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Paper Excellence Brasil inicia transição de marca e passa a integrar identidade global da Domtar

Movimento alinha atuação no país à consolidação global do grupo, agora unificado sob a marca Domtar.

A Paper Excellence Brasil inicia um processo de evolução de marca, alinhando- se aos padrões globais do Grupo Domtar, que recentemente consolidou suas operações internacionais sob uma identidade única. O movimento reforça o posicionamento institucional da companhia no país e sua integração a uma das principais referências globais do setor de papel, celulose e produtos florestais.

Em 2024, o Grupo Paper Excellence concluiu a integração operacional das empresas Domtar Corporation, Resolute Forest Products e Paper Excellence Canadá, passando a operar globalmente sob a marca Domtar, cujo fundador e único dono é o empresário Jackson Wijaya. A consolidação representa um marco estratégico, unificando legados históricos e fortalecendo sinergias industriais, comerciais e institucionais.

Com mais de um século de história, e origens que remontam a quase 200 anos na América do Norte, a Domtar é uma das maiores fabricantes privadas de produtos florestais diversificados do continente. A companhia conta com aproximadamente 14 mil colaboradores distribuídos em mais de 40 unidades
industriais e centros de distribuição na América do Norte. Possui capacidade anual de produção de 9,1 milhões de toneladas métricas de celulose, papel, embalagens e tissue, além de cerca de 3 bilhões de board feet de madeira serrada e outros produtos de madeira.

Reconhecida por sua excelência operacional, a Domtar é referência global em sustentabilidade, manejo florestal responsável, inovação, segurança e eficiência produtiva, transformando fibra de madeira proveniente de fontes responsáveis em produtos essenciais para o dia a dia.

SOBRE A MARCA DOMTAR

A marca Domtar reflete uma história rica e respeitada na América do Norte, onde o nome se consolidou como sinônimo de excelência, qualidade e inovação junto a clientes, mercados florestais e parceiros operacionais. Ao longo de décadas, a marca construiu reputação sólida baseada em desempenho industrial consistente, responsabilidade ambiental e relacionamento de longo prazo com stakeholders.

Além de seu legado, Domtar é um nome curto, de fácil pronúncia em diferentes idiomas, característica estratégica para uma companhia com ambição global e presença internacional crescente. Segundo a própria empresa, a nova identidade reflete “legado combinado, valores compartilhados e visão voltada para o futuro”.

O novo logotipo incorpora uma muda, símbolo que representa tanto o
compromisso com a sustentabilidade quanto a jornada contínua de crescimento e renovação da companhia, conectando tradição e futuro sob uma única identidade global.

TRANSIÇÃO NO BRASIL SERÁ GRADUAL

No Brasil, a transição ocorrerá de forma estruturada e progressiva. A marca Paper Excellence Brasil continuará sendo utilizada durante o período de adaptação, agora com a Domtar como marca endossadora. Segundo a empresa, a adoção gradual da nova identidade busca preservar o reconhecimento institucional já consolidado no Brasil, ao mesmo tempo em que apresenta ao mercado nacional a força e o posicionamento global da Domtar.

ESTRATÉGIA E VISÃO DE FUTURO

Para o mercado brasileiro, o movimento sinaliza alinhamento estratégico global e preparação para futuras oportunidades, mantendo os princípios de ética, transparência e responsabilidade que historicamente orientam a atuação da companhia.

A nova identidade também reflete o compromisso contínuo do grupo com a sustentabilidade florestal e com a geração de valor de longo prazo, consolidando a Domtar como um player global relevante nos segmentos de celulose, papel, embalagens e produtos de madeira.

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Grande muralha verde: veja como a China transformou deserto em ‘esponja’ de carbono

Com 3 mil quilômetros, a maior barreira vegetal do planeta transformou o árido deserto de Mu Us em um sumidouro de carbono gigante; estudo revela o impacto da engenharia ambiental que reduziu tempestades de areia em 90%.

