Pesquisa do SFB atinge 99% de acerto na diferenciação entre a madeira pau-brasil nativa e de plantio

O método diferencia morfotipos e linhagens da madeira pau-brasil e pode ser uma ferramenta para auxiliar no combate ao comércio ilegal.

OServiço Florestal Brasileiro (SFB), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu, por meio do Laboratório de Produtos Florestais (LPF), uma pesquisa que consegue diferenciar, com eficiência, a origem da madeira de pau-brasil (Paubrasilia echinata), distinguindo as coletadas em florestas nativas daquelas provenientes de reflorestamento. O estudo foi apresentado nesta semana e é resultado de uma dissertação de mestrado do Instituto de Química da UnB. 

No projeto, o aluno aplicou técnicas avançadas de análise química, como espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) e espectrometria de massas por DART-TOF-MS. A primeira explora a interação da radiação infravermelha com a matéria. Já a segunda identifica substâncias “quebrando” suas moléculas e pesando cada pedaço da molécula para descobrir exatamente o que elas são, como se estivesse lendo a impressão digital química de um material. 

Com o NIRS e utilizando 100 amostras reais provenientes de apreensão, chegou-se ao índice de acerto de 99% na distinção da madeira nativa e plantada, mas os dois métodos alcançaram índices de acerto maiores que 80% na diferenciação das linhagens genéticas.  

Ao conseguir a diferenciação das origens, a técnica pode auxiliar em diversas ações importantes, como aumentar a segurança jurídica e técnica para produtores que investem no plantio da espécie, valorizar iniciativas legais de cultivo, especialmente de áreas de recuperação ambiental e regularização de passivos florestais, e contribuir no controle e fiscalização do comércio. 

Com grande procura pelo mercado, o pau-brasil é principal matéria-prima utilizada na fabricação de arcos de violino de alto valor agregado no mercado internacional, porém desde 1992 é classificada como espécie ameaçada de extinção. 

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