PÁGINA BLOG
Featured Image

Silvicultura de precisão: da muda à colheita, a tecnologia como eixo central da nova era florestal

Por Ailson Loper

A silvicultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém profunda. A combinação entre genética avançada, sensoriamento remoto, automação e inteligência artificial está redefinindo o modo como se planeja, implanta, conduz e colhe uma floresta.

Essa integração tecnológica, que abrange desde a origem da muda até a entrega final da madeira à indústria, constitui o que hoje denominamos silvicultura de precisão, um conceito que alia ciência, dados e sustentabilidade à eficiência produtiva.

silvicultura de precisão é o uso coordenado de todas as tecnologias disponíveis, desde o melhoramento genético até o sensoriamento remoto, para maximizar a produtividade e garantir a sustentabilidade. Trabalhamos com unidades cada vez menores, chegando ao nível da árvore individual, o que nos permite um controle inédito sobre o crescimento e o manejo das florestas plantadas.

Ela representa a convergência entre biotecnologia, engenharia e ciência de dados. O setor florestal brasileiro, especialmente o paranaense, tem sido protagonista nessa transformação, desenvolvendo soluções próprias, adaptadas à realidade local, consolidando-se como referência mundial em produtividade e sustentabilidade.

Da semente à colheita, cada decisão é guiada por tecnologia e inteligência. Esse é o novo paradigma das empresas de base florestal. Somos capazes de produzir mais, com menor impacto e utilizando ao máximo de conhecimento técnico possível.

Esse processo tem início muito antes do plantio, nos viveiros clonais e pomares de sementes, onde a base genética das florestas plantadas é definida com muita tecnologia. A produção de mudas envolve polinização e cruzamentos controlados  embriogênese somática, hibridação sexual e técnicas de clonagem,  técnicas que garantem maior vigor, sanidade e adaptabilidade das árvores.

Nesses ambientes, a automação é realidade por meio de sistemas de controle de irrigação, nutrição e temperatura que monitoram continuamente o desenvolvimento das plantas. Além disso, o uso de bioinsumos e inimigos naturais substitui defensivos convencionais, reduzindo impactos ambientais e promovendo um equilíbrio ecológico entre viveiro e floresta.

Cada muda é resultado de um planejamento preciso, que considera dados de solo, clima, relevo e material genético. Essa base científica é o alicerce de uma floresta mais produtiva e resiliente.

Plantio guiado por dados

Ao sair do viveiro, a muda entra em um processo de implantação altamente planejado. Antes mesmo do plantio começar, mapas de produtividade, análises de solo, modelos altimétricos e dados climáticos são cruzados para definir qual espécie e qual clone são mais adequados a cada área.

A silvicultura de precisão rompe com o paradigma da escala por hectare, porque o planejamento passa a ser feito em micro talhões. Isso permite ajustar práticas de manejo dentro do mesmo talhão conforme a variabilidade do terreno e das condições climáticas.

Sensores, estações meteorológicas e softwares de planejamento espacial são utilizados para decidir onde, quando e como plantar, maximizando a eficiência do uso de insumos, água e fertilizantes.

aplicação de géis hidroabsorventes e adubos de liberação lenta garante maior retenção hídrica e nutrição contínua da muda, reduzindo perdas e melhorando o índice de sobrevivência no campo.

Monitoramento aéreo e gestão inteligente da floresta

Após o plantio, inicia-se outra fase, a de monitoramento e manejo florestal de precisão, sustentada por tecnologias de sensoriamento remoto e coleta massiva de dados.

O uso de drones equipados com sensores multiespectrais, câmeras térmicas e radares de alta resolução permite acompanhar, em tempo real, o desenvolvimento das árvores e a sanidade das áreas cultivadas. Essas ferramentas possibilitam identificar falhas de plantio, mortalidade, manchas de baixa produtividade e até ninhos de formigas com precisão centimétrica.

As informações coletadas pelos drones são integradas a plataformas digitais, onde passam por processamento de imagens, modelagem 3D e análises estatísticas automatizadas. O cruzamento desses dados gera mapas de vigor vegetativo, índices de biomassa e alertas de pragas e deficiências nutricionais, subsidiando intervenções rápidas e eu diria até cirúrgicas.

A inteligência artificial e a análise de dados desempenham papel crescente nesse processo. Hoje, as empresas florestais já aplicam modelos preditivos capazes de antecipar impactos de mudanças climáticas, variações hídricas e ciclos de pragas.