A imagem tradicional da Grande Muralha da China, feita de pedra e fortificações militares, ganhou uma sucessora tecnológica e biológica à altura. Um estudo recente detalhado pela IFLScience confirma o sucesso sem precedentes da Grande Muralha Verde (conhecida oficialmente como Programa de Floresta de Abrigo dos Três Nortes), um projeto de reflorestamento massivo que se estende por 3.046 quilômetros ao longo do norte do país. O feito mais impressionante? A conversão quase total do deserto de Mu Us — antes uma fonte implacável de poeira e degradação — em um sumidouro de carbono produtivo.

Publicada no site Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa aponta que esta floresta artificial não é apenas uma barreira física contra a desertificação, mas um componente ativo no ciclo global do carbono. Ao transformar solo arenoso em biomassa vegetal, a China conseguiu sequestrar milhões de toneladas de $CO_2$, oferecendo uma prova de conceito de que a intervenção humana em larga escala pode, de fato, reverter danos climáticos históricos.

A engenharia do “milagre verde”

Diferente de plantios convencionais, a Muralha Verde exigiu soluções tecnológicas para sobreviver em condições extremas. A China implementou um sistema de “tabuleiros de xadrez de palha”, uma técnica de bioengenharia onde grades de palha de arroz ou trigo são enterradas na areia para fixar as dunas. Isso cria um microclima estável que permite às mudas de espécies resistentes à seca, como o espinheiro-marítimo e o salgueiro-do-deserto, criarem raízes profundas.

Os números da transformação são colossais:

  • Redução de tempestades: a frequência de nuvens de poeira que assolavam Pequim caiu de cerca de 26 dias por ano para menos de 3.
  • Cobertura vegetal: no deserto de Mu Us, a cobertura verde saltou de cerca de 1% para mais de 80% em algumas regiões, efetivamente “apagando” o deserto dos mapas topográficos tradicionais.
  • Sequestro de carbono: o estudo indica que a capacidade de absorção de carbono da região aumentou exponencialmente, ajudando a mitigar a pegada industrial do país.

O desafio da biodiversidade e a sustentabilidade

Apesar do entusiasmo, o relatório científico e especialistas ocidentais fazem uma ressalva crítica: a sustentabilidade a longo prazo depende da diversidade biológica. Nos primeiros anos, o projeto focou em monoculturas (plantação de uma única espécie), o que tornava as florestas vulneráveis a pragas e doenças.

Em resposta, a China mudou a estratégia para o que chamam de “silvicultura inteligente”, utilizando drones e monitoramento por satélite para gerenciar a introdução de ervas nativas e arbustos. O objetivo é criar um ecossistema resiliente que não dependa de irrigação artificial constante, mas que se torne autossustentável através da recuperação do lençol freático local — um fenômeno que já começou a ser observado com o retorno de pequenos rios e zonas úmidas no deserto de Mu Us.

Implicações globais: um modelo para a África e o Brasil?

O sucesso chinês serve como um farol para a Grande Muralha Verde da África, que tenta impedir o avanço do Saara. A lição aprendida em Mu Us é que o reflorestamento em zonas áridas não é apenas sobre plantar árvores, mas sobre restaurar a dignidade social: as comunidades locais foram integradas ao projeto, transformando a preservação em fonte de renda através do cultivo de plantas medicinais e ecoturismo.

Para o Brasil, embora o contexto bioma seja o oposto (preservação da floresta tropical vs. recuperação de deserto), a tecnologia chinesa de monitoramento de biomassa e sequestro de carbono oferece ferramentas valiosas para a restauração da Mata Atlântica e o combate à desertificação no Semiárido.

Informações: Isto É

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Projeto em SC recupera quase 300 campos de futebol de Mata Atlântica com araucárias

Iniciativa busca regenerar ecossistemas que enfrentam perda de diversidade genética.

Projeto financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e desenvolvido pela Fundação CERTI conseguiu restaurar 292 hectares de Mata Atlântica em áreas degradadas em serras de Santa Catarina, equivalentes a mais de 290 campos de futebol.

A iniciativa, chamada Mais Floresta com Araucária, combinou o plantio de espécies nativas com capacitação de agricultores familiares, integrando restauração ecológica e geração de renda local.

Segundo Gisele Alarcon, gerente de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, o projeto busca recuperar ecossistemas que enfrentam perda de diversidade genética, comprometendo não apenas a produção de frutos e madeira, mas também serviços ambientais essenciais, como regulação climática, polinização, conservação do solo e disponibilidade de recursos hídricos.

