
Cipem acompanha lançamento de duas importantes ferramentas para o setor de base florestal de MT
A partir de agora, o estado passa a contar com uma nova norma ISO de manejo florestal, uma referência internacional que fortalece a transparência, a rastreabilidade e a credibilidade da produção florestal sustentável, um diferencial competitivo para Mato Grosso.
Além da normativa, também foi apresentado o Plano de Desenvolvimento Florestal e de Biomassa 2026–2040, construído pelo Governo do Estado, por meio da Sema e da Sedec, em diálogo com o setor produtivo, incluindo a participação ativa do Cipem e das lideranças da cadeia de base florestal.
O plano estabelece ações estratégicas para ampliar e fortalecer o manejo sustentável, com potencial de alcançar 6,5 milhões de hectares e diversificar ainda mais as espécies manejadas, refletindo as demandas e contribuições de quem está na base da produção.
O Cipem reconhece e valoriza o trabalho do poder público, especialmente pela construção conjunta com o setor produtivo, essencial para o desenvolvimento de políticas eficazes que impulsionam a cadeia de base florestal, segmento que alia desenvolvimento econômico, geração de empregos e conservação ambiental.
Seguimos atuando de forma propositiva para fortalecer o setor e consolidar Mato Grosso como referência em produção florestal sustentável.
Fonte: Notícia Exata

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS
A expansão da indústria de celulose no interior de Mato Grosso do Sul redefine a economia regional, impulsiona empregos e consolida o Estado como líder nacional do setor
Por: Nathália Santos / Perfil News
A interiorização da indústria brasileira ganhou um novo capítulo nos últimos anos com a consolidação do chamado “Vale da Celulose” em Mato Grosso do Sul. Longe dos grandes centros industriais tradicionais, municípios do interior passaram a receber investimentos bilionários, redesenhando suas economias e colocando o Estado no centro da produção global de celulose.
Hoje, a celulose não apenas integra a matriz produtiva sul-mato-grossense. Ela se tornou o principal motor de crescimento econômico do Estado.
UM NOVO EIXO INDUSTRIAL NO INTERIOR

Historicamente dependente do agronegócio, Mato Grosso do Sul encontrou na cadeia florestal uma estratégia de diversificação econômica. A combinação de clima favorável ao cultivo de eucalipto, disponibilidade de terras e logística estratégica atraiu gigantes globais do setor.
Atualmente, o Estado já abriga operações consolidadas da Eldorado Brasil e da Suzano, com fábricas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Essas unidades somam milhões de toneladas de capacidade produtiva anual e posicionam o Estado entre os maiores produtores mundiais.
Além das plantas já em funcionamento, uma nova onda de investimentos reforça o processo de interiorização industrial:
• A chilena Arauco constrói, em Inocência, aquela que deve ser a maior fábrica de celulose do mundo em linha única
• A Bracell prepara a implantação de uma unidade em Bataguassu
• A Eldorado também projeta expansão da sua capacidade nos próximos anos
Esse conjunto de empreendimentos consolida uma mudança estrutural. A indústria pesada deixa os grandes centros urbanos e passa a se instalar em cidades médias e pequenas do interior.
IMPACTO DIRETO NAS ECONOMIAS LOCAIS
Os efeitos dessa interiorização são profundos e visíveis. Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e, mais recentemente, Inocência e Bataguassu, experimentam crescimento acelerado em emprego, renda e infraestrutura.
Segundo estimativas recentes, o setor de celulose deve gerar cerca de 93 mil empregos até 2032 em Mato Grosso do Sul, sendo aproximadamente:
• 24 mil empregos diretos
• 69 mil empregos indiretos
Durante a fase de construção, os impactos são ainda mais intensos:
• A obra da Arauco pode empregar até 14 mil trabalhadores
• A Bracell deve gerar cerca de 12 mil empregos no pico das obras
Esse dinamismo aquece não apenas o mercado de trabalho industrial, mas também setores como comércio, serviços, habitação e transporte, criando um efeito multiplicador típico de grandes projetos industriais.
O PROTAGONISMO DA CELULOSE NA ECONOMIA ESTADUAL
Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que Mato Grosso do Sul caminha para se tornar líder nacional na produção e exportação de celulose. O Estado já possui:

