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Ferbasa abre vagas na Bahia: oportunidades para engenheiros, técnicos e coordenadores

Companhia de Ferro Ligas da Bahia (FERBASA), uma das maiores forças industriais do estado e líder na produção de ferro-ligas no Brasil, anunciou a abertura de novas vagas estratégicas para suas operações. Com unidades que abrangem desde a metalurgia em Pojuca até atividades de mineração e silvicultura em diversas regiões da Bahia, a empresa busca profissionais qualificados para sustentar seu crescimento tecnológico e operacional.

Trabalhar na Ferbasa significa integrar uma organização que alia tradição industrial com inovação sustentável. Se você busca estabilidade em uma das empresas mais sólidas da B3 (Bolsa de Valores) e deseja atuar em projetos de grande escala, confira os detalhes das funções disponíveis em abril de 2026.

Detalhamento das Oportunidades Abertas

As vagas contemplam níveis técnico, superior e de coordenação, exigindo perfis com forte orientação para resultados e segurança.

  • Técnico de Projetos: Atuação no suporte ao planejamento e execução de projetos industriais. Exige formação técnica em Edificações, Mecânica ou Eletrotécnica, com domínio de ferramentas de desenho (AutoCAD) e cronogramas.
  • Engenheiro Mecânico II: Focado na integridade de ativos e melhoria de processos térmicos e mecânicos. Requer sólida experiência em manutenção industrial de grande porte, análise de falhas e gestão de indicadores de performance (KPIs).
  • Coordenador de Manutenção: Cargo de liderança estratégica para gerir equipes multidisciplinares. O profissional será responsável por garantir a disponibilidade física das plantas, gerir orçamentos (OPEX/CAPEX) e implementar práticas de manutenção preditiva e proativa.
  • Engenheiro I: Oportunidade para profissionais em fase de consolidação de carreira. Atuará em projetos de melhoria contínua, suporte à operação e implementação de normas técnicas de segurança e eficiência energética.
  • Inspetor Florestal Motorizado: Vaga voltada para as operações de silvicultura da empresa. O profissional realizará a fiscalização de áreas plantadas, monitoramento de pragas, combate a incêndios e vigilância patrimonial. Exige CNH e disponibilidade para deslocamentos em áreas rurais.

Requisitos e Perfil Desejado

Para se destacar nas vagas Ferbasa Bahia 2026, os candidatos devem apresentar:

  1. Formação Acadêmica: Diploma compatível com a função (Conselho de classe ativo como CREA ou CFT é indispensável para as vagas técnicas e de engenharia).
  2. Segurança em Primeiro Lugar: A Ferbasa possui protocolos rígidos de segurança. Demonstrar conhecimento em NRs (como NR-10, NR-12 e NR-35) é um diferencial.
  3. Residência: Disponibilidade para atuar em Pojuca, Campo Formoso ou regiões de unidades florestais, conforme a localidade específica de cada vaga.
  4. Habilidades Digitais: Domínio de sistemas de gestão integrada (como SAP) e ferramentas de produtividade.

Benefícios de Carreira na Ferbasa

A Ferbasa é reconhecida por um dos melhores pacotes de benefícios da indústria baiana, incluindo:

  • Participação nos Lucros e Resultados (PLR): Programa atrativo baseado no desempenho da companhia.
  • Assistência à Saúde: Planos de saúde e odontológico de abrangência nacional para o colaborador e dependentes.
  • Previdência Privada: Fundo de pensão próprio para garantir o futuro do colaborador.
  • Transporte e Alimentação: Frotas de ônibus fretado e refeitórios internos nas unidades industriais.
  • Desenvolvimento: Incentivos à educação e treinamentos técnicos constantes.

Dicas de Ouro: Como ser selecionado pela Ferbasa

O processo seletivo da Ferbasa é criterioso e valoriza tanto a competência técnica quanto o alinhamento cultural.

1. Destaque sua Experiência Industrial

Dica: No seu currículo, enfatize experiências em indústrias de processo contínuo, mineração ou metalurgia. Termos como “Manutenção de Fornos”“Gestão de Ativos”“Projetos de Engenharia” e “Silvicultura” ajudam na triagem inicial.

2. Atenção ao Portal de Candidatura

Dica: A Ferbasa utiliza um portal próprio de talentos. Certifique-se de anexar seu currículo atualizado em PDF e preencher todos os campos de histórico profissional. Informações incompletas podem desclassificar o candidato antes mesmo da entrevista.

3. Foco em Sustentabilidade e ESG

Dica: A Ferbasa possui um forte compromisso ambiental. Se você tem experiência em projetos de redução de resíduos, eficiência energética ou manejo florestal sustentável, dê destaque a isso em sua apresentação.

4. Prepare-se para Testes Técnicos

Dica: Para as vagas de Engenharia e Técnico, é comum a aplicação de avaliações de conhecimentos específicos e raciocínio lógico. Revise conceitos fundamentais da sua área de formação antes das etapas presenciais.

Sobre a Instituição: Ferbasa

Fundada pelo engenheiro José Corgosinho de Carvalho Filho em 1961, a Ferbasa é um orgulho da indústria baiana. Além de sua relevância econômica, a empresa mantém a Fundação José Carvalho, que realiza um trabalho educacional de excelência no interior do estado. Trabalhar na Ferbasa é unir-se a uma companhia que valoriza o desenvolvimento regional, a ética nos negócios e a liderança tecnológica no setor de ferro-ligas.

Como realizar sua inscrição

As candidaturas devem ser feitas exclusivamente através do portal oficial de vagas da companhia. Não há cobrança de taxas para participação em processos seletivos.

