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Bombeiros combatem incêndio no Pantanal e locais de difícil acesso continuam com focos

Baía do Tuiuiú, local de difícil acesso, continua com focos.

Corpo de Bombeiros, em combate aos incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul, informou na noite desta segunda-feira (26) que incêndio florestal na região do Nabileque foi contido e a guarnição já retornou à base, em Corumbá. Em outro ponto, na Baía do Tuiuiú, de acordo com os militares, ainda há focos em local de difícil acesso, que estão sendo monitorados.

Segundo o Governo do Estado, do último dia primeiro, até esta segunda-feira (26), os satélites de referência já detectaram 69 focos ativos no Pantanal, contra 34 registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados do BDQueimadas. O combate conta com apoio da aeronave Air Tractor dos Bombeiros na região do Morro do Azeite. Segundo as autoridades, os sobrevoos auxiliam na identificação de focos e no direcionamento das equipes em solo, trabalho fundamental para barrar o fogo.

“Historicamente há incêndios nessa época de chuvas, mas este ano os focos se apresentam com maior intensidade. Considerando esse cenário já estamos nos preparando estruturalmente para que tenhamos capacidade de resposta, o que está sendo feito nesse momento pela nossa unidade de Corumbá, que tem empregado equipes para combater os focos que atingem a região pantaneira”, disse o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Rachid Teixeira.

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Da chegada ao Brasil até se tornar ouro verde: como a silvicultura do pinus teve início no país

A trajetória do agronegócio brasileiro está diretamente ligada à ciência, à pesquisa e ao melhoramento genético. Culturas hoje consideradas pilares da economia nacional, como milho, soja, café, trigo e diversas frutas, passaram por extensos estudos de progênese, adaptação climática e avaliação de produtividade antes de se consolidarem no território brasileiro.

Nenhuma dessas culturas foi introduzida de forma aleatória. Ao longo da história, pesquisadores analisaram solos, regimes de chuva, temperaturas, incidência de pragas e potencial produtivo para definir quais espécies apresentariam melhor desempenho em cada região.

Esse mesmo caminho científico orientou a introdução do gênero pinus no Brasil, processo iniciado há cerca de 120 anos e que moldou a silvicultura comercial brasileira.

Estudos iniciais e a chegada do pinus ao país

Os primeiros experimentos com pinus no Brasil começaram no início do século XX, a partir da necessidade de ampliar a oferta de madeira e reduzir a pressão sobre florestas nativas. Assim como ocorreu com outras culturas agrícolas, diferentes espécies foram testadas de forma sistemática, considerando viabilidade econômica, adaptação climática e resistência a pragas. “Houve muita pesquisa para colocar o pinus no Brasil. Nada foi feito por acaso. Assim como aconteceu com o café, a soja, o milho e outras culturas, tudo passou por estudo, desenvolvimento e avaliação científica”, afirma Afonso Mehl Júnior, diretor da APRE.

Segundo registros históricos, pesquisadores implantaram parcelas experimentais com diversas variedades do gênero pinus, oriundas principalmente de regiões de clima semelhante ao do Sul do Brasil. A partir desses testes, foi possível identificar quais espécies apresentavam melhor crescimento e qualidade de madeira nas condições brasileiras, com destaque para Pinus taeda e Pinus elliottii. “Outras espécies também foram estudadas, inclusive de pinus tropicais, o que permitiu comparações detalhadas de resistência e produtividade”, relembra.

Adaptação, produtividade e benefícios econômicos

Com a adaptação confirmada, o pinus passou a desempenhar papel estratégico no desenvolvimento do setor florestal. O clima, a luminosidade e a fertilidade dos solos brasileiros permitiram um crescimento mais rápido em comparação a países do Hemisfério Norte, resultando em elevada produtividade e qualidade da madeira.

“Há 120 anos o pinus vem sendo estudado e utilizado no Brasil, sempre gerando benefícios. É uma espécie que se adaptou muito bem e que até hoje só trouxe desenvolvimento e riqueza”, destaca Afonso Mehl Júnior.