• Cerca de 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas
• Projeção de atingir 2 milhões de hectares nos próximos anos
Além disso:
• O Estado responde por cerca de 24 por cento da produção nacional de celulose
• Pode concentrar mais de 70 por cento da expansão da produção brasileira na próxima década
• Os investimentos previstos no setor podem chegar a até 131 bilhões de reais até 2030
Esses números confirmam o protagonismo da cadeia florestal, que hoje se posiciona como o carro chefe da economia sul-mato-grossense, superando atividades tradicionais em geração de valor e atração de investimentos.
TRANSFORMAÇÃO E DESAFIOS
A interiorização da indústria de celulose não se limita ao crescimento econômico. Ela também promove mudanças estruturais nas cidades, exigindo planejamento urbano, qualificação de mão de obra e expansão de serviços públicos.
Entre os principais desafios estão:
• Escassez de trabalhadores qualificados
• Pressão sobre infraestrutura urbana
• Necessidade de ampliação de serviços públicos
Ao mesmo tempo, o avanço da cadeia florestal estimula políticas de capacitação e fortalece parcerias entre empresas, governo e instituições de ensino, consolidando um novo perfil econômico para o interior do Estado.
UM NOVO MAPA INDUSTRIAL
O caso de Mato Grosso do Sul ilustra uma tendência mais ampla da economia brasileira, a descentralização industrial. No Estado, porém, esse movimento ganha escala global.
Com a presença de gigantes como Suzano e Eldorado Brasil, e a chegada de novos projetos de Arauco e Bracell, o interior sul-mato-grossense deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passa a ocupar posição estratégica na indústria mundial de base florestal.

Audiência pública vai debater aumento no consumo de biomassa de floresta nativa em MT
Biomassa é a madeira utilizada em caldeiras de diversos tipos de agroindústrias. Conforme Código Florestal, grandes consumidores podem usar madeira colhida de reflorestamento.
Em 2022, uma instrução normativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso autorizou que grandes consumidores de biomassa pudessem usar madeira de supressão vegetal (desmate legalizado). Desde então, tem aumentado o consumo desse tipo de insumo, apesar de vedado pelo Código Florestal. O assunto é o ponto central da audiência pública convocada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) que ocorre em 7 de abril (terça-feira) às 14h.
“Além de se contrapor à legislação ambiental brasileira, a normativa coloca em risco vários setores produtivos mato-grossenses que são voltados à exportação. Os importadores mundiais já deixaram claro que não vão comprar produtos com origem em desmatamento, mesmo que legalizado, e isso nos preocupa”, alertou Fausto Takizawa, presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta).
Biomassa é a madeira utilizada em caldeiras de diversos tipos de agroindústrias. Conforme o Código Florestal, os grandes consumidores (que empregam mais de 24 mil metros estéreos por ano) somente podem usar madeira colhida de florestas plantadas (reflorestamento) ou do manejo florestal – corte planejado de árvores nativas. Não há previsão na legislação brasileira para uso de biomassa vinda do desmate legalizado em larga escala.
Em Mato Grosso, a produção de biomassa é feita, predominantemente, do plantio de eucalipto, usado principalmente em secadores de grãos, indústrias esmagadoras, usinas de etanol de milho, etc. Com o avanço das agroindústrias mato-grossenses, tem aumentado o mercado de biomassa, opção mais sustentável para produzir energia no setor industrial.
Em 2025, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que tenham sido consumidos 14,16 milhões de metros cúbicos de biomassa no estado. No ano anterior (2024), foram registrados 13,60 milhões de m3, um acréscimo de 4% no ano.
A questão é que do total consumido em 2025, apenas 47,5% tiveram madeira de reflorestamento como origem (6,7 milhões m3). O que significa que a maior parte (52,5%) teve outras fontes de extração, não tornadas públicas.
“Cabe à Sema demonstrar, de forma transparente, o volume de madeira nativa autorizada com Guia Florestal (GF) em 2025. Nossa preocupação é com a fiscalização dessa biomassa. O órgão ambiental está conseguindo monitorar o transporte desses 7,4 milhões de m3?”, questiona Takizawa.
Com a instrução normativa da Sema em vigor, o uso de biomassa de floresta nativa superou em 55% o consumo de madeira de reflorestamento de 2022 a 2024. “Não é um contrassenso um estado como Mato Grosso, com tanto potencial para o reflorestamento, ir na contramão da descarbonização da economia?”, ponderou Takizawa.
O plantio de florestas tem como principal objetivo reduzir a extração de madeira sobre florestas nativas do País. Com isso, contribui para a preservação ambiental e a recuperação do ecossistema brasileiro. Atualmente, a Arefloresta reúne cerca de 30 associados que respondem por 74.334 hectares de florestas plantadas em Mato Grosso.
A audiência pública foi convocada pela 15ª e 16ª Promotorias de Justiça Cíveis de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital e tem como tema “Biomassa e Sustentabilidade: O uso de vegetação nativa nos Planos de Suprimento Sustentável (PSS) pelos grandes consumidores de matéria-prima florestal”. O evento será híbrido e ocorrerá às 14h, no Auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, com transmissão ao vivo.
Fonte: Mato Grosso Econômico

Comitiva gaúcha sai otimista sobre empreendimento bilionário de celulose após reunião na Funai
Órgão está cumprindo prazos e dá segurança sobre questionamento do Ministério Público Federal, diz secretária do Meio Ambiente do RS.
O ritmo de trabalho e o conhecimento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre o investimento bilionário da CMPC em Barra do Ribeiro, sul do Estado, transmitiram otimismo à comitiva do governo gaúcho que viajou a Brasília, nesta quarta-feira (1º), para discutir o processo de autorização do projeto. Está nas mãos do órgão a principal pendência em relação à recomendação do Ministério Público Federal (MPF) de que o licenciamento seja suspenso.