Essas ferramentas correlacionam variáveis históricas e ambientais, permitindo decisões mais assertivas, como ajustar o momento do controle da vespa-da-madeira ou redefinir áreas de plantio do pinus, conforme projeções de temperatura e regime de chuvas.

Condução e tratos silviculturais de alta precisão

Durante o ciclo de crescimento, o manejo florestal segue princípios de eficiência e sustentabilidade. As operações de poda, desbaste e combate a incêndios são definidas com base em dados de produtividade, prognoses de crescimento e variáveis ambientais

A etapa de desbaste, por exemplo, é planejada por softwares que indicam intensidade e localização ideais, considerando o desenvolvimento das árvores e as metas definidas. As máquinas florestais adaptadas com gruas de longo alcance e controle automatizado permitem executar essas operações com mínima compactação do solo e máxima segurança e assertividade.

O manejo integrado de pragas continua sendo uma frente estratégica. Em parceria com instituições de pesquisa, as empresas utilizam inimigos naturais e bioagentes em substituição a defensivos químicos, preservando a biodiversidade e garantindo conformidade ambiental.

Além da floresta, a logística operacional de campo também passou por transformação tecnológica. Procedimentos padronizados, que vão da alimentação ao transporte de equipes e insumos, foram sistematizados e digitalizados, garantindo segurança, conforto e rastreabilidade em todas as etapas da operação.

Colheita mecanizada e logística inteligente

Na fase final, a colheita florestal representa a síntese da automação e da engenharia aplicada ao campo. As operações são controladas a partir de centros de comando integrados, que determinam rotas, cronogramas e sequência de corte com base em dados de produtividade, relevo e umidade do solo.

As máquinas colheitadeiras (harvesters e forwarders) possuem sistemas embarcados de georreferenciamento, controle de corte e otimização de sortimentos. Cada árvore pode ser identificada e processada com precisão, reduzindo perdas e melhorando o rendimento industrial.

A ergonomia e o conforto dos operadores também fazem parte dessa revolução tecnológica: cabines climatizadas, comandos automatizados e sensores de segurança refletem o alto nível de profissionalização das operações florestais.

O futuro da silvicultura

O volume de dados gerado ao longo do ciclo florestal é hoje exponencial. As empresas utilizam sistemas de data mining, modelagem preditiva e inteligência artificial para transformar dados brutos em informação e essa informação em inteligência para a tomada de decisão.

Essas análises são capazes de prever produtividade futura, antecipar riscos climáticos e otimizar a alocação de recursos. A tomada de decisão torna-se cada vez mais orientada por evidências, substituindo a experiência empírica pela gestão baseada em dados científicos. Esse é o futuro da silvicultura e que já está presente nas empresas de base florestal do estado.

Ailson Loper é diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas).

Featured Image

Portaria viabiliza isenção de R$ 91 milhões para linha férrea da Arauco

Benefício foi enquadrado em regime de incentivos especiais do Ministério dos Transportes

O Ministério dos Transportes publicou, na edição desta quinta-feira (27) do Diário Oficial da União, portaria que classifica como viável um benefício fiscal de R$ 91.703.584,86 pedido pela chilena Arauco, que ergue uma fábrica de celulose em Inocência, na região leste de Mato Grosso do Sul.

O Ministério dos Transportes classificou como viável a isenção fiscal de R$ 91,7 milhões solicitada pela empresa chilena Arauco para a construção de uma malha ferroviária em Mato Grosso do Sul. O projeto, que integra o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), prevê 56,8 km de extensão total. A estrutura ferroviária conectará a nova fábrica de celulose da Arauco em Inocência à Malha Norte, facilitando o escoamento da produção. O investimento no ramal está estimado em R$ 991 milhões, parte do aporte total de US$ 4,6 bilhões no Projeto Sucuriú, com início das operações previsto para 2027.LEIA AQUI

A empresa vai construir uma malha ferroviária com o total de 56,8 km — sendo 45,4 km em linha férrea, 2,6 km em pátio de cruzamento e 8,8 km em pera ferroviária, que permite que os trens façam manobra. O investimento estimado é de R$ 991.390.106,55 só no projeto, sendo que o total de US$ 4,6 bilhões está sendo injetado nas operações no município sul-mato-grossense.

