Por Cristiano Macedo*
O início de 2026 foi marcado por cenas tristes causadas por eventos climáticos extremos em cidades da Região Metropolitana de Curitiba. Os tornados que deixaram rastros de destruição em São José dos Pinhais e Piraquara têm um denominador comum com as enchentes de dois anos atrás em municípios do Rio Grande do Sul: as mudanças climáticas causadas, principalmente, pela emissão de gases do efeito estufa e pelo aquecimento do planeta.
Situações como estas nos mostram que não é mais apenas urgente tomar medidas de descarbonização nas cidades (e indústrias) brasileiras. Trata-se da única alternativa que temos se quisermos deixar um mundo melhor e mais seguro para as gerações futuras. Essa reflexão, que precisa ser seguida de planejamento rápido e ações concretas, começa dentro de casa. No caso do Grupo Technocoat e de outras companhias do setor de papel, ela começa dentro do desenvolvimento de produtos e da produção.
O segmento, que trabalha com produtos de origem florestal, pode contar com as certificações como grandes aliadas. Selos como o FSC® (Forest Stewardship Council) atestam práticas sustentáveis e nos colocam em uma posição de destaque frente aos consumidores, cada vez mais informados e exigentes. O sistema internacional de certificação florestal garante o manejo responsável de florestas, por meio de um selo distintivo que indica a proteção da biodiversidade e respeito às comunidades.
Mas certificações são apenas o começo: elas devem ser vistas como oportunidades de autoconhecimento organizacional e de melhoria de processos, não apenas como uma marca no rótulo do produto ou o fim do compromisso com o meio ambiente. É necessário introjetar a sustentabilidade em toda a cultura organizacional, de forma mais alinhada com os princípios da agenda ESG – sigla em inglês para os pilares ambiental, social e governança que devem nortear os negócios.
Na Technocoat, por exemplo, estamos focados em reduzir nossas emissões de carbono internamente e, ao mesmo tempo, em diminuir o descarte incorreto de resíduos e incentivar a geração de renda por meio da reciclagem e da economia circular. Essa é uma das premissas da Technofibra, empresa que reflete a visão do Grupo de contribuir ativamente para esse processo, promovendo a reciclagem de embalagens longa vida (ELV), aparas de kraft e tubetes de papel. Assim, estamos transformando resíduos em novas oportunidades e reafirmando que a sustentabilidade e o crescimento podem e devem caminhar juntos.
Embalagens sustentáveis de papel com barreiras termoplásticas e alumínio podem ser separadas, recicladas e reintroduzidas na cadeia de consumo como uma nova fibra de papel. Mas para isso, cada vez mais, precisamos usar pesquisa, conhecimento e tecnologia. Só assim haverá ações concretas, além da certificação e dos discursos.
*Cristiano Macedo é CEO do Grupo Technocoat, empresa brasileira tradicional do setor papeleiro focada em soluções industriais e de sustentabilidade no mercado de papel e embalagens.

