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Tempestade Kristin devasta florestas em Portugal e obriga indústria da celulose a se adaptar

Quarenta por cento da floresta de eucalipto foi afetada pelas tempestades. A indústria de celulose considera urgente retirar toda a madeira até junho para reduzir o risco de incêndios, enquanto os proprietários pedem apoio.

A tempestade Kristin destruiu áreas florestais do litoral até a fronteira com a Espanha. O setor madeireiro fala em um verdadeiro “cone de devastação”, enquanto os maiores grupos de celulose já começam a comprar madeira de menor diâmetro.

Trata-se de uma medida excepcional para dar suporte aos produtores das áreas atingidas.

A limpeza das áreas é considerada urgente, principalmente pelo risco de aumento na propagação de incêndios.

Produtores vivem momentos de angústia

Após um verão marcado por grandes incêndios e um inverno com tempestades intensas, os produtores florestais enfrentam um período de grande preocupação.

Apesar do cenário difícil, o setor busca transformar a crise em oportunidade. Esse movimento já pode ser observado na indústria, com o avanço no desenvolvimento de biomateriais. Um exemplo são as embalagens produzidas a partir de fibras de eucalipto, que podem ser de duas a seis vezes mais recicláveis.

Essa cadeia produtiva tem forte impacto econômico, representando cerca de 5% do PIB e 10% das exportações.

No total, o setor florestal movimenta mais de 13 bilhões de euros em volume de negócios.

Fonte: SIC Notícias / Traduzido por I.A

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Google anuncia Groundsource com a ambição de “prever o imprevisível” e evitar catástrofes

Yossi Matias, líder da Google Research, revela como a inteligência artificial está a criar um simulador da Terra, capaz de antecipar enchentes urbanas e combater incêndios florestais.

Yossi Matias, israelense, é vice-presidente de engenharia e pesquisa da Google e lidera a Google Research. Mal começamos a entrevista com ele, o cientista demonstrou conhecer, em detalhe, os desafios meteorológicos recentes em Portugal — informação essencial para quem lidera a resposta a crises em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. A Google já disponibilizava o Flood Hub, uma plataforma que prevê inundações em leitos de rios usando inteligência artificial, cruzando imagens de satélite e mapas de terreno. No entanto, o Groundsource, anunciado nesta quinta-feira, representa um salto qualitativo ao abordar o que até agora era invisível para as máquinas: as enchentes repentinas em áreas urbanas.

O coração dessa nova abordagem está no que Matias chama de “ciclo mágico da pesquisa”. Segundo o engenheiro, esse processo consiste em “ter uma curiosidade orientada pelo impacto, fazendo as perguntas que realmente importam”, resolvendo-as cientificamente e aplicando a solução na prática. O Groundsource utiliza o Gemini para analisar décadas de relatórios públicos, “transformando milhões de documentos em um banco de dados de alta qualidade”. Foram identificados mais de 2,6 milhões de eventos históricos de inundações em mais de 150 países, permitindo treinar modelos de inteligência artificial para prever desastres em áreas urbanas com até 24 horas de antecedência.

O trauma pessoal transformado em missão global

Essa metodologia resolve, segundo Matias, uma lacuna crítica de dados. O cientista lembra que, em 2018, a maioria dos especialistas dizia que a previsão de enchentes era “totalmente impossível” devido à complexidade das variáveis. Ainda assim, a equipe insistiu, começando com um projeto-piloto na Índia que protegia um milhão de pessoas, evoluindo para um modelo hidrológico global que hoje cobre dois bilhões de cidadãos.

A obsessão de Yossi Matias por sistemas de alerta nasceu de uma experiência pessoal. Há cerca de quinze anos, ele viveu de perto a ameaça de um incêndio florestal. Em meio à tensão, tentou buscar no Google informações úteis sobre o que fazer ou para onde fugir — e praticamente não encontrou nada. “Fiquei surpreso com a falta de informação”, recorda. “Sinto-me angustiado toda vez que leio sobre um desastre porque me lembro do que senti ao ver aquele grande incêndio.” Dessa sensação de impotência surgiu uma pequena equipe dentro da Google dedicada a melhorar as informações disponíveis durante crises. O objetivo virou uma espécie de bússola estratégica. A “minha Estrela Polar”, diz Matias, é simples: garantir que “ninguém seja pego de surpresa por um desastre natural”.

Prever para agir: do Alentejo à Nigéria

Segundo o pesquisador, a utilidade desses sistemas depende principalmente da confiança nas previsões. Por isso, ele cita um caso recente na Nigéria, onde o Flood Hub permitiu organizar uma evacuação antes que uma enchente atingisse regiões rurais remotas.

A expansão das previsões para o ambiente urbano com o Groundsource é “crucial porque é nessas áreas que a densidade populacional e a rapidez dos eventos tornam a resposta humana mais difícil”.

Quando perguntado se o Google Earth AI pode ajudar países como Portugal a lidar com incêndios florestais, o cientista respondeu que sim, explicando o projeto FireSat. Trata-se de um sistema de satélites desenvolvido em parceria com várias organizações internacionais. A ideia é colocar em órbita cerca de 50 satélites — um deles já foi lançado — capazes de observar cada ponto da Terra a cada 20 minutos. Essa resolução “permitirá detectar focos de incêndio tão pequenos quanto uma sala de aula”. Para o VP da Google, isso pode mudar completamente a forma como os incêndios são combatidos. O objetivo é claro: “conter muitos incêndios florestais antes mesmo de começarem”.

O polímata digital e o futuro da ciência

A visão da Google vai ainda mais longe. O cientista enxerga a inteligência artificial como um acelerador da descoberta científica. A empresa desenvolveu o AI Co-scientist, um sistema projetado para acelerar a pesquisa acadêmica. Ele é capaz de realizar revisões bibliográficas, gerar hipóteses e validar teorias em múltiplas áreas ao mesmo tempo. Para Matias, isso significa que cada estudante terá acesso a um “laboratório virtual” mais potente do que muitos centros de pesquisa. O AI Co-scientist atua como um “polímata no bolso”, conectando áreas como bioquímica, física e ciência dos materiais.