Nota: Fique atento aos prazos de cada edital interno, pois as vagas podem ser preenchidas rapidamente conforme o volume de candidatos qualificados. Boa sorte!

Fonte: Empregos na Bahia

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Arauco ergue vila com casas de até 215 m² para trabalhadores

Projeto em Inocência terá 620 residências de até 215 m² e começou a ser construído no último mês.

A empresa chilena Arauco iniciou em março a construção de um bairro planejado com 620 casas no município de Inocência, a 331 quilômetros de Campo Grande, para abrigar trabalhadores da futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú.

A empresa chilena Arauco iniciou a construção da Vila Arauco, bairro planejado com 620 casas em Inocência, a 331 km de Campo Grande, para abrigar trabalhadores da futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú. As residências terão entre 115 e 215 metros quadrados. A entrega está prevista para o segundo semestre de 2027. A iniciativa busca reduzir a pressão sobre o mercado imobiliário local e faz parte de compromissos assumidos junto ao Imasul.

Batizada de Vila Arauco, a estrutura será destinada exclusivamente aos colaboradores da unidade industrial e surge como uma tentativa de antecipar um dos principais efeitos de grandes obras em cidades pequenas: a pressão sobre o mercado imobiliário, com aumento de preços e escassez de moradias.

O porte das residências chama atenção. As casas previstas chegam a 215 metros quadrados, área quase o dobro do tamanho médio de imóveis no Brasil e mais de três vezes superior à de habitações populares, que costumam ter de 46 a 70 m². O projeto também inclui unidades a partir de 115 m², o que indica um padrão acima do normalmente associado a moradias temporárias de trabalhadores.

A proposta não é recente. A criação da vila já aparecia no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) apresentado em 2023, que previa a construção de um núcleo habitacional para “oferecer moradia aos trabalhadores do empreendimento, reduzindo a pressão sobre custos de moradia na cidade”.

Com o avanço da implantação da fábrica, o projeto ganhou escala e passou a integrar o planejamento urbano do empreendimento. Informações divulgadas por empresas envolvidas na execução apontam que a vila faz parte de uma estratégia mais ampla, que inclui infraestrutura urbana, logística e organização do território, além da planta industrial.

A previsão é que as moradias sejam entregues no segundo semestre de 2027, em linha com o início da operação da fábrica de celulose.

Em nota enviada ao Campo Grande News, a empresa afirma que a iniciativa está vinculada a compromissos assumidos junto ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente) e ao Plano Estratégico Socioambiental do projeto. “A Vila Arauco tem como finalidade apoiar o crescimento ordenado de Inocência”, informou.

A Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) também destacou que o bairro planejado busca garantir moradia para os trabalhadores e reduzir impactos do crescimento populacional na cidade.

Fonte: Campo Grande News

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Audiência popular em Porto Alegre debaterá ampliação da CMPC

Fonte: Extra Classe

Projeto bilionário prevê alto consumo de água. Ambientalistas questionam capacidade de assimilação do sistema hídrico e possíveis impactos.

Uma audiência popular na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre que será realizada nesta terça-feira, 7, a partir das 18 horas, promete aquecer os debates sobre o que vem sendo considerado o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul.

A ampliação da Compañía Manufacturera de Papeles y Cartones (CMPC), apesar das promessas de ser uma referência em tecnologia limpa e controle de emissões, acende o sinal de alerta de pessoas preocupadas com a possibilidade de que possa promover mais uma tragédia ambiental no estado.

O projeto, que inclui a modernização da unidade da CMPC já existente em Guaíba e a construção de uma nova planta em Barra do Ribeiro, pode transformar o complexo da multinacional chilena do setor de papel e celulose em um dos maiores do mundo na produção de celulose, com capacidade estimada de 2,5 milhões de toneladas por ano e aporte de até R$ 27 bilhões.

Se o porte do empreendimento é parte do argumento do governo e do setor empresarial, de outro lado, ambientalistas apontam riscos proporcionais à escala.

A pergunta que será feita na audiência popular nesta terça-feira é: a expectativa da geração de até 12 mil empregos na fase de obras, cerca de 1,5 mil postos permanentes e impactos positivos em infraestrutura, como melhorias logísticas e portuárias, compensaria os possíveis impactos socioambientais?

Água no foco

O uso intensivo da água do Guaíba é um dos principais focos de preocupação. A ampliação da CMPC poderá captar cerca de 288 milhões de litros por dia. O volume é superior ao consumo de toda a população da capital.

Já o lançamento de efluentes no Guaíba, por sua vez, levanta dúvidas de especialistas sobre a capacidade de assimilação do sistema hídrico e possíveis impactos na qualidade da água destinada ao abastecimento público, inclusive em áreas próximas a captações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

Há ainda alertas sobre a presença de compostos potencialmente tóxicos, como dioxinas e furanos, além do aumento de nutrientes que podem estimular florações de cianobactérias — fenômeno já associado a episódios de gosto e odor na água. Intervenções como dragagens também preocupam pela possibilidade de remobilizar metais pesados no leito do lago.

Os efeitos sociais entram no mesmo pacote de incertezas. A ampliação pode atingir pescadores artesanais no Guaíba e na Laguna dos Patos, além de comunidades tradicionais e indígenas.

MPF recomenda suspensão

Na semana passada, o debate ganhou um novo capítulo. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a suspensão do licenciamento ambiental da nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro.

O MPF argumenta que houve ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas Guarani Mbyá. A consulta prévia à povos originários é preconizada pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além da elaboração de estudos complementares sobre os impactos da silvicultura e do uso de agrotóxicos na região.

A audiência popular sobre a ampliação da CMPC no estado acontece no plenário Ana Terra, da Câmara de Porto Alegre. Ela é uma iniciativa dos vereadores Alexandre Bublitz (PT) e Paulo Brack (PSol). Segundo os organizadores, a multinacional foi convidada e até o momento não confirmou presença.

