Do preconceito à valorização: mulheres encontram novas oportunidades no setor florestal de MS

Informações: G1

Cargos antes ocupados exclusivamente por homens passam a ter mulheres como protagonistas, principalmente, na produção de eucalipto.

O dia 8 de março marca a luta das mulheres na busca por conquistas sociais, políticas e trabalhistas. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, e também traz na pauta debates como igualdade de gênero, combate ao machismo e à violência.

Nas questões trabalhistas, por exemplo, as mulheres passaram a ganhar espaços em contextos profissionais antes dominados homens. Em Mato Grosso do Sul, um dos setores que registram esse novo cenário é o florestal. Do preconceito à valorização, são muitas as histórias de conquistas profissionais de mulheres no setor.

Joérica Travasso de Moreira é um desses exemplos. Ela se mudou de Laranjal do Jari, no Amapá, para Água Clara e conquistou vaga para atuar na colheita, na MS Florestal, empresa voltada à produção de madeira de eucalipto destinada à fabricação de celulose.

“Me mudei para Água Clara em busca de uma oportunidade. Na minha região, além da falta de vagas, sofri bastante preconceito por ser negra e pela minha orientação sexual. Aqui na MS Florestal, me sinto acolhida e valorizada por todos. Estou muito feliz e todos deveriam valorizar essa oportunidade com todas as forças”, comenta Joérica.

Na ASJ Florestal, em Nova Andradina, 25% dos 130 funcionários são mulheres. No viveiro da empresa, localizado no distrito de Nova Casa Verde, elas representam 90% da equipe. A engenheira florestal Bárbara de Souza Marques, que também atua na área de segurança do trabalho, conhece de perto os desafios.

“Creio que a maior dificuldade seja ainda o setor ser considerado um ambiente predominantemente masculino. Em cargos técnicos, a gente já ocupa uma boa parte, mas ainda vemos essa dificuldade de acessar esses cargos da alta gestão”.

Rayane Aparecida Silva Menezes, 28 anos, engenheira florestal e pesquisadora de desenvolvimento de produto da ArborGen, trabalha com melhoramento genético do eucalipto.

“Em alguns momentos, ser a única mulher exigiu uma fala mais firme (…). Ainda assim, posso afirmar com convicção que nós, mulheres, também temos capacidade técnica e física para atuar nessa área”.

Estatísticas

Mato Grosso do Sul registrou aumento na contratação de trabalhadores da agropecuária em 2025. O cultivo de eucalipto respondeu por 55% dessas vagas, metade de todos os empregos formais do setor no estado. Grande parte dessas contratações é formada por mulheres de diferentes regiões do país, que buscam estabilidade, independência e valorização profissional.

O avanço também é impulsionado pelo peso econômico da atividade. No beneficiamento de eucalipto, Mato Grosso do Sul liderou as exportações brasileiras em 2025.

Segundo a plataforma Comex Stat, o estado embarcou 6,8 milhões de toneladas — 33,8% do total nacional. O volume é mais que o dobro do registrado por São Paulo, segundo colocado, com 3,4 milhões de toneladas. Enquanto o Brasil cresceu 11,4% no setor, Mato Grosso do Sul teve alta de 48,7% em relação ao ano anterior.


Se inscrever
Notificar de
guest

0 Comentários
Feedbacks
Ver todos os comentários

ÚLTIMAS NOVIDADES