“A trajetória mais empolgante que vejo hoje é a aceleração da própria descoberta científica”, afirma o líder da Google Research. Matias rejeita a ideia de que a tecnologia reduzirá o número de cientistas. Pelo contrário, acredita que haverá mais pessoas fazendo ciência e formulando perguntas mais ambiciosas sobre doenças, energia e novos materiais. “O AI Co-scientist já está sendo usado para resolver problemas complexos de engenharia e matemática”, mas seu maior valor está na capacidade de democratizar o acesso à pesquisa de alto nível.

No entanto, essa aceleração tecnológica não elimina o fator humano. Pelo contrário: o pesquisador defende que o método científico e a ética são mais importantes do que nunca. A inteligência artificial deve ser vista como um “amplificador da engenhosidade humana”, cabendo aos pesquisadores definir o que é o bem comum e garantir que as máquinas operem de acordo com os valores da sociedade. O papel humano é definir o que é “bom” e qual deve ser o objetivo final da tecnologia. “Se parece bom para nós, é porque é bom”, conclui, em referência à frase de Duke Ellington.

Se o otimismo de Yossi Matias se confirmar, o tempo em que populações eram vítimas indefesas dos caprichos da natureza pode estar chegando ao fim. É um compromisso ambicioso, que envolve parcerias com a comunidade acadêmica e organizações internacionais. Para esse vice-presidente da Google, o progresso recente em áreas antes consideradas impossíveis nos dá motivos para acreditar que o “simulador da Terra” está mais próximo do que imaginamos.

Fonte: SIC Notícias / Traduzido por I.A

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MS já recebeu R$ 48,6 bilhões em investimentos no ‘Vale da Celulose’

Mato Grosso do Sul se tornou o ‘Vale da Celulose’ muito por conta dos investimentos, que somam R$ 48,6 bilhões, nas fábricas implantadas — ou em fase de obras — no Estado, nos últimos anos, conforme dados da Valor Econômico.

No mês passado, a Arauco colocou mais uma lajota neste trajeto rumo a um grande polo industrial em MS, com o lançamento da pedra fundamental da ferrovia, que vai ajudar a escoar a produção da fábrica — 47% concluída — até o porto de Santos (SP).

O investimento do Projeto Sucuriú é de US$ 4,6 bilhões — algo em torno de R$ 24,2 bilhões. Em obras desde o primeiro semestre de 2025, a fábrica deve começar a operar no segundo semestre de 2027. A ferrovia, que terá 45 km da planta industrial até a Malha Norte da Rumo (onde a celulose segue até Santos), tem investimentos de R$ 2,4 bilhões.

O projeto terá 26 locomotivas, 721 vagões e capacidade para transportar até 9,6 mil toneladas por composição. A previsão de conclusão é concomitante à fábrica, que terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano.

Já o Projeto Cerrado, da Suzano, concluído em 2024 em Ribas do Rio Pardo, recebeu investimentos de R$ 22 bilhões e resultou na maior fábrica de celulose de eucalipto em linha única do mundo até o momento — com capacidade anual de 2,55 milhões de toneladas.

Com a maior fábrica de celulose do mundo, o ‘Vale da Celulose’ ajudou a elevar o patamar de competitividade dos projetos de toda a América do Sul.

5ª fábrica de celulose
Neste ano, ainda deve ocorrer o anúncio da quinta planta de celulose de Mato Grosso do Sul, pela Bracell. A companhia já conseguiu, em dezembro do ano passado, a licença prévia para a construção de uma unidade em Bataguassu.

A previsão de conclusão do projeto é o segundo semestre de 2028. Entretanto, alguns gargalos podem alterar esse prazo. Segundo a Valor Econômico, a ausência de uma rede de energia para abastecer a fábrica e escoar o excedente de energia gerada é o principal impasse atualmente.

A companhia aguarda o leilão de uma subestação localizada a 155 km da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter a autorização para implementação desse linhão.

Investimentos de R$ 16 bilhões
Com investimento estimado de R$ 16 bilhões, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental, a unidade terá duas linhas de produção, uma dedicada exclusivamente à celulose para papel (kraft) e outra com flexibilidade para produzir tanto kraft quanto celulose solúvel, usada na fabricação de fibras têxteis, cosméticos e alimentos.

Caso produza apenas kraft, a capacidade anual da planta pode chegar a 2,9 milhões de toneladas anuais; se optar pela flexibilidade de produzir celulose solúvel, a produção será de aproximadamente 2,6 milhões de toneladas.

Contando com este último investimento, o valor injetado pela ‘celulose’ no Estado chega a R$ 64,6 bilhões no Estado.

6ª fábrica de celulose
Outro projeto anunciado para o Estado é o de expansão da Eldorado. Esse é um plano antigo, suspenso pela disputa societária entre o grupo J&F, dos irmãos Batista, e a Paper Excellence. A briga acabou no ano passado, com a aquisição, pelos Batista, da fatia de 49,41% que a Paper detinha na produtora de celulose, ao preço de US$ 2,7 bilhões.

Segundo estimativas iniciais, a segunda linha deve exigir investimentos de US$ 5 bilhões, cerca de R$ 26,5 bilhões na cotação atual. Em meados do ano passado, a empresa renovou a licença ambiental com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e elevou a capacidade do projeto, de 2,3 milhões para 2,6 milhões de toneladas anuais de celulose.

Esses dois investimentos previstos somam R$ 42,5 milhões. Se efetivarem, o total, num período de menos de 10 anos, alcança R$ 91,1 bilhões.

Projetos da América do Sul
Além das citadas, a chilena CMPC aguarda a aprovação para erger um projeto em Barra do Ribeiro (RS). Já o projeto da Paracel, no Paraguai, tem futuro mais incerto. Entretanto, a perspectiva de crescimento no consumo de celulose, especialmente na Ásia, e novos usos e aplicações da fibra sustentam o avanço de projetos no setor, na avaliação de Rafael Barisauskas, economista para América Latina na Fastmarkets, consultoria de preços especializada em commodities, ouvido pela Valor Econômico.