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Rota da Celulose: 60 dias após concessão, rodovia MS-040 acumula crateras e reclamações de usuários

Motoristas enfrentam prejuízos materiais, falta de sinalização e riscos fatais em trechos que já deveriam receber manutenção emergencial.

Pouco mais de sessenta dias após a assinatura do contrato de concessão da Rota da Celulose, o otimismo gerado pelo anúncio de R$ 10,1 bilhões em investimentos esbarra na realidade de quem depende das rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul. O consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP Infra, assumiu a responsabilidade por 870,4 quilômetros de malha viária, mas o cenário atual é descrito por usuários como “abandono”.

MS-040

A rodovia estadual MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, é apontada como o ponto mais crítico do sistema. Um levantamento do Jornal Cenário MS identificou que, embora os primeiros 40 km não possuam buracos, o mato alto já encobre quase todas as placas de sinalização, tornando curvas e pontos de ultrapassagem proibida em armadilhas invisíveis.

A partir do KM 40, a situação se degrada rapidamente:

  • Crateras e Remendos: Do KM 150 em diante, o asfalto original praticamente desapareceu, dando lugar a uma sucessão de remendos e crateras que surgem de surpresa.
  • O “Pior Trecho”: Entre os quilômetros 170 e 185, veículos de passeio e carretas realizam manobras arriscadas para evitar danos severos.
  • Sinalização Inexistente: Após o KM 110, a pintura da pista é quase imperceptível em viagens noturnas, agravando o risco de acidentes.

Relatos dos usuários

Os áudios enviados por motoristas e moradores revelam um cotidiano de medo e indignação:

  • Risco à Vida: “A gente sai de casa, mas não sabe se volta”, relatou um trabalhador que utiliza a via diariamente, afirmando que motoristas precisam “entregar a alma a Deus” ao trafegar à noite.
  • Vulnerabilidade: Uma gestante de oito meses precisou realizar o trajeto em uma caminhonete durante o dia, pois a mãe a alertou que viajar à noite seria “perigoso demais” devido à dinâmica de “desviar de um buraco e cair em outro”.
  • Transporte de Pacientes: Motoristas que transportam pacientes para Campo Grande durante a madrugada denunciam que o serviço de “tapa-buracos” é ineficiente. “Tampam as crateras e deixam os buracos pequenos; você desvia do pequeno e cai no grande”, afirmou um condutor.
  • Danos Materiais: Em apenas uma noite, no trecho entre Santa Rita e Bataguassu (MS-338), três carros tiveram pneus estourados no mesmo buraco.

MS-338 e BR-267

Na MS-338, as imperfeições causadas pelo excesso de remendos geram trepidação excessiva, enquanto novos buracos surgem a cerca de 15 km de Santa Rita do Pardo. Já na BR-267, o descaso atinge os perímetros urbanos de Bataguassu e Nova Alvorada do Sul, onde a manutenção que antes era feita pelo DNIT cessou após a transferência para a concessionária.

Outro lado

AGEMS informou que o contrato estabelece um prazo de 12 meses para os “Trabalhos Iniciais”, período em que a concessionária deve corrigir os problemas mais relevantes antes de iniciar a cobrança de pedágio. A agência afirmou já ter realizado a primeira fiscalização e enviado um relatório técnico à concessionária.

No entanto, para quem utiliza a rodovia hoje, o prazo de um ano soa como uma eternidade diante do risco de morte. “Muitos já morreram nessa rodovia por falta de manutenção”, desabafou um usuário, citando também a falta de drenagem que causa aquaplanagem em dias de chuva.

Até o momento, a empresa Caminhos da Celulose não respondeu aos questionamentos sobre a lentidão nas intervenções emergenciais.

Fonte: Cenário MS

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Conexão Brasil-Europa abre mercado internacional para a madeira nacional

Iniciativa do setor produtivo levará empresários brasileiros à feira Carrefour International du Bois 2026, na França, com foco em conexões estratégicas e expansão internacional; inscrições abertas até 10/04.

Empresas brasileiras do setor de madeira nativa terão a oportunidade de ampliar a presença no mercado internacional. Estão abertas, até 10 de abril, as inscrições para a missão comercial que levará empresários à Carrefour International du Bois 2026, uma das principais feiras globais da cadeia produtiva da madeira, realizada de 1º a 4 de junho, em Nantes, na França. Entre os mercados-alvo estão países estratégicos como França, Itália, Bélgica, Dinamarca e os Países Baixos – regiões com alta demanda por soluções inovadoras e sustentáveis em madeira.

A iniciativa é realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), além de contar com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC), da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (FIEMS) Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA).

A iniciativa abrirá portas para parcerias estratégicas no exterior e oferecerá uma imersão profunda nas tendências e padrões de consumo do mercado europeu A programação inclui abertura institucional da delegação brasileira, circuitos guiados pela feira e rodadas presenciais de negócios com players globais – um ambiente pensado para promover oportunidades comerciais qualificadas.

Estarão contempladas pela iniciativa empresas exportadoras ou em processo de internacionalização, desde indústrias de desdobramento e beneficiamento primário até fabricantes de painéis de madeira engenheirada, produtos laminados e estruturas para construção civil. O foco é posicionar o setor brasileiro como fornecedor competitivo e sustentável, além de estimular a diversificação de mercados.

As empresas interessadas podem se inscrever até 10 de abril, por meio do formulário online.

Após o cadastro, os participantes receberão mais informações sobre a missão por e-mail.

