
Comissão Europeia aprova 250 milhões de euros para apoiar a floresta portuguesa
Incentivos plurianuais visam compensar perdas de rendimento e reforçar sustentabilidade do setor.
A Comissão Europeia aprovou um regime de apoios no valor de 250 milhões de euros destinado à floresta portuguesa, com o objetivo de compensar perdas de rendimento e garantir a continuidade dos investimentos no setor.
A medida surge na sequência de uma notificação apresentada por Portugal em março de 2025 e enquadra-se no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.
Apoios prolongam-se até 2029 e podem durar até 20 anos
De acordo com o comunicado do Ministério da Agricultura e Mar, os incentivos têm natureza plurianual e poderão ser atribuídos até 31 de dezembro de 2029.
O apoio poderá estender-se por períodos entre 15 e 20 anos, assegurando estabilidade aos investimentos e previsibilidade para os proprietários florestais.
Medidas incluem florestação e recuperação após catástrofes
O regime abrange várias tipologias de intervenção, nomeadamente:
- florestação de terras agrícolas e não agrícolas;
- restabelecimento do potencial florestal após catástrofes naturais;
- compensação pela perda de rendimento associada à alteração do uso do solo;
- apoio à manutenção dos investimentos florestais.
Os apoios são atribuídos com base em custos e perdas devidamente fundamentados, respeitando critérios de proporcionalidade e evitando situações de sobrecompensação.
Reforço da sustentabilidade e resiliência do território
Segundo o Governo, esta aprovação representa um passo relevante para reforçar a sustentabilidade da floresta portuguesa, promovendo a resiliência do território face a fenómenos extremos e contribuindo para os objetivos climáticos e ambientais da União Europeia.
O montante global de 250 milhões de euros destina-se ao conjunto das intervenções previstas, com impacto na gestão florestal e na adaptação às alterações climáticas.

Aposta da Meta em madeira expõe limite da sustentabilidade em data centers
O uso de madeira engenheirada tem sido mais comum na construção residencial, mas a demanda por aplicações industriais está crescendo.
Em um parque industrial construído do zero na Carolina do Sul, nos EUA, a Meta está erguendo um novo data center de US$ 800 milhões que, à primeira vista, segue o padrão dos gigantescos projetos que as big techs vêm acelerando na corrida pela inteligência artificial.
Instalada em uma área de cerca de 1,2 quilômetros quadrados, com dois enormes galpões que ocupam a maior parte dos mais de 66 mil metros quadrados de construção, a instalação representa o modelo dominante dessa nova infraestrutura: estruturas colossais que se tornaram a forma arquitetônica da disputa pelo poder lucrativo da IA.
Mas, além dos grandes prédios de centros de dados, um edifício administrativo relativamente modesto chama atenção por um detalhe incomum: ele está sendo construído principalmente com madeira, em vez do tradicional concreto e aço usados no restante do complexo e na maioria dos data centers pelo mundo.
No canteiro de obras, uma malha de vigas e colunas de madeira engenheirada já se ergue do chão, enquanto mais elementos estruturais de madeira completam a construção ainda em andamento. Quando a planta entrar em operação, em 2027, esse prédio vai abrigar os escritórios das equipes responsáveis por manter o sistema funcionando.
Embora a maior parte da instalação siga o padrão convencional, essa estrutura de madeira oferece um vislumbre de um futuro um pouco mais sustentável para esse tipo de infraestrutura.
A chamada mass timber (madeira engenheirada) apresenta vantagens, especialmente diante das críticas ao alto consumo de energia e água dos data centers.
“A madeira de origem sustentável é uma ótima escolha porque tem uma pegada de carbono incorporado muito menor do que materiais tradicionais como aço ou concreto”, afirma Blair Swedeen, líder global de sustentabilidade e metas de carbono zero da Meta.
Além disso, o método também acelera a obra. Segundo Swedeen, como os componentes de madeira são geralmente pré-fabricados sob medida, é possível reduzir o cronograma de construção em várias semanas. E, por serem mais leves que estruturas convencionais, exigem cerca de metade do volume de concreto nas fundações.
Os elementos estruturais foram fornecidos pela Smartlam North America, uma das principais fabricantes de madeira engenheirada em um mercado ainda emergente nos Estados Unidos.
O material Madeir, explica Nick Waryasz, especialista sênior da Smartlam.
A Amazon, por exemplo, inaugurou recentemente um centro logístico construído com madeira engenheirada no estado de Indiana, com a intenção de testar o material para projetos futuros. Um data center da Microsoft também está adotando a solução em parte de sua estrutura.
“Tenho participado de discussões iniciais sobre grandes projetos industriais, como data centers, impulsionadas principalmente pelo longo prazo de entrega das estruturas de aço”, diz Waryasz.
“Hoje pode levar mais de um ano para obter esse tipo de material, enquanto projetos equivalentes em madeira podem ficar prontos em cerca de seis meses”, afirma. Acontece que, em um setor altamente competitivo como o de IA, a velocidade de entrada no mercado é crucial.

Para o especialista, o segmento de madeira engenheirada está amadurecendo rapidamente e pode se tornar uma escolha padrão em projetos industriais. No caso do projeto da Meta na Carolina do Sul, o uso de madeira ainda é limitado a uma pequena parte do complexo. Mas a tendência é que isso mude.
“Estamos explorando ativamente o uso de madeira não apenas em edifícios administrativos, mas também em armazéns e até nos prédios onde ficam os servidores”, afirma Swedeen.
“A resistência, durabilidade e segurança contra incêndio tornam a madeira uma opção promissora para aplicações mais amplas na infraestrutura de data centers e seguimos avaliando essas possibilidades.”