O ramal vai ligar a futura fábrica diretamente à Malha Norte, que se estende por cerca de 755 km entre Santa Fé do Sul (SP) e Rondonópolis (MT). O objetivo é escoar a produção de celulose por esses canais.

A portaria enquadra o projeto no REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) do Ministério dos Transportes, que permite a isenção fiscal a pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para implantação de obras de infraestrutura nos setores de transportes, portos, energia, saneamento básico e irrigação.

A Arauco já obteve a autorização para tocar o projeto da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a licença ambiental do Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), órgão do governo estadual.

O ramal faz parte do Projeto Sucuriú, que marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. A planta industrial será construída a 50 km de Inocência, na margem esquerda do rio que dá nome ao projeto. Ficará a 100 km do Rio Paraná, próxima da MS-377. A previsão é que as operações iniciem no último trimestre de 2027, com capacidade estimada de 3,5 milhões de toneladas de celulose.

Featured Image

A melhor do agronegócio em Reflorestamento, Celulose e Papel: Suzano

Maior produtora mundial de celulose e uma das maiores fabricantes de papel da América Latina, a Suzano lançou um projeto de legado cujos investimentos somaram US$ 100 milhões

Por: Rosangela Capozoli 

REFLORESTAMENTO, CELULOSE E PAPEL

Em 2024, a Suzano celebrou um século exibindo uma lista extensa de ganhos alinhados a uma trajetória de eficiência operacional, crescimento e consolidação de mercado. Foi um ano marcado por alta de 8% no volume de vendas, maior ciclo de investimentos de sua história, avanços na área de inovação e inauguração da fábrica de celulose em Ribas do Rio Pardo (MS).

A conclusão da aquisição de ativos nos Estados Unidos pertencentes à empresa Pactiv Evergreen e de uma participação acionária de 15% na empresa austríaca Lenzing, além do anúncio de uma joint venture com a Kimberly-Clark, foram outros passos importantes dados no ano passado.

“A fábrica de Ribas do Rio Pardo foi o maior investimento já realizado pela Suzano”, afirma Douglas Lazzarini, vice-presidente executivo florestal. Com capacidade instalada de 2,55 milhões de toneladas por ano, transformou-se na maior linha única de produção de celulose do mundo.

O aumento do volume de vendas da companhia foi impulsionado, entre outros fatores, pela entrada em operação da nova planta. Na outra ponta, o câmbio favoreceu as exportações, resultando numa receita líquida de R$ 47,4 bilhões, alta de 19% em relação ao ano anterior. Após interpretações favoráveis, das quais representantes da Suzano também participaram, o setor de papel e celulose foi excluído da lista dos produtos afetados pela tarifa de Donald Trump.

Fábrica de Ribas do Rio Pardo – Suzano – A maior em linha única do mundo.

O Ebitda ajustado cresceu 31%, para R$ 23,1 bilhões, e a geração de caixa operacional aumentou 44%, atingindo R$ 14,7 bilhões. A fábrica de Ribas do Rio Pardo exigiu aportes financeiros da ordem de R$ 14,6 bilhões. “Dos investimentos totais realizados no ano passado, foram de R$ 17,1 bilhões, e que mostram claramente a visão de longo prazo da companhia”, destaca Lazzarini.

Maior produtora mundial de celulose e uma das maiores fabricantes de papel da América Latina, a Suzano lançou um projeto de liquidez cujos investimentos somaram US$ 100 milhões em parceria com instituições renomadas, visando impulsionar a formação de líderes em sustentabilidade e pesquisas para a conservação da natureza, mudanças climáticas e gestão de recursos hídricos, entre outros focos ambientais.

Nas operações de silvicultura, a companhia acelerou a mecanização e automação, chegando a marcar 58% das operações mecanizadas com o objetivo de atingir 88% até 2030. “Hoje, praticamente 100% das nossas atividades contam com sistemas tecnológicos avançados, como pilotos automáticos para plantio, controle preciso de fertilizantes e computadores de bordo nas máquinas de colheita.”

Segundo Lazzarini, todo ano a Suzano injeta mais de 1% da receita da nova planta.
O núcleo de negócios florestais da empresa também avançou significativamente, com aumento de 31%, para mais de 23,1 bilhões, e geração de caixa operacional de R$ 14,7 bilhões. A fábrica de Ribas do Rio Pardo recebeu aportes da ordem de R$ 14,6 bilhões e foi acompanhada de investimentos totais que somaram R$ 17,1 bilhões no ano.