Recuperação da Mata Atlântica e integração com comunidades

Na Serra Catarinense, o projeto atuou em Urupema, Urubici e Bom Retiro, recuperando Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas degradadas em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Canto do Araponga.

Em Passos Maia, foram restaurados 192 hectares de Reserva Legal nos assentamentos da reforma agrária “Zumbi dos Palmares” e “29 de Junho”, implantando sistemas agroflorestais (SAFs) que combinam árvores nativas com culturas agrícolas.

A árvore símbolo do projeto, a araucária (Araucaria angustifolia), é fundamental para a Floresta Ombrófila Mista e gera o pinhão, alimento tradicional e fonte de renda.

Outras espécies incluídas no plantio, como erva-mate, goiabeira-serrana, imbuia e casca-d’anta, contribuem para a diversificação ecológica e econômica das áreas restauradas.

Os agricultores familiares participaram de coleta de sementes, plantio de mudas e construção de cercas, sendo capacitados para atuar na cadeia produtiva da restauração florestal.

Área de restauração de floresta empreendida pela Fundação CERTI
Área de restauração de floresta empreendida pela Fundação CERTI (Getty/Getty Images)

Sistemas agroflorestais e sustentabilidade econômica

Os SAFs implantados em Passos Maia representam uma alternativa à monocultura, combinando produtividade agrícola e preservação ambiental.

O modelo utiliza espécies adubadeiras que protegem o solo, fixam nitrogênio e preparam o terreno para o crescimento de árvores nativas.

Com a produção integrada, as famílias passam a fornecer alimentos para programas públicos, como a merenda escolar (PNAE), enquanto aguardam que as mudas de araucária e outras espécies entrem em produção para venda em feiras e mercados locais.

Impactos esperados e replicabilidade

Especialistas destacam que o projeto serve como modelo viável de restauração florestal, capaz de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos.

A combinação de capacitação, sistemas produtivos e restauração ecológica cria uma estratégia sustentável que pode ser replicada em outras regiões do país, fortalecendo a Mata Atlântica, bioma ameaçado que abriga grande parte da biodiversidade brasileira.

Segundo estudos do Instituto de Pesquisas Ambientais de Santa Catarina (IPA-SC), projetos que integram SAFs e recuperação de APPs aumentam significativamente a resiliência do ecossistema, promovendo conectividade ecológica e melhoria na qualidade da água e do solo.

Para as comunidades, o modelo também representa uma fonte contínua de renda e segurança alimentar, articulando conservação ambiental com desenvolvimento local.

Informações: VEJA


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Mata Atlântica: de bioma devastado a exemplo de restauração florestal

Restauração genética acelera recuperação e aumenta resiliência da Mata Atlântica.

Uma iniciativa de restauração da área florestal da Mata Atlântica, na Bahia, apresentou resultados eficientes ao reduzir o tempo de crescimento das espécies em até 50% e recriando florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas.

Segundo a supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da Symbiosis, Laura Guimarães, o trabalho é parte de uma estratégia de recuperação ambiental que teve início em 2014, com a coleta e mapeamento para identificar indivíduos com maior potencial de conservação em cada uma das espécies estudadas.

O resultado alcançado pela Empresa Brasileira de Reflorestamento permitiu a recuperação de 1 mil hectares do bioma a partir da seleção genética de 45 espécies nativas. Exemplares como jacarandá, jequitibá, ipês, angicos e muitos outros foram escolhidos para o plantio, a partir de suas capacidades de adaptação e desenvolvimento em diferentes contextos.

“Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”, explica o gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, Mickael Mello.

Além da escolha dos indivíduos mais capazes, as novas florestas foram estruturadas de forma a garantir variabilidade genética e reduzir riscos associados a homogeneização.

“Indivíduos com diferentes comportamentos e níveis de adaptação são essenciais para a recomposição da diversidade. Ao identificar e selecionar aqueles mais adaptados e resilientes, favorece-se a recuperação de populações mais estáveis e preparadas para enfrentar os desafios ambientais”, disse Laura Guimarães.