Os projetos na América do Sul são muito mais competitivos quando comparados à maioria das outras regiões do mundo, especialmente pela ampla oferta de madeira e pelo crescimento mais rápido das florestas de eucalipto — cerca de 7 anos na região, diante de 15 anos no Hemisfério Norte.

“No pior cenário, em que a demanda global cresça abaixo das expectativas, as novas capacidades na América do Sul provavelmente levarão concorrentes de custos mais elevados a sair do mercado”, diz Barisauskas.

Dentre os últimos grandes movimentos de expansão na região, aparece o Projeto Star, da Bracell, entregue em 2022 em Lençóis Paulista (SP), com aporte de R$ 15 bilhões.

Na região Sul, a outra chilena, a CMPC, também deu mais um passo no projeto de sua nova unidade de celulose no país, em Barra do Riberio (RS), ao assinar o contrato de concessão do terreno e construção de um TUP (Terminal de Uso Privado), no Porto de Rio Grande (RS). Foram firmados ainda contratos para a construção de novas embarcações. As iniciativas devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do montante total para a construção da unidade.

A conclusão do projeto continua prevista para o segundo semestre de 2029. Com aporte estimado de US$ 4,6 bilhões — R$ 24,2 bilhões ao câmbio atual —, a unidade terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto.

Em relação à base florestal, o executivo disse que a companhia já possui madeira plantada suficiente para rodar as duas fábricas no país por cinco anos. Além da nova unidade em Barra do Ribeiro, a empresa chilena já opera uma fábrica de celulose no município de Guaíba (RS), com capacidade anual de 2,4 milhões de toneladas de celulose de eucalipto.

Fonte: Mídia Max

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Segurança e saúde no trabalho florestal é destaque no Dia Internacional das Florestas 2026

No Brasil, a OIT aprimora a segurança e saúde no trabalho e fortalece o diálogo social no setor florestal.

GENEBRA (Notícias da OIT) – As florestas são importantes fontes de emprego e subsistência para milhões de pessoas em todo o mundo, apoiando a gestão sustentável das florestas, a produção de madeira e a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade. No entanto, o setor florestal continua sendo um dos mais perigosos do mundo, no qual muitos trabalhadores e trabalhadoras enfrentam déficits significativos de trabalho decente, especialmente no que diz respeito à segurança e saúde no trabalho. A mudança do clima intensifica ainda mais esses riscos, tornando os esforços para melhorar as condições e práticas de trabalho mais urgentes do que nunca.

Para marcar o Dia Internacional das Florestas 2026, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca iniciativas em andamento para fortalecer a segurança e saúde no trabalho (SST) e o diálogo social no setor, com foco no Brasil, uma das principais economias florestais do mundo.

No país, a OIT trabalha ativamente com governos, empregadores e trabalhadores para melhorar a SST e fortalecer o diálogo social por meio de iniciativas inovadoras, como o projeto Nossa Voz. A OIT também está avançando em esforços em parceria com o Pacto Global das Nações Unidas, reunindo empresas líderes e constituintes tripartites para promover o diálogo e a ação conjunta no setor.

Um marco importante para 2026 é o desenvolvimento de um pacto setorial para avançar na área de SST e na devida diligência em direitos humanos, juntamente com a promoção de outros princípios e direitos fundamentais no trabalho.

Nesse contexto, o Código de práticas da OIT sobre segurança e saúde no trabalho florestal, juntamente com os materiais de treinamento recentemente lançados para apoiar sua implementação, oferecem ferramentas setoriais essenciais para melhorar as condições de trabalho em um dos setores mais perigosos do mundo.

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UFSM desenvolve metodologias para gestão de florestas plantadas 

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) firmou um acordo de cooperação com a Associação Gaúcha de Plantadores de Florestas (Agaflor) para desenvolver estudos voltados à gestão econômica de florestas plantadas no Rio Grande do Sul. A parceria ocorre por meio do projeto “Desenvolvimento e validação de metodologias para gestão econômica e organizacional em florestas plantadas no Rio Grande do Sul”, coordenado pelo professor Jorge Antonio de Farias, do curso de Engenharia Florestal da UFSM. 

O projeto prevê a criação de metodologias para auxiliar produtores na definição de preços mínimos da madeira e no cálculo dos custos de produção de florestas plantadas. A proposta abrange espécies como pinus, eucalipto e acácia, utilizadas em diferentes segmentos da cadeia florestal, como produção de lenha, cavacos, toras para serraria, exportação e geração de energia.

Uma das questões abordadas pela pesquisa é a ausência de referências consolidadas de preços para a madeira. Diferentemente de produtos agrícolas como soja ou gado, cujos valores de mercado são amplamente divulgados, produtores florestais frequentemente têm dificuldade para avaliar se os preços oferecidos são adequados.

Além da análise econômica da produção, a pesquisa também busca desenvolver ferramentas para a organização do setor florestal em Arranjos Produtivos Locais (APLs). A iniciativa pretende considerar as características regionais do mercado e a diversidade das atividades relacionadas à silvicultura no estado. 

Segundo Farias, a aproximação entre universidade e sociedade permite direcionar a pesquisa para demandas concretas da atividade florestal. “A universidade ganha quando faz parceria com a sociedade como um todo e passa a entender exatamente o que a sociedade precisa”, afirma. 

De acordo com o coordenador, a falta de informações consolidadas sobre custos de produção e formação de preços ainda representa um desafio para produtores de florestas plantadas. A expectativa é que as metodologias desenvolvidas no projeto contribuam para ampliar a capacidade de planejamento e negociação dos produtores.  

Entre os resultados esperados estão a criação de ferramentas para análise de custos e precificação da madeira, além de orientações para fortalecer a cadeia produtiva florestal no Rio Grande do Sul.

Texto: Gabriela Alves. bolsista de jornalismo da Proinova / UFSM

Rota-da-Celulose-avanca-com-plano-de-100-dias-e-inicio-de-melhorias-em-rodovias

Rota da Celulose avança com plano de 100 dias e início de melhorias em rodovias

Concessão de R$ 10,1 bilhões prevê recuperação de 870 km e adoção de pedágio sem barreiras.

