Inovação e sustentabilidade:  a indústria florestal entra numa nova era com a GenIA

*Por Ricardo Recchi

Agosto de 2025 – A indústria florestal é um dos pilares da economia brasileira, posicionando o país entre os maiores produtores e exportadores de madeira, papel e celulose do mundo. Segundo a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), estão previstos mais de R$ 105 bilhões em investimentos no setor até 2028. Em 2023, foram criados 33,4 mil novos postos de trabalho, somando um total de 690 mil empregos diretos e 2 milhões indiretos garantidos pela indústria. 

Para enfrentar os desafios de expansão do setor, a inovação se torna um dos principais caminhos quando se coloca em questão o monitoramento de áreas extensas, a prevenção de incêndios, o controle de pragas, a logística complexa para transporte de madeira e insumos, a conformidade ambiental e a obtenção de certificações, além da necessidade de planejamento de longo prazo diante de variáveis climáticas e de mercado.

Nesse contexto, a digitalização tem se mostrado fundamental para aumentar a eficiência, reduzir custos e assegurar práticas sustentáveis no manejo florestal. A adoção de ferramentas baseadas em Inteligência Artificial Generativa (GenIA), como assistentes e agentes inteligentes, é especialmente estratégica. Um assistente, pode, por exemplo, ser usado no suporte de empresas do setor para extrair informações de sistemas ou documentos e fornecer respostas precisas, em linguagem natural, para os colaboradores, ajudando a resolver desde dúvidas simples do dia a dia até problemas mais específicos na operação.

Do outro lado, agentes de IA atuam proativamente, conectando sistemas, executando processos e tomando decisões pré-configuradas, um conjunto sinérgico que eleva a agilidade e a precisão das operações. 

É possível usar essa ferramenta para identificar pragas exóticas por meio de agentes de IA conectados a imagens captadas por drones, câmeras de alta resolução ou sensores instalados no campo. Esses agentes analisam automaticamente as imagens, comparam padrões visuais a bancos de dados especializados e detectam indícios de infestação com alta precisão. Dessa forma, o tempo necessário para inspeções e contagens é drasticamente reduzido, o manejo integrado de pragas é acelerado e as equipes podem priorizar estratégias de controle mais eficientes.

Além da identificação de pragas, os agentes de IA, ao se conectarem com sensores, câmeras térmicas e dados meteorológicos, monitoram continuamente as florestas, detectando mudanças sutis de temperatura, umidade ou presença de fumaça. Ao identificar padrões de risco, eles enviam alertas imediatos para as equipes de campo, permitindo que ações preventivas sejam tomadas antes que o fogo se espalhe. 

Outra atuação dos agentes é no inventário florestal. As ferramentas de IA processam imagens de satélite e drones, cruzam esses dados com registros históricos e produzem relatórios detalhados sobre o crescimento das árvores, estimativa de volume de madeira e previsão de colheita. Isso substitui levantamentos manuais demorados, reduz custos e aumenta a precisão das informações usadas no planejamento de corte e replantio.

Já existem iniciativas promissoras no Brasil que ilustram esse impacto. A metodologia Netflora, desenvolvida pela Embrapa, utiliza drones e algoritmos de IA para identificar espécies florestais na Amazônia com 95% de precisão, transformando ortofotos georreferenciadas em dados úteis para estimativas de volume de madeira, estoques de carbono e planejamento de colheita, com custos reduzidos de R$ 100 a R$ 140 por hectare para apenas R$ 4 a R$ 6, possibilitando escalar o mapeamento de 10 mil para até 1 milhão de hectares por ano.

Mas para que essas soluções se tornem realidade de forma ágil, eficiente, segura e independente de modelos ou fornecedores específicos, é fundamental contar com plataformas especializadas em IA Generativa, que combinam frameworks robustos, serviços corporativos e componentes prontos para acelerar o desenvolvimento. Tais plataformas garantem integração com ambientes corporativos complexos, aumentam a velocidade de implantação, asseguram a privacidade e segurança dos dados, processam grandes volumes de documentação com precisão e permitem escalabilidade e atualização contínua das bases de conhecimento.

Ao adotar a GenIA, o setor florestal brasileiro não apenas eleva sua competitividade, mas também fortalece práticas de sustentabilidade indispensáveis para seu futuro, equilibrando produtividade, proteção ambiental e inovação tecnológica.


*Ricardo Recchi é regional manager Brasil-Portugal da GeneXus, empresa especializada em plataformas Enterprise Low-Code que simplificam o desenvolvimento e a evolução de softwares por meio da Inteligência Artificial.

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