Indústria de celulose avança em eficiência hídrica e reduz consumo de água por tonelada produzida
Fonte: Perfil News
Modernização tecnológica e sistemas de reuso colocam o Brasil entre os modelos mais avançados do setor, com desafios crescentes na gestão regional dos recursos hídricos
A indústria de papel e celulose ocupa posição estratégica na economia brasileira, especialmente em polos produtivos como Três Lagoas (MS), considerado um dos maiores do mundo no setor. Responsável pela produção de insumos essenciais — como papel, embalagens e derivados —, a atividade historicamente esteve associada ao uso intensivo de água. No entanto, avanços tecnológicos e exigências ambientais têm transformado esse cenário nas últimas décadas.
Hoje, o setor caminha para uma operação cada vez mais eficiente, com redução significativa no consumo hídrico e maior controle sobre os impactos ambientais.
Ciclo da água: da captação ao reuso
O funcionamento de uma fábrica de celulose depende diretamente da água, elemento essencial em praticamente todas as etapas produtivas. O ciclo começa na captação, geralmente realizada em rios próximos às unidades industriais, garantindo abastecimento contínuo.
Na região de Três Lagoas, por exemplo, grandes plantas industriais operam próximas ao Rio Paraná, enquanto outras unidades no estado utilizam a água do Rio Verde (Suzano de Ribas do Rio Pardo) e o Rio Sucuriú (Arauco – ainda em construção). Após a captação, a água passa por rigorosos processos de tratamento para atender aos padrões exigidos antes de entrar no sistema produtivo.
No chamado “coração” da indústria — o processo de transformação da madeira em polpa de celulose —, a água é utilizada para separar fibras, remover impurezas e transportar materiais. Após essa etapa, o líquido residual, conhecido como efluente, contém compostos químicos e precisa passar por tratamento avançado antes de ser devolvido ao meio ambiente.
Tecnologias como processos biológicos, sistemas de oxidação avançada e múltiplas etapas de filtragem garantem que a água devolvida atenda aos padrões ambientais, desmontando a percepção de que a atividade causa degradação hídrica irreversível.
Eficiência hídrica e sistemas fechados
Um dos principais avanços do setor está na adoção de sistemas de circuito fechado, que permitem a reutilização contínua da água dentro da própria fábrica. Essa prática reduz drasticamente a necessidade de captação de água nova e diminui a geração de efluentes.
Além disso, a indústria investe em:
- reutilização de condensados industriais;
- melhorias nos sistemas de lavagem da polpa;
- integração térmica e energética dos processos;
- controle rigoroso de perdas e purgas;
- monitoramento em tempo real do consumo hídrico.
Essas medidas não apenas preservam recursos naturais, como também aumentam a eficiência operacional e reduzem custos.
Quanto de água uma fábrica consome?
O principal indicador utilizado para medir o impacto hídrico do setor é o consumo específico de água por tonelada de celulose produzida. Esse índice evoluiu de forma expressiva ao longo das últimas décadas.
- Fábricas da década de 1990: entre 60 e 80 m³ por tonelada de celulose
- Fábricas modernizadas: entre 35 e 50 m³ por tonelada de celulose
- Plantas de última geração: entre 20 e 30 m³ por tonelada de celulose
- Eldorado Brasil: 24 m³ por tonelada de celulose
- Suzano Três Lagoas: 24,11 m³ de água por tonelada*
(*)a unidade economizou 421.596,6 m³ de água, o suficiente para encher até 169 piscinas olímpicas
A redução é resultado direto da incorporação de novas tecnologias e da pressão por padrões ambientais mais rigorosos. Atualmente, grandes projetos industriais são concebidos desde o início com foco em produzir mais utilizando menos água.
Curiosamente, isso permite que fábricas modernas, com capacidade superior a 2 milhões de toneladas por ano, apresentem consumo específico menor do que unidades menores e mais antigas.
Mitos, sustentabilidade e devolução da água
Apesar de críticas recorrentes, especialistas apontam que a associação entre a indústria de celulose e processos como desertificação não encontra respaldo técnico quando analisada à luz das práticas atuais.
As fábricas modernas operam com sistemas avançados de tratamento e devolvem a água aos corpos hídricos em condições adequadas, seguindo parâmetros ambientais rigorosos. No caso de Mato Grosso do Sul, o setor tem sido citado como exemplo de desenvolvimento aliado à sustentabilidade.
O desafio do futuro: consumo agregado e pressão regional
Se, por um lado, o consumo individual das fábricas tem diminuído, por outro surge um novo desafio: o impacto coletivo das plantas industriais concentradas em uma mesma região hidrográfica.
No chamado “Vale da Celulose”, em Mato Grosso do Sul, projetos de grande porte operam ou estão em implantação, formando um cluster industrial relevante. Individualmente, cada empreendimento comprova viabilidade hídrica nos processos de licenciamento ambiental. No entanto, cresce a preocupação com o consumo agregado ao longo das próximas décadas.
Esse tema já começa a ganhar espaço em análises ESG e avaliações de risco ambiental, especialmente entre investidores e órgãos reguladores.
Sustentabilidade como estratégia de longo prazo
A gestão eficiente da água deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser um fator estratégico para a competitividade da indústria de celulose.
Combinando inovação tecnológica, reuso intensivo e monitoramento contínuo, o setor avança rumo a um modelo mais sustentável. Ainda assim, o equilíbrio entre crescimento industrial e preservação dos recursos hídricos seguirá como um dos principais desafios — especialmente em regiões com alta concentração produtiva.
No fim, mais do que produzir em larga escala, o indicador que ganha protagonismo é outro: quanta água é necessária para produzir cada tonelada de celulose.

