Por Redação do Um Só Planeta
Uma iniciativa privada de restauração e conexão de habitats avançou nos últimos quatro anos e já interligou 214 mil hectares de vegetação nativa — área equivalente a mais de 200 mil campos de futebol — na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia.
O esforço, conduzido pela Suzano, empresa de celulose e fabricante de papel e bioprodutos a partir de eucalipto, ganhou ritmo em 2025, com a conexão de 55 mil hectares adicionais. A meta da companhia é alcançar 500 mil hectares até 2030.
Os corredores ecológicos implantados funcionam como faixas de vegetação que ligam fragmentos florestais antes isolados por pastagens, plantações ou outras formas de uso do solo. Ao reduzir essa fragmentação, permitem o deslocamento da fauna e favorecem processos naturais como a dispersão de sementes e a troca genética entre populações.
“Não se trata apenas de restaurar áreas, mas de permitir que o ecossistema funcione de forma integrada. Quando os fragmentos deixam de ser ilhas isoladas, a paisagem recupera a capacidade de sustentar vida de forma contínua”, afirma o engenheiro florestal Paulo Groke.A definição dos trechos conectados segue critérios técnicos, com prioridade para áreas maiores e regiões já monitoradas, inclusive com presença de espécies ameaçadas. O traçado busca encurtar distâncias entre fragmentos, aumentando a chance de uso pelos animais.
O monitoramento nas áreas conectadas já identificou 97 espécies em risco de extinção. Destas, 19 foram selecionadas como prioritárias para ações de conservação, entre elas o balança-rabo-canela, o macaco-cara-branca e o tatu-canastra.
Na Mata Atlântica, a iniciativa se concentra na ligação de fragmentos entre Bahia e Espírito Santo. No Cerrado, os corredores avançam no Mato Grosso do Sul. Já na Amazônia, incluem áreas no chamado arco do desmatamento, com conexão a territórios estratégicos como o Mosaico do Gurupi.
A implementação envolve tanto áreas próprias quanto propriedades de terceiros, com adesão voluntária de produtores rurais, comunidades e parceiros locais. Segundo a empresa, os corredores não incidem sobre áreas com disputas fundiárias e são estabelecidos mediante acordo entre as partes.
“O sucesso depende de integração regional, com participação de diferentes atores”, afirma Márcio Braga, da iNovaland Brasil, parceira da iniciativa.
Além da área conectada, a empresa diz monitorar os impactos na biodiversidade com uso de tecnologias como sensores acústicos e análise de DNA ambiental. Em uma das regiões acompanhadas, no Mato Grosso do Sul, foram registradas 194 espécies de aves, além de anfíbios e mamíferos.
Embora localizados, os resultados indicam o potencial da estratégia de corredores para reduzir os efeitos da fragmentação florestal, um dos principais desafios para a conservação em biomas como a Mata Atlântica.