Fonte: Fast Company Brasil

Madeira engenheirada CLT desafia aço e concreto e promete obras até 2x mais rápidas
A tecnologia dos painéis de madeira cruzada redefine eficiência, sustentabilidade e velocidade nas obras contemporâneas.
A madeira engenheirada CLT, conhecida como Cross-Laminated Timber, passou a ganhar destaque especialmente a partir de 2020 como uma solução inovadora na construção civil.
Essa tecnologia permite obras secas, rápidas e com elevado desempenho estrutural, o que vem atraindo atenção global.
Madeira e plásticos
Os painéis são formados por camadas de madeira maciça coladas em direções alternadas e, por isso, oferecem alta estabilidade dimensional.
Essa solução transforma o setor ao combinar precisão industrial, sustentabilidade e eficiência construtiva.
Desempenho estrutural coloca o CLT como substituto do aço e concreto
A madeira engenheirada CLT se destaca, principalmente, pela sua relação peso-resistência, que pode ser equivalente ou até superior ao aço em diversas aplicações.
Além disso, a laminação cruzada reduz deformações causadas por umidade, garantindo maior durabilidade estrutural.
Ao mesmo tempo, diferentemente do concreto armado, o CLT apresenta uma pegada de carbono significativamente menor.
A tecnologia passou a ser vista como um dos pilares da industrialização da construção civil moderna.
Nesse cenário, as peças chegam prontas ao canteiro e, consequentemente, a montagem ocorre de forma rápida e organizada.
O processo construtivo se torna mais eficiente e previsível.
Velocidade de execução impulsiona obras secas e eficientes
As construções com CLT podem ser concluídas em até metade do tempo de uma obra convencional e, além disso, eliminam o tempo de cura do concreto.
Assim, o cronograma se torna mais curto e mais controlado.
Materiais de construção e acessórios
Os painéis são produzidos com tecnologia CNC e, portanto, apresentam cortes de alta precisão.
Com isso, os encaixes são perfeitos e o desperdício de material é reduzido.
Esse modelo construtivo torna o ambiente de obra mais limpo, silencioso e produtivo.
Por consequência, a eficiência operacional aumenta significativamente.
Sustentabilidade e certificação fortalecem o uso do CLT no Brasil
No Brasil, desde 2018, o uso do CLT cresce impulsionado pelo uso de madeira de reflorestamento, como pinus e eucalipto.
A EMBRAPA Florestas atua como referência em pesquisas sobre desempenho estrutural dessas espécies.
Segundo estudos da EMBRAPA, as espécies nacionais apresentam potencial competitivo para aplicações em engenharia.
Assim, o setor passa a contar com base técnica sólida para expansão.
Ao mesmo tempo, o Serviço Florestal Brasileiro monitora a cadeia produtiva e garante a rastreabilidade da madeira.
Dessa forma, o material utilizado atende critérios rigorosos de sustentabilidade.
Aplicações estruturais ampliam o uso do CLT
Os painéis CLT são utilizados em paredes estruturais, lajes e coberturas e, além disso, atendem projetos residenciais, comerciais e institucionais.
A versatilidade da tecnologia amplia sua adoção no mercado.
A estética natural da madeira permite que ela fique aparente e, portanto, reduz custos com acabamentos.
Com isso, o projeto se torna mais econômico e visualmente atrativo.
Vantagens técnicas reforçam a eficiência da madeira engenheirada
O sistema apresenta benefícios relevantes e, por isso, ganha espaço na engenharia moderna:
• Segurança ao fogo: a madeira carboniza na superfície e protege o núcleo estrutural
• Conforto biofílico: ambientes com madeira ajudam a reduzir o estresse
• Leveza estrutural: fundações mais simples e com menor custo
• Sequestro de carbono: cada metro cúbico armazena cerca de uma tonelada de CO₂
Essas características tornam o CLT uma solução estratégica para construções sustentáveis.
Durabilidade depende de planejamento técnico adequado
A durabilidade do CLT está diretamente ligada ao controle de umidade e à proteção contra agentes biológicos.
Assim, o uso de tratamentos específicos garante maior vida útil das estruturas.
Além disso, construções em madeira podem durar séculos quando bem projetadas, como demonstram edificações históricas na Europa.
O material se consolida como alternativa confiável.
Madeira e plásticos
O avanço da engenharia verde redefine o futuro da construção
A adoção do CLT representa um marco na arquitetura contemporânea e, ao mesmo tempo, sinaliza uma mudança estrutural no setor.
Assim, a construção civil passa a incorporar soluções mais limpas, rápidas e eficientes.
Nesse contexto, optar pela madeira engenheirada significa investir em inovação e sustentabilidade.
Será que o CLT se tornará o novo padrão dominante da construção civil mundial?
Fonte: Click Petróleo e Gás

Klabin capta R$ 1,75 bilhão com emissão de CPR e reforça estratégia de crescimento no setor florestal
Companhia amplia capacidade de investimento com operação estruturada em até três séries; ações KLBN11 operam em alta no pregão desta segunda-feira (30/03).
A Klabin S.A. (BOV:KLBN11) anunciou que seu conselho de administração aprovou a realização da segunda emissão de cédulas de produto rural (CPR) com liquidação financeira, no valor total de até R$ 1,75 bilhão. A operação, estruturada em até três séries, reforça a estratégia da companhia de ampliar sua capacidade de financiamento voltada ao crescimento sustentável de suas operações florestais e industriais.