A concessionária Caminhos da Celulose apresentou ao governador Eduardo Riedel o andamento inicial e o planejamento dos primeiros 100 dias de operação da Rota da Celulose. A reunião ocorreu na sede da empresa, em Campo Grande (MS), com a presença de autoridades estaduais e equipe técnica.

O encontro teve como objetivo detalhar as ações já iniciadas nas rodovias MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267, além das próximas etapas previstas no contrato de concessão.

“Foi um momento de prestígio receber o governador e seus secretários. Uma oportunidade de atualizar sobre o andamento dos trabalhos da concessão e até fazer uma prestação de conta destes primeiros dias, já pontuando o que fizemos e o planejamento dos 100 dias, que inclusive apresentamos na assinatura do contrato”, afirmou o diretor-presidente da concessionária, Luiz Fernando De Donno.

Entre as primeiras ações destacadas estão a recuperação do pavimento, implantação de sinalização e reforço na segurança viária. Segundo a concessionária, mais de 30 empresas devem atuar simultaneamente nas rodovias para execução de serviços como roçada, instalação de defensas metálicas e melhorias na sinalização.

O objetivo, de acordo com a empresa, é gerar impacto imediato para motoristas e moradores da região, com ganhos em segurança e qualidade das vias.

“Foi definido o início do recapeamento nas rodovias durante o primeiro ano, dos 870 km de extensão, que serão recuperados, dando condição de segurança para população nas rodovias que fazem parte da concessão”, ponderou o secretario estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara.

Entre as primeiras ações destacadas estão a recuperação do pavimento, implantação de sinalização e reforço na segurança viária. Segundo a concessionária, mais de 30 empresas devem atuar simultaneamente nas rodovias para execução de serviços como roçada, instalação de defensas metálicas e melhorias na sinalização.

O objetivo, de acordo com a empresa, é gerar impacto imediato para motoristas e moradores da região, com ganhos em segurança e qualidade das vias.

“Foi definido o início do recapeamento nas rodovias durante o primeiro ano, dos 870 km de extensão, que serão recuperados, dando condição de segurança para população nas rodovias que fazem parte da concessão”, ponderou o secretario estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara.

Entre as inovações previstas está o sistema de pedágio “free flow”, que elimina praças físicas e permite fluxo contínuo de veículos, contribuindo para a redução de emissões de CO2 e maior fluidez no trânsito. O projeto também prevê monitoramento integral das rodovias, com 484 câmeras instaladas e sensores para controle de tráfego e velocidade.

De acordo com o cronograma, as ações iniciais nos primeiros 100 dias incluem a recuperação de dispositivos de segurança viária, como 1.680 metros de defensas metálicas, revitalização de 22,5 km de sinalização, instalação de 5 mil tachas refletivas e reposição de 490 placas.

Cristiano-Macedo-CEO-Technocoat

Sustentabilidade só começa na matéria-prima: por que o setor de papel precisa ir além da certificação

Por Cristiano Macedo*

O início de 2026 foi marcado por cenas tristes causadas por eventos climáticos extremos em cidades da Região Metropolitana de Curitiba. Os tornados que deixaram rastros de destruição em São José dos Pinhais e Piraquara têm um denominador comum com as enchentes de dois anos atrás em municípios do Rio Grande do Sul: as mudanças climáticas causadas, principalmente, pela emissão de gases do efeito estufa e pelo aquecimento do planeta.

Situações como estas nos mostram que não é mais apenas urgente tomar medidas de descarbonização nas cidades (e indústrias) brasileiras. Trata-se da única alternativa que temos se quisermos deixar um mundo melhor e mais seguro para as gerações futuras. Essa reflexão, que precisa ser seguida de planejamento rápido e ações concretas, começa dentro de casa. No caso do Grupo Technocoat e de outras companhias do setor de papel, ela começa dentro do desenvolvimento de produtos e da produção.  

O segmento, que trabalha com produtos de origem florestal, pode contar com as certificações como grandes aliadas. Selos como o FSC® (Forest Stewardship Council) atestam práticas sustentáveis e nos colocam em uma posição de destaque frente aos consumidores, cada vez mais informados e exigentes. O sistema internacional de certificação florestal garante o manejo responsável de florestas, por meio de um selo distintivo que indica a proteção da biodiversidade e respeito às comunidades.

Mas certificações são apenas o começo: elas devem ser vistas como oportunidades de autoconhecimento organizacional e de melhoria de processos, não apenas como uma marca no rótulo do produto ou o fim do compromisso com o meio ambiente. É necessário introjetar a sustentabilidade em toda a cultura organizacional, de forma mais alinhada com os princípios da agenda ESG – sigla em inglês para os pilares ambiental, social e governança que devem nortear os negócios.

Na Technocoat, por exemplo, estamos focados em reduzir nossas emissões de carbono internamente e, ao mesmo tempo, em diminuir o descarte incorreto de resíduos e incentivar a geração de renda por meio da reciclagem e da economia circular. Essa é uma das premissas da Technofibra, empresa que reflete a visão do Grupo de contribuir ativamente para esse processo, promovendo a reciclagem de embalagens longa vida (ELV), aparas de kraft e tubetes de papel. Assim, estamos transformando resíduos em novas oportunidades e reafirmando que a sustentabilidade e o crescimento podem e devem caminhar juntos.

Embalagens sustentáveis de papel com barreiras termoplásticas e alumínio podem ser separadas, recicladas e reintroduzidas na cadeia de consumo como uma nova fibra de papel. Mas para isso, cada vez mais, precisamos usar pesquisa, conhecimento e tecnologia. Só assim haverá ações concretas, além da certificação e dos discursos.

*Cristiano Macedo é CEO do Grupo Technocoat, empresa brasileira tradicional do setor papeleiro focada em soluções industriais e de sustentabilidade no mercado de papel e embalagens.

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Bracell reforça monitoramento hídrico com novos vertedouros em São Paulo e na Bahia

Empresa inaugura em 2025 duas novas instalações de monitoramento ambiental para medir quantidade e qualidade da água em florestas nativas Monitoramento em plantio de eucalipto na Bahia completa 30 anos em 2026.

