Lignum brasilis: tecnologia de IA revoluciona o combate ao comércio ilegal de madeira no Brasil

O Brasil passa a contar com um novo aliado no enfrentamento à exploração madeireira ilegal. O Serviço Florestal Brasileiro (SFB), em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), lançou oficialmente o Lignum brasilis, um aplicativo que utiliza inteligência artificial (IA) para a identificação de espécies de madeira diretamente em campo.

Desenvolvida por meio de cooperação entre o Laboratório de Produtos Florestais (LPF/SFB), o UNODC e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a ferramenta representa um avanço relevante para a fiscalização ambiental e a conservação das florestas brasileiras, ao ampliar a capacidade de identificação rápida e confiável de madeiras nativas.

Foto: Pixabay

Agilidade e precisão na fiscalização florestal

O lançamento do Lignum brasilis inaugura uma nova etapa na gestão florestal do país, oferecendo mais agilidade, precisão e autonomia tecnológica às ações de fiscalização, pesquisa e controle ambiental. Em sua fase inicial, o foco está no combate ao comércio ilegal de madeiras nativas, contribuindo diretamente para a proteção de espécies ameaçadas.

Segundo Carlos Affonso, vice-diretor da Unesp, o uso de tecnologias baseadas em machine learning é estratégico para o Brasil. “A aplicação da inteligência artificial permite desenvolver soluções robustas voltadas à conservação florestal e ao interesse público”, afirma.

Base de dados científica e desempenho do sistema

A eficiência do aplicativo está apoiada em uma base de dados científica robusta. De acordo com Alexandre Bahia Gontijo, chefe substituto do Laboratório de Produtos Florestais do SFB, mesmo em estágio inicial, o Lignum brasilis já apresenta resultados promissores na identificação das principais espécies comercializadas no país.

Conforme informações institucionais, o sistema é alimentado por um amplo conjunto de imagens e amostras de espécies tropicais, reunidas com o apoio de instituições de referência, entre elas:

  • Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ);
  • Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG);
  • Embrapa;
  • Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA);
  • Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Como funciona o Lignum brasilis

Em campo, o aplicativo permite que agentes capturem imagens da estrutura macroscópica da madeira por meio de dispositivos móveis, que podem ser acoplados a acessórios ópticos específicos. A partir dessas imagens, a inteligência artificial analisa padrões anatômicos e fornece a identificação da espécie em poucos segundos.

Essa funcionalidade amplia o alcance das ações de fiscalização, reduz a dependência de análises laboratoriais e permite que profissionais não especializados realizem identificações confiáveis, agilizando o combate a crimes ambientais.

Impacto ambiental e relevância internacional

A inovação ganha relevância diante do impacto global do desmatamento ilegal, atividade que movimenta bilhões de dólares anualmente e está associada ao crime organizado e às mudanças climáticas.

No contexto brasileiro, o Lignum brasilis fortalece o cumprimento da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), especialmente no controle de espécies de alto valor comercial, como Ipê (Handroanthus spp.), Cumaru (Dipteryx spp.) e Cedro (Cedrela spp.).

Disponibilidade e próximos passos

O Lignum brasilis deverá ser disponibilizado gratuitamente nas principais lojas de aplicativos. Após o lançamento, está prevista a distribuição de equipamentos de captura de imagem para instituições parceiras, como o Ibama e xilotecas nacionais, fortalecendo a rede de monitoramento e fiscalização ambiental em todo o país.

Com base científica sólida, tecnologia nacional e cooperação internacional, o Lignum brasilis se consolida como uma ferramenta estratégica no enfrentamento ao comércio ilegal de madeira e na proteção das florestas brasileiras.

A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

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