A Guerra no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz que Estreita o CTL e Alarga o FT
Artigo por Sebastião Renato Valverde
O tema do momento não poderia ser outro que não a guerra no Oriente Médio. Sem recorrer a previsões catastróficas como a de terceira guerra mundial, o fato é que seus efeitos já são concretos e profundos. Ainda que conflitos regionais — como o entre Rússia e Ucrânia — também provoquem impactos relevantes, a atual tensão envolvendo Irã e Israel, com apoio dos Estados Unidos, possui um alcance sistêmico muito maior, especialmente sobre o mercado de energia. O barril de petróleo, que orbitava na casa dos US$70, já alcança níveis próximos de US$120, com projeções ainda mais elevadas, US$200. Mesmo que haja reacomodação após a guerra, a insegurança energética já está instalada — e seus efeitos tendem a perdurar por um bom tempo.
É nesse contexto que se propõe uma reflexão: quais são as ameaças e, sobretudo, as oportunidades que esse cenário impõe ao setor florestal brasileiro? Se há alguma “profecia” plausível, ela não reside apenas no comércio internacional de produtos florestais, mas também em transformações tecnológicas e operacionais — em especial, na forma como se realiza a colheita florestal e no aproveitamento de seus resíduos.
Historicamente, crises do petróleo sempre funcionaram como catalisadores de mudança. Desde a Segunda Guerra Mundial até os choques da década de 1970, observa-se um padrão: instabilidade nos mercados, volatilidade de preços, insegurança energética e, como resposta, substituição e inovação. Mesmo países com grandes reservas — como o Brasil, com o monopólio da Petrobras e que figura entre as maiores reservas globais — não estão imunes, já que o petróleo é uma commodity de preço internacional. Os impactos se propagam por cadeias inteiras, desde a de fertilizantes nitrogenados que inflaciona o preço dos alimentos, até às indústrias químicas, plásticas, têxteis, farmacêuticas e de transformação em geral.
O passado brasileiro ilustra bem essa dinâmica. Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, restrições ao uso de combustíveis fósseis impulsionaram soluções emergenciais como o gasogênio — tecnologia rudimentar e poluente, posteriormente abandonada. Já na crise dos anos 1970, surgiu o Proálcool: inicialmente instável, mas que evoluiu até consolidar o atual modelo de veículos flex, além do biodiesel e a mais cosmopolita das alternativas refletida no carro elétrico e híbrido, ainda que não sejam plenamente acessíveis.
Na indústria, a substituição de combustíveis fósseis por biomassa já é uma realidade consolidada em muitos segmentos. A geração de vapor e a cogeração a partir de resíduos florestais apresentam custos competitivos, significativamente inferiores aos dos derivados de petróleo. Apesar da crescente participação de fontes intermitentes, como solar e eólica, na geração de eletricidade, a biomassa mantém uma vantagem estratégica: trata-se de uma fonte de energia de base, contínua e previsível.
Nesse cenário, tecnologias como pirólise e gaseificação ganham protagonismo. Diferentemente do gasogênio do passado, soluções modernas permitem a conversão de biomassa em bio-óleo, syngas e biochar — produtos com maior valor agregado e melhor benefício ambiental. A abundância e o baixo custo dos resíduos de plantações florestais colocam o Brasil em posição privilegiada para avançar nesse campo, especialmente em segmentos como celulose, painéis de madeira, metalsiderurgia a carvão vegetal e até mesmo na substituição parcial do diesel por biodiesel derivado de bio-óleo.
Entretanto, essa transição energética traz implicações diretas para a base produtiva florestal: o sistema de colheita. Atualmente, predominam dois modelos principais: o Cut-to-Length (CTL) baseia-se no uso de harvesters que realizam o corte, desgalhamento, descascamento e traçamento da madeira ainda no campo, gerando toras curtas e deixando uma parcela significativa de resíduos — estima-se em até 20% da biomassa — no local. Já o sistema Full-Tree (FT) opera de forma distinta: o corte é realizado por máquinas como o feller buncher, e as árvores inteiras são transportadas para processamento à beira da estrada, permitindo o aproveitamento integral da biomassa lenhosa https://www.maisfloresta.com.br/exclusivo-a-biorrefinaria-e-o-fim-do-porno-florestal/.
A diferença entre os sistemas torna-se estratégica em um contexto de valorização energética dos resíduos. Enquanto o CTL implica perdas relevantes de material lenhoso, o FT viabiliza a captura total desse recurso, com ganhos econômicos estimados — inclusive com redução de custos operacionais. Em um cenário de petróleo caro e pressão por alternativas energéticas, resíduos passam de passivo para ativo https://www.maisfloresta.com.br/exclusivo-fustegando-e-tripudiando-o-transporte-florestal/.
Esse movimento não ocorre isoladamente. A eficiência dos motores a combustão evoluiu significativamente, reduzindo o consumo específico de combustíveis. Caminhões e máquinas tornaram-se mais potentes e econômicos. Paralelamente, mudanças no sistema financeiro internacional — com o fortalecimento de blocos como os BRICS — e a redução da influência histórica da OPEP indicam um rearranjo estrutural no mercado energético global e até na confiabilidade do petrodólares.
Assim, embora guerras possam trazer ganhos de curto prazo para países produtores de petróleo, seus efeitos de longo prazo tendem a acelerar a transição energética e a diversificação de matrizes. Nesse processo, a biomassa — especialmente a florestal — emerge como protagonista.
Por fim, cabe a provocação: se no Estreito de Ormuz, onde não passa boi e nem boiada, muito menos, neste momento, navios petroleiros, pode, paradoxalmente, abrir caminho para uma nova lógica produtiva no setor florestal. A valorização dos resíduos e o avanço das biorrefinarias podem, não apenas transformar a matriz energética, mas também redefinir os sistemas de colheita. Nesse contexto, a pergunta deixa de ser meramente retórica: o que chegará primeiro — uma escalada global do conflito ou o declínio do modelo CTL e dos harvester como padrão dominante?
Se a história das crises energéticas ensina algo, é que a resposta tende a vir menos da geopolítica e mais da capacidade de adaptação tecnológica e produtiva. E, nesse campo, o setor florestal brasileiro pode estar mais próximo da solução do que se imagina.