A gestão responsável da água começa com algo simples: medir bem e sempre.  Sem dados confiáveis não é possível entender como a floresta influencia a quantidade de água que circula pela paisagem.

Uma das formas mais precisas para fazer isso é acompanhar pequenas bacias hidrográficas, onde é possível medir quanta água entra com a chuva e quanta sai pelos rios. Em 2025, a companhia inaugurou dois novos vertedouros – estruturas utilizadas para medir continuamente a vazão da água – em áreas de floresta nativa no interior de São Paulo e na Bahia. A iniciativa reforça uma rede de estudos que já acumula três décadas de medições.

Os novos vertedouros foram construídos na Estação Ecológica dos Caetetus (SP) e na RPPN Lontra (BA). Eles se somam ao monitoramento já realizado em áreas de plantio de eucalipto nos dois estados, permitindo comparar o comportamento da água em florestas plantadas e áreas naturais preservadas.

Na Bahia esse acompanhamento começou em 1996, na microbacia do rio Farje, em Araçás, e completa 30 anos em 2026, consolidando uma das séries de dados mais longos do setor florestal brasileiro.

Como funciona o vertedouro

O vertedouro é uma estrutura construída em concreto que permite medir, com precisão, o volume de água que escoa pelo rio de uma microbacia. Sensores instalados no local registram a altura da lâmina d’água, possibilitando calcular a vazão do rio. As áreas também contam com pluviômetros para o monitoramento da precipitação. Em conjunto com as informações de vazão, esses dados permitem estimar a quantidade de água utilizada pelas florestas. Além da quantidade de água a empresa também monitora a qualidade da água através de análises laboratoriais, medindo indicadores como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, sólidos em suspensão, cor e turbidez.

Na prática, o monitoramento permite comparar o comportamento hídrico de áreas de eucalipto com áreas de floresta nativa conservada, utilizadas como condição de referência ambiental.

“Os vertedouros nos permitem acompanhar, através da análise dos dados obtidos, se o manejo florestal está adequado do ponto de vista hídrico. Ao comparar áreas plantadas com áreas de floresta nativa conservada, conseguimos avaliar tanto a variação na quantidade quanto na qualidade da água ao longo do tempo e, se necessário, ajustar nossas práticas de manejo florestal. É uma ferramenta estratégica para garantir sustentabilidade no longo prazo”, afirma Geovanni Malatesta Barros, Especialista de P&D Florestal da Bracell.

Ciência e parceria de longo prazo

O monitoramento é realizado em parceria com o Programa Cooperativo de Monitoramento e Modelagem de Bacias Hidrográficas (PROMAB), coordenado pelo IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais) e liderado pelo professor Silvio Ferraz da ESALQ/USP. A recomendação técnica é que empresas mantenham microbacias pareadas, ou seja, uma com floresta plantada e outra com floresta nativa para que ocorra a comparação contínua dos dados.

Desde 1996, os dados coletados na microbacia são compilados anualmente e analisados pela equipe técnica do programa, permitindo à empresa acompanhar tendências, identificar impactos pontuais – como colheita ou fertilização – e aprimorar continuamente o manejo. As variáveis monitoradas pelos vertedouros são registradas a cada 15 minutos, complementadas por coletas de campo quinzenais e análises mensais da qualidade da água, garantindo robustez técnica e acompanhamento sistemático das condições hídricas ao longo do tempo.

Segundo o prof. Silvio Ferraz, líder científico do PROMAB, a Bracell tem sido um exemplo de investimento no monitoramento hidrológico para entender e ajustar o seu manejo florestal. “Estes dados são fundamentais tanto para a empresa conhecer o seu manejo florestal, para a sociedade como forma de comprovar cientificamente as condições de seus riachos, mas também para nós, cientistas, que estamos interessados em desenvolver tecnologias para o manejo sustentável”, destacou.

Água como indicador de manejo responsável

Além de atender boas práticas exigidas por certificações como, por exemplo, a CERFLOR, o monitoramento hídrico integra a estratégia ambiental da Bracell, alinhada aos compromissos de clima e sustentabilidade da companhia.

Segundo os relatórios mais recentes, os dados retratam que os indicadores de qualidade da água nas áreas monitoradas têm se mantido em níveis compatíveis com a referência de floresta nativa, reforçando que o manejo florestal adotado segue parâmetros técnicos adequados.

Ao investir em monitoramento contínuo e de longo prazo, a Bracell reforça seu compromisso com a gestão responsável dos recursos hídricos e com a construção de paisagens mais sustentáveis. A iniciativa está alinhada à Agenda Bracell 2030, que estabelece metas claras voltadas à ação climática, à conservação da biodiversidade e à promoção de práticas de manejo cada vez mais eficientes e baseadas em ciência. Em um cenário de mudanças climáticas, a companhia reafirma seu propósito de produzir de forma responsável, contribuindo para o equilíbrio ambiental nos territórios onde atua.

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Dimensão econômica e sociocultural do carvão vegetal no Mato Grosso do Sul

Por José Otávio Brito e Moacir Reis

O carvão vegetal constitui um dos combustíveis sólidos mais tradicionais da matriz energética brasileira. Sua utilização ocorre de forma expressiva tanto em atividades industriais quanto no preparo de alimentos, especialmente no churrasco. Essa dupla inserção, industrial e alimentar, confere ao carvão vegetal uma relevância econômica e sociocultural significativa no país.

Apesar dessa importância, o consumo associado ao preparo de alimentos raramente aparece de forma explícita nas estatísticas energéticas nacionais ou nas análises setoriais da matriz de combustíveis. Essa invisibilidade estatística contrasta com a presença cotidiana do carvão vegetal na cultura alimentar brasileira, particularmente nas regiões onde o churrasco ocupa papel central nos hábitos sociais e gastronômicos. Nesse contexto, o carvão vegetal deixa de ser apenas um insumo energético e passa a integrar um conjunto mais amplo de relações econômicas, culturais e sociais.

