Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) desenvolveram uma tecnologia pioneira que promete transformar a forma como a agricultura combate as ervas daninhas. O grupo, coordenado pelo professor Dr. Leonardo Fraceto, da UNESP Sorocaba, criou um método que utiliza a lignina Kraft — subproduto do processo de fabricação de celulose — para produzir nanomateriais capazes de transportar moléculas herbicidas com maior precisão e eficiência.
A inovação, já patenteada, representa um avanço na busca por práticas agrícolas mais sustentáveis e no aproveitamento inteligente de resíduos industriais.
Lignina Kraft: de resíduo industrial a insumo estratégico
A lignina Kraft é produzida em larga escala durante a fabricação de papel e celulose, mas historicamente é tratada como resíduo. Menos de 2% da lignina gerada no mundo é reaproveitada em aplicações de alto valor agregado — o restante é queimado para geração de energia, segundo o Inmetro.
Apesar disso, o composto apresenta propriedades valiosas: estabilidade química, resistência térmica, ação antioxidante, absorção de luz UV e capacidade antibacteriana e antifúngica. Além disso, é biodegradável e pode substituir insumos derivados do petróleo. O desafio, até agora, era o alto custo e a complexidade estrutural da lignina, que dificultavam sua aplicação em escala industrial.
Nanotecnologia aplicada à agricultura: mais precisão e menos impacto ambiental
Com o novo método desenvolvido pelo INCT NanoAgro, a lignina Kraft é fracionada em diferentes componentes químicos, gerando nanomateriais que funcionam como carreadores de herbicidas. Esses nanomateriais direcionam o produto com mais precisão para o interior das plantas, o que reduz a necessidade de dosagens elevadas e minimiza a dispersão no ambiente.
Além de aumentar a eficiência dos herbicidas, a tecnologia contribui diretamente para reduzir a contaminação do solo e da água, um dos principais desafios da agricultura moderna.
“Nosso papel como INCT é mostrar à sociedade como essas pesquisas podem gerar resultados práticos e sustentáveis, conectando a ciência às necessidades do agronegócio”, destaca o professor Leonardo Fraceto.
Economia circular e valorização da biomassa vegetal
O projeto também se destaca por promover a economia circular. Em vez de descartar ou queimar a lignina residual, o processo a transforma em insumo de alto valor agregado, reinserindo-a na cadeia produtiva.
Essa abordagem cria uma ponte entre os setores papeleiro, químico e agrícola, reduzindo impactos ambientais e abrindo espaço para novos modelos de negócio sustentáveis.
De acordo com os pesquisadores, a iniciativa pode fortalecer a conexão entre indústria e pesquisa, transformando passivos ambientais em soluções tecnológicas.
Brasil pode se tornar referência em insumos agrícolas sustentáveis
Por utilizar uma biomassa amplamente disponível no país, a tecnologia tem alto potencial de aplicação em larga escala, especialmente no Brasil, um dos maiores produtores de celulose do mundo. Essa vantagem estratégica pode colocar o país na liderança do desenvolvimento de insumos agrícolas verdes, alinhados às metas globais de descarbonização e redução do uso de derivados de petróleo.
A inovação reforça o papel da ciência brasileira na busca por soluções que unem produtividade, sustentabilidade e segurança ambiental, contribuindo para o futuro da agricultura de baixo impacto.
Iniciativa coordenada pelo BNDES e pela Petrobras atraiu propostas acima do esperado e prevê financiamento diferenciado para recuperação ambiental com espécies nativas.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras receberam 16 propostas para o edital da iniciativa ProFloresta+. Os projetos selecionados poderão acessar linhas de financiamento diferenciadas do banco, incluindo recursos do Fundo Clima voltados à restauração florestal com espécies nativas.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16), o BNDES informou que o número de inscrições, encerradas no dia 9, superou a expectativa inicial de contratação. Segundo a instituição, o resultado demonstra o interesse do mercado em projetos de restauração florestal associados à geração de créditos de carbono de alta integridade.
Lançado em novembro do ano passado, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), o edital prevê a compra, pela Petrobras, de créditos de carbono gerados por projetos de restauração ecológica no bioma amazônico, com padrões rigorosos de integridade e contratos de longo prazo.