Comissão Europeia aprova 250 milhões de euros para apoiar a floresta portuguesa
Incentivos plurianuais visam compensar perdas de rendimento e reforçar sustentabilidade do setor.
A Comissão Europeia aprovou um regime de apoios no valor de 250 milhões de euros destinado à floresta portuguesa, com o objetivo de compensar perdas de rendimento e garantir a continuidade dos investimentos no setor.
A medida surge na sequência de uma notificação apresentada por Portugal em março de 2025 e enquadra-se no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.
Apoios prolongam-se até 2029 e podem durar até 20 anos
De acordo com o comunicado do Ministério da Agricultura e Mar, os incentivos têm natureza plurianual e poderão ser atribuídos até 31 de dezembro de 2029.
O apoio poderá estender-se por períodos entre 15 e 20 anos, assegurando estabilidade aos investimentos e previsibilidade para os proprietários florestais.
Medidas incluem florestação e recuperação após catástrofes
O regime abrange várias tipologias de intervenção, nomeadamente:
- florestação de terras agrícolas e não agrícolas;
- restabelecimento do potencial florestal após catástrofes naturais;
- compensação pela perda de rendimento associada à alteração do uso do solo;
- apoio à manutenção dos investimentos florestais.
Os apoios são atribuídos com base em custos e perdas devidamente fundamentados, respeitando critérios de proporcionalidade e evitando situações de sobrecompensação.
Reforço da sustentabilidade e resiliência do território
Segundo o Governo, esta aprovação representa um passo relevante para reforçar a sustentabilidade da floresta portuguesa, promovendo a resiliência do território face a fenómenos extremos e contribuindo para os objetivos climáticos e ambientais da União Europeia.
O montante global de 250 milhões de euros destina-se ao conjunto das intervenções previstas, com impacto na gestão florestal e na adaptação às alterações climáticas.