O carvão vegetal deve ser analisado não apenas como um insumo energético isolado, mas como elemento estruturante de uma cadeia produtiva mais ampla que integra atividades florestais, industriais e comerciais, com Mato Grosso do Sul se inserindo claramente nesse cenário. Neste estado, o carvão vegetal possui importância econômica em dois grandes segmentos: na cadeia siderúrgica baseada na produção de ferro-gusa e no preparo de carnes em churrasco, atividade amplamente disseminada na cultura regional.

Estimativas baseadas em estatísticas setoriais relacionadas à frequência de consumo de carne em churrasco e aos hábitos alimentares da população indicam que o consumo estadual e anual de carvão vegetal associado ao preparo doméstico de churrasco possa situar-se entre 60 mil e 70 mil toneladas. Esse carvão vegetal é comercializado predominantemente no mercado varejista, em embalagens de pequeno volume destinadas ao consumidor final.

Esse formato de comercialização resulta em um importante processo de agregação de valor ao produto. Diferentemente do carvão vegetal destinado ao uso industrial, geralmente comercializado em grandes volumes e com menor valor unitário, o carvão destinado ao preparo de alimentos alcança preços significativamente superiores. Tendo como referências dados do comércio varejista, estima-se que essa cadeia de comercialização possa movimentar, anualmente, cerca de R$ 325 milhões por ano no estado.

No setor siderúrgico, o carvão vegetal é utilizado como agente redutor na produção de ferro-gusa, constituindo um insumo fundamental para essa importante atividade industrial.

A utilização do carvão vegetal nesse processo representa também um diferencial relevante do ponto de vista ambiental, uma vez que se trata de um insumo de origem renovável, diferentemente do coque mineral empregado em outras rotas siderúrgicas. Isso agrega um valor intangível ao produto industrial final, permitindo que a produção estadual atenda a padrões rigorosos de sustentabilidade e certificação, com enormes potenciais para novos mercados e aumento da rentabilidade dos produtores locais.

Estimativas setoriais indicam que o consumo anual de carvão vegetal na siderurgia do Mato Grosso do Sul seja da ordem de 450 mil toneladas, representando uma movimentação financeira aproximada de R$ 490 milhões por ano considerando apenas o valor do carvão.

Entretanto, quando se considera o valor econômico do ferro-gusa produzido a partir desse insumo, a dimensão econômica da cadeia produtiva torna-se significativamente maior. Considerando a produção estimada de cerca de 550 mil toneladas de ferro-gusa por ano no estado, o valor econômico anual associado à tal produção encontra-se na ordem de R$ 1,2 bilhões.

Para se ter uma ideia da dimensão desse mercado, esse valor corresponde a aproximadamente 61% de todo o faturamento da suinocultura do Mato Grosso do Sul, e é equivalente ao gerado pela indústria de moagem de cereais (exceto soja) e a panificação do estado.

Apesar da sua relevância econômica, o carvão vegetal ainda permanece relativamente invisível no debate público e nas políticas setoriais, muitas vezes sendo percebido como uma atividade secundária, quando na realidade constitui um componente significativo da economia regional.

Os dados evidenciam que, embora o setor siderúrgico concentre os maiores volumes físicos de consumo de carvão vegetal, o segmento associado ao preparo de churrasco apresenta uma capacidade proporcionalmente maior de geração de valor econômico por unidade de produto. Nesse contexto, deve-se ressaltar que no segmento ligado ao preparo do churrasco, quase que toda riqueza permanece dentro do próprio estado, envolvendo uma ampla rede de agentes econômicos locais. Entre esses agentes destacam-se produtores de carvão vegetal, pecuaristas, frigoríficos, supermercados, açougues, distribuidores de carvão vegetal, fornecedores de bebidas e outros insumos, além do próprio consumidor final.

Com base em dados da IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores, SEMADESC – Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul e informações setoriais, pode-se estimar que a cadeia produtiva do carvão vegetal no Estado do Mato Grosso do Sul gere cerca de 11 mil postos de trabalho, computando-se apenas os empregos diretos. A produção do carvão comporta a maior parcela (90%), com o restante correspondendo aos postos de trabalho diretamente envolvidos somente no processamento interno das plantas industriais do ferro-gusa. Tendo ainda como referência que outras 3,2 vagas sejam geradas nos setores de transporte, manutenção, embalagens e comércio varejista atrelados ao campo e à indústria de transformação florestal, indiretamente estariam sendo gerados mais 35,2 mil postos de trabalho.

Historicamente, a atividade carvoeira no Brasil tem sido frequentemente associada a estigmas e percepções negativas. Essas percepções acabam contribuindo para a desvalorização social e econômica do carvão vegetal, bem como do produtor e dos agentes envolvidos em sua cadeia de distribuição. Entretanto, quando analisado no contexto mais amplo de sua cadeia produtiva, o carvão vegetal revela-se um insumo estratégico, com capacidade de gerar valor econômico significativo e de contribuir para a dinamização de diversas atividades produtivas.

Além da dimensão econômica, deve-se considerar também a forte dimensão sociocultural associada ao consumo de carvão vegetal no preparo de churrasco. No Mato Grosso do Sul, assim como em diversas outras regiões do país, o churrasco constitui uma prática social amplamente disseminada, presente em encontros familiares, celebrações comunitárias e eventos sociais diversos. Centenas de milhares de pessoas participam direta ou indiretamente dessas atividades, nas quais o carvão vegetal desempenha papel essencial.

Outro ponto interessante a ser destacado é o da relação direta entre o consumo de carvão vegetal no preparo de churrasco e a forte presença da pecuária de corte no Mato Grosso do Sul. O estado apresenta elevada participação na produção nacional de carne bovina. Parte expressiva dessa produção destina-se aos mercados externos, mas uma parcela relevante permanece no mercado interno e integra os hábitos alimentares regionais.

O consumo de carne bovina em cria, portanto, cria uma conexão econômica indireta entre a cadeia da pecuária e o mercado de carvão vegetal, uma vez que a demanda por carne preparada na brasa constitui um dos principais fatores de sustentação do consumo de carvão destinado à gastronomia. Estima-se que até 20% da chamada carne bovina nobre produzida no estado seja destinada ao churrasco doméstico local.

