O que está por trás do “fogo do céu” lançado por helicópteros no combate aos incêndios?

A tática conhecida como “fogo contra fogo” é usada em situações extremas e exige planejamento rigoroso.

Helicópteros jogam “fogo do céu” para combater incêndios porque, em determinadas situações, o próprio fogo pode ser usado como aliado no controle das chamas.

A cena impressiona: a aeronave sobrevoa uma área já devastada e lança pequenos focos incandescentes no solo. Para quem assiste de longe, parece que está começando outro incêndio. Mas, na prática, trata-se de uma técnica planejada e executada por equipes especializadas.

Esses helicópteros são usados principalmente em regiões de difícil acesso, onde caminhões e brigadistas não conseguem chegar com rapidez. Eles transportam água, espumas e retardantes químicos para reduzir a intensidade das chamas.

Por que parece que helicópteros estão espalhando incêndio

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram aeronaves lançando pontos de fogo do alto, o que leva muita gente a acreditar que estariam provocando queimadas.

Na realidade, a técnica faz parte de uma operação chamada queima de contenção, também conhecida internacionalmente como backfire.

Funciona assim: os especialistas iniciam um fogo controlado em uma faixa estratégica do terreno para consumir a vegetação seca antes que a frente principal do incêndio chegue. Sem combustível disponível, as chamas perdem força e diminuem de intensidade.

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Quando vista isoladamente, sem o contexto da operação em solo, a cena realmente dá a impressão de que o helicóptero está “ateando fogo”. Mas o objetivo é justamente o contrário: impedir que o incêndio avance.

Como funciona o combate aéreo com água e retardantes

Na maioria das ocorrências, os helicópteros utilizam grandes reservatórios de água acoplados à aeronave ou baldes flexíveis presos por cabos, que permitem captar água em rios, lagos e represas. Em poucos minutos, o equipamento é reabastecido e volta ao foco do incêndio.

Além da água, são usados retardantes químicos, geralmente avermelhados, que ajudam a reduzir a velocidade de propagação do fogo.

Esses produtos criam uma espécie de barreira protetora sobre a vegetação, dificultando que novas áreas sejam atingidas e dando tempo para que as equipes em terra ampliem aceiros e consolidem linhas de contenção.

“Fogo contra fogo”: por que queimar pode salvar áreas maiores

A lógica é simples: o incêndio precisa de material seco para continuar avançando. Se parte desse material é queimada de forma controlada antes da chegada da frente principal, cria-se uma área sem combustível.

Essa decisão não é improvisada. Técnicos monitoram vento, umidade do ar, relevo e intensidade das chamas antes de autorizar a queima controlada.

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Em áreas de difícil acesso, o helicóptero pode lançar pequenas cargas incandescentes em pontos estratégicos para completar a linha de contenção, sempre com coordenação das equipes em solo.

Quais recursos os helicópteros utilizam

A água é o recurso mais conhecido, usada para resfriar a vegetação e reduzir a temperatura das chamas. Espumas especiais aumentam a aderência da água e retardam sua evaporação, tornando o efeito mais duradouro.

Já os retardantes de longo prazo são aplicados principalmente em grandes incêndios florestais, criando faixas de proteção que desaceleram significativamente o avanço do fogo. Essas operações são comuns em regiões que enfrentam períodos de seca severa e altas temperaturas.

Mitos, riscos e a principal causa dos incêndios

Embora o objetivo seja conter as chamas, o uso de aeronaves exige planejamento rigoroso. O deslocamento de ar provocado pelas hélices pode espalhar brasas se a manobra não for bem coordenada. Por isso, as operações seguem protocolos técnicos e envolvem comunicação constante entre pilotos e brigadistas.

Ainda assim, investigações oficiais ao redor do mundo apontam que a maioria dos incêndios florestais começa por ação humana — seja por descuido, queima irregular de lixo, uso inadequado de equipamentos ou incêndios criminosos. A ideia de que helicópteros estariam provocando queimadas deliberadamente não encontra respaldo técnico.

Quando parece que uma aeronave está “jogando fogo do céu”, na verdade ela pode estar executando uma das estratégias mais complexas e arriscadas do combate a incêndios. É uma medida extrema, usada justamente quando a situação já saiu do controle e cada minuto faz diferença para evitar uma tragédia maior.

Informações: Gazeta SP

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