O mundo ainda mantém 32% de suas terras cobertas com florestas, sejam naturais (92%), sejam plantadas (8%). O desmatamento anda em queda, e logo a cobertura florestal deverá se estabilizar no planeta Terra.
Essa visão otimista se alicerça no mais recente Global Forest Resources Assessment 2025, publicado pela FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas). Do relatório, retirei 6 questões que ajudam a balizar o debate agroambiental no Brasil.
FLORESTAS PRIMÁRIAS
Das florestas naturais, que ocupam 3,83 bilhões de hectares, 29% são florestas primárias, ou seja, matas originais, preservadas sem interferência de atividades humanas, que ainda se estendem por 1,18 bilhão de hectares.
Destacam-se, entre as florestas primárias, a taiga russa (306,6 milhões de hectares), a Amazônia brasileira (224,5 milhões de hectares), a floresta boreal canadense (200 milhões de hectares) e a selva africana do Congo (100,2 milhões de hectares), que perfazem 71% das florestas primárias ainda existentes no planeta Terra.
DESMATAMENTO MUNDIAL
De 1990 a 2025, houve uma redução de 324 milhões de hectares nas florestas primárias, mas o ritmo da supressão florestal caiu 50%, passando de 13,8 milhões de ha/ano (1990/2000) para 6,97 milhões ha/ano (2015/2025).
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Considerando-se todas as florestas naturais, o desmatamento se reduziu de 17,6 milhões de ha/ano (1990/2000) para 10,9 milhões de ha/ano (2020/2025). Embora decrescente, o Brasil lidera o ranking do desmatamento no último período, com 2,94 milhões de hectares de florestas naturais suprimidas por ano; em 2º lugar vem Angola, com 510 mil hectares/ano.
Por outro lado, a China lidera os países que mais recuperaram áreas naturais (1,68 milhões de hectares/ano), seguido da Rússia (942 mil hectares/ano), no período de 2015/2025.
EXPLORAÇÃO FLORESTAL
Além das florestas primárias, intocadas, outros 29% das florestas naturais servem ao uso humano, destacando-se a exploração de madeira e outros produtos, que abrange a elevada área de 1,2 bilhão de hectares.
Em adição, mais 616 milhões de hectares são descritos como de uso múltiplo, que normalmente inclui o aproveitamento de madeira. O uso de madeira nativa reflete, regra geral, baixo desenvolvimento econômico. Na África se localiza 44% do território florestal sujeito à exploração madeireira ou múltipla, seguida da Ásia, com 16,1%, enquanto na América do Sul exploram-se 16% das florestas naturais.
GESTÃO DE FLORESTAS
Outros usos da floresta natural incluem sua destinação, no total de 386 milhões de hectares, para a proteção ecossistêmica de solo e água (10%) e 482 milhões de hectares (12%) para a conservação da biodiversidade. Turismo ecológico, educação, pesquisa e serviços culturais e sociais se registram em 221 milhões de hectares.
A maioria (71%) das áreas florestais pertencem ao poder público, restando 24% para o domínio particular, sendo ainda 4% detido por categorias mistas entre público-privado. A conservação florestal, ou seja, o uso sustentável de florestas, tem sido um excelente caminho para a proteção de áreas naturais ao redor do globo terrestre.
REGENERAÇÃO FLORESTAL
De 1990 a 2025, a Europa foi o único continente onde cresceu o montante das áreas naturais. Excluindo a Rússia, os países europeus apresentam poucos remanescentes de florestas primárias (4,2 milhões de hectares), porém os europeus se destacam na regeneração de suas florestas naturais.
Finlândia (73,7%) e Suécia (68,7%) apresentam as mais elevadas taxas de cobertura florestal, com Espanha (37,2%), Alemanha (32,7%) e França (32,5%) na posição intermediária e Reino Unido (13,3%), Irlanda (11,5%) e Holanda (11,1%) com menores áreas de florestas naturais. (Os dados por países podem ser encontrados aqui.)
SILVICULTURA
As florestas plantadas, com variadas espécies, somam 312 milhões de hectares, sendo essa silvicultura liderada pela Ásia (146 milhões de hectares). A China acelerou o plantio de árvores silvícolas, implantando florestas em 1,36 milhão de hectares/ano de 2020 a 2025. Na América Central, se destacou na expansão das florestas plantadas (5,74%), enquanto que na América do Sul ocorreu a menor taxa de plantio anual (0,09%), no período recente de 2020-2025.
As evidências trazidas pela FAO permitem supor que no horizonte próximo, talvez até 2040, a cobertura florestal da Terra se estabilize. A supressão, que está em ritmo decrescente, poderá ser compensada pelos plantios florestais. Por hipótese, a área total das florestas, naturais mais plantadas, permanecerá próxima do patamar de 30% das terras planetárias.
As atividades agropecuárias ocupam 46% do território global, restando ainda 14% para as áreas desérticas e 10% para as permanentes geleiras. Para calcular os impactos da agropecuária sobre o clima, é necessário considerar que os oceanos dominam 71% do planeta Terra.
Base de dados: é o que mais tem faltado no debate agroambiental do Brasil.
Fonte: Poder 360