Outro aspecto relevante refere-se à dimensão sanitária e alimentar desse consumo. O carvão destinado ao preparo de alimentos está diretamente relacionado à qualidade do que é ingerido pela população, o que reforça a necessidade de atenção quanto à sua qualidade, origem e condições de produção.

Diante desse conjunto de fatores, torna-se fundamental ampliar a atenção institucional e setorial dedicada ao tema do carvão vegetal no Mato Grosso do Sul. Algumas iniciativas podem contribuir de forma decisiva para o fortalecimento e a valorização dessa cadeia produtiva, entre as quais se destacam: a) realização de diagnósticos mais precisos da produção e do mercado estadual de carvão vegetal; b) estímulo à certificação e à rastreabilidade do produto; c) definição de padrões específicos de qualidade para o carvão; d) avaliação mais detalhada do segmento de uso gastronômico do carvão; d) valorização econômica da produção sustentável de carvão vegetal.

O reconhecimento e a valorização dessa cadeia produtiva podem representar uma oportunidade concreta de agregação de valor ao produto, aumento da renda dos produtores e fortalecimento de um setor que integra dimensões energéticas, econômicas, sociais e culturais da sociedade sul-mato-grossense.

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Como as florestas protegem o Brasil diante da crise internacional

Fonte: Um Só Planeta

O conflito no Golfo Pérsico pode gerar uma recessão global. Se estamos em uma posição privilegiada, isso se deve em boa parte aos nossos ativos ambientais.

O agravamento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã coloca o mundo diante de um cenário de incerteza que não se via há décadas. O risco de uma disrupção no Estreito de Ormuz — a principal artéria do petróleo global — projeta sombras de recessão sobre as grandes economias. No entanto, em meio a essa arquitetura de instabilidade, o Brasil emerge com uma configuração econômica única, capaz de transformar a crise externa em uma oportunidade de consolidação estratégica. Mas essa ascensão possui uma condição inegociável: a governança ambiental.

Enquanto o mundo teme o “choque do petróleo”, o Brasil se posiciona como um dos poucos países que caminha para a autossuficiência e exportação líquida, com a vantagem competitiva de possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Com 98% de sua geração elétrica proveniente de fontes renováveis e gás natural, o país está blindado contra crises de desabastecimento elétrico que assolam a Europa.

Mais do que isso: nossa frota de carros flex e a robusta produção de etanol funcionam como um amortecedor macroeconômico. Temos tecnologias de sobra para expandir o uso de biocombustíveis de diversas fontes vegetais para substituir em parte o diesel. Em um cenário de escalada do barril de petróleo, o Brasil tem a capacidade necessária para mitigar o impacto nos transportes, algo que economias desenvolvidas ainda lutam para implementar via eletrificação.

Mas, peraí, Alexandre Mansur, se você está pregando etanol e outros biocombustíveis como substituto para os derivados de petróleo, isso significa expandir a produção nacional, aumentando a área plantada. Para isso precisamos derrubar florestas? Não. Terra desmatada é o que o Brasil tem de sobra. O Brasil tem tanta terra aberta que está jogando fora. Só na Amazônia Legal, estudos realizados pelo pesquisador Paulo Barreto, do Imazon e do projeto Amazônia 2030, mostram que existem 40 milhões de hectares de pastos degradados, que podem ter uso mais adequado. Em todo o país, segundo o Mapbiomas, há um total de 102 milhões de hectares de pasto degradado. Tudo isso é mais que suficiente para qualquer necessária expansão da cana do Brasil, que hoje ocupa um total de 9,87 milhões de hectares.

Nossa capacidade de produzir combustíveis a partir de base vegetal só existe porque temos, além de sol e terra abundante, um fornecimento de chuva. Essa chuva vem da Amazônia.

Fundamental para sustentar essa vantagem competitiva é a compreensão de que a Amazônia funciona como uma gigantesca bomba d’água para o continente. Através da evapotranspiração, a floresta lança na atmosfera os chamados “rios voadores”, que transportam umidade para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Essa dinâmica é a engrenagem vital que garante o regime de chuvas necessário para a produtividade recorde do nosso agronegócio e para o enchimento dos reservatórios das hidrelétricas. Sem a floresta em pé, o risco de secas prolongadas coloca em xeque a exportação de grãos e eleva o custo da energia para a indústria nacional, provando que o desmatamento é, na prática, um processo de autossabotagem econômica.

Além de zerar o desmatamento e recuperar florestas, nossa estratégia deve se basear na transformação da agricultura. A adoção em larga escala de sistemas de agricultura regenerativa surge como um escudo contra a volatilidade do dólar e das cadeias de suprimentos globais. Ao cuidar das florestas, priorizar a saúde do solo, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos — como fixadores biológicos de nitrogênio e defensivos naturais —, o produtor brasileiro reduz drasticamente a dependência de fertilizantes NPK e pesticidas sintéticos, cujos preços são dolarizados e vulneráveis a conflitos em regiões como o Leste Europeu.

Essa transição para uma “indústria biológica” dentro da porteira não apenas melhora a margem de lucro diante de um câmbio desfavorável, mas confere ao Brasil uma autonomia estratégica sem precedentes, desatando o nó logístico e geopolítico que historicamente condicionava nossa produtividade a insumos estrangeiros.

Isso é nossa proteção.

Não é à toa que no novo paradigma econômico, o controle do desmatamento não é apenas uma pauta ecológica, é uma pauta de soberania financeira. Em um momento em que a Europa e a China buscam parceiros confiáveis para garantir sua segurança alimentar e energética, o desmatamento ilegal da Amazônia torna-se o principal argumento para barreiras não-tarifárias. Se o Brasil quer se consolidar como o porto seguro das commodities globais, a governança ambiental precisa ser vista como o seguro das nossas exportações.

