Cerca de 70 profissionais puderam acompanhar apresentações e debater o potencial dos sistemas produtivos integrados, com diversificação, resiliência e sustentabilidade.
A Embrapa Milho e Sorgo e a Cooperativa Central de Produtores Rurais (CCPR) realizaram o Seminário ILP: caminho para uma agropecuária de baixo carbono, diversificação, resiliência e sustentabilidade. Durante a manhã, os convidados foram recebidos no Auditório Renato Coimbra.

“Pretendemos mostrar o potencial que a região Central de Minas tem para alavancar a produção de grãos e toda a agropecuária. Temos o real mercado para a produção com a fábrica de rações da CCPR. Estamos com grande oportunidade para produtores que queiram atuar com sistemas sustentáveis”, comentou Botelho. “Sabemos das dificuldades da região, especialmente na segunda safra, com a indisponibilidade hídrica. Continuamos com nossa missão de apoiar os produtores nos próximos 50 anos”.
O presidente da CCPR, Marcelo Candiotto, destacou o seminário como a primeira grande atividade após a assinatura da parceria entre a CCPR e a Embrapa. “Esse é o início de um trabalho que trará resultados para produtores e para a região Central Mineira.”
Candiotto e Botelho ressaltaram a parceria com o Sicoob e que a programação uniu os técnicos da CCPR e os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.
Feliciano Nogueira de Oliveira, superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, cumprimentou os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo e demais participantes. Ele destacou a crescente produção, produtividade e exportações mineiras. “Em 2024 e 2025, nosso estado teve mais exportações da agropecuária do que da mineração”.
Integração Lavoura-Pecuária
O pesquisador Ramon Alvarenga compartilhou experiências e aprendizados desenvolvidos ao longo de 21 anos de ILP na Embrapa Milho e Sorgo.
Na Unidade de Referência Tecnológica (URT), 22 hectares estão divididos em quatro glebas de 5,5 hectares, em que é feita a rotação dos cultivos a cada ano, já no sexto ciclo de rotação intensiva. Ramon explicou que a agropecuária intensiva busca reduzir riscos, aumentar a renda, a produção e a produtividade.
O pesquisador destaca a importância de fazer a recuperação do solo para dar sustentabilidade à produção. “A melhor época para isso é no final do período das chuvas, porque precisamos da umidade do solo para essas técnicas”. Ele recomenda eliminar sulcos de erosão, trilhos de gado, cupinzeiros, construir terraços, adequar estradas e adotar, necessariamente, o Sistema de Plantio Direto (SPD).
Ramon destaca que a ILP é uma estratégia intensiva, resiliente e sustentável de produção agropecuária. O pesquisador ainda salientou que, no momento, sistema resiliente e sustentável é aquele de baixo carbono. As experiências na URT da Embrapa Milho e Sorgo estão registradas no livro “Quinze anos de integração lavoura-pecuária e dez anos de integração lavoura-pecuária-floresta na Embrapa Milho e Sorgo”, disponível para baixar gratuitamente.
Potencialidade na região Central Mineira

Mesmo com o aumento das culturas agrícolas temporárias, sua área total corresponde a cerca de 10% da área de pastagens na região. Ou seja, há um potencial muito grande de crescimento da agricultura. A conversão de 10% da área de pastagem poderia dobrar a de agricultura.
Nos últimos anos, com valorização no preço de grãos, maior acesso a créditos e avanços tecnológicos, a tendência tem sido de incremento na produção agrícola. Miguel destacou o exemplo da Fazenda Lagoa dos Currais, onde houve recuperação de pastagens degradadas com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. “É possível sair de um ambiente de baixa produtividade para um ambiente de alta produtividade com correção de fertilidade de solo, uso de insumos, fazendo bem feito”, ressalta o pesquisador.
Agropecuária de Baixo Carbono

Ele explicou como a agricultura pode ser uma grande aliada na redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE): com a adoção de práticas e tecnologias que visam reduzir as emissões desses gases e, ao mesmo tempo, aumentar o sequestro de carbono no solo. “Esse é o conceito de Agricultura de Baixo Carbono”, afirmou o pesquisador.
A adoção dessas práticas parte da gestão estratégica da propriedade rural. “É preciso ter conhecimento do solo: compreender sua variabilidade e características; fazer o planejamento da adubação e do uso de insumos; escolher as culturas; definir coberturas vegetais. Essa organização permite identificar áreas com maior potencial para sistemas integrados ILP ou ILPF, ampliando a eficiência produtiva”.
Arystides também apresentou os programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono e convidou a conhecer os portais que apresentam esses trabalhos.
Programação da tarde
No segundo momento do Seminário, na impossibilidade de realizar o Dia de Campo previamente planejado devido às condições climáticas, os convidados estiveram no auditório do Núcleo de Biologia Aplicada (NBA). Ênio Gomes, da Brevant Sementes, apresentou o tema “Milho consorciado com capim: diversificação dos sistemas de produção”.
Décio Karam, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, tratou de “cultivo intercalar de forrageira na cultura da soja: resiliência e posicionamento estratégico”. “O cultivo intercalar antecipado permite reduzir o risco climático, pois aproveita melhor a água das chuvas que ocorrem antes da colheita da soja. Com isso, melhora a qualidade do solo, diminui a presença de plantas daninhas, reduz a perda de água por evaporação e mantém a temperatura do solo mais amena. Esses efeitos combinados tornam o sistema mais equilibrado e contribuem para maior estabilidade produtiva ao longo das safras”, disse o pesquisador.

E, encerrando as apresentações, Byron Ladeira, da CCPR, comentou sobre o componente pecuário: vaca de leite – cria de corte na ILP. Esta estratégia busca transformar a cria da pecuária leiteira em um ativo de melhor valor agregado, visando a eficiência e a rentabilidade da fazenda leiteira.
Sorgo na alimentação humana
Os produtos servidos na pausa para lanche da manhã foram produzidos pelas Produtoras de derivados do sorgo de Abaeté e região, tendo o sorgo como ingrediente básico. Quibe, empada, bolos e biscoitos formaram um cardápio farto e saboroso.