A madeira proveniente do pinus se tornou fundamental para diversas cadeias produtivas, abastecendo indústrias de papel e celulose, móveis, construção civil, painéis de madeira, bem como energia. Além disso, o cultivo em áreas já utilizadas anteriormente pela agricultura ou em regiões de menor aptidão agrícola contribuiu para a otimização do uso do solo e para a sustentabilidade do setor.

Afonso Mehl Júnior, que é engenheiro florestal, ressalta que a pesquisa não se encerrou com a definição das espécies mais produtivas. Ao longo do tempo, novos estudos continuaram sendo realizados para aprimorar o manejo, aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade do setor. “A pesquisa nunca parou. Ela começou há 120 anos e continua até hoje, sempre buscando melhorar o desempenho e o aproveitamento da cultura”, pontua.

Importância econômica e presença no Sul do Brasil

“O pinus é o que podemos chamar de ouro verde”, afirma Gilson Geronasso, ex-presidente e atualmente membro do Conselho Diretor da APRE, ao ressaltar os diferenciais do cultivo. “O gênero Pinus tem hoje extrema importância na economia brasileira, sendo o mais plantado no Sul do Brasil. Algumas espécies são de rápido crescimento e produzem madeira de fibra longa de excelente qualidade para diversas finalidades”.

A presença do pinus no cotidiano da população é ampla. Móveis, papel, embalagens, celulose e diversos produtos de uso diário têm origem em florestas plantadas, o que demonstra a relevância econômica e social do cultivo ao longo de mais de um século.

Um legado construído com pesquisa e planejamento

O histórico do Pinus no Brasil reflete um modelo baseado em ciência, planejamento e continuidade da pesquisa. Desde os primeiros experimentos até a consolidação do setor florestal, o gênero se integrou à paisagem produtiva brasileira, acompanhando a evolução das práticas de manejo e das políticas de desenvolvimento da silvicultura. 

O diretor executivo da APRE Florestas, Ailson Loper, ressalta a importância desse marco histórico. “Ao completar 120 anos de presença no país, o pinus reafirma seu papel como uma cultura florestal estratégica, construída a partir do mesmo rigor técnico que marcou o desenvolvimento das principais culturas agrícolas brasileiras, permitindo substituir a extração de fibras de florestas nativas pela colheita de florestas plantadas”, conclui.

Informações: Apre Florestas

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Com alta de 14%, indústria de MS domina 73% das exportações

Celulose, carnes e óleos vegetais puxam o setor em levantamento divulgado nesta segunda-feira (26).

A indústria de Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o melhor resultado da série histórica em exportações, ao faturar US$ 7,81 bilhões, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), divulgado nesta segunda-feira (26). O valor representa crescimento de 14% em relação a 2024, quando o setor registrou US$ 6,83 bilhões.

Somente em dezembro, as exportações industriais alcançaram US$ 687,6 milhões, alta de 10% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, que somou US$ 623,3 milhões. O desempenho marcou o melhor resultado já registrado para um mês de dezembro. No período, a indústria respondeu por 79% da receita total das exportações do Estado.

No acumulado de 2025, a participação do setor industrial chegou a 73% de todas as vendas externas de Mato Grosso do Sul. Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, os números confirmam a importância da indústria no comércio exterior estadual.

Os segmentos de Celulose e Papel, Complexo Frigorífico e Óleos Vegetais e produtos de sua extração concentraram 82% da receita anual das exportações. O grupo de Celulose e Papel liderou, com US$ 6,9 bilhões, impulsionado principalmente pela pasta química de madeira.

Os principais destinos dos produtos de celulose foram China, Itália, Holanda, Estados Unidos e Turquia. Já o Complexo Frigorífico somou US$ 2,4 bilhões entre janeiro e dezembro, com destaque para carnes bovinas desossadas, congeladas e refrigeradas, além de peito de frango desossado e congelado.

China, Estados Unidos, Chile, México e Holanda figuraram entre os maiores compradores dos produtos frigoríficos. No segmento de Óleos Vegetais, a receita chegou a US$ 561 milhões, puxada por bagaços e resíduos da extração do óleo de soja, farinhas, pellets de soja e óleo de soja bruto.

