solo-degradado-1095x730

Brasil recupera 15 milhões de hectares de pastagens degradadas com integração lavoura-pecuária-floresta

Fonte: Click Petróleo e Gás

O Brasil implementou o Plano ABC e recuperou 26,8 milhões de hectares de pastagens degradadas usando integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e restauração de solos que aumentam retenção de água e biodiversidade microbiana.

O Brasil lançou em 2010 o Plano ABC — Agricultura de Baixo Carbono — tornando-se o primeiro grande país emergente a assumir metas explícitas de mitigação de gases de efeito estufa no setor agrícola. A iniciativa surgiu como resposta ao enorme passivo ambiental acumulado pela agropecuária brasileira, especialmente relacionado às áreas de pastagens degradadas. Estima-se que o país possua aproximadamente 100 milhões de hectares de pastagens degradadas, o equivalente a cerca de 57% das pastagens existentes no território nacional. Esse conjunto de áreas representa o maior passivo ambiental do setor agropecuário brasileiro e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades de recuperação produtiva e ambiental da agricultura mundial.

Pastagens degradadas são áreas que perderam a capacidade de sustentar produção adequada de biomassa e de suportar lotação animal eficiente. Esse processo geralmente ocorre devido ao manejo inadequado do solo, sobrepastejo prolongado, ausência de fertilização e falta de rotação produtiva. O resultado é um solo compactado, com erosão ativa, baixa infiltração de água e microbiomas empobrecidos, fatores que reduzem a produtividade e aumentam emissões de carbono.

O Plano ABC foi concebido justamente para reverter esse cenário por meio da adoção de tecnologias agrícolas sustentáveis capazes de restaurar a fertilidade do solo e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Recuperação de pastagens supera metas e alcança 26,8 milhões de hectares restaurados

Entre 2010 e 2018, a implementação das políticas previstas no Plano ABC permitiu recuperar aproximadamente 26,8 milhões de hectares de áreas degradadas, número que ultrapassou em 179% a meta original estabelecida para o período.

A meta inicial previa recuperar 15 milhões de hectares até 2020. O resultado obtido demonstrou a viabilidade da recuperação produtiva de grandes extensões de terra degradada quando combinada com crédito rural direcionado e adoção de tecnologias agrícolas sustentáveis.

O programa concentrou investimentos em sete tecnologias principais:

  • recuperação de pastagens degradadas
  • sistema de plantio direto
  • integração lavoura-pecuária-floresta
  • fixação biológica de nitrogênio
  • florestas plantadas
  • tratamento de dejetos animais
  • adaptação da produção agrícola às mudanças climáticas

A recuperação de pastagens foi responsável por cerca de 51% dos recursos contratados, enquanto o sistema de plantio direto representou aproximadamente 30% dos investimentos.

No total, os financiamentos vinculados ao programa somaram cerca de US$ 5,96 bilhões entre 2013 e 2021, permitindo que tecnologias de agricultura de baixo carbono fossem implementadas em aproximadamente 39 milhões de hectares.

Segundo estimativas do governo brasileiro, essas práticas resultaram em redução potencial de 193,67 milhões de toneladas de CO₂ equivalente entre 2010 e 2020, reforçando o papel do setor agrícola na mitigação das mudanças climáticas.

Integração lavoura-pecuária-floresta expande rapidamente e alcança mais de 17 milhões de hectares

Entre as tecnologias promovidas pelo Plano ABC, uma das mais importantes é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Esse sistema produtivo combina diferentes atividades agrícolas na mesma área por meio de rotação, consórcio ou sucessão de culturas.

A ILPF permite integrar produção agrícola, criação de gado e plantio de árvores, criando sinergias ecológicas e produtivas que aumentam a eficiência do uso da terra.

Entre 2015 e 2020, a área ocupada por sistemas integrados cresceu rapidamente no Brasil. A extensão estimada passou de cerca de 11,5 milhões de hectares para algo entre 15 e 17,4 milhões de hectares em 2020.

Os estados com maior adoção desse modelo incluem Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Existem quatro principais modalidades de integração produtiva:

  • lavoura-pecuária (agropastoril)
  • lavoura-pecuária-floresta (agrossilvopastoril)
  • pecuária-floresta (silvopastoril)
  • lavoura-floresta (silvoagrícola)

Entre 2010 e 2015, cerca de 5,96 milhões de hectares manejados sob ILPF sequestraram aproximadamente 21,8 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, valor comparável à retirada de 4,7 milhões de automóveis das ruas por um ano.

Sistema de plantio direto já cobre mais de 40 milhões de hectares no Brasil

Outra tecnologia central do Plano ABC é o sistema de plantio direto. Nesse modelo agrícola, o solo não é revolvido por arados ou grades, permanecendo protegido por uma camada de resíduos vegetais conhecida como palhada.

Atualmente o sistema cobre mais de 40 milhões de hectares no Brasil, representando mais de 60% da área total destinada à produção de grãos.

A técnica começou a ser desenvolvida no Sul do país nas décadas de 1970 e 1980 como resposta à rápida degradação dos solos agrícolas causada pela mecanização intensiva.

O plantio direto exige rotação de culturas e manutenção constante de cobertura vegetal. No Brasil, gramíneas forrageiras como braquiária tornaram-se fundamentais nesse sistema devido à sua capacidade de produzir grande volume de biomassa.

Essas plantas são usadas tanto como alimento para o gado quanto como cobertura protetora do solo durante o período entre safras.

Recuperação do solo pode aumentar retenção de água em até 2,5 vezes

A restauração de solos degradados tem efeitos diretos na capacidade de retenção de água e na resiliência das lavouras diante de períodos de seca.

Experimentos demonstram que solos enriquecidos com matéria orgânica podem aumentar significativamente sua capacidade de armazenar água. Um estudo clássico mostrou que a incorporação de 7,6 centímetros de composto orgânico a 15 centímetros de profundidade aumentou a retenção de água em 2,5 vezes quando comparada a solos arenosos degradados.

