Sindicato de Carvão Vegetal de MS empossa nova diretoria durante a Expo Ribas 2026

O setor de carvão vegetal de Mato Grosso do Sul marcou um novo capítulo em sua história com a posse da nova diretoria do Sindicarv (Sindicato dos Produtores de Carvão Vegetal de MS).

O evento, realizado durante a Expo Ribas 2026 em Ribas do Rio Pardo, reuniu lideranças, especialistas e produtores para discutir o fortalecimento e a modernização da classe.

União e representatividade

A reativação do sindicato é vista como um passo essencial para preencher um vácuo de representação que afetou o setor nos últimos anos.

Para Moacir Reis, presidente Sindicarv, a expectativa é de que a nova gestão traga “união à classe, que tem alguém representando o setor” e que venha a oferecer “credibilidade a toda classe respeito ao estado”.

Thiago Sumaia, diretor do Sindicarv, reforçou o papel de suporte da entidade:

“A esperança do novo sindicato que vem a contribuir com todos os produtores que atua na área da produção de carvão vegetal. E juntamente com o governo do Estado, que a gente pode ter algum incentivo e melhorar cada dia mais”.

Desafios do mercado e concorrência com a celulose

O setor enfrenta um cenário complexo devido à escassez de madeira e à forte concorrência com as indústrias de celulose no estado.

Geraldo Reis, também diretor do sindicato, alertou para o “apagão” de consumo de madeira ocorrido entre 2015 e 2020, que desmotivou produtores. Ele destacou ainda as dificuldades logísticas e legislativas: “As licenças ambientais de supressão, carvoaria e tudo era de 4 anos, agora vai valer por 1 ano. Isso vai trazer uma desmotivação e um desencontro muito grande”.

O consultor especializado João Câncio acredita que o dinamismo da nova presidência pode superar esses entraves:

“O presidente do sindicato é uma pessoa muito dinâmica e com isso ele pode dar um dinamismo maior ao setor de carvão vegetal aqui no Mato Grosso. Aqui existe uma concorrência muito pesada que o setor de celulose no Vale da Celulose é quase inviável economicamente produzir carvão com a concorrência da celulose”.

Força econômica e sustentabilidade

Apesar dos desafios, os números do setor são expressivos.

José Otávio Brito, professor pela Esalq/USP, apresentou dados que mostram que a cadeia produtiva gera mais de 10.000 empregos diretos e movimenta cerca de 500 mil toneladas de carvão por ano.

Ele destacou a importância do carvão doméstico, que tem um valor agregado até cinco vezes maior que o siderúrgico e está ligado ao consumo de carne nobre no estado.

“O setor florestal vai ter um carvão vegetal cada vez mais envolvido no sistema de planejamento, de estratégia pro setor florestal no estado do Mato Grosso do Sul”.

Moacir Reis delineou as metas para sua gestão de três a quatro anos, focando na sustentabilidade e na transição para florestas plantadas.

“O setor tá muito ativo, muito vivo e imaginamos que a gente tem que fazer um trabalho, principalmente na questão socioambiental, para mudar um pouco a imagem do setor… Nós estamos migrando a produção de carvão vegetal de madeira nativa para a produção de carbono vegetal de floresta plantada, que é uma produção sustentável”.

Moacir concluiu enfatizando o potencial de MS para a produção do “aço verde”, ressaltando que o carvão vegetal é uma alternativa renovável e competitiva frente ao carvão mineral.

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