A iniciativa ocorre em um momento em que empresas do setor de papel e celulose intensificam movimentos para garantir liquidez e sustentar projetos de expansão, em meio à volatilidade de custos e demanda global. No caso da Klabin, a emissão de CPRs se mostra alinhada ao seu modelo verticalizado, que integra desde o plantio de florestas até a produção industrial, fortalecendo sua posição competitiva no mercado.
De acordo com a companhia, os recursos captados serão direcionados para atividades relacionadas ao seu objeto social, incluindo produção, beneficiamento e industrialização de produtos ligados à silvicultura e à agricultura. Isso inclui investimentos em florestamento, reflorestamento e otimização de sua cadeia produtiva — pilares estratégicos para sustentar crescimento de longo prazo.
Embora a empresa não tenha detalhado comentários adicionais de executivos sobre a operação, o movimento sinaliza disciplina financeira e diversificação das fontes de financiamento, reduzindo dependência de crédito bancário tradicional e ampliando flexibilidade de caixa.
No mercado, as ações da Klabin (KLBN11) operam em alta nesta segunda-feira (30/03), acompanhando a recepção positiva dos investidores. Por volta das 10h04, os papéis eram negociados a R$ 19,29, avanço de 0,42% em relação ao fechamento anterior de R$ 19,21. Durante o pregão, os ativos oscilaram entre mínima de R$ 19,26 e máxima de R$ 19,32, após abertura a R$ 19,28, indicando leve pressão compradora e percepção construtiva sobre a operação.
A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil, atuando de forma integrada no setor florestal. A companhia se destaca pela produção de celulose, papéis e embalagens sustentáveis, competindo com players como Suzano (BOV:SUZB3) e Irani (BOV:RANI3). Seu modelo de negócios combina eficiência operacional com foco em sustentabilidade e inovação.
Para investidores, a emissão de CPR pode representar um passo relevante na sustentação de novos projetos e no fortalecimento da estrutura de capital da companhia.

O novo perfil do emprego em Três Lagoas: o que as gigantes da celulose buscam em 2026
Com mercado mais competitivo, empresas exigem qualificação técnica, habilidades comportamentais e adaptação às novas demandas da indústria.
Conhecida nacionalmente como a “Capital Mundial da Celulose”, Três Lagoas vive um novo momento no mercado de trabalho. O avanço das indústrias do setor trouxe não apenas crescimento econômico, mas também uma mudança significativa no perfil profissional exigido pelas empresas. Hoje, mais do que vontade de trabalhar, é necessário preparo estratégico para conquistar uma vaga.
Especialistas em recrutamento apontam que o cenário atual é mais competitivo e técnico. O currículo deixou de ser apenas uma lista de experiências e passou a refletir competências comportamentais e capacidade de adaptação — fatores decisivos para quem deseja se destacar nos processos seletivos das grandes companhias da celulose.
As habilidades mais valorizadas
Embora a formação técnica em áreas como mecânica, química e eletrotécnica continue sendo importante, ela já não é suficiente por si só. O foco das empresas está cada vez mais voltado para as chamadas soft skills.
A adaptabilidade aparece como uma das principais exigências. Em um ambiente industrial em constante modernização, profissionais capazes de aprender rapidamente novas tecnologias saem na frente. Outro ponto crucial é a segurança do trabalho. As indústrias priorizam colaboradores com mentalidade preventiva, alinhados ao conceito de “acidente zero”.
O trabalho em equipe também é indispensável. Dentro de uma planta industrial, os processos são interdependentes, e a eficiência depende diretamente da colaboração entre setores e profissionais.
Como se destacar na seleção
Para quem busca uma oportunidade em Três Lagoas, algumas estratégias práticas podem fazer a diferença.
- Manter o perfil atualizado no LinkedIn é importante, já que muitas empresas utilizam a plataforma para identificar talentos e acompanhar trajetórias profissionais.
- Cursos gratuitos são oferecidos pelo Sistema S (Senai/Sesi) e, frequentemente, são abertas turmas voltadas às demandas locais.
- Além disso, o domínio básico do inglês tem se tornado um diferencial importante. Com a presença de multinacionais na cidade, compreender termos técnicos e se comunicar minimamente no idioma pode ampliar consideravelmente as chances de contratação.
Tendências e oportunidades
A expectativa para os próximos meses é de abertura de vagas principalmente em setores de apoio, como logística e manutenção industrial. Essas áreas têm ganhado destaque com a expansão das operações e a necessidade de maior eficiência nos processos produtivos.
Para especialistas, a mensagem é clara: o mercado de trabalho em Três Lagoas continua aquecido, mas exige preparo constante. Em um cenário dinâmico, quem investe em qualificação e acompanha as transformações da indústria larga na frente.
A oportunidade existe — mas, como alertam os recrutadores, ela dificilmente espera por quem fica parado.

Mercado de carbono ganha reforço com parceria
B4 e USP unem esforços para ampliar transparência e credibilidade.
A B4, bolsa de ação climática, firmou parceria com a RCGI-USP Carbon Registry, registradora de créditos de carbono ligada à Universidade de São Paulo, para elevar o padrão de acreditação de ativos sustentáveis no país. O acordo prevê a incorporação de critérios científicos e metodológicos mais rigorosos na certificação de créditos de carbono, com foco em mensuração de impacto e transparência.
Segundo as instituições, as metodologias adotadas consideram as especificidades dos biomas brasileiros, como Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, além das características das cadeias produtivas nacionais.
Um dos principais eixos da parceria é a atuação conjunta com a Confederação União da Agricultura Familiar do Brasil no projeto Rota do Babaçu, voltado à bioeconomia. A iniciativa busca estruturar ativos ambientais a partir do aproveitamento do coco babaçu, com potencial de geração de renda e conservação ambiental.