Solos com 4% de matéria orgânica podem reter mais que o dobro de água em comparação a solos com apenas 1%. Isso ocorre porque a matéria orgânica possui partículas carregadas que atraem moléculas de água por forças eletrostáticas.

Em média, cada aumento de 1% no teor de matéria orgânica pode permitir que o solo armazene até 20 mil galões adicionais de água por acre. Esse efeito reduz o escoamento superficial, diminui erosão, melhora infiltração e aumenta a recarga hídrica dos sistemas agrícolas.

Microbioma do solo restaurado pode abrigar até 10 mil espécies por grama

A recuperação do solo também restaura um dos ecossistemas mais complexos do planeta: o microbioma do solo. Um solo saudável pode conter até 10 bilhões de células microbianas e cerca de 10 mil espécies diferentes em apenas um grama de terra. Essa diversidade é essencial para manter os ciclos biogeoquímicos que sustentam a fertilidade do solo.

Os microrganismos realizam funções fundamentais, incluindo:

  • reciclagem de nutrientes
  • fixação biológica de nitrogênio
  • produção de fitohormônios
  • decomposição de matéria orgânica
  • supressão de doenças
  • aumento da resistência das plantas ao estresse hídrico

Estudos conduzidos na Amazônia indicam que o desmatamento pode reduzir mais de 60% da diversidade microbiana do solo, comprometendo a saúde do ecossistema agrícola.

Recuperação de pastagens pode evitar expansão da fronteira agrícola

A recuperação de áreas degradadas também pode reduzir a necessidade de expansão agrícola sobre áreas naturais.

Estimativas indicam que recuperar 12 milhões de hectares de pastagens degradadas poderia gerar produção adicional equivalente a 17,7 milhões de bovinos, sem necessidade de abertura de novas áreas.

Além disso, apenas cerca de 1% dos municípios brasileiros concentra aproximadamente 25% das pastagens degradadas, o que facilita o direcionamento de políticas públicas, assistência técnica e crédito rural.

Plano ABC+ amplia metas e busca restaurar mais de 70 milhões de hectares até 2030

Em 2021 o governo brasileiro lançou uma nova fase do programa, denominada Plano ABC+. O objetivo é expandir significativamente as metas de recuperação ambiental e intensificação produtiva sustentável.

Entre as metas estabelecidas até 2030 estão:

  • recuperação de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas
  • implementação de 10 milhões de hectares de sistemas integrados
  • expansão do plantio direto em mais 12,58 milhões de hectares
  • ampliação de florestas plantadas em 4 milhões de hectares
  • adoção de bioinsumos em 13 milhões de hectares
  • implantação de sistemas irrigados em 3 milhões de hectares

No total, o plano busca atingir 72,68 milhões de hectares com tecnologias de agricultura de baixo carbono até 2030.

Agricultura de baixo carbono brasileira torna-se referência internacional

O modelo brasileiro de agricultura de baixo carbono tem atraído atenção internacional. O país aderiu em 2016 à Iniciativa 20×20, comprometendo-se a restaurar 22 milhões de hectares de terras degradadas até 2030.

Parte desse compromisso será cumprida por meio do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê restaurar 12 milhões de hectares com reflorestamento e regeneração natural. Os 10 milhões de hectares restantes devem ser recuperados por meio das tecnologias agrícolas do Plano ABC, incluindo sistemas integrados e recuperação de pastagens.

O financiamento dessas iniciativas envolve recursos públicos, bancos nacionais, instituições multilaterais e fundos internacionais voltados para conservação ambiental.

Intensificação sustentável mostra que é possível produzir mais sem desmatamento

A experiência brasileira demonstra que é possível aumentar a produção agropecuária sem expandir a área agrícola. Entre 2000 e 2013, a produtividade agrícola do país cresceu 105,6%, impulsionada por inovação tecnológica e melhoria de práticas agrícolas.

No mesmo período, a produtividade da pecuária aumentou 172%, enquanto a área total de pastagens diminuiu cerca de 16%.

Esses resultados indicam que tecnologias como ILPF, plantio direto e recuperação de pastagens degradadas podem permitir que o Brasil continue expandindo sua produção agrícola sem ampliar significativamente a pressão sobre ecossistemas naturais.

A recuperação de solos degradados transforma um dos maiores passivos ambientais da agropecuária brasileira em uma das principais oportunidades climáticas do setor agrícola mundial.

3gktrigjcds04 (Pequeno)

MS Florestal abre novo ciclo de contratações para trainees

Além de entrevistas a empresa fará uma exposição de maquinários na praça do município de 11 a 13 de março.

A MS Florestal, empresa sul-mato-grossense do Grupo RGE, anuncia a abertura de um novo ciclo de contratações voltado para a formação de profissionais no município de Água Clara. As vagas são para Operador Trainee e Mecânico e o programa é direcionado a candidatos que possam residir em Água Clara. 

Como parte das ações de mobilização, a empresa promoverá uma exposição presencial de máquinas Harvester nos dias 11, 12 e 13 de março na praça do município, facilitando o acesso da comunidade às informações e aproximando a comunidade à realidade da silvicultura.

Para participar do processo seletivo, os interessados devem possuir ensino fundamental completo, CNH categoria B (podendo ser a provisória) e disponibilidade para trabalhar em turnos, escalas e viagens. Para as vagas de mecânico, são valorizadas noções básicas em manutenção diesel, máquinas pesadas ou curso técnico na área, enquanto para a operação, é desejável, mas não obrigatório, experiência prévia com máquinas como tratores de pneus ou esteiras.

Os candidatos aprovados serão contratados como Trainee pela MS Florestal e deverão ter disponibilidade integral para participar do programa de capacitação.

Com um quadro superior a 2,3 mil colaboradores diretos no estado, a MS Florestal oferece um dos pacotes de benefícios mais competitivos do setor, incluindo planos médico e odontológico, auxílio farmácia, seguro de vida, cartão alimentação, refeição no local, participação nos lucros (PLR) e suporte ao bem-estar via programas como o Wellhub e o Levemente.

