Do Pantanal à celulose, empresa fecha acordo com a indústria florestal.
Uma pesquisa iniciada em 2015, a partir do isolamento de um micro-organismo no solo do Pantanal, começa a ganhar escala industrial em Mato Grosso do Sul. A startup Pantabio firmou acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação para adaptar um bioinsumo à base de trichoderma à silvicultura, um dos setores mais estratégicos da economia estadual.
O projeto é resultado de uma trajetória que começou no meio acadêmico. O engenheiro agrônomo Tiago Calves Nunes, CEO da empresa, teve o primeiro contato com o fungo durante o doutorado na Unesp de Ilha Solteira (SP). Depois, aprofundou os estudos na Espanha e na Itália, com pesquisadores especializados em controle biológico.
“O trichoderma já é conhecido no mundo inteiro, mas a gente nunca tinha pensado em isolar microrganismos da região do Pantanal”, afirma. A escolha não foi aleatória. Segundo ele, as condições extremas do bioma — períodos de inundação, estiagens prolongadas e queimadas — podem favorecer a seleção de cepas mais resistentes ao estresse climático, como altas temperaturas.
De volta ao estado, Calves iniciou um pós-doutorado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em parceria com a pesquisadora Dra. Mércia Ikarugi Bomfim Celoto, hoje sua sócia. A equipe isolou 50 microrganismos do solo pantaneiro, fez a identificação molecular e selecionou os mais promissores para testes em laboratório e, depois, em campo.
A Pantabio tornou-se a primeira startup incubada dentro da UEMS. O processo incluiu mentorias e apoio de instituições como Sebrae, Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação(Semadesc) e a incubadora Fênix.
Desafios e Avanços da Startup
A transição do laboratório para o mercado foi um dos principais desafios. “Na graduação e na pós, a gente é treinado para ser pesquisador ou professor. O maior desafio foi mudar a chave e enxergar que a pesquisa também pode virar negócio”, diz.
O avanço mais recente é a assinatura de contrato com a Embrapii, em parceria com empresas do setor florestal, como Arauco e MS Florestal. O objetivo é adaptar o bioinsumo à produção de eucalipto, em um momento em que Mato Grosso do Sul consolida-se como polo da celulose no país.
Apostas para o Futuro
A aposta da empresa é que o uso de microrganismos adaptados às condições locais possa contribuir para aumentar a produtividade sem ampliar a área plantada, reduzindo impactos ambientais e respondendo aos desafios das mudanças climáticas.
Informações: RCN 67