Aposta da Meta em madeira expõe limite da sustentabilidade em data centers
O uso de madeira engenheirada tem sido mais comum na construção residencial, mas a demanda por aplicações industriais está crescendo.
Em um parque industrial construído do zero na Carolina do Sul, nos EUA, a Meta está erguendo um novo data center de US$ 800 milhões que, à primeira vista, segue o padrão dos gigantescos projetos que as big techs vêm acelerando na corrida pela inteligência artificial.
Instalada em uma área de cerca de 1,2 quilômetros quadrados, com dois enormes galpões que ocupam a maior parte dos mais de 66 mil metros quadrados de construção, a instalação representa o modelo dominante dessa nova infraestrutura: estruturas colossais que se tornaram a forma arquitetônica da disputa pelo poder lucrativo da IA.
Mas, além dos grandes prédios de centros de dados, um edifício administrativo relativamente modesto chama atenção por um detalhe incomum: ele está sendo construído principalmente com madeira, em vez do tradicional concreto e aço usados no restante do complexo e na maioria dos data centers pelo mundo.
No canteiro de obras, uma malha de vigas e colunas de madeira engenheirada já se ergue do chão, enquanto mais elementos estruturais de madeira completam a construção ainda em andamento. Quando a planta entrar em operação, em 2027, esse prédio vai abrigar os escritórios das equipes responsáveis por manter o sistema funcionando.
Embora a maior parte da instalação siga o padrão convencional, essa estrutura de madeira oferece um vislumbre de um futuro um pouco mais sustentável para esse tipo de infraestrutura.
A chamada mass timber (madeira engenheirada) apresenta vantagens, especialmente diante das críticas ao alto consumo de energia e água dos data centers.
“A madeira de origem sustentável é uma ótima escolha porque tem uma pegada de carbono incorporado muito menor do que materiais tradicionais como aço ou concreto”, afirma Blair Swedeen, líder global de sustentabilidade e metas de carbono zero da Meta.
Além disso, o método também acelera a obra. Segundo Swedeen, como os componentes de madeira são geralmente pré-fabricados sob medida, é possível reduzir o cronograma de construção em várias semanas. E, por serem mais leves que estruturas convencionais, exigem cerca de metade do volume de concreto nas fundações.
Os elementos estruturais foram fornecidos pela Smartlam North America, uma das principais fabricantes de madeira engenheirada em um mercado ainda emergente nos Estados Unidos.
O material Madeir, explica Nick Waryasz, especialista sênior da Smartlam.
A Amazon, por exemplo, inaugurou recentemente um centro logístico construído com madeira engenheirada no estado de Indiana, com a intenção de testar o material para projetos futuros. Um data center da Microsoft também está adotando a solução em parte de sua estrutura.
“Tenho participado de discussões iniciais sobre grandes projetos industriais, como data centers, impulsionadas principalmente pelo longo prazo de entrega das estruturas de aço”, diz Waryasz.
“Hoje pode levar mais de um ano para obter esse tipo de material, enquanto projetos equivalentes em madeira podem ficar prontos em cerca de seis meses”, afirma. Acontece que, em um setor altamente competitivo como o de IA, a velocidade de entrada no mercado é crucial.

Para o especialista, o segmento de madeira engenheirada está amadurecendo rapidamente e pode se tornar uma escolha padrão em projetos industriais. No caso do projeto da Meta na Carolina do Sul, o uso de madeira ainda é limitado a uma pequena parte do complexo. Mas a tendência é que isso mude.
“Estamos explorando ativamente o uso de madeira não apenas em edifícios administrativos, mas também em armazéns e até nos prédios onde ficam os servidores”, afirma Swedeen.
“A resistência, durabilidade e segurança contra incêndio tornam a madeira uma opção promissora para aplicações mais amplas na infraestrutura de data centers e seguimos avaliando essas possibilidades.”
Fonte: Fast Company Brasil

