Torre sueca de 51m desafia concreto com estrutura de madeira e fachada solar integrada

Em 2024, o escritório de arquitetura sueco Wingårdhs apresentou o projeto do edifício Fyrtornet, localizado em Malmö, na Suécia, uma torre de aproximadamente 51 metros de altura construída com madeira engenheirada. Segundo publicação do portal ArchDaily, o edifício é descrito como um arranha-céu de madeira que utiliza soluções estruturais baseadas em engenharia avançada para reduzir o impacto ambiental, destacando-se como uma das principais referências recentes em construção sustentável. O projeto também ganhou destaque internacional. De acordo com o site New Atlas, a torre atinge cerca de 51,5 metros de altura e foi construída quase inteiramente com madeira, utilizando elementos como CLT e glulam, com concreto restrito principalmente às fundações, algo incomum mesmo entre edifícios modernos desse tipo.

O ponto mais relevante é que o Fyrtornet reduz drasticamente o uso de concreto estrutural. Diferente da maioria dos edifícios de madeira de médio e grande porte, que ainda dependem de núcleos de concreto para estabilidade, o projeto aposta em uma estrutura praticamente integral em madeira engenheirada, posicionando-se como um dos exemplos mais avançados da chamada construção em madeira de alta performance.

Uso de CLT e madeira laminada permite estrutura sem núcleo de concreto

A estrutura do Fyrtornet é baseada em dois elementos principais: painéis CLT (Cross Laminated Timber) e vigas de madeira laminada colada (glulam). Esses materiais são considerados madeira engenheirada, ou seja, passam por processos industriais que aumentam sua resistência, estabilidade e previsibilidade estrutural.

O CLT é formado por camadas de madeira coladas em direções cruzadas, o que garante resistência tanto à compressão quanto à flexão. Já o glulam consiste em lâminas coladas longitudinalmente, formando vigas capazes de suportar grandes cargas.

Essa combinação permite que o edifício tenha núcleo, escadas e elementos estruturais inteiramente em madeira, dispensando o uso de concreto armado ou aço como elementos centrais de estabilidade — uma característica que diferencia o Fyrtornet da maioria dos prédios de madeira existentes.

Ausência de núcleo de concreto é o principal diferencial técnico do projeto

Em edifícios convencionais, o núcleo estrutural — onde ficam elevadores, escadas e shafts — é quase sempre feito de concreto armado, pois fornece rigidez e estabilidade contra cargas laterais, como vento.

No caso do Fyrtornet, essa função é desempenhada por estruturas em madeira engenheirada, o que representa um avanço técnico relevante dentro da engenharia civil contemporânea.

Segundo as informações divulgadas pelos desenvolvedores, a torre mantém estabilidade estrutural sem recorrer ao concreto no núcleo, o que reduz significativamente a pegada de carbono do edifício, já que o cimento é um dos materiais mais intensivos em emissões de CO₂ no setor da construção.

Fachada com painéis solares integrados amplia eficiência energética do edifício

Outro ponto técnico importante do projeto é a integração de tecnologia energética diretamente na fachada. O Fyrtornet incorpora painéis solares integrados ao vidro, conhecidos como BIPV (Building Integrated Photovoltaics).

Esse sistema permite que o edifício gere parte da própria energia elétrica, reduzindo a dependência da rede e aumentando a eficiência energética ao longo da operação.

A combinação entre estrutura em madeira e geração de energia na própria fachada posiciona o edifício como um modelo de construção de baixo impacto ambiental, alinhado às metas europeias de redução de emissões no setor imobiliário.

Pré-fabricação industrial e transporte por trem reduzem emissões de CO₂

O processo construtivo do Fyrtornet também segue uma lógica industrializada. Grande parte dos componentes estruturais foi pré-fabricada em fábrica, o que permite maior controle de qualidade, redução de desperdícios e diminuição do tempo de obra.