Holanda, Indonésia, Polônia, Espanha e Índia lideraram as compras desses produtos. O resultado consolida a indústria sul-mato-grossense como principal geradora de receita nas exportações e reforça o peso do setor na economia do Estado.

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Suzano encerra 2025 com mais de 430 profissionais formados para atuar na colheita florestal em Ribas do Rio Pardo

Desenvolvido em parceria com o Senai, programa de qualificação da Suzano fortalece a empregabilidade e impulsiona o desenvolvimento regional.

Comprometida com a geração de trabalho e renda e com o desenvolvimento socioeconômico da região, a Suzano encerra o ano de 2025 com 433 novos profissionais capacitados para atuar no setor de colheita florestal, em Ribas do Rio Pardo. O programa de qualificação profissional da companhia é uma iniciativa gratuita, desenvolvida em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que já formou nove turmas de Operadores(as) de Máquinas Florestais e três de Mecânicos(as) de Máquinas Florestais.

“Contribuir com o desenvolvimento regional por meio da valorização da mão de obra local é um compromisso da Suzano com Mato Grosso do Sul. Essa iniciativa dialoga com um dos nossos principais direcionadores, que diz que ‘só é bom para nós se for bom para o mundo’, uma vez que ao ampliar o acesso à qualificação, geramos oportunidades reais e colaboramos para promover a transformação das comunidades onde atuamos”, afirma Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Ribas do Rio Pardo.

Do total de 433 pessoas qualificadas, 271 profissionais foram contratados pela própria Suzano, sendo 202 homens e 69 mulheres, o que representa uma média geral de aproveitamento de 62,6%. Os demais formandos(as) passaram a integrar o mercado regional, atuando em empresas da cadeia florestal e de serviços.

Entre as pessoas contratadas está Beatriz Carolina Gonçalves, operadora de colheita. Aos 27 anos, ela conta que o curso de qualificação representou sua primeira conquista profissional. “Até então, eu não me via atuando no setor florestal ou como operadora de colheita, ainda mais em uma área tradicionalmente masculina. Me inscrevi acreditando na oportunidade de crescimento com a chegada da Suzano a Ribas do Rio Pardo e deu certo. Hoje, só tenho a agradecer por essa nova carreira”, recorda. Ela também destaca o impacto da iniciativa na promoção da equidade de gênero na região: “Antes, era muito difícil para mulheres encontrarem emprego. A Suzano ampliou essas oportunidades, e isso mudou a realidade de muitas mulheres e de muitas famílias”, complementa.

Criada em ambiente rural, Giovanna Batista Raimundo, de 22 anos, encontrou no programa o apoio necessário para transformar a carreira e a vida pessoal. “O curso é bem estruturado, une teoria e prática e prepara para a realidade da operação. Além disso, aprendi a importância da comunicação no ambiente de trabalho, o que contribuiu muito para o meu crescimento profissional e pessoal. Antes do curso, eu era bastante tímida e quase não me comunicava, mas esse aprendizado me ajudou a me tornar mais comunicativa e confiante”, afirma.

Assim como Beatriz e Giovanna, Gabriely Horas da Silva Amorim, de 22 anos, também viu no programa uma oportunidade concreta de mudança. “O curso foi uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Minha vida foi transformada, e hoje consigo enxergar um futuro profissional que antes não imaginava”, relata. Para ela, a presença feminina na operação também tem grande valor na promoção da equidade de gênero. “Ver mulheres atuando como operadoras mostra que esse espaço também é nosso”, completa.

Carreira na Suzano

As pessoas interessadas em construir uma carreira na Suzano podem acessar a Plataforma de Oportunidades da companhia (https://suzano.gupy.io/). Nela, é possível conferir todos os processos seletivos em andamento e se inscrever no Banco de Talentos. A Suzano reforça que todos os processos seletivos são gratuitos, sem a cobrança de qualquer valor para participação, e que as vagas oficiais estão abertas a todas as pessoas interessadas. Na página, candidatos e candidatas também podem acessar oportunidades no Estado, em outras unidades da empresa no país, além de realizar o cadastro no Banco de Talentos.