Madeira engenheirada CLT desafia aço e concreto e promete obras até 2x mais rápidas
A tecnologia dos painéis de madeira cruzada redefine eficiência, sustentabilidade e velocidade nas obras contemporâneas.
A madeira engenheirada CLT, conhecida como Cross-Laminated Timber, passou a ganhar destaque especialmente a partir de 2020 como uma solução inovadora na construção civil.
Essa tecnologia permite obras secas, rápidas e com elevado desempenho estrutural, o que vem atraindo atenção global.
Madeira e plásticos
Os painéis são formados por camadas de madeira maciça coladas em direções alternadas e, por isso, oferecem alta estabilidade dimensional.
Essa solução transforma o setor ao combinar precisão industrial, sustentabilidade e eficiência construtiva.
Desempenho estrutural coloca o CLT como substituto do aço e concreto
A madeira engenheirada CLT se destaca, principalmente, pela sua relação peso-resistência, que pode ser equivalente ou até superior ao aço em diversas aplicações.
Além disso, a laminação cruzada reduz deformações causadas por umidade, garantindo maior durabilidade estrutural.
Ao mesmo tempo, diferentemente do concreto armado, o CLT apresenta uma pegada de carbono significativamente menor.
A tecnologia passou a ser vista como um dos pilares da industrialização da construção civil moderna.
Nesse cenário, as peças chegam prontas ao canteiro e, consequentemente, a montagem ocorre de forma rápida e organizada.
O processo construtivo se torna mais eficiente e previsível.
Velocidade de execução impulsiona obras secas e eficientes
As construções com CLT podem ser concluídas em até metade do tempo de uma obra convencional e, além disso, eliminam o tempo de cura do concreto.
Assim, o cronograma se torna mais curto e mais controlado.
Materiais de construção e acessórios
Os painéis são produzidos com tecnologia CNC e, portanto, apresentam cortes de alta precisão.
Com isso, os encaixes são perfeitos e o desperdício de material é reduzido.
Esse modelo construtivo torna o ambiente de obra mais limpo, silencioso e produtivo.
Por consequência, a eficiência operacional aumenta significativamente.
Sustentabilidade e certificação fortalecem o uso do CLT no Brasil
No Brasil, desde 2018, o uso do CLT cresce impulsionado pelo uso de madeira de reflorestamento, como pinus e eucalipto.
A EMBRAPA Florestas atua como referência em pesquisas sobre desempenho estrutural dessas espécies.
Segundo estudos da EMBRAPA, as espécies nacionais apresentam potencial competitivo para aplicações em engenharia.
Assim, o setor passa a contar com base técnica sólida para expansão.
Ao mesmo tempo, o Serviço Florestal Brasileiro monitora a cadeia produtiva e garante a rastreabilidade da madeira.
Dessa forma, o material utilizado atende critérios rigorosos de sustentabilidade.
Aplicações estruturais ampliam o uso do CLT
Os painéis CLT são utilizados em paredes estruturais, lajes e coberturas e, além disso, atendem projetos residenciais, comerciais e institucionais.
A versatilidade da tecnologia amplia sua adoção no mercado.
A estética natural da madeira permite que ela fique aparente e, portanto, reduz custos com acabamentos.
Com isso, o projeto se torna mais econômico e visualmente atrativo.
Vantagens técnicas reforçam a eficiência da madeira engenheirada
O sistema apresenta benefícios relevantes e, por isso, ganha espaço na engenharia moderna:
• Segurança ao fogo: a madeira carboniza na superfície e protege o núcleo estrutural
• Conforto biofílico: ambientes com madeira ajudam a reduzir o estresse
• Leveza estrutural: fundações mais simples e com menor custo
• Sequestro de carbono: cada metro cúbico armazena cerca de uma tonelada de CO₂
Essas características tornam o CLT uma solução estratégica para construções sustentáveis.
Durabilidade depende de planejamento técnico adequado
A durabilidade do CLT está diretamente ligada ao controle de umidade e à proteção contra agentes biológicos.
Assim, o uso de tratamentos específicos garante maior vida útil das estruturas.
Além disso, construções em madeira podem durar séculos quando bem projetadas, como demonstram edificações históricas na Europa.
O material se consolida como alternativa confiável.
Madeira e plásticos
O avanço da engenharia verde redefine o futuro da construção
A adoção do CLT representa um marco na arquitetura contemporânea e, ao mesmo tempo, sinaliza uma mudança estrutural no setor.
Assim, a construção civil passa a incorporar soluções mais limpas, rápidas e eficientes.
Nesse contexto, optar pela madeira engenheirada significa investir em inovação e sustentabilidade.
Será que o CLT se tornará o novo padrão dominante da construção civil mundial?
Fonte: Click Petróleo e Gás

Klabin capta R$ 1,75 bilhão com emissão de CPR e reforça estratégia de crescimento no setor florestal
Companhia amplia capacidade de investimento com operação estruturada em até três séries; ações KLBN11 operam em alta no pregão desta segunda-feira (30/03).
A Klabin S.A. (BOV:KLBN11) anunciou que seu conselho de administração aprovou a realização da segunda emissão de cédulas de produto rural (CPR) com liquidação financeira, no valor total de até R$ 1,75 bilhão. A operação, estruturada em até três séries, reforça a estratégia da companhia de ampliar sua capacidade de financiamento voltada ao crescimento sustentável de suas operações florestais e industriais.
A iniciativa ocorre em um momento em que empresas do setor de papel e celulose intensificam movimentos para garantir liquidez e sustentar projetos de expansão, em meio à volatilidade de custos e demanda global. No caso da Klabin, a emissão de CPRs se mostra alinhada ao seu modelo verticalizado, que integra desde o plantio de florestas até a produção industrial, fortalecendo sua posição competitiva no mercado.
De acordo com a companhia, os recursos captados serão direcionados para atividades relacionadas ao seu objeto social, incluindo produção, beneficiamento e industrialização de produtos ligados à silvicultura e à agricultura. Isso inclui investimentos em florestamento, reflorestamento e otimização de sua cadeia produtiva — pilares estratégicos para sustentar crescimento de longo prazo.
Embora a empresa não tenha detalhado comentários adicionais de executivos sobre a operação, o movimento sinaliza disciplina financeira e diversificação das fontes de financiamento, reduzindo dependência de crédito bancário tradicional e ampliando flexibilidade de caixa.
No mercado, as ações da Klabin (KLBN11) operam em alta nesta segunda-feira (30/03), acompanhando a recepção positiva dos investidores. Por volta das 10h04, os papéis eram negociados a R$ 19,29, avanço de 0,42% em relação ao fechamento anterior de R$ 19,21. Durante o pregão, os ativos oscilaram entre mínima de R$ 19,26 e máxima de R$ 19,32, após abertura a R$ 19,28, indicando leve pressão compradora e percepção construtiva sobre a operação.
A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil, atuando de forma integrada no setor florestal. A companhia se destaca pela produção de celulose, papéis e embalagens sustentáveis, competindo com players como Suzano (BOV:SUZB3) e Irani (BOV:RANI3). Seu modelo de negócios combina eficiência operacional com foco em sustentabilidade e inovação.
Para investidores, a emissão de CPR pode representar um passo relevante na sustentação de novos projetos e no fortalecimento da estrutura de capital da companhia.