A vegetação nativa da Mata Atlântica já cobriu cerca de 130 milhões de hectares do território nacional, uma área equivalente ao tamanho de países vizinhos como o Peru. Hoje, o Brasil mantém apenas 24% dessa cobertura verde, mas só 12,4% são de florestas maduras e bem preservadas, espalhadas em fragmentos de cobertura verde existentes em 17 estados.

“Essa fragmentação reduz o número de indivíduos, compromete a variabilidade genética e enfraquece a capacidade adaptativa das espécies. Sob pressão da dinâmica de uso e ocupação do solo, essas populações tornam-se mais suscetíveis a eventos como déficit hídrico e mudanças climáticas, o que pode levar ao seu declínio progressivo”, analisou o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, Rafael Bitante Fernandes.

Para Fernandes, menos diversidade impacta diretamente a vida das pessoas, porque diminui a capacidade dos ecossistemas de prestarem serviços que garantem a disponibilidade de água, qualidade do ar, qualidade do clima, controle de doenças e produtividade de alimentos.

“Por fim, isso acaba contribuindo, de forma global, para todos esses problemas climáticos que a gente vem tendo, de chuvas e secas cada vez mais intensas, os extremos climáticos mais constantes, e as tragédias cada vez mais acontecendo – grandes enchentes, enxurradas e escassez de água “, acrescenta o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

De acordo com Fernandes, a pressão gerada pelo declínio da Mata Atlântica e o risco econômico associado aos seus impactos tem gerado um novo posicionamento de empresas privadas que passam a ver a restauração florestal como investimento e oportunidade de negócio e abandonam cada vez mais a ideia de filantropia.

“Existem hoje modelos de restauração florestal que contemplam um bom manejo dessa floresta. Então você tem uma exploração permanente, inclusive de produtos madeireiros, mas nunca faz o corte raso daquela floresta ali. Continua sequestrando carbono, faz o uso nobre dessa maneira e ainda pode aproveitar outros subprodutos que não sejam madeireiros como óleos e essências”, explica.

Com finalidades diversificadas, a restauração da Mata Atlântica foi ganhando em métodos, formas e caminhos possíveis, que vão desde a transformação de solo sem viabilidade agrícola em uma floresta produtiva, até a proteção de recursos que dependem da biodiversidade existente para a viabilidade econômica de um negócio.

“A gente tem, por exemplo, empresas geradoras de energia elétrica através da água, para as quais a gente fez projeto de proteção dos mananciais que abastecem essas hidrelétricas. Consequentemente, além de proteger a floresta ali existente, você dá uma longevidade melhor para esse negócio, reduzindo o risco em períodos mais secos ou de fortes chuvas “, acrescenta o gestor florestal.

>>Caminhos da Reportagem mostra resgate de frutas da Mata Atlântica 

O reposicionamento da iniciativa privada associado a um forte movimento que envolve ainda governos e organizações sociais resultou no Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050.

“É importante fazer um destaque aqui, para explicar que restauração florestal é quando ela é intencional. Então a gente foi lá, criou um projeto, ainda que você vá apenas induzir a natureza para que aquela floresta volte sozinha”, disse Fernandes.

De acordo com o gestor, esse compromisso é importante diante de uma dinâmica já observada no longo histórico do bioma mais ocupado pelo homem, que atualmente abriga 72% dos brasileiros.

“A SOS Mata Atlântica tem um estudo, liderado pelo professor Paulo Molin, que identificou 4,9 milhões de hectares que entraram em processo de regeneração, entre 1993 até 2022. Nesse mesmo recorte temporal 1,1 milhão de hectares voltaram a ser desmatados e 3,8 milhões de hectares ficaram lá em pé”, informou.

Na avaliação de Fernandes, no Brasil, o movimento tem contribuído para que o bioma seja um modelo para a restauração ambiental em todo o planeta. “Por diversos congressos que a gente passa pelos países, a Mata Atlântica foi eleita uma das primeiras flagships, carro-chefe, com ações qualificadas em prol da restauração. A Mata Atlântica está entre os dez primeiros exemplos a serem adotados globalmente”, reforça.