Auxiliar de Serviços Gerais em Viveiro – Além das oportunidades de formação técnica, a MS Florestal está com um processo seletivo aberto para o cargo de Auxiliar de Serviços Gerais no viveiro, também em Água Clara. Para essa vaga, os interessados devem comparecer para entrevistas presenciais no dia 10 de março de 2026, das 08h às 11h, no escritório da empresa localizado na Rua Gabriel Ferreira Domingues, 355.

Para as vagas de Operador Trainee e Mecânico, cadastrar currículo no link: http://forms.gle/a2i1b15aHsU7f6cUA

Para a vaga de Auxiliar de Serviços Gerais no viveiro, enviar currículo no WhatsApp: (67) 99963-5230

Projeto

Gigante de 300 toneladas chega ao canteiro e marca avanço decisivo do Projeto Sucuriú em Inocência

Equipamento de 300 toneladas, considerado o coração da fábrica de celulose, chega ao canteiro do Projeto Sucuriú após quase três meses de complexa operação logística entre China e Mato Grosso do Sul.


A peça, fabricada na China, percorreu aproximadamente 45 dias de transporte marítimo até o Brasil e mais 48 dias de deslocamento rodoviário até o interior sul-mato-grossense

Por: Notícias do Cerrado

A implantação da futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú, em Inocência, no Mato Grosso do Sul, alcançou neste fim de semana um de seus marcos técnicos mais relevantes. Após uma complexa operação logística internacional, chegou ao canteiro de obras o balão da Caldeira de Recuperação Química, componente considerado estratégico para o funcionamento da planta industrial.

A peça, fabricada na China, percorreu aproximadamente 45 dias de transporte marítimo até o Brasil e mais 48 dias de deslocamento rodoviário até o interior sul-mato-grossense, em uma operação considerada uma das mais desafiadoras da fase de implantação do empreendimento.

Com 32 metros de comprimento, 2,6 metros de diâmetro e cerca de 300 toneladas, o equipamento é o componente mais pesado da futura caldeira e exigiu uma logística especial para seu transporte terrestre. A operação mobilizou uma carreta de grande porte equipada com 28 linhas de eixo, além de três cavalos mecânicos de tração, responsáveis por garantir estabilidade e segurança durante todo o trajeto.

O deslocamento foi acompanhado por equipes técnicas especializadas e contou com coordenação integrada entre autoridades de trânsito, concessionárias de rodovias e equipes de engenharia, garantindo precisão operacional em cada etapa da jornada até o canteiro de obras em Inocência.

O “coração” de uma fábrica de celulose

Mais do que um desafio logístico, a chegada do equipamento representa um marco técnico crítico na construção da unidade industrial. A Caldeira de Recuperação Química é considerada o coração de uma fábrica de celulose, responsável por recuperar produtos químicos utilizados no processo produtivo, gerar vapor para as operações industriais e contribuir diretamente para a autossuficiência energética da planta.

Esse sistema é fundamental para a eficiência e sustentabilidade do processo de produção de celulose, permitindo que grande parte da energia necessária para o funcionamento da fábrica seja gerada dentro da própria unidade industrial.

Marco semelhante ao vivido por Ribas do Rio Pardo

A chegada de grandes equipamentos industriais costuma representar momentos simbólicos na implantação de fábricas de celulose. Situação semelhante foi registrada durante a construção da planta da Suzano em Ribas do Rio Pardo, quando a movimentação de estruturas gigantes mobilizou a logística regional e chamou atenção pela magnitude das operações.

No caso do Projeto Sucuriú, a chegada do balão da caldeira sinaliza que o empreendimento avança para uma fase cada vez mais intensa da montagem industrial.

Engenharia e logística integradas

Segundo equipes técnicas envolvidas na operação, o sucesso da movimentação foi resultado de um planejamento detalhado e da atuação integrada das áreas de engenharia, suprimentos, logística e construção, além da parceria com a Valmet, empresa responsável por tecnologias industriais no setor de celulose.

Cada etapa da operação foi conduzida com rigor técnico e protocolos rigorosos de segurança, considerados indispensáveis em operações que envolvem cargas superdimensionadas e de alto valor estratégico.

A chegada do equipamento reforça o ritmo de avanço do Projeto Sucuriú, que deve consolidar Inocência como um novo polo da indústria de celulose no Brasil, repetindo no leste de Mato Grosso do Sul um movimento de desenvolvimento industrial semelhante ao observado recentemente em Ribas do Rio Pardo.

da493bce-34ce-4085-b0f7-8958c491effc-e1773063698798

Suzano atinge recorde com mais de 5,8 mi de toneladas de celulose embarcadas

Volume movimentado nos terminais da empresa corresponde a 58,8% de toda a celulose exportada via Porto.

A Suzano, maior produtora mundial de celulose, quebrou novo recorde histórico ao alcançar a marca de 5,8 milhões de toneladas de celulose embarcadas em seus terminais no Porto de Santos em 2025, um aumento de 41% em comparação a 2024 (4,1 milhões de toneladas).

O número colabora diretamente para os resultados do setor no mercado externo: a exportação de celulose fechou 2025 com alta de 21%, totalizando 9,9 milhões de toneladas. Deste total, 58,8% foram de celulose da Suzano, de acordo com dados do Porto de Santos.

“Esses recordes consecutivos são frutos de uma busca constante para melhorar a nossa eficiência operacional, investimentos robustos na modernização e ampliação dos nossos terminais portuários, aliados à determinação e comprometimento da nossa equipe. Na Suzano, temos um direcionador que diz que ‘só é bom para nós se for bom para o mundo’ e, ao ampliarmos a nossa capacidade logística, estamos contribuindo para o fortalecimento da economia nacional e, principalmente, para a geração de trabalho e renda em todas as regiões em que mantemos operações”, destaca Renan Volpatto, gerente executivo de Logística da Suzano.