O projeto abrange uma área de cerca de 100 milhões de hectares em 14 estados e tem como objetivo impactar diretamente 5,3 milhões de hectares, beneficiando aproximadamente 108 mil famílias. Além disso, a parceria inclui o desenvolvimento de metodologias para agricultura sustentável, como sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que devem servir de base para a geração de créditos de carbono associados a práticas regenerativas.
A B4 informa que já reúne R$ 3,35 bilhões em ativos sustentáveis sob custódia e cerca de 25,2 milhões de toneladas de carbono em sua plataforma.
Outro ponto do acordo é o uso de mecanismos que direcionam parte dos recursos gerados para financiamento de pesquisas científicas e projetos socioambientais, ampliando o impacto das iniciativas além da redução de emissões.

BNDES aprova mais de R$ 400 milhões para a Suzano ampliar inovação e modernizar fábricas no Brasil
Investimentos em tecnologia, digitalização e pesquisa devem elevar competitividade da indústria de celulose e fortalecer produção em cinco estados.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um pacote de financiamentos que soma R$ 411,4 milhões para a Suzano, com foco na modernização industrial e no avanço de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Os recursos fazem parte do programa BNDES Mais Inovação e devem impulsionar a competitividade da companhia no setor de celulose.
Investimentos em tecnologia e modernização industrial
Do total aprovado, R$ 280 milhões serão destinados à modernização das unidades industriais, incluindo a aquisição de máquinas e equipamentos com tecnologias avançadas, como internet das coisas (IoT), além de sistemas de controle e monitoramento remoto das operações.
Outros R$ 131,4 milhões serão aplicados em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à inovação tecnológica, reforçando a digitalização dos processos produtivos da empresa.
Os investimentos abrangem unidades localizadas em cinco estados: Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Foco em inovação e transformação digital
Os recursos permitirão à Suzano ampliar a conectividade industrial, com a aquisição de bens de informática, automação e sistemas digitais. O objetivo é aumentar a eficiência operacional e consolidar a empresa entre as líderes globais em custo de produção de celulose.
O plano de PD&I contempla 49 iniciativas, distribuídas em diferentes áreas:
- Projetos de genética e melhoramento florestal
- Manejo florestal
- Desenvolvimento de papel, bens de consumo e produtos fluff
- Produção de celulose
- Gestão da inovação e projetos transversais
- Parcerias com universidades e centros de pesquisa
As iniciativas contam com a colaboração de diversas instituições, incluindo universidades federais e estaduais, além de organizações como a Embrapa, o Senai e a Embrapii.
Essas parcerias fortalecem o desenvolvimento tecnológico e ampliam o potencial de inovação no setor florestal e industrial.
Expansão industrial e novos aportes recentes
Além do novo financiamento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social já havia aprovado, no fim de 2025, outro aporte de R$ 451,7 milhões para a empresa, voltado à modernização de estruturas e ampliação da capacidade de armazenagem.
Os recursos vieram de linhas como o Finem e o Fundo Clima, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a eficiência produtiva.
Sustentabilidade e alinhamento global
Os investimentos estão alinhados a metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com impactos em áreas como crescimento econômico, inovação industrial e redução das desigualdades.
A Suzano também mantém práticas sustentáveis em sua operação, com uso de matérias-primas renováveis, certificações ambientais como FSC e Cerflor, e foco na captura de carbono por meio de florestas plantadas.
Liderança global no setor de celulose
Com cerca de um século de atuação, a Suzano é líder mundial na produção de celulose e uma das maiores produtoras de papel da América Latina. A empresa possui capacidade anual de produção de 13,4 milhões de toneladas de celulose e 2 milhões de toneladas de papel, além de exportar para mais de 100 países.
Com os novos investimentos, a companhia busca fortalecer sua posição global, aumentar a produtividade e se preparar para diferentes cenários de mercado, mantendo competitividade mesmo em ambientes de maior volatilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio

Inocência entra no mapa global com megaprojeto bilionário de celulose
Projeto Sucuriú, da Arauco, deve transformar economia local e consolidar Mato Grosso do Sul como potência no setor.
O município de Inocência vive uma mudança de escala que promete reposicioná-lo no cenário industrial brasileiro e internacional. Com a implantação do Projeto Sucuriú, a cidade passa a abrigar o maior empreendimento de celulose do mundo construído em etapa única, um feito que reúne investimentos bilionários, engenharia de alta complexidade e impacto direto na geração de empregos.
A iniciativa liderada pela Arauco coloca Mato Grosso do Sul no centro de uma disputa global por competitividade no setor florestal. O Estado já figura entre os principais polos de produção de celulose do país, ao lado de gigantes como Três Lagoas, e deve ampliar ainda mais sua participação nas exportações brasileiras, que somaram mais de US$ 10 bilhões em 2024, segundo dados do setor.
Em Inocência, o projeto avança com uma estrutura que impressiona pelo porte. Equipamentos de dimensões extraordinárias já começaram a chegar ao Brasil, como o balão da caldeira, uma peça de 312 toneladas e 32 metros de comprimento, fabricada na China. O transporte até o canteiro de obras mobiliza uma operação logística inédita na região, com carretas especiais, escoltas da Polícia Rodoviária e planejamento detalhado das concessionárias de rodovias.
TECNOLOGIA
A complexidade da obra também se reflete na tecnologia embarcada. A fornecedora finlandesa Valmet é responsável por sistemas de automação e equipamentos estratégicos, garantindo eficiência produtiva e padrões elevados de sustentabilidade. O objetivo é reduzir consumo de energia e água, além de otimizar o aproveitamento de insumos florestais.