Apesar dos avanços em modelos de restauração, mapeamento das áreas prioritárias ainda há uma longa jornada a ser percorrida para que o mínimo necessário ao perfeito funcionamento da Mata Atlântica seja garantido, e a meta de 15 milhões de hectares seja possível em 2050. Para o representante da fundação, ainda é necessário sensibilizar pessoas já que 90% do território da Mata Atlântica são áreas privadas.

“A gente precisa agora dar um salto em escala com boas políticas públicas que estimulem a restauração florestal. Então, precisamos de pagamentos por serviços ambientais, comando e controle que determine algumas áreas obrigatórias preservadas e uma política de incentivos massiva para manutenção e restauração da floresta”, avalia Fernandes.

Mas o esforço promete compensação na forma de desenvolvimento sustentável e geração de renda. “Se a gente for olhar a grosso modo aquela restauração só para conservar a biodiversidade e resgatar os serviços ecossistêmicos. A gente tem um potencial de gerar a cada dois campos de futebol um emprego. Então, dentro desse universo de até 15 milhões de hectares, a gente pode gerar um benefício social que seria gigantesco”, conclui o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

Informações: Agrolink

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Como a madeira engenheirada pode mudar cidades

A construção civil ocupa uma posição estratégica no debate climático global. Não apenas pelo volume de obras que transforma paisagens e cidades, mas pelo peso de sua pegada ambiental. A produção de cimento, aço e  concreto responde por uma fatia significativa das emissões globais de dióxido de carbono. Cada edifício erguido com sistemas convencionais carrega consigo um rastro energético intenso, desde a extração de matérias-primas até os processos industriais de alta temperatura.

Nesse cenário, a madeira engenheirada surge como uma alternativa concreta — e paradoxalmente ancestral. Ao contrário do concreto, cuja fabricação depende da calcinação do calcário e da queima massiva de combustíveis fósseis, a madeira nasce de um ciclo biológico que captura carbono da atmosfera. Aproximadamente metade da composição química da madeira é carbono fixado durante o crescimento das árvores. Quando transformada em elementos estruturais, essa matéria-prima passa a funcionar como um reservatório de carbono incorporado ao edifício.

Estudos comparativos indicam que construções em madeira engenheirada podem emitir até 80% menos CO2 por metro quadrado do que estruturas equivalentes em concreto e alvenaria. A diferença não está apenas no material em si, mas na cadeia produtiva como um todo. O processamento da madeira demanda menos energia e, em geral, não depende de processos térmicos tão intensivos quanto os da indústria cimenteira e siderúrgica.

Assim, a discussão deixa de ser apenas técnica. Trata-se de repensar o modelo construtivo que dominou o século XX e de compreender o edifício como parte da estratégia climática.

Tecnologia, desempenho e normas técnicas

A madeira engenheirada não se limita a vigas tradicionais. Ela incorpora tecnologias industriais de alto desempenho, como a madeira laminada colada e a madeira laminada colada cruzada, conhecida internacionalmente como CLT. Esses sistemas permitem vencer grandes vãos, alcançar múltiplos pavimentos e garantir estabilidade estrutural compatível com exigências contemporâneas de segurança.

No Brasil, o projeto de estruturas de madeira é regulamentado pela ABNT, especialmente por meio da ABNT NBR 7190, norma que estabelece critérios de dimensionamento, classes de umidade e coeficientes de modificação que influenciam diretamente na resistência e rigidez do material ao longo do tempo. Essa norma está em processo de atualização para incorporar de forma mais abrangente sistemas como o CLT, refletindo a evolução tecnológica do setor.

A durabilidade das edificações também está associada à ABNT NBR 15575-1, que define a Vida Útil de Projeto mínima de 60 anos para novas construções. Essa diretriz não é apenas um número; ela impõe que o projeto, a execução e a manutenção sejam pensados desde o início como um ciclo de longo prazo. Complementarmente, a ABNT NBR 14037 estabelece diretrizes para a elaboração do Manual de Operação, Uso e Manutenção das Edificações, documento essencial para orientar proprietários e gestores sobre cuidados preventivos.

Enquanto o Brasil consolida suas normas específicas, referências internacionais como a ISO e a APA – The  Engineered Wood Association oferecem parâmetros técnicos amplamente adotados para madeira laminada colada e CLT. A ISO estabelece padrões de qualidade e desempenho reconhecidos globalmente, enquanto a APA desenvolve critérios técnicos amplamente utilizados na América do Norte.