De acordo com o BNDES, a iniciativa tem como meta restaurar até 50 mil hectares na Amazônia, com a geração estimada de cerca de 15 milhões de créditos de carbono. Esse volume corresponde às emissões anuais aproximadas de 8,9 milhões de automóveis. No total, o ProFloresta+ pode mobilizar mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos para o reflorestamento da região nos próximos anos.
O primeiro edital prevê a aquisição de 5 milhões de créditos de carbono, divididos em cinco contratos de 1 milhão de Unidades de Carbono Verificadas (VCUs) cada.
As propostas seguem agora para a fase de avaliação técnica, conforme os critérios definidos no edital, que incluem exigências de integridade ambiental e salvaguardas socioambientais. Caberá à Petrobras selecionar os projetos que representem o menor custo para o volume total de créditos a ser contratado.
O resultado do processo, com a indicação dos projetos vencedores, volumes contratados e valores a serem pagos pelos créditos, deverá ser divulgado pela Petrobras após a conclusão da licitação, prevista para o primeiro semestre de 2026.
Peças destinadas à fábrica da Arauco avançam pelo Estado e entram na reta final do trajeto.
No fim da tarde desta sexta-feira (16), o transporte de carga superdimensionada com peças gigantes destinadas à usina de celulose da Arauco cruzou Campo Grande e seguiu pela BR-262, no sentido do município de Inocência, onde será o destino final do comboio.
Uma carga superdimensionada com peças destinadas à usina de celulose da Arauco cruzou Campo Grande nesta sexta-feira (16) e segue pela BR-262 rumo a Inocência. O transporte, que partiu de Assaí, no Paraná, vem atravessando Mato Grosso do Sul com esquema especial de escolta.O comboio, que teve seu cronograma afetado pelas fortes chuvas dos últimos dias, passou pela MS-134 e BR-267 anteriormente. As peças serão utilizadas na fábrica da Arauco, um dos maiores investimentos do setor de celulose no estado. Motoristas que trafegam pela BR-262 devem ficar atentos às alterações no fluxo de veículos.
A carga faz parte de um conjunto de equipamentos de grandes dimensões que saiu de Assaí, no Paraná, e vem atravessando Mato Grosso do Sul ao longo da semana. O deslocamento vinha sendo acompanhado por esquemas especiais de escolta e provocando lentidão em rodovias estaduais e federais por onde passou, devido ao tamanho e ao peso das peças transportadas.
Na quarta-feira (14), o comboio trafegou pela MS-134, entre Batayporã e o distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina, e também pela BR-267, com previsão de avanço lento ao longo da manhã. Naquele momento, a expectativa era de chegada a Inocência na sexta-feira (16), mas o cronograma foi impactado pelas fortes chuvas registradas nos últimos dias.
Com a passagem por Campo Grande no fim da tarde desta sexta, o transporte entrou em um dos trechos finais do percurso dentro do Estado, utilizando a BR-262 em direção a Inocência. As peças serão destinadas à fábrica da Arauco, empreendimento industrial em implantação no município e considerado um dos maiores investimentos do setor de celulose em Mato Grosso do Sul.
Motoristas que trafegam pela BR-262 devem permanecer atentos, já que a movimentação de cargas superdimensionadas exige cuidados especiais e pode provocar alterações temporárias no fluxo de veículos ao longo do trajeto.
Evento reuniu empresas com interesse em conhecer de perto o funcionamento das megafábricas.
Transporte de madeiras, alimentação, transporte de pessoas, construção e manutenção de estradas são algumas das áreas com oportunidades para empresários sul-mato-grossenses firmarem parceria com a Suzano – empresa de celulose e papel que tem duas fábricas no Estado. Para atrair mais parceiros regionais, a empresa realizou, na manhã desta sexta-feira (16), o Workshop Logística Florestal 360° – Abastecimento, Transporte e Integração Regional.
A Suzano, empresa de celulose e papel com duas fábricas em Mato Grosso do Sul, busca ampliar parcerias com empresários locais em diversas áreas, incluindo transporte de madeiras, alimentação e manutenção de estradas. Durante workshop realizado em Campo Grande, a empresa apresentou oportunidades para diferentes perfis empresariais.A companhia, que produz 13,4 milhões de toneladas de celulose anualmente, sendo 40% em MS, oferece vagas para motoristas, operadores de máquinas florestais e engenheiros. Atualmente, apenas duas empresas sul-mato-grossenses mantêm parceria com a Suzano na área de logística e infraestrutura.