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Crise silenciosa no campo expõe desequilíbrio na cadeia da borracha

Enquanto a indústria de pneus discute medidas para conter o avanço das importações e tenta reverter a queda nas vendas no mercado interno, outro elo essencial da cadeia produtiva da borracha vive uma crise silenciosa no campo. Produtores e sangradores enfrentam uma combinação de preços defasados, ausência de contratos e falta de políticas públicas estruturantes, cenário que ameaça a sustentabilidade da produção nacional de borracha natural.

Apesar de estar diretamente associada ao setor automotivo, a borracha natural vai muito além dos pneus. Trata-se de uma matéria-prima estratégica para o desenvolvimento do país, com impacto econômico, social, ambiental e até de segurança nacional. Hoje, o Brasil produz cerca de 40% da borracha que consome, o que o torna dependente do mercado externo para abastecer a indústria.

A produção nacional, porém, exige planejamento de longo prazo. Um seringal leva cerca de dez anos para iniciar a produção e pode gerar renda por até 35 anos. “Se faltar borracha e decidirmos plantar hoje, o país só verá resultado daqui a uma década”, alerta Antonio Carlos Carvalho Gerin, presidente da Câmara Setorial da Borracha do Ministério da Agricultura. Segundo ele, garantir a autossuficiência é uma questão estratégica, já que a ausência da matéria-prima comprometeria cadeias industriais inteiras.

Além do aspecto econômico, a seringueira tem forte impacto social. A atividade gera emprego contínuo, com mão de obra perene, especialmente para trabalhadores com baixa qualificação técnica. “Um sangrador pode trabalhar no mesmo seringal por décadas. É uma atividade que fixa pessoas no campo e gera renda estável”, afirma Gerin. Há ainda o fator ambiental: a cultura da seringueira apresenta alta capacidade de captura de carbono, superando, em alguns casos, biomas nativos.

O problema, segundo o presidente da Câmara Setorial, começa na forma como o mercado é organizado. A cadeia produtiva é formada por três elos, produtores, indústrias intermediárias, conhecidas como usinas, e o consumidor final, representado majoritariamente pela indústria pneumática. Com cerca de 60% do mercado abastecido por borracha importada, as indústrias firmam contratos anuais de compra no exterior.

Quando há retração na venda de pneus, a borracha importada continua chegando, enquanto a produção nacional deixa de ser adquirida.
Esse movimento provoca uma queda artificial nos preços pagos no campo. Diferentemente de outras culturas agrícolas, a seringueira precisa ser sangrada regularmente. O que não é retirado da árvore não pode ser recuperado depois.

“Ou o produtor vende a um preço muito baixo ou não ganha nada”, explica Gerin. Hoje, o custo médio de produção de um quilo de látex gira em torno de R$ 6,50, enquanto o valor pago ao produtor está próximo de R$ 3,84.

A concentração do mercado agrava o cenário. Cerca de dez a doze usinas compram aproximadamente 90% da produção nacional, o que reduz o poder de negociação dos produtores. Sem contratos formais e sem mecanismos de proteção, o preço acaba sendo imposto. “Não há regra, não há índice de referência. Se amanhã o comprador decidir pagar menos, ele paga”, afirma.

No passado, existiu uma política pública que buscava equilibrar essa relação. Um decreto federal estabelecia que a borracha nacional não poderia custar menos do que a importada, além de prever incentivos à produção. A norma, no entanto, perdeu validade em 2008 e não foi renovada. Desde então, segundo Gerin, a metodologia de formação de preços passou a atender majoritariamente aos interesses da indústria de transformação e das pneumáticas.

Enquanto isso, medidas de proteção têm sido adotadas principalmente para produtos industrializados. Tarifas sobre pneus importados chegaram a 25%, mas incidem sobre itens de alto valor agregado. No campo, qualquer reajuste no preço da borracha teria impacto mínimo no valor final do pneu. “Em um pneu de caminhão que custa mais de R$ 3 mil, a borracha natural representa cerca de 20%. Um aumento no preço da matéria-prima não gera inflação, mas faz enorme diferença para quem produz”, argumenta.

