Qual foi a contribuição da celulose para o PIB brasileiro em 2025?

Estimativas indicam que o segmento de papel e celulose pode receber entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões em investimentos até 2028, com destaque para Mato Grosso do Sul, que se consolidou como o chamado “Vale da Celulose”.

A participação da indústria de celulose no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 ainda não foi divulgada de forma oficial e consolidada pelos órgãos responsáveis, como o IBGE ou pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

Os dados disponíveis até o início de 2026 permitem, no entanto, traçar uma ordem de grandeza confiável, com base nos números mais recentes já publicados e no desempenho observado ao longo de 2024 e 2025.

O que dizem os dados mais recentes

Segundo os últimos levantamentos consolidados, em 2022, a cadeia de árvores plantadas que engloba celulose, papel, painéis, madeira processada e outros segmentos, respondeu por cerca de 1,3% do PIB brasileiro, segundo dados da Ibá.

Em 2023, esse percentual ficou próximo de 0,9% do PIB, de acordo com balanços setoriais divulgados por entidades do setor florestal.

Esse intervalo indica que, nos últimos anos, a contribuição direta da cadeia de árvores cultivadas tem oscilado em torno de 1% do PIB nacional, sem considerar os efeitos indiretos e induzidos sobre outros setores da economia.

Dentro dessa cadeia, a indústria de papel e celulose representa o núcleo econômico mais relevante. Em 2023, o setor registrou receita bruta estimada em cerca de R$ 260 bilhões, valor que corresponde, de forma aproximada, a 2% a 3% do PIB brasileiro quando se observa o valor bruto da produção industrial.

É importante destacar que esse percentual não aparece como dado oficial isolado nas contas nacionais, mas é amplamente utilizado em análises setoriais como uma estimativa de ordem de grandeza, baseada na escala produtiva, no faturamento e na participação do setor no PIB industrial.

O cenário de 2025: crescimento e protagonismo externo

Embora os dados consolidados do PIB de 2025 ainda não estejam disponíveis, os indicadores parciais apontam um ano de forte desempenho para a celulose:

– No primeiro semestre de 2025, o setor de árvores cultivadas respondeu por 4,8% das exportações totais do Brasil, em dólares, e por 9,7% das exportações do agronegócio.

– As exportações do setor somaram cerca de US$ 7,9 bilhões no período, impulsionadas principalmente pela celulose.

– O volume exportado de celulose cresceu 10,8%, alcançando aproximadamente 10,5 milhões de toneladas, com valor de US$ 5,37 bilhões no semestre.

Esses números reforçam o papel estratégico da celulose na geração de divisas e no equilíbrio da balança comercial brasileira em 2025.

Então, qual foi a contribuição da celulose ao PIB em 2025?

Com base nos dados disponíveis e nas tendências observadas, é possível afirmar que:

  • A cadeia de árvores cultivadas, liderada pela celulose, deve ter mantido uma participação próxima de 1% do PIB brasileiro em 2025, considerando apenas os efeitos diretos.
  • A indústria de papel e celulose, analisada pelo valor bruto da produção, provavelmente permaneceu na faixa de 2% a 3% do PIB, como estimativa, não como número oficial fechado.
  • Essas proporções são coerentes com o desempenho registrado em 2022 e 2023 e com o crescimento da produção, das exportações e dos investimentos ao longo de 2024 e 2025.

Vale da Celulose (Foto: Divulgação/Saul Schramm)

Investimentos e consolidação do “Vale da Celulose”

Outro fator que reforça a relevância econômica do setor é o volume de investimentos em curso. Estimativas indicam que o segmento de papel e celulose pode receber entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões em investimentos até 2028, com destaque para Mato Grosso do Sul, que se consolidou como o chamado “Vale da Celulose”.

O estado concentra grandes projetos industriais e uma expansão expressiva das florestas plantadas, reposicionando o Brasil como um dos principais polos globais de produção de celulose.

Apesar de ainda não existir um número oficial que isole a participação da celulose no PIB brasileiro em 2025, os dados mais recentes permitem afirmar que o setor segue como um dos pilares da economia nacional. A contribuição direta gira em torno de 1% do PIB, enquanto a indústria de papel e celulose, em termos de valor bruto, ocupa uma faixa estimada entre 2% e 3%, com tendência de crescimento sustentada por exportações robustas e investimentos de longo prazo.

O governo de MS projeta que a expansão do setor florestal e de novas fábricas de celulose no estado pode criar quase 100 mil novos empregos (cerca de 24 mil diretos e 69 mil indiretos) até 2032.

Indústrias como Suzano, Eldorado, Klabin, Bracell e Arauco atuam como âncoras de desenvolvimento regional, gerando vagas na área industrial, florestal, logística, serviços e construção civil durante as fases de implantação e operação.

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