A manutenção preventiva é decisiva para garantir o desempenho ao longo das décadas. O controle de umidade é o ponto mais sensível. A madeira reage às variações ambientais; portanto, ventilação adequada, estanqueidade das instalações hidráulicas e proteção contra infiltrações são requisitos fundamentais. A proteção solar com vernizes dotados de filtros UV ajuda a preservar superfícies expostas. O tratamento em autoclave, especialmente em espécies como o pinus de reflorestamento, amplia a resistência contra cupins e brocas. Em termos de segurança contra incêndio, a inspeção periódica de selantes firestop e de revestimentos resistentes ao fogo, como gesso acartonado e vernizes intumescentes, integra o protocolo de preservação estrutural.

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Economia, produtividade e previsibilidade financeira

Embora o custo direto da madeira engenheirada ainda possa superar o do concreto em determinados contextos brasileiros, a análise econômica precisa ir além do preço por metro cúbico. Estruturas em madeira pesam, em média, um quinto de uma estrutura equivalente em concreto. Essa leveza reduz cargas nas fundações, permitindo soluções mais simples e econômicas na base do edifício.

A industrialização é outro diferencial. Elementos estruturais são fabricados com precisão milimétrica em ambiente controlado e chegam ao canteiro prontos para montagem. O resultado é uma obra mais rápida, limpa e previsível. A redução do tempo de execução diminui custos indiretos, como aluguel de equipamentos, despesas administrativas e encargos de manutenção do canteiro. Para incorporadores e investidores, a entrega antecipada significa retorno financeiro mais rápido.

Há ainda ganhos associados à redução de resíduos. Diferentemente da concretagem moldada in loco, que frequentemente gera entulho e retrabalho, a construção em madeira engenheirada trabalha com peças pré-dimensionadas. O desperdício é mínimo, e o canteiro se transforma em espaço de montagem, não de improviso.

Em edifícios públicos, como escolas, estudos indicam que sistemas construtivos em madeira podem oferecer melhor custo-benefício no longo prazo. A combinação de menor impacto ambiental, eficiência energética e rapidez de execução cria um modelo economicamente competitivo, sobretudo quando se considera o ciclo de vida completo da edificação.

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Edifícios como reservatórios de carbono

O debate sobre madeira engenheirada transcende a técnica e alcança a estratégia climática. Ao utilizar matéria-prima proveniente de florestas plantadas e manejadas de forma responsável, a construção civil passa a integrar um ciclo de carbono mais equilibrado. As árvores capturam CO2 durante seu crescimento. Ao serem transformadas em elementos estruturais, mantêm esse carbono estocado ao longo de décadas.

Se a Vida Útil de Projeto mínima é de 60 anos, isso significa que cada edifício pode funcionar como um depósito estável de carbono por duas ou três gerações. Em vez de serem apenas fontes de emissão, as construções tornam-se parte da solução climática. Quando comparadas às emissões intensivas do  concreto e do aço, as estruturas de madeira oferecem um balanço significativamente mais favorável.

Esse modelo exige responsabilidade. O uso sustentável depende de cadeias produtivas certificadas, manejo florestal adequado e cumprimento rigoroso das normas técnicas. Porém, quando esses elementos se alinham, a madeira engenheirada representa uma síntese entre tradição e inovação: um material antigo, reinterpretado pela engenharia contemporânea para responder a um dos maiores desafios do nosso tempo.

A transformação não ocorre apenas na estética dos edifícios, mas na lógica que sustenta sua existência. Em vez de consumir recursos de forma irreversível, a construção passa a dialogar com ciclos naturais. Em vez de acelerar o aquecimento global, pode contribuir para mitigá-lo. Nesse horizonte, a madeira engenheirada deixa de ser alternativa e se consolida como protagonista de uma nova etapa da arquitetura e da engenharia.

Informações: Revista Amazônia

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Florestar vive novo patamar institucional e fortalece protagonismo junto ao Governo de São Paulo

Maturidade expressa no rebranding e atuação estruturada na agenda paulista.