O impacto econômico já é sentido antes mesmo do início das operações. A expectativa é de milhares de empregos diretos e indiretos ao longo da construção e da fase operacional, além da movimentação de cadeias produtivas ligadas ao transporte, comércio e prestação de serviços. Pequenos negócios locais começam a se adaptar à nova demanda, enquanto investimentos em infraestrutura urbana e logística ganham ritmo.
A transformação também reforça o papel de Mato Grosso do Sul como destino de grandes investimentos industriais. Com ambiente favorável, incentivos fiscais e localização estratégica, o Estado consolida sua vocação para o setor de base florestal, ampliando sua relevância no mercado internacional de celulose, cuja demanda segue aquecida, especialmente na Ásia.
AVANÇO LOGÍSTICO E COMPROMISSO SUSTENTÁVEL IMPULSIONAM MEGAPROJETO INDUSTRIAL E COLOCAM INOCÊNCIA NO MAPA ESTRATÉGICO DA ECONOMIA NACIONAL
Para 2026, a previsão é de intensificação do fluxo logístico, com a chegada de mais de 150 peças de grande porte aos portos brasileiros, destinadas ao complexo industrial em Inocência. Entre os equipamentos estão filtros e separadores fundamentais para o processo produtivo, etapa decisiva para a entrada em operação da planta.
Ao mesmo tempo em que avança em escala e tecnologia, o Projeto Sucuriú também se ancora em compromissos ambientais e sociais. A proposta da empresa é aliar produtividade com responsabilidade, adotando práticas sustentáveis, manejo florestal certificado e diálogo com as comunidades locais.
Com isso, Inocência deixa de ser apenas um município do interior e assume protagonismo em um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira. Um salto que mistura aço, logística e planejamento, mas que, acima de tudo, redefine o futuro da região.
Por: Redação Notícias do Cerrado

Bracell inaugura Learning Institute Nordeste, espaço voltado à capacitação dos colaboradores
Instalada na unidade da empresa no Polo Industrial de Camaçari, a iniciativa visa promover trilhas de formação planejadas e fortalecer competências.
Com o objetivo de promover o desenvolvimento e a capacitação dos colaboradores, a Bracell, líder global na produção de celulose solúvel, inaugurou o Bracell Learning Institute Nordeste (BLI). O espaço, instalado na unidade da companhia no Polo Industrial de Camaçari, irá oferecer diversos cursos e programas de aprendizagem, com foco no desenvolvimento dos profissionais da Bracell e da Bracell Papéis no Nordeste, que possui unidades na Bahia e em Pernambuco.
O novo prédio do Bracell Learning Institute Nordeste tem 923 m² de área e capacidade para atender cerca de 280 pessoas simultaneamente, distribuídas em nove espaços, incluindo salas de reunião, anfiteatro, salas de treinamento e biblioteca. O local visa proporcionar uma estrutura moderna e acolhedora para apoiar o aprendizado contínuo, oferecendo trilhas de formação planejadas de forma didática e alinhadas às expectativas das lideranças, além de fortalecer competências, ampliar oportunidades de crescimento e valorizar a mão de obra local.
Rudine Antes, diretor-geral da Bracell Bahia, destaca a importância do Learning Institute e o benefício para o desenvolvimento e a qualificação dos colaboradores: “Nossa unidade cresce, se moderniza e se torna cada vez mais estratégica. Para acompanhar essa evolução, é essencial que nosso time esteja preparado, atualizado e seguro, e o Bracell Learning Institute Nordeste chega exatamente para isso: reduzir a curva de aprendizado, aumentar a eficiência, impulsionar a produtividade e garantir a excelência operacional que nos diferencia”.
Eduardo Penhalosa, gerente de Recursos Humanos da Bracell Bahia, ressalta que o Bracell Learning Institute nasce como um espaço vivo de aprendizagem, capaz de integrar diferentes frentes do negócio, como as áreas industrial e florestal da Bracell e da Bracell Papéis. “O BLI é o lugar onde o aprendizado acontece de forma contínua, colaborativa e prática. É um ambiente que conecta pessoas, conhecimentos e propósitos, funcionando como um ponto central dos nossos programas de capacitação, desenvolvimento e jornadas de liderança”, afirma.
Segundo Penhalosa, mais do que uma infraestrutura física, o Learning Institute representa um movimento permanente de desenvolvimento. “Cada sala, cada trilha e cada iniciativa foram pensadas para refletir a nossa realidade, as ambições das nossas pessoas e os desafios do nosso negócio. Aqui, os colaboradores aprendem, ensinam, trocam experiências e desenvolvem habilidades que impulsionam suas carreiras, fortalecem a cultura organizacional e potencializam os resultados da Bracell”, completa.

Cenário externo instável muda dinâmica das exportações de madeira em 2026
Em um ambiente de incertezas, empresas buscam maior segurança nas negociações e fortalecem parcerias comerciais no mercado internacional.
A instabilidade econômica internacional, somada às oscilações cambiais e às tensões geopolíticas, tem ampliado o nível de incerteza no comércio global. Para empresas brasileiras que atuam na exportação de madeira, esse cenário tem impactado diretamente a capacidade de planejamento e tomada de decisão, especialmente em negociações que envolvem prazos, preços e logística.
Segundo Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, a combinação de fatores recentes tem contribuído para esse ambiente de insegurança. “Está difícil prever o próximo passo. A guerra envolvendo os EUA e o Irã, a instabilidade no preço do petróleo, a volatilidade do dólar e o vai e vem das tarifas comerciais dos Estados Unidos criam um cenário delicado. Isso afeta diretamente a confiança e o planejamento dos exportadores”, afirma.