TOP 10 DAS MELHORES POR SETOR – REFLORESTAMENTO, CELULOSE E PAPEL
(Quadro com ranking e números — transcrição dos nomes das empresas)

  1. Suzano Papel e Celulose S/A
  2. Klabin
  3. Cenibra
  4. Itamarati
  5. Amata Brasil
  6. Mil Madeiras
  7. Amata Florestal
  8. Valor Florestal
  9. Refloresta Brasil
  10. Sartori

Douglas Lazaretti – Vice-presidente executivo florestal

A receita líquida em inovação, sendo que R$ 150 milhões, em 2023, foram destinados a frentes como biotecnologia, melhoramento genético e tecnologia. “Ampliamos o nosso uso de inteligência artificial generativa em nossas fábricas. Inovação é parte da nossa estratégia de longo prazo para garantir sustentabilidade e competitividade”. diz. Na área ambiental, a inovação também soma uma alçada fundamental da companhia, que em 2023 conseguiu reduzir em quase 60% a emissão de indicadores florestais, mesmo diante de um cenário nacional de alta climática.

No front externo, o setor acena com um mercado cada vez mais promissor. Estudo feito pela Rabobank prevê que a celulose do Brasil no mercado global deve se manter aquecida por anos, por causa do crescimento de produtos sustentáveis, como relação aos plásticos e ao crescimento das novas fibras de madeira para embalagem e de outros bens de consumo.

De acordo com Andrés Padilla, analista da Rabobank, a “China segue como principal destino da celulose brasileira, mas a expansão de sua produção interna deverá reduzir as importações a médio prazo”. Ao mesmo tempo, há espaço para fortalecimento das exportações brasileiras para os Estados Unidos, hoje o segundo maior comprador.”

TABELAS 

Receita Líquida (R$ milhões)

Classificação por setor / variação da receita líquida anual

  1. Klabin – 24.742,10
  2. International Paper – 8.526,96
  3. Suzano Papel e Celulose – 7.316,41
  4. Papirus – 3.774,60
  5. Ibema – 3.374,20
  6. Orsa – 3.100,61
  7. Embalagens Bandeirantes – 2.744,28
  8. Renova – 2.710,12
  9. Hermape – 2.693,72
  10. Melhoramentos – 2.654,81
  11. Santa Maria – 2.590,47

Mediana do setor: 2.677,20

Market Toal (R$ milhões)

Valor de mercado / médio do setor

  1. Suzano Papel e Celulose – 164.270,17
  2. Klabin – 44.754,79
  3. International Paper – 28.937,44
  4. Ibema – 6.312,33
  5. Orsa – 4.127,22
  6. Melhoramentos – 2.937,88
  7. Renova – 2.802,01
  8. Amata Florestal – 2.715,87
  9. Valor Florestal – 2.399,39
  10. Sartori – 2.372,28

Mediana do setor: 2.814,00

Índice de Alavancagem (dívida líquida/ebitda ajustado)

  1. Orsa – 2,89
  2. Klabin – 2,56
  3. International Paper – 2,36
  4. Ibema – 2,12
  5. Papirus – 1,84
  6. Suzano Papel e Celulose – 1,75
  7. Santa Maria – 1,67
  8. Embalagens Bandeirantes – 1,45
  9. Renova – 1,39
  10. Hermape – 1,06

Mediana do setor: 1,75

Margem Líquida (%)

  1. Itamarati – 27,92
  2. Melhoramentos – 22,91
  3. Valor Florestal – 21,28
  4. Amata Florestal – 19,84
  5. Orsa – 17,42
  6. Ibema – 15,97
  7. Papirus – 15,72
  8. Renova – 15,51
  9. Santa Maria – 15,40
  10. International Paper – 14,87

Mediana do setor: 15,8

Rentabilidade do PL (%)

Lucro líquido / patrimônio líquido

  1. Suzano – 71,33
  2. Klabin – 69,19
  3. Ripasa – 59,44
  4. Votorantim – 56,94
  5. Melhoramentos – 56,72
  6. Renova – 45,81
  7. Celulose Irani – 44,60
  8. Itapira – 40,28
  9. Nita Carioca – 39,73
  10. Santa Maria – 35,27

Mediana do setor: 41,57

Liquidez Corrente (índice)

