Área-piloto no município de Catanduvas serviu de teste para corporação dos Bombeiros de SC validarem o Flareless; corporação planeja utilizar tecnologia nas operações do dia a dia. 

Prestes a completar cem anos em 2026, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) tem a missão de proteger a vida, o patrimônio e o meio ambiente. Uma das grandes ameaças, diretamente, é a ocorrência de incêndios florestais: o fogo fora de controle em qualquer tipo de vegetação, seja na mata, em plantações, pastos ou áreas silvícolas.

Somente até meados de abril de 2022, segundo dados da própria plataforma do site da corporação, foram mais de 1.315 registros de incêndios na vegetação em todo o estado. Muitas das vezes, essas intercorrências estão ligadas a fatores humanos, de forma acidental ou intencional. 

Entre agosto e outubro de 2021, a Quiron Digital, empresa especializada no monitoramento de ameaças florestais, disponibilizou ao Corpo de Bombeiros de Santa Catarina uma avaliação dos riscos de propagação de incêndio de uma área piloto de 4.000 hectares, próximo da cidade de Catanduvas, no meio-oeste catarinense. 

A análise realizada demonstrou o comportamento do risco de incêndio para o período, na área sugerida pela corporação, num total de nove semanas, graças ao uso da ferramenta Flareless, que considera mais de 12 variáveis para o cálculo do risco de incêndio, entregando um mapa detalhado com resolução espacial de 10 metros.

Para a realização da predição, diferentes variáveis são agregadas e avaliadas em conjunto, onde cada uma tem uma determinada importância e é atribuída uma ponderação relativa. As variáveis são observadas pela Quiron através de softwares e códigos próprios que geram o resultado da análise. Todo o trabalho acontece de forma remota, através de imagens hiperespectrais de satélites e nanossatélites. Nenhum tipo de equipamento é utilizado em campo. 

André Alexei Germanovix, 2º Tenente Bombeiro Militar do Estado de Santa Catarina

André Alexei Germanovix é o 2º Tenente Bombeiro Militar do Estado de Santa Catarina. Engenheiro de Materiais, ele comenta com muita satisfação as análises realizadas, que proporcionam não apenas conhecimento técnico no momento da interpretação de resultados de onde a chance de fogo é mais perigosa, mas também geram impactos na dinamicidade no momento de escolha de meios para combater os fogos. 

“Para nós, do Corpo de Bombeiros, é extremamente positivo o trabalho que a Quiron realiza. A gente faz a leitura gráfica do material, dos relatórios, e temos a classificação das regiões pelo risco, desde o extremo até o risco mais baixo. Assim, conseguimos através dessa classificação de risco de incêndio melhor gerir nossas equipes e materiais disponíveis. Com essa informação, de predição, a gente consegue tomar uma decisão mais assertiva, dentro do nosso contexto de trabalho, uma vez que tanto o efetivo em campo, quanto o material disponível têm limitações”, avaliou. 

Durante o período avaliado foi possível prever as áreas com risco muito alto, que coincidiram com os incêndios nesta área, evidenciando que a utilização correta das informações de predição disponíveis pela Quiron auxiliam na prevenção de incêndios. O resultado apresentado na região segue a tendência de possibilidade de incêndio já conhecida, com maior influência de fatores antrópicos.

ALGORITMO DA SOLUÇÃO FLARELESS PROGRIDE AVALIAÇÕES COM O PASSAR DO TEMPO

Outra realidade, graças à utilização contínua da ferramenta de monitorização “Flareless”, é a possibilidade de auxiliar na calibração do algoritmo, pois este apresenta aprendizagem por reforço, aumentando ou diminuindo a sensibilidade dos parâmetros conforme o comportamento do local ao longo do tempo e registros de ocorrências antrópicas (comportamentos humanos) dentro da área, como colheita de floresta, presença de pessoas, ou depredação do patrimônio. Todos eles são fatores de extrema influência para ocorrência de incêndios criminosos que podem não ser contemplados pela ferramenta, caso ela não seja empregada no dia a dia dos bombeiros. 

A Flareless fornece indicação mais precisa de onde reforçar os cuidados, com a antecedência devida e tomada de decisão baseada em muitos mais fatores além da experiência acumulada dos bombeiros. 

“Na grande maioria dos quartéis,o conhecimento sobre o risco de incêndios florestais é bem empírico, com base na experiência dos bombeiros, que analisam o tempo que está sem chuva, a temperatura, o vento. Até existe aquela máxima: 30 (graus), 30 (vento acima de 30 km/h), 30 (umidade relativa do ar menor que isso), que é um grande indicativo que pode ter incêndios florestais. Mas de forma geral é bem empírico esse conhecimento”, lembra Germanovix.  

Esse ferramental que a Quiron está dispondo, nos fornecendo, é extremamente valioso, para as equipes e para o Corpo de Bombeiros, de forma geral, porque com uma análise de risco mais detalhada, que leve em consideração um número maior de fatores, a tomada de decisão é melhor, uma vez que a gente tem uma informação mais adequada, para a gente tomar a decisão”, disse o tenente. 

Segundo a corporação dos bombeiros, as principais causas de incêndios criminosos normalmente envolvem a ação humana, e estão ligados a fatores como:

  • Queima intencional de pastos e lixos etc;
  • Vandalismo;
  • Fogueiras;
  • Balões;
  • Acidentes causados por fagulhas de máquinas ou rompimentos de cabos de eletricidade;

Fonte: Quiron Digital

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