Empresa inaugura em 2025 duas novas instalações de monitoramento ambiental para medir quantidade e qualidade da água em florestas nativas Monitoramento em plantio de eucalipto na Bahia completa 30 anos em 2026.
A gestão responsável da água começa com algo simples: medir bem e sempre. Sem dados confiáveis não é possível entender como a floresta influencia a quantidade de água que circula pela paisagem.
Uma das formas mais precisas para fazer isso é acompanhar pequenas bacias hidrográficas, onde é possível medir quanta água entra com a chuva e quanta sai pelos rios. Em 2025, a companhia inaugurou dois novos vertedouros – estruturas utilizadas para medir continuamente a vazão da água – em áreas de floresta nativa no interior de São Paulo e na Bahia. A iniciativa reforça uma rede de estudos que já acumula três décadas de medições.
Os novos vertedouros foram construídos na Estação Ecológica dos Caetetus (SP) e na RPPN Lontra (BA). Eles se somam ao monitoramento já realizado em áreas de plantio de eucalipto nos dois estados, permitindo comparar o comportamento da água em florestas plantadas e áreas naturais preservadas.
Na Bahia esse acompanhamento começou em 1996, na microbacia do rio Farje, em Araçás, e completa 30 anos em 2026, consolidando uma das séries de dados mais longos do setor florestal brasileiro.
Como funciona o vertedouro
O vertedouro é uma estrutura construída em concreto que permite medir, com precisão, o volume de água que escoa pelo rio de uma microbacia. Sensores instalados no local registram a altura da lâmina d’água, possibilitando calcular a vazão do rio. As áreas também contam com pluviômetros para o monitoramento da precipitação. Em conjunto com as informações de vazão, esses dados permitem estimar a quantidade de água utilizada pelas florestas. Além da quantidade de água a empresa também monitora a qualidade da água através de análises laboratoriais, medindo indicadores como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, sólidos em suspensão, cor e turbidez.
Na prática, o monitoramento permite comparar o comportamento hídrico de áreas de eucalipto com áreas de floresta nativa conservada, utilizadas como condição de referência ambiental.
“Os vertedouros nos permitem acompanhar, através da análise dos dados obtidos, se o manejo florestal está adequado do ponto de vista hídrico. Ao comparar áreas plantadas com áreas de floresta nativa conservada, conseguimos avaliar tanto a variação na quantidade quanto na qualidade da água ao longo do tempo e, se necessário, ajustar nossas práticas de manejo florestal. É uma ferramenta estratégica para garantir sustentabilidade no longo prazo”, afirma Geovanni Malatesta Barros, Especialista de P&D Florestal da Bracell.
Ciência e parceria de longo prazo
O monitoramento é realizado em parceria com o Programa Cooperativo de Monitoramento e Modelagem de Bacias Hidrográficas (PROMAB), coordenado pelo IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais) e liderado pelo professor Silvio Ferraz da ESALQ/USP. A recomendação técnica é que empresas mantenham microbacias pareadas, ou seja, uma com floresta plantada e outra com floresta nativa para que ocorra a comparação contínua dos dados.
Desde 1996, os dados coletados na microbacia são compilados anualmente e analisados pela equipe técnica do programa, permitindo à empresa acompanhar tendências, identificar impactos pontuais – como colheita ou fertilização – e aprimorar continuamente o manejo. As variáveis monitoradas pelos vertedouros são registradas a cada 15 minutos, complementadas por coletas de campo quinzenais e análises mensais da qualidade da água, garantindo robustez técnica e acompanhamento sistemático das condições hídricas ao longo do tempo.
Segundo o prof. Silvio Ferraz, líder científico do PROMAB, a Bracell tem sido um exemplo de investimento no monitoramento hidrológico para entender e ajustar o seu manejo florestal. “Estes dados são fundamentais tanto para a empresa conhecer o seu manejo florestal, para a sociedade como forma de comprovar cientificamente as condições de seus riachos, mas também para nós, cientistas, que estamos interessados em desenvolver tecnologias para o manejo sustentável”, destacou.
Água como indicador de manejo responsável
Além de atender boas práticas exigidas por certificações como, por exemplo, a CERFLOR, o monitoramento hídrico integra a estratégia ambiental da Bracell, alinhada aos compromissos de clima e sustentabilidade da companhia.
Segundo os relatórios mais recentes, os dados retratam que os indicadores de qualidade da água nas áreas monitoradas têm se mantido em níveis compatíveis com a referência de floresta nativa, reforçando que o manejo florestal adotado segue parâmetros técnicos adequados.
Ao investir em monitoramento contínuo e de longo prazo, a Bracell reforça seu compromisso com a gestão responsável dos recursos hídricos e com a construção de paisagens mais sustentáveis. A iniciativa está alinhada à Agenda Bracell 2030, que estabelece metas claras voltadas à ação climática, à conservação da biodiversidade e à promoção de práticas de manejo cada vez mais eficientes e baseadas em ciência. Em um cenário de mudanças climáticas, a companhia reafirma seu propósito de produzir de forma responsável, contribuindo para o equilíbrio ambiental nos territórios onde atua.