Em 2026, os exportadores de madeira abriram novos mercados e esse movimento deve ser ainda mais fortalecido devido ao avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul. “A perspectiva de novas oportunidades comerciais para o setor e a possível ampliação do acesso a mercados europeus tende a estimular o interesse de exportadores brasileiros, porém também impõe um novo nível de exigência em termos de organização, competitividade e previsibilidade nas operações e sobretudo em legalidade, com a iminência do EUDR”, acrescentou.
Diante desse contexto, observa-se um volta a um comportamento muito comum no em um passado próximo: a busca por parceiros comerciais. A prioridade volta a ser a construção de relações comerciais mais seguras e estruturadas, com maior atenção à previsibilidade de preços e prazos, além da redução de riscos ao longo das negociações.
De acordo com Milazzo, esse movimento já é perceptível no dia a dia das negociações. “Em conversas com exportadores e compradores ao redor do mundo, temos observado uma valorização crescente de relações sólidas. A troca de informações, o alinhamento entre as partes e a transparência nunca estiveram tão presentes como agora. Sinto que a demanda não é apenas por suprir estoques, mas sim em estabelecer parcerias”, diz.
Esse movimento ocorre em um contexto de transformação do comércio internacional, em que empresas buscam maior previsibilidade e segurança nas operações, ao mesmo tempo em que se preparam para aproveitar novas oportunidades de acesso a mercados. “2025 ensinou o empresário brasileiro a ser resiliente e acredito que este ano teremos o foco maior em futuro e relações comerciais mais duradouras”, finalizou Gustavo.

Celulose da 5ª megafábrica de MS pode ser escoada por hidrovia
Inicialmente a Bracell estuda levar madeira por hidrovia até a fábrica de Lençóis Paulista. Se der certo, pretende escoar a celulose até a mesma região e depois seguir por ferrovia.
Em contagem regressiva para obtenção da licença de instalação de sua fábrica em Bataguassu, na região leste de Mato Grosso do Sul, a Bracell, do grupo indonésio Royal Golden Eagle (RGE), estuda a possibilidade de despachar por hidrovia sua produção anual de até 2,9 milhões de toneladas de celulose previstas para serem produzidas na nova fábrica, a quinta do setor em Mato Grosso do Sul.
De acordo com declarações do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Jaime Verruck, feitas ao jornal Valor Econômico, inicialmente a Bracell pretende utilizar a hidrovia para levar eucalipto de Mato Grosso do Sul para sua fábrica em Lençóis Paulista (SP).
“Se funcionar bem para o eucalipto, eles estudam usar com a celulose também”, afirmou o secretário, que no começo de abril deve deixar o cargo para disputar uma das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.
Embora ainda não tenha feito oficialmente o pedido de instalação de sua fábrica, a Bracel já cultiva áreas de eucalipto há cerca de seis anos em Mato Grosso do Sul, quando anunciou o plantio de 50 mil hectares.
Além disso, adquiriu uma série de plantações de terceiros e atualmente leva esta madeira utilizando caminhões. De Bataguassu até fábrica paulista são em torno de 450 quilômetros de estrada. E são estes caminhões que a empresa pretende substituir por barcaças.
Estas embarcações sairiam das imediações de Bataguassu, subiriam pelo Rio Paraná até a hidrelétrica de Jupiá, onde existe eclusa para transpor a barragem.
Eta eclusa permite a passagem de grandes embarcações e comboios. Inaugurada em 1998, a estrutura foi construída para transpor o desnível de cerca de 26 metros. A câmara da eclusa tem cerca de 210 metros de comprimento, 17 metros de largura e cinco de profundidade.
Depois disso, as embarcações seguiriam até a foz do Rio Tietê e continuariam em território paulista até um terminal intermodal (ferrovia, hidrovia e rodovia) no município de Pederneiras, a 35 quilômetros da fábrica de celulose da Bracell em Lencóis Paulista. No caso da madeira, ela seria industrializada nesta fábrica.
Porém, se o transporte hidroviária se mostrar viável, a celulose seria levada até esta região e depois disso seria despachada por ferrovia até o porto de Santos, percorrendo mais 550 quilômetros por trilhos. A Bracell de São Paulo já despacha sua celulose pelo terminal que serviria também para a celulose de Bataguassu.
A viabilidade depende basicamente da análise dos impactos e custos dos múltiplos transbordos de carga. Porém, a hidrovia é mais competitiva que o transporte rodoviário e reduz em 80% as emissões de CO.
Além disso, existe o risco de transporte ser afetado por períodos de estiagem, como o registrado no início de 2026, quando houve um recuo momentâneo na movimentação devido à estiagem.
Se esta alternativa for inviável, o mais provável é que a produção tenha de ser despachada por cerca de 300 carretas diariamente em uma distância da ordem de 270 quilômetros até Ferronorte, em Aparecida do Taboado, de onde seguiria até o porto de Santos pela ferrovia.
Neste percurso, além de terem de passar pela área urbana de Bataguassu, que deve receber um contorno rodoviário, estas carretas terão de passar por cidades como Brasilândia, Três Lagoas e Selvíria. Outra alternativa seria levar até o terminal da própria Bracell em Lençóis Paulista, um percurso de 460 km.
Estas 300 carretas diárias, conforme os estudos de impacto ambiental da Bracell, serão necessárias somente para escoar a produção.
