Com expansão do setor, Senai de MS forma até 100 profissionais por ano para atender a demanda das fábricas e da cadeia florestal.
O avanço da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul não tem impacto apenas nas fábricas e nas florestas plantadas. O crescimento do setor também mudou o mercado de qualificação profissional no Estado e aumentou a procura por cursos técnicos ligados à área, com alunos sendo contratados antes mesmo de concluir a formação. Segundo o Senai, de 80 a 100 profissionais são colocados todos os anos no mercado de celulose.
Esse movimento é mais forte na Costa Leste e em Ribas do Rio Pardo, regiões que concentram parte importante da expansão florestal e industrial. De acordo com o gerente regional da Costa Leste, Rodrigo Bastos, a demanda cresceu nos cursos de Celulose, Química e Florestas, impulsionada pela necessidade de mão de obra para toda a cadeia produtiva.
“Esse avanço impacta diretamente na área de qualificação profissional, aumentando de forma expressiva a procura por cursos ligados à celulose, química e floresta pela alta demanda desses profissionais. Então, estamos em um momento muito importante, que fortalece a região”, afirmou.
Na prática, o cenário mostra que a formação técnica passou a ser uma porta de entrada rápida para o emprego. Conforme Bastos, há casos de estudantes contratados antes de terminar o curso, em vagas com salários acima da média. Ele também destaca uma mudança no perfil da formação local: antes, muitos estudantes precisavam sair de Mato Grosso do Sul para buscar capacitação; agora, conseguem estudar no próprio Estado e já encontrar oportunidade de trabalho perto de casa.
A estrutura de formação também vem sendo reforçada por parcerias com grandes empresas do setor, como Bracell, Arauco, Eldorado e Suzano, que apoiam a qualificação e, em alguns casos, oferecem bolsas. Os números ajudam a mostrar o tamanho desse mercado. Dados do Observatório da Indústria da Fiems, com base no Caged de janeiro de 2026, apontam 15.947 trabalhadores formais na área florestal e 6.683 na fabricação de celulose, somando 22.630 empregos diretos no Estado.
Para o economista-chefe do Observatório da Indústria da Fiems, Ezequiel Resende, o alcance do setor é ainda maior quando entram na conta os serviços que giram em torno dessa produção. “Se considerarmos uma estimativa de emprego indireto também, ou seja, aqueles trabalhadores de empresas terceirizadas de transporte, alimentação, segurança e limpeza que atuam no apoio à produção florestal e de celulose esse número deve, facilmente, estar acima dos 40 mil em todo Mato Grosso do Sul”. As inscrições para os cursos técnicos e qualificações de 2026 já estão abertas no site meufuturoagora.com.br, enquanto o vestibular das graduações está disponível em graduacaosenai.com.br.