Os terminais T32 e DPW – este último operado pela empresa DP World –, no Porto de Santos, são responsáveis pelo escoamento da produção das três fábricas da companhia em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo (MS), que somam uma capacidade produtiva de 5,8 milhões de toneladas de celulose/ano, e de Jacareí (SP), com capacidade para produzir 1,1 milhão de toneladas ao ano.

Além disso, o último recorde registrado pela empresa ocorreu em dezembro de 2025, quando a Suzano alcançou o volume de 481 mil toneladas de celulose embarcadas em um único mês.

Dessa maneira, esse desempenho representa um crescimento de 2,6% em relação ao recorde anterior, registrado em maio do mesmo ano, quando foram embarcadas 469 mil toneladas de celulose.

Investimentos nos terminais

Portanto, para dar vazão ao alto volume de produção, os dois terminais passaram por obras de obras para ampliação e modernização.

Dessa forma, as obras integraram um amplo pacote de investimentos em logística da empresa, o que possibilitou o aumento da capacidade média de movimentação de carga anual do complexo portuário em 43,48%, passando de 4,6 milhões de toneladas para 6,6 milhões de toneladas anuais de celulose. E incrementou também a capacidade estática em cerca de 42%, saltando de 162 mil toneladas para 230 mil toneladas aproximadamente.

Além dos terminais portuários, os investimentos também englobaram ampliação e melhorias no modal ferroviário, responsável pelo transporte de toda a produção das fábricas da Suzano para os terminais em Santos. “Com os investimentos nos terminais portuários e modal ferroviário, reforçamos nosso compromisso com soluções logísticas mais sustentáveis e eficientes. O uso da ferrovia representa a nossa estratégia de otimizar o escoamento e reduzir as emissões de gases, contribuindo diretamente para o meio ambiente e para combater as mudanças climáticas”, conclui Renan.

Sobre a Suzano

A Suzano é a maior produtora mundial de celulose, uma das maiores fabricantes de papéis da América Latina e líder no segmento de papel higiênico no Brasil. A companhia adota as melhores práticas de inovação e sustentabilidade para desenvolver produtos e soluções a partir de matéria-prima renovável.

Desse modo, os produtos da Suzano estão presentes na vida de mais de 2 bilhões de pessoas, cerca de 25% da população mundial, e incluem celulose; itens para higiene pessoal como papel higiênico e guardanapos; papéis para embalagens, copos e canudos; papéis para imprimir e escrever, entre outros produtos desenvolvidos para atender à crescente necessidade do planeta por itens mais sustentáveis.

Entre suas marcas no Brasil estão Neve®, Pólen®, Suzano Report®, Mimmo®, entre outras. Com sede no Brasil e operações na América Latina, América do Norte, Europa e Ásia, a empresa tem mais de 100 anos de história e ações negociadas nas bolsas do Brasil (SUZB3) e dos Estados Unidos (SUZ). Saiba mais em: suzano.com.br.

d0cd2f5e4b4ffd2c1eb9cf5a8a991d25-capitalnews-com-br

Obras da maior fábrica de celulose da Arauco avançam em Mato Grosso do Sul

Projeto de R$ 25 bilhões deve começar a operar em 2027 e prevê milhares de empregos durante a fase de construção.

As obras da maior fábrica de celulose do grupo Arauco avançam em ritmo acelerado no município de Inocência, no interior de Mato Grosso do Sul. O empreendimento representa um dos maiores investimentos privados já realizados no Estado.

Com aporte estimado em R$ 25 bilhões, o projeto deve iniciar as operações em setembro de 2027. Durante a fase de construção, a previsão é de geração de aproximadamente 14 mil empregos, entre vagas diretas e indiretas.

A instalação da nova unidade de celulose deve impulsionar o desenvolvimento econômico da região, fortalecendo cadeias produtivas, ampliando oportunidades de trabalho e atraindo novos investimentos para o Estado.


e5f65ca1-65c16f1d8ed4bf46d15fe8d2_suzano7-708x416

O Efeito Suzano: Megaoperação em Ribas cria “boom” econômico que vai de Três Lagoas ao Noroeste Paulista

Com mais de 3.300 trabalhadores mobilizados para o final de março, Parada Geral da fábrica lota rede hoteleira no MS e aquece mercado de prestadores de serviço até na divisa com São Paulo.

A contagem regressiva para a Parada Geral (PG) da unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), com pico de atividades previsto para o final deste mês de março, já altera a rotina em um raio de centenas de quilômetros. Se o foco técnico está na manutenção da maior linha única de celulose do mundo, o fenômeno que se desenrola nos bastidores revela uma característica fascinante e pouco contada: a “microeconomia invisível” que sustenta a grande indústria.

Não se trata apenas de engenheiros e maquinário pesado. A chegada de milhares de profissionais extras engatilha um impacto econômico imediato e descentralizado. Com a rede hoteleira de Ribas do Rio Pardo atingindo sua capacidade máxima rapidamente, ocorre um transbordamento logístico natural para Três Lagoas. A cidade vizinha assume o papel de hub estratégico, absorvendo a demanda por alojamentos, locação de frotas e servindo como base operacional para dezenas de empresas terceirizadas.

Esse impacto financeiro, no entanto, não respeita fronteiras estaduais e cruza a ponte sobre o Rio Paraná. Prestadores de serviços industriais, fornecedores de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), empresas de transporte e técnicos especializados do Noroeste Paulista — especialmente no eixo logístico que liga Andradina a Araçatuba — também entram no radar de contratações, suprindo a gigantesca demanda exigida pela operação.

Os números que não aparecem nos balanços

O reflexo mais dinâmico dessa movimentação acontece na base do comércio. Lavanderias industriais e comerciais da região precisam multiplicar seus turnos para dar conta da higienização diária de milhares de uniformes. Padarias, mercados e restaurantes adaptam suas estruturas para o fornecimento de marmitas e “kits lanche” em escala industrial. Até mesmo borracharias, autoelétricas e oficinas ao longo das rodovias de acesso registram um pico de faturamento com a circulação constante das frotas de serviço.