O desequilíbrio tem provocado o abandono da atividade. Segundo estimativas da Câmara Setorial, o setor já perdeu entre 30% e 40% da mão de obra. Sangradores deixam o campo e migram para cidades pequenas, pressionando sistemas de saúde, educação e assistência social. “É um problema social grave. No campo, essas famílias têm moradia, renda e acesso a serviços básicos. Na cidade, muitas vezes, não têm alternativa”, diz Gerin.

A preocupação se estende também ao aspecto ambiental. A legislação brasileira exige que produtos importados sigam padrões sociais e ambientais equivalentes aos nacionais, mas, segundo o setor, isso não tem sido efetivamente fiscalizado. Estudos sobre condições de trabalho em países exportadores apontam situações precárias, o que amplia a assimetria competitiva.

Diante desse cenário, a Câmara Setorial da Borracha defende a criação de um comitê gestor que envolva diferentes ministérios, como Agricultura, Indústria e Comércio, Fazenda, Relações Exteriores, Meio Ambiente e Defesa. A proposta não é intervir diretamente no mercado, mas estabelecer regras claras que garantam equilíbrio entre os elos da cadeia.

“O setor não é contra a indústria nem contra a importação. O que defendemos é uma gestão justa, que considere o impacto social, ambiental e econômico de toda a cadeia”, afirma Gerin. Segundo ele, sem regras, o país corre o risco de perder sua base produtiva e aumentar ainda mais a dependência externa de uma matéria-prima considerada estratégica.

Informações: Isto É

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Excesso de borracha no Noroeste paulista preocupa setor nesta safra

Seringueiras estão com boa produtividade na região Noroeste, porém a oferta de borracha tem sido maior do que a demanda, especialmente das indústrias de pneus.

As regiões de Rio Preto e Votuporanga concentram a principal produção de seringueiras do País e iniciaram a safra 2025-2026 com uma preocupação: o destino da borracha produzida no campo. O maior desafio para os produtores não está na cadeia produtiva e nem no preço da commodity, que está registrando alta na Bolsa de Valores de Singapura, mas a questão envolve o elevado número de pneus importados comercializado no País.

Com a maior importação de pneus- a principal demanda da borracha produzida nos seringais da região- os produtores veem a oferta maior da borracha e os elevados estoques das usinas de beneficiamento ameaçar a safra de seringueira nesta temporada.

“Levamos a questão para o governo, mas o que vemos é uma enxurrada de pneus importados entrando no País e sufocando a produção nacional. O governo federal não toma nenhuma providência para proteger uma cadeia produtiva tão grande e forte como é a da borracha natural no Brasil”, afirma o diretor-executivo da Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Apabor), Fábio Tonus.

Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) apontam que a produção da borracha no País já respondeu por 70% da demanda do mercado há dois anos. Mas atualmente, no último levantamento de 2025, as indústrias estão comprando apenas 34% da borracha brasileira e optando pelo produto importado da China, que chega ao Brasil com preço mais baixo.

Imposto

O produtor e presidente da Apabor, Fábio Magrini, explica que a situação é de muita preocupação na safra deste ano, que ainda está no início e deverá atingiu a maior produção a partir do mês de março. “A borracha importada chega ao Brasil, dos países da Ásia, com preços muito mais baixos e as pneumáticas acabam comprando também os pneus importados, compensa para a indústria, mesmo com a cobrança de imposto de 25% do pneu para carros de passeio”.

Fábio comentou ainda que países como os Estados Unidos e o México elevaram os impostos de importação da borracha para 35%, recentemente. “Se não tivermos interferências dos governos estadual e federal, vai sobrar borracha no campo nesta safra”, pontua.

Pela primeira vez no cenário da produção nacional de borracha natural, o agrônomo e produtor Gilson Pinheiro considera que essa temporada deverá atingir uma produção maior do que o consumo do látex. “O problema não é que aumentamos o número de seringais, mas diminuiu o consumo da borracha no País. Essa a grande preocupação do setor, a sobra de borracha nesta safra por conta da importação de pneus que tem comprometido a indústria brasileira”, ressaltou.

