Da chegada ao Brasil até se tornar ouro verde: como a silvicultura do pinus teve início no país

A trajetória do agronegócio brasileiro está diretamente ligada à ciência, à pesquisa e ao melhoramento genético. Culturas hoje consideradas pilares da economia nacional, como milho, soja, café, trigo e diversas frutas, passaram por extensos estudos de progênese, adaptação climática e avaliação de produtividade antes de se consolidarem no território brasileiro.

Nenhuma dessas culturas foi introduzida de forma aleatória. Ao longo da história, pesquisadores analisaram solos, regimes de chuva, temperaturas, incidência de pragas e potencial produtivo para definir quais espécies apresentariam melhor desempenho em cada região.

Esse mesmo caminho científico orientou a introdução do gênero pinus no Brasil, processo iniciado há cerca de 120 anos e que moldou a silvicultura comercial brasileira.

Estudos iniciais e a chegada do pinus ao país

Os primeiros experimentos com pinus no Brasil começaram no início do século XX, a partir da necessidade de ampliar a oferta de madeira e reduzir a pressão sobre florestas nativas. Assim como ocorreu com outras culturas agrícolas, diferentes espécies foram testadas de forma sistemática, considerando viabilidade econômica, adaptação climática e resistência a pragas. “Houve muita pesquisa para colocar o pinus no Brasil. Nada foi feito por acaso. Assim como aconteceu com o café, a soja, o milho e outras culturas, tudo passou por estudo, desenvolvimento e avaliação científica”, afirma Afonso Mehl Júnior, diretor da APRE.

Segundo registros históricos, pesquisadores implantaram parcelas experimentais com diversas variedades do gênero pinus, oriundas principalmente de regiões de clima semelhante ao do Sul do Brasil. A partir desses testes, foi possível identificar quais espécies apresentavam melhor crescimento e qualidade de madeira nas condições brasileiras, com destaque para Pinus taeda e Pinus elliottii. “Outras espécies também foram estudadas, inclusive de pinus tropicais, o que permitiu comparações detalhadas de resistência e produtividade”, relembra.

Adaptação, produtividade e benefícios econômicos

Com a adaptação confirmada, o pinus passou a desempenhar papel estratégico no desenvolvimento do setor florestal. O clima, a luminosidade e a fertilidade dos solos brasileiros permitiram um crescimento mais rápido em comparação a países do Hemisfério Norte, resultando em elevada produtividade e qualidade da madeira.

“Há 120 anos o pinus vem sendo estudado e utilizado no Brasil, sempre gerando benefícios. É uma espécie que se adaptou muito bem e que até hoje só trouxe desenvolvimento e riqueza”, destaca Afonso Mehl Júnior.

A madeira proveniente do pinus se tornou fundamental para diversas cadeias produtivas, abastecendo indústrias de papel e celulose, móveis, construção civil, painéis de madeira, bem como energia. Além disso, o cultivo em áreas já utilizadas anteriormente pela agricultura ou em regiões de menor aptidão agrícola contribuiu para a otimização do uso do solo e para a sustentabilidade do setor.

Afonso Mehl Júnior, que é engenheiro florestal, ressalta que a pesquisa não se encerrou com a definição das espécies mais produtivas. Ao longo do tempo, novos estudos continuaram sendo realizados para aprimorar o manejo, aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade do setor. “A pesquisa nunca parou. Ela começou há 120 anos e continua até hoje, sempre buscando melhorar o desempenho e o aproveitamento da cultura”, pontua.

Importância econômica e presença no Sul do Brasil

“O pinus é o que podemos chamar de ouro verde”, afirma Gilson Geronasso, ex-presidente e atualmente membro do Conselho Diretor da APRE, ao ressaltar os diferenciais do cultivo. “O gênero Pinus tem hoje extrema importância na economia brasileira, sendo o mais plantado no Sul do Brasil. Algumas espécies são de rápido crescimento e produzem madeira de fibra longa de excelente qualidade para diversas finalidades”.

A presença do pinus no cotidiano da população é ampla. Móveis, papel, embalagens, celulose e diversos produtos de uso diário têm origem em florestas plantadas, o que demonstra a relevância econômica e social do cultivo ao longo de mais de um século.

Um legado construído com pesquisa e planejamento

O histórico do Pinus no Brasil reflete um modelo baseado em ciência, planejamento e continuidade da pesquisa. Desde os primeiros experimentos até a consolidação do setor florestal, o gênero se integrou à paisagem produtiva brasileira, acompanhando a evolução das práticas de manejo e das políticas de desenvolvimento da silvicultura. 

O diretor executivo da APRE Florestas, Ailson Loper, ressalta a importância desse marco histórico. “Ao completar 120 anos de presença no país, o pinus reafirma seu papel como uma cultura florestal estratégica, construída a partir do mesmo rigor técnico que marcou o desenvolvimento das principais culturas agrícolas brasileiras, permitindo substituir a extração de fibras de florestas nativas pela colheita de florestas plantadas”, conclui.

Informações: Apre Florestas

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