A Parada Geral tem como objetivo primário garantir a segurança, a sustentabilidade e a excelência operacional da fábrica por meio de manutenções preventivas e adoção de novas tecnologias. Porém, na prática das ruas, ela atua como uma espécie de injeção de capital direto na veia do comércio varejista.

Com o cronograma se afunilando para os próximos dias, a forte integração entre Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e as cidades vizinhas paulistas comprova que o verdadeiro motor do “Vale da Celulose” é, também, a rede de pequenos e médios empreendedores que garante que a engrenagem gigante não pare de girar.

Informações: Andra Virtual

436cefed093ee84cc1a7ac030085ea79-capitalnews-com-br

Eldorado Brasil recebe Selo Agro Mais Integridade pela segunda vez

Reconhecimento do Ministério da Agricultura destaca boas práticas de ética, sustentabilidade e responsabilidade no agronegócio.

A Eldorado Brasil Celulose foi premiada pela segunda vez com o Selo Agro Mais Integridade, concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em reconhecimento às boas práticas de integridade e ética adotadas pela empresa. A cerimônia de entrega ocorreu nesta quinta-feira (5), na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília, reunindo 52 empresas do setor agropecuário.

A iniciativa do Mapa reconhece empresas, associações e cooperativas do agronegócio brasileiro que se destacam pela adoção de práticas de ética e integridade nas áreas de combate à corrupção, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental.  

De acordo com André Tourinho, o reconhecimento reforça o compromisso da companhia com a transparência e a ética em seus processos. “A premiação pela segunda vez reforça que a Eldorado está alinhada aos valores que orientam a companhia e que também sustentam os altos padrões do agro brasileiro. É um reconhecimento importante ao trabalho que desenvolvemos com responsabilidade e compromisso”, pontua.

O Selo Agro Mais Integridade é coordenado pelo Mapa, por meio da Assessoria Especial de Controle Interno, em parceria com instituições como a Controladoria-Geral da União (CGU), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Também integram o Comitê Gestor da iniciativa a Alliance for Integrity e o Pacto Global – Rede Brasil da Organização das Nações Unidas (ONU), fortalecendo a articulação entre setor público e privado para incentivar práticas responsáveis no agronegócio brasileiro.


d082e6721841777a6c77e270484e2bb6

Governo federal deve destinar R$ 24 milhões para combate a incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul

Com previsão de estiagem severa, recursos do governo federal vão reforçar estrutura do Corpo de Bombeiros para prevenção e combate ao fogo no bioma.

A falta de chuva e a estiagem prolongada têm causado preocupação e alerta devido ao tempo seco, que pode aumentar o número de casos de incêndios no Pantanal sul-mato-grossense.

Diante desse cenário, o governo federal deve destinar, nas próximas semanas, R$ 24 milhões para a compra de equipamentos, como mochilas de combate a incêndio, sopradores, caminhões ABTF (Auto Bomba Tanque Florestal), além de EPIs (equipamentos de proteção individual) e GPS de mão, que irão reforçar a atuação das equipes em campo.

Os recursos fazem parte do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais para 2026 e serão destinados ao Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, fortalecendo a estrutura de resposta e prevenção durante o período de estiagem.

Paralelamente, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul vem se preparando para a Operação Pantanal 2026, com a vistoria e reparos de equipamentos, além da incorporação de novos itens que serão utilizados durante a operação. Entre as tecnologias em teste estão drones com sensores de calor, que auxiliam na identificação de focos de incêndio, além da realização de treinamentos específicos para as equipes.

De acordo com o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, a manutenção dos equipamentos é parte fundamental do planejamento da operação.

“Nesse momento de pré-temporada, nós fazemos a preparação, com foco no treinamento e na capacitação dos militares, além da readequação dos materiais para mais uma operação. Tudo isso visando estar sempre prontos quando for necessário”, afirmou.

1773064476_98590

Segurança no transporte de celulose e madeira avança com treinamento de motoristas em MS

Informações: Hoje Mais / Vale da Celulose

Empresas do setor florestal investem em capacitação contínua, tecnologia e valorização de mulheres no transporte rodoviário.

O transporte de madeira e celulose em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos da indústria florestal do país, vem sendo fortalecido por investimentos contínuos em segurança e capacitação profissional.

Empresas de transporte e logística que atuam na cadeia produtiva do setor têm adotado programas permanentes de treinamento para motoristas e equipes de apoio, com foco na redução de riscos e na condução responsável nas rodovias do estado.

As ações fazem parte de uma estratégia que une qualificação técnica, tecnologia de monitoramento e boas práticas operacionais para garantir mais segurança tanto para os profissionais do transporte quanto para os demais usuários das estradas.

Treinamento constante fortalece cultura de segurança

A formação de motoristas profissionais é uma das principais ferramentas para garantir a segurança no transporte de cargas florestais. Programas de capacitação realizados por empresas e instituições especializadas incluem cursos teóricos e práticos voltados à condução de veículos de grande porte, como bitrens e tritrens utilizados no transporte de madeira e celulose.

Os treinamentos abordam temas como direção defensiva, legislação de trânsito, condução segura em rodovias, gestão de risco e comportamento preventivo no trânsito. A reciclagem periódica permite atualizar os profissionais sobre novas tecnologias, procedimentos operacionais e normas de segurança.

Além da formação inicial, motoristas e equipes passam por avaliações constantes e programas de aperfeiçoamento que reforçam a responsabilidade e o cuidado no dia a dia das operações logísticas.

Prevenção ao sono ao volante e cuidado com a saúde do motorista

Outro ponto importante nos programas de segurança é a conscientização sobre os riscos da fadiga ao volante. A condução de veículos pesados exige atenção permanente, e o cansaço pode comprometer reflexos e capacidade de reação.