O evento, realizado com apoio da Prefeitura de Campo Grande, no Teatro Municipal, reuniu empresários do Estado com interesse em conhecer de perto o funcionamento das megafábricas instaladas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo e os caminhos para a prestação de serviço. Ao longo de duas horas, gestores de logística e infraestrutura da empresa apresentaram a “marca” Suzano e o dia a dia de cada setor.
“O objetivo hoje foi justamente demonstrar o potencial de parcerias para N segmentos. A gente tem oportunidades também para a mão de obra local, porque isso gera um movimento muito grande. Para motorista, para operador de máquinas florestais, para ajudantes florestais, para engenheiros. É uma forma de a gente divulgar mais a nossa marca, além de demonstrar as oportunidades que a gente tem no Mato Grosso do Sul”, afirmou o diretor de operações, Rodrigo Zagonel.
Hoje, a empresa produz 13,4 milhões de toneladas de celulose por ano. Cerca de 40% desse valor sai de Mato Grosso do Sul. Para dimensionar o papel da produção estadual, um dos gestores apontou que, se as três plantas da Suzano no Estado fossem independentes, elas ficariam em segunda colocação no ranking de produção mundial, atrás apenas da própria empresa.
Uma das interessadas foi empresária Magna Ajala. Ela administra uma empresa de transporte de pessoas. “Como lá naquela região aumentou o fluxo de passageiros e pessoas lá que se mudaram que estão indo para aquela região a gente veio para essa região”, disse.
“Aqui a gente faz transporte com o Vans, o intermunicipal, aqui de Campo Grande para o interior porque a gente tem interesse em vir aqui para saber como é que está a demanda lá”, completou.
No plano de parceria apresentado, a Suzano aponta espaço para diversos perfis de empresários, desde os classificados pelo Simples Nacional, com até seis frotas, passando por pequenas e médias transportadoras, até grandes transportadoras, com até 60 frotas.
Para Zagonel, a apresentação é importante para quebrar barreiras. “A própria comunidade aqui de Campo Grande não associava a nossa marca a um produto que está no dia a dia dela, como a produção de um papel higiênico, um guardanapo. Então, a gente construiu uma planta com investimento que, por um ou dois anos, foi o maior investimento privado no Brasil, e poucas pessoas associavam as oportunidades que estavam lá ou não imaginavam a magnitude do tamanho do investimento”, apontou. Segundo ele, esse receio dos empresários locais afastou parcerias que poderiam ter sido firmadas desde o início da construção da nova planta, em Ribas do Rio Pardo.
Hoje, a Suzano tem parceria com apenas duas empresas sul-mato-grossenses na área de logística e infraestrutura. “Então, a gente está startando a ampliação dessa nossa relação com empresas maiores ou empresas de transporte. A gente sempre vai ter espaço para a gente estar inserindo novos players, assim como a gente teve essa experiência com as novas transportadoras que entraram”, completou.
Mato Grosso do Sul atravessa um período de ajustes estratégicos em seus principais pilares industriais. De acordo com indicadores recentes, setores vitais como a extração de minério de ferro e a produção de papel e celulose estão sob forte pressão devido à combinação de fatores macroeconômicos, incluindo a desaceleração da demanda externa e a volatilidade do câmbio.
O cenário exige que as empresas sul-mato-grossenses priorizem a inovação e o planejamento rigoroso para mitigar riscos e sustentar a competitividade do estado no mercado internacional.
Pressão nas Commodities: Minério e Celulose
O minério de ferro, peça-chave da balança comercial do estado, enfrenta um momento de margens estreitas. A redução no ritmo de consumo global, puxada majoritariamente pela menor demanda da China, somada ao excesso de oferta no mercado mundial, tem impactado o valor da commodity. Essa realidade expõe a vulnerabilidade da economia local às flutuações geopolíticas externas.
Paralelamente, o segmento de celulose também sente os efeitos do mercado. Em novembro, os preços industriais do setor recuaram 1,35%. A valorização do real frente ao dólar surge como um obstáculo adicional para as exportadoras, tornando o planejamento logístico e financeiro essencial para manter a rentabilidade das gigantes instaladas na região.
