Investimentos concentram-se no Brasil, com protagonismo de Suzano, Arauco e CMPC, impulsionados pela demanda asiática e competitividade florestal.
Passada a inauguração do Projeto Cerrado, da Suzano, o setor de celulose volta suas atenções para uma nova onda de expansão na América do Sul. Ao longo dos próximos cinco anos, os investimentos previstos podem chegar a R$ 109 bilhões, com destaque para projetos no Brasil.
Entre os principais movimentos, a Arauco já iniciou a construção de uma megafábrica em Inocência (MS), enquanto a CMPC aguarda aprovação para erguer uma unidade em Barra do Ribeiro (RS). Também são esperados o anúncio de uma nova planta da Bracell em Bataguassu (MS) e o avanço da segunda linha da Eldorado Brasil em Três Lagoas (MS). Já o projeto da Paracel, no Paraguai, ainda enfrenta incertezas.
A expansão é sustentada pela perspectiva de aumento da demanda global, especialmente na Ásia, além da ampliação das aplicações da celulose. Segundo Rafael Barisauskas, economista da Fastmarkets, a competitividade da região é um diferencial relevante, impulsionada pela disponibilidade de madeira e pelo rápido crescimento do eucalipto.
“Os projetos na América do Sul são muito mais competitivos quando comparados à maioria das outras regiões do mundo, especialmente pela ampla oferta de madeira e pelo crescimento mais rápido das florestas de eucalipto – cerca de 7 anos na região, ante 15 anos no Hemisfério Norte. “No pior cenário, em que a demanda global cresça abaixo das expectativas , as novas capacidades na América do Sul provavelmente levarão concorrentes de custos mais elevados a sair do mercado”, diz Barisauskas.
Os últimos ciclos de expansão incluem o Projeto Star, da Bracell, concluído em 2022, e o Projeto Cerrado, da Suzano, finalizado em 2024, atualmente a maior fábrica de celulose de eucalipto em linha única do mundo.
Esse posto, porém, pode ser superado pelo Projeto Sucuriú, da Arauco. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, a unidade terá capacidade de 3,5 milhões de toneladas anuais e início de operação previsto para o segundo semestre de 2027. O projeto inclui ainda um ramal ferroviário de 45 km conectado à malha da Rumo até o Porto de Santos.
Na região Sul, a CMPC avançou na estruturação do Projeto Natureza, com contratos para infraestrutura logística no Porto de Rio Grande (RS). O empreendimento, com capacidade de 2,5 milhões de toneladas anuais, depende de licenças ambientais e deve ser concluído em 2029.
No Mato Grosso do Sul, a Bracell conduz estudos para viabilizar sua nova planta em Bataguassu, estimada em R$ 16 bilhões. “A empresa está em fase de estudos e de cumprimento das exigências legais que subsidiam a análise dos órgãos competentes e garantem a transparência do processo”, informa a companhia.
“Perspectiva de crescimento no consumo da celulose, sobretudo na Ásia, sustenta os projetos”, disse Rafael Barisauskas.
A logística se mantém como um dos principais desafios para a expansão. “O grande foco hoje é a logística”, afirma o secretário Jaime Verruck, citando investimentos ferroviários, rodoviários e hidroviários no chamado Vale da Celulose.
A Eldorado Brasil também avalia a expansão com uma segunda linha, estimada em US$ 5 bilhões, embora a decisão dependa de condições financeiras e disponibilidade de fornecedores. O Mato Grosso do Sul concentra parte relevante dessa expansão, com cerca de 1,5 milhão de hectares de eucalipto plantados — aproximadamente 19% do total nacional. Ainda assim, desafios como habitação e infraestrutura urbana acompanham o crescimento acelerado da indústria.
No Paraguai, a Paracel segue ampliando sua base florestal, mas ainda busca investidores para viabilizar a construção da fábrica. Apesar de avanços, como um possível financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o projeto permanece indefinido.
Por fim, apesar das vantagens estruturais, fatores macroeconômicos, como juros elevados, podem limitar o ritmo de expansão. “As taxas de juros elevadas, especialmente no Brasil, tendem a limitar o ritmo e o apetite por novos projetos de expansão e pela implantação de novas unidades ao longo da cadeia de valor”, afirma Barisauskas.
Fonte: Portal Celulose