Por isso, empresas do setor reforçam orientações sobre descanso adequado, pausas durante as viagens, hidratação e planejamento da jornada de trabalho. A qualidade do sono e o equilíbrio físico e mental dos motoristas são fatores fundamentais para manter a segurança nas estradas.

Procedimentos operacionais reduzem riscos nas rodovias

Além da capacitação profissional, o transporte florestal segue protocolos operacionais rigorosos que ajudam a garantir a segurança das cargas e das viagens.

Entre as principais práticas adotadas pelas empresas estão:

• verificação da trava e amarração das toras de madeira antes do início do transporte
• inspeção técnica dos veículos antes das viagens
• controle de velocidade operacional nas rodovias
• manutenção preventiva periódica dos caminhões
• distanciamento seguro entre caminhões durante o deslocamento
• monitoramento das rotas por sistemas de rastreamento
• comunicação constante entre motoristas e equipes de apoio

Essas medidas ajudam a prevenir acidentes e garantem maior estabilidade das cargas durante o transporte entre áreas florestais, centros logísticos e unidades industriais.

Presença feminina cresce no transporte florestal

Outro movimento importante observado no setor é o aumento da participação feminina nas operações de transporte. Cada vez mais mulheres têm assumido funções como motoristas de caminhões de grande porte, condutoras de ônibus corporativos e profissionais de apoio logístico nas empresas do setor florestal.

A presença feminina no transporte de madeira e celulose representa um avanço importante na inclusão e na diversidade dentro de um segmento historicamente dominado por homens.

Além de conduzirem caminhões que transportam madeira e celulose, muitas profissionais também atuam no transporte de trabalhadores do setor florestal, contribuindo diretamente para o funcionamento das operações e reforçando a cultura de segurança nas estradas.

Programas de formação e capacitação também têm incentivado a entrada de mulheres na profissão, ampliando oportunidades e fortalecendo a qualificação da mão de obra no transporte rodoviário.

Segurança que protege trabalhadores e comunidades

Com o crescimento da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, o fluxo de caminhões nas rodovias que conectam áreas de plantio, centros logísticos e fábricas também aumentou. Nesse cenário, o investimento em segurança viária tornou-se uma prioridade para empresas e transportadoras.

Treinamento constante, tecnologia de monitoramento, manutenção dos veículos e valorização dos profissionais do transporte são fatores que contribuem para tornar as estradas mais seguras.

Mais do que transportar cargas, motoristas e equipes de apoio desempenham um papel fundamental na construção de uma logística responsável, que busca eficiência sem abrir mão da segurança nas rodovias do estado.


Opera Instantâneo_2026-03-09_165851_g1.globo.com

Do preconceito à valorização: mulheres encontram novas oportunidades no setor florestal de MS

Informações: G1

Cargos antes ocupados exclusivamente por homens passam a ter mulheres como protagonistas, principalmente, na produção de eucalipto.

O dia 8 de março marca a luta das mulheres na busca por conquistas sociais, políticas e trabalhistas. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, e também traz na pauta debates como igualdade de gênero, combate ao machismo e à violência.

Nas questões trabalhistas, por exemplo, as mulheres passaram a ganhar espaços em contextos profissionais antes dominados homens. Em Mato Grosso do Sul, um dos setores que registram esse novo cenário é o florestal. Do preconceito à valorização, são muitas as histórias de conquistas profissionais de mulheres no setor.

Joérica Travasso de Moreira é um desses exemplos. Ela se mudou de Laranjal do Jari, no Amapá, para Água Clara e conquistou vaga para atuar na colheita, na MS Florestal, empresa voltada à produção de madeira de eucalipto destinada à fabricação de celulose.

“Me mudei para Água Clara em busca de uma oportunidade. Na minha região, além da falta de vagas, sofri bastante preconceito por ser negra e pela minha orientação sexual. Aqui na MS Florestal, me sinto acolhida e valorizada por todos. Estou muito feliz e todos deveriam valorizar essa oportunidade com todas as forças”, comenta Joérica.

Na ASJ Florestal, em Nova Andradina, 25% dos 130 funcionários são mulheres. No viveiro da empresa, localizado no distrito de Nova Casa Verde, elas representam 90% da equipe. A engenheira florestal Bárbara de Souza Marques, que também atua na área de segurança do trabalho, conhece de perto os desafios.

“Creio que a maior dificuldade seja ainda o setor ser considerado um ambiente predominantemente masculino. Em cargos técnicos, a gente já ocupa uma boa parte, mas ainda vemos essa dificuldade de acessar esses cargos da alta gestão”.

Rayane Aparecida Silva Menezes, 28 anos, engenheira florestal e pesquisadora de desenvolvimento de produto da ArborGen, trabalha com melhoramento genético do eucalipto.

“Em alguns momentos, ser a única mulher exigiu uma fala mais firme (…). Ainda assim, posso afirmar com convicção que nós, mulheres, também temos capacidade técnica e física para atuar nessa área”.

Estatísticas

Mato Grosso do Sul registrou aumento na contratação de trabalhadores da agropecuária em 2025. O cultivo de eucalipto respondeu por 55% dessas vagas, metade de todos os empregos formais do setor no estado. Grande parte dessas contratações é formada por mulheres de diferentes regiões do país, que buscam estabilidade, independência e valorização profissional.

O avanço também é impulsionado pelo peso econômico da atividade. No beneficiamento de eucalipto, Mato Grosso do Sul liderou as exportações brasileiras em 2025.

Segundo a plataforma Comex Stat, o estado embarcou 6,8 milhões de toneladas — 33,8% do total nacional. O volume é mais que o dobro do registrado por São Paulo, segundo colocado, com 3,4 milhões de toneladas. Enquanto o Brasil cresceu 11,4% no setor, Mato Grosso do Sul teve alta de 48,7% em relação ao ano anterior.