Retração em Outros Segmentos Industriais
O impacto não se restringe apenas às grandes commodities. Levantamentos do IBGE apontam que 50% das atividades industriais pesquisadas em Mato Grosso do Sul apresentaram queda nos preços de produção em novembro.
Segmentos afetados: Além da mineração e celulose, os ramos de produtos químicos e de impressão também registraram retração.
Fatores internos: Além das questões globais, custos operacionais e o ajuste na cadeia de suprimentos interna contribuem para o cenário de cautela.
Caminho para a Recuperação
Apesar dos obstáculos, os setores de minério e celulose permanecem como os grandes motores da exportação do estado. Analistas do mercado reforçam que a solução para atravessar este ciclo de baixa reside na diversificação da pauta produtiva e em investimentos massivos em tecnologia e eficiência operacional.
A ideia é reduzir a dependência exclusiva das oscilações estrangeiras, agregando valor aos produtos manufaturados dentro de Mato Grosso do Sul e fortalecendo as cadeias de fornecimento locais.
De município com parque industrial modesto a protagonista global da economia florestal, a trajetória de Três Lagoas é hoje um dos maiores cases de desenvolvimento regional do Brasil nas últimas duas décadas.
Há cerca de 19 anos, Três Lagoas vivia uma realidade econômica muito distinta da atual. A arrecadação municipal era limitada, as obras estruturantes avançavam lentamente e o parque industrial concentrava-se em algumas empresas de pequeno e médio porte, ligadas principalmente aos setores têxtil e de óleos vegetais.
Entre os principais nomes daquele período estavam Mabel, Nelitex, Cortex e a multinacional Cargill, sendo a Mabel, à época, a maior referência industrial do município — hoje já fora de operação na cidade.
Foto aérea de Três Lagoas feita há mais de dez anos. A comparação com registros atuais evidencia a evolução da cidade.(Arquivo)
A economia local ainda buscava escala e diversificação capazes de sustentar um ciclo de crescimento consistente.
Antes da celulose: o papel como prenúncio da transformação
Antes mesmo da consolidação do polo de celulose, Três Lagoas já dava sinais de que passaria a integrar cadeias industriais mais complexas. Um marco importante foi em 2006, quando ocorreu a confirmação da instalação International Paper, multinacional americana do setor de papel, que iniciou suas operações no município em 2009, mesmo ano que a VCP deu start à fábrica.
Anos mais tarde, a empresa passou por uma reorganização global e sua operação brasileira passou a operar sob a marca Sylvamo, mantendo Três Lagoas como unidade estratégica no país. A presença da indústria papeleira antecedeu a chegada em larga escala da celulose e ajudou a preparar a cidade técnica, logisticamente e institucionalmente para receber empreendimentos industriais ainda maiores.
O divisor de águas: a chegada da indústria de celulose em escala global
A virada histórica se consolida entre 2007 e 2009, com a instalação da então Votorantim Celulose e Papel (VCP) — empreendimento que à época foi classificado pela então prefeita Simone Tebet como “o investimento do século” para Três Lagoas.
Naquela ocasião, quando a VCP começou a construção da fábrica em fevereiro de 2007, foi firmado um compromisso visando o desenvolvimento sustentável da região. A empresa contribuiu com a renovação da base produtiva do Estado e sua consolidação como um dos polos produtivos de celulose e papel no Brasil. Naquela ocasião a fábrica contribuiu para a elevação em cerca de 300% o PIB de Três Lagoas e em 13,5% o PIB do Estado. A atuação da VCP MS movimentou a economia da região, gerou milhares de novos postos de trabalho em diversos setores, conforme apontou estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas.
A VCP se transformaria posteriormente em Fibria e, mais adiante, seria incorporada pela Suzano, hoje uma das maiores produtoras de celulose do mundo.
Atualmente, a Suzano opera duas grandes fábricas de celulose no município, responsáveis por milhares de empregos e milhões de toneladas anuais e por marcos históricos de produção acumulada, colocando Três Lagoas no centro da estratégia global da companhia.
Outro pilar fundamental desse polo é a Eldorado Brasil, lançada em 15 de junho 2010 e com fábrica inaugurada em 12 de dezembro 2012, após investimentos superiores a R$ 6 bilhões. A unidade rapidamente superou sua capacidade nominal e se consolidou como uma das mais modernas plantas industriais do setor no mundo.