Plataforma para negócios estratégicos

A Carrefour International du Bois é reconhecida por reunir empresas, compradores, arquitetos, designers e formuladores de políticas públicas, funcionando como uma plataforma estratégica para negócios, inovação e promoção do uso sustentável da madeira em escala global. Em 2024, o evento teve mais de 20 conferências e reuniu 637 expositores, 40 países e 13,5 mil visitantes.

A missão à França faz parte do convênio entre CNI e ApexBrasil, que visa fortalecer a internacionalização das empresas brasileiras e a promoção comercial de setores estratégicos. Por meio da Rede CIN, presente nas 26 federações estaduais da indústria, o projeto oferece serviços especializados para diferentes níveis de maturidade exportadora, com soluções customizadas para inserção no mercado internacional.

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MPF arquiva inquérito sobre espionagem na disputa pela Eldorado Celulose

Ministério Público Federal (MPF) pediu, na última terça-feira, 31, o arquivamento do inquérito criminal que investigava uma suposta invasão de servidores com o objetivo de desviar cerca de 70 mil e-mails da Eldorado Brasil, da J&F e da JBS.

O caso é um dos desdobramentos da longa disputa societária entre a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista e a Paper Excellence pelo controle da empresa de celulose.

A investigação começou a partir de fatos ocorridos em junho de 2019, no auge do embate entre a J&F e a companhia controlada pelo empresário indonésio Jackson Wijaya. O inquérito foi aberto em Diadema (SP), e, depois de quase sete anos, o MPF concluiu que os elementos reunidos não sustentam a apresentação de denúncia.

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A venda da Eldorado Celulose, da holding dos irmãos Batista, tornou-se a maior briga societária do país | Foto: Divulgação

De acordo com o órgão, as provas digitais apresentam “falhas graves” na cadeia de custódia desde o início da apuração. Laudos periciais elaborados por uma empresa contratada pela J&F e pelo Instituto de Criminalística de São Paulo apontaram divergências nos códigos hash dos arquivos analisados — sequência que funciona como uma espécie de impressão digital para garantir a autenticidade dos dados.

Segundo o MPF, essas inconsistências tornaram impossível atestar a integridade do material coletado. O inquérito apurava uma suposta invasão dos sistemas da empresa CTI NET Soluções em Conectividade e Informática, com sete pessoas indiciadas ao longo da investigação.

Outro ponto considerado crítico pelos procuradores foi a condução das buscas e apreensões. Representantes da J&F e da empresa Ventura Enterprise Risk Management, indicada pela holding, acompanharam os procedimentos policiais e ficaram responsáveis pela guarda dos dispositivos apreendidos.

Fachada do Ministério Público Federal (MPF) na rua Frei Caneca, na região da Paulista, em São Paulo, em alusão à matéria sobre a análise de contratos do governo Lula
Fachada do Ministério Público Federal (MPF) na região da Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

Para o MPF, essa circunstância comprometeu a confiabilidade das provas. Diante desse cenário, o órgão concluiu que as dúvidas sobre a integridade do material são “insuperáveis”, o que inviabiliza o prosseguimento do caso na esfera criminal.

Disputa pela Eldorado começou depois de operação da J&F

A disputa pelo controle da Eldorado Brasil teve início em setembro de 2017, quando a J&F concordou em vender 49,41% da empresa à Paper Excellence por R$ 3,8 bilhões. O restante da participação seria transferido em até 12 meses, condicionado à liberação de garantias dadas pelos Batistas em empréstimos e dívidas da companhia.

O conflito começou no ano seguinte. A Paper alegou que a J&F impôs obstáculos para impedir a liberação das garantias e judicializou a questão antes do fim do prazo. A holding brasileira, por sua vez, sustentou que a rival recorreu à Justiça por não conseguir cumprir o contrato.

Paper Excellence (foto) conflito com J&F
Paper buscou tirar do TRF-4 o poder de decisão sobre o tema | Foto: Reprodução/site Paper Excellence

A transação também foi questionada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em ação que discutia a possibilidade de empresas estrangeiras controlarem terras no Brasil. Ao longo dos anos seguintes, o caso se desdobrou em disputas no Tribunal de Justiça de São Paulo, no Superior Tribunal de Justiça e em arbitragem, além de tentativas de anulação e ameaças de levar o litígio a tribunais internacionais.

No meio da disputa, surgiu a denúncia de tentativa de acesso indevido a e-mails que teriam sido trocados entre advogados da J&F durante o processo arbitral — episódio que deu origem ao inquérito agora arquivado.

O impasse societário foi encerrado em maio de 2025, quando a Paper Excellence aceitou um acordo proposto pela J&F. A holding brasileira pagou US$ 2,64 bilhões à vista pelos 49,41% restantes e passou a deter 100% da Eldorado Brasil.

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O setor florestal ganha protagonismo: Paraguai busca atrair investimentos de até US$ 2 bilhões por ano

Fonte: Forbes

Com apenas uma fração de seu potencial desenvolvido, o setor florestal já gera exportações de mais de US$ 100 milhões e 5.000 empregos. Tanto o setor público quanto o privado buscam acelerar investimentos que poderiam multiplicar a produção e transformar o país em um polo regional da indústria madeireira. O setor florestal se posiciona como um dos setores com maior potencial de crescimento no Paraguai e começa a atrair o interesse de investidores internacionais.

Atualmente, a atividade florestal ocupa cerca de 204.000 hectares, gera exportações de cerca de US$ 107 milhões por ano e emprega aproximadamente 5.000 pessoas, além de registrar compromissos de investimento estrangeiro direto próximos a US$ 4 bilhões.

