Projeções de maior demanda por madeira impulsionam o setor a ampliar a base de plantio no Estado.
Dona da maior área de florestas plantadas no país, com aproximadamente 2,3 milhões de hectares, e com participação de quase 23% na composição do valor bruto da produção da silvicultura brasileira, Minas Gerais está se preparando para assegurar a futura expansão do setor.
O cenário aponta para um aumento no consumo de biomassa de madeira, motivado pela tendência de descarbonização das economias e pelas mudanças dos consumidores em direção a produtos mais sustentáveis. E Minas Gerais dispõe de espaço para aumentar a oferta. Parte da demanda deve vir localmente, considera Adriana Maugeri, presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif). “Nesse horizonte, se os projetos anunciados se concretizarem, ainda deveremos observar o avanço da usinas de etanol de milho em Minas Gerais, grandes consumidoras de biomassa da madeira”, diz.
As projeções da Organização das Nações Unidas, segundo a executiva, sugerem que a demanda global por madeira deverá dobrar até 2050. Para ela, o crescimento esperado para o consumo deve “fortalecer os plantios e propiciar a recuperação de áreas degradadas, mas para que isso ocorra será preciso comprovar que toda madeira vem de manejos sustentáveis e tem origem legal”. Maugeri destaca a importância da certificação e da rastreabilidade nesse processo.
Num mapeamento recente, realizado com base nos passivos ambientais declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) pelos produtores do Estado, foram identificados 3,3 milhões de hectares em áreas degradadas aptas à implantação de florestas cultivadas, o que permitiria mais que dobrar o espaço hoje destinado à produção florestal.
Ela aposta na posição estratégica do Estado não apenas porque hoje ele já detém a maior área de plantio, mas também porque as florestas plantadas estão presentes em 811 dos 853 municípios mineiros. Além disso, afirma que os principais clones do eucalipto cultivado em todo o país foram desenvolvidos pelo setor privado em Minas Gerais, sobretudo pela siderurgia, e “isso significa uma vantagem competitiva importante”.
Na sua avaliação, os investimentos na indústria florestal mineira ficaram travados até 2024 pelo processo moroso de licenciamento ambiental dos empreendimentos. Em julho daquele ano, conforme a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), o governo do Estado e o Ministério Público Estadual firmaram acordo, homologado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, simplificando o licenciamento ambiental de plantios acima de mil hectares.
Além disso, numa medida controversa, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) eliminou a exigência de estudo e relatório de impacto ambiental para novos empreendimentos de silvicultura. Os prazos de licenciamento, de acordo com Maugeri, foram reduzidos de seis ou dez anos para até seis meses.
Única fabricante de aço inoxidável na América Latina e produtora ainda de aços elétricos para transformadores e motores, entre outras aplicações, a Aperam mantém em hibernação seus projetos de investimentos, afirma Rodrigo Vilela, CEO da siderúrgica. Segundo ele, o momento atual não tem favorecido a siderurgia, que enfrentou no ano passado a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, destino de metade de suas exportações, e ainda importações recordes, na faixa de 6,4 milhões de toneladas, num salto de 170,6% desde 2019.
O movimento mais recente da empresa, realizado entre 2022 e 2024, resultou num investimento de R$ 588 milhões na aquisição de 30 mil hectares de área florestal, na troca de laminador a quente, destinado a melhorar a qualidade e acrescentar novas opções de produtos na usina instalada em Timóteo, na região conhecida como Vale do Aço.
A área de florestas aproxima-se de 150 mil hectares no Vale do Jequitinhonha, dos quais 90 mil destinados à produção, base para 440 mil toneladas de carvão vegetal que movimentam integralmente os dois altos-fornos da Aperam todos os anos, desde 2011.
Com capacidade para 630 mil a 650 mil toneladas de produtos siderúrgicos acabados, a indústria registra uma pegada de carbono equivalente a 340 quilos por tonelada de placa de aço produzida, quase 60% abaixo da média do mercado mundial, na faixa de 800 quilos por tonelada de aço, graças ao uso do carvão vegetal.
Resultado de tecnologias desenvolvidas internamente, a Aperam produz ainda o biochar, biocarbono aplicado nas áreas de floresta por sua capacidade de retenção de água e de incremento da fertilidade das árvores. Desenvolvido pela Aperam BioEnergia, maior produtora de carvão vegetal no mundo, instalada no Vale do Jequitinhonha, a siderúrgica iniciou a produção há dois ou três anos do bio-óleo a partir da condensação de gases gerados durante o processo de transformação do eucalipto em carvão, evitando emissões de carbono. As vendas do produto, que substitui o óleo diesel no processo produtivo, aproximam-se de 5 mil toneladas anuais.
Entre outros clientes, a Nexa Resources utiliza o biocombustível em 12 de seus 47 fornos em Três Marias, reduzindo o uso de fósseis na prod