Outras 500 passarão a circular na região para abastecer a fábrica com madeira e demais insumos. A estimativa é de que sejam consumidos anualmente 12 milhões de metros cúbicos de madeira, o equivalente à produção de cerca de 50 mil hectares de eucaliptos.
LICENÇA
Inicialmente havia a previsão de que a licença para instalação da fábrica, orçada em R$ 16 bilhões, fosse concedida até o fim março. Porém, até agora a empresa não fez o pedido formal, o que está previsto para acontecer até o fim da próxima semana. Embora não haja confirmação oficial, impasses sobre o local exato de instalação da fábrica atrasou os planos iniciais da empresa.
Depois que o pedido for feito, o Governo do Estado deve levar em torno de 60 dias para fazer as análises finais e liberar as obras. Então, se não ocorrerem novos atrasos, estas obras devem ter início ainda no segundo semestre de 2026 e a previsão oficial é de que se estendam por 38 meses. Ou seja, se tiverem início em meados de 2026, devem se estender até o final de 2029.
O PROJETO
De acordo com a previsão inicial, a fábrica, a primeira de Mato Grosso do Sul a produzir celulose para fabricação de tecidos , ficará às margens da BR-267, a nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da hidrelétrica de Porto Primavera, a quase quatro quilômetros do lago, que agora também pode ser utilizado para escoar a produção.
E é deste lago, resultado do represamento do Rio Paraná, que a indústria vai coletar os 11 milhões de litros de água por hora que serão necessários para viabilizar o funcionamento da indústria. Cerca e 9 milhões de litros serão devolvidos ao lago depois da utilização. Segundo a Bracell, todos os efluentes serão tratados e trarão impacto mínimo na qualidade da água.
No pico dos trabalhos devem ser gerados 12 mil empregos e em torno de dois mil depois que o empreendimento entrar em operação.
Em anos sem interrupção para manutenção dos equipamentos serão produzidos, conforme o estudo de impacto ambiental, 2,9 milhões de toneladas de celulose. Dependendo da demanda, a unidade terá condições de produzir celulose solúvel, como já ocorre com a fábrica do grupo asiático em Lencóis Paulista (SP).
Esse tipo de celulose é usado na produção fibras têxteis, produtos de higiene (fraldas, lenços umedecidos), alimentos (sorvetes, molhos), fármacos (cápsulas) e produtos químicos (tintas, esmaltes).
Além da produção de celulose, o estudo informa que será gerada energia suficiente para abastecer a indústria e um excedente que será injetado na rede de energia da região.
E esta infraestrutura para receber energia e no futuro despachar o excedente enfrenta um sério gargalo. Ainda não existe uma linha de transmissão de energia para abastecer a fábrica e depois escoar o excedente de energia.
A companhia aguarda o leilão de uma subestação em Ivinhema, a 155 km da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter a autorização para implementação desse linhão. Em Ribas do Rio Pardo e em Inocência, as próprias empresas providenciaram estes linhões extras de energia.
Mas, mesmo que este linhão saia do papel, também haverá necessidade de investimentos para conseguir levar esta energia a partir da subestação de Ivinhema, o que não depende da Bracell.
Para o início de operação, a Bracell precisará de 66 megawatts. E, depois de entrar em operação, deve gerar 400, sendo que a metade será vendida para transmissão e consumo no restante do país. Até agora, porém, estas linhas de transmissão ainda não estão garantidas.
QUINTA FÁBRICA
A indústria de Bataguassu será a quinta do setor em Mato Grosso do Sul. A primeira, da Suzano, entrou em operação em 2009, em Três Lagoas. Depois, em 2012, foi ativa a unidade do grupo J&F, a Eldorado, também em Três Lagoas.
Em julho de 2024 começou a funcionar a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, que atualmente é a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano.
Este título, porém, passará a ser da Arauco, que no segundo semestre do próximo ano promete ativar uma fábrica em Inocência, onde será produzidas 3,5 milhões de toneladas por ano. As obras estão a todo vapor e atualmente abrigam em torno de dez mil trabalhadores.
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Engenheiro cria método de reflorestamento que transforma pequenos terrenos em florestas densas usando biomassa local
Fonte: Click Petróleo e Gás
Método de reflorestamento acelera crescimento de florestas usando biomassa local e reduz custos de recuperação ambiental.
Em 2011, o engenheiro industrial indiano Shubhendu Sharma, na Índia, iniciou um projeto que chamou a atenção global ao adaptar uma técnica japonesa para criar florestas densas em áreas degradadas. Segundo a própria organização Afforestt, fundada por Sharma, o método permite transformar pequenos terrenos degradados em ecossistemas florestais completos em poucos anos, utilizando biomassa local e espécies nativas. A técnica é baseada no método desenvolvido pelo botânico japonês Akira Miyawaki, amplamente documentado na literatura científica. De acordo com estudos publicados sobre o método Miyawaki, como os compilados pela Organização das Nações Unidas e pesquisas acadêmicas sobre reflorestamento acelerado, essa abordagem pode acelerar significativamente o crescimento florestal e aumentar a densidade vegetal em comparação com processos naturais de regeneração.
O dado mais impactante é que áreas que levariam décadas para se regenerar naturalmente podem atingir estágios avançados de desenvolvimento em poucos anos. Segundo análises sobre florestas Miyawaki aplicadas em diferentes países, incluindo estudos de caso e relatórios ambientais, o método promove rápida recuperação da biodiversidade e da estrutura florestal, alterando a lógica tradicional de custos e tempo no reflorestamento.