Ativo circulante / passivo circulante

  1. Valor Florestal – 9,65
  2. Sartori – 8,51
  3. Renova – 7,24
  4. Amata Florestal – 7,14
  5. Embalagens Bandeirantes – 6,31
  6. Hermape – 5,31
  7. Santa Maria – 4,97
  8. Suzano – 4,14
  9. Melhoramentos – 3,91
  10. Papirus – 3,71

Mediana do setor: 4,58

Margem da Atividade (%)

Ebitda/receita líquida

  1. Suzano Papel e Celulose – 71,33
  2. Klabin – 69,19
  3. Ripasa – 59,44
  4. Votorantim – 56,94
  5. Melhoramentos – 56,72
  6. Renova – 45,81
  7. Celulose Irani – 44,60
  8. Itapira – 40,28
  9. Nita Carioca – 39,73
  10. Santa Maria – 35,27

Mediana do setor: 41,57

Informações: Globo Rural.

Featured Image

Eldorado vai dobrar o ritmo de plantio de eucalipto a partir de 2026

Com ampliação da fábrica de celulose em Três Lagoas em análise, empresa do grupo J&F vai passar de 25 mil para até 50 mil hectares de florestas plantadas por ano

No embalo do crescimento do Vale da Celulose, a Eldorado vai dobrar a área de plantio de florestas a partir do ano que vem, chegando a até 50 mil hectares de eucalipto no Mato Grosso do Sul.

“Uma ampliação da fábrica está em análise. Não temos nada cravado em relação a datas. Mas, a floresta leva sete anos para crescer, a fábrica se constrói em três”, afirmou Carlos Justo, gerente-geral florestal da Eldorado, ao The AgriBiz.

Inaugurada em 2012, a planta produz 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano, o que já é 20% mais do que a fábrica foi projetada para entregar, há 13 anos. Esse aumento vem principalmente de eficiências capturadas no processo produtivo, além de melhorias e modernizações no manejo florestal.

Hoje, a Eldorado, uma empresa do grupo J&F, colhe 25 mil hectares por ano e, ao todo, administra um total de 300 mil hectares de florestas no Mato Grosso do Sul. As fazendas têm 670 hectares em média, um número que vem subindo ao longo dos últimos quatro anos.

Uma das maiores propriedades, que veio nesse momento mais agitado para o setor de celulose no Mato Grosso do Sul, é a fazenda Debrasa, com cerca de 3 mil hectares, localizada em Brasilândia (MS), a 65 quilômetros de Três Lagoas.

“Havia muita desconfiança se o eucalipto iria se consolidar da forma como aconteceu no Mato Grosso do Sul. Por isso, começamos com propriedades menores e só agora têm aparecido as maiores”, explicou Justo. “A celulose sempre pagou um pouco mais que a pecuária e, agora, essa diferença ficou ainda mais marcada.”

Mesmo com a valorização pela qual as terras para silvicultura passaram nos últimos anos, os retornos ainda são bastante atrativos para quem arrenda. Nas contas da Acres, consultoria voltada ao mercado de terras, o rendimento anual é de 6,8% — bastante superior aos padrões da agricultura e pecuária.

Mesmo com a vinda de diferentes empresas para o Mato Grosso do Sul, cada uma ainda consegue áreas para plantar sem tanta sobreposição, segundo o executivo, dada a baixa densidade populacional do estado e, principalmente, a quantidade de terras a serem convertidas da pecuária.

Num exemplo prático desse momento, a Eldorado já conseguiu arrendar 15 mil hectares (dos 25 mil adicionais que vai precisar para o plantio de eucalipto a ser realizado a partir do ano que vem).

Arrendar, ainda assim, é só primeiro passo (um passo em que, inclusive, a Eldorado foi pioneira no setor). A diferença para conseguir manejar as florestas de forma adequada depende cada vez mais de tecnologia, que vai da semente até a colheita.

A genética do eucalipto

Produzir árvores altas, resistentes à escassez hídrica e com o máximo de aproveitamento para a produção de celulose é uma equação complexa. E que depende de um esforço intenso de pesquisa para descobrir as melhores variedades de eucalipto — ainda levando em consideração a adaptação ao solo do Mato Grosso do Sul.