Em um cenário no qual o setor de florestas plantadas amplia sua relevância econômica, ambiental e social, a Florestar consolida seu papel como referência institucional da indústria florestal paulista. A entidade amplia sua presença nas agendas públicas do Estado, com atuação estruturada e diálogo permanente com o Governo de São Paulo. A atualização da marca acompanha esse movimento e reflete uma associação qualificada e integrada às pautas do setor.

Para Marcos Coelho, vice-presidente da entidade, o cenário é especialmente favorável. “A Florestar vive um momento muito positivo. O setor de florestas plantadas tem ganhado cada vez mais relevância em São Paulo, e a associação tem acompanhado esse movimento. Hoje buscamos atuar não apenas como representante institucional das empresas associadas, mas também como um espaço de diálogo qualificado sobre políticas públicas e desenvolvimento regional”, afirma.


Marcos Coelho, vice-presidente

Rebranding como expressão de amadurecimento

A mudança na identidade visual não foi um movimento isolado. De acordo com Fernanda Abilio, engenheira florestal e diretora executiva da associação, o rebranding reflete o amadurecimento institucional vivido pela entidade nos últimos anos.

“O rebranding da Florestar é a expressão de um ciclo de fortalecimento institucional. Ao longo de quatro anos, a entidade redefiniu seu posicionamento, aprimorou sua atuação e construiu reputação e legitimidade nas agendas estratégicas do Estado”, explica.

A contratação de assessorias especializadas e a organização de uma estratégia consistente de comunicação contribuíram para o novo estágio da entidade, ampliando a capacidade da Florestar antecipar tendências regulatórias, organizar posições técnicas e representar o setor nos ambientes decisórios do Estado.

A atualização da identidade visual foi, portanto, um desdobramento natural dessa transformação. “A nova marca traduz uma Florestar madura, conectada às agendas estratégicas do setor e representativa da cadeia florestal paulista”, complementa Fernanda.

Para Marcos Coelho, o movimento simboliza algo mais amplo do que uma atualização visual. “O setor evoluiu, a agenda ficou mais complexa e o papel das associações também mudou. Hoje precisamos dialogar com governo, sociedade, academia e outros setores da economia.”

Governança fortalecida e comunicação estratégica

A evolução foi acompanhada pelo aperfeiçoamento da governança e agendas institucionais. “A Florestar é conduzida por prioridades claras, com interlocução direcionada e comunicação coesa ao perfil do setor”, detalha Fernanda.


Fernanda Abilio, diretora executiva

A adoção da denominação Florestar – Indústria Florestal Paulista reforça essa coerência representativa e seu papel como instância legítima de articulação da cadeia produtiva.

Parcerias estratégicas com o Governo do Estado

A ampliação das parcerias institucionais com o Governo de São Paulo foi resultado de uma agenda estruturada de aproximação.

“Acreditamos que o desenvolvimento do setor depende de um diálogo permanente com o poder público. A Florestar tem buscado contribuir com dados, propostas e posicionamento fundamentado para essas discussões”, destaca Marcos.

Entre as agendas prioritárias estão prevenção a incêndios florestais, preservação ambiental, infraestrutura logística, recursos hídricos, empregabilidade e qualificação profissional. A atuação técnica e institucional da entidade tem facilitado a construção de cooperações formais e a participação em fóruns de alto nível nos cenários estaduais e federais.

“A modernização da marca esclareceu quem somos e quem representamos. Isso fortaleceu a relação junto a secretarias, agências reguladoras e demais órgãos governamentais, facilitando o diálogo em agendas complexas e de longo prazo”, acrescenta Fernanda.

Continuidade e consolidação

Para a vice-presidência, o momento agora é avançar nos patamares já alcançados.

“O foco é dar continuidade ao trabalho que vem sendo construído, com consistência e previsibilidade. É demonstrar às empresas associadas e aos parceiros institucionais que a agenda da Florestar é permanente e orientada a resultados concretos”, afirma Marcos Coelho.

A avaliação interna é de que o rebranding é a expressão visível de uma entidade que se consolidou e reafirmou seu papel como interlocutora legítima da indústria florestal paulista.

Saiba mais sobre a Florestar no link.

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