Aumento de 9%

Segundo levantamento de Previsões e Estimativas de Safra do estado, elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), a safra paulista de 2024-2025 da seringueira registrou produção total de 266,2 mil toneladas de coágulo de látex, volume 8,6% superior ao do ciclo anterior, e rendimento médio de 2,375 mil quilos por hectare. A área total com os seringais expandiu-se 3,1%, totalizando 123,7 mil hectares.

Apesar de ter origem amazônica, atualmente 60% da borracha natural brasileira é produzida nos seringais do estado de São Paulo, conforme dados do IEA. As maiores produções se concentram nas regiões norte e noroeste do estado, tendo como as principais regionais São José do Rio Preto (31%), General Salgado (15,1%) e Votuporanga (13%).

Na região Noroeste, produtores contam que as seringueiras vêm se desenvolvendo bem e a produção tem boas perspectivas no campo. “Ainda é cedo para fazermos uma avaliação de aumento de produtividade, mas podemos estimar crescimento de 10%, com as chuvas que estão irregulares ainda, mas que contribuem com a safra”, diz Fábio Magrini.

A avaliação de Fábio Tonus também sinaliza a safra deste ano com a expectativa de vigor dos seringais. “A safra está com boas perspectivas, tem chovido na região e os seringais estão todos equipados, com pessoal contratado e sem problemas no campo”, diz Tonus.

Porém, para Tonus o problema maior está na cadeia produtiva. “As indústrias pneumáticas reduziram a capacidade de produção, inclusive com o fechamento de duas delas que fabricam pneus. É um momento muito diferente de tudo que a produção de seringueiras já presenciou”.

Estoques nas usinas

A região de Rio Preto, além de concentrar as maiores áreas de seringueiras, responde ainda pelo maior número de usinas de beneficiamento da borracha natural, que são responsáveis pelo envio do produto para as indústrias de pneus e do mercado leve (solados de calçados, preservativos, elásticos e outros). Nesta safra, as usinas já avaliam a falta de demanda do látex para as indústrias.

Renato Arantes, da usina Noroeste Borracha, localizada em Urupês, disse que nesta safra, pela primeira vez, a empresa já começa a temporada com estoque de borracha. Ele afirma que a maior dificuldade está no mercado, muito valorizado pela cotação da commodity, mas com consumo muito baixo da borracha no Brasil.

“O consumo da borracha pela indústria nacional caiu muito, por conta da maior competição com o pneu importado. Por isso nós já estamos iniciando a safra em 2026 com estoque e perspectiva de vendas bem reduzidas e isso tende a uma pressão maior de preços porque teremos uma oferta muito maior de coágulo”, afirmou Renato.


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Polli Fertilizantes aposta em nanotecnologia para elevar a eficiência da correção de solos no setor florestal

Fertilizantes especiais ganham espaço na construção da fertilidade em florestas plantadas.

A Polli Fertilizantes nasceu com o propósito de modernizar a correção e a fertilidade do solo no Brasil por meio da inovação tecnológica. A empresa dá continuidade ao legado iniciado ainda na década de 1970 pela Primocal, mas foi a partir da experiência internacional de seu CEO, Luiz Osni Miranda, que a Polli passou a investir de forma consistente em fertilizantes especiais baseados em nanotecnologia — trajetória que se consolidou com a fundação da empresa em 25 de setembro de 2011, em Colombo (PR).

Segundo Osni, a motivação surgiu ao observar um descompasso no campo. “Enquanto genética, maquinário e manejo evoluíam rapidamente, a correção de solo ainda se apoiava em métodos rudimentares, com baixa eficiência e lenta reatividade. Vimos aí a oportunidade de unir tradição e tecnologia para gerar resultados mais rápidos, sustentáveis e eficientes ao produtor”, afirma.