Nesse sentido, a Eldorado mantém um laboratório, o Eldtech, em que são conduzidos diferentes testes para descobrir as melhores variedades genéticas de eucalipto, os clones usados na plantação. É um processo longo. A média do setor para descobrir um novo clone é de 15 anos, prazo que a Eldorado já baixou para 12 anos.

O processo envolve, de forma resumida, três etapas. Primeiro, são selecionadas as árvores “matrizes” (que já tenham um bom desempenho em campo). Em seguida, são feitas polinizações em diferentes cruzamentos dessas árvores, que vão resultar em várias sementes.

As sementes viram mudas que, ao longo do tempo, são testadas tanto em um ambiente com vários clones juntos como em um ambiente somente formado por clones iguais. Além disso, no meio desse processo, amostras das árvores são levadas para as fábricas, a fim de avaliar o potencial de produção de celulose.

Diferentemente de outros segmentos, a Eldorado não faz trabalhos com transgênicos nem com edição gênica nos materiais.

“Nós fazemos parte de um selo, chamado FSC, que não permite o trabalho com transgênicos e que ainda está analisando o trabalho da edição gênica. Mas, dentro da área de biotecnologia, acompanhamos o tema de perto”, diz Brigidà Valente, gerente de Pesquisa e Tecnologia Florestal.

Depois que o material foi selecionado (passou em todos os testes, em outras palavras), ele vai para um viveiro, localizado em Andradina (SP) para ser produzido em escala. Hoje, a Eldorado tem 180 mil matrizes no viveiro. Cada matriz produz em média 12 cepas (brotos) por mês, segundo Valdemir Brunheroto, gerente de silvicultura da Eldorado.

Esses brotos, por sua vez, levam entre 90 e 120 dias para ficarem no tamanho ideal e, então, saem do viveiro para serem plantados nas fazendas e começarem o processo de sete anos até serem colhidos.

A maior parte do cuidado com as árvores acontece nos seis primeiros meses. Daí para frente, são acompanhadas principalmente para o combate de formigas — e para assegurar que outras pragas, como o percevejo bronzeado, seguem sob controle no manejo integrado de químicos e biológicos. Os defensivos biológicos também são desenvolvidos no Eldtech.

Ao final dos sete anos, vem o processo de colheita, realizado todos os dias dentro da Eldorado, exigindo também um esforço de gestão de times e de atenção à tecnologia. Por dia, a empresa transporta o equivalente a 60 hectares de árvores.

A colheita é totalmente mecanizada, com dois tipos de máquinas, as harvesters (que derrubam as árvores no campo e tiram a casca delas) e as forwarders, que pegam esses troncos e transportam de um ponto a outro nas fazendas.

“Trabalhamos com 60 máquinas, aproximadamente, e 20% desse total é renovado a cada ano. Cada máquina dura 25 mil horas, ou cinco anos”, explica Anderson Bobko, gerente de colheita da Eldorado.

O processo industrial

Depois que as árvores são transportadas elas chegam, enfim, à fábrica. Por lá, são divididas entre as que são aptas para a produção de celulose e as que serão usadas apenas como biomassa — são árvores que, por algum motivo, perderam as características suficientes para produzirem celulose.

As que são selecionadas passam por um processo de serem transformadas em cavaco, em seguida a celulose é separada da lignina — a lignina é usada para produzir energia — e, então, a celulose passa por um processo de cozimento em pressão, depois por processos de branqueamento.

Em seguida, a celulose é seca e cortada em formatos padronizados, que são embalados em fardos de 250 quilos.

“Nós temos uma disponibilidade de 99% nessa fábrica. Ou seja, em 1% do tempo a gente teve problemas de produção no ano passado”, diz Marcelo Martins, gerente-geral Industrial.

A fábrica é autossuficiente na produção de energia, gerando ainda um excedente que é jogado na rede elétrica. A Eldorado ainda tem, anexa à fábrica, uma usina termelétrica também movida a biomassa. Aqui, são usadas principalmente raízes e tocos provenientes da produção.

Com uma capacidade de 50 MW/hora, a usina é acionada para atender às necessidades de consumo da rede elétrica, acionada pelo ONS (o Operador do Sistema Nacional, o órgão que coordena a geração e transmissão de energia no País). “Esse ano, estamos acionados desde abril, direto”, destaca Martins.

Informações: The Agri Biz.

Featured Image

O EUDR foi adiado. O que realmente muda para quem exporta?