Com Suzano e Eldorado, Três Lagoas deixou de ser apenas um polo regional e passou a operar em escala internacional, integrada às maiores cadeias globais de fornecimento de celulose.
Crescimento econômico e liderança nas exportações
Os efeitos dessa transformação aparecem com clareza nos indicadores econômicos:
O PIB de Três Lagoas cresceu cerca de 17 vezes, passando de aproximadamente R$ 3,9 bilhões em 2010 para cerca de R$ 65,9 bilhões em 2024, impulsionado majoritariamente pela indústria florestal.
O PIB per capita acompanhou esse crescimento, refletindo aumento da produtividade, renda média e formalização do mercado de trabalho.
Em 2024, Três Lagoas respondeu por mais de 26% de todas as exportações do Mato Grosso do Sul, somando US$ 2,6 bilhões, com a celulose como principal produto da pauta.
Hoje, o município é o maior exportador do Estado e uma das principais plataformas brasileiras de exportação de celulose, conectando o interior do país diretamente aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
Transformação urbana, arrecadação e serviços públicos
A industrialização acelerada provocou uma expansão urbana sem precedentes. Novos bairros e loteamentos surgiram, a construção civil ganhou ritmo intenso e o setor imobiliário acompanhou a chegada de trabalhadores, técnicos, engenheiros e executivos.
Com o crescimento da arrecadação, a Prefeitura ampliou investimentos em:
pavimentação e mobilidade urbana;
rede pública de saúde;
segurança pública (com reforço no efetivo e na estrutura);
educação e planejamento urbano.
A cidade passou a ter capacidade financeira e institucional para planejar seu crescimento, algo inexistente duas décadas atrás.
Logística pesada e suporte industrial: quando o caminhão vira infraestrutura
A consolidação do polo de celulose exigiu uma logística robusta e permanente. Nesse contexto, a presença de empresas de suporte pesado tornou-se estratégica.
Um exemplo é a Rivesa, concessionária Volvo instalada em Três Lagoas, às margens da BR 158, especializada em caminhões, carretas e serviços voltados ao transporte de grande porte.
A atuação da Rivesa atende diretamente operações como Suzano e Eldorado, além de empresas florestais e transportadoras que sustentam o fluxo contínuo de produção e exportação. A logística deixou de ser apenas apoio e passou a ser parte estrutural do modelo econômico local.
Andritz e Valmet: o selo definitivo de maturidade industrial
A chegada de fornecedores globais de engenharia é um dos indicadores mais claros de que Três Lagoas atingiu um novo patamar.
A Andritz, grupo europeu líder mundial em tecnologia industrial, está implantando uma divisão em Três Lagoas voltada a serviços, manutenção e equipamentos para a indústria de celulose. Ao lado da Valmet, a Andritz integra o seleto grupo das duas maiores fornecedoras globais de projetos e equipamentos para o setor.
Enquanto a Valmet lidera o Projeto Sucuriú, da Arauco — considerado o maior projeto de celulose do mundo —, a instalação da Andritz em Três Lagoas consolida o município como hub técnico-industrial, e não apenas local de produção.
Diversificação e o horizonte da UFN3
Além da celulose, Três Lagoas volta seus olhos para a diversificação econômica. Um dos principais vetores em debate é a possível retomada da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), obra paralisada há cerca de 10 anos.
A reativação do projeto é discutida por governos e setor produtivo como oportunidade de:
ampliar a base industrial;
reduzir dependência de importação de fertilizantes;
gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
Embora ainda dependa de decisões técnicas e financeiras, a UFN3 representa o próximo grande salto fora da celulose.
Da cidade interiorana ao ecossistema industrial globa
Hoje, Três Lagoas não é apenas uma cidade com fábricas. É um ecossistema industrial completo, onde produção, logística, engenharia, serviços especializados e exportação operam de forma integrada.
O que começou, há 20 anos, como uma aposta ousada, transformou-se em um case nacional de desenvolvimento econômico, capaz de reposicionar um município inteiro no mapa mundial da indústria.
A celulose não apenas mudou a economia de Três Lagoas. Mudou o seu destino.