O que é o método Miyawaki e como ele foi adaptado na Índia
O método Miyawaki foi desenvolvido no Japão a partir da década de 1970, com base na ideia de recriar florestas nativas densas utilizando espécies locais plantadas de forma intensiva.
Shubhendu Sharma teve contato direto com o próprio Akira Miyawaki durante um projeto da Toyota na Índia, onde a técnica foi aplicada para restaurar áreas industriais degradadas.
A partir dessa experiência, Sharma adaptou o método às condições climáticas e de solo da Índia, criando um modelo mais acessível e replicável em diferentes regiões.
A principal inovação foi o uso intensivo de biomassa local para enriquecer o solo, reduzindo a necessidade de insumos externos e tornando o processo mais econômico.
Como funciona o reflorestamento acelerado na prática
O processo começa com uma análise detalhada do solo. Amostras são coletadas para identificar deficiências nutricionais e características físicas.
Com base nisso, o solo é preparado utilizando materiais orgânicos disponíveis localmente, como:
- restos agrícolas
- folhas secas
- cascas
- composto orgânico
Essa biomassa melhora a retenção de água e aumenta a fertilidade. Em seguida, são plantadas diversas espécies nativas em alta densidade, geralmente entre 3 a 5 mudas por metro quadrado, o que é significativamente superior ao reflorestamento tradicional.
Essa densidade elevada cria uma competição natural entre as plantas, fazendo com que cresçam mais rápido em busca de luz solar.
Crescimento acelerado e formação de microecossistemas
Um dos aspectos mais impressionantes do método é a velocidade de crescimento. Enquanto reflorestamentos convencionais podem levar décadas para atingir maturidade, as florestas criadas com esse método começam a se estruturar em poucos anos.
Em cerca de:
- 1 ano: crescimento inicial intenso
- 2 a 3 anos: formação de dossel
- 10 anos: estrutura semelhante a florestas maduras
Esse crescimento acelerado ocorre porque o ambiente é projetado para imitar as condições naturais ideais de uma floresta desde o início. Além disso, essas áreas passam a atrair insetos, aves e outros organismos, criando um ecossistema funcional.
Redução de custos com uso de biomassa local
Um dos fatores que tornam esse método atrativo é o custo relativamente mais baixo em comparação com projetos tradicionais de reflorestamento. Ao utilizar biomassa disponível no próprio local, o método reduz gastos com:
- fertilizantes industriais
- transporte de materiais
- manutenção prolongada
Embora não seja um sistema de custo zero, a redução de insumos externos pode tornar o processo significativamente mais acessível, especialmente em projetos urbanos e de pequena escala.
Além disso, a necessidade de manutenção é concentrada nos primeiros anos. Após esse período, a floresta se torna autossustentável.
Aplicações em áreas urbanas e industriais
O método ganhou destaque não apenas em áreas rurais, mas também em ambientes urbanos. Cidades passaram a utilizar essa técnica para criar:
- florestas urbanas
- corredores ecológicos
- áreas de recuperação ambiental
Empresas também adotaram o método para compensação ambiental e melhoria de imagem sustentável. Essas florestas densas ocupam espaços pequenos, mas oferecem benefícios significativos, como redução de temperatura, melhoria da qualidade do ar e aumento da biodiversidade.
Impacto ambiental e recuperação de áreas degradadas
A recuperação de áreas degradadas é um dos principais desafios ambientais globais. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, milhões de hectares de terras sofrem degradação todos os anos.
Métodos tradicionais de reflorestamento muitas vezes são lentos e caros, o que limita sua aplicação em larga escala. A abordagem baseada em densidade elevada e uso de biomassa local surge como uma alternativa eficiente para acelerar esse processo e aumentar a taxa de sucesso.
Além disso, essas florestas contribuem para:
- sequestro de carbono
- retenção de água no solo
- redução da erosão
Diferença entre reflorestamento tradicional e método Miyawaki
O reflorestamento tradicional geralmente envolve o plantio espaçado de mudas, com crescimento mais lento e necessidade de manutenção prolongada. Já o método Miyawaki trabalha com alta densidade e diversidade de espécies.
Essa diferença estrutural cria um ambiente mais competitivo e equilibrado, resultando em crescimento acelerado e maior resiliência ecológica.
Outra diferença importante é o foco em espécies nativas, que são adaptadas às condições locais e exigem menos intervenção ao longo do tempo.
Limitações e desafios do método
Apesar das vantagens, o método não é aplicável em todas as situações. Ele é mais eficaz em áreas pequenas ou médias e pode não ser ideal para grandes extensões de reflorestamento comercial.
Além disso, o custo inicial pode ser mais elevado em comparação com métodos convencionais, devido à preparação intensiva do solo. Outro desafio é a necessidade de conhecimento técnico para seleção adequada de espécies e preparação do terreno.

Com o avanço das mudanças climáticas e a crescente necessidade de recuperação ambiental, métodos mais rápidos e eficientes ganham relevância. Projetos baseados no método Miyawaki já foram implementados em diversos países, incluindo Índia, Europa e América Latina.
A tendência é que soluções baseadas em biomassa local e alta densidade de plantio continuem sendo exploradas como alternativas viáveis para acelerar a regeneração ambiental.
O trabalho iniciado por Shubhendu Sharma representa uma mudança significativa na forma como o reflorestamento é conduzido. Ao combinar conhecimento ecológico com práticas adaptadas às condições locais, o método demonstra que é possível acelerar processos naturais sem comprometer a sustentabilidade.
Com crescimento rápido, uso eficiente de recursos e impacto ambiental positivo, essa abordagem se consolida como uma das alternativas mais promissoras para enfrentar a degradação ambiental em escala global.