O Parlamento Europeu aprovou o adiamento do EUDR. A decisão abre espaço para ajustes técnicos na UE, mas mantém a urgência de preparação para exportadores brasileiros.

O Parlamento Europeu aprovou, nesta quarta-feira, 26 de novembro de 2025, um novo e abrangente pacote de alterações ao Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A votação confirma o segundo adiamento do regulamento, que originalmente entraria em vigor em 30 de dezembro de 2025 para grandes operadores e em 30 de junho de 2026 para micro e pequenas empresas. Agora, além da revisão dessas datas, o Parlamento formaliza mudanças profundas nos papéis, responsabilidades e obrigações de operadores ao longo da cadeia, refletindo a necessidade de ajustes técnicos para que a aplicação do EUDR seja efetivamente viável.

As alterações aprovadas incluem a criação das categorias de micro e pequenos operadores primários e de operadores downstream, a redefinição das obrigações de due diligence e o redesenho parcial do sistema de informações. Pequenos e microoperadores passam a entregar apenas uma declaração simplificada única, atualizada somente em caso de alterações significativas. Já operadores e traders downstream de níveis posteriores ficam, na prática, fora do escopo das obrigações centrais do regulamento. O Parlamento também incorporou a exigência de uma estimativa anual única da quantidade total de produtos a serem colocados no mercado ou exportados, um elemento que ainda depende de detalhamento técnico.

O que muda a partir de agora

O adiamento aprovado estabelece um novo calendário de aplicação do EUDR. As regras passam a valer para operadores médios e grandes em 30 de dezembro de 2026, enquanto micro e pequenas empresas, no caso de produtos não madeireiros, ficam sujeitas ao regulamento apenas a partir de 30 de junho de 2027. Não haverá período de carência: o cumprimento será exigido integralmente desde o primeiro dia. Essa redefinição das datas também reduz a pressão sobre o sistema de informação do EUDR, cuja capacidade vinha sendo questionada pela sobrecarga projetada com o volume de declarações.

A simplificação de obrigações, assim como a definição de papéis mais claros para operadores downstream e pequenos produtores, busca assegurar proporcionalidade e reduzir custos administrativos, sem alterar os objetivos centrais do regulamento. Além disso, o Parlamento determinou que a Comissão apresentará um novo pacote de ajustes até 30 de abril de 2026, o que indica continuidade no processo de refinamento técnico do EUDR.

Momento de estar preparado

Se por um lado o adiamento responde a limitações técnicas e operacionais da própria União Europeia, por outro não modifica a natureza das exigências. O EUDR continua ancorado na exigência de geolocalização das áreas de produção, na comprovação de legalidade e na verificação de ausência de desmatamento. A decisão do Parlamento apenas estende o prazo para que operadores, importadores e autoridades se adequem, mas não reduz a complexidade da implementação.

Para o Brasil, o novo calendário representa uma oportunidade importante de organização interna, mas não um alívio regulatório. É o momento de consolidar dados, estruturar processos, verificar documentos fundiários e validar informações geoespaciais. As empresas que usarem o tempo adicional para reforçar suas bases de conformidade estarão mais preparadas para dialogar com compradores europeus e para enfrentar as verificações que, mesmo com as simplificações, permanecem rigorosas.

Hora de acertar os ponteiros

O adiamento não deve ser interpretado como tempo livre. Ele funciona como um período estratégico para ajustes internos, revisão de fluxos e fortalecimento de sistemas. A partir de agora, o processo segue para a fase de trílogos, seguida pela primeira leitura formal do Parlamento, prevista para meados de dezembro. Se houver convergência entre Parlamento, Conselho e Comissão, o texto será publicado no Jornal Oficial da União Europeia e poderá entrar em vigor apenas três dias após a publicação.

A mensagem para os exportadores brasileiros é clara: o setor ganhou mais tempo, mas não ganhou margem para complacência. O EUDR permanece como uma das mudanças regulatórias mais relevantes da década e continuará exigindo preparação técnica, organização documental e capacidade operacional. O desafio está posto e o relógio corre em outra cadência. É hora de acertar os ponteiros e transformar o tempo adicional em vantagem competitiva.

Informações: News Pulpaper.

Anúncios aleatórios

+55 67 99227-8719
contato@maisfloresta.com.br

Copyright 2023 - Mais Floresta © Todos os direitos Reservados
Desenvolvimento: Agência W3S