O saldo final é claro: o Brasil possui os ativos que o século XXI exige em tempos de crise — energia limpa, comida e petróleo fora de zonas de guerra. Temos a faca e o queijo na mão para sermos o destino predileto do capital global que foge da instabilidade do Oriente Médio. Entretanto, a chave desse cofre chama-se governança. Ao erradicar o desmatamento ilegal e promover a agricultura regenerativa, o Brasil deixa de ser apenas um exportador de produtos para se tornar o fiador da estabilidade global. A crise no Golfo apenas acelera a urgência de assumirmos esse papel de liderança responsável.

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STF anula norma do Acre que permitia transferência de florestas a particulares

O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o dispositivo de uma lei do Acre que previa a concessão automática do título de domínio definitivo de florestas públicas a particulares após dez anos de uso autorizado pelo poder público. A decisão foi tomada no julgamento conjunto de três ações diretas de inconstitucionalidade.

As ações foram apresentadas pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (ADI 7.764), pela Procuradoria-Geral da República (ADI 7.767) e pelo Partido Verde (ADI 7.769). Todas miravam duas leis estaduais: a Lei 4.396/2024 e a Lei 4.397/2024, que alteraram as regras sobre gestão ambiental e a atuação da polícia ambiental no estado.

A Lei 4.397/2024 modificou a Lei 1.117/1994 (Política Ambiental do Estado) e simplificou ou até dispensou licenças ambientais antes exigidas para atividades com potencial impacto, como limpeza de terrenos, abertura de vias marginais e pavimentação. Já a Lei 4.396/2024 alterou o artigo 6º da Lei 1.787/2006 e passou a prever, entre outros pontos, a transferência de propriedade de florestas públicas a particulares após dez anos de uso autorizado.

Parte das ações foi julgada prejudicada porque os dispositivos foram revogados por legislação posterior, incluindo regras sobre dispensa e simplificação do licenciamento ambiental.

Por outro lado, a corte declarou inconstitucional a regra que permitia a transferência de floresta pública com base apenas na comprovação de posse por dez anos. Para o STF, a medida dispensava estudos técnicos e análise de impacto ambiental, contrariava normas federais e reduzia o nível de proteção ao meio ambiente, em afronta ao princípio constitucional da vedação ao retrocesso ambiental.

A decisão, tomada em sessão do Plenário virtual, teve como base o voto do relator, ministro Nunes Marques. Com informações da assessoria de imprensa do STF.

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Suzano restaura mais de 1,5 mil hectares do Cerrado em MS

Plano de manejo revela áreas protegidas, espécies monitoradas e ações sociais em 14 municípios do Estado.

A maior produtora mundial de celulose mantém mais de 1,5 mil hectares do Cerrado em processo de restauração ecológica em Mato Grosso do Sul, em uma estratégia que combina produção florestal e conservação ambiental. A iniciativa integra o Plano de Manejo Florestal 2025 da unidade de negócios no Estado, documento que detalha ações de preservação, monitoramento e relacionamento com comunidades.

A Suzano, maior produtora mundial de celulose, mantém mais de 1,5 mil hectares do Cerrado em restauração ecológica em Mato Grosso do Sul. A iniciativa faz parte do Plano de Manejo Florestal 2025, que busca equilibrar produção e preservação ambiental. A empresa possui oito grandes remanescentes naturais classificados como Áreas de Alto Valor de Conservação, totalizando mais de 15 mil hectares. O monitoramento ambiental registrou 283 espécies, incluindo animais ameaçados como o cervo-do-pantanal e o gato-palheiro. A operação abrange 1,136 milhão de hectares em 14 municípios, dos quais 31% são destinados à conservação.

Ao longo da execução do plano, a Suzano adota um modelo que busca equilibrar produtividade e preservação, com foco na recuperação de áreas degradadas e na manutenção dos serviços ambientais do bioma. O material, disponível na área de transparência da companhia, também orienta as diretrizes para os próximos ciclos de manejo.

A restauração ecológica faz parte de um conjunto de práticas contínuas voltadas ao uso responsável da terra. Segundo a empresa, o objetivo é integrar o desenvolvimento econômico à proteção ambiental e ao fortalecimento das relações com as comunidades onde atua.

“Nosso propósito de renovar a vida a partir da árvore reflete o compromisso em desenvolver soluções sustentáveis com base em recursos renováveis. A restauração ecológica integra essas práticas e é fundamental para equilibrar produtividade, conservação ambiental e relacionamento com comunidades”, afirma o coordenador de Licenciamento Ambiental, Jackson Silva.

Áreas preservadas e biodiversidade monitorada

No Estado, foram identificados oito grandes remanescentes naturais classificados como Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVCs), que somam mais de 15 mil hectares. Esses espaços incluem florestas, savanas e veredas, considerados estratégicos para a proteção da biodiversidade, conservação da água e regulação do clima.

O monitoramento ambiental também aponta a presença de 283 espécies registradas no último ciclo, concluído em 2024. Entre elas estão 26 mamíferos, 219 aves, 23 anfíbios, 2 répteis e 13 espécies vegetais. Animais ameaçados como cervo-do-pantanal, gato-palheiro, queixada e veado-campeiro aparecem entre os registros, reforçando a relevância ecológica das áreas preservadas.

Base florestal e manejo sustentável

A operação no Estado abrange cerca de 1,136 milhão de hectares distribuídos em 14 municípios. Desse total, 327 mil hectares são destinados exclusivamente à conservação da biodiversidade — o equivalente a 31% da área florestal mantida.

A produção é baseada em plantios renováveis de eucalipto, com certificações internacionais que garantem rastreabilidade e conformidade ambiental. O modelo adotado busca assegurar a continuidade dos serviços ecossistêmicos e a sustentabilidade da atividade.

Impacto social nas comunidades

Além da agenda ambiental, as ações sociais também fazem parte da estratégia. Projetos voltados à educação, geração de renda e inclusão produtiva já alcançaram mais de 700 pessoas em municípios como Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Brasilândia, Água Clara, Bataguassu, Selvíria, Anaurilândia, Aquidauana, Campo Grande e Santa Rita do Pardo.

O conjunto das iniciativas evidencia um movimento crescente no setor florestal: produzir em escala, mas com pressão cada vez maior por transparência, responsabilidade ambiental e impacto positivo nas comunidades locais.

Fonte: Campo Grande News

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