Expectativa é que agricultura se transforme em sumidouro de carbono. Emissões de gases do efeito estufa do setor representam 42% das emissões gerais da América Latina e Caribe, enquanto uso do solo pelo setor equivale a somente 18%. Mais de 40% dos solos da América Latina e do Caribe possuem algum tipo de degradação

O programa “Solos Vivos das Américas” foi lançado oficialmente no Brasil. A iniciativa é impulsionada pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o laureado cientista Rattan Lal, diretor do Centro de Manejo e Sequestro de Carbono (C-MASC) da Universidade Estatal de Ohio e Prêmio Mundial da Alimentação 2021. O ato de lançamento contou com a participação da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina. 

O objetivo da iniciativa é contribuir com a saúde dos solos brasileiros, promover boas práticas de manejo da terra e incentivos para transformar os sistemas agrícolas em ecossistemas que acumulem mais carbono nos solos, recuperando, assim, a qualidade de um recurso natural imprescindível para garantir a produção sustentável dos alimentos.

Maior autoridade mundial em ciências do solo, o professor Lal destacou a importância dos solos para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas  De acordo com Lal, as emissões de gases do efeito estufa pela agricultura representam 42% das emissões gerais da região, enquanto o uso do solo pelo setor é de apenas 18% de forma que trazer carbono de volta aos solos é muito importante.    

Em sua palestra sobre a situação dos solos na América Latina e no Caribe, ele destacou os desafios da região. Entre eles, melhorar nutrientes na produção de alimentos, qualidade da água e do ar e incorporar o conceito Uma Saúde, que une saúde animal, vegetal e humana, além da saúde do solo. Lal incentivou dar impulso à agricultura urbana e oferecer benefícios aos agricultores por meio da monetização de seus esforços em sustentabilidade. 

“Reduzir emissões e melhorar a produtividade é a meta de manejo da agricultura”, disse. Segundo Lal, que é Embaixador de Boa Vontade do IICA, as práticas para a conservação do solo na região estão mudando, mas ele destacou que ainda há grandes diferenças entre os países, portanto, é essencial empregar as práticas agronômicas que foram ressaltadas na Cúpula sobre a transformação dos Sistemas Alimentares, organizada pela ONU em setembro,

Em sua fala, a ministra Tereza Cristina destacou que a iniciativa Solos Vivos das Américas pode se unir e complementar o Plano ABC para  uma produção agropecuária de baixas emissões de carbono. Segundo a ministra, o plano inclui objetivos ambiciosos como a reabilitação de 15 milhões de hectares de áreas de pastagens degradas, o aumento da área sob o regime de plantio direto de 25 milhões para 33 milhões de hectares e redução das emissões de 160 milhões de toneladas de CO2 ao ano. 

Solos Vivos das Américas” é um programa que busca ser a ponte entre a ciência, as políticas públicas para o trabalho de restauração e proteção dos solos nas Américas, cuja degradação ameaça a posição da América Latina e do Caribe como garantidores da segurança alimentar global”, afirmou a ministra.

“A agricultura do Brasil se baseia na ciência e, para isso, temos que construir e promover associações que nos permitam trabalhar com o setor privado, a academia, organismos internacionais, a sociedade civil e outras entidades. Essas alianças para a conservação de um dos recursos mais importantes que temos, como o solo, é a chave para acelerar os esforços para nossa vida agrícola”, complementou Tereza Cristina. Segundo ela, o Brasil é pioneiro no “desenvolvimento agrícola e da pecuária com emissões zero”.  

De acordo com o diretor-geral do IICA, mais de 40% dos solos da América Latina e do Caribe possuem algum tipo de degradação. “O programa Solos Vivos vai ajudar a reduzir este impacto e estamos aqui para servir, com a rede e a estrutura do IICA, para colocar o conhecimento em prática e recuperar os solos que representam um patrimônio único onde plantamos nossas colheitas “, afirmou.

Também participaram do lançamento o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do MAPA, Fernando Camargo, o gerente de Desenvolvimento Técnico e Cooperação Regional de Cafeicultores COOXUPÉ, Mário Ferraz de Araújo; o presidente do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro; o presidente da Organização de Cooperativas Brasileiras (OBS), Márcio Lopes de Freitas; o diretor de Agricultura da Pepsico, Servando Valdez; o diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Bayer Crop Science na América Latina, Alejandro Girardi e o diretor-geral para a América Latina da Syngenta, Juan Pablo Llobet. 

Juan Pablo Llobet, da Syngenta, disse que a empresa se orgulha de “fazer parte da iniciativa, que está alinhada aos objetivos da empresa” e destacou que, junto com o IICA, estão trabalhando “em programas de capacitação para a ALC, pois queremos expandir o trabalho Solos Vivos das Américas e o C-MASC “.

“É uma oportunidade que está muito bem alinhada com a ideia que temos: saúde para todos e fome para ninguém. O setor agrícola tem um papel muito importante a desempenhar e a inovação é um dos pilares estratégicos para a transformação e sustentabilidade. Pretendemos ajudar os produtores a reduzir 30% do impacto ambiental na cobertura de carbono e chegar a 100 milhões de pequenos agricultores e, nesse sentido, o solo é fundamental”, disse Alejandro Girardi, da Bayer Crop Science,

 “Estamos entusiasmados e comprometidos com o que podemos fazer de forma tangível com nossos agricultores e para contribuir para a saúde dos solos do Brasil e de toda a América Latina”, disse, por sua vez, Servando Valdez, da Pepsico. “Manejar e restabelecer os solos, recarbonizar os solos e a vegetação, melhorar a qualidade da água e sua disponibilidade, adaptar práticas para reduzir as emissões negativas, reduzir o uso de químicos, utilizar aditivos orgânicos sempre que possível, fomentar a economia biocircular, apoiar o conceito de uma só saúde, utilizar a inovação digital, como a agricultura de precisão, e premiar os agricultores por seus trabalhos na agricultura ao tempo que se fomenta a educação no nível primário é fundamental”, exemplificou.

Veja o vídeo de lançamento com a palestra de Rattan Lal: https://www.youtube.com/watch?v=xCA9vKkndqw

Fonte: IICA

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