A Embrapa Florestas e o Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais (Funcema) consolidaram, no início de abril, um novo formato de cooperação voltado ao manejo da vespa-da-madeira (Sirex spp.), considerada a principal praga da silvicultura de pínus. A iniciativa representa um avanço em uma parceria construída ao longo de 37 anos, reconhecida por sustentar um dos programas de controle biológico mais bem-sucedidos do setor florestal brasileiro.
Resultado de cerca de dois anos de construção conjunta, o novo acordo amplia o escopo da cooperação ao integrar, de forma estruturada, atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de tecnologia. A proposta passa a ser conduzida como um Programa de Manejo Integrado da praga, alinhado às demandas atuais do setor produtivo e às diretrizes institucionais da Embrapa. Mais do que a produção de insumos, a parceria passa a priorizar a entrega de soluções tecnológicas completas, baseadas em dados e com maior articulação com o setor florestal. Nesse contexto, o Nematec®, inseticida biológico desenvolvido pela Embrapa Florestas, segue como componente estratégico, agora inserido em uma abordagem mais ampla de controle.
O chefe-geral da Embrapa Florestas, Silvio Brienza, destacou que o novo momento representa um avanço na forma de atuação da Unidade e no relacionamento com o setor produtivo. “Hoje nós estamos inserindo nessa forma de relação o monitoramento de como essa solução elaborada lá atrás se comporta ou ela se desenvolve hoje”, pontuou.
A construção do novo formato também contou com a participação direta da gestão anterior da Unidade. O então chefe-geral interino à época da elaboração e assinatura do acordo, Marcelo Francia Arco-Verde, ressaltou que o modelo traz ganhos importantes em termos de segurança e equilíbrio na parceria. “O ajuste dirime prejuízos anuais e fortalece a confiança mútua entre a Embrapa e as mais de 170 empresas representadas pelo setor”, afirmou.
Para a supervisora do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT), Anna Thais Gomes, responsável pela estruturação do novo modelo, a atualização foi essencial para alinhar a parceria às demandas atuais. “Conseguimos evoluir para uma abordagem mais integrada, que amplia o papel da tecnologia e fortalece sua inserção em um programa estruturado de manejo”, afirma.
Representando o Funcema, o presidente da entidade e da Associação Sul-brasileira de Empresas Florestais (ASBR), José Mario de Aguiar Ferreira, ressaltou a importância da cooperação com a Embrapa. “A cultura do pínus não poderia existir sem esse trabalho do nematoide, do monitoramento e do controle da vespa-da-madeira, e a revisão dos termos vem para garantir a continuidade do projeto sem riscos para as instituições”, afirmou.
Outro avanço do novo formato está no fortalecimento da governança e da gestão do programa, com diretrizes voltadas à maior eficiência na execução das atividades e à transparência na aplicação dos recursos. A operacionalização contará com o apoio de uma fundação, contribuindo para maior agilidade na implementação das ações e no suporte às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Além disso, a nova estrutura amplia a capacidade de resposta a desafios emergentes, como a introdução de novas espécies da praga em plantios de pínus no Brasil, permitindo o desenvolvimento de pesquisas específicas e a incorporação de novas estratégias de controle. A iniciativa reafirma a importância da cooperação entre pesquisa e setor produtivo, posicionando a parceria entre Embrapa Florestas e Funcema como referência no desenvolvimento de estratégias integradas para o manejo de pragas florestais no país.
Controle biológico consolidado
Considerada a principal praga da silvicultura de pínus, a vespa-da-madeira é alvo de um dos mais bem-sucedidos programas de controle biológico do Brasil. A Embrapa Florestas é responsável pelo desenvolvimento do Nematec®, um inseticida biológico à base do nematoide Deladenus siricidicola, amplamente utilizado no controle da praga.
O produto atua por meio da inoculação do nematoide em árvores infestadas, interrompendo o ciclo reprodutivo da vespa e reduzindo sua disseminação. Reconhecido pela eficácia, segurança ambiental e viabilidade operacional, o método tem contribuído para manter os níveis de infestação sob controle no país ao longo das últimas décadas.
Manuela Bergamim (MTb 1951-ES)
Embrapa Florestas