Além disso, os materiais foram transportados por trem até o local da construção, estratégia adotada para reduzir emissões associadas à logística, já que o transporte ferroviário possui menor impacto ambiental em comparação ao transporte rodoviário.

Esse modelo de construção industrializada em madeira é considerado uma das principais tendências globais, especialmente em países europeus que buscam reduzir a pegada de carbono da construção civil.

Madeira engenheirada ganha espaço como alternativa ao concreto e aço

A construção em madeira engenheirada tem crescido rapidamente nas últimas décadas, impulsionada por avanços tecnológicos e pela necessidade de reduzir emissões no setor da construção.

Obras passam a usar madeira engenheirada – CPG

O concreto e o aço, embora altamente eficientes estruturalmente, são responsáveis por uma parcela significativa das emissões globais de carbono. A madeira, por outro lado, atua como um reservatório de carbono, já que armazena CO₂ absorvido durante o crescimento das árvores.

Isso faz com que edifícios em madeira possam apresentar balanço de carbono mais favorável, especialmente quando combinados com manejo florestal sustentável e processos industriais eficientes.

Torre sueca integra movimento global de edifícios em madeira de grande porte

O Fyrtornet não é um caso isolado, mas parte de um movimento global conhecido como mass timber construction, que envolve o uso de madeira engenheirada em edifícios cada vez mais altos.

Países como Noruega, Canadá, Japão e Áustria já possuem edifícios de madeira que ultrapassam dezenas de metros de altura. No entanto, muitos desses projetos ainda utilizam núcleos de concreto para garantir estabilidade.

Vídeo do YouTube

O diferencial do projeto sueco está justamente em eliminar esse elemento, avançando um passo além na substituição de materiais tradicionais.

Projeto reforça estratégia europeia de construção sustentável

A Europa tem liderado iniciativas voltadas à redução de emissões no setor da construção, e a adoção de madeira engenheirada faz parte dessa estratégia.

A União Europeia estabeleceu metas ambiciosas de neutralidade de carbono, e o setor imobiliário é um dos principais focos dessas políticas. Projetos como o Fyrtornet demonstram como inovação tecnológica pode ser aplicada para atingir esses objetivos.

Além disso, o uso de madeira também contribui para o desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas à silvicultura sustentável, ampliando o impacto econômico da transição para materiais de menor emissão.

Segurança estrutural e resistência ao fogo são tratadas com engenharia avançada

Um dos principais questionamentos sobre edifícios de madeira está relacionado à segurança contra incêndios. No caso da madeira engenheirada, essa questão é tratada com soluções específicas.

O CLT e o glulam apresentam comportamento previsível em situações de fogo, formando uma camada carbonizada externa que protege o interior estrutural. Esse fenômeno aumenta o tempo de resistência ao fogo, permitindo evacuação segura e controle da estrutura.

Na Suécia, uma torre de 51 metros foi construída quase inteiramente em madeira, sem núcleo estrutural de concreto e com painéis solares integrados à fachada, usando CLT e vigas laminadas para desafiar o domínio do aço e do concreto nos edifícios modernos
Foto: Reprodução/YT

Normas técnicas internacionais já incorporam esses comportamentos, permitindo que edifícios de madeira atendam aos mesmos requisitos de segurança que estruturas convencionais. O edifício Fyrtornet, na Suécia, demonstra como a construção civil está passando por uma transformação estrutural impulsionada por tecnologia e sustentabilidade.

Com 51 metros de altura, estrutura baseada em CLT e glulam, ausência de núcleo estrutural de concreto e integração de energia solar na fachada, o projeto se posiciona como um dos exemplos mais avançados de construção em madeira no mundo.

Ao combinar engenharia estrutural, eficiência energética e redução de emissões, a torre sueca não apenas desafia o domínio histórico do concreto e do aço, mas também aponta para um novo modelo de construção alinhado às demandas ambientais e tecnológicas do século XXI.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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