Jubileu de ouro: há 50 anos, o “ouro verde” africano lançava raízes no Brasil

Por Milton Dino Frank Junior

BELÉM – Em fevereiro de 1976, o que parecia ser apenas um experimento botânico tornava-se o marco zero de uma revolução econômica e ambiental no campo brasileiro. Há exatos 50 anos, a primeira muda de Khaya grandifoliola (anteriormente classificada como Khaya ivorensis) era plantada em solo nacional, dando início ao Jubileu de Ouro do Mogno Africano no Brasil.

O pioneirismo coube à Embrapa Amazônia Oriental (então CPATU), em Belém do Pará. As sementes, trazidas da África Ocidental (região da Costa do Marfim e Nigéria), deram origem às quatro árvores pioneiras que se tornaram a base genética para a expansão da espécie no país.

De Experimento a Ativo Financeiro

O que começou com quatro mudas hoje se transformou em uma potência florestal. Estima-se que o Brasil possua mais de 60 mil hectares plantados com a espécie. O Mogno Africano conquistou o apelido de “Ouro Verde” por ser um dos investimentos de madeira nobre com retorno mais rápido, variando entre 15 e 25 anos, com alta rentabilidade para investidores e produtores rurais.

Por que o Mogno Africano venceu?

Diferente do mogno brasileiro (Swietenia macrophylla), a espécie africana demonstrou características cruciais para o sucesso comercial em larga escala:

  • Resistência Biológica: É altamente resistente à broca-das-ponteiras (Hypsipyla grandella), praga que inviabiliza muitos plantios do mogno nativo.
  • Qualidade da Madeira: Possui tons rosados e excelente trabalhabilidade, sendo amplamente demandada pela indústria moveleira de luxo e naval.
  • Sustentabilidade: O cultivo em florestas plantadas ajuda a reduzir a pressão sobre as matas nativas, servindo como um importante sumidouro de carbono.

O Futuro da Espécie

Cinco décadas depois, o cenário é de consolidação. Eventos realizados pela ABPMA continuam a aprofundar as técnicas de manejo e oportunidades de mercado para a espécie que mudou a cara da silvicultura de madeiras nobres no Brasil.

Como afirmam especialistas do setor, o Mogno Africano não é apenas uma árvore, mas uma “poupança para o futuro”, garantindo recursos e sustentabilidade para as próximas gerações de produtores brasileiros, mas que não passa de um negócio como outro qualquer que para se fazer dinheiro exige muita luta e trabalho.

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