Tecnologia e sustentabilidade transformam a silvicultura e impulsionam o setor de papel e celulose no Brasil

Mais do que crescer em escala, o setor vive uma revolução tecnológica e sustentável que começa na floresta e se estende até o produto final.

O setor de papel e celulose se consolidou como um dos pilares estratégicos da economia brasileira. Em 2023, a indústria gerou cerca de US$ 10,3 bilhões em divisas, respondendo por aproximadamente 3% das exportações nacionais. Com investimentos previstos acima de R$ 105 bilhões até 2028, o segmento avança para uma nova fase de expansão produtiva, liderada por grandes players como Bracell, Arauco e Suzano. Mais do que crescer em escala, o setor vive uma revolução tecnológica e sustentável que começa na floresta e se estende até o produto final.

Inovação na base florestal: eficiência começa nos viveiros

A transformação do setor tem início nos viveiros de mudas, etapa decisiva para a produtividade das florestas plantadas. Tradicionalmente, a construção e operação desses viveiros eram realizadas de forma fragmentada, com diferentes fornecedores e cronogramas pouco integrados. Para superar esse gargalo, o modelo Turn Key vem ganhando espaço no setor.

Nesse formato, toda a implantação, do projeto conceitual à entrega final, é conduzida de forma integrada. Empresas adotam esse modelo para alinhar layout, infraestrutura, irrigação, automação e equipamentos desde o início. O resultado é expressivo: ganhos de produtividade entre 20% e 40% em comparação com projetos convencionais, além de maior previsibilidade de custos e prazos.

O projeto conceitual torna-se peça-chave nesse processo, pois coordena equipes multidisciplinares e garante que todas as áreas técnicas operem sob as mesmas premissas, reduzindo retrabalhos e aumentando a eficiência operacional.

Automação: mais produtividade com menos recursos

A automação deixou de ser tendência e passou a ser requisito competitivo. Viveiros altamente tecnologizados conseguem otimizar o uso de água, energia e mão de obra, ao mesmo tempo em que elevam a qualidade das mudas. Estudos indicam que viveiros automatizados alcançam índice de sobrevivência de mudas de até 84,5%, enquanto estruturas não automatizadas ficam em torno de 60%.

Outro ponto estratégico é a escolha do sistema de produção. A miniestaquia (clonagem), embora demande maior investimento inicial e domínio técnico, especialmente com a implantação de minijardins clonais, proporciona florestas mais uniformes, previsíveis e altamente produtivas. Já o sistema via sementes apresenta menor custo inicial e maior lucratividade no curto prazo, mas com maior variabilidade genética e produtiva. A decisão depende do modelo de negócio, da escala do projeto e dos objetivos de longo prazo da empresa.

Sustentabilidade e certificação: exigência do mercado global

A sustentabilidade é hoje um dos principais vetores de competitividade do setor. Empresas brasileiras têm se destacado por soluções alinhadas à bioeconomia. A Klabin, por exemplo, investe na substituição de plásticos por embalagens biodegradáveis à base de celulose. Já a Suzano mantém compromissos ambientais robustos, como a meta de remover ou evitar 40 milhões de toneladas de CO? da atmosfera até 2025.

Nesse contexto, as certificações florestais são fundamentais. Programas como o CERFLOR (Programa Brasileiro de Certificação Florestal), com reconhecimento internacional pelo PEFC, atestam que o manejo florestal segue critérios ambientais, sociais e econômicos rigorosos. Essas certificações são voluntárias, mas essenciais para acesso aos mercados mais exigentes, e incluem regras como a proibição do uso de organismos geneticamente modificados em plantações comerciais.

A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

Informações: Hoje Mais / Vale Celulose

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