03-0725-0012-celulose-exportacoes

Celulose puxa exportações e contribui para superávit de R$ 903 milhões na balança comercial de MS

Em números, as exportações do Estado nos dois primeiros meses de 2026 somaram US$ 1,43 bilhão e as importações, US$ 530,57.

Mato Grosso do Sul manteve um lucro positivo na balança comercial do Estado de US$ 902,38 milhões no acumulado até o mês de fevereiro deste ano.

O superávit foi puxado pelas exportações no período que somaram US$ 1,43 bilhão, puxado pela celulose (32,31% da pauta exportadora), pela carne bovina fresca (22,2%) e pela soja (13,79%), produtos que lideraram as vendas externas sul-mato-grossenses. 

Ao todo, a quantidade de produtos exportados pelo Estado chegou a 3,86 milhões de toneladas, valor 14,26% maior que o registrado em fevereiro de 2025. 

Os dados foram divulgados pela Carta de Conjuntura do Setor Externo do mês de fevereiro, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). 

O principal destino dos produtos estaduais continuou sendo a China, responsável por 37,76% das exportações. Em seguida, aparecem os Estados Unidos, com 10,16% e os Países Baixos, com 4,4%. 

O principal porto de exportação foi o Porto de Santos, responsável por 42,75% do total exportado pelo Estado. Outros portos importantes incluem o Paranaguá (36,30%), São Francisco do Sul (7,13%) e IRF Imbituba (2,52%). 

A indústria de transformação apresentou uma variação positiva de 3,12% no preço exportado e 6,27% do volume das exportações. O setor agropecuário também apresentou incremento no preço (9,62%) e nas quantidades exportadas (17,4%). 

A Indústria Extrativa foi o único setor com desempenho negativo, com preço em retraçaõ de 49,05%. Porém, a quantidade exportada registrou aumento de 24,68%. 

Três Lagoas foi o maior município exportador, sendo responsável por 21,63% das exportações, seguido por Ribas do Rio Pardo (14,85%), Dourados (9,22%) e Campo Grande (8,99%). 

Segundo a pasta, “Mato Grosso do Sul tem exibido um sólido desempenho nas exportações, impulsionado por commodities e produtos agrícolas. O constante superávit comercial destaca a capacidade econômica do Estado”. 

Importação

Quanto aos produtos comprados pelo Estado, o acumulado em fevereiro de 2026 foi igual a US$ 530,57 milhões, um aumento de 35,36% em relação aos dois primeiros meses do ano passado, quando registrou US$ 391,94 milhões.

Segundo a Semadesc, esse movimento está associado principalmente à aquisição de bens de capital e equipamentos industriais.

Quanto às quantidades, em 2026 já foram importadas 699,31 toneladas de produtos, valor 3,99% inferior à do mesmo período em 2025. 

Pela segunda vez na série histórica, o gás natural deixou de ser o principal produto importado, dando lugar às “caldeiras de geradores de vapor”, responsáveis por 23,72% das importações. Em seguida, aparece o gás natural (23,62%) e o cobre (7,5%). 

Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o desempenho da balança comercial com valor excedente de mais de US$ 900 milhões demonstra a capacidade produtiva do Estado e a dinâmica de investimentos na economia estadual. 

“Mato Grosso do Sul mantém crescimento no volume exportado e amplia investimentos industriais, evidenciados pelo aumento das importações de bens de capital. Esse movimento demonstra a expansão das cadeias produtivas e a consolidação do Estado como um dos principais polos agroindustriais do país”, afirmou. 

mogno (5)

Império do Mogno Africano começa a desmoronar mas isso não significa fracasso

Por Milton Dino Frank Junior

Promessas de rendimentos milionários e “aposentadoria verde” enfrentam o choque de realidade de investidores que subestimaram o manejo, o tempo e os riscos biológicos.

O Mogno Africano (gênero Khaya) foi vendido por anos como o investimento perfeito: resistente, valioso e com retornos que poderiam ultrapassar R$ 1,0 milhão por hectare ao final do ciclo. No entanto, o “ouro verde” está se tornando um pesadelo para quem entrou no negócio com mentalidade especulativa de curto prazo.

A armadilha: 

Muitos investidores foram atraídos por promessas de lucros exorbitantes sem o devido alerta sobre a complexidade do manejo mesmo porque a maioria deles não tinham tradição florestal, e isso os levou a eles acreditarem no erro do “plantar e esquecer”, que passava a ideia de que a floresta cresceria sozinha, garantindo a aposentadoria, só que quando a parte de execução entrou em ação muitos investidores abandonaram suas áreas que hoje valem pouco ou nada, a não ser o valor da terra.

O Mito do Lucro Antecipado: A Frustração dos Primeiros Cortes

“Um dos pilares das planilhas de investimento do Mogno Africano era a promessa de que os desbastes iniciais (entre 7 e 10 anos) pagariam os custos de implantação da floresta. A realidade, contudo, revelou-se um ‘balde de água fria’. Relatos de produtores que buscaram o mercado recentemente indicam que a madeira jovem — composta quase inteiramente por alburno (madeira clara e macia), sem cerne formado e com baixa estabilidade dimensional — tem valor comercial irrisório.

Em vez dos preços de madeira nobre prometidos, muitos desses produtores receberam ofertas comparáveis às de madeiras para caixotaria ou escoras de construção civil. ‘O mercado não compra potencial, compra realidade tecnológica’. Sem cerne, a madeira de 8 anos não atende à indústria de móveis de luxo, restando apenas o mercado de biomassa (lenha) ou usos rústicos, onde o valor pago sequer cobre os custos de derrubada e transporte.”

Casos de abandonos e desistencias

Como faço um registro de áreas plantadas de mogno africano espalhadas pelo Brasil, tenho conhecimento que 18 produtores abandonaram suas áreas, 22 cortaram a madeira aproveitaram o que deu para lenha e partiu para outra cultura, e 9 produtores desejam vender suas terras que já estão com idade acima de 10 anos de plantio.

Como estou enxergando esta realidade?

