Até o fim da década, Estado processará 10 milhões de toneladas por ano; mercado global é de 60 milhões de toneladas

Mato Grosso do Sul se consolidará nesta década como a maior região produtora de celulose de mercado do Planeta Terra. 

Em 2028, quando a planta da Arauco localizada às margens do Rio Sucuriú, em Inocência, entrar em operação, o Estado estará produzindo nada menos que – pelo menos – 10 milhões de toneladas de celulose por ano, a maioria para o mercado externo.

Como antecipou o Correio do Estado na edição de ontem, multinacional de origem chilena, Arauco anunciou a construção de uma planta em Inocência com investimentos de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), cujas obras devem começar em 2024 e concluídas em 2028.

A chegada da gigante chilena do setor madeireiro e de celulose soma-se a outras duas unidades exportadoras do mesmo produto que já atuam no Estado: a Suzano, maior player global de celulose de mercado, e a Eldorado, que também tem um volume significativo de vendas para o mercado externo. 

A Arauco, diga-se de passagem, só perde para a Suzano em vendas globais de celulose de mercado.

Atualmente, Mato Grosso do Sul processa aproximadamente 5 milhões de toneladas de celulose por ano nas unidades da Suzano e Eldorado em Três Lagoas. 

Com as unidades da Suzano de Ribas do Rio Pardo, que está em construção e terá capacidade para processar 2,6 milhões de toneladas de celulose anuais, e com a mais nova planta da Arauco, o Estado se consolidará como a maior região produtora do mundo deste tipo de composto, que é cada vez mais usado na indústria.

“A celulose de mercado no mundo é de aproximadamente 60 milhões de toneladas, e o crescimento da demanda desse produto é de aproximadamente 3% ao ano. E o crescimento ocorre porque os usos a partir dela são cada vez mais importantes, em embalagens, papeis, fibras, roupas e muitos outros tipos de produtos”, explicou Carlos Altimiras Ceardi, diretor-presidente da Arauco Brasil.

CONSTRUÇÃO

Hoje, há apenas uma planta processadora de celulose em construção no mundo: o Projeto Cerrado da Suzano, em Ribas do Rio Pardo. 

E quando este projeto da Arauco (Projeto Sucuriú) dar início a seu canteiro de obras, em Inocência, essas serão as duas únicas fábricas de celulose em construção no Planeta Terra.

Quando todos os projetos estiverem em plena operação em Mato Grosso do Sul, o Estado responderá por mais de um terço da produção nacional, que atualmente é de 21 milhões de toneladas (sendo 5 milhões delas por aqui).

O Brasil atualmente é o segundo maior produtor de celulose, com 21 milhões de toneladas produzidas, e só fica atrás dos Estados Unidos, que produz 50,9 milhões de toneladas.

Mas por isso existe os termos de “celulose de mercado” e “celulose integrada”, explica Carlos Altimiras. A celulose integrada não vai para o mercado, porque já é feita com destino direto para a produção de papel pela mesma empresa que a produz.

 Ela não chega a ser comercializada, ao contrário da celulose de mercado, cuja fibra é vendida para outras indústrias. Na primeira, o mercado global é de 200 milhões de toneladas/ano, e nessa segunda, de 60 milhões de toneladas/ano.

Como Mato Grosso do Sul é um típico produtor de celulose para comercialização, a importância do Estado fica ainda maior no mercado global.  

Quando as plantas da Arauco Celulose, em Inocência, e da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, estiverem prontas, somente elas e uma fábrica da Asia Pulp & Paper (APP), na Indonésia, terão capacidade de processar mais de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano no planeta.  

O EMPREENDIMENTO

O Projeto Sucuriú tem dimensões colossais. Como disse o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) na cerimônia de lançamento, ontem, no Bioparque Pantanal, os R$ 15 bilhões que a Arauco investirá representam quase o valor do orçamento anual de Mato Grosso do Sul, que deve se aproximar a R$ 17 bilhões neste ano.

O empreendimento ficará localizado na MS-377, a 50 quilômetros da sede do município de Inocência, perto da margem esquerda do Rio Sucuriú, a 100 quilômetros do Rio Paraná, e a 47 quilômetros da Malha Norte da Rumo Logística e a aproximadamente 80 quilômetros da Malha Oeste (ferrovia em vias de revitalização).

Em Mato Grosso do Sul, a Arauco já planta 40 mil hectares de floresta, mas a área deve ser expandida.

Conforme o secretário de Meio Ambiente, Produção, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, a expectativa é de que mais 800 mil hectares de florestas sejam plantados para atender a demanda dos novos empreendimentos da Arauco e da Suzano.  

Atualmente, o Estado tem 1,2 milhão de hectares plantados e, ainda nesta década, poderá passar tranquilamente dos 2 milhões de hectares.

Quanto à geração de empregos, a planta da Arauco deverá gerar 600 empregos permanentes, 250 deles diretos. Mas o canteiro de obras deve ser colossal: a expectativa é de que 12 mil pessoas trabalhem na construção da unidade processadora de celulose. A título de comparação, a cidade de Inocência tem 7.648 habitantes.

“Se hoje é conhecida como a Princesinha da Costa Leste, em breve será a Rainha da Costa Leste”, disse o prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos.  

LOGÍSTICA

A nova planta da Arauco começa bem servida logisticamente. O governo de Mato Grosso do Sul prometeu alargar a MS-377 e melhorar o acesso à Malha Norte (conhecida por Ferronorte).

Mas Jaime Verruck disse ontem que as expectativas para o setor são ainda melhores. É que a sucateada Malha Oeste, ainda sob concessão da Rumo, mas praticamente inoperante, será submetida a consulta pública no mês de julho, e terá sua relicitação agendada para setembro. Quem garantiu isso para ele foi o ministro dos Transportes, Marcelo Sampaio.

Fonte Correio do Estado

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