O novo perfil do emprego em Três Lagoas: o que as gigantes da celulose buscam em 2026
Com mercado mais competitivo, empresas exigem qualificação técnica, habilidades comportamentais e adaptação às novas demandas da indústria.
Conhecida nacionalmente como a “Capital Mundial da Celulose”, Três Lagoas vive um novo momento no mercado de trabalho. O avanço das indústrias do setor trouxe não apenas crescimento econômico, mas também uma mudança significativa no perfil profissional exigido pelas empresas. Hoje, mais do que vontade de trabalhar, é necessário preparo estratégico para conquistar uma vaga.
Especialistas em recrutamento apontam que o cenário atual é mais competitivo e técnico. O currículo deixou de ser apenas uma lista de experiências e passou a refletir competências comportamentais e capacidade de adaptação — fatores decisivos para quem deseja se destacar nos processos seletivos das grandes companhias da celulose.
As habilidades mais valorizadas
Embora a formação técnica em áreas como mecânica, química e eletrotécnica continue sendo importante, ela já não é suficiente por si só. O foco das empresas está cada vez mais voltado para as chamadas soft skills.
A adaptabilidade aparece como uma das principais exigências. Em um ambiente industrial em constante modernização, profissionais capazes de aprender rapidamente novas tecnologias saem na frente. Outro ponto crucial é a segurança do trabalho. As indústrias priorizam colaboradores com mentalidade preventiva, alinhados ao conceito de “acidente zero”.
O trabalho em equipe também é indispensável. Dentro de uma planta industrial, os processos são interdependentes, e a eficiência depende diretamente da colaboração entre setores e profissionais.
Como se destacar na seleção
Para quem busca uma oportunidade em Três Lagoas, algumas estratégias práticas podem fazer a diferença.
- Manter o perfil atualizado no LinkedIn é importante, já que muitas empresas utilizam a plataforma para identificar talentos e acompanhar trajetórias profissionais.
- Cursos gratuitos são oferecidos pelo Sistema S (Senai/Sesi) e, frequentemente, são abertas turmas voltadas às demandas locais.
- Além disso, o domínio básico do inglês tem se tornado um diferencial importante. Com a presença de multinacionais na cidade, compreender termos técnicos e se comunicar minimamente no idioma pode ampliar consideravelmente as chances de contratação.
Tendências e oportunidades
A expectativa para os próximos meses é de abertura de vagas principalmente em setores de apoio, como logística e manutenção industrial. Essas áreas têm ganhado destaque com a expansão das operações e a necessidade de maior eficiência nos processos produtivos.
Para especialistas, a mensagem é clara: o mercado de trabalho em Três Lagoas continua aquecido, mas exige preparo constante. Em um cenário dinâmico, quem investe em qualificação e acompanha as transformações da indústria larga na frente.
A oportunidade existe — mas, como alertam os recrutadores, ela dificilmente espera por quem fica parado.

Mercado de carbono ganha reforço com parceria
B4 e USP unem esforços para ampliar transparência e credibilidade.
A B4, bolsa de ação climática, firmou parceria com a RCGI-USP Carbon Registry, registradora de créditos de carbono ligada à Universidade de São Paulo, para elevar o padrão de acreditação de ativos sustentáveis no país. O acordo prevê a incorporação de critérios científicos e metodológicos mais rigorosos na certificação de créditos de carbono, com foco em mensuração de impacto e transparência.
Segundo as instituições, as metodologias adotadas consideram as especificidades dos biomas brasileiros, como Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, além das características das cadeias produtivas nacionais.
Um dos principais eixos da parceria é a atuação conjunta com a Confederação União da Agricultura Familiar do Brasil no projeto Rota do Babaçu, voltado à bioeconomia. A iniciativa busca estruturar ativos ambientais a partir do aproveitamento do coco babaçu, com potencial de geração de renda e conservação ambiental.

O projeto abrange uma área de cerca de 100 milhões de hectares em 14 estados e tem como objetivo impactar diretamente 5,3 milhões de hectares, beneficiando aproximadamente 108 mil famílias. Além disso, a parceria inclui o desenvolvimento de metodologias para agricultura sustentável, como sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que devem servir de base para a geração de créditos de carbono associados a práticas regenerativas.
A B4 informa que já reúne R$ 3,35 bilhões em ativos sustentáveis sob custódia e cerca de 25,2 milhões de toneladas de carbono em sua plataforma.
Outro ponto do acordo é o uso de mecanismos que direcionam parte dos recursos gerados para financiamento de pesquisas científicas e projetos socioambientais, ampliando o impacto das iniciativas além da redução de emissões.