Como relatei 49 casos que eu conheço, vou tentar explicá-los sobre a ótica de quem viveu misturado com minha opinião pessoal.

  • O Abandono (18 produtores): Este é o nível máximo de negligência. Representa quem entrou no negócio como se fosse uma “criptomoeda verde”. Ao perceberem que o Mogno exige manutenção anual (combate a formigas, aceiros, podas e desbaste) e que o retorno não é imediato, preferiram o prejuízo total à continuidade do custo operacional dos primeiros anos.
  • A Capitulação Radicial (22 produtores): O fato de cortarem árvores de alto valor potencial para vender como lenha é o maior atestado de erro de planejamento e falta de caixa para tocar o projeto. Transformar madeira nobre em biomassa é um “suicídio financeiro” que indica que o produtor não tem mais fôlego para esperar o ciclo de 20-24 anos ou que a floresta foi tão mal manejada que não atingiu diâmetro para serraria.
  • A Saída Estratégica / Desespero (9 produtores): As áreas com mais de 10 anos são o “filé mignon” do investimento, mas o desejo de venda agora sugere que o proprietário atingiu o limite da sua paciência ou capacidade de investimento justo na reta final. Para o mercado, isso cria uma oportunidade para investidores profissionais comprarem ativos biológicos com desconto.

O que podemos prever para o futuro de quem continua no Projeto?

Para quem permanece no projeto com uma visão profissional, o futuro reserva uma consolidação de mercado onde a escassez de madeira de qualidade será o maior trunfo do produtor.

Está Ocorrendo uma Seleção Natural de Produtores

É nítido a saída dos “aventureiros” e isso diminui a oferta futura de madeira de baixa qualidade (lenha), valorizando quem aplicou o manejo correto no futuro. Com isso também haverá menos concorrência amadora significa e maior poder de barganha para quem tiver madeira com diâmetro e fuste (tronco) de padrão internacional.

Haverá uma Valorização Pelo Ciclo Biológico

Entre o 20º e 24º ano, o ativo atinge sua maturação biológica e comercial máxima.
A madeira seca ao ar livre, que em 2009 valia 595 euros/m³, saltou para 1.239 euros/m³ em 2022, indicando uma tendência de alta contínua no mercado global, mas este não será o preço de venda do mogno plantado no Brasil, mesmo porque este preço é o do mogno nativo de Gana que é Khaya ivorensis e não Khaya Grandifoliola ou senegalensis que são as espécies cultivadas aqui. Os produtores terão de lutar por um bom preço de venda para sua madeira.

O Produtor terá de ter Consciência do Mito da Equivalência Automática

A comparação de preços com o mogno de Gana (Khaya ivorensis) foi o grande motor das planilhas de venda de mudas há 15 anos. No entanto, o mercado internacional é extremamente conservador e segmentado por Gênero + Espécie + Origem:

Madeira Nativa vs. Cultivada: O mercado europeu paga prêmio pelo K. ivorensis nativo devido à densidade e estética desenvolvidas em séculos. O mogno cultivado no Brasil (K. grandifoliola e senegalensis) ainda precisa “provar seu valor” em escala industrial.

Propriedades Tecnológicas: O preço de 1.239 euros/m³ é para uma madeira com propriedades mecânicas consolidadas. O produtor brasileiro terá que gastar energia e recursos em testes laboratoriais e certificações para provar que sua madeira de 20 anos tem a mesma estabilidade e cor da africana nativa.

O produtor não vai apenas “vender”; ele terá que negociar.

Como obter sucesso no futuro?

Existe uma esperança real, mas ela não é para o “investidor de papel”, e sim para o produtor florestal. A “morte” do sonho amador abre espaço para o nascimento de uma indústria profissional no Brasil.

Aqui estão os três caminhos onde vejo esperança promissora:

A Escassez Global de Madeira Nobre

O mercado mundial de madeiras tropicais nativas está fechando. O cerco contra o desmatamento ilegal na África e na Amazônia é irreversível.

A oportunidade: Quem tiver uma floresta de Khaya manejada, com 20+ anos e certificada, terá em mãos um produto que o mundo quer, mas que quase ninguém terá para entregar com legalidade garantida. O preço pode não ser o de Gana, mas será muito superior ao de qualquer espécie comum.

A Curva de Aprendizado e a Industrialização

Otimização: Os produtores que ficaram aprenderam que não basta plantar; é preciso processar. A esperança reside na criação de serrarias móveis especializadas e estufas de secagem cooperativas. O lucro não está no tora (árvore em pé), mas na madeira serrada e seca, que agrega até 300% de valor ao produto bruto.

O “Filtro” Necessário

A esperança é promissora para quem tratar o Mogno como agronegócio sério (como soja ou café), e não como uma “loteria verde”. O futuro pertence a quem conseguir consolidar essas áreas fragmentadas e oferecer ao mercado externo um volume constante e padronizado.

Conclusão: O Despertar do Realismo Florestal

O desmoronamento do “sonho do lucro fácil” com o Mogno Africano não deve ser visto como o fim da espécie no Brasil, mas como o fim da era da ingenuidade. Os números de abandonos e a conversão de áreas nobres em lenha são cicatrizes de um aprendizado caro: a silvicultura de elite não tolera o amadorismo.

A esperança para o futuro não reside em promessas de enriquecimento sem esforço, mas na profissionalização. Para os produtores que resistem e mantêm suas florestas com rigor técnico, o prêmio está logo ali. À medida que as fontes de madeira nativa secam sob o peso das restrições ambientais globais, o mogno cultivado, manejado e certificado surgirá como um ativo estratégico e escasso.

O futuro pertence àqueles que compreendem que o “ouro verde” não nasce da sorte, mas do tempo, da paciência e da técnica. A poeira dos projetos fracassados está baixando, e o que restará são florestas reais, prontas para atender a um mercado que paga pela qualidade, não pela ilusão. O sonho não acabou; ele apenas, finalmente, caiu na real.

Anúncios aleatórios