Luiz Osni Miranda / Divulgação

Tecnologia Nano Atom como pilar estratégico

Esse movimento resultou no desenvolvimento da Tecnologia Nano Atom, tecnologia patenteada que utiliza nanopartículas de carbonatos e silicatos para aumentar a superfície reativa dos corretivos e fertilizantes. O objetivo é potencializar a eficiência agronômica com menor dosagem, maior uniformidade de aplicação e redução significativa de impactos ambientais.

Hoje, a Nano Atom é o centro da estratégia da Polli. “Ela conecta inovação, sustentabilidade e produtividade. Estamos falando de uma redução de até 73,6% nas emissões de CO₂ em comparação ao uso de corretivos convencionais, além de ganhos logísticos e agronômicos claros”, destaca Osni. Para a empresa, tecnologia e agricultura regenerativa caminham juntas e são fundamentais para a expansão e consolidação da marca no mercado nacional e internacional.

Divulgação

Desafios técnicos do solo em sistemas florestais

Do ponto de vista técnico, a correção e a construção da fertilidade do solo seguem como grandes desafios, especialmente nos sistemas florestais. De acordo com Dra. Thais Ramari, diretora técnica da Polli Fertilizantes, esses desafios são amplificados pela escala das áreas, pela logística operacional e pela necessidade de previsibilidade no estabelecimento inicial das culturas.

Dra. Thais Ramari / Divulgação

“Acidez elevada, presença de alumínio tóxico, baixa saturação por bases e deficiência de cálcio e magnésio são fatores recorrentes. Além disso, muitos talhões apresentam acidez em camadas subsuperficiais, o que limita o crescimento radicular e aumenta a sensibilidade ao déficit hídrico”, explica.

Outro ponto crítico é conciliar eficiência agronômica com viabilidade operacional. “O produtor precisa corrigir o solo dentro de janelas curtas, com uniformidade, custo controlado e sem perder desempenho, seja em solos arenosos, com maior risco de perdas, ou em solos muito argilosos, com alta reatividade”, complementa.

Mais eficiência com menor dose

Nesse cenário, a Tecnologia Nano Atom se diferencia por acelerar a reação no solo. “Trabalhamos com partículas ultrafinas, de alta área específica, que aumentam o contato com a solução do solo. Isso favorece uma neutralização mais rápida da acidez e uma disponibilização mais eficiente de cálcio e magnésio, especialmente no momento crítico de estabelecimento da cultura”, detalha a diretora.

Entre os principais benefícios observados no campo estão o melhor desenvolvimento radicular, maior uniformidade de estande, melhor aproveitamento dos nutrientes aplicados e maior resiliência das plantas em situações de estresse. “Em florestas, uniformidade é produtividade. E o arranque inicial define boa parte do potencial produtivo do ciclo”, ressalta.

Os resultados tendem a ser mais evidentes em áreas com acidez elevada, baixa saturação por bases, solos arenosos ou muito argilosos, além de sistemas em implantação, reforma ou replantio florestal, onde a correção rápida e consistente é determinante.

Recomendação técnica orientada por dados

Para garantir segurança e consistência, a Polli não trabalha com doses padronizadas. A recomendação técnica é construída a partir de diagnóstico detalhado do solo e do sistema produtivo, posicionamento correto do produto e acompanhamento em campo.

“Analisamos camada por camada, histórico da área, textura, ambiente produtivo e objetivo do manejo. A partir disso, definimos a estratégia mais adequada para cada situação”, explica Ramari. O foco é reduzir variabilidade entre talhões e consolidar um manejo eficiente ao longo dos ciclos produtivos.

Visão de futuro

Para o CEO da Polli Fertilizantes, o futuro da agricultura passa, necessariamente, por inovação validada e responsabilidade ambiental. “Correção e nutrição adequadas são a base do equilíbrio entre solo, planta e fertilidade. O produtor que busca longevidade produtiva precisa apostar em tecnologias que entreguem eficiência agronômica com menor impacto ambiental”, afirma Osni.

Com uma proposta que une nanotecnologia, sustentabilidade e alta performance, a Polli Fertilizantes reforça seu posicionamento como referência técnico-comercial em fertilizantes especiais, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e resilientes no setor florestal.

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