 euros/m³ em 2022, indicando uma tendência de alta contínua no mercado global, mas este não será o preço de venda do mogno plantado no Brasil, mesmo porque este preço é o do mogno nativo de Gana que é Khaya ivorensis e não Khaya Grandifoliola ou senegalensis que são as espécies cultivadas aqui. Os produtores terão de lutar por um bom preço de venda para sua madeira.

O Produtor terá de ter Consciência do Mito da Equivalência Automática

A comparação de preços com o mogno de Gana (Khaya ivorensis) foi o grande motor das planilhas de venda de mudas há 15 anos. No entanto, o mercado internacional é extremamente conservador e segmentado por Gênero + Espécie + Origem:

Madeira Nativa vs. Cultivada: O mercado europeu paga prêmio pelo K. ivorensis nativo devido à densidade e estética desenvolvidas em séculos. O mogno cultivado no Brasil (K. grandifoliola e senegalensis) ainda precisa “provar seu valor” em escala industrial.

Propriedades Tecnológicas: O preço de 1.239 euros/m³ é para uma madeira com propriedades mecânicas consolidadas. O produtor brasileiro terá que gastar energia e recursos em testes laboratoriais e certificações para provar que sua madeira de 20 anos tem a mesma estabilidade e cor da africana nativa.

O produtor não vai apenas “vender”; ele terá que negociar.

Como obter sucesso no futuro?

Existe uma esperança real, mas ela não é para o “investidor de papel”, e sim para o produtor florestal. A “morte” do sonho amador abre espaço para o nascimento de uma indústria profissional no Brasil.

Aqui estão os três caminhos onde vejo esperança promissora:

A Escassez Global de Madeira Nobre

O mercado mundial de madeiras tropicais nativas está fechando. O cerco contra o desmatamento ilegal na África e na Amazônia é irreversível.

A oportunidade: Quem tiver uma floresta de Khaya manejada, com 20+ anos e certificada, terá em mãos um produto que o mundo quer, mas que quase ninguém terá para entregar com legalidade garantida. O preço pode não ser o de Gana, mas será muito superior ao de qualquer espécie comum.

A Curva de Aprendizado e a Industrialização

Otimização: Os produtores que ficaram aprenderam que não basta plantar; é preciso processar. A esperança reside na criação de serrarias móveis especializadas e estufas de secagem cooperativas. O lucro não está no tora (árvore em pé), mas na madeira serrada e seca, que agrega até 300% de valor ao produto bruto.

O “Filtro” Necessário

A esperança é promissora para quem tratar o Mogno como agronegócio sério (como soja ou café), e não como uma “loteria verde”. O futuro pertence a quem conseguir consolidar essas áreas fragmentadas e oferecer ao mercado externo um volume constante e padronizado.

Conclusão: O Despertar do Realismo Florestal

O desmoronamento do “sonho do lucro fácil” com o Mogno Africano não deve ser visto como o fim da espécie no Brasil, mas como o fim da era da ingenuidade. Os números de abandonos e a conversão de áreas nobres em lenha são cicatrizes de um aprendizado caro: a silvicultura de elite não tolera o amadorismo.

A esperança para o futuro não reside em promessas de enriquecimento sem esforço, mas na profissionalização. Para os produtores que resistem e mantêm suas florestas com rigor técnico, o prêmio está logo ali. À medida que as fontes de madeira nativa secam sob o peso das restrições ambientais globais, o mogno cultivado, manejado e certificado surgirá como um ativo estratégico e escasso.

O futuro pertence àqueles que compreendem que o “ouro verde” não nasce da sorte, mas do tempo, da paciência e da técnica. A poeira dos projetos fracassados está baixando, e o que restará são florestas reais, prontas para atender a um mercado que paga pela qualidade, não pela ilusão. O sonho não acabou; ele apenas, finalmente, caiu na real.

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