Dados de satélites e nanossatélites associados à inteligência artificial foram capazes de identificar com 45 dias de antecedência, em agosto de 2021, um incêndio florestal no Condado de El Dorado em Omo Ranch, na Califórnia nos Estados Unidos. Apelidado de Caldor Fire, o incêndio cresceu 24 vezes em tamanho em apenas dois dias forçando 10 mil moradores deste estado norte-americano a deixarem suas casas. 

A informação de que o evento extremo iria acontecer foi captada pelos sistemas da Quiron Digital, startup catarinense que atua desde 2018 na prevenção de eventos como esse em florestas, além de reunir dados sobre ataque de pragas, doenças e desmatamento. Com o alerta, as autoridades locais conseguiram tomar medidas de enfrentamento antes mesmo de o incêndio iniciar. O trabalho é um dos exemplos do processo de expansão internacional da empresa que tem sede em Lages e, desde novembro de 2021, uma unidade em Portugal.

Como mostrou o SC Inova, a Quiron fez parte das 14 startups catarinenses que participaram por meio do programa Startup SC do Web Summit, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, em Lisboa. No evento, a empresa anunciou a criação de uma unidade no município de Fundão, na região central de Portugal, por conta volume de contratos fechados no país, especialmente com o uso da ferramenta Flareless. 

Em outra participação no cenário internacional, a startup foi umas das finalistas da maior competição global de empresas que atuam no enfrentamento da crise climática, o Extreme Tech Challenge (XTC). A Quiron ficou em segundo lugar na categoria Smart-Cities Sustentáveis, empatada com a BioElements, do Chile.

Os dez vencedores das categorias do XTC dividirão o palco no evento Global Finals, que faz parte do TechCrunch Sessions Climate, evento que acontece em Berkeley, Califórnia (EUA), no dia 14 de junho, com a presença de grandes nomes de mercado, cientistas, divulgadores de ciência e responsáveis por áreas das inovações tecnológicas relacionadas ao clima. 

A participação neste encontro faz parte da estratégia da empresa lageana de não ficar restrita ao mercado nacional. E especialmente pela intenção da empresa de entrar no mercado norte-americano. “O processo de internacionalização começou praticamente no marco zero. Já sabíamos, de outras experiências, sobre a importância da internacionalização e quando montamos a empresa começamos a estruturar os serviços e produtos. Identificamos a capacidade de fazer tudo por satélite, logo de cara a gente já viu a capacidade de monitorar qualquer floresta do globo”, explica Diogo Machado, diretor de mercado e um dos sócios-fundadores da Quiron.

“Quando você tem essa característica de um modelo de negócio que pode ser internacionalizável, todo o posicionamento de marca, também precisa ser criado para que quando você vá para outro país, a gente possa adequar isso com facilidade”, acrescenta.

Uma das mudanças, logo no começo que a empresa fez foi mudar a definição de “agrodigital” para simplesmente digital, “porque cabia em outros países, além de outras mudanças de posicionamento e toda a estrutura de linguagem – e essa premissa logo se concretizou”, completa o diretor. 

EUA: “OBRIGAÇÃO” NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS

O primeiro cliente fora do Brasil foi em Portugal. Desde 2018, os sócios já vinham se relacionando por meio de edições anteriores do Web Summit, e com o programa Startup Portugal, além de outros pontos de contato que se intensificaram no final de 2020. “Foi uma questão natural, porque a gente já estava prospectando por lá, mas ao mesmo tempo a aceitação do mercado português foi mais rápida do que a brasileira, porque eles tinham recém passado por um processo de grande perda com o incêndio de 2017. Por isso, eles estavam mais preparados para tecnologias do segmento florestal”, relembra Diogo.

Nos Estados Unidos, o primeiro trabalho-piloto foi previsão do Caldor Fire, o segundo maior incêndio do ano passado nos Estados Unidos. Para garantir a entrada no mercado norte-americano, no entanto, a startup ainda precisa ter um relacionamento mais próximo para avançar as negociações e novos clientes. 

Antes de entrar em definitivo nos EUA, startup quer tracionar solução onde atua, especialmente Brasil e Portugal, diz Diogo Machado (segundo à esquerda). / Foto: Divulgação.

Por conta da pandemia, a Quiron ainda não teve a oportunidade de estar presencialmente no país, o que deve acontecer no segundo semestre de 2022. “A gente teve muitos contatos dentro da USFS, que é a unidade florestal das unidades federais dos Estados Unidos, e com Cal Fire, que cuida da parte de incêndios na Califórnia, e com o próprio chefe de bombeiros de El Dorado Country. Todos esses pontos de contato avançam em negociações, mas ainda muito incipientes”, aponta Machado. 

Segundo um dos fundadores da empresa, a parte governamental norte-americana ainda tem maior receio na adoção de novas tecnologias. Por isso, a estratégia é “tracionar” um pouco mais o negócio no Brasil, para depois chegar mais forte nos Estados Unidos. “A gente tem essa vontade de ter uma unidade por lá. É quase que obrigatório em função do grande volume de dinheiro que eles investem no combate aos incêndios na Califórnia, principalmente, agora que os incêndios estão atingindo outros estados, como Nevada, Novo México e Arizona. Então, existem outros estados também sofrendo, não apenas e unicamente a Califórnia. Assim, ir para lá é praticamente uma obrigação nos próximos um ou dois anos”, avalia o empreendedor.

NOVOS MERCADOS 

A expansão do mercado de monitoramento de florestas, de acordo com Machado, deve acontecer naturalmente diante das ameaças globais do clima. E ao mesmo tempo no Brasil e fora no exterior, onde existe mais espaço para venda dos sistemas da empresa. 

“Não falo em florestas plantadas, já que no mercado brasileiro esse mercado é muito forte e diria, inclusive, que é um dos mercados mais inovadores do mundo. Mas de maneira geral, em termos de ameaças florestais como pragas e doenças, você tem outros países com grandes potenciais, como os Estados Unidos, o Canadá, a própria Rússia”, diz. 

Outros mercados potenciais, com quantidade de problemas florestais e que precisam de dados satélites são, segundo o empreendedor, são a Indonésia e Oceania. “Essa expansão passa por uma questão burocrática para emitir nota e trazer o dinheiro ao Brasil, ou a sede da Quiron. Mas essa é uma tarefa que a gente vem desenvolvendo com diversos parceiros, e esses parceiros têm encontrado excelentes caminhos para que isso aconteça através da exportação de tecnologia. Nosso foco sempre será internacional, do marco zero dela até o final”, acredita Machado.

Fonte: Quiron Digital

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