No entanto, as autoridades consideram que o potencial do setor é muito maior. Segundo estimativas apresentadas pelo Viceministério de Rediex, o Paraguai poderia expandir a superfície florestal para até 1,2 milhões de hectares, o que permitiria elevar as exportações anuais para US$ 2 bilhões, gerar cerca de 100.000 empregos e atrair mais de US$ 10 bilhões em investimento estrangeiro.

Nesse contexto, a mesa florestal, criada em 2024, busca identificar barreiras, melhorar o acesso ao financiamento, fortalecer a logística e promover políticas públicas que impulsionem a competitividade do setor, com o objetivo de dinamizar projetos de grande escala e consolidar a industrialização da madeira no país.

O espaço reúne diversas instituições do governo — incluindo os ministérios da Economia, Agricultura, Obras Públicas e Relações Exteriores, além do Banco Central do Paraguai, a AFD e o Infona — juntamente com associações empresariais como a União Industrial Paraguaia, a Federação Paraguaia de Madeireiros e a Associação Rural do Paraguai.

As autoridades consideram que o desenvolvimento do setor permitirá não apenas aumentar as exportações, mas também descentralizar a atividade industrial, gerar emprego em áreas rurais e consolidar novas cadeias de valor relacionadas à biomassa e à transformação industrial da madeira, posicionando o Paraguai como um destino atraente para investimento florestal na região.

Melhorias a serem incluídas

O setor florestal paraguaio se posiciona como um dos segmentos com maior potencial de crescimento dentro da economia nacional. Nesse contexto, o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) destaca cinco aspectos fundamentais que devem ser considerados para impulsionar o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor no país.

Em primeiro lugar, mencionam a importância de manter a estabilidade macroeconômica e um ambiente favorável para os investimentos, ressaltando que esses fatores são a base para atrair capitais para o setor florestal e consolidar projetos de longo prazo.

Outro ponto-chave mencionado foi a necessidade de melhorar a infraestrutura logística, especialmente em relação ao transporte de madeira. Substituírem a importância de avançar em condições que permitam a circulação de caminhões de grande porte pelas rodovias nacionais, o que contribuiria para facilitar o transporte da produção e aumentar a competitividade da indústria.

Eles também enfatizam a relevância de garantir acesso a financiamento adequado, particularmente para iniciativas relacionadas à reflorestação e à produção florestal, que requerem investimentos a longo prazo e condições de crédito apropriadas aos ciclos do setor.

Além disso, destacaram a necessidade de desenvolver novos mercados internacionais, ressaltando a qualidade da madeira paraguaia em comparação com a de outros países da região. Nesse sentido, enfatizaram a importância de cumprir os padrões e requisitos exigidos por mercados exigentes como o europeu para ampliar as oportunidades de exportação.

Por fim, ressaltaram o papel do capital humano na consolidação da indústria florestal, sublinhando a importância de investir em capacitação e formação do pessoal para garantir um crescimento sustentável e competitivo do setor nos próximos anos.

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Projeto conecta área equivalente a 200 mil campos de futebol em corredores de biodiversidade na Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia

Por Redação do Um Só Planeta

Uma iniciativa privada de restauração e conexão de habitats avançou nos últimos quatro anos e já interligou 214 mil hectares de vegetação nativa — área equivalente a mais de 200 mil campos de futebol — na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia.

O esforço, conduzido pela Suzano, empresa de celulose e fabricante de papel e bioprodutos a partir de eucalipto, ganhou ritmo em 2025, com a conexão de 55 mil hectares adicionais. A meta da companhia é alcançar 500 mil hectares até 2030.

Os corredores ecológicos implantados funcionam como faixas de vegetação que ligam fragmentos florestais antes isolados por pastagens, plantações ou outras formas de uso do solo. Ao reduzir essa fragmentação, permitem o deslocamento da fauna e favorecem processos naturais como a dispersão de sementes e a troca genética entre populações.

“Não se trata apenas de restaurar áreas, mas de permitir que o ecossistema funcione de forma integrada. Quando os fragmentos deixam de ser ilhas isoladas, a paisagem recupera a capacidade de sustentar vida de forma contínua”, afirma o engenheiro florestal Paulo Groke.A definição dos trechos conectados segue critérios técnicos, com prioridade para áreas maiores e regiões já monitoradas, inclusive com presença de espécies ameaçadas. O traçado busca encurtar distâncias entre fragmentos, aumentando a chance de uso pelos animais.

O monitoramento nas áreas conectadas já identificou 97 espécies em risco de extinção. Destas, 19 foram selecionadas como prioritárias para ações de conservação, entre elas o balança-rabo-canela, o macaco-cara-branca e o tatu-canastra.

Na Mata Atlântica, a iniciativa se concentra na ligação de fragmentos entre Bahia e Espírito Santo. No Cerrado, os corredores avançam no Mato Grosso do Sul. Já na Amazônia, incluem áreas no chamado arco do desmatamento, com conexão a territórios estratégicos como o Mosaico do Gurupi.

A implementação envolve tanto áreas próprias quanto propriedades de terceiros, com adesão voluntária de produtores rurais, comunidades e parceiros locais. Segundo a empresa, os corredores não incidem sobre áreas com disputas fundiárias e são estabelecidos mediante acordo entre as partes.

“O sucesso depende de integração regional, com participação de diferentes atores”, afirma Márcio Braga, da iNovaland Brasil, parceira da iniciativa.

Além da área conectada, a empresa diz monitorar os impactos na biodiversidade com uso de tecnologias como sensores acústicos e análise de DNA ambiental. Em uma das regiões acompanhadas, no Mato Grosso do Sul, foram registradas 194 espécies de aves, além de anfíbios e mamíferos.

Embora localizados, os resultados indicam o potencial da estratégia de corredores para reduzir os efeitos da fragmentação florestal, um dos principais desafios para a conservação em biomas como a Mata Atlântica.

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Parada Geral da Suzano mobiliza mais de 2,3 mil profissionais e contribui com o aquecimento da economia em Três Lagoas 

Fonte: Perfil News

Com duas fábricas em operação, manutenção programada da unidade será realizada em duas etapas: de 5 a 14 de abril, na fábrica 1; e de 15 de abril a 4 de maio, na fábrica 2, envolvendo mais de 120 empresas.

A Suzano vai mobilizar mais de 2,3 mil profissionais e cerca de 120 empresas prestadoras de serviços para a Parada Geral (PG) da Unidade de Três Lagoas, programada para acontecer entre os dias 5 de abril e 4 de maio. Como muitos desses profissionais são de outras regiões, a expectativa é que a manutenção programada contribua diretamente para o aquecimento da economia local, principalmente em setores como de hotelaria, alimentação e comércio em geral.

“A Parada Geral é um período planejado de manutenção que permite revisar equipamentos, realizar melhorias nos processos e preparar a unidade para um novo ciclo de operação com segurança, eficiência e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, também colabora para o aquecimento da economia de forma indireta, já que temos a vinda de trabalhadores de outras regiões e a mobilização de centenas de empresas. Nosso compromisso em cuidar do planeta e das pessoas também se reflete na forma como conduzimos manutenções dessa grandiosidade, sempre alinhada à responsabilidade social e ambiental”, destaca Eduardo Ferraz, diretor de Operações Industriais da Suzano em Três Lagoas.

Durante a Parada Geral, empresas prestadoras de serviços que participarão das atividades de manutenção e engenharia também contratam trabalhadores da própria cidade, mobilizando diversos setores locais que dão suporte à operação, como transporte, alimentação, comércio e outros segmentos. Além disso, a unidade contará com a participação de empresas locais e com a atuação de profissionais vindos de outras regiões, o que tende a ampliar temporariamente a demanda por hospedagem, alimentação e diferentes serviços no município, contribuindo para aquecer a economia local nesse período.

Manutenção programada

Na Unidade de Três Lagoas, como são duas fábricas em operação, a PG deve durar um mês, sendo dividida em duas etapas: de 5 a 14 de abril na fábrica 1, e de 15 de abril a 4 de maio, na fábrica 2. 

“Durante a Parada Geral também incorporamos melhorias tecnológicas, revisamos processos, além de garantir que as nossas duas fábricas continuem operando com alto nível de eficiência e responsabilidade ambiental. Isso tudo resulta em uma operação com desempenho produtivo elevado, ao mesmo tempo em que fortalece práticas sustentáveis e gera oportunidades de desenvolvimento para profissionais e empresas da região. Aqui, em nossas operações de Três Lagoas, temos dois desafios adicionais: realizar a manutenção geral de uma fábrica enquanto a outra segue produzindo a nossa celulose, tão presente no dia a dia das pessoas”, completa Eduardo Ferraz.

A Parada Geral é uma manutenção periódica que permite a realização de inspeções detalhadas em equipamentos e sistemas da unidade industrial. Nela, são realizadas vistorias técnicas, manutenções preventivas e corretivas e, quando necessário, substituição de componentes essenciais para o funcionamento seguro da fábrica. O objetivo é preparar a unidade para um novo ciclo de operação, que pode durar entre 15 e 18 meses.

Devido à complexidade da operação, a preparação da Parada Geral começa com meses de antecedência e envolve planejamento detalhado e protocolos rigorosos de segurança. Em Ribas do Rio Pardo, a Parada Geral da fábrica da Suzano ocorreu entre 22 de março e 1º de abril.

Unidade de Três Lagoas

A primeira fábrica da Suzano em Três Lagoas entrou em operação no ano de 2009, com uma capacidade instalada de 1,3 milhão de toneladas de celulose ao ano. Em 2017, foi inaugurada a segunda linha, com capacidade para produzir 1,95 milhão de toneladas de celulose/ano, totalizando 3,25 milhões de celulose produzidas ao ano.

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Bracell inicia terraplanagem de viveiro e avança projeto em Bataguassu

Fonte: Vale da Celulose

A Bracell iniciou a terraplanagem da área onde será implantado o viveiro de mudas em Bataguassu (MS), dando início à fase prática de implantação do projeto florestal no município. A atividade ocorre às margens da BR-267, a cerca de 15 quilômetros da área urbana.

A movimentação de máquinas no local marca o começo das obras e sinaliza o avanço do investimento da empresa na região, considerada estratégica para a expansão do setor de celulose em Mato Grosso do Sul.

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Torre sueca de 51m desafia concreto com estrutura de madeira e fachada solar integrada

Em 2024, o escritório de arquitetura sueco Wingårdhs apresentou o projeto do edifício Fyrtornet, localizado em Malmö, na Suécia, uma torre de aproximadamente 51 metros de altura construída com madeira engenheirada. Segundo publicação do portal ArchDaily, o edifício é descrito como um arranha-céu de madeira que utiliza soluções estruturais baseadas em engenharia avançada para reduzir o impacto ambiental, destacando-se como uma das principais referências recentes em construção sustentável. O projeto também ganhou destaque internacional. De acordo com o site New Atlas, a torre atinge cerca de 51,5 metros de altura e foi construída quase inteiramente com madeira, utilizando elementos como CLT e glulam, com concreto restrito principalmente às fundações, algo incomum mesmo entre edifícios modernos desse tipo.

O ponto mais relevante é que o Fyrtornet reduz drasticamente o uso de concreto estrutural. Diferente da maioria dos edifícios de madeira de médio e grande porte, que ainda dependem de núcleos de concreto para estabilidade, o projeto aposta em uma estrutura praticamente integral em madeira engenheirada, posicionando-se como um dos exemplos mais avançados da chamada construção em madeira de alta performance.

Uso de CLT e madeira laminada permite estrutura sem núcleo de concreto

A estrutura do Fyrtornet é baseada em dois elementos principais: painéis CLT (Cross Laminated Timber) e vigas de madeira laminada colada (glulam). Esses materiais são considerados madeira engenheirada, ou seja, passam por processos industriais que aumentam sua resistência, estabilidade e previsibilidade estrutural.

O CLT é formado por camadas de madeira coladas em direções cruzadas, o que garante resistência tanto à compressão quanto à flexão. Já o glulam consiste em lâminas coladas longitudinalmente, formando vigas capazes de suportar grandes cargas.

Essa combinação permite que o edifício tenha núcleo, escadas e elementos estruturais inteiramente em madeira, dispensando o uso de concreto armado ou aço como elementos centrais de estabilidade — uma característica que diferencia o Fyrtornet da maioria dos prédios de madeira existentes.

Ausência de núcleo de concreto é o principal diferencial técnico do projeto

Em edifícios convencionais, o núcleo estrutural — onde ficam elevadores, escadas e shafts — é quase sempre feito de concreto armado, pois fornece rigidez e estabilidade contra cargas laterais, como vento.

No caso do Fyrtornet, essa função é desempenhada por estruturas em madeira engenheirada, o que representa um avanço técnico relevante dentro da engenharia civil contemporânea.

Segundo as informações divulgadas pelos desenvolvedores, a torre mantém estabilidade estrutural sem recorrer ao concreto no núcleo, o que reduz significativamente a pegada de carbono do edifício, já que o cimento é um dos materiais mais intensivos em emissões de CO₂ no setor da construção.

Fachada com painéis solares integrados amplia eficiência energética do edifício

Outro ponto técnico importante do projeto é a integração de tecnologia energética diretamente na fachada. O Fyrtornet incorpora painéis solares integrados ao vidro, conhecidos como BIPV (Building Integrated Photovoltaics).

Esse sistema permite que o edifício gere parte da própria energia elétrica, reduzindo a dependência da rede e aumentando a eficiência energética ao longo da operação.

A combinação entre estrutura em madeira e geração de energia na própria fachada posiciona o edifício como um modelo de construção de baixo impacto ambiental, alinhado às metas europeias de redução de emissões no setor imobiliário.

Pré-fabricação industrial e transporte por trem reduzem emissões de CO₂

O processo construtivo do Fyrtornet também segue uma lógica industrializada. Grande parte dos componentes estruturais foi pré-fabricada em fábrica, o que permite maior controle de qualidade, redução de desperdícios e diminuição do tempo de obra.

Além disso, os materiais foram transportados por trem até o local da construção, estratégia adotada para reduzir emissões associadas à logística, já que o transporte ferroviário possui menor impacto ambiental em comparação ao transporte rodoviário.

Esse modelo de construção industrializada em madeira é considerado uma das principais tendências globais, especialmente em países europeus que buscam reduzir a pegada de carbono da construção civil.

Madeira engenheirada ganha espaço como alternativa ao concreto e aço

A construção em madeira engenheirada tem crescido rapidamente nas últimas décadas, impulsionada por avanços tecnológicos e pela necessidade de reduzir emissões no setor da construção.

Obras passam a usar madeira engenheirada – CPG

O concreto e o aço, embora altamente eficientes estruturalmente, são responsáveis por uma parcela significativa das emissões globais de carbono. A madeira, por outro lado, atua como um reservatório de carbono, já que armazena CO₂ absorvido durante o crescimento das árvores.

Isso faz com que edifícios em madeira possam apresentar balanço de carbono mais favorável, especialmente quando combinados com manejo florestal sustentável e processos industriais eficientes.

Torre sueca integra movimento global de edifícios em madeira de grande porte

O Fyrtornet não é um caso isolado, mas parte de um movimento global conhecido como mass timber construction, que envolve o uso de madeira engenheirada em edifícios cada vez mais altos.

Países como Noruega, Canadá, Japão e Áustria já possuem edifícios de madeira que ultrapassam dezenas de metros de altura. No entanto, muitos desses projetos ainda utilizam núcleos de concreto para garantir estabilidade.

Vídeo do YouTube

O diferencial do projeto sueco está justamente em eliminar esse elemento, avançando um passo além na substituição de materiais tradicionais.

Projeto reforça estratégia europeia de construção sustentável

A Europa tem liderado iniciativas voltadas à redução de emissões no setor da construção, e a adoção de madeira engenheirada faz parte dessa estratégia.

A União Europeia estabeleceu metas ambiciosas de neutralidade de carbono, e o setor imobiliário é um dos principais focos dessas políticas. Projetos como o Fyrtornet demonstram como inovação tecnológica pode ser aplicada para atingir esses objetivos.

Além disso, o uso de madeira também contribui para o desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas à silvicultura sustentável, ampliando o impacto econômico da transição para materiais de menor emissão.

Segurança estrutural e resistência ao fogo são tratadas com engenharia avançada

Um dos principais questionamentos sobre edifícios de madeira está relacionado à segurança contra incêndios. No caso da madeira engenheirada, essa questão é tratada com soluções específicas.

O CLT e o glulam apresentam comportamento previsível em situações de fogo, formando uma camada carbonizada externa que protege o interior estrutural. Esse fenômeno aumenta o tempo de resistência ao fogo, permitindo evacuação segura e controle da estrutura.

Na Suécia, uma torre de 51 metros foi construída quase inteiramente em madeira, sem núcleo estrutural de concreto e com painéis solares integrados à fachada, usando CLT e vigas laminadas para desafiar o domínio do aço e do concreto nos edifícios modernos
Foto: Reprodução/YT

Normas técnicas internacionais já incorporam esses comportamentos, permitindo que edifícios de madeira atendam aos mesmos requisitos de segurança que estruturas convencionais. O edifício Fyrtornet, na Suécia, demonstra como a construção civil está passando por uma transformação estrutural impulsionada por tecnologia e sustentabilidade.

Com 51 metros de altura, estrutura baseada em CLT e glulam, ausência de núcleo estrutural de concreto e integração de energia solar na fachada, o projeto se posiciona como um dos exemplos mais avançados de construção em madeira no mundo.

Ao combinar engenharia estrutural, eficiência energética e redução de emissões, a torre sueca não apenas desafia o domínio histórico do concreto e do aço, mas também aponta para um novo modelo de construção alinhado às demandas ambientais e tecnológicas do século XXI.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Conflitos, energia, vulnerabilidade estrutural e o papel da biomassa florestal

Por José Otávio Brito, Professor Titular Sênior -ESALQ/USP

CONFLITOS E SEGURANÇA ENERGÉTICA

A segurança energética tornou-se novamente um tema central no cenário global, não como fenômeno isolado, mas como expressão recorrente de fragilidades estruturais associadas ao modelo energético dominante. A crise energética europeia, intensificada a partir de 2022, evidenciou de forma clara a vulnerabilidade decorrente da elevada dependência do gás natural importado, especialmente de origem geopolítica concentrada.

De maneira complementar, os conflitos recentes no Oriente Médio reforçam essa mesma condição no que se refere ao petróleo, principal vetor energético da economia global. A instabilidade na região impacta diretamente rotas críticas de abastecimento, amplificando riscos de descontinuidade no fornecimento e provocando variações expressivas de preços em curtos intervalos de tempo.

Entretanto, tais episódios não constituem eventos isolados. Ao contrário, reproduzem um padrão histórico já observado nas crises energéticas das décadas de 1970 e 1980, quando choques no fornecimento de petróleo provocaram profundas disrupções econômicas globais. Naquele período, a concentração da produção em regiões politicamente sensíveis revelou-se fator crítico de instabilidade, levando países industrializados a adotarem estratégias emergenciais de diversificação energética.

Ainda assim, ao longo das décadas seguintes, a expansão das cadeias globais de energia e a busca por eficiência econômica resultaram na reconstituição de padrões de dependência estrutural, agora ainda mais amplificados pela escala e integração do sistema energético mundial.

Nesse sentido, a atual conjuntura não representa uma ruptura inédita, mas sim a reedição de um ciclo recorrente de vulnerabilidade. A dependência de combustíveis fósseis, concentrados em regiões geopoliticamente instáveis, mantém o sistema energético global permanentemente exposto a choques de oferta e volatilidade de preços. A questão que se impõe, portanto, não é apenas a gestão da crise atual, mas a inevitabilidade de crises futuras: se os fundamentos estruturais permanecem inalterados, a pergunta deixa de ser se haverá uma nova crise energética e passa a ser quando ela ocorrerá.

É nesse contexto que a biomassa florestal assume relevância estratégica. Diferentemente dos combustíveis fósseis, sua produção pode ser territorialmente distribuída, reduzindo a dependência de regiões específicas e aumentando a resiliência dos sistemas energéticos. Assim, mais do que uma alternativa renovável, a biomassa florestal deve ser compreendida como componente estrutural de segurança energética em um mundo caracterizado por instabilidade geopolítica recorrente.

VANTAGENS ESTRUTURAIS DA BIOMASSA FLORESTAL NO SISTEMA ENERGÉTICO

A biomassa florestal apresenta características que a qualificam como fonte energética com atributos estruturais diferenciados. Ao contrário de fontes fósseis, sua produção não está concentrada em regiões geopoliticamente sensíveis, podendo ser territorialmente distribuída e integrada a diferentes contextos produtivos. Adicionalmente, distingue-se de outras fontes renováveis, como a energia eólica e a solar, por não apresentar intermitência operacional, que impactam, sensivelmente, a geração contínua de energia.

Enquanto essas dependem de condições climáticas variáveis, a biomassa permite controle direto sobre o momento de uso da energia, podendo ser estocada, transportada e utilizada conforme a demanda. Essa característica confere previsibilidade e estabilidade ao sistema energético.

Outro aspecto relevante é sua capacidade de integração com sistemas produtivos existentes, especialmente em regiões com forte base agroindustrial e florestal. Essa flexibilidade operacional, associada à possibilidade de produção descentralizada, reduz a necessidade de grandes infraestruturas de transmissão e aumenta a resiliência do sistema energético como um todo.

O MODELO BRASILEIRO COMO RESPOSTA

Se os conflitos recentes evidenciam a vulnerabilidade estrutural dos sistemas energéticos baseados em combustíveis fósseis, o caso brasileiro oferece um contraponto relevante, ao demonstrar, na prática, a viabilidade de um modelo energético parcialmente ancorado em biomassa florestal. Diferentemente de países cuja segurança energética está fortemente condicionada à importação de petróleo e gás, o Brasil consolidou, ao longo das últimas décadas, uma base produtiva que incorpora fontes renováveis de forma estruturada, onde a biomassa de origem florestal tem papel relevante. Esse aspecto é central.

O Brasil possui um exemplo claro da possibilidade de se integrar a biomassa florestal aos processos industriais de alta demanda energética, com requisitos rigorosos de regularidade, padronização e confiabilidade, implicando na existência de uma base florestal planejada, cadeias logísticas estruturadas e sistemas produtivos contínuos. Trata-se da utilização de carvão vegetal na siderurgia